Notas iniciais
Aaaeeeee!!! Ate que enfim!! Nos vemos nos comentarios :) xoxo

LANA

—Lana? -ele chamou do outro lado da porta -Eu posso entrar? -murmurei um sim e vi a porta abrindo.

Queria deixar claro que antes de deixa-lo entrar, eu pensei muito bem se deveria fazer isso. Cogitei correr pra cama e fingir que estava dormindo, ou ate mesmo ligar o chuveiro pra parecer que eu estava no banho, mas eu simplesmente cansei, de tudo, ainda mais de ficar com o coração partido por causa dele. Eu não podia evita-lo mas podia esquece-lo.

—Tudo bem? -perguntei assim que ele fechou a porta. Sim, eu lembrei de sorrir.

—Tudo bem... e você?

—Ta sim -parei de ler o livro e o olhei -Aconteceu alguma coisa? -ele bufou e se sentou na cama.

—Eu não sei o que dizer -estava de costas pra mim.

—Não precisa dizer nada, Nick -me levantei do puf e caminhei ate ele.

—As coisas estavam ficando tão bem entre a gente, Lana. Eu realmente não sei o que dizer.

—Ei -ele me olhou -A culpa não é sua. Não é de ninguém. Somos complicados mesmo.

—Eu não quero mais brigar com você, ou que o clima fique ruim entre nós dois.

—Não acho que isso precisa acontecer.

—Eu também não. Eu só não quero... -ele engoliu em seco -Deixa pra la.

—Eu estou feliz por você. Do fundo do meu coração -me sentei ao seu lado.

—E eu estou feliz por ter você. Obrigado -beijou minha cabeça -Por ser incrível, por entender -eu apenas anui e ele deixou o quarto.

Ao mesmo tempo em que eu queria dar um tapa na cara dele, eu também queria abraça-lo. Acho que isso resume bem nosso relacionamento. Eu só não entendia como tudo tinha acontecido.

Fiquei no quarto o dia inteiro, e nas duas vezes que sai foi para comer. Não estava afim de ter o mesmo dia de sempre. Com ele me deixando feliz por estar perto, mas depois me lembrando que não precisa mais de mim. Eu também não precisava disso.

—Toc toc -alguém falou do lado de fora.

—Pode entrar -respondi me virando na cama.

—Lana? -era Grace. Ela entrou e fechou a porta -O que você tá fazendo?

—To deitada na cama, não da pra ver? -fechei os olhos.

—Você está coberta nesse calor?! O que tá acontecendo? -ela se sentou ao meu lado.

—Eu sei que você sabe -continuei com os olhos fechados.

—Eu só sei a versão dele -ela respirou fundo. Demorei um pouco pra voltar a falar.

—Eu acho que eu gosto do Nick -ela simplesmente começou a gargalhar.

—Você acha?! -dessa vez eu abri os olhos.

—Mas é um gostar diferente. É um gostar de verdade.

—Ô amiga -ela deitou do meu lado -Por que você tá pensando nisso agora?

—Porque eu percebi que mesmo que ele esteja com uma menina que chama ele de "Nini", ele tá feliz -a olhei -Não tá?

—Lana -ela desviou o olhar pro teto.

—Sem Lana, sem enrolação. Eu só quero saber se ele tá feliz.

Apesar de ainda olhar pro teto, ela sorriu, deu pra ver. E depois balançou a cabeça, como se negasse a responder a pergunta, mas simplesmente voltou a olhar pra mim.

—Aham, ele tá feliz. Mas seria mais se... Ah, eu não preciso nem dizer.

—Então se ele tá feliz, é o suficiente pra mim.

Depois desse dia, a semana começou a passar devagar. Eu não estava mais tão disposta a fazer nada, mas aquela surpresa pra ele... Eu não podia evitar, queria fazer parte. Faltando só dois dias para o domingo chegar, eu fui ate a casa da Grace e pedi pra ela mudar o plano.

—Por favor! Não vai custar nada! A surpresa ainda vai acontecer, Grace, só vamos mudar a estratégia, por favor.

—Não é não.

—Mas por que?

—Você tá se ouvindo? -ela olhou brava pra mim -Ta pedindo pra eu trocar você por aquela garota!

—Eu pensei muito nisso, é serio. E, apesar de tudo, eu acho que ele vai achar mais normal ela pedir pra sair com ele do que eu.

—Não, Lana, não posso mudar o plano.

—Por favor, Grace, é só você conversar com ela.

—Amiga...

—Eu poderia ter ido la, conversado com ela, e você nem iria desconfiar, mas eu to te pedindo. Por favor.

—Argh! -ela fez careta -Mas ai ela teria que ir pra festa também.

—Mas ela é namorada dele. Tecnicamente, ela deveria ir de qualquer jeito. E a propósito, se eu não precisar mais distrair ele, vocês vão ter duas mãos a mais pra ajudar.

—Ela não é a namorada dele.

—Grace -a olhei -Ela é.

—Não com titulo.

—Ah, qual é, por favor!

—Ela não deveria ser.

—Entaaaaaaao? -segurei seus ombros.

—Você é impossível -ela bufou finalmente concordando.

—Eu sei, obrigada -a abracei.

E dois dias depois la estávamos nós.

—Eles ja saíram? -Grace perguntou pelo telefone.

—Faz uns cinco minutos. Ja podem vim.

—Beleza. Dois minutos.

E realmente demoraram dois minutos. Tava com saudade dessa pontualidade britânica.

—Minha mãe está na cozinha e o Charles, no quintal. Podem entrar -falei assim que abri a porta.

Vinte pessoas, no mínimo. Mais balões, mais presentes, comidas, enfeites, cor. Fiquei me perguntando como teriam vindo ate aqui. Se fosse a pe, as outras pessoas achariam que estava havendo uma festa ambulante.

—Me ajuda com esses balões, Lana? -Josh pediu erguendo os balões perto das cortinas. Eu me lembro do dia em que o conheci...

"-E ai pessoal? Vamos parar de jogar e cumprimentar a nossa convidada de hoje -Nick anunciou quando chegamos na quadra. Fique vermelha.

—Ah, entao é dela que você fala todos os dias? -um menino moreno se aproximou.

—Ela mesma -Nick continuou.

—Finalmente tivemos esse prazer! -dessa vez, um com os olhos claros falou e eu ri.

—Babaca -o meu querido "irmão" virou os olhos enquanto ria.

Eu não sabia o que fazer, o que falar. Ate que veio um menino loiro bonitinho e parou na minha frente.

—Eu sabia seu nome... mas reforça minha memória.

—Lana -estendi a mão.

—Eu seria educado, mas eu estava sem casaco nesse frio de Londres e minhas mãos, bom... -ele virou de lado, com vergonha.

—É o que dizem: mãos frias, coração quente -sorri e ele apertou minha mão.

—Cof cof -Nick ensaiou uma tosse.

—Muito prazer, Lana. Meu nome é Josh.

—Prazer. E vocês são? -perguntei olhando para os outros meninos.

—Eu sou o Thomas, não tão convidativo quanto o Josh -o moreno falou.

—Henri, não tão mulherengo quanto o Josh -o de olhos claros brincou.

—Nick, não tão charmoso quanto o Josh -ele entrou na brincadeira. Ah, mas era sim mais charmoso que o Josh."

—Ajudo, claro -amarrei as pontinhas dos balões e eles ficaram parados.

—Acho que ele vai curtir -Josh olhou pra mim -Você não acha?

—Acho que ele ja está curtindo -ate ele deve ter sentido a pontinha de dor na minha voz.

—Então pensa só com o bolo -ele me abraçou e sacudiu meus braços tentando me animar.

—Quem sabe né? -tentei abrir um sorriso.

—Vamos, vamos terminar de arrumar as coisas -ele foi pra um lado.

Uns dez minutos depois ja estava tudo pronto. A mesa montada com as comidas preferidas dele (inclusive açaí), os presentes perto do sofá, balões espalhados por todos os lados, muitas muitas cores em todos os lugares (parecia um circo, mas bonitinho), e vaaarias pessoas do lado/atras da mesa esperando pra gritar surpresa. Ja minha mãe e Charles estavam perto do interruptor, que acenderiam quando ele entrasse.

O plano funcionou bem. Ela (a tal de Lorany) se atrasou um ou dois minutos. Minutos esses em que a Grace veio ate mim com um cartaz dobrado e me pediu pra segurar virado pra porta. "É pra ser a primeira coisa que ele vai ver quando chegar", ela disse. "Você tem que segurar", ela disse. E la fui eu. Peguei o cartaz bem na hora em que as luzes se apagaram e não consegui ler.

—Ele tá vindo, silencio -alguém falou o obvio. E uns cinco segundos depois ja pudemos ouvir a voz dele.

—Será que ja tá todo mundo dormindo? -ele destrancou a porta e...

—SURPRESA NICK! -todos gritaram.

Devo admitir que eu me empolguei muito, quis ate correr e lhe dar um abraço bem forte mas eu me contive ao ver a menina do seu lado, então o máximo que movi foi minha cabeça pra olhar o que estava escrito no cartaz. "Feliz aniversario, amor".