Tell Her You Love Her
1 Tell her...
Notas iniciais
Sem mais, boa leitura.
Ela estava deitada ao meu lado, no mais profundo e tranquilo sono. Enquanto sua mente divagava em seus sonhos eu a admirava. As costas nuas descobertas, o cabelo negro bagunçado espalhado pelo travesseiro branco, o peito se expandido e relaxando em sincronia. O lençol amassado contornava o resto de sua silhueta. E eu a admirava. Agradecia mentalmente por cada momento, cada sorriso, cada olhar, cada partícula de tempo ao seu lado, cada detalhe.
O cheiro dela impregnava meu quarto a essa altura, aquele cheiro que não é amadeirado, não é doce, que não tem como definir. É apenas seu cheiro, absolutamente e somente seu. Sorrio com os olhos fechados ao lembrar da noite passada enquanto seu aroma se instala mais e mais profundamente em minha mente. Quero decorar cada pormenor.
Tento resistir a tentação de tocar-lhe, mas naquele momento ela era a personificação do perfeito, a beleza absoluta. Com cuidado deslizo as pontas dos meus dedos por suas costas, seus braços nus. Não quero acordá-la. Então um desejo me toma, preciso dizer que a amo, que a amo muito, preciso falar-lhe todos os clichês possíveis, mesmo que nenhum deles chegue se quer aos pés do que realmente quero dizer.
Posso falar que a amo como a vastidão do Universo ou que a amo tanto quanto o tempo tem um fim e, mesmo que todos estes sejam sinônimos do infinito, de algo inacabável, ainda assim seria dizer que esse mesmo amor é, por fim, capaz de ser medido. E ele não pode.
Quero dizer-lhe palavras doces, sussurrar com minha boca colada ao seu ouvido, citar livros, músicas, poemas. Quero sentar com ela no sofá num dia nublado e escutá-la contar seus segredos para então contar os meus também. Abraçá-la e falar sobre as complexidades do Universo, divagar sobre futilidades e conversar sobre o atual estado da sociedade. Enche-la de beijos, dos pés a cabeça, de um braço a outro. Pentear seu cabelo com os dedos enquanto ela está deitada sobre mim contando como fora seu dia.
Eu a amo com toda a energia do meu ser.
Ela começa a se mexer na cama, dando sinais de que logo acordará. Gravo como a luz da manhã penetra no quarto através das cortinas e ilumina seus fios escuros e sua pele morena. Quero congelar esse momento para sempre. Estou em paz com a paz dela. Ela me contagia da melhor maneira possível, me vitaliza.
Lembro-me de quando a encontrei pela primeira vez. Uma festa qualquer que por um milagre eu fui. Nunca fui fã de festas, mas naquele dia tive um animo estranho para comparecer. E lá estava ela, dançando graciosamente em seu vestido solto e com um sorriso aberto, indo pra lá e pra cá, conversando com todos. A partir dali comecei a admirá-la, mas não fazia ideia do que ela viria a se tornar, do significado que ela teria em minha vida.
E agora cá estávamos nós. Era difícil de acreditar que eu de fato tinha conseguido o coração dela. Eu, uma pessoa com diversos defeitos notáveis, conseguira o coração de um anjo. Ou talvez ela conseguira finalmente conquistar um coração gélido. Difícil dizer a quem pertence o mérito.
Ela se vira para o meu lado mas continua com os olhos fechados. Sei que não está mais dormindo. Sei que ela também quer aproveitar ao máximo o momento. Alguns fios de cabelo estão grudados em seu rosto, resquícios de antes de adormecer. Com carinho tiro-os de seu rosto e deposito-os atrás da orelha. Minha mão desliza por seu rosto, fazendo um carinho que vai da testa a ponta do nariz e ela sorri com o gesto.
Finalmente abre os olhos, de jeito lento e gradual. Até que suas pupilas se focam em mim e vejo meu reflexo com um sorriso bobo. Seu sorriso se estende, abre mais ainda e é aquele que sempre vejo depois de uma semana puxada de estudo e trabalho, quando finalmente nos vemos. Um sorriso cheio de saudade e feliz com a presença.
Desejo ser tudo que ela quer, que ela precisa. Suprir todas suas faltas, sarar todas suas feridas, fazer das dores dela minhas. Não quero vê-la sofrer, quero protege-la de tudo, pô-la numa caixa e guardar para que ela não se machuque. Soa possessivo, sim, mas não controlo o desejo de não querer vê-la, sob hipótese alguma, triste. Mas claro, não posso salvá-la do mundo.
Mesmo depois de meses pensando os mesmos clichês, não me canso. Não me canso de seu olhar, do sorriso quando faço as mesmas piadas sem graça, da delicadeza do seu andar. Não consigo me cansar dela.
Preciso dizer, finalmente, que a amo. Preciso tirar as palavras da minha boca e fazê-las audíveis. Preciso.
Ela levanta o olhar pra mim, com um sorriso sincero. Como pude passar tantos anos sem ela?
Tomo fôlego. Olho-a com carinho, tento transmitir toda minha admiração e carinho em minhas palavras.
- Bom dia, Ana – É tudo que digo.
Notas finais
Vou pedir comentário sim, mas porque quero opiniões se fui bem ou não kkkk
Obrigada se você chegou até aqui!
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