Notas iniciais
Um grande Oi! Antes de mais nada meus queridos, gostaria de pedir um imenso perdão a todos que acompanham a história, após quase um ano de desaparecimento, aqui estou eu. As desculpas para isso são as mais esfarrapadas, portanto, não darei essa dor de cabeça de me explicar. Tudo que tenho a dizer é que o quarto capítulo não será relacionado aos personagens já conhecidos, mas sim para apresentação de um "novo'' personagem, aviso, pois não quero causar nenhum estranhamento. É isso meus amores. Boa leitura. ‘’Desista, mas aos poucos, para dar tempo de não desistir. ’’ — Eu me chamo Antônio.

Paris, França

Primeira Parte – Andy Fournier

Garrafas vazias. Pés descalços. Cinzas de cigarro pelo chão. Cigarro apagado. Luz apagada. Alma cansada. Esse é Andy Fournier, às 18h01min de uma quarta-feira chuvosa, esperando por algo, só não sabia o que seria esse algo. Sentia dor de cabeça, a resseca o consumia, sentia frio, mas não queria um cobertor ou uma blusa, seu frio é interno, é profundo, é na alma.

Olhou o apartamento vazio e bagunçado, havia começado a pintar um quadro, o esboço de um rosto. Um rosto que conhecia muito bem, tão bem que poderia sentir o cheiro que o cabelo dourado do retrato exalava. Os traços do maxilar marcado, o cabelo cacheado nas pontas cobrindo os olhos escuros. Não havia terminado, não havia forças.

Procurou em uma das garrafas vazias algumas que houvessem uma ou duas doses de álcool, não encontrou nenhuma. Levantou-se para ir até a geladeira, desequilibrou-se um pouco ao dar alguns passos. Andou um pouco até chegar à cozinha, aproximou-se do balcão e pegou um único cigarro que tinha encontrado, pego-o, acendeu e deu uma tragada. Antes que pudesse completar o ato de abrir a geladeira, a campanhinha tocou.

— Bon Sang. — Exclamou desanimado para si mesmo, terminou de tragar o cigarro até ouvir a campanhinha tocar outra vez. Suspirou e andou até a porta, tropeçando às vezes, a madrugada passada tinha realmente sido difícil.

Ao abrir a porta deparou-se com Adeline, sua irmã mais velha. Adeline se parecia muito com Andy. Os cabelos pretos estavam mais curtos do que a última vez que a vira, os lábios rosados finos, os olhos profundos e azuis, a pele branca parecia uma porcelana. Usava muitas camadas de casaco, segurava um guarda-chuva que molhava o tapete da entrada. Sentiu um frio no estômago, não sabia ao certo se era felicidade ou nervosismo, mas logo o desânimo que sentiu tomou conta desses sentimentos.

— A bientôt. — Falou desanimado e tentando fechar à porta, Adeline por sua vez a segurou.

— Andy, por favor. — A morena exclamou forçando a passagem.

— Não quero ver ninguém Adeline, ninguém que tenha o nome com o final “Fournier”, respeite isso e vá embora.

Adeline por sua vez continuou a forçar a passagem.

— S’il te plaît Andy! — Gritou a mulher.

— Casse toi Adeline! — Devolveu Andy, cansado e sem mais energias para continuar a barrar a passagem da irmã, continuou — Não vai desistir? — Perguntou já conhecendo a irmã e sua teimosia.

— Não meu querido. — Respondeu com a doce voz da qual Andy sentiu muita falta.

Cedendo, Andy abriu a porta e deixou o corpo coberto de casacos da irmã o envolver seu corpo nu forte, o cheiro que ela exalava continuava o mesmo, de café e flores recém-colhidas. Emocionou-se um pouco, os olhos doeram e uma pequena lágrima quis cair e ao invés de chorar retribuiu o gesto, levantou os enormes braços e envolveu o corpo de Adeline, abraçou-a e logo depois beijou o topo de sua cabeça.

Depois de algum tempo daquela maneira, os dois entraram e se aconchegaram na sala, não era bem uma sala, apenas um cômodo com um sofá baixo sem graça e uma almofada gigante de pêlos pretos, Andy sentou-se na almofada e Adeline no sofá.

— Quer café, água ou qualquer outra coisa líquida? — Perguntou Andy, um pouco desconfortável, havia algum tempo que não recebia alguém em seu apartamento, por conta disso, tinha desaprendido a receber visitas.

— Não, obrigada — Respondeu Adeline olhando em volta, nunca se acostumava com a aparência do apartamento de Andy, parecia um balcão abandonado cheio de obras e matérias de sobrevivência básica de um ser humano — Parece cansado — Comentou, analisando o irmão mais devagar. O cabelo desembrenhado parecia não pentea-los direito há dias. Os olhos profundos estavam rodeados por olheiras pretas gigantes, a boca fina tinha resquícios de rosa, mas a coloração cinza que adquiriu com o hábito de fumar eram mais forte.

— Não só aparento, estou cansado irmãzinha — Disse pensando um pouco e continuou — Na verdade, estou cansado de estar cansado e farto de viver para morrer. — Sorriu de canto ao dizer isso. Ao olhar a expressão que tomou conta do rosto da irmã, desviou o assunto que se estenderia — Por que veio me visitar? Estava com saudade de uma visão degradante da humanidade? — Perguntou.

— Estou com saudades, mas de você querido — Respondeu, Andy emitiu um som de deboche parecido com “Hum”, pesando em quantas vezes Adeline usava a palavra querido para se referir a ele.

Ficaram um tempo sentindo o silêncio desconfortável, ouvindo o tic-tac do relógio e o barulho da chuva batendo na janela.

— E como estão? — Andy disse quebrando o silêncio.

Adeline cogitou um pouco antes de responder.

— Não sei dizer, faz tempo que não os vejo... Sei que Aphonse entrou para faculdade e é o orgulho de papai.

— "Orgulho do papai" — Andy disse com um tom de voz sarcástico — Grande merda.

— Olha Andy, eu sei que vocês não se dão bem, mas poderia pelo menos, respeitar... — Ele não deixou continuar a frase.

— Não, eu não poderia e jamais poderei. Você se esqueceu irmãzinha do que ele fez?! — Gritou exaltando-se um pouco.

— A culpa não foi dele. — Adeline falou calma — Não pode jogar a culpa de uma morte em cima dele.

— Eu posso sim! Eu odeio aquele maldito Fournier! — Gritou o mais alto que pôde e com todo ódio que tinha dentro de si, nesse momento sua cabeça doeu mais forte, levantou-se e chutou a almofada com raiva.

— Andy! — Gritou Adeline, levantando-se também e segurando o irmão pelos ombros, encarou-o, seus olhos marejaram, o irmão abraçou-a e apoiou a cabeça em seu ombro, chorou como uma criança com medo do escuro.

— Estou cansado Adeline, não consigo mais viver essa vida de merda que vivo, sou um peso morto que tem a obrigação de acordar todas as manhãs e pensar "Puxa, tenho que viver mais uma droga de dia.". — Disse entre soluços.

A morena não sabia o que dizer para confortar o irmão, apenas acariciava seus cabelos e o apertava forte, olhou em volta mais uma vez e viu quantas pinturas Andy fez referente a sua dor, — sua dor que havia nome, endereço e até um lugar no cemitério — sentiu um aperto no peito e o abraçou mais forte.

Depois de se recompor, Andy pediu para que Adeline fosse embora.

A morena fez o que o irmão pediu com lágrimas nos olhos, no elevador, Adeline desabou em lágrimas e lamentações, não acreditava no que a vida de Andy havia se transformado.

Andy ao se encontrar sozinho, chorou um pouco mais. Odiava se lembrar do motivo que o afastara da família. Aproximou-se de sua pintura mal acabada e colou seu rosto no rosto do desenho incompleto. Suas lágrimas caíram suavemente e Andy sentiu tanta dor e saudade que gritou de desespero, apertou a tela contra seu rosto até seus lábios tocarem o lábio esboçado no papel e as lágrimas borrarem a tinta preta.

— Au revoir — Disse, tentava aceitar esse adeus há sete anos.

Notas finais
Aqui está a tradução de algumas das expressões que aparecem no capítulo: * Bon Sang - Droga. * A bientôt - Até logo. *S'il te plaît - Por favor *Casse toi - Vá embora. *Au revoir - Adeus.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.