Notas iniciais
Oi queridos, um aviso: a história será atualizada sempre depois de duas semanas, okay? Então, se por acaso acharem que a fic está abandonada, lembre-se que não, que é apenas depois de duas semanas (No máximo), ela será atualizada. Espero que gostem do capítulo. ^^ " A saudade é uma mistura de sentimentos. É confusão de pensamentos. É Esperança. É amor. É solidão. É um pouco de alguém em você. É um pouco de você que alguém levou. É um pedaço de um coração. É uma lagrima salgada. Ou até mesmo um sorriso sem razão." - Julia Caroline

O relógio marcava 15h01, o clima estava um pouco frio, apesar de ser verão, o ar pesava e Sebastian estava sentado em uma cadeira azul de plástico que lhe fazia doer às costas, esperando há mais de seis horas, nervoso como no dia em que Summer nasceu. A Doutora Campbell explicou que a cirurgia demoraria de 10 a 12 horas e que era um tanto cansativa para todos, tanto para os médicos como para Summer e para ele.

Seus pais haviam voltado para casa para preparar as coisas para a chegada de Summer, Aanya não falava com ele desde que saiu apressada daquela conversa e os pais de Diego — Roberto e Joana — estavam no hotel também se preparando para a chegada do garoto.

Os minutos passavam arrastados, seu nervosismo aumentava a cada hora, faltava muito ainda para terminar, não queria esperar sozinho, estava sendo torturante. Levantou-se em um salto em direção ao maldito elevador, claro que deveria está acostumado passado semanas que o utilizava, mas era sempre a mesma sensação. O elevador estava ocupado e quando a porta se abriu não precisou entrar, pois a pessoa que queria ver estava bem a sua frente: Aanya.

Deu um sorriso automático, aquele que saia sempre quando via a garota de cabelos pretos, mas Aanya não parecia muito feliz em vê-lo, parecia desejar voltar ao cubículo e nunca ter apertado o botão de abrir a porta. A garota engoliu em seco e forçou um sorriso de canto.

— Sebastian. — Foi tudo que disse olhando para baixo.

— Aanya Smith. — Devolveu a observação sorrindo, o sorriso que sempre derrubava a garota ao ser direcionado a ela. — Tenho a impressão que está me evitando, estou certo? — Questionou-a colocando as mãos no Jeans escuro.

— É apenas impressão sua. — Respondeu com um pouco de nervosismo. — Estou tendo muito trabalho ultimamente, consultas para marcar, outras para desmarcar, enfim... — Pausou, finalmente o encarando, olhou os profundos olhos azuis que brilhavam de felicidade “Summer” pensou, o único motivo que traria felicidade à Sebastian, a saúde da filha e uma vida normal. Desabou. — Tenho que ir, preciso... — Pensou em terminar a frase com “De você”, mas não conseguiu, então apenas disse:

— Ir.

Sebastian notando a estranheza da amiga pegou sua mão e levantou no ar.

— Precisa mesmo? — Sorriu de maneira carinhosa e acrescentou — Estou esperando a cirurgia acabar com o coração na mão, tão ansioso... Preciso de companhia, que tal se fossemos até o café, conversar um pouco.

A proposta era mesmo irresistível, mas Aanya havia sofrido tanto com o sentimento que tinha por Sebastian, estar ao lado dele só pioraria as coisas. Soltou sua mão da dele e olhou para baixo, encará-lo não resolveria nada, apenas reforçaria seu lado que dizia para ficar. Saiu sem falar nada.

Sebastian queria muito entender o que estava acontecendo com a amiga, pensou em ir atrás, tentar conversar, mas apenas ficou parado no mesmo lugar, sabia que ela precisava de um tempo. Voltou para a cadeira azul com um pouco de repulsa, suas costas doíam só de pensar em sentar nela novamente. Desistiu. Ficou em pé olhando para o relógio de parede redondo que agora marcava 15h16, suspirou. Demoraria muito ainda.

De braços cruzado, encostado em uma parede branca e gelada, fechou os olhos. Seus pensamentos se direcionaram para uma conversa que teve com Diego antes dele ser encaminhado para a cirurgia.

O garoto balançava as pernas de um lado para o outro impacientemente deixando Sebastian com a mesma agonia, as mãos apertando com força cada lado da cadeira suavam e escorregavam na estrutura plástica; mordia o lábio inferior, estava tão nervoso e não podia conter aquele nervosismo para si mesmo, olhou para Sebastian que estava com os olhos fechados parecendo dormir.

— E se eu não conseguir? — Perguntou quebrando o silêncio.

Sebastian abriu os olhos devagar, olhou para o lado e depois para baixo, Diego era tão pequeno, mas seu coração tão grande e seu sentimento por Summer maior ainda, parecia que os dois se conheciam há anos e não há semanas. Passando os enormes braços nos ombros do garoto respondeu:

— Eu acredito em você Diego, acredito muito. — Foi tudo o que disse apertando os ombros do garoto mais para perto de seu corpo.

— Se eu não conseguir salvar a vida de Summer, acho que com consequência vou acabar perdendo a minha vida e uma grande amiga, também vou ganhar uma grande culpa. — Pausou olhando para Sebastian, percebendo que sua expressão estava mudando, continuou — Desculpe... Sei que não consegue pensar na possibilidade. Nem eu consigo.

— Tudo bem garoto, só não pense muito.

Voltou para a realidade quando ouviu o celular tocar, pegou-o do bolso e atendeu.

— Oi. — Disse a voz feminina reconhecível.

— Oi. — Respondeu.

— Desculpe estar ligando, eu nem sabia que ainda tinha seu número — Sorriu com a intenção de soar descontraída, mas não funcionou. Sebastian reconheceria aquela risada em qualquer lugar do mundo: Charlotte.

— O que você quer? — Perguntou já querendo atirar o celular na parede.

A linha ficou em silêncio por alguns minutos e a impaciência de Sebastian crescia.

— Eu queria estar ai. — Respondeu e antes que Sebastian a interrompesse com mais um de seus sermões continuou — Não é preciso que nós fiquemos no mesmo cômodo. Tadeo também não vai... Eu só quero ficar esperando... É tão importante para ela, é tão importante para mim... Só me deixe...

— Pode vir. — Sebastian a interrompeu — Não vou me importar se você ficar na sala de espera comigo.

— Mesmo? — Sentiu um pouco de excitação na pergunta.

— Mesmo. — Respondeu dando um sorriso sincero que ela nunca veria, pois estava do outro lado da linha.

— Então, tchau.

— Tchau.

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Às 16h20, Sebastian avistou a ex-mulher em um vestido azul simples, usava uma sapatilha preta e a bolsa marrom grande parecia pesar em seu ombro, o cabelo loiro estava solto, caia como pesadas cascatas em seus ombros. A boca estava curvada em um leve sorriso, andava um pouquinho depressa.

— Acho que me atrasei um pouco. — Falou, como se os dois tivessem marcado algum compromisso.

— Nem reparei na sua demora. — Sebastian disse sem soar rude.

— Delicado feito uma porta, como sempre. — Observou, sentando-se e colocando a bolsa ao seu lado.

— Desculpe, não quis soar rude. Alto defesa contra você sempre. — Falou, e colocou as mãos no bolso. Charlotte sorriu um pouquinho percebendo que sua mania continuava ali, intacta.

— Que foi? — Ele perguntou.

— Você. — Ela respondeu.

Sebastian a olhou com a expressão de dúvida.

— As mãos nos bolsos, você faz isso sempre que quer fazer alguma pergunta ou pensar. — Disse, sorrindo.

Sebastian tirou as mãos do bolso e Charlotte parou de sorrir.

— Não precisa ficar me alfinetando o tempo todo.

— Não estou a alfinetando,apenas que... — Ele abaixou o tom de voz — Você sabe tanto sobre mim. É irritante.

Charlotte curvou os lábios como se fosse falar algo, mas ficou quieta brincando com as mãos. Passou um tempo em silêncio mutuo e constrangedor, até que Sebastian se manifestou.

— Quer ir ao café? — A pergunta soou um tanto inusitada. Ela e Sebastian em um café? Aquilo era um convite mesmo?

Em um estado de choque fez uma careta estranha e respondeu com outra pergunta:

— Isso é sério?

— Acho que é. — E colocou as mãos nos bolsos novamente.

— Então, tudo bem. — Ela disse se sentido um pouco estranha com relação aquilo, era como se estivesse caindo em uma armadilha, mas que armadilha?

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No café o clima estava mais quente, com o típico cheiro de café de todos os tipos, aquele tipo de cheiro que confortava e que Sebastian amava. Charlotte sentou-se a sua frente. Passaram o percurso inteiro em silêncio como dois estranhos indo para lugares diferentes, ele andando na frente e ela atrás.

— Vai querer o que? — Perguntou Sebastian, com as mãos cruzadas em cima da mesa analisando o ambiente.

— Café, apenas café puro e amargo. — Charlotte respondeu, sem muita convicção.

— Cappuccino.

Sebastian chamou a garçonete que os serviu e logo se retirou.

Charlotte pegou a xícara branca e comprida e levou até boca e depois que bebeu o primeiro gole quente uma lembrança estranha veio em sua mente, a loira começou a rir descontroladamente, mas logo depois se contendo percebendo que Sebastian a olhava com uma expressão de dúvida.

— É que... — Ela começou brincando com a toalha vermelha da mesa — Lembra-se daquela vez que fomos a um café em Ontário? — Perguntou, parando de rir e olhando-o fixamente.

Sebastian encarou os olhos azuis céu, estavam parados esperando por ele, esperando que o rastro da memória viesse em sua mente. Sebastian buscou por algo, escondido em si mesmo, a lembrança boa que tivera com Charlotte, não foi apenas dor e sofrimento e até mesmo abandono, antes disso veio a felicidade e o amor que os dois sentiam um pelo outro.

Começou a rir também ao encontrar a lembrança, encarou Charlotte que também não conteve o riso. Depois daquele ataque, os dois suspiraram e se olharam novamente.

— Ela era jovem demais e estava cansada. — Sebastian comentou.

— É, mas café com sal? — E sorriu, a pele estava vermelha e a barriga doendo, o mesmo aconteceu a Sebastian.

E de uma crise de risos para um silêncio absoluto foi um passo, ambos encontravam-se concentrados em suas bebidas demais para fazer algum questionamento.

— Não precisa ser assim. — Ela disse, depois de um tempo, direcionou a mão quase como se quisesse colocá-la em cima da dele, mas desistiu no meio do percurso. — Não se sinta culpado por rir comigo ou conversar como velhos amigos. Não vai cair um membro seu se interagir comigo normalmente.

— Não funciona. — Ele riu amargamente — Não funciona.

— O que não funciona Sebastian? — Charlotte perguntou com a voz calma, mas indignada.

— Isso. — Ele se levantou e fez um gesto com mão — Tentarmos agir como se fossemos velhos amigos que acabaram de se reencontrar.

— É o que você acha. — Charlotte disse, levantando-se também.

— Não, não é o que acho. É a realidade, nunca vamos conseguir nos entrosarmos novamente, sabe por que Charlotte? — Ele a olhou profundamente nos olhos e por um breve momento Charlotte achou que ele falaria que ainda a amava. Ele seria capaz de dizer, porque uma parte disso era verdade, mas não diria, nunca diria. Então em vez disso completou dizendo. — Eu nem sei por que a chamei aqui.

E saiu.

A loira ficou sozinha no estabelecimento. O que ela esperava? Uma reconciliação? Um perdão? Seus olhos lacrimejaram. Ele nem havia dito o porquê dos dois nunca conseguirem se entrosar, mas a resposta era óbvia demais. Preferiu esquecer. Pegou a bolsa e procurou o celular, ligaria para Tadeo, precisava de alguém para abraçar e dizer o que sentia.

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Sebastian andava devagar, o café não ficava tão longe do hospital de forma que seus passos não atrasariam em nada. Suspirou. Charlotte consumia boa parte de sua energia e queria alguém de verdade para conversar. Seus pais estavam longe demais e Aanya não queria vê-lo, o que faria? Agora pensando percebeu que nunca tivera amigos, amigos de verdade em todos esses anos — Além de Summer, Aanya e seus pais.

Olhou o relógio, marcava 17h25, perdeu uma hora. Avistou a trilha de paralelepípedos do hospital e antes mesmo que pudesse perceber já estava lá dentro avistando os atenciosos olhos castanhos de Aanya digitar algo no computador, aproximou-se. A morena ao perceber sua presença estremeceu.

— Só um minuto. — Disse.

Sebastian assentiu.

— Como foi o cafezinho? — Falou dois minutos depois um tanto ríspida.

— O quê? — Sebastian devolveu a pergunta confuso.

— Você sabe. Você a Charlotte. O reconciliamento. O perdão. Eu não sou nenhuma idiota Sebastian. — Falou, sem olhá-lo nos olhos, estava com raiva e vontade de chorar, viu os dois saindo de tarde e sentiu-se muito mal por não ter aceitado o convite.

— Ah, aquilo. — Ele disse rindo um pouco — Dor de cabeça como sempre. Não tem por que ficar assim Aan.

— Será que é só você que não percebe? — Ela perguntou alterando a voz continuou — É tão estúpido que não consegue ler as entrelinhas do que eu falo? Por que fica se torturando com essa mulher? Por que insiste? — Ela já estava chorando, na recepção, no meio do seu expediente.

— Aanya, o que está acontecendo? Quer sair daqui? Quer um copo d’água? — Perguntou, acariciando os cabelos negros da amiga e enxugando as lágrimas atrevidas que caiam de seus olhos.

— O que está acontecendo? Aconteceu que eu me apaixonei por você, foi isso que aconteceu. — Ao dizer isso, soltou sua mão da dele e secou as lágrimas — Agora, por favor, saia daqui. Estou trabalhando.

Sebastian saiu em um estado de choque estranho e isso era a última coisa que esperava ouvir no mundo.