Telefones Amarram Eu e Você

2 Ishida e Orihime - Há Males Que Vêm Para o Bem


Notas iniciais
~> Oneshot IshiHime
Sentou-se no sofá amarelo da sala, puxando o cobertor que segurava para cobrir o corpo. Apesar de ser verão e o clima estar bem quente em Karakura, Ishida sentia certo frio. Acordara indisposto naquele dia, estando com um pouco de febre.

Havia deixado uma chaleira na cozinha com água fervendo para fazer um chá, e decidiu esperar descansando o corpo levemente fraco no sofá. Aconchegando-se mais no manto, foi cerrando os olhos sentindo involuntariamente uma sonolência. Já começava a pegar no sono quando o barulho do telefone o acordou.

Ishida abriu os olhos e tateou a mesinha que ficava ao lado do sofá. Conseguiu tirar o aparelho do gancho, e com a lentidão que a doença lhe proporcionava colocou o objeto rente a orelha.

- Moshi moshi.


- Ishida-kun?



O Quincy reconheceu imediatamente aquela voz. Apesar da febre, jamais confundiria a voz da mulher que secretamente amava.


- Inoue-san. – respondeu, piscando os olhos algumas vezes. – Como vai?


- Eu estou bem, Ishida-kun... E você? – Ela parecia um pouco ansiosa do outro lado da linha. – Você não foi ao colégio hoje... Eu achei que pudesse ter acontecido algo...



Seu coração falhou por um momento, retomando a pulsação com mais intensidade do que o normal. Estava até mais disposto diante da preocupação da mulher. Isso o reconfortava, fazia-o sentir-se especial.

Especial para ela.



- Eu acordei um pouco indisposto hoje, por isso não fui ao colégio. – Lá da cozinha podia-se escutar a chaleira chiando com a água fervente.


- Você está doente, Ishida-kun? É melhor ir ao hospital... Eu posso te acompanhar. – ofereceu-se Inoue, um pouco agitada.


- Não é preciso. Eu... Cof... Cof!– Interrompeu sua frase ao ser tomado por um acesso de tosse. – Só peguei um leve resfriado. – concluiu.


Alguns minutos de silêncio do outro lado da linha. O Quincy poderia imaginar que a ligação havia caído, porém ouvia claramente a respiração de Orihime perto do aparelho.


- Eu sei o que vai te deixar melhor, Ishida-kun! – voltou-se a pronunciar, animadamente. – Eu vou cuidar de você... Irei até sua casa.


- Co-Como? – Ishida engasgou-se, surpreso. – Você... Aqui... Cuidando... Você...? – Não conseguia juntar as palavras na mesma frase, tamanho era seu espanto e nervoso. – E eu...?



“Eu e você?”. Na verdade era somente aquilo que queria perguntar. Era o que seu coração gostaria que existisse algum dia: ele e ela.

- Me espere, Ishida-kun. Eu conheço um chá ótimo! Ja ne.


- Inoue... – Tu-tu-tu. Ela havia desligado o telefone.



Colocou o aparelho no gancho, e com cuidado levantou-se do sofá. Deixando o cobertor em cima do móvel, foi até a cozinha onde a chaleira chiava incansavelmente. Desligou o fogo, e com a ajuda de um pano retirou o objeto o fogão. Jogou todo seu conteúdo dentro da pia, sem ao menos tentar fazer o seu chá; esperaria Inoue chegar e fazer a bebida quente para ele.


Era certo que estava preocupado com o gosto e o efeito que o chá da jovem poderia provocar nele. No entanto, valeria demasiado a pena qualquer enjoo que pudesse ter em troca da companhia daquela mulher. Já estava até agradecendo aos céus pela febre repentina, motivo pelo qual teria uns minutos com sua amada.


Voltou para sala e aconchegou-se novamente no manto. Deitado no sofá ficou a espera de Orihime que não tardaria a chegar. Enquanto isso não acontecesse, se manteria cordado pensando em como agradecer a jovem.



FIM
Notas finais
Última one dessa micro série. Mas eu andei pensando, e talvez, se a inspiração me surgir, eu escreva mais ones dos casais com esse tema.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!