Telecinético
5 Capítulo 5 - Confie na Estrela
A luz branca forte que me obrigava a fechar os olhos foi diminuindo. Ainda não consigo me mover. Estou no chão de areia. Onde caí, fiquei. Meu outro eu flutuava alto. Uma luz verde lenta surgiu perto de mim, o que será?
O rosto de um homem invade minha visão, seus cabelos ruivos caem sobre seu rosto. Seus olhos são grandes e verdes, de pele clara. Ele não me é estranho! Sim! Ele é o homem que vi nas folhas, no reflexo e na escola. É ele!
– Você está bem? – pergunta ele ofegante.
– Eu não sei. Não consigo me mexer. – respondi. – Quem é você?
– Sou Sean e estou aqui para ajudá-lo. – disse ele sorridente. Me senti melhor.
– Como? – perguntei calmamente, meus olhos começaram a ficar pesados. Parece sono.
– Ian, fica comigo. Escuta, essa é a sua mente. Você precisa me ajudar a prender ele de novo, tá legal? – disse ele apontando para o brilho no alto. – Fica comigo, Ian!
Acho que apaguei por um momento, sinto a mão de Sean em minha cabeça quando desperto. Abro os olhos e vejo um feixe contínuo de luz verde saindo de sua testa, e atingindo a minha. Sinto cada parte do meu corpo reviver, uma sensação tão boa que eu poderia viver o resto de minha vida sentindo-a. O feixe desaparece e eu me levanto, me sinto tão bem! Limpo minhas roupas, e tiro a areia de meus cabelos.
“tudo bem?” pergunta Sean depois de levantar, ele estava de cócoras ao meu lado.
“me sinto ótimo” respondo.
“bom. Agora precisamos prendê-lo”
“como?”
“Primeiro. De onde ele veio?”
“lá de cima.” aponto para o topo do prédio enorme. Ele olhou para cima, tapando os olhos, de tão intenso que era o brilho. “vem, por aqui.” digo indo em direção a entrada do prédio, Sean me segue.
Chego perto da porta dupla de vidro e empurro-a, depois puxo-a.
“está trancada”
“Abra.” Sean diz. Abro minha boca para perguntar como, mas ele continua. “Você controla tudo aqui. É só querer.”
Me concentro, imagino a porta se abrindo. Não posso deixar de admitir que isto me parece um tanto estúpido. Surpreendentemente acontece. As portas se abrem devagar, como se uma brisa passasse por elas. Há somente uma coisa no andar térreo. Uma caixa retangular, como a que vi lá em cima. Me aproximo dela e a examino.
“é uma igual a essa que tem lá em cima. O que são essas coisas?” digo a Sean, me viro para ele esperando uma resposta.
Ele caminha até o elevador e aperta o botão para que ele desça.
“explicarei tudo a você depois, agora vamos rápido.”
O elevador se abre e nós dois entramos. Aperto no botão do último andar, o trezentos.
“um tanto alto esse prédio, não?” Sean parece um tanto desconfortável.
“é... Bem alto!” digo nervoso, aposto que pareço mais desconfortável que ele, só de lembrar daquela altura...
Enquanto subimos, pergunto:
“é tu que eu tenho visto por aí? Quando tentou falar comigo no meio daquelas folhas pensei que estava louco.”
“Sim, sou eu. Presumia que já esperava por minha visita, mas claramente estava errado. Te explicarei tudo depois, é uma longa história.”
“tá bom então. Como fazemos para prender aquilo?” não pergunto o que é aquilo pois com certeza ele me diria que explicaria depois.
“vou tentar fazer com que ele volte para o lugar de onde veio. Mas se eu não conseguir, você vai ter que me ajudar.
“tudo bem” concordo. Estou com medo do que pode acontecer, aquela coisa... é forte. “e o que acontece se não conseguirmos ?”
“Podemos morrer” ele disse, curto e grosso. Olho para ele, sem acreditar.
“Não se preocupe, nós vamos conseguir.” ele coloca a mão em meu ombro, tentando me confortar. Não funciona.
Aproximadamente um minuto depois depois chegamos no último andar, o elevador se abre e saímos.
“Foi assim que você caiu?” Sean pergunta, olhando para a janela quebrada.
“Foi.”
“Poderia quebrar mais janelas?”
Concordo com a cabeça, o motivo deste pedido não entendo. Presumo que deva fazer como com a porta lá em baixo. Aponto as mãos em direção aos dois vidros vizinhos ao estilhaçado. Depois de um tempo, os dois saem intactos de suas bordas e caem. Ouvimos um barulho, os vidros devem ter se quebrado. No adiantamos para perto das janelas. A visão da altura me dá náuseas, mas preciso ser forte e não recuar. O outro eu sobe rápido como uma bala. O símbolo em sua testa reluzente, seu rosto enraivecido. Ele se aproxima veloz, e posso ver sangue escorrendo de sua cabeça, seus cabelos encharcados em vermelho. O vidro caíra em sua cabeça.
“Sean!?”
Algo como um arco voltaico esverdeado atinge a testa do outro Ian. Olho para Sean, ele está com os olhos fechados, os dedos na cabeça e o arco voltaico sai de sua testa. Olho de volta para o outro Ian, ele está com suas duas mãos na cabeça e parece sentir muita dor. Ele continua subindo, contra sua vontade acredito, pois está se rebatendo no ar.
“Estou tentando trazê-lo para a caixa. Está difícil dema... Aah!”
Sean foi puxado para baixo, o arco se retorceu e desapareceu. Eles subiram até a minha frente. O sinismo na cara de meu clone me deixa preocupado. Podemos morrer. Um brilho muito forte no céu me desvia a atenção. Uma estrela verde-água surge do nada.
“Olhe para mim, Ian!” diz o outro eu em tom jocoso. Sean está flutuando a frente do outro eu, e este estava com a na altura do pescoço dele. Meu Deus! Está o enforcando! “Aprecie enquanto acabo com este invasor.” ele ria em meio ao ódio e o apreço.
“Ian!” soltou Sean, em meio a tosses e gemidos de dor. Ele está imóvel.
O que faço? Devo me concentrar antes que seja tarde demais. Fecho meus olhos, imagino o outro Ian entrando na caixa, sendo arrastado para dentro dela. Abro os olhos, não funciona. Mais um clarão no céu, olho para a estrela rodeada pelo céu azul. Num estouro, ela parte do céu um um tiro de revólver e vem em minha direção. Recuo mas não adianta, ela me atinge em cheio. Vou para trás com o impacto. A energia dela me preenche, meu corpo brilha. É como a energia que me acordou por ação de Sean. Energiza meu corpo. Me sinto tão bem! Exceto que, desta vez há outra coisa, algo novo e quente. Sinto a energia subir para minha cabeça. Me sinto diferente, sinto que posso tudo. Corro para perto das janelas sem vidro, a visão da altura não me náuseia mais. Aponto minha mão direita para Sean e ele se solta aliviado e ofegante, trago-o para dentro do prédio. Olho para o outro Ian. Imediatamente a estrela de seis pontas se racha e ele grita. Guiado por minha mão, ele entrou na caixa, não o deixo se mexer. A tampa que estava jogada no chão se ergue e volta para a caixa. Avisto mais uma vez a raiva no rosto dele antes da caixa ser fechada e lacrada por um brilho verde-água que logo some. A sensação boa se vai, meu corpo volta ao normal e a calmaria invade o ambiente. Sean olha para mim arfando, como eu.
“está bem?” ele me pergunta.
“Tu está bem?” rebato “Salvei sua vida.” digo brincando.
“Bem, muito obrigado garoto!” ele abre um sorriso, enquanto esfrega o pescoço.
“Ian Castro.” me apresento estendendo a mão.
“Sean Cartter.” ele aperta minha mão. “Como se eu já não lhe conhecesse.”
Sorrio.
“E agora?”
Sean fecha os olhos sem responder minha pergunta. Parece estar concentrado. Um brilho verde invade o ambiente e depois desce. Olho para baixo, a altura me deixa enjoado novamente, antes de me afastar das janelas vejo o brilho descendo pelo prédio. Algum tempo depois vejo o brilho ao horizonte, ele sobe ao céu e depois some. Me viro para Sean, uma luz fraca parece entrar em sua testa.
“Tive que sondar sua mente. Normalmente não faço isso sem pedir. Mas eu faria de qualquer jeito, para sua segurança” Sean me olha, consinto.
“Agora. Precisamos achar seu meio termo, um equilíbrio para você mesmo.
“Hum!” murmuro interessado. “Venha comigo.”
Em um prédio de trezentos andares, o meio é o centésimo quinquagésimo andar. Não sei se esta ideia que tive é querente, mas um meio termo tem de ser no meio, certo?
Sean me segue, caminhamos até o elevador. O interior é espelhado, com botões do lado direito das portas. Aperto no 150 e até lá descemos. Ao sairmos do elevador um lugar diferente se revela. O chão é coberto por grama. O teto e as janelas são pintados com um crepúsculo, cheio de estrelas. Uma brisa fresca sopra. Como um fim de tarde no verão.
“Este deve ser seu meio termo. Assuma o controle.”
“Certo.”
Sean some, com um sorriso no rosto, em meio a uma luz verde e lenta. Caminho até o meio do ambiente. O elevador parece não estar mais ali. Me deito na grama, como faço no jardim de casa. Coloco os braços atrás da cabeça, e aprecio o céu. Localizo uma estrela, a mais grande, de cor verde-água. Me concentro nela. Obrigado. Tudo a minha volta se ilumina até ficar tudo da cor daquela estrela. Assumo o controle.
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