Tekken no Kimochi
11 Verdade
Notas iniciais
Naruto comia de mal humor, com Ebisu ao seu lado. Como Kakashi ousava colocá-lo com aquele pervertido como treinador? O que ele ganharia com aquele cara? Mas ele tinha que reconhecer que perdera na aposta. Ebisu conseguira encontrá-lo, isso significava que ele não era tão ruim assim. Mas Naruto não gostava dele, nem um pouquinho.
—Então, Naruto, Kakashi-san me disse que seu desempenho na Prova Chuunin foi muito bom.
—É claro, dattebayo! Eu sou demais! – O garoto bufou, presunçoso. Ainda estava na defensiva com o jounin.
—Com certeza, mas você tem muito a melhorar. Seu controle de chakra é deplorável.
—Ei! Não esculacha, velhote! Se o meu controle de chakra é tão ruim assim, como é que eu consegui usar aquelas correntes, ein?! Como é que me saí melhor que o Sasuke tantas vezes?! – Ele já estava gritando àquele ponto. Ebisu franziu o cenho.
—Fale baixo. O jutsu das correntes que Kakashi-san descreveu é algo natural para um membro do seu clã. Um controle de chakra acurado não é tão relevante. E você se saiu melhor do que Sasuke porque tem acesso a reservas de chakra que poucas pessoas possuem. Ter muito chakra e usá-lo com eficiência são duas coisas completamente diferentes. Neste ponto, sua parceira Sakura ganha de lavada de vocês dois. – Naruto se encolheu, mal-humorado. Ele sabia que Ebisu falava da Kyuubi. No fim, tudo se resumia àquilo. O garoto raposa que todo mundo odiava.
Mas ele admitia que seu controle de chakra não era grande coisa. Quando ele falhava, sua saída era sempre aplicar mais chakra. Precisava melhorá-lo.
—E eu suponho que você possa me ajudar com isso? – Ele estreitou os olhos. Ebisu ajeitou os óculos, convencido.
—Mas é claro, Naruto. Vamos, termine a sua refeição que nós vamos treinar. Vou ensinar você a andar... Sobre a água. – A expressão do loiro se alargou em êxtase, mas murchou rapidamente. Ele estreitou os olhos, encarando Ebisu. – O que foi?
—E você espera mesmo que eu acredite que um pervertido como você sabe andar sobre a água?
—Molequinho rude! Ninguém nunca te ensinou a tratar os mais velhos com respeito?
—Não. Ninguém me ensinou a tratar pervertidos com respeito, dattebayo!
—Ora essa! – Ebisu se levantou, indignado. Ele precisava continuar com aquilo. Não podia deixar aquele pirralho mal educado levar a melhor, não senhor. Seria superior e mostraria para Kakashi e para aquele pivete quem era o melhor professor de toda Konoha!
…
Após levar uma facada na carteira por causa do apetite do loirinho, Ebisu partiu para treinar Naruto nas termas, com moleque resmungando que tinha um compromisso mais tarde e não podia demorar. Levou algum tempo e muitas queimaduras, mas o rapaz finalmente pegou o jeito. Ebisu não esboçou reação aparente, mas para alguém tão ruim quanto ele aprender uma técnica de controle de chakra tão oscilante quanto andar sobre a água naquela fração pequena de tempo...
—Nada mau mesmo, garoto.
Naruto deu uma risadinha, mas ao olhar pro lado, seu queixo caíra. Tinha um velhote tarado espiando as meninas no banheiro. Ebisu seguiu seu olhar e também viu. Ultrajado, ele resolveu tomar uma providência.
—Com licença, senhor. Isso não é comportamento apropriado para um senhor de idade! – O velho se virou e com um selo de mão, conjurou um sapo maior que uma pessoa. A língua do anfíbio se enrolou ao redor do jounin e o atirou longe. Naruto arregalou os olhos e soltou uma das correntes, que se enrolou ao redor de Ebisu no ar para tentar puxá-lo de volta. Porém, o controle do Uzumaki não era perfeito, e quando ele a retraiu, a gravidade puxou o jounin para baixo com violência, fazendo-o bater com tudo contra o espelho d'água e afundar devagarinho, gemendo por causa do colapso com a tensão superficial das termas.
—Ah, não! – Naruto tentou andar até ele, puxando a corrente para trazê-lo à tona. O esforço o fez esquecer de concentrar chakra nos pés e ele afundou também, gritando por causa da água escaldante. Jiraya observava a cena com uma grande gota na cabeça. Aquilo era o Chakra Kusari dos Uzumaki, mas o garoto que o usava... Era um perfeito idiota.
O sannin riu enquanto Naruto pulava para fora das termas, todo encharcado, enquanto rebocava o já queimado e desmaiado Ebisu pra fora pela corrente.
—Realmente você não é muito bom nisso, não é, pirralho?
—GRRRRR, CALA A BOCA, SEU VELHO TARADO, ISSO É CULPA SUA, DATTEBAYO!! VOCÊ NOCAUTEOU O MEU SENSEI!!!
—Se o seu sensei pode ser derrubado só com isso, você fez um péssimo negócio, pirralho. Além disso, é culpa dele. Eu só estava quieto espiando as meninas quando esse boçal apareceu pra cortar a minha onda. – Naruto tinha uma veia saltando na testa e apontou o dedo para ele.
—EU NÃO QUERO SABER!! SE VOCÊ NOCAUTEOU O MEU SENSEI, VAI TER QUE TOMAR O LUGAR DELE!!
—É ruim, ein! Você acha mesmo que eu, o grande Gama Sennin Jiraya, tenho tempo pra perder treinando um pirralhinho bocudo como você?
—Gama sennin? Tá mais pra Ero-sennin, dattebayo. – Naruto cruzou os braços, estreitando os olhos.
—O QUE VOCÊ DISSE, FEDELHO?!
—É ISSO AÍ! E TEM MAIS: EU VOU ENCHER O SEU SACO ATÉ VOCÊ ME TREINAR, OU NÃO ME CHAMO UZUMAKI NARUTO, DATTEBAYO!!!
—Uzumaki Naruto? – Jiraya ergueu uma sobrancelha, olhando para o garoto com mais atenção. Realmente, o garoto podia usar o Chakra Kusari. Seus olhos, tom de pele e cabelos se pareciam com os de Minato. O rosto rechonchudo era a imagem cuspida de Kushina, assim como o temperamento e o jeito esquisito de falar. Jiraya coçou o queixo, analisando-o. Então era verdade. Aquele molequinho barulhento era a criança deles... – Nem pensar. Tchau moleque, eu tenho coisas mais importantes a fazer. – E se virou para espiar as mulheres. Naruto dissipou as correntes, cerrando os punhos e remoendo a raiva.
—Ah, é assim, né? Tá legal... AÍ, TEM UM VELHO TARADO ESPIANDO AS MENINAS NAS TERMAS!! – O Uzumaki se aproveitou de sua potência vocal invejável para alertar as meninas. Uma a uma, ela se cobriram e saíram correndo. Jiraya levantou os braços em vão para tentar alcançá-las, com uma expressão decepcionada no rosto. Naruto rachava o bico atrás dele. Quando a última moça saiu, Jiraya se virou para ele, furioso.
—Seu fedelho! Para de me sabotar!
—Só se você prometer me treinar! Você é tarado, mas parece forte! Me treina, onegai!
—Sai pra lá, pirralho. Se você fosse uma menina, eu até consideraria, mas não quero nada com um pirralhinho sujo e desbocado que nem você!
—Ah, é assim, né? Então tá... Oiroke no jutsu!! – O garoto fez um selo de mão e se transformou em sua versão feminina nua, apenas com nuvenzinhas cobrindo as partes íntimas. O queixo de Jiraya caiu e de seus olhos saíram corações. O(A) loirinho(a) deu um sorriso triunfante.
—Nossa pirralho, você tem um jutsu e tanto aí! – Ele se aproximou, babando.
—Você promete que vai me treinar, tio sennin do não sei o quê? – Naruto falou em uma vozinha tímida e insinuante, colocando o dedinho na boca de jeito sedutor. Jiraya abriu os braços pra ele.
—Tudo o que você quiser, minha princesa!
—Você me dá sua palavra de honra? Jura com o mindinho? – Naruto estendeu o mindinho pra ele, que Jiraya entrelaçou no seu sem pestanejar.
—Eu juro, minha linda!
O relógio das termas tocou, indicando que Naruto se atrasaria para o compromisso com Sakura. Jiraya se inclinou para beijá-lo, mas ele se destransformou. O sannin estacou na hora, olhando a linda garota virar novamente o pirralho desbocado, de braços cruzados e cara feia.
—Esteja aqui ao meio dia amanhã! Não se atrase, velho tarado, pois eu vou te caçar até o inferno e o seu mindinho vai cair. Eu tenho um compromisso agora então hoje não dá, mas se prepare pra me treinar amanhã o dia inteiro! – E tendo dito isso, ele virou as costas e foi embora. Jiraya ficou com o bico grande, vendo o moleque se afastar. Ele era desbocado, escandaloso e tinha um gênio dos infernos, mas ele tinha que admitir que ele era um moleque interessante.
—É, parece que não será má ideia. – O sannin constatou, cruzando os braços.
...
A chuva se intensificava, deixando a noite sem lua cada vez mais sombria. A capa dela já estava ensopada, fazendo o frio penetrar seus ossos. Deslocavam-se pelas árvores em silêncio, e entraram em uma caverna escondida para escapar da chuva. A kunoichi se aproximou da entrada, olhando ao redor para se certificar que ninguém lhes seguia.
—Acho que os despistamos finalmente. Fica difícil ver algo nessa escuridão, então devem ter assumido que já ultrapassamos a fronteira. Chegaremos ao ponto de encontro rapidamente. – Comentou, virando-se para olhar para o colega, que estava sentado no chão de costas para as pedras. Mas o que vira ali foi algo que a deixou surpresa, mesmo que fosse algo normal em sua condição.
Ele estava chorando.
Em todos aqueles anos, ela nunca o vira derramar uma única lágrima. Mas agora elas caíam em profusão por seu rosto. A moça se aproximou com cuidado dele e o abraçou, recostando sua cabeça em seu peito. Ele retribuiu o gesto. Estava gelado e tremendo. Talvez fosse a chuva. Talvez fosse o horror que vivera. Era culpa dela. Se não fosse tão tola...
—Pode chorar. Não tem mais ninguém aqui. – Ela disse suavemente. Ele pareceu entender o gesto e seus soluços se intensificaram, assim como o aperto em sua capa de chuva. Ela afagava-lhe os cabelos enquanto ele chorava com toda a alma, extravasando toda a tristeza que sentia. A mulher tinha uma forte sensação de que aquela seria a última vez que ele se permitiria esse luxo. Não havia mais como retroceder. Não havia mais luz. Não havia mais nada.
Tudo o que restava era seguir em frente.
…
—O quê? – Haruka piscou diante do pedido. As esmeraldas suplicantes da rosada estavam focadas na jounin, que andava pela rua com um saco de compras. A prótese estava oculta por ataduras simples e ela usava um vestido chinês de seda verde com uma abertura longa na saia do lado esquerdo, de modo que expunha as pernas da metade das coxas para baixo. Usava um haramaki branco sobre a barriga e sandálias ninja pretas. Sakura andava atrás dela insistentemente, em uma blusa vermelha e uma sainha de prega rosada. Também usava sandálias ninja.
—Por favor, Haruka-san! Você é a única pessoa que eu conheço para quem eu poderia pedir isso.
—Mas Sakura-san... E o Kakashi-senpai? – Haruka tentou argumentar, mas Sakura foi mais rápida.
—Um dos meninos já vai pedir pra ele. Do jeito que ele estava preocupado ontem, tenho certeza que é o Sasuke-kun. Onegai... – Haruka parou, olhando nos olhos da genin. Treiná-la para as provas finais seria uma tarefa que demandaria tempo. Muito tempo. E ela só vira parte do que Sakura sabia fazer. – “Tsunade-sama, o que eu faço? Eu nunca treinei ninguém antes...” Yare yare. Tudo bem, eu treino você.
—Yay! Obrigada, Haruka-san! Muito obrigada!! – Sakura abraçou a mulher, que levantou o saquinho de compras. Haruka sorriu, colocando a mão metálica sobre a cabeça da rosada em um gesto gentil. Ela era uma menina muito doce.
—Sakura-san, eu acho que vou visitar o Sasuke-kun no hospital mais tarde. Você tem alguma dica de algo que ele goste de comer? – Haruka perguntou afavelmente. O afeto da rosada pelo Uchiha era genuíno, então ela provavelmente sabia de um detalhe daqueles. Sakura estreitou os olhos.
—Por que? Está interessada nele, é isso? – O inner da rosada já estava nervoso. Haruka riu.
—Claro que não. Só queria ter uma conversa com ele, e acho melhor levar algo que ele goste como cortesia. Além disso, gosto de Sasuke-kun tanto quanto gosto de você e Naruto. Ele é um bom garoto. – Aquilo fez Sakura inclinar a cabeça, intrigada.
—Além disso, Haruka-san... Por que você passa tanto tempo com a gente? Principalmente com o Naruto?
Haruka ponderou.
—Talvez porque vocês foram os primeiros ninjas de Konoha com os quais eu interajo em anos. Eu voltei faz pouco tempo, muitas das pessoas que eu conhecia morreram, se foram ou estão estranhas comigo. Afinal, faz muito tempo. Então, pode-se dizer que me sinto um pouco... Sozinha? É, acho que é válido dizer isso. – Sakura adquiriu uma expressão mais triste. Nunca havia pensado por esse lado. Haruka também perdera os pais e saiu da vila por muito tempo. As coisas mudaram. Ela provavelmente se sentia uma estranha lá. Sakura sorriu para a mais velha.
—Nesse caso, eu fico feliz em poder ajudar, Haruka-san. – A ruiva sorriu, dando um tapinha na cabeça da mais nova.
—Obrigada.
As duas se dirigiram às lojas. Sakura ia encontrar com Naruto na biblioteca em pouco tempo, para pesquisarem mais sobre aquele assunto da irmã dele.
—Haruka-san...
—Hm? – A jounin perguntou, checando as prateleiras em busca de algo interessante. A rosada tamborilou os dedinhos, sem graça de conversar isso com ela. Se bem que pelo que a ruiva tinha dito, eles eram os mais próximos de amigos que ela tinha. Além disso, ela seria sua treinadora. Sakura queria saber mais sobre ela.
—Você já se apaixonou por alguém? – A mais velha sorriu. Sakura era uma menina afinal, sofrendo pelas agruras do amor. Elas iam começar um papo de mulher? Isso era engraçado. Bateu na ruiva uma saudade de Tsunade, Kakura e de sua mãe.
—Já. Já sim. – Haruka suspirou, olhando para os doces na prateleira. Pegou uma tortinha para Sasuke.
—Como ele é?
—Ele é uma pessoa muito gentil. Do tipo que se sacrificaria pelo bem dos outros. Compreensivo, atencioso, bondoso. Uma pessoa maravilhosa. – Ela sentiu a boca seca. Não gostava de falar daquilo. Falar dele abria a ferida. Sakura notou a expressão da mais velha, reconhecia bem aquela expressão. Aquele era o rosto de alguém que estava sofrendo.
—Desculpe. Foi uma pergunta indiscreta.
—Não. Você pode perguntar se quiser, Sakura-san. – A ruiva sorriu levemente. Falar doía, mas talvez fosse do que ela precisava. – Ele gosta de doce. Talvez eu leve um pouco. – Ela examinou uma caixinha aleatória de doce e colocou na cestinha. – E quanto a você? Gosta do Sasuke-kun, não gosta?
—Ah, sim. Mas ele não gosta de mim. Me acha irritante. – Sakura gemeu, olhando para a cestinha em suas mãos. Haruka suspirou e deu outro tapinha na cabeça dela.
—Não fique assim. Lembra do que eu te disse sobre ser uma kunoichi? Aquilo não se aplica só a combate e treinamento. Sasuke-kun tem outras coisas em mente agora, então ele não está focado em romance. Mas ele abrirá os olhos algum dia, e quando abrir, você estará lá. Você é uma menina maravilhosa, Sakura-san. Ele seria um idiota de não te notar. – As palavras da diplomata tocaram no âmago da genin. Ela sentiu os olhos marejados. Estava preocupada. Tão preocupada... As mãos se fecharam em torno do bolinho que segurava, esmagando-o.
—Ele está em perigo. Eu sinto que algo ruim vai acontecer, Haruka-san. Eu não quero que ele se machuque. Não quero que vire outra pessoa diferente da que eu conheço. Eu só quero o Sasuke-kun feliz e salvo como ele é. – Ela começou a chorar. Haruka passou o braço ao redor da mais nova e a abraçou com força. Aquela preocupação e aquela sensação de impotência que estavam consumindo a rosada. Ela as conhecia bem. Muito bem.
—Consigo te entender melhor do que pensa, Sakura-san. Não se preocupe. Sasuke-kun ficará bem. E quanto a você, vamos colocar mais empenho no treinamento, certo? Assim você poderá ajudá-lo. – Ela se abaixou até o nível dos olhos da menina, que já começava a se acalmar. Um sorriso tímido apareceu nos lábios de Sakura. Ela sempre sabia a coisa certa a dizer.
—Hai.
…
—Naruto tem uma Kekkei Genkai? Como isso é possível? – Sasuke estava aturdido. Três horas depois, seu quarto no hospital havia sido invadido por Naruto e Sakura, que voltaram para contar a ele o que tinha acontecido da Prova após seu encontro na biblioteca. Haviam passado o resto da tarde pesquisando, e Naruto contou à parceira sobre seu estranho encontro com o Ero-sennin. Sasuke ficara secretamente feliz que os colegas passaram nas lutas, mas não diria isso a eles. Iam ficar confiantes demais.
—Eu não sei. Kakashi-sensei disse que era um traço do clã Uzumaki, então resolvemos pesquisar. – Sakura levantou os livros que tinham pego emprestado na biblioteca, além da cópia do livro de registros que conseguira. – De acordo com os livros, o clã Uzumaki era um clã realmente poderoso. Eram especialistas em fuinjutsu e tinham um chakra muito forte. Eles eram um clã do País do Redemoinho e possuíam sua vila própria, Uzushiogakure. O livro também diz que tinham parentesco direto com os Senju. – Sasuke arregalou os olhos.
—Senju? O clã do Shodaime?!
—É isso aí. Tá com invejinha, teme? – Naruto debochou, esticando a língua para Sasuke. O Uchiha bufou.
—Seu clã pode ser forte, Naruto, mas você ainda é um perdedor.
—Ora, seu...!!
—Orusai, Naruto!! – Sakura deu-lhe um cascudo. O loiro calou a boca na mesma hora, chiando. – Bem, como eu estava dizendo, a vila foi destruída em um ataque combinado durante a Segunda Guerra Ninja e alguns sobreviventes se espalharam pelo mundo. Não encontramos muitas informações sobre as tais correntes de chakra. Só encontramos um registro de imigrantes, que diz que duas pessoas do clã Uzumaki se mudaram de Uzushio para cá: Uzumaki Mito e Uzumaki Kushina.
—Sei, e o que isso tem a ver com a história? – Perguntou Sasuke, sem entender. Ele geralmente não se interessaria pelos assuntos de Naruto, mas Sasuke era curioso. Se aqueles dois fizeram alguma descoberta interessante, ele não iria querer ficar de fora.
—Uma delas pode ser alguém relacionado ao Naruto. De acordo com a idade e com o tempo de vinda, posso apostar que é a tal da Kushina.
—Então essa Kushina é minha irmã? – Naruto inclinou a cabeça, intrigado.
—Não... Muito velha pra ser sua irmã. – Sakura refutou a hipótese. Ele suspirou, derrotado. – Estou dizendo que ela tem idade pra ser sua mãe, Naruto.
—Vem cá, deixa eu ver. – Sasuke estendeu o braço e Sakura lhe ofereceu a cópia do livro de registros. Ele correu os olhos pelas datas. – Ela teria 44 anos atualmente. Sim, tem idade pra ser sua mãe.
Naruto olhou o nome no livro de registros. Aquela era sua mãe?
—Tá, mas se Kushina é minha mãe, por que não encontramos minha irmã no registro?
—Se sua mãe se casou, é possível que sua irmã tenha o sobrenome do seu pai. Nós só olhamos as pessoas com sobrenome Uzumaki, lembra?
—Mas isso não faz sentido. – Sasuke refutou. – Se a irmã do Naruto tem o sobrenome do pai dele, por que ele tem o da mãe?
Os três pararam para pensar. Aquilo era realmente muito estranho. Haruka abriu a porta devagar e encontrou o trio com as mãos nos queixos e um olhar pensativo.
—Estou interrompendo alguma coisa? – Ela perguntou, já dando um passo pra fora do quarto.
—Hey, Haruka! Entra aí! Talvez você possa nos ajudar, dattebayo! – A ruiva entrou timidamente, trazendo um embrulhinho nas mãos. Ao notar os livros no chão, a sobrancelha se alteou.
—O que é isso? O que vocês três estão aprontando, ein? – Ela correu os olhos pelos três, entregando o embrulho para Sasuke. Era uma tortinha de tomate. Ele alteou uma sobrancelha, olhando para ela com uma cara de “como você sabia?”. Haruka apontou para Sakura por cima do ombro e Sasuke revirou os olhos, colocando o embrulho sobre a mesa. Ela se sentou perto de Naruto, não querendo ficar lá por muito tempo. Ela queria conversar com Sasuke sobre a Marca, mas com os dois ali... – Ah, sim, parabéns por passarem nas preliminares. Vocês foram muito bem. – Naruto e Sakura abriram seus melhores sorrisos, mas Sasuke desviou o olhar. Ele estava um tanto... Vermelho.
—Obrigada, Haruka-san. Eu não teria conseguido sem você. – Sakura corou e a ruiva riu.
—Que nada. Tenho que dizer, vocês três me impressionaram muito. Sasuke-kun, você tem uma força de vontade assustadora. Dava para perceber o quanto você estava debilitado e mesmo assim conseguiu nocautear o oponente. – O Uchiha ficou da cor de um tomate e fez um bico, tentando parecer superior. Mas seu constrangimento se esvaiu ao perceber o que ela realmente implicava. A Marca. Ela sabia da Marca. – Sakura-san, seu controle de chakra é incrível. Utilizá-lo daquela maneira com o soco que eu te ensinei foi demais. Tsunade-sama em pessoa teria ficado espantada em ver uma genin neste nível. E orgulhosa. – O rosto de Sakura ficou tão vermelho quanto o cabelo da Uzumaki. Ser comparada à Lendária Sannin das Lesmas pela Guardiã da Paz era demais para o ego dela. Sua inner fazia uma dancinha de “Eu sou demais, Shannaro!” em sua cabeça.
—É isso aí, Sakura-chan é a melhor! – Naruto exclamou, animado. Haruka se virou para ele.
—E você foi o que mais me surpreendeu, Naruto. Utilizando jutsus básicos com maestria para incapacitar e confundir o oponente e ainda despertar a Chakra Kusari no meio da luta... Aquilo foi impressionante.
O trio olhou para ela atônito. Ela sabia sobre aquela técnica? Sakura pegou um dos livros e colocou sobre o colo.
—Obrigada pelo elogio, Haruka-san. Isso significa muito. E já que você sabe sobre a chakra kusari, acho que poderia nos ajudar.
—É claro. O que vocês querem? – O trio se entreolhou, em dúvida se deveriam abrir o jogo ou não.
—Você sabe sobre Orochimaru? – Sakura a olhou com receio, escolhendo as palavras com a cautela de quem evocava um tabu. A expressão de Haruka murchou e ela se recostou à cadeira, cruzando os braços.
—Ah, sim. Esqueci que vocês três toparam com aquele monstro. Vocês foram muito corajosos e tiveram muita sorte. Orochimaru é um homem perigoso. – Ao notarem a falta de censura da moça quanto ao assunto, Sakura continuou.
—Sim. Durante a luta contra nós, ele mencionou algo... Comparando Naruto a uma irmã. – A ruiva utilizou todo o seu treinamento como espiã para manter a expressão neutra.
—Sim, e aí?
—Queremos saber se essa irmã está viva, e se estiver, quem ela é e onde ela está. Talvez ela possa ajudar Naruto com as correntes, ou sei lá, qualquer outra coisa. Ele viveu sozinho a sua vida toda. Seria bom ter alguém ao lado ele que saiba quem ele é, sobre sua história. – Naruto deu a Sakura um olhar agradecido.
Aquela cooperação toda da Haruno para com ele era o modo de agradecer ao Uzumaki por ter despertado sua alma durante as preliminares. Se não fosse por ele, aquilo poderia ter terminado de maneira diferente. E também, ela aprendeu a respeitá-lo mais depois daquilo.
Sasuke estava na onda porque não tinha muito para onde correr, já que a dupla tinha invadido seu quarto com suas teorias e relatos sobre a prova. E também, parte dele se importava com Naruto. A outra parte só se remoía de curiosidade mesmo.
As palavras de Sakura transpassaram Haruka como facas. Ela estava sendo covarde. Quanto mais esperava, menos tempo passava com Naruto. Ela deu uma olhada para o irmãozinho e para os colegas. Estava encurralada. Hora de abrir o jogo.
—Muito bem... Digam-me o que sabem.
—Bem, a Sakura-chan tava explicando tudo pro Sasuke antes de você entrar. Começamos a pesquisar sobre o clã Uzumaki. Eles eram muito fortes, e moravam no País do Redemoinho antes de sofrerem um ataque e fugirem pelo mundo todo. Sakura-chan achou o registro de uma mulher chamada Uzumaki Kushina, que ela acha que é minha mãe.
—Mas como eles não acharam nenhuma pessoa mais nova além de Naruto que tivesse aquele sobrenome, nós presumimos que a irmã tenha um sobrenome diferente. – Sasuke completou. O trio estava tão perto que Haruka quase sentia o cheiro da verdade. Aqueles três eram cãezinhos de caça quando queriam. Farejaram e seguiram a trilha dela. Seria só uma questão de tempo.
Ela facilitaria para eles. Até porque não fazia sentido esconder aquilo por muito tempo. Os conselheiros que fossem para o inferno.
—Uzumaki Kushina, não é? Que nome nostálgico... – Haruka abriu um sorriso triste. Naruto se empertigou na cadeira, chegando mais perto dela. Os outros dois fizeram o mesmo, cheios de expectativa.
—Você a conhecia? – O trio perguntou em uníssono. Haruka deu uma risada. Um sorriso divertido curvou seus lábios.
—Sim, eu a conheci há muito tempo. Já que estão tão interessados nos Uzumaki, querem mais uma informação sobre eles? – Eles assentiram. – Vocês sabem qual é o traço corporal mais recorrente nos membros do clã Uzumaki? – Eles sacudiram a cabeça, chegando mais para frente. Haruka levantou-se de sua cadeira e caminhou até a janela, com as mãos às costas. Ela estava semi aberta, e o vento fez as madeixas carmesim farfalharem. Elas brilhavam como fogo à luz do sol. – Cabelo vermelho. – Um silêncio sepulcral tomou conta do quarto. O trio ficou quieto e Haruka não olhou para eles. Os ônix de Sasuke foram os primeiros a se arregalar, as esmeraldas de Sakura logo em seguida. Os dois olharam para Naruto alarmados, que os olhou de volta confuso até finalmente cair a ficha. A expressão do Uzumaki se transformou em mais puro choque, olhando para Haruka. Ela ainda tinha o olho azul fixo no céu, que naquele dia, tinha a mesma cor do orbe que o fitava. – Uzumaki Kushina era a minha mãe. – O trio encarava a Uzumaki mais velha. Ela baixou o olhar para Naruto, encarando aqueles olhos idênticos aos seus. – Nossa mãe.
Eles conseguiram. Eles a encontraram.
—Haruka... V-você é... – O loiro finalmente pareceu encontrar sua própria voz, emudecida pelo choque. Sentiu a emoção formar um bolo pesado em seu peito ao se levantar para encará-la. Haruka não se virou para ele, mas seu olho o encarava. Ela esperava o julgamento, mas permanecia calma. Aquelas palavras que ela havia guardado há semanas. Aquele sentimento que residira em seu peito por quase 13 anos.
Ela se virou devagar para encará-lo. Aquilo merecia ser dito de frente. Ela diria olhando nos olhos dele. Sem máscaras. Sem disfarce ou escudo. Ele merecia a verdade.
—É isso mesmo, Naruto. Você é meu irmãozinho.
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