Tekken no Kimochi

15 Recepção à embaixadora: tensão crescente!


Notas iniciais
Desculpem a demora. Eu disse que ia sair ontem, mas acabou saindo hoje porque eu estava aprontando a imagem em anexo pra vcs. Hime-chan pediu tanto pra mudar o estilo do Naru que resolvi fazer essa para vocês visualizarem melhor. Não, não vou me livrar do laranja porque isso seria uma descaracterização bruta do personagem, mas vai ser... Menos. Mais flashbacks, yay! Esse tem mais do Naru, então Karlos vai ficar filiz. Desculpem se tiver erros e tal, não tive tempo de revisar. Boa leitura

Os olhinhos curiosos se espicharam para fora da janela de seu apartamento para ver as ruas iluminadas de Konoha e o vaievêm da multidão. Yukatas coloridos das mais variadas cores e estampas enfeitavam o festival de primavera. A brisa leve trazia consigo as pétalas provenientes das diversas cerejeiras floridas que enfeitavam a vila e os risos das pessoas. Quase todos os comerciantes da aldeia haviam feito barraquinhas para as festividades. Curioso, o menininho puxou do caixote no qual se apoiava e decidiu participar pela primeira vez.

Sua cuidadora não iria se importar se ele desobedecesse a ordem de não sair de casa. Afinal, ela o abandonara.

“Quem gostaria de cuidar de um monstrinho como você? Já fiz minha obrigação, agora você que se vire!”

Ele não tinha yukata. Só tinha algumas camisas e shorts que o Hokage lhe mandara. Ele também mandava refeições, que o loirinho sabiamente guardava na geladeira. O esperto menino era muito pequeno para cozinhar ou fazer compras, então costumava comer comida fria. Aquele aparelho de nome difícil que esquentava comida? Ele nem sabia por onde começar a ligar aquilo.

4 anos e meio. Completamente sozinho.

O tap tap dos pezinhos pequenos correndo pela varanda em direção a rua era abafado pelos sons do festival. Não estava vestido como os outros, mas achava que não importava. Que dessa vez o acolheriam.

Achava.

Assim que pisou no calçamento da avenida principal ele pôde sentir uma energia pesada. Enquanto andava, as pessoas o olhavam feio e cochichavam, como sempre faziam quando ele passava. O pequeno Uzumaki se aproximou de uma barraquinha de dango, pois qualquer criança se sentiria atraída pelo cheiro adocicado no ar. Os orbes grandes e azuis olhavam os espetinhos desejosos, e assim que o olhar do dono recaiu sobre ele, uma mescla de medo, ódio e repulsa que o garotinho não soube explicar submergiram nos orbes negros.

—Saia daqui, demônio! Vai espantar a freguesia!

O homem começou a atirar pratos no pequeno e era apoiado pelos demais. Um deles o acertou com força na cabeça e se espatifou no chão, fazendo-o perder o equilíbrio e cair sobre sua bunda. A testa ardia e algo quente escorreu por ela. Ele tocou o líquido vermelho de cheiro acre curioso, com os olhinhos marejados por causa da dor latejante e um choro contido entalado na garganta.

Sangue.

Aquela era a primeira vez que ele via sangue.

Se levantou, magoado, e saiu correndo a esmo pelas ruas. O festival era lindo, as cores, as luzes, a música e os cheiros... Mas a atmosfera hostil ao redor dele o sufocava como um miasma. Ele só queria brincar com as outras crianças... só queria ser como as outras crianças.

Por quê?

Por que faziam aquilo?

As outras crianças tinham um papa e uma mama. Por quê ele não tinha?

Por que todo mundo o tratava daquela maneira?

Por mais que tentasse se aproximar de alguém ou de alguma barraca que lhe chamasse a atenção, era enxotado como um bichinho.

Naruto se apoiou em um muro, parando para recuperar o fôlego. O corte na testa já havia cicatrizado e agora coçava. Sentia-se sujo, mas um cheiro maravilhoso no ar o distraiu. Sentindo o estômago roncar, ele andou até uma barraca de onde o cheiro vinha. Se escondeu atrás da entrada e olhou para dentro timidamente, vendo um senhor e uma mocinha cozinhando. O senhor pareceu notar sua presença e o chamou. Naruto se encolheu a princípio, mas havia algo no sorriso bondoso dele que o fazia se sentir seguro. O pequenino andou e sentou-se no banquinho, espichando as safiras curiosas para o velho. Teuchi colocou um pouco de lámen numa tigela e ofereceu ao pequeno. Os olhinhos brilharam.

—Vamos, coma. É um festival e todos devem comemorar, baixinho.

O garoto, ainda meio surpreso, pegou os hashis e começou a comer. A explosão de sabores em sua boca e a quentura aconchegante no estômago o fizeram devorar o conteúdo da tigela. Aquela era a primeira vez que alguém o tinha mostrado... Como era a palavra mesmo? Ah, sim: gentileza.

O baixinho chorou. Não de tristeza, mas de alegria. Da certeza de saber que pelo menos alguém o trataria com bondade. Aquilo o fez se sentir menos bicho. Mais humano, como qualquer outra criança.

Aquele foi o dia em que conheceu Teuchi e Ayame, do Ichiraku.

Haruka brecou em frente a uma das lojas de roupas mais finas de Konoha. Naruto, que finalmente havia posto o seu infame casaco laranja, deu uma olhada receosa para a vitrine, sendo capaz de ver pelo vidro aqueles modelos caros. Ele nunca em sua vida havia ficado mais de 30 segundos dentro de uma loja dessas. Era expulso na hora.

—Haru-nee... Você tem certeza disso? – O tom receoso do rapaz as suas costas fez a ruiva dar uma risadinha.

—Tenho. Pode deixar. Eu quero ver só se ele vai ter coragem de te destratar. Está pronto? – Ela olhou para trás. Naruto engoliu em seco, descendo de suas costas e caminhou até a porta. Ele olhou para ela.

—Pronto, -ttebayo.

E ele entrou. O dono da loja deslizou de seu banquinho atrás do balcão ao ouvir o sininho da porta, já armando seu melhor sorriso para cumprimentar o cliente.

—Konichiwa, goshujin-sama!! Vamos entrando~... – O tom de voz do homem era entusiasmado, arrastado e ligeiramente artificial, assim como o sorriso, que desmanchou imediatamente ao ver o pirralho da raposa pisando com seus pés imundos em sua preciosa loja. – O que você está fazendo aqui, moleque?

—Eu vim comprar uma roupa, dattebayo! – Ele retrucou decidido. O linguajar informal do genin fez um arrepio percorrer a espinha do vendedor.

Que afronta! Logo ele, que era acostumado a vestir a nata do País do Fogo seria obrigado a vestir aquela... Aquela... Aberraçãozinha laranja!

O vendedor se inclinou para ele, estreitando os olhos sob os oclinhos quadrados e colocando as mãos na cintura.

—E eu assumo que você tenha dinheiro...?

—Tenho! – Respondeu convicto. Haruka esperava na porta, olhando a cena de braços cruzados.

—E onde está seu dinheiro, demoniozinho laranja? – O homem estreitou os olhos, com um sorriso zombeteiro preenchendo os lábios. O genin retrucou rapidamente.

—Com a Haru-nee, -ttebayo!

—Haru... Nee? – O homem piscou, confuso. – E onde está essa tal de Haru-nee?

—Estou aqui. – Haruka deu um passo a frente, finalmente entrando na linha de visão do vendedor, que perdeu toda a cor do rosto ao ver a ruiva. O olhinho azul faiscava em desaprovação pelo comportamento do alfaiate.

—H-Ha...Ha...Haruka-sama?!! – Ele repetiu, abobado, olhando dela para o rapaz. Como?! Por quê?!

—A própria. Imagino que você já deva estar a par da festa de recepção de Kakura-dono. Eu quero que providencie para ele um hakama e um kimono, por favor. Para mim, um kimono e um obi servem. – O tom da Namikaze carregava a autoridade típica de pessoas de classes sociais mais altas. O alfaitate assentiu, mas uma pequena dúvida correu por sua mente.

—Ano... Haruka-sama... Estou honrado de servi-la, mas esse menino aqui... Tem certeza que você quer levar ele à recepção? Logo ele? – Nenhum dos dois precisava de telepatia para saber o que ele implicava com aquilo. A vila toda sabia que os pais de Haruka foram mortos pela Kyuubi. Levar consigo a criança que carregava a besta responsável por aquele homicídio era algo... Estranho? Bizarro? Impensável?

Haruka piscou e deu de ombros, falando com extrema naturalidade.

—Eu não sei por que seria estranho levar meu irmão à recepção de minha mestra e companheira. Conhecendo Kakura-dono, ela provavelmente deve estar ansiosa para conhecê-lo.

O queixo do vendedor foi ao chão e o pouquinho de cor que ainda existia no rosto dele se esvaiu. Naruto não sabia se ria e apontava o dedo ou ficava quieto, contendo o riso. Haruka era realmente boa naquele negócio de se fingir de nobre com nariz em pé. Os olhinhos do Uzumaki menor brilhavam de diversão.

—I-i-irm...

—Exatamente. Então, Kawahira-san, sugiro que trate Naruto-sama com muita atenção e consideração. – Haruka lhe deu o sorriso gentil mais falso que ele já vira. Naruto roncou pelo nariz, com o rosto vermelho de tanto tentar prender a risada. Ele estava simplesmente adorando aquilo. Kawahira, contrariado, olhou para o baixinho. Será que era verdade? Aquilo era a bomba do século!

Ele suspirou, resignado. Ter a Kyuubi em sua loja era algo extremamente ruim e que espantaria clientes, mas se fosse o otouto da Guardiã da Paz e filho do Yondaime... Ele podia conviver com isso. Há males que vêm para bem. E de qualquer forma, ele não perderia uma venda, embora tivesse que gastar seus modelitos e tecidos caros naquela coisinha laranja berrante sem nenhum senso de estilo. Ai ai, as penúrias da alta-costura!

—Por aqui, Naruto-sama. – Com o tom cordial utilizado com clientes normais, ele guiou o rapazinho pela loja, pronto para começar seu trabalho. Haruka, sentada em um puf da lojinha, só olhava a situação com um brilho divertido no olhar, opinando nas escolhas do menino e acrescentando comentários às sugestões do alfaiate. Ela também levou umas roupas do menor para serem reparadas e comprou outras novas para ele, tanto formais quanto do dia a dia. Ele estava mesmo precisando.

…

A tarde fluiu naturalmente e já era quase noite quando saíram da loja e voltaram para casa, para que assim pudessem se aprontar para a recepção. Naruto simplesmente brilhava, e assim que passaram da porta, ele soltou as gargalhadas que tanto segurara até aquele momento.

—Hahahahahaah você viu a cara do paspalho, dattebayo?! Hahaahahaha foi muito legal!!

A mais velha deu uma risadinha. Havia um tipo de satisfação doentia em estar superior a alguém que só o via por baixo. Ela tinha certeza que este sentimento era o que o irmãozinho sentia naquele momento.

—A noite só está começando, Naruto-sama. – Piscou, divertida. O outro retribuiu com seu melhor sorriso colgate e com uma risadinha “Shishishishishi”. – Vá tomar banho e se vista. Está quase na hora.

—HAI!! – E como um raiozinho dourado, ele catou a toalha e se trancou no banheiro. Haruka suspirou, feliz. Seria uma longa noite.

…

Kakura olhava ao redor. Realmente, nunca havia visto uma recepção daquele porte desde o ataque no encontro dos daimyos. Aqueles representantes de todos os países reunidos estavam lá por causa do Chuunin Shiken, mas, ainda assim, a velha embaixadora não podia deixar de se impressionar.

E no meio de todos eles, ela procurava uma única pessoa: sua aprendiz e companheira, Namikaze Haruka.

A garota partira só lhe deixando uma mísera carta de despedida. Kakura entendia seus motivos, mas aquilo era coisa que se faça? Depois de tantos anos, ela só iria se despedir daquela forma?

A Hashimoto puxaria aquela orelha, ah se puxaria! Menina petulante!

A música tocava suave, sendo quase totalmente abafada pelo som das conversas. Comerciantes, nobres, o Hokage e sua família, os conselheiros, o clã Hyuuga, a família do Kazekage... Só o sannin Jiraya não compareceu. Segundo Sarutobi-dono, ele achava aquelas festas... Qual era a palavra usada? Ah, sim: um porre.

Ela até se ofenderia se não tivesse ouvido boatos sobre a personalidade do ninja lendário. Há males que vêm para bem, as pessoas dizem.

A velha senhora ouviu uma comoção na entrada e sem muita coisa para fazer desde que o festival de puxa-saquismo conhecido como “cumprimentar os convidados” terminara, resolveu checar. A multidão parecia alheia à tensão crescente entre o guarda resignado e...

—Haruka? – Kakura se aproximou devagar, atraindo finalmente o olhar da ruiva. – O que está fazendo?

Haruka tinha o cabelo preso em um coque bem decorado com um pente, um enfeite que lembrava uma hortênsia e os pauzinhos decorados que o seguravam no lugar. A única parte de seu cabelo solta era a franja do lado esquerdo, como sempre, lhe cobrindo parte do rosto e deixando aquele ar misterioso que a aprendiz tinha.

O kimono fino era rosado, com estampa floral discreta e delicada. O obi, a luva que cobria a prótese e as meias eram brancas. O obidome consistia em um penduricalho dourado trançado a uma fita de cetim vermelha, sustentando a pecinha dourada que tinha a forma do redemoinho dos Uzumaki.

—Kakura-dono! – A mais nova abriu seu melhor sorriso para a mentora. – Não foi nada, só um pequeno mal-entendido... Não é mesmo? – Se olhares matassem, o guarda já teria sido morto naquele segundo. Kakura alteou uma sobrancelha quando um menino loiro de cabelos espetados deu língua para ele e se juntou à Namikaze, carregando uma aura triunfante a seu redor. Kakura o olhou de cima a baixo.

Estava vestido com um hakama sem estampa com laço às costas. Simples, mas claramente um item de alta-costura. O kimono era cinza escuro e tinha desenhos de plantas em tons mais claros de cinza nas mangas e nele haviam broches com mandalas sobre o peito, que ostentavam o símbolo do clã Uzumaki. Usava um juuban branco com espirais laranjas por baixo.

Sem dúvida o rapaz estava ricamente vestido, mas tinha algo nele que dizia que ele nunca estivera em uma festa formal antes. Os olhos foram o que mais surpreendeu a embaixadora, ainda mais do que as marquinhas nas bochechas. Eram de um azul intenso, da mesma cor do olho direito de Haruka. Ele apontou para a anciã, e a exclamação estridente que saiu de seus lábios não deixou dúvidas de que ele a reconhecia.

—EEEH?!!! É você!! A embaixadora velhota!!

—Naruto! Não fale assim! – Haruka censurou, dando um tapa na própria testa.

—Perdão? – A Hashimoto piscou, sem entender. – Haruka, imagino que esse menino seja a razão pela qual você nos deixou só com uma carta explicando o acontecido. – O pequeno tom de censura da mais velha fez a ruiva recolher os olhos e olhar para os próprios pés. O menino estreitou os olhos, fazendo um beicinho desconfiado.

—Desculpe por isso. Eu planejava esperar o seu retorno, mas nós duas sabemos que tempo não é algo do qual disponho ultimamente. – O olhar significativo entre as duas fez o bico do menor se alargar. O que tava rolando ali? – Este é meu irmãozinho, Uzumaki Naruto. Naruto, essa é Hashimoto Kakura, minha mentora e embaixadora do País do Fogo.

—Prazer. – Naruto abriu seu melhor sorriso, e a velha não pôde deixar de sorrir de volta. Ele era pequeno e barulhento, mas aquele sorriso tão idêntico ao da ruiva trazia calor ao coração de quem o visse. Parecia um menino interessante.

—O prazer é meu, Naruto. Estava ansiosa para conhecê-lo. Tenho assuntos a tratar com sua aneki no momento, então por que não dá uma volta por aí e aproveita a festa? Tem algumas pessoas da sua idade por aqui, então não será muito difícil de se entreter. – A senhora disse, em tom gentil. Naruto deu uma olhada receosa para a irmã, mas o sorriso dela foi um sinal de que ele podia ir.

—Então tá! Foi ótimo te conhecer, senhora! Ja ne! – E o rapaz afundou dentre a multidão. Haruka sorria levemente, observando-o ir, mas os olhos negros sérios sobre si a deixaram inquieta. As duas embaixadoras se retiraram para a sacada, alheias à pessoa que as observava, de longe.

…

—Naruto-niichan! – O Uzumaki ouviu uma vozinha conhecida no meio da multidão, virando-se devagar para procurar a fonte do som. Qual foi sua surpresa ao ver o baixinho moreno de cabelos espetados em um yukata azulzinho, olhando-o com surpresa.

—Yo, Konohamaru! O que você tá fazendo aqui, -ttebayo? – O Uzumaki sorriu. Era bom ver um rosto conhecido.

—Eu vim com o ojii-chan e o Asuma-jichan. Nesses eventos, é normal que o Hokage e sua família apareçam. Eles são um saco. – Konohamaru estufou as bochechas, entediado. – Mas você eu nunca vi por aqui. O que você tá fazendo aqui, niichan?

—Eu? Eu vim... – Naruto foi interrompido por uma pessoa que esbarrou nele. Parece que um dos convidados havia esbarrado nela e a empurrou de encontro ao Uzumaki. O chá verde que segurava descreveu um arco no ar, por muito pouco não molhando Konohamaru.

—Ei, tonta, olha por onde anda! – Resmungou o Sarutobi. A menina, da mesma idade de Naruto, soltou um tímido “gomenasai”. O Uzumaki piscou. Epa! Ele conhecia aquela voz.

E se virou para ver quem havia esbarrado nele. Quando ela o viu, o rostinho muito branco adquiriu um vermelho mais escuro do que o cabelo de sua irmã.

—N-Naruto-kun!!

—Hinata! O que você tá fazendo aqui, -ttebayo?!

A Hyuuguinha estava vestida em um kimono amarelo-claro decorado com florzinhas brancas e um obi rosa bebê. Os cabelos curtos e azuis estavam decorados com um pequeno girassol. Ela desviou o olhar, dando um sorrisinho constrangido e mexendo os polegares timidamente.

—Eu... Hm... Eu vim com o meu pai e a minha irmã. O clã Hyuuga é importante, então temos que aparecer nessas festas.

—Entendi. – Naruto, que tinha os olhos estreitos durante a explicação, começou a sorrir. – É legal que esteja aqui, Hinata. – A cor da menina escureceu tanto que ela já estava quase roxa de vergonha. Konohamaru interveio.

—Mas e você, niichan? Ainda não disse porque está aqui.

—Ah... – Naruto coçou a cabeça. – Eu vim com a onee-chan, -ttebayo.

—Onee-chan?! – Perguntou a dupla em uníssono.

—Você tem uma aneue, Naruto-kun?! – Hinata perguntou, quase se remoendo de curiosidade. Mas ela pensava que ele não tinha família...

—Sim, eu tenho. E você já conhece ela, lá no meu quarto de hospital, lembra?

Hinata piscou. E ao lembrar da cena, o queixo dela caiu.

—A sensora é sua irmã?! – A Hyuuga sentiu vontade de desmaiar. A moça que a estava ajudando... Era a irmã do Naruto-kun!!

—Hai! Ela foi falar com a tal embaixadora e sumiu. Ela é embaixadora também, -ttebayo! – Ele sorriu, orgulhoso. Konohamaru o olhou com surpresa.

—Eu nem fazia ideia que você tinha família. Quanto mais uma importante. – Naruto bufou pelo comentário do moreninho e passou a mão nos cabelos, fazendo uma pose convencida.

—Eu sou impressionante, -ttebayo! Vocês pé-rapados não conseguem compreender isso. – Hinata deu uma risadinha e um sorrisinho gentil.

—”Eu já o vejo assim há muito tempo, Naruto-kun.” – O pensamento da menina apaixonada foi cortado pelo objeto de sua afeição.

—Ano saa, ano saa... Já que estamos juntos, vamos comer alguma coisa! Assim essa festa chata fica mais legal.

—Yoshi! – O Sarutobi em miniatura concordou enfaticamente.

E foi aí que o cérebro de Hinata começou a dar pane.

Ela ia passar a noite com Naruto-kun.

Sozinha. (Konohamaru foi amplamente esquecido)

Ai, Kami-sama...!

—Vem, Hinata! – Naruto disse, sorrindo. Segurou o pulso da menina e saiu arrastando-a pelo salão. Hinata sentiu as borboletas quase explodirem seu estômago tamanho o nervosismo da moça.

…

O trio estava sentadinho no banco, longe da multidão. Cada um com um doce em mãos, eles observavam o resto dos convidados. Konohamaru notara que a menina de olhos brancos não tinha comido o seu, e o rosto vermelho dela e seus sorrisinhos para o loiro não passaram despercebidos pelos olhinhos atentos do pestinha.

—Ei, Naruto-niichan... – O sorrisinho desdentado do garotinho não era prelúdio para boa coisa. Naruto conhecia aquele sorriso bem. – Diz aí, a menina que tá com a gente... – Hinata estacou, espichando os ouvidos para escutar o Sarutobi. Naruto estreitou os olhos, desconfiado. – Ela é sua... – Ele ergueu o dedo mindinho. – Namorada? – Naruto piscou e o coração de Hinata errou uma batida, fazendo a menina engasgar. Agora sim, estava literalmente roxa de vergonha.

—”Ele acha que... Eu sou n-na-namorada do Na-Naruto-kun...!!!”

O Uzumaki ia responder, mas a quentura emitida pela Hyuuga o fez se virar... E vê-la desmaiada no banco.

—Tava demorando! Por que ela sempre faz isso?! Ei, Hinata, acorda! – Ele a sacudiu pelos ombros, tentando reanimá-la. A comoção não passou despercebida por um espectador, que lentamente caminhou até o trio. Naruto estava muito preocupado em reanimar a Hyuuga para notar a aura negra a princípio, mas Konohamaru notara. E como notara.

—Ano... Onii-chan... – O mais novo deu uma puxadinha na manga do kimono do mais velho, encarando a figura tenebrosa com terror.

—Agora não, Konohamaru! Me ajuda aqui, a culpa é su... – Ao se virar para o moreninho, ele finalmente notou o quarto membro do grupinho. Os olhos estreitados e os braços cruzados não eram um sinal de contentamento. E se não fosse suficiente, só a presença daquele ser deixava o ar pesado.

Vestido em um yukata vermelho-escuro com uma faixa branca atada à cintura, Sabaku no Gaara encarava Uzumaki Naruto com frieza. O loiro sentiu uma gotícula de suor escorrer pela testa, com as mãos ainda agarradas ao ombro da kunoichi desfalecida. Aquele cara... Ele era encrenca.

...

Fechando as portas da sacada atrás de si, as duas se encontravam sozinhas. A Hashimoto correu os olhos pela vista e se debruçou na beirada, suspirando. Uma tossida forte fez a dor se espalhar do pulmão até o esôfago. O gosto do veneno ainda era amargo em sua boca, e insistia em voltar a cada tossida da anciã. Malditos mercenários de Shindou. Por causa deles aquela coisa ainda estava em seu corpo. Sentiu o formigamento característico em seus dedos e tratou de mexê-los da forma mais natural possível para não chamar atenção. Mas é claro que não passaria despercebido pela aluna. Nunca passava.

—Você parece mal, Kakura-dono. Tem certeza de que se recuperou? – Haruka disse em tom preocupado e parou ao lado da mentora, sentindo a brisa noturna acariciar sua pele.

—Vou ficar bem. Não é um veneno de baixo calibre que vai derrubar Hashimoto Kakura. – Ela sorriu e a outra retribuiu na mesma moeda. A embaixadora havia esquecido como era bom estar na companhia da mais nova. Ela deixaria saudade. Muita saudade. – Porém, este assunto é para depois. Primeiro, quero saber como você está.

—Eu estou bem. – Haruka desviou o olhar. Aqueles olhos negros invasivos da mestra conseguiam deixar qualquer um inquieto.

—Tem se sentido bem? Tem se cuidado direito? Você sabe que não pode ser negligente daqui para frente.

—Eu sei, Kakura-dono. Não se preocupe. Sim, desde que voltei a Konoha, meu envolvimento com o Chuunin Shiken tem me deixado mais ativa do que seria apropriado. Tenho um selo de chakra que preserva as condições de meu corpo mesmo quando estou sobre estresse, então não há risco algum. – Ela deu um sorriso tranquilizador.

—Isso vai te deixar mais fraca. O selo, o seu olho e...

—Eu sei bem disso. Você sabe que não sou do tipo que entra em brigas desnecessárias. Prometo me cuidar.

—Algum sinal dele? – Haruka negou com a cabeça. – Entendo... Como você vai lidar com isso sozinha?

—Da mesma maneira que eu sempre lidei com tudo. – O sorriso de Haruka causou um desconforto na mestra. Menina idiota. Sempre carregando tudo nos ombros... Ela não via que as pessoas a seu redor ficavam preocupadas?

—Isso é diferente.

—Eu sei que é. Mas está tudo bem, Kakura-dono. Eu vou conseguir. – Um silêncio sepulcral cresceu entre as embaixadoras, e por um momento, tudo o que se ouvia era o barulho do vento e os sons da festa. Os olhos negros e o cerúleo estavam focados na paisagem a frente.

—Você não tem muito tempo.

—Eu sei.

—Precisa contar logo.

—Também sei disso.

—Você vai mentir, não vai? – O tom de censura causou um gosto amargo na boca da mais nova. Ela não encarou a outra, ainda focada na paisagem.

—É preciso.

—Não, não é. É mais simples do que isso. Você que faz tempestade em copo d'água. – Haruka bufou, olhando para as próprias mãos.

—Isso é muito maior do que você pensa, Kakura-dono. Tudo o que você sabe foram trechos do que eu te contei e o que você ouviu. Quem dera fosse simples. Quem dera. Mas não é. – O tom da ruiva era algo que a grisalha conhecia bem. Era o tom de quem finaliza a conversa e se recusaria a falar mais sobre o assunto.

Tsc.

Menina estúpida.

Kakura olhou para ela. Para a máscara que usava. Desde que a conheceu, não precisou de sua Kekkei Genkai para ver que ela tinha segredos... Segredos poderosos. Segredos que poderiam afundar muita gente...

E a si mesma.

Estava condenada. E não havia nada que Kakura podia fazer a respeito.

—Tameki está morto. – O olho de Haruka se arregalou por causa daquelas palavras, se virando para a mestra com puro choque no rosto. O semblante de Kakura continuava impassível, e ao ver a pergunta estampada no rosto fino da mais nova, completou. – Perfurado por uma espada. Traços de veneno das Bestas Aquáticas do País do Redemoinho. – A pupila de Haruka se contraiu de horror.

—Akaichi no Satsujin.

—Exatamente. – Mais uma vez, o silêncio tomou conta do local. – Ele está vindo, Haruka. E que os deuses tenham piedade de nós.

O aperto da Namikaze sobre a balaustrada se intensificou enquanto ela fitava o horizonte.

—”Então, você finalmente resolveu atacar, não é... Yukii?”

...

Eram seis.

Sempre juntos.

Sempre unidos.

Fortes.

Ou, pelo menos, achavam que eram.

O que os olhos negros da Hashimoto viam perante si eram um verdadeiro tipo de inferno pessoal. Ela já estivera em zonas de guerra. Sim, já vira pessoas matarem e morrerem antes. Ela mesma tirara algumas vidas. Por isso que jurara que nunca teria filhos. Ao crescer no meio do caos, a mulher jurou que faria o seu melhor para acabar com os conflitos. Tornou-se um instrumento da paz. Servia a ela e ela era o manto que sempre vestira.

Ela se espantou quando fora chamada para aquele grupo peculiar. Um grupo com habilidades ofensivas recrutado para uma tarefa defensiva. Ela se sentia deslocada no meio daqueles jovens, mas adquirira por eles um carinho especial. Eram seus companheiros e o mais próximo que tinha de filhos. De uma família.

—Por quê...? Por quê você está fazendo isso? – A voz da moça fraquejava perante aquele horror. Seus punhos estavam cerrados e as salgadas lágrimas escorriam em profusão do olho direito, enquanto o esquerdo derramava sangue. O sharingan pulsava com força, alimentando-se da dor de sua dona. O ar tinha o forte cheiro acre do líquido vital que empapava o chão, se tornando um asqueroso fluido negro por causa da meia luz. Três corpos com veios brancos em suas peles jaziam sobre o chão de madeira da sala. Na penumbra, o responsável por aquilo a olhava com um brilho insano nos olhos.

—Porque eles eram maus. Todos eles. Queriam nos separar. Queriam se meter entre nós. Eu ouvia o que eles diziam. Todos tinham sorrisos falsos, ninguém gostava de mim. Ninguém. Nem mesmo Hiyorin. Nem mesmo ela. – Ele apontou um dedo trêmulo para a Hashimoto caída a 5 metros de distância. A ruiva se colocava entre eles, formando um trêmulo escudo humano entre os dois parceiros. Ou ex-parceiros. – Podemos ser como antes. Antes de isso tuuuudo acontecer. – Os olhos insanos brilhavam e sorriso dele era esperançoso enquanto abria os braços para abranger algo invisível. A sangrenta espada carmesim se encontrava em sua mão esquerda. – Saia da frente, Haru-chan. Deixe-me matar a velha. Andaremos pelo mundo, só eu e você, como costumávamos fazer. Só me deixe eliminar o obstáculo em nosso caminho. – Haruka mantinha a cabeça abaixada, a franja longa cobrindo seus olhos. Da fria prótese de metal, o suave click da lâmina se projetando para fora se ouviu. Os ombros dela chacoalharam levemente com os soluços que saíam baixos de sua garganta. Por quê? Por que todo mundo que ela amava...?

—Me desculpe, Yukii. – A Namikaze gemeu. Mais rápida do que uma piscadela, a ruiva se materializou na frente dele. A aproximação dela alarmou o albino, mas a rapidez da kunoichi não lhe deu tempo de reagir. A mão direita se depositou sobre o peito desnudo dele, emitindo o suave calor da pele alva da ruiva. – Chakra Fuuin. – Ela murmurou baixinho, e logo os sigilos negros do selo percorreram o corpo dele. Yukihito arregalou os olhos. Seu chakra...!

A mão metálica se apoiou sobre o abdome dele, adicionando um selo de restrição de movimentos. Ele sentiu seu controle sobre os braços e pernas sumir. Foi amparado pela ruiva quando seu corpo caiu mole sobre o dela.

—Haru-chan...! Por favor...! – Ele implorou, buscando desesperadamente o olho que tanto amava e aquele que ele odiava profundamente. Os orbes diferentes, um cerúleo e um carmesim, o olharam, servindo como janelas para a dor que se escondia sob a pele, sob a carne.

—Eu te amo tanto, meu querido amigo... Mas não posso deixar você continuar com isso. Me perdoe, Yukii. – Haruka soluçou, erguendo a lâmina de sua prótese para cortar sua garganta. Mas aqueles olhos negros arregalados em choque a fizeram vacilar. Embora ele tivesse feito algo simplesmente horrível, ela ainda não conseguia. O ódio não era mais forte que o afeto.

Então, em um dilema mental que durou uns dois segundos, pressionou o ponto em sua jugular que afetaria sua consciência. O corpo de Yukihito caiu sobre o dela, imóvel. Haruka sentiu as pernas bambearem e caiu de joelhos, com ele sobre seu colo. A observadora finalmente se levantou com dificuldade, lançando à parceira um olhar receoso.

—Ele está...?

—Vivo. Eu não consigo, Kakura-dono. Eu não consigo matá-lo. Yusuke... Hiyorin... Kaoru... Me desculpem..! – Ela enterrou o rosto nas mãos e começou a chorar em profusão. Kakura contornou o corpo de seus colegas e abraçou a parceira mais nova. Haruka afundou o rosto no colo da velha e finalmente deixou toda a dor extravasar. A anciã fechou os olhos com força, deixando as lágrimas caírem de seus olhos e escolher pelas bochechas.

Foram seis.

Agora eram somente três.

Ou melhor...

Duas.

Duas e um traidor.

Notas finais
Acharam que era o Yuki, né? Naaah, ele só aparece depois. Titia Ina é a rainha da auto-referência. O sobrenome de Kakura e sua habilidade podem ser bem familiares para alguns leitores que acompanham minhas histórias. Yusuke idem, mas ainda vou inserir mais detalhes sobre Os Seis. Essa não é a primeira nem a última referência, então quem tem bom olho vai ficar ligado. E agora? O que Gaara quer com o Narutinho? Descubram no próximo capítulo deeee.... Tekken no Kimochi!! Ja ne Kissus, Ina-sama