Teenagers
2 Capítulo 2
Wanda
Eu sabia que o último ano do Ensino Médio seria diferente logo que começou. As cadeiras estão organizadas de outra forma. Por que mudar quando o fim está tão perto? Marienne e Alexia tagarelam, pedindo minha opinião sobre a festa que a escola dará no fim de semana. Não tenho ideia do que acontecerá lá, geralmente esses eventos são organizados por um comitê de alunos e professores – do qual Marienne e Alexia fazem parte –, mas desta vez, os professores cuidaram de tudo sozinhos.
“Acho que foi porque Tony Stark contrabandeou bebida na última festa de início de ano”, opina Alexia, arrancando-nos risos.
Como toda escola, a New Yorker High tem regras, e Anthony Stark é famoso por quebrá-las, junto com Bruce Banner, Natasha Romanoff, Steve Rogers e Thor Odinson, seus amigos. Eles até tinham um nome para o grupo, Avengers, ou algo assim. Se conhecem desde o Jardim de Infância e eram seis cabeças de um só corpo. Não foi difícil levar garrafas de cerveja escondidas para dentro de um ginásio com doze braços para executar o trabalho.
Marienne abre a boca para fazer um comentário, eu não consigo ouvir. Por um momento, estou concentrada no garoto que eu encarava e que me encarava de volta. Nosso contato não durou muito, ele baixou os olhos.
Alexia dá palmadinhas na minha carteira, chamando minha atenção para a teoria que formulam. Quando terminam de falar, Jolene Woodart adentra a sala. A última vez em que estive em sua turma foi no oitavo ano, na New Yorker Middle School, sua fama é a mesma nas duas escolas. Ela é simplesmente um tédio.
Logo que chega, preenche o quadro com o conteúdo. A mão vai à caneta sem que eu precise pensar e começa a escrever. Termino, Woodart ainda fala. Suspiro, sua voz é capaz de desacelerar o tempo, segundo as crenças dos corredores. Gostaria de ter meu caderno de desenho, porém o deixei na escrivaninha, sob o exemplar surrado de Os Miseráveis, então rascunho na última folha do caderno de Geografia.
Começo com um par de olhos, depois o nariz reto e a boca, feita de linhas finas. O resultado fica bom, apesar de ser só um esboço borrado, vou ajeitar quando voltar para casa. Quem sabe, acrescentá-lo ao portfólio para a faculdade. Ainda não decidi se quero cursar Fotografia ou Desenho, então, a pasta está cheia de fotos e desenhos por via das dúvidas.
Depois de cinquenta minutos, que pareceram quinhentos, eu e as meninas vamos para o corredor. Alexia tem Espanhol no próximo período, Marienne tem Física e eu tenho História. No semestre passado, o sr. Greener me contou que um aluno precisa melhorar as notas de História para poder ir à universidade, e pediu que o ajudasse, mas não disse quem.
Jogo a mochila ao lado da cadeira que ocuparei. O garoto da aula de Geografia senta algumas fileiras à frente. Trocamos sorrisos enquanto Greener se apresenta à turma. Para mim, História é mais fácil de entender do que Geografia, não copio os tópicos que serão abordados. Passo o tempo olhando o garoto e percebo que é muito parecido com meu desenho. Ele não demora a perceber que é observado. Ao fim da aula, saio com a horda de zumbis que são os estudantes de Ensino Médio, sem vê-lo de novo.
A semana segue, as meninas ficam cada vez mais animadas com a festa. Já eu, sei que terrores estão próximos, e chegam na terceira aula da quarta-feira. Matemática com Darcille. Me esforço para esquecer as distrações e anoto tudo que a professora escreve e diz, fico satisfeita com minhas anotações precisas. Darcille, por outro lado, tem as sobrancelhas franzidas enquanto me chama até sua mesa.
“Eu realmente não queria que essa conversa fosse necessária, Wanda”, ela suspirou, parecia cansada. “Você foi convidada a ingressar no Pratt Institute. Contudo, para satisfazer os requisitos, precisa de médias maiores em Matemática, é a única que falta”, engulo seco. Estou tão perto. “Precisa arrumar um monitor para ajudá-la.”
“Entendi. Obrigada, srta. Darcille.”
Se eu entrar no Pratt Institute, não precisarei escolher Desenho ou Fotografia, poderei trabalhar tudo ao mesmo tempo.
“E tem de ir à festa no sábado, ou nada de Pratt.”
“O.K”, Alexia e Marienne me obrigarão a ir, mesmo que eu queira ficar em casa, desenhando.
Jogo comigo mesma, convencendo-me que preciso exercitar a fotografia e que esta será uma boa oportunidade. Quando chego em casa, Pietro está deitado no sofá com pipoca nas mãos.
“Matou aula?”
Ele nem responde, sei que sim. É o jeito de Pietro funcionar. Como a Terra gira em torno do Sol, meu irmão gêmeo mata aulas sem pensar duas vezes. Diferente de mim, sua universidade foi escolhida há dois anos, quando venceu o campeonato regional. Muitas instituições se interessaram, a escolhida foi a NYU. Com seu futuro determinado, vive sem se importar com o presente. Não há notas a melhorar, só tem que continuar correndo.
Ainda bem que a NYH elenca alunos em potencial para as grandes universidades, a maioria vai para Harvard ou Yale. Isso é possível graças às exigentes grades curriculares da escola – as mais puxadas do estado. Gente como Pietro e eu, atletas e artistas, são minoria, mas os professores tentam ver as habilidades de cada um e dar uma direção a seguir.
Por isso Darcille quer que eu melhore, para que eu vá ao Pratt e não fique para trás. Essa era a razão porque o diretor e outros funcionários deixam meu irmão fazer o que bem entende. Ele é a prova de que atletas se dão bem depois de se formar na NYH.
“Não deveria comer isso”, aponto para a pipoca. “Vai te deixar gordo e lento.”
“Um balde de pipoca não vai prejudicar meu desempenho”, ele se endireita para que eu também sente. “Como foi seu dia?”
“Lerdo, tive Matemática com Darcille. E você?”
“Gramática, nem lembro o nome de professor. Depois, muito treino. Lembra do Sam?”
“A-hã”, jogo pipocas na boca.
Ele começa a tagarelar sobre Sam Wilson, do time de futebol, numa velocidade que não consigo acompanhar. O garoto das aulas de Geografia e História me vem à mente, e isso me lembra que tenho um rascunho não acabado na mochila. Com a desculpa de fazer dever de casa, vou para o quarto.
De fato, há listas de exercícios esperando, mas o esboço parece mais urgente. O material está espalhado na mesa, junto com apostilas e cadernos. Limpo para que fique mais habitável e faço o delineado, agora o rascunho se torna um desenho de verdade. Sou traída por minha memória, o que tenho não parece realista.
Talvez seja melhor tirar uma foto e usá-la de base, sugere minha consciência.
A ideia é boa, mas como fazê-lo sem que ele perceba? Ele está de olho em tudo, todo o tempo, absorvendo os detalhes como uma esponja absorve água.
Um ótimo momento para brincar de paparazzi, não concorda?
Não parece certo, porque ele não saberia.
É assim que paparazzi agem, queridinha.
Não quero ser paparazzi. Quero ser fotógrafa, me expressar através de imagens, não explorar os outros por dinheiro.
Esse desenho é uma forma de expressão. A foto é apenas para melhorar a exatidão dele. Não vai lucrar com ela.
Fecho os olhos, os cotovelos firmados no tampo e os dedos enterrados nos cabelos. Posso ouvir Pietro falando. Francamente, ele deve ser o único adolescente moderno que gosta de usar o telefone para conversar.
O desenho tem que esperar um pouco, já o dever de casa, este urge como um leão. É hora de parar de lutar. É uma esperança não ter de lidar com exercícios matemáticos no futuro, e isso se torna o combustível de que necessito. O progresso é pouco, Darcille não pediu um monitor à toa.
Minha mãe bate à porta, chamando para jantar. Grata por ter um motivo para abandonar aquilo, fui logo atrás dela. Pietro e meu pai colocam os pratos, meu irmão relata o sucesso que foi sua manhã. Reviro os olhos enquanto pego talheres. Eles são os falantes da família, e sempre se deram bem, um tentando falar mais do que o outro.
Eu e minha mãe somos mais silenciosas. Somos muito parecidas, os mesmos cabelos e olhos. Gostaria de dizer que foi ela quem me apresentou ao mundo das imagens, mas não. Ela é boa escritora e usa sua habilidade com palavras como colunista. Conheceu meu pai logo depois de terminar a faculdade, ela fez Jornalismo, e ele, Direito.
Enquanto comemos, falo sobre o dia que tive, e meu pai pergunta se preciso de mais material para desenhar. Hum, isso é novo. Digo que não, pois o que tenho é suficiente.
Com a cabeça latejando, vou deitar assim que ponho o prato na pia. Eles vão assistir TV na sala, é assim desde sempre. Três horas de televisão após o jantar, e então, cama. Quando éramos menores, eles ajudavam com o dever enquanto víamos reprises de seriados antigos. Não seria boa professora, meu forte não é explicar, e sim mostrar. Em vez de dizer como é uma maçã, eu simplesmente mostraria a imagem de uma maçã. O desenho inacabado acabou enterrado sob canetas e uma caneca.
***
Sábado, horas antes da festa.
Estou preocupada com você, diz a mensagem de texto. Tem algo te incomodando?— A
Fora meu boletim de Matemática, nada. – W
Quer ajuda? – A
Preciso de um monitor, mas não faço ideia de a quem pedir. – W
Eu cuido disso. – A
Vai à festa hoje, não vai? – A
Darcille disse que preciso ir, de qualquer maneira. – W
Legal. Nos vemos às sete. – A
Marienne vai apanhar Alexia, e eu vou de moto, o ritual de quando saímos juntas. Essa é a coisa mais normal que aconteceu nesta semana, uma festa de sábado à noite com as meninas. Os amigos de Pietro passam mais cedo, buzinando e chamando seu nome.
Coloco a câmera na bolsa e amarro os cadarços. As roupas são novas, comprei no verão, é mais ou menos o que uso o tempo todo. Calça jeans, camiseta com uma frase sarcástica, e All-Star. Perfeitamente eu. Passo a alça pelo ombro e grito “Tchau!”, descendo a escada.
Ligo a motocicleta – presente do meu avô quando fiz 16 – que rosna para o mundo. Quando chego, Alexia sorri, vendo que sou a mesma garota de antes das férias. Também fico feliz, constância é bom.
Os Avengers estão na porta do ginásio, recebendo as pessoas e dando latas de cerveja aos interessados. Eu, Alexia e Marienne recusamos, mas mesmo assim, Barton enfia uma lata na minha mão, com um bilhete.
“Pode fazer esse favor?”
“É claro”, diz Marienne, nos empurrando para dentro.
Ela fisga a lata e segue em frente, piscando e acenando de forma vaga. Passamos por colegas de classe e jogamos conversa fora. Pergunto e respondo sobre universidades, sem mencionar o Pratt Institute.
Marienne se aproxima com refrigerante, e vamos para o lado de fora, Alexia estava cansada da falação. Começa um assunto que não acompanho. Apoio o copo vazio na mureta e ergo os olhos para a lua. Tiro algumas fotos do céu.
“Oi, você é a Wanda, não é?”
É o garoto da Geografia! É a sua chance, pegue a câmera agora. Deixo a consciência vencer, porque estou muito tentada.
“Posso?”, exibo a câmera.
“É claro.”
Ele faz pose, dou zoom no rosto e clico. Capturo exatamente o que preciso para o desenho, seus cabelos ruivos, olhos castanhos e bochechas altas. Mostro o resultado, muito bonito.
“Eu conheço você, da aula de Geografia!”
É literalmente a primeira coisa que pensei. Funciona, porque ele emendou:
“E História.”
“Não me surpreenderia se nossos horários fossem iguais”, que. Droga. Você acabou. De dizer, Wanda Maximoff? “E aí? Quem te obrigou a vir?” Ok, melhorou.
“É tão óbvio?”, infelizmente sim.
“A maioria está aqui porque outra pessoa quis. Pais, amigos, namorados... até professores.”
Ele pensa um pouco antes de responder.
“Greener. Me tiraria do programa de Ciências caso não viesse. E você?”
“Darcille.”
Um belo golpe, imagino. Greener e Darcille estão noivos há algum tempo. Quem diria, tão apaixonados que dividem estratégias para fazer alunos socializarem.
“E se tirarmos uma foto juntos? Para provar que viemos”, sugere. Simplesmente genial.
“Okay”, me posiciono a seu lado e clico. “Ficou ótima! Vou te mandar uma cópia.”
Tiro o braço de seu ombro e marco a imagem com data e hora.
“Podemos ir embora. Amanhã imprimo as fotos e entregamos na segunda.”
Ele concorda. Vamos ao estacionamento.
“Onde está seu carro?”
“Não vim de carro.”
“Então te dou uma carona”, estendo o capacete. Ele hesita. “Venha!”
“E como vou me segurar?”
Ah!, ele nunca andou de moto.
Até ontem ele era uma musa inspiradora, por que esse desprezo agora?
Já está apaixonada?
Cale a maldita boca.
“Ponha as mãos ao redor da minha cintura. Assim.”
Abraço-o por trás, mostrando como deve fazer. O tecido do suéter é macio e bom de tocar. Um arrepio serpenteia minha espinha.
“Entendeu como faz?”
Solto depressa, não quero prolongar a sensação esquisita. Ele assente e sobe na moto, me abraçando com força. Questiono se está com medo, responde que não. Avanço alguns quarteirões e pergunto onde mora. São necessárias três tentativas para que me escute.
Moramos na mesma rua. Paro na porta dele e empurro a motocicleta até o outro lado, duas casas à esquerda. Resisto à vontade de assisti-lo entrar, não quero que pense que sou uma psicopata ou algo do tipo.
Meus pais estão no sofá, ouvindo seus discos. Parando para pensar, eles parecem estacionados no tempo. Tiro uma foto, imaginando o título. Passado é um conceito, ou algo assim. Preparo uma tigela de cereal com iogurte de morango e fecho a porta do quarto, ansiando por privacidade.
Tenho de imprimir as fotos, terminar o desenho e a lição de casa. As músicas no iPod não me apetecem, então trabalho ao som da coletânea de sucessos dos anos 80. Gosto de algumas, como “Take on me” do A-ha, já outras, do naipe de “Time after Time”, da Cyndi Lauper... eram questionáveis.
Quase uma da manhã, Marienne manda uma mensagem, perguntando quem é o garoto com quem sai da festa.
Está na nossa aula de Geografia – W
Como se eu fosse lembrar de todos que estão na sala. – M
Ele é legal? – M
Temos algumas coisas em comum, tipo problemas com professores – W
E são caladões – M
Muito engraçado. Há-há – W
Mas falando nele, preciso descobrir o endereço de e-mail. Pode ajudar? – W
Claro! Mande a foto e vejo o que consigo – M
Envio a foto e em segundos, Marienne responde com o e-mail dele. Mando a imagem para o endereço, com votos de um bom fim de semana. Consigo colocar o dever em dia e quando acabo, estou muito cansada para desenhar, então adormeço, com a promessa de trabalhar nisso outra hora.
Acordo com o punho de meu pai batendo à porta do quarto de Pietro. Como se ele fosse levantar antes do pôr-do-sol. Com certeza, a cerveja que Marienne levou era para ele ou seus amigos. Toco seu ombro para avisar que se trata de uma batalha perdida.
“Tudo bem”, ele suspira. “Quer ovos mexidos?”
“Parece ótimo.”
Junto com os ovos, bebo o suco de laranja que minha mãe fez. Respondo às perguntas sobre a festa – não falo sobre o álcool, não é da minha conta – e faço algumas sobre a noite deles, foram jantar com amigos.
“Não foi muito bom”, meu pai dá um gole no café. “Ned estava distraído.”
Minha mãe concorda. Não consigo pensar em outra coisa que não o desenho. Já ficou parado por tempo demais, precisa e pode ser terminado agora. Lavo a louça com pressa, e ao subir, só tenho o cuidado de não fazer barulho para que Pietro não acorde.
Abro a foto-modelo no computador e bato a ponta da caneta no papel algumas vezes.
Você consegue. Nós conseguimos.
É a primeira vez que me dá um voto de confiança.
Sempre dei, mas você precisava de um conselho mais direto naquele momento.
Ok, pode me dar um pouco de espaço? Se for possível?
Sinto muito, querida. Nunca vai se livrar de mim. Mas vou deixá-la trabalhar em paz, por ora.
Agradeço.
Acrescento os detalhes e pego os lápis de colorir. Agora se assemelha ao modelo, ainda não está perfeito, mas é uma questão de tempo.
Como previ, Pietro só sai do quarto quando meu pai enxuga a louça do jantar.
“Bom dia”, diz minha mãe. “Ou melhor, boa noite.”
Ele abre um sorriso cansado.
“Quer jantar?”, meu pai pergunta.
“Não, só um copo de água, por favor.”
Dou o que ele pede, imaginando que horas ele chegou. Passo um tempo assistindo TV, nada tenho a fazer lá em cima. Esparramo-me no chão ao lado de Pietro.
***
De manhã, jogo a mochila nas costas e praticamente lanço o corpo escada abaixo. Adentro a cozinha como um furacão. Minha mãe pergunta por que a pressa, eu também gostaria de saber.
Vai descobrir em breve.
Não ganho uma dica?
Nah, isso acabaria com a graça do jogo. Seja paciente.
Até a primeira aula.
Não pediria mais do que isso.
“É apenas a adrenalina jovem, Carol”, diz meu pai, enchendo a xícara de café. “Nós passamos por isso, muito tempo atrás.”
“Você é realmente um saudosista, Erik”, minha mãe sorri.
Ele me olha, ultrajado (todos sabemos que é brincadeira) e pergunta se concordo.
“Encarnou o personagem, pai”, rio.
“A sua sorte é que seu avô deixou a motocicleta para você, mocinha”, ele tenta soar ameaçador. “Se dependesse de mim, iria para a escola a pé.”
Minha mãe revira os olhos, murmurando que, neste caso, ele teria comprado o carro assim que eu terminasse o exame de direção.
Sou uma das primeiras a chegar na classe. Coloco a mochila na carteira ao lado, ao invés do chão.
Muito bem, agora aja naturalmente.
Marienne nem pergunta, ao ver a mochila reservando o lugar, imediatamente toma a carteira do outro lado, e Alexia a segue.
“Quem está esperando?”, indagam.
Nem preciso responder. Ele se aproxima, com a expressão que desenhei.
“Bom dia. Se lembra de mim, não é?”
“Oi, Wanda”, ele sorri.
“Sente aqui”, tiro a mochila, levando-a ao lugar de costume aos meus pés. “Trouxe a foto?”
Ele exibe o envelope que contém a foto. Abro meu portfólio para mostrar a cópia que darei a Darcille, e outras, que imprimi para guardar. É uma de minhas favoritas agora.
“Você gostou mesmo dela?”
“É claro. Onde mais conseguirei uma imagem assim?”
“Foi uma honra ser seu modelo.”
“A honra foi minha.”
A entrada de Woodart nos faz calar. Consciência me parabeniza por anotar o que a professora fala. Noto que ele copia o que escrevo e permito que o faça. Lembra-me de Pietro quando éramos crianças e ele deixava a lição de casa para a última hora.
O sinal bate, saio depressa, quero saber a quem monitorarei para Greener. Em vez de ir com Alexia e Marienne, vou com o menino, um pequeno truque da consciência, imagino. O professor abre um sorriso ao ver-nos.
“Já conhece sua monitora, Visão? Ótimo.”
Gostou da surpresa?
Você sabia?
Eu imaginava. Também trabalho como sua intuição.
Sentamos juntos, e para dar início à monitoria, reviso pontos importantes do ano passado. Visão me encara com os cotovelos na mesa e o olhar de máxima atenção.
“Obrigado. Se houver algo que eu possa fazer para retribuir, é só dizer.”
Ah, tem sim.
Eu sei. Acha que não vou ao menos tentar?
Vai fundo, garota.
“Preciso de ajuda com Matemática.”
“Temos um acordo.”
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