Teenage clichê

13 Sorvete de morango e batata frita


Mais tarde, depois do almoço e vários jogos, eles 4 estavam aninhados em um colchão na varanda da cabana. Enrolados em cobertas, observavam o sol se pôr atrás do lago. A vista era linda: os raios de sol avermelhados e alaranjados deixavam o lago com a impressão de que ele era feito de brasas, e ele refletia as sombras das árvores;

—Cara, são momentos assim que merecem ser gravados na mente –disse Bianca

—Exatamente. Eu acho que toda pessoa deveria presenciar um pôr do sol ao lado de uma pessoa que ama, pelo menos uma vez. É uma sensação diferente –disse Camila

—Gente, vocês tão ligadas que o pôr do sol é uma miragem, né? Tipo, o sol que a gente vê sumindo lentamente no horizonte não é o verdadeiro. O de verdade já se pôs, minutos antes. Se quiserem, eu explico. –disse Daniel

—Daniel, seu merda, não estraga o momento –disse Carol

—Isso que dá ser amiga de um cara de exatas –disse Bianca

—Ué, é sempre interessante entender os fenômenos naturais do jeito mais real possível –disse Daniel

—Entenda: se eu quisesse a realidade, eu faria Física ou algo relacionado. Mas não, tô fazendo Psicologia, então já dá pra ter uma ideia das lombras –disse Camila

Então os quatro se calaram e viram a escuridão tomando conta do céu, revelando as estrelas, que brilhavam como pedras preciosas na presença de luz(eu poderia poetizar, e dizer algo relacionado as personagens, mas fica escroto e nada a ver). Eles começavam a apontar constelações inventadas e dar nomes idiotas, como faziam com nuvens de formatos estranhos.

Camila e Daniel levantaram-se e foram para dentro da casa preparar o jantar. Carol ficou deitada e Bianca se aproximou.

—E então, o que aconteceu?-perguntou Bianca

—Nada, ué. Tô normal.

—Cah, você sabe que pode falar qualquer coisa pra mim, né? Somos amigas há anos, e eu só quero te ajudar.

—Bianca, eu tô bem, sério. Só tava pensando em como vai ser quando o Lucas voltar pra cá.

—Pera, ele vai voltar?

—Sim. Ele cansou de Campinas e tá com saudades da Mila. Ele volta depois de amanhã.

—A Mila sabe disso?

—Não, o Lucas quer fazer uma surpresa.

—E como você se sente em relação a isso?

—Normal. Eu sabia que eles iam acabar reatando a amizade e eu ia ficar de lado de novo. Mas chega uma hora que a gente se acostuma, se liga?

—Não se menospreze, eles te amam muito!

—Eu sei disso, mas o amor entre eles é maior, sempre foi; nada contra, acho lindo isso, mas cansei de me sentir um estepe.

—Que tal você me acompanhar pra uma festa que vai ter amanhã? Uma amiga minha tá se formando em Nutrição, e ela me chamou pra comemorar. Disse que eu podia levar quem eu quisesse.

—Que foda! Eu ia adorar ir, e acho que a Mila e o Daniel também.

—Não, eu tô só te convidando. Quero que você se despregue da Camila e conheça pessoas novas.

—Não sei não. Sempre foi eu, ela e o Lucas desde pequenos.

—Exatamente. Agora você precisa viver um pouco mais. Eu tenho certeza que você vai conhecer pessoas legais que podem vir a se tornarem especiais pra ti. Vamos, por favor! Você vai adorar!

—Tá bom. Espero realmente que você esteja certa.

Bianca abraçou Carol apertadamente por alguns segundos. As duas levantaram e entraram na cabana para jantar.

Os quatro amigos jantaram pizza e refrigerante, com direito à marshmallows tostados na lareira. Eles passaram horas conversando sobre coisas avulsas, até que dormiram: Camila abraçada com Daniel em uma coberta no chão, Carol no sofá e Bianca em uma poltrona.

Bianca acordou cedo e preparou o café da manhã. Depois acordou os outros para comerem e arrumarem suas malas, porque haviam combinado de voltar à cidade de manhã cedo. Eles arrumaram tudo, limparam a sujeira que fizeram e ligaram seus celulares depois de 2 dias. Centenas de mensagens de Whatsapp, milhares de notificações no Facebook e menções no Twitter e Instagram. Checaram rapidamente se seus pais haviam ligado ou mandado mensagem, depois guardando os celulares. Saíram da cabana com as malas, colocaram-nas nos carros, e dirigiram de volta para a realidade. Carol com Bianca em um carro, Daniel e Camila no outro.

Era divertido viajar com Bianca, pensou Carol. Ela era uma garota realmente extrovertida e aleatória, com um ótimo gosto musical; estavam ouvindo o álbum de um tal de Charlie Puth, chamado Nine Track Mind. Carol curtiu muito a música We Don't Talk Anymore, e colocou-a várias vezes para tocar. Enquanto Carol cantava, Bianca suspirou aliviada.

—Que foi?

—Hã?

—Tu suspirou aleatoriamente.

—Ah, foi porque eu fiquei aliviada de não ter pego carona com o Daniel. Ele dirige rápido demais. Chega um ponto que eu to rezando, implorando pela minha vida.

Carol riu histericamente.

—Caramba, ele dá uma de Ayrton Senna?

—Quase isso. Eu torço bastante pra não ter o mesmo desfecho dele. Mas enfim, ansiosa pra festa hoje?

—Não, nem tanto.

—Af, Carol. Se anima, vão ter pessoas legais. Caras gatos e bebidas. Tem como ser melhor?

—Garotos são o de menos; mas a bebida me deixou interessada, devo admitir.

—Ê, essa é a Carol que eu conheço. Quer que eu passe na tua casa pra gente se arrumar juntas?

—Não, pode deixar que eu dou meu jeito.

Carol e Bianca dirigiram por mais uma hora e uns quebradinhos, e chegaram ao condomínio de Bianca. Carol ajudou-a a tirar as malas do carro e levá-las para dentro. Cumprimentou os pais dela e o irmão. Aceitou almoçar com eles, indo para casa logo depois.

No caminho, Carol escutou diversos tipos de música: desde Supercombo a Arctic Monkeys. Pensou bastante em muitas coisas, mas se focou na festa que teria mais tarde. Enquanto cantava uma música do Djavan, recebeu uma ligação inesperada. Era Nicholas, seu ex, do outro lado da linha. Ela resolveu não atender: o que quer que ele quisesse com ela, teria que esperar, porque ela havia resolvido aproveitar o dia como se fosse o último. Chegou em casa, falou com seu pai e seu irmão e foi para o quarto. Dormiu por algumas horas, acordando com a ligação de uma Bianca histérica.

—CAROL, PORQUE VOCÊ NÃO ME ATENDEU ANTES? TE LIGUEI 15 VEZES!

—Desculpa, eu tava dormindo. Você interrompeu minha pegação hard com o Logan Lerman.

—Sua louca. Levanta e vai se arrumar; eu passo aí em 30 minutos pra te pegar.

—Não sei não, tô pensando em voltar para o sonho.

—Vai uma porra. Você vai levantar, tomar banho e se arrumar para a festa.

—Tá, mãe. Até mais.

—Até mais. Fique gata!

Carol desligou. Despiu-se e foi ao banheiro. Lavou os cabelos, secou-os com o secador e arrumou-os em uma trança. Foi ao quarto e pegou um vestido branco colado, com um decote na frente e cortes na lateral e o vestiu. Calçou um scarpin bege, que estava com o verniz meio arranhado. Fez uma maquiagem linda, clara nos olhos com os lábios de um vermelho vivo como sangue. Colocou pulseiras e brincos, pegou uma bolsa da Charlotte Olympia em formato de claquete de filme(sua favorita) e saiu. Terminou bem na hora que Bianca buzinou fora de sua casa, dentro de uma limousine preta, que era duas vezes o comprimento de seu carro. Carol se animou, e foi até a limo. O motorista saiu, abriu a porta para ela entrar. Depois de ter entrado, ele fechou e foi para o assento do motorista. Dentro do carro, Carol se deparou com Bianca, em um vestido estampado de mangas longas, uma garota em um vestido cor de rosa estilo 15 anos e um rapaz em um terno azul, com uma gravata branca perfeitamente ajustada. Bianca os apresentou: eram a colega que estava se formando, de nome Linda, e o namorado, Gregório. Carol os cumprimentou e agradeceu pelo convite.

—Não precisa agradecer, é um prazer finalmente te conhecer. Bianca não falou nada além de coisas boas sobre você.

—Não confie na opinião da Bianca: ela diz que sorvete de morango e batata frita é uma delícia.

—Credo, Bia. -disse Gregório, rindo da amiga

—Af, Carol. É bom sim! -protestou Bianca

Linda riu bastante. Os quatro colegas ficaram conversando até chegarem ao destino. Carol ficava cada vez mais ansiosa, pois não sabia o que esperar lá. Estava 'só', e isso a deixava animada e assustada ao mesmo tempo. Torceu para que tudo desse certo, e voltou a zoar Bianca junto com Linda.