Teenage clichê

11 Zeca Pagodinho


Em São Paulo....

Lucas estava em um barzinho, junto com Henrique e Sara. Ele estava na sua 4 garrafa de cerveja, tentando não lembrar da briga enorme que ele tivera com Milenna, seguido de um término de namoro. Camila não estava mais no seu dia a dia. Camila. Havia semanas que ele não soubera dela, que ele não fora atrás, porque estava ocupado demais vivendo sua vida, conhecendo outras pessoas, outra realidade. Ele havia abandonado sua suposta vida. Esse pensamento o fez tomar toda a garrafa de cerveja e pegar outra.

—Lucas, você tem que pegar leve. Você vai acabar no hospital desse jeito. –disse Henrique

—Não, eu quero que se exploda! Eu não me importo de entrar em coma alcoólico, eu não me importo de morrer por intoxicação. Eu perdi T-U-D-O. Eu perdi minha namorada, perdi minha melhor amiga, perdi minha VIDA. TU TEM IDEIA DO QUE É PERDER UMA AMIZADE DE MAIS DE UMA DÉCADA EM SEMANAS?

—Lucas, calma. Foder com seu fígado não vai resolver nada. –disse Sara

—EU NÃO ME IMPORTO, EU NÃO ME IMPORTO. FODA-SE.

—Você tem que se importar. A Camila, certeza, se importa. Ela quer o teu bem, ela só quer a sua felicidade. –disse Henrique

—ESSE É O PROBLEMA, NÃO TEM FELICIDADE SEM ELA! EU CAGUEI O PAU, EU DESTRUÍ A NOSSA AMIZADE. EU NÃO CONSIGO NEM IMAGINAR O QUE ELA PASSOU POR MINHA CAUSA. ELA TEM TODA A RAZÃO DE ME ODIAR.

—Você não sabe disso. Você não fala com a Mila faz semanas e ainda tá bêbado. Você tem que tomar um banho de água fria e ir dormir – disse Sara

—Não... Eu vou ligar para a Mila.- disse Lucas, enquanto tirava o celular do bolso.

—Não, você não vai. Você vai pro dormitório e vai dormir –disse Henrique, tentando pegar o celular de Lucas.

Lucas levantou e cambaleou para longe de Henrique, em direção ao banheiro masculino. Henrique foi atrás, mas não conseguiu impedi-lo: ele entrou no banheiro e trancou a porta. Dentro do banheiro, ele não conseguiu ver muita coisa, porque sua visão estava embaçada por causa do álcool. Mas se esforçou, e a ligou.

—Mila?

—Quem é? –disse uma voz meio rouca do outro lado do telefone

—Cheeks, sou eu, o Miojo.

—Lucas, não é a Cheeks. É a Carol.

—Ah. Carol, cê pode passar pra Mila? É urgente.

—Sinto muito, mas não posso. Ela tá dormindo, e eu não vou acordar ela pra falar com você, principalmente porque você tá bêbado.

—Carol, por favor. Eu não insistiria se não fosse importante. Eu preciso escutar a voz da Mila. Preciso falar com ela.

—Lucas, entenda: você a abandonou. Você a fez sofrer, destruiu ela. E ela finalmente tá te superando, tá vivendo de novo. E você ainda tem a cara de pau de ir atrás dela, pra foder mais com o emocional dela. Você devia se afastar dela. Você deveria sumir.

—Carol, eu sei como isso soa, eu sei que eu sou um filho da puta, que eu vacilei demais, que eu quebrei a promessa que eu fiz, que era que eu não ia sair da vida dela, mas... Caralho, isso é muito difícil. Não tem um momento que eu não me arrependa de não ter voltado, de não ter me esforçado pra dar certo. Porque cada vez mais eu percebo que eu preciso de dela, porque ela é a única que faz eu não me perder e é a única que me entende como ninguém. Ela é a única que me conhece de todas as formas possíveis e me ama desse jeito, e eu realmente preciso dela. A Camila sempre vai ser a minha outra metade, minha vida, mesmo que ela esteja mais na minha realidade.

Lucas escutou um choro muito familiar do outro lado da linha. Era Camila. Carol havia passado o telefone para ela em algum ponto da conversa, e ela havia ouvido esse desabafo de Lucas. Ela chorava feito um bebê com fome.

—Mila? Eu sei que você tá aí. Eu sinto muito, de verdade. Eu realmente queria uma segunda chance pra provar que eu posso ser melhor. Eu preciso de você, você é minha vida. Não me importo se for dependência minha, não me importo com o que eu tiver que fazer, eu só te quero de volta na minha vida, nem que seja só como amiga.

—Lucas, eu não sei o que dizer. Isso é repentino e fofo, mas não conserta o que você fez. Eu preciso de tempo pra pensar nisso. Eu amo você, com todo o meu coração, mas não é tão simples. Talvez a gente volte a ser melhores amigos, não sei. Mas a gente pode tentar. Só que cê vai ter que conquistar minha confiança de novo.

—Eu topo tudo pra te ter. Eu também te amo, Cheeks, nunca esqueça disso.

—Enfim, preciso dormir. Tá tarde e cê tá bêbado. Se cuida, a gente se fala depois.

—Ok. Beijo, vida.

E ela desligou. Ele olhou para a imagem da ligação feita com um sorriso enorme, sem conseguir acreditar que aquilo tinha acontecido. Ele parou, pensou e falou em voz alta: mano, isso realmente aconteceu? Ou eu tô mais bêbado que o Zeca Pagodinho? E, do nada, ele apagou em cima do assento do vaso sanitário.