Teenage clichê
15 Namoro de ressaca(ou fachada?)
Carol acordou em sua cama, com um balde cheio de vômito ao lado dela. Ela estava com uma puta ressaca e não lembrava de como tinha parado lá. Ainda de olhos fechados, ela lembrou de ter ido a festa, das doses de juízo e da conversa com Mikael. Mikael, só podia ter sido ele que havia a trazido para casa. Será que algo mais havia acontecido? Como ele descobriu o endereço dela? Carol ficou meio atordoada, sua cabeça estava doendo e ela resolveu pensar nisso em outra hora. Abriu os olhos e se deparou com um par de mãos segurando sua cintura. Virou-se e deu de cara com Mikael. E, como é bem esperado, berrou e pulou da cama. Mikael acordou em um susto.
—MAS QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO NA MINHA CAMA? –disse Carol, enquanto empuhava um de seus saltos.
—Calma, calma. Eu não vou te machucar.
—CAGUEI PRA ISSO. RESPONDE A MINHA PERGUNTA, OU VOCÊ VAI GANHAR UM BURACO CORPORAL EXTRA.
—Tá, vou explicar. Eu ia te deixar em casa, mas você tinha desmaiado no carro. Então liguei pra Camila, disse quem eu era e como a gente tinha se conhecido e ela me disse como chegar na tua casa.
— A Camila certeza tem um parafuso solto. –disse Carol, abaixando o salto em seguida- Mas continue.
— Eu te carreguei nos meus braços, e me deparei com teu pai esperando na sala de estar. Ele teve uma reação quase igual a sua, só que ele apontou uma espingarda ao invés de um salto 15. Eu expliquei tudo e ele me disse onde era o teu quarto.
—Tá, mas isso não explica como cê veio parar de conchinha comigo na minha cama.
—Foi tipo: ele disse que eu podia dormir no teu quarto, porque ele não ia deixar o namorado bêbado da filha dele dirigir.
—Pera: NAMORADO?
—Foi a única explicação que impediria que ele atirasse em mim, ué.
—Você tem problemas sérios, cara. Não acredito que meu pai deixou tu dormir comigo.
—Ah, outro detalhe, ele não deixou -disse Mikael, tentando esconder um sorriso de satisfação;
—SEU PERVERTIDO! –disse Carol, pulando em cima dele e o estapeando com toda a força.
—Para, Carol! Deixa eu explicar!
—Deixo uma porra! EU VOU TE MATAR.
Mikael pegou Carol pelos pulsos e a colocou contra a parede.
—Agora cê vai ter que escutar.
—Não vou não. PA- Mikael colocou a mão na boca de Carol.
—Entenda: eu deitei com você porque você pediu. Eu estava dormindo no chão quando você teve um pesadelo e começou a chorar, e eu fui te acordar pra interromper isso. Você me segurou pelo pulso e sussurrou para eu te proteger. Eu deitei e disse que cê tava segura, e isso fez você adormecer e soltar o meu pulso.
Carol falou algo, mas a mão de Mikael abafou. Então ela apontou para a mão dele.
—Ah, foi mal –disse ele, tirando a mão da boca dela e se afastando.
—Eu só queria agradecer por ter me trazido em casa e por todo o resto –disse ela, meio envergonhada;
—Relaxa, foi bom até. Devíamos repetir a dose qualquer hora.
Isso arrancou um sorriso de Carol. Ela deu um abraço bem apertado nele. Talvez aquele abraço tenha dito mais do que qualquer conversa que eles tiveram ou talvez eu esteja meio fumada.
—Então, namorado, tá afim de tomar café? Meu pai faz as melhores panquecas da vida!
—Pensei que cê nunca fosse chamar. Quer um tempo para se arrumar? –disse Mikael, olhando a amiga de cima a baixo;
—Acho uma boa. Vai lá se entrosar com meu pai enquanto eu tiro esse cheiro de vômito e bebida.
Mikael saiu do quarto, fechando a porta atrás dele. Carol foi ao banheiro, despiu-se e tomou uma bela chuveirada. Saiu do banheiro e escolheu algo bem casual: um moletom laranja, short jeans e vans preto. Desceu as escadas até a cozinha.
Encontrou seu pai, seu irmão caçula e Mikael conversando sobre futebol(garotos ¬¬) e tentou juntar-se a conversa, sem sucesso.
—Odeio quando vocês falam sobre futebol –disse Carol
—Isso porque você prefere assistir TVD ao invés de um jogaço na quarta. –disse Carlos, seu irmão.
—Filha, você abasteceu o carro? –perguntou o pai de Carol.
—Não, porque? –disse Carol, enquanto dava um gole em seu café;
—Poxa, filha. A gente tinha combinado que você ia levar seu irmão pra aula de karatê hoje.
—Ah pai, desculpa mesmo –disse Carol.
—Vocês querem que eu leve ele? –perguntou Mikael, mordiscando uma panqueca com manteiga.
—Não quero causar nenhum incômodo –disse o pai de Carol.
—Imagina, eu insisto –disse Mikael.
—Pai, pode deixar que eu vou com eles –disse Carol.
—Onde é? –perguntou Mikael.
—Perto do parque –disse Carol.
—Ah, de boa. É perto da minha casa. –disse Mikael.
—Sim, então já estamos combinados? –perguntou Carol.
—Que daora, o namorado da Carol vai assistir a minha troca de faixa hoje! O Nicholas nunca fazia isso –disse Carlos, enquanto dava uma mordida em seu sanduíche de queijo.
—Cala a boca, Carlos –disse Carol.
Carlos deu língua para Carol e recebeu um pedala Robinho em troca.
—Mike, a gente pode tomar sorvete antes? –perguntou Carlos.
—Filho, tá uns 18º lá fora. E o Mikael deve ter mais o que fazer, cara –disse o pai de Carol.
—Carlos, eu te levo pra almoçar em um lugar irado perto do parque depois do treino, pode ser? –disse Mikael.
—Tá, deixa só eu pegar minhas coisas –disse Carlos, subindo as escadas correndo.
Carol despediu-se de seu pai e foi para o carro junto com Mikael. Ficaram esperando Carlos arrumar sua mochila e se trocar.
—Desculpa por isso, meu irmão não sabe a hora de ficar calado.
—Que nada, ele é um garoto legal.
—Primeira vez que um namorado meu diz isso –disse Carol, rindo.
—Ele só me deixou com mais vontade de te conhecer, de saber quem é você.
—Sou Carol, satisfação, porque o prazer vem depois –disse Carol, depois rindo feito uma hiena com convulsão.
Carlos entrou no carro, e os três saíram. Durante o percurso, conversaram bastante sobre música enquanto escutavam eletrônicas de grandes nomes, como Martin Garrix, Skrillex, KSHMR, Hardwell e outros. Chegaram ao destino em 20 minutos, mas Mikael não pode ficar para assistir à luta do irmão de Carol. Porém, prometeu que iria buscá-los. Ele deu um beijo na bochecha de Carol, bagunçou o cabelo de Carlos, entrou no carro e foi embora, deixando uma Carol bem curiosa e intrigada.
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