Teenage clichê

18 Doses dolorosas


Carol acordou com sons de mensagens mandadas por Mikael. Ele perguntava se ela tava bem e se o fígado dela ainda valia alguma coisa. Ela respondeu-o com ignorância, levantando da cama logo em seguida. Ela estava em suas roupas intimas, com o cabelo fedendo. Andou até o quarto de Camila para chamar a amiga para irem ao estúdio de tatuagem juntas. Chegou lá, e encontrou-a apagadona. Daniel já tinha ido pra casa, mas tinha deixado água perto da cama dela(pra amenizar a ressaca). Carol tentou, mas Camila realmente não acordava. Resolveu ir sozinha para o estúdio. Foi ao banheiro, tomou banho, arrumou-se. Colocou uma jaqueta customizada, legging preta e um par de chinelas. Deixou um bilhete para a amiga, deu-lhe um beijo na testa e desceu as escadas. Pediu um táxi, pegou sua bolsa e saiu.

Trinta minutos depois, lá estava ela, na maca preta do estúdio, tendo sua boca perfurada pelo seu grande amigo, Zeifla. Ela já havia feito 10 piercings nas orelhas com ele, mas dessa vez era um no Smile(que ela estava fazendo(depois de 2 anos criando coragem pra isso). Ele furou, limpou e entregou o espelho para ela admirar sua nova aquisição.

—E aí, curtiu?

—Cara, amei real –disse Carol, dando um sorriso enorme.

—Sabe o que não pode fazer né? Sem beijo na boca por um mês –disse ele, rindo.

—Relaxa, eu te espero –disse Carol, fazendo uma cara de suricate.

Ela abraçou-o e saiu em seguida, indo para uma cafeteria. Chegando lá, sentou em uma cadeira perto do balcão e pediu um café e uma fatia de bolo de laranja. Pegou o celular e ligou para Camila.

—Alô? –disse uma Camila mal humorada.

—Bom dia, flor do dia –disse Carol, tomando um gole do café depois.

—Ah, é você. O que cê quer, Carol? Tô com dor de cabeça.

—Eu só tô te ligando pra avisar que eu passo aí em uma hora pra te buscar pra uma festa mítica que vai ter lá no Estoril. Pelo amor de Deus, põe algo bem colado, porque enfim, tu tá pegando nem gripe.

—Ah, eu não. Vou ficar em casa.

—Camila, cê tem que ir comigo. Por favor, eu tô esperando essa festa faz 2 meses. Vai ter show do Vivendo do Ócio!

—CARALHO É MESMO! PERA QUE EU JÁ TÔ INDO ME ARRUMAR! –disse Camila, desligando em seguida.

Carol terminou seu breve lanche e foi o mais rápido possível até sua casa para se arrumar. Chegou lá e só fez trocar de roupa, colocando um vestido preto colado de alcinha, uma jaqueta detonadona e um vans vermelho. Fez uma maquiagem estilo Kylie Jenner, pegou uma clutch com formato de batata frita do McDonalds e foi para a casa de Camila.

Chegando lá, buzinou e a amiga saiu da casa, e estava realmente irreconhecível. A garota que sempre pareceu ser 3 anos mais nova do que possuía, agora estava em uma calça detonada, blusa cavada, muitas correntes no pescoço, beach waves e uma maquiagem que tinha como maior destaque os lábios vermelhos. Camila entrou no carro, e as duas foram para a “festa do ano”.

Chegando lá, elas se depararam com muitos carros no lado de fora. O lugar era aberto: qualquer um podia entrar e não havia seguranças. Elas entraram por um corredor, que tinha uma quantidade considerável de metros quadrados. Ao lado esquerdo, havia um bar, bem simples, com o balcão de madeira e prateleiras de vidro na parede, que possuíam diversos tipos de bebidas. Na direita, parecia um deck: era ao céu aberto, tinha mesas e cadeiras de plástico. Havia também uma muretinha com um pouco mais de 1 metro de altura, que tinha uma porta que permitia o livre trânsito de pessoas e dava acesso ao calçadão da praia. Carol e Camila dirigiram-se ao bar, e Carol pediu uma dose de tequila só pra começar. O bartender colocou uma dose pra cada, e Carol virou no mesmo momento, pedindo outra. Ergueu a segunda dose e disse:

—Um brinde à uma noite para se esquecer! –disse Carol, virando mais um shot.

Camila reluta em tomar a dose, mas não queria ser a diferentona. Resolveu beber só uma. Virou a dose, lambeu o sal da mão de Carol e chupou o limão. Desceu meio quente, mas ela curtiu. Meia hora depois, Carol decidiu parar de beber, porque uma das duas tinha que estar minimamente sóbria. E no ritmo que Camila estava bebendo, daqui a pouco ela já estaria indo se jogar no mar. Carol resolve subornar o bartender para dar água para Camila em copinhos de shot, porque ela tava bem bêbada e, enquanto isso, fica olhando ao redor para ver se acha algum rosto conhecido. Carol vê Henrique, seu melhor amigo. Levanta e corre até ele, prendendo-o em um abraço bem forte.

—Rique, o que cê faz aqui? –disse Carol, com um sorrisão no rosto.

—Ah, eu vim com o Lucas. Ele tá no banheiro, retocando a maquiagem –disse ele, tomando um gole da sua garrafa de cerveja.

—Puts, que merda hein –disse Carol, revirando os olhos.

—E tu? Veio do outro lado da cidade só pra ver meu rosto angelical?

—Não, vim pra desopilar com a Mila. Mas ela acabou bebendo demais e dando em cima do bartender.

Carol e Henrique continuaram conversando na mesa junto a Camila, até que Lucas chegou. Camila fecha a cara e volta a flertar com o garçom e Carol simplesmente ignora, enquanto Henrique fala com seu amigo.

—Vei, demorou. Achei que cê só ia trocar o absorvente –disse Henrique, enquanto pedia outra garrafa.

—Eu tava batendo uma. Tua mãe me mandou nudes –disse ele, pegando a cerveja de Henrique.

—Tem como ser menos babaca? –disse Carol para Lucas.

—Eu sempre fui babaca, porque cê tá reclamando agora? –disse Lucas, rudemente.

—Porque cê tá especialmente irritante hoje e eu tô sem saco pra aturar suas ceninhas de coitado –disse ela, virando a cara e pedindo uma dose.

Lucas já estava meio bêbado, havia tomado umas 4 garrafas de cerveja. Junto com o estresse, ele já estava soltando algumas verdades.

—Sempre tem a opção de ir embora –disse ele, encarando-a de mal jeito.

Carol ficou sem argumento. Percebendo isso, Henrique intercedeu.

—Cara, para, sério. Cês são melhores amigos, não deviam brigar –disse Henrique.

—Não, não, Rique. Se é o que o Lucas quer, eu tô indo. Vamo Mila, vamo sair daqui –disse Carol, puxando a amiga.

—Não, Carol, deixa. Foda-se ele –disse Camila, indiferente.

Carol relutou um pouco, mas resolveu ficar, pois não queria deixar Camila só. Observando isso, Lucas não conseguiu evitar querer ser desagradável com Carol, então disse:

—Sabe qual é o verdadeiro problema das pessoas hoje em dia? É que elas acham que tem problemas demais, quando elas não tem merda nenhuma e ficam só de mimimi, ficam se vitimizado e se cortam. Ficam falando que se cortar é muito ruim e preocupante, quando na verdade é só um jeito de chamar atenção e se fazer de coitada –disse ele, olhando para Carol.

Com pesadas lágrimas nos olhos, mas orgulhosa demais para deixá-las cair, Carol dá um murro no nariz de Lucas, que quebra. Ela olha pra ele enquanto ele está no chão e sai apressadamente, sem dizer nada. Henrique vai logo atrás, deixando Camila e Lucas sozinhos. Camila estava tão bêbada que nem tinha reparado o sumiço da amiga, até Lucas sentar ao seu lado e pedir mais algumas doses.

Carol foi direto para casa, passando somente em um posto para comprar duas garrafas de vodka. Ao chegar em casa, ela subiu correndo para seu quarto e se jogou na cama do jeito que estava. Chorou e bebeu até dormir, acordando no outro dia com uma puta ressaca lembrando do ocorrido da noite anterior.