Teenage clichê
1 A mensagem
Notas iniciais
Bem, começo essa história com um nome: amor. Afinal, por que amor? Pelo simples fato desses personagens de uma história nada trágica serem duas garotas e um garoto extremamente profundos, mas com mil e um escudos para evitar machucados. Porque quando o sentimento bate, ele espanca. Pode ser que você ache essa história como qualquer outra, um clichê em forma de prosa, mas aqui vai.
Era um sábado pela manhã, quando ela acordou. Seu celular tocava feito uma sirene de ambulância. Era seu melhor amigo ligando, preocupado porque ela não havia falado com ele no dia anterior.
—Caralho, cê quase me mata de susto, Camila! Tu fica sem aparecer o dia todo, eu já tava preocupado.—Ah Lucas, menos drama, por favor. Acabei de sair de uma soneca pós ressaca, releva.—Você e essa sua bebedeira pós-término de namoro. Cê não podia ser uma garota normal e chorar comendo sorvete e assistindo filmezinhos piegas?—E você não podia ser menos cuzão e cuidar da própria vida?—Ah, vai ser babaca na casa do caralho também. Tchau, Camila. E ele desligou na cara dela. Mas ela não se importou. Afinal, ela e Lucas eram melhores amigos desde sempre e ele não aguentava um dia sem ela. Então levantou e andou até o banheiro. No banheiro, olhou-se no espelho e viu o rímel borrado por conta das lágrimas derramadas na noite anterior e o cabelo completamente bagunçado. Não gostava do que via no espelho, via alguém que não parecia ela. Via uma espécie de máscara que não conseguia tirar. Mas não se permitiu pensar mais nisso, e foi tomar banho.Após o banho, ela se arrumou pra ir para a faculdade. Após o banho, ela vestiu a primeira roupa decente que achou no armário, vestiu seu casaco azul surrado e calçou seu vans preto. Estava atrasada e ia perder a primeira aula, mas isso não fez ela se apressar. Ela pegou seus livros, seu caderno, sua bolsa e foi para o ponto de ônibus perto de sua casa.No ponto de ônibus, ela encontrou as mesmas pessoas de sempre: Carol, sua colega de classe e melhor amiga; Isaac, um menino de 12 anos que morava em sua vizinhança; a mãe de Isaac, Júllia, que trabalhava como servidora pública e era melhor amiga de sua mãe. O ônibus chegou e eles entraram.Durante o percurso, Carol relembrava Camilla o que essa tinha feito. Camila não acreditou quando Carol disse que ela tinha começado a dançar forró no meio da balada com um garoto avulso. E as duas riram, afinal, um mico sempre é engraçado.—Cah, não acredito que cê me deixou fazer isso! Que mico, velho!—Dá um desconto, eu tava tão bêbada quanto você!—Bêbada? Você? Só se for com água né.—Eu bebi muito, Mila! Fora que não é fácil tirar o celular da sua melhor amiga enquanto ela tenta te embebedar.—Pera, WHAT?—Cara, tu passou um bom tempo com o celular ontem. Não tenho ideia do que tu fez.Nisso, Camila foi olhar seu histórico de mensagens e se deparou com diversas mensagens. Ela tinha falado com o Lucas, e dito que "não podia viver mais daquele jeito, e que não queria perder ele por causa daquele jeito idiota. que ia dar um fim nisso"(então ela entendeu a preocupação dele, parecia que ela ia morrer.). E viu a pior coisa que podia ter visto naquele dia: uma mensagem que ela mandou pro ex-namorado, implorando pra voltar. Nesse momento, foi como se ela tivesse desabado. Ela só tinha saído para beber para se divertir e esquecer ele. E tudo estava indo bem até que ela lembrou.Ela queria se enterrar em um buraco, não por ter mandado a mensagem e sim por ele não ter respondido. E ela e a Carol já estavam chegando na faculdade. Faculdade. Alguns professores mal comidos e outros míticos. Seus amigos. Inimigos. Lucas. Mas, principalmente, o André, seu ex. Ela pensou em pular do ônibus, porque realmente não queria ver o André. Não depois da mensagem.—Cah, cê acha que eu morro se pular desse ônibus?—Tá louca? Sai dessa cara, foi só uma mensagem.—SÓ uma mensagem? Foi A mensagem. Eu tô querendo entrar em um buraco e me enterrar.—Ah, deixa de ser dramática. Nem deve ter sido tudo isso.—Ah não? Então leia você mesma.Camila entregou o celular para Carol. Enquanto Carol lia, Camila pensava em maneiras de evitar André. Não seria difícil, afinal, ela cursava Psicologia e ele, Engenharia. Ela lembrou de quando eles saíam pra comer depois da aula, de quando ele tinha matado aula pra surpreender ela no aniversário de namoro deles, durante a aula dela. Então, a voz de Carol cortou o pensamento.—Puta merda, tu fez uma grande burrada.—Eu sei, tá? Eu só tô com medo dele ter levado isso a sério, até porque eu realmente não quero voltar com ele.—Mentira. Cê ainda é louquinha por ele que eu sei.—Não tenho que te convencer de nada. Cê sabe que eu te conto tudo. Quer acreditar? Ótimo. Não quer? Caguei pra isso.Então elas chegaram na faculdade.Camila dirigiu-se para sala 301, onde ia ter aula de "Evolução do Pensamento Filosófico e Científico". Tinha chegado atrasada, a aula já havia começado. E quando foi abrir a porta, foi puxada pelo braço. Era André, seu ex. O coração de Camila parou por um segundo. Queria ter chegado antes, queria não ter ido para a aula. Queria ter acordado tarde e perdido a primeira aula. Mas não podia mais fazer algo, tinha que encarar.
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