Teenage Wasteland
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Os saltos das minhas botas faziam um barulho quase rítmico contra o chão de mármore do corredor vazio. Eu mesma não sabia o porque de a sua nova escola estar tão vazia, talvez estivesse no dia errado, ou cedo demais para estar ali. Mas uma vozinha dentro de minha cabeça dizia que não: Era o dia certo e a hora certa. As aulas começariam naquele dia 1 de setembro, as 8:30. E era 8:15. A escola já não deveria estar lotada? Ou talvez fosse um escola vazia mesmo. Ah, quem eu queria enganar, era a única escola pública do local, deveriam ter vários alunos. Talvez muitos deles ainda estivessem curtindo as férias com seus amigos, ou perdido o horário. Eu não via nenhum problema em não ir no primeiro dia. Aquela escola, era a pior que eu já havia visto: Os armários eram de um azul do mar enferrujado, e as paredes eram pintadas de um cinza chato e sem vida.
Eu não conseguia encontrar seu armário. 189, dizia o papelzinho em sua mão, que havia pego com a diretora alguns minutos antes, mas aquelas dezenas de armários ao meu redor me confundiam, e me sentia tonta cada vez mais. E ainda por cima, todo corredor que virava, havia uma faixa azul e laranja, as cores da escola, pendurada sobre minha cabeça, e todas com os dizeres "Bem vindos alunos novos". Naquele momento, eu só queria poder voltar atrás dois meses, e ter desfeito aquela festa em meu nem-tão-pequeno apartamento na França. Mas eu sabia que não era possível, e por isso, havia sido obrigada a se mudar para Seattle, junto com meu pai e o novo namorado. Sim, meu pai é gay, e não, isso não é algo que me incomode
- Você está perdida? — Uma voz quase rouca interrompeu meus pensamentos. Olhei para trás, e me deparei com um garoto moreno, de cabelos cacheados e olhos azuis. Ele era bonito.
- Me desculpe... Eu não consigo achar meu armário — Tentei soar o mais simpática possível, principalmente porque: primeiro, eu não tinha amigo algum ali, segundo, não havia mais ninguém para ajudar, e terceiro, aquele menino era bonito. Talvez o mais bonito que eu já havia visto em toda minha vida.
- Bom... 189. — Ele murmurou, olhando para o papel amassado na palma da minha mão — Eu sei onde é. Bem ao lado do meu. Sorte grande. — Eu não sabia o que ele queria dizer, mas apenas o segui quando ele começou a caminhar.
Vira corredor para cá, vira outro para lá, e eu com certeza demoraria séculos para decorar o caminho. Ele parou após um tempo, sobre dois armários. Um deles tinha tinta azul fresca, e eu apenas notei pela cor ser mais viva, e o cheiro mais forte.
- Pintou seu armário? — Eu perguntei, levantando uma sobrancelha para ele, tentando descobrir se aquilo era permitido, e se eu podia pintar o meu também.
- Claro. Bom, eles dizem que não é permitido, mas é considerado trabalho voluntário se for do azul exatamente igual ás cores da escola. Vá entender — Ele revirou os olhos, antes de abrir a portinha, e colocar ali alguns livros.
Abri meu armário, que, perto do dele, era a coisa mais sem graça do mundo: Não haviam fotos, nem decoração. Apenas o interior vazio e cinzento. Soltei um suspiro, e enfiei meus livros ali dentro, antes de bater a porta do armário com força. 8:25. Onde estavam todos?
- Ei... uma pergunta... a escola é vazia assim mesmo? — Eu levantei uma sobrancelha, tentando apontar para os lados vazios.
- Só no primeiro dia. Eles não te obrigam a fazer nenhuma aula, é apenas uma aula no auditório, que serve para conhecer as novas pessoas, e as primeiras inscrições para clubes. Nada que você não possa fazer depois. Eu gosto de vir porque... bom, as multidões sempre acabam com os melhores clubes. A propósito, meu nome é George. George Atkin Williams, para ser mais exato. — Ele esticou o braço para apertar minha mão, e eu hesitei um pouco antes de apertá-la
- Ah sim... me desculpe... Sou Riley Liddel. — Respondi, apertando sua mão com cuidado.
- Bom, vamos para o auditório antes de tudo. É por aqui — Ele me mostrou o caminho, um corredor nem tão sombrio quanto os outros, cheio de portas.
Ele abriu a porta do auditório, e eu podia ver algumas pessoas sentadas. Uma cabeça ruiva sentada sozinha. Alguns garotos, todos juntos, fazendo brincadeiras de empurrar. Uma menina asiática parecia discutir com outra, uma garota morena. Duas garotas, ambas morenas também, pareciam muito entretidas na conversa para notar algo. E mais algumas pessoas, que eu não prestara tanta atenção. Ele me puxou pela mão pela escada, até alcançar duas poltronas dali. Estávamos no meio das pessoas.
- Adam, larga o Elliot e o coitado do Eric por favor, e vem aqui. — George não hesitou em falar, e os três garotos, acompanhados por um louro, se aproximaram. — Esses são Elliot, Eric, Adam e... — Ele mesmo não parecia reconhecer o garoto.
- Sebastian — Ele falou com um sotaque diferente. Quase tão diferente como o meu.
- Prazer — Eu acenei com a cabeça, observando as outras pessoas. Adam, que tinha um topete castanho e olhos verdes, pulava de uma em uma, dizendo seus nomes. Ele parecia conhecer todos, até mesmo as pessoas novas.
- Bom, essa é a Marian, ela também é nova. Acho que se darão bem. Valerie também é nova. Marcela e Naomi já estão aqui faz tempo. Essas são Taylor e Bianca, elas moram em Seattle desde... sempre. E esses são o Leo, o Oliver, Serena, Joanne. — Ele acenou com a cabeça, e eu fiquei confusa.
Marian era uma ruiva de olhos verdes, quase tão baixa quanto eu. Valerie era loira, de olhos castanhos, cabelos lisos. Parecia um pouco tímida ali, e não se importava de abaixar a cabeça. Marcela tinha cabelos castanhos, e olhos da mesma cor, e com toda a certeza, era a mais baixa dali. E Naomi, era uma asiática que me lembrava um pouco George. Talvez o nariz, ou o queixo. Taylor era uma garota mediana, morena, com luzes azuis nos cabelos. Seus olhos eram castanhos claros. Bianca também era morena, mas era magricela. Leo tinha um cabelo quase engraçado, ele era jogado em uma franja na frente do rosto, castanho, assim como os olhos. Oliver tinha um moicano louro sobre a cabeça, com olhos azuis. Serena tinha o cabeço negro como um corvo, olhos azuis e cristalinos, e a pele tão branca quanto leite. E Joanne, era uma garota alta e tinha cabelo louro escuro, com olhos castanhos.
- E sim, eu e a Naomi somos primos — George finalizou, sorrindo de leve para mim, e Naomi acenou com a mão de leve, antes de começar a cutucar as costelas da Marcela.
- E eu sou a Riley — Comuniquei a todos, abrindo um sorriso quase radiante. Aquelas pessoas podiam ser um pouco diferentes umas das outras, mas eram as únicas que eu realmente poderia conhecer ali.
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