Teenage Dream - Sonho Adolescente
6 Capítulo 5 - Verdades
Notas iniciais
Capítulo 5 — Verdades
Música:
http://www.youtube.com/watch?v=CU00Xmi55e4
Beautiful Eyes — Taylor Swift.
ANTES:
Começou a remexer-se no banco, pareceu incomodada. — Que porra é essa aqui? — A coloquei sentada em cima da minha pasta. Droga! — A tá, é a porcaria da sua pasta!
– Onde você mora? — Perguntei tentando não me irritar com sua petulância.
– Na primeira esquerda, antes da entrada da casa dos meus avós, a uns 20 minutos daqui.
– Coloque o sinto! — Disse, e ela... Tratou de colocá-lo lentamente. Aquela garotinha realmente queria me provocar! Acelerei o carro pela 110, a levaria logo para casa. Sabia que, matar crianças ainda era crime hediondo!
Reneesme PV:
Retirei a droga da pasta de baixo de mim e a pus em meu colo. Virei o rosto em direção a janela e fiquei olhando a paisagem, ela passava rápida, escurecida pelo tempo chuvoso, realmente seria muito perigoso andar a beira da estrada sozinha com um tempo desses.
Qualquer um poderia se esconder na mata e atacar um maluco — nesse caso, maluca — que passasse a beira da estrada desprotegido. Prendi meu olhar ali, no borrão verde das árvores. Depois que o frisson em meu peito se acalmou, pude perceber as mínimas ações ao meu redor.
As vezes, ouvia sua respiração irregular, alta... Olhava em seu rosto, mas como um animalzinho indefeso que recebe um choque, acuava-me, voltando meus olhos a janela... Estar ali, com ele... Eu imaginei tanto como seria conhecê-lo... E ali estávamos, e a sensação era desconcertante. A cada segundo sentia-me mais desarmada.
Simplesmente, depois de tanto esperar não sabia o que fazer. Sua feição derrubava qualquer idéia que tivesse. Eu respirava fundo, queria sentir outro cheiro, mas não tinha como, a chuva era forte e as janelas estavam fechadas, o seu cheiro estava em cada pedacinho daquele carro... Nos bancos de couro preto, no painel eletrônico aceso por diversas luzes mostrando todas as incontáveis funções, no forro do teto, no assoalho, no revestimento das portas, na mala... No volante que ele segurava com toda sua força. Ri internamente me perguntando se aquela força demandada ao volante não seria verdadeiramente direcionada ao meu pescoço!
Ele estava detestando que eu estivesse ali. Por que?
Por qual motivo ele não gosta de mim? O que eu fiz para merecer todo aquele incomodo que estava impresso em sua face? Por sua vez, mantinha-se sempre olhando a estrada.
Não me queria ali, saia por seus poros o desgosto, toda vez que direcionava meus olhos ao seu rosto sentia-me eletrocutada por seu desprazer em me ter tão próxima!
A velocidade em que estava era tão grande que eu podia sentir o carro vibrando nas curvas, como se perdesse um pouco de sua estabilidade, pressa...
Ele tinha bastante pressa de me jogar para fora do seu lindo carro, será que estava fedendo?
Levantei a gola da minha jaqueta e discretamente a cheirei, mas só consegui sentir o cheiro do meu perfume. Então, eu não estava fedendo. Aproveitei e cheirei meu rabo de cavalo, e meus cabelos também não fediam... Ainda assim ele continuava incomodado.
Sem ter nenhuma palavra a dizer e nem mesmo saber como agir, direcionei meus olhos ao volume que estava em meu colo... Sua pasta. Era tão bonita, preta, com uma correia para atravessar o tronco a deixando presa ao lado do quadril. Passei a mão sobre o feixe e vi que estava aberta, com diversos papéis dentro, pareciam ser textos... Atividades.
– Vasculhar papéis alheios é crime... Senhorita Cullen! — Ácido. Sempre ácido. Não me dei ao trabalho de fechar sua pasta, afastei-a de mim mantendo os papéis lá dentro, estava aberta mesmo. Levantei minha cabeça e reparei que o carro perdia velocidade, os faróis que iluminavam a estrada escura agora já não faziam diferença pois a paisagem a frente era iluminada, era a fachada de minha casa. Não o respondi, só esperei que o carro parasse por completo. Ele estacionou na frente da varanda e por um tempo a única coisa que ouvíamos era o barulho do motor ligado e a chuva forte, não descemos.
Desligou o carro ficamos esperando que ela passasse. Estava tão forte, que fazia um barulho alto ao tocar na lataria. Mesmo com o ar-condicionado os vidros começavam a embaçar graças a nossas respirações e por mais calma que eu tentasse aparentar, meu coração batia tão forte quanto um tambor, minha pulsação estava a mil e minha respiração irregular. Tudo isso por quê ele estava perto!
Ficamos num clima estranho dentro do carro, a densidade da situação era tão forte que poderia ser sentida como ondas. Uma cortina da janela da sala foi puxada, o rosto de minha mãe apareceu da vidraça... Pelo seu olhar, senti que sabia quem era o dono do carro. Não era mais segredo para ela. Estávamos aqui, eu e ele, seu amigo infiel, Jacob Black.
A chuva parecia não passar então eu decidi puxar assunto, seria melhor do que aquele clima, sufocante.
– Você é o tal amigo de minha mãe... O que foi embora para estudar na faculdade, a um tempo atrás, não é? — Meus lábios tremiam ao pronunciar as primeiras palavras na minha tentativa diálogo com ele, não olhei em seus olhos. Mantive os meus fixos na porta de minha casa.
– E isso o que você soube? — Estranhei... Como assim? Olhei-o. Não havia respondido a minha pergunta e já me fazia uma. Esperei mas, ele não demonstrou que iria dar a resposta. Então, dei seqüência respondendo o que havia me perguntado.
– Sei que eram grandes amigos... Que foi o melhor amigo de minha mãe. — Chegava a queimar, de tão intensas que eram suas íris quando olhava nos meus olhos.
– Fui é? — Ele sorriu debochado. Despertando em mim um comichão de raiva... Estávamos falando de uma amizade que valia ouro para minha mãe e ele fazia deboche.
– Ela sentiu sua falta! — Desta vez fui eu a ácida. Virei meu rosto, meu peito queimou por todas as vezes que vi minha mãe sofrendo por saudade de um amigo que debocha dos sentimentos dela. Mamãe achou que o tinha perdido. Que por algum motivo, depois de voltar, a amizade dela não valia mais a pena! Até onde eu sei, esse bastardo não tem mãe... Então ele não sabe o que é ver a sua sofrendo!
– É... Eu também senti a falta dela. — Mentira! Voltei a olhar em seus olhos quando ouvi aquelas palavras, não sabia dizer o que tinha ali... Mas, seu tom de voz estava mudado. Então, provavelmente estava mentindo!
Fiquei o encarando, incrédula com sua cara de pau... Quantos segredos esse homem escondia? Que se dane! A chuva diminuiu e pelo tom escuro do céu eu soube que seria temporariamente, então abri a porta do carona e desci, ajeitei minha mochila nas costa, e bati a porta com força!
Ouvi o som de sua risada... Era linda, suave, gostosa e me deixou com mais raiva ainda! Ele agora estava debochando da minha cara. Filho da puta! O alarme de seu carro não fazia som quando ligado, mas as luzes piscavam... Pra que ele estava trancando o carro se estávamos na minha casa que fica no meio da mata? Idiota!
Andei bem a sua frente em direção porta, não estava acreditando que ele iria falar com minha mãe... Ele nem estava ligando! Antes de chegar na varanda, mamãe já nos esperava com a porta aberta e tentava fazer cara de brava, passei por ela, beijei sua bochecha e ela me deu um abraço apertado, senti que seu coração estava disparado...
– Obrigada. — Sussurrou em meu ouvido. Estava achando que eu trouxe ele porque quis? AAHH, estava! Não quis dizer a ela que aquilo foi uma infeliz carona que ele me deu... Deixei correr.
Segui sala a dentro e coloquei minha mochila sobre a mesa de centro. Ele parou na porta, do lado de fora... Um cachorro pedindo ao dono para sair da chuva. Mamãe levantou a cabeça para olhá-lo nos olhos... Alto, ele era bem alto. Bella estava séria, do jeito que ficava quando ia me dar uma bronca.
Ele mais uma vez achou graça dos sentimentos de minha mãe, pois sorriu, um sorriso completo... Foi a primeira vez que o vi fazer isso... Fiquei sem ar. Respirei fundo e olhei a cena.
– Vai me deixar na porta? — Seus olhos brilhavam, negros. Seu sorriso ficou maior, bonito, brilhante. Mamãe manteve-se séria, olhando-o brava. — Eu não mereço nem uma chance para me explicar? — Falou em tom encorajador, como se estivesse dizendo um: “Pode confiar, Bella.” Percebi que a feição de minha mãe estava mudando... Ela estava fazendo um leve bico, sabia o que significava. Não demorou e mamãe começou a chorar! Chorar muito, parecendo comigo mesma nos meus momentos mais estranhos, quando choro sem por quê!
Eles sorriram um para o outro e foram aproximando-se. Ele entrou, fechou a porta e abraçou-a. Ficaram ali, um bom tempo abraçados, era um momento lindo. Bella chorava compulsivamente, acho que foram dezesseis anos sem se verem, tentei imaginar o tamanho da saudade dela.
Aos poucos ouvi mamãe chiar com ele, choramingava e dizia varias vezes que ele era um péssimo amigo, que a deixou sem notícias. Soluçando disse que ele voltou para La Push e não veio vê-la. Parecia uma adolescente magoada.
– Você traiu nossa amizade Jacob! — Socou seu peito. — Por quê você não veio falar comigo? — Estava me sentindo tão desnecessária ali! Mamãe soluçava e tentava ficar séria para poder brigar dignamente. — Você nem me ligou! Jacob Black, você traiu nossa amizade! — Sua voz diminuiu no final da frase. — Porque, Jake?
– Shiii. — Ele afagou os seus cabelos e apertou-a no peito. Que Deus me perdoe, mas fiquei com inveja! — Não chore, Bella. Eu não fiz por mal, perdoe-me. — Mamãe voltou a chorar forte.
– Eu fiz alguma coisa que te deixou triste? Depois dos primeiros anos que você foi embora, eu fiz algo de errado? Porque Jake? Porque? — Eu não estava pronta para assistir aquela cena, doía muito ver mamãe chorando, quis tirar aquelas lágrimas de seus olhos, mas não podia. Jacob, seria pessoa a curar o machucado que ele mesmo fez! Balançada com o momento, decidi sair da sala, não fazia diferença ali mesmo.
Peguei minha mochila da mesa de centro e fui em direção as escadas, subi para meu quarto e enquanto subia, pensei no quanto aquele homem áspero em aula era querido por uma pessoa que eu amava muito. Ele foi um tanto mal educado quando me encontrou na estrada, mas ainda assim se preocupou com o que Bella pensaria, se me deixasse ali.
Parecia usar uma capa, e naquele momento, estava despido dela. Sem a aspereza que tem em sala de aula, naquele momento, com minha mãe em seus braços... Era tudo o que sonhei para mim, doce, carinhoso, gentil... Mas como disse, era minha mãe que estava em seus braços.
Quando entrei no quarto, sentei em minha cama e pensei em como seria sua postura com as pessoas que gosta... Seria do mesmo jeito que tratou mamãe? Com sorrisos, abraços e palavras doces? Ele a abraçou apertado colocando uma mão em sua cintura e outra no topo de sua cabeça, afagando seus cabelos. Ela era tão menor que ele e parecia muito segura ali, mesmo estando envolta em alegria e tristeza pelo que ele fez.
Com certeza amizade deles era grande e forte. Eu não imaginava o mal que a distância fez a minha mãe. Bella sempre fez muito bem seu papel de mulher forte. Disposta a esquecer aquele momento, optei por tomar um bom banho. Lavei meus cabelos, passei um esfoliante na pele, depois meu creme hidratante de framboesa, sequei levemente meus cabelos na toalha, tirando o excesso de água.
Fui ao meu closet e escolhi um look básico, nos pés um chinelinho baixo, um short jeans e uma bata de estampa floral. Penteei os meus cabelos com um pente fino, deixando-os bem esticados, batendo no meu bumbum. Passei um pouco do meu perfume. Era um perfume especial, tia Alice mandou fazer para mim, só para mim, com essências de flores e frutas cítricas, o cheiro era doce mas o cítrico impedia que fosse enjoado.
Demorei bastante no meu quarto, provavelmente ele já teria ido embora. Quando me pegou na 110 eram três horas e de lá até minha casa foram os vinte minutos de sempre. O relógio já estava chegando na casa das cinco horas e a chuva estava horrível, papai iria pegar um engarrafamento enorme de Seattle para cá. Desci e não vi mamãe na sala de estar, então fui em direção sala de jantar... Minha mãe servia dois pratos com sanduíches a mesa.
– Meu anjo, que bom que desceu... Pensei que estivesse dormindo. — Jacob estava na mesa, sentado, olhando para o prato, sem tocá-lo. — O Jantar só vai sair depois das sete, seu pai vai chegar mais tarde, por causa da chuva.
– Eu imaginei, não dá para ver nada, parece até que já anoiteceu! — Mamãe suspirou.
– Fico tão preocupada com o Edward... Essa época de inverno, chuva, gelo na pista. Não gosto nem de pensar! — Mamãe olhou em direção janela. — Vou na cozinha tirar da sanduicheira mais alguns mistos-quentes. Fica para o jantar, Jake? — Bella disse saindo da sala.
– Não, não. Eu tenho que ir, o Billy pode ficar preocupado e a idade não ajuda! — Ele estava sério, como sempre! Andei um pouco, até uma das cadeiras laterais da mesa, ele estava em uma das cabeceiras.
– AHHH! — Foi a resposta de Bella, a ouvimos falar da cozinha. — Nessie, sente para comer, seus sanduíches vão esfriar, você gosta tanto do queijo puxando. Os que tenho aqui irão demorar mais um pouco!
Como ele não me olhava aproveitei para fazer uma inspeção naquela delícia!
O aquecedor estava ligado, então a temperatura estava... agradável. Notei que ele tinha três botões abertos de sua camisa social cinza grafite, deixando um pouco do seu peitoral a mostra, a pele morena, levemente avermelhada, queimada do sol, que tipo de bronzeador esses quileutes usam?!
Fiquei de pé ao lado da cadeira, olhando aquela obra prima... Fui traída por minha mente que me fez arrepiar ao lembrar das noites em que imaginei como ele estaria, já que desde jovem sempre fora tão lindo, agora... Ele estava irresistível! As fantasias que tenho com esse homem... Forte, moreno, cheio de experiências, tocando minha boca com seus dedos, com seus lábios vermelhos. As marcas de seus beijos em meu pescoço e no meu colo... Eu senti meu corpo esquentar automaticamente, discretamente toquei minha testa e estava levemente molhada.
Achei melhor espantar esses pensamentos, balancei a cabeça e percebi que minha mãe não havia voltado da cozinha com os sanduíches, poderia ter sido flagrada comendo-o com os olhos! Ele percebeu que eu estava na cadeira próxima e demorou para levantar a cabeça, quando o fez, foi de maneira vagarosa, em inspeção, assim como eu a segundos atrás.
Analisando milimetricamente cada pedacinho do meu corpo, começando pelas sandálias baixa que tinha nos meus pés, depois pelas minhas pernas, subindo até minhas coxas, meu short, sempre lentamente... Seguindo por meu tronco, chegando ao meu colo, desnudo pelo decote da bata e subindo pelo meu pescoço, levando um tempo a mais em minha boca e depois nos meus olhos.
Eu o olhava fixamente, sustentando as íris negras e ele fazia o mesmo, olhando dentro dos meus olhos chocolates... Arrepiei mais uma vez, suspirei baixinho e quebrei o contato visual, precisava introduzir algum assunto ou se não o atacaria ali, na sala de jantar da minha casa! Olhei para o meu prato, toquei a palma para verificar se os mistos ainda estavam quentes... Eu tinha que arrumar alguma pergunta.
– Como foi a conversa com minha mãe? Desculpou a sua falta de apego a amizade dela. — Falei cética, olhando mais uma vez em seus olhos.
– A Bella tem o coração puro. Ela não guarda mágoas por muito tempo no peito. — Ele havia estreitado os olhos para me dar aquela resposta... Pegou no ar a minha acidez.
– Ela chorou muito? Depois que eu saí, ela chorou muito? — Queria ter consolado minha mãe, a ver chorando foi duro. Não é uma coisa que uma filha queira ver!
– Um rio! — Deu um sorriso amargo. — Mas agora está tudo bem. Ela não vai mais chorar, não por minha culpa! — Jacob estava sério. Me olhava intensamente.
Apoiei as duas mãos na mesa, inclinei-me em sua direção. — Então você conseguiu a absolvição dos seus pecados, senhor Black? — Fiz uma voz bem sexy, ele fez uma careta, sua mandíbula estava travada e sua resposta foi uma incógnita.
– Aparentemente... Não de todos.
Fale com o autor