Notas iniciais
Sei que eu estou com várias histórias atrasadas e blábláblá, mas a prova do Enem me irritou e fiquei morrendo de vontade de vir postar Teenage Dream. Não sei quando venho postar de novo aqui e nas outras- mas prometo voltar, confiem.Espero que gostem desse pequeno prólogo...

Prólogo

Golden Coast, Agosto de 2024

Odeio páginas em branco, a forma como elas ficam me encarando, sarcasticamente e debochadamente, como se rissem de mim. Só que descobri que uma página completamente preenchida pode ser muito assustadora também, na verdade uma única frase dava todo o medo que percorria por meu interior.

“Está convidado (a) para vir ao reencontro da turma de 2014, da escola Sun West High School.”

Sim, aquilo com certeza dava medo, ainda mais quando as mensagens começaram a chegar em seguida. Muitos estavam entusiasmados com o reencontro, outras achavam desnecessário e alguns nem lembravam como era a escola onde estudaram.

Recebi mensagens de pessoas que nem sabia que tinham meu contato, mas nenhuma dele. Provavelmente, o cara que foi meu sonho adolescente, estaria operando alguém, ou em algum evento realmente importante. Ele tinha se tornado tão respeitado profissionalmente, que enchia meu peito de orgulho.

Nem mesmo meus seis livros publicados poderiam ser comparados ao fato dele estar por ai, salvando vidas, ele merecia ir para aquele reencontro, para todos o parabenizarem por seus feitos. Quanto a mim, estava com pavor daquele evento, medo de chocar o passado e o presente e acabar vivendo algo desagradável.

Teria cerca de um mês para me decidir se iria ou não, mas sabia que no fundo eu estaria lá, pois não perderia a grande oportunidade de rever todos juntos. Podendo finalmente matar um pouco da saudade daqueles tempos, que foram excelentes, mesmo com tanta coisa acontecendo simultaneamente.

É, eu iria.

Sun West, Setembro de 2024

Quando se passa anos rodando o mundo, viajando, conhecendo culturas novas, pessoas diferentes, voltar para casa é estranho, mas ao mesmo tempo reconfortante. Não poderia negar que foi isso que senti quando cheguei a Sun West, no começo daquele mês, em plena primavera, onde tudo estava bonito e colorido.

Minha família ficou tão empolgada em me ver, que pensei que eles morreriam com toda aquela demonstração de amor, mas não morreram, o que foi um alivio para mim. Naquela mesma noite, aconteceria o reencontro e eu necessitava de todos vivos, caso eu me sentisse mal de alguma forma depois da festa.

Por sorte, minha cunhada era da mesma turma que eu, o que fez com que ela e meu irmão fossem comigo para festa. Pelo menos eu não ficaria sozinha por lá, teria quem me fazer o mínimo de companhia possível.

Tentava entender como uma simples festa na escola onde estudei podia me deixar nervosa, uma vez que nem mesmo quando lancei meu primeiro livro, fiquei tão apreensiva. Só que no fundo, eu sabia qual era o real motivo de tanta euforia, iria revê-lo, iria revê-la, as duas pessoas que eu mais amava naquela cidade que não eram da minha família.

O caminho inteiro até a escola se passou comigo calada, enquanto meu irmão e minha irmã conversavam sem parar. Era um mistério para mim, como eles podiam estar a tantos anos juntos, parecendo que nunca iriam se separar, eu não entendia como duas pessoas conseguiam manter um relacionamento por muito tempo, talvez o problema estivesse em mim,que não tinha mantido um por mais de alguns meses.

Assim que o carro estacionou na frente da escola, pedi que o casal entrasse primeiro, eu precisava fumar, mesmo não me orgulhando nem um pouco daquilo. Era a forma que meu corpo usava para se manter calmo, então não era a hora de começar mais uma sessão de “vou parar de fumar”.

Depois do segundo cigarro, fumado no estacionamento da escola, no mesmo lugar onde fiz bem mais do que apenas beijar, resolvi que estava na hora de encarar tudo e entrei na escola. Geograficamente, eu estava na parte de trás do salão de festas/barra quadra de basquete, então acabei chegando a festa pelo lado errado, sabendo que certa loira surtaria ao me ver quebrando as regras.

Pensei que o grito que ela deu -de fazer com que todos se calassem- fosse por conta de eu ter entrado pelos fundos. Só que quando vi o sorriso gigantesco dela, seguido de um bater de palmas e uma corridinha em minha direção, notei que ela não estava brava, sim contente por me ver.

Foi tudo muito rápido depois dali, Lucy me abraçando, a porta da frente se abrindo e revelando Alec entrando, acompanhado de uma garota –bem mais nova do que ele –que não tinha ideia de quem era. Ele me encarando por alguns instantes e eu sorrindo ao vê-lo, temendo que o meu sonho adolescente, não sorrisse de volta.

Mas ele sorriu.

–Você precisa fazer o discurso de boas vindas! –Lucy exclamou, me soltando e fazendo com que eu a olhasse, ela tinha ficado mais linda ainda, isso era possível? As pessoas ficam ainda mais bonitas depois que envelhecem? Esse milagre parecia não ter acontecido comigo.

–Por que eu? –questionei confusa, voltei a procurar por Alec, mas ele não estava no lugar de antes.

–Porque você é a escritora da turma, sendo assim a melhor daqui com palavras, cabe a você nos recepcionar. Por favor, faça isso, ou a cara de esquilo filha vai fazer –murmurou a última parte, me fazendo rir ao lembrar de quem possuía aquele apelido.

–Lucy...

–Nem vem, você vai sim fazer esse discurso! –quando me dei conta, a loira já me empurrava para o palco montado na quadra.

–Você me paga por isso –sussurrei para ela, mesmo assim subi no palco e me posicionei na frente do microfone.

Eu não tinha ideia do que falar, não passou por minha cabeça que eu seria a oradora ali, mesmo tendo sido a oradora anos antes. Só que lá estava eu, diante de todos, como dez anos antes, quando foi a nossa despedida.

E lá estavam todos, mais velhos, mais experientes, mais bonitos, tínhamos uma cota de mais gritante em nossos currículos agora. Afinal não éramos mais adolescentes.

Meu peito doeu ao se lembrar de tudo que tínhamos passado, lembranças desconexas começaram a surgir em minha mente, até mesmo alguns detalhes que nem me recordava com exatidão. Mas estava tudo lá, só bastava olhar para as pessoas que estiveram comigo durante aquele tempo.

Aquela altura, todos já estavam me encarando, esperando que falasse algo que lhes fizesse se emocionar. Afinal, era meu trabalho como escritora de romance, emocionar e fazer com que os sentidos fossem aguçados.

Os meus próprios sentidos estavam disparados, principalmente quando meu olhar repousou sobre o moreno parado próximo ao palco, abraçando Lucy, ambos sorriam para mim depois. Inevitavelmente aquilo me fez lembrar muitas outras coisas, algumas nem um pouco boas, mas sabia que no fundo elas eram fundamentais para minha vida, de uma forma ou de outra.

Meu passado e meu presente estavam se chocando e dependendo de como aquilo resultaria, meu futuro seria escrito.

Notas finais
Golden Coast é uma cidade na Austrália.Sun West é uma cidade fictícia. Criada por mim, então sem plágios, baby.Se você odiou, gostou, amou, quer me emprestar um dinheiro para que eu possa fugir para Acapulco, só falar ali na caixinha dos comentários (?)Beijos.Lola Royal.10.11.14