Teenage Dream
21 Capítulo Vinte – Cuidado
Notas iniciais
Capítulo Vinte – Cuidado
“Em nosso retrato de família
Nós parecemos muito felizes
Nós parecemos muito normais
Vamos voltar pra isso
Em nosso retrato de família
Nós parecemos muito felizes
Vamos brincar de fingir, agir como se fosse natural” –Family Portrait, Pink
Com Rachel em casa, a tensão dos últimos dias diminuiu consideravelmente, mamãe até mesmo já conseguia falar com Rosalie e Emmett sem palavras ofensivas, mas ainda era notável o quanto estava desconfortável com a presença de ambos ali. Entretanto, de acordo com minha irmã mais velha, dona Isabella Masen superaria tudo aquilo com o passar do tempo.
Ter Rachel em casa também era essencial para que eu não surtasse com o jantar que Alec participaria na minha casa, como o almoço que eu iria para conhecer a família dele. Os dois eventos eram aterrorizantes o suficiente para mim, se fosse possível cancelaria ambos.
––Sério, você só cumpriu um item da lista desde que voltou de Los Angeles? ––minha irmã indagou ao ver a lista que tinha criado para mim.
––Não é como se eu tivesse tido tempo para realizar o resto ––dei de ombros, mandando a última mensagem do dia para Alec.
––Mas então, foi muito estranho beijar seu melhor amigo? ––Rachel perguntou sentando ––se em sua cama.
––Foi nojento ––fiz uma careta ––Não quero nunca mais que isso se repita e sei que Demetri também não.
––Eu acho que já fiquei com todos meus melhores amigos ––minha irmã considerou ––Mas então, seu namorado parece ser realmente legal. Fico feliz que vocês tenham se resolvido com a Lucy.
––Eu também ––sorri para minha irmã ––E fico feliz que tenha vindo passar esse fim de semana com a gente, estava com muita saudades ––pulei para sua cama, onde passamos o resto da noite conversando.
Por sorte meus deveres com o Grêmio Estudantil só começavam no próximo sábado e se estenderiam até minha formatura, sendo assim eu pude aproveitar a presença de Rachel em Sun West ao máximo. Fomos a praia pela manhã com nossa mãe, que estava tão empolgada quanto eu com Rach estar em casa, saímos para o shopping com Emmett e Rosalie e no fim do dia ajudamos papai a preparar o jantar.
––Eu não usei o que usar ––resmunguei quando estava me preparando para o jantar, Alec logo chegaria e eu ainda estava desarrumada.
––Renesmee, short e blusa, nada demais ––minha irmã continuou fazendo chapinha em seu cabelo.
––Casual demais ––fiz uma careta.
––Tá bom, vamos ver ––ela entrou no armário procurando por algo para eu usar ––Aqui ––me estendeu uma camisola, rindo da minha cara.
––Sua ajuda é péssima ––bufei.
––Deixa de ser mimada, pirralha ––continuou procurando por algo para eu vestir ––Toma, esse está lindo, comportado e você vai parecer uma boa moça nele.
––Valeu ––peguei o vestido azul com estampas bonitas de flores que ela me entregou ––E o cabelo?
––Preso, mas eu cuido disso para você, vai se vestir.
Aceitei a real ajuda dela e fui colocar o vestido, depois Rachel fez uma espécie de coque em meu cabelo, o deixando bonitinho e meu rosto destacado em uma maquiagem bem básica que ela mesma fez. Bem diferente de mim, minha irmã vestia um short jeans e blusa, afinal não era ela quem estava levando namorado para casa, então não precisava se preocupar com nada.
Na sala de estar, meu irmão e Rosalie assistiam televisão com meu avô, que tinha se vestido em um uniforme militar que ganhou em uma homenagem que recebeu do exército alguns meses antes. Ele claramente queria colocar medo em Alexander e querendo ou não eu achava aquilo hilário demais.
Enquanto Rachel foi terminar de arrumar a mesa que tínhamos destinada a jantares importantes, segui para a cozinha, onde meus pais estavam finalizando de preparar nosso jantar. Papai não quis fazer nada extravagante, então optou por preparar lasanhas, que eram sem dúvida o melhor prato que ele fazia, até mesmo fez uma vegetariana para mim e Rach.
––Querida, você está linda! ––mamãe exclamou a me ver.
––Obrigada ––sorri para ela ––Preciso que vocês prometam que vão se comportar.
––É claro que vamos nos comportar ––papai falou finalizando sua salada ––Nós que somos os pais aqui, mocinha.
––Conheço vocês, só não falem nada que me envergonhe ––pedi levando a salada para a mesa de jantar.
––Você está tão engraçada toda nervosa ––Rachel comentou brincando com um garfo ––Imagino como vai ser amanhã para conhecer os pais dele.
––Nem brinca, Rachel ––pedi, colocando a salada em seu lugar, no mesmo instante que a campainha tocou ––Não mova um músculo, Emmett! ––gritei para meu irmão que fez menção de ir abrir a porta.
Passei a mão por meu vestido e caminhei o mais confiante possível em direção a entrada de casa, ouvindo o barulho do salto de mamãe e dos passos firmes de papai atrás de mim. Contei até três para tocar na maçaneta e abrir a porta, para ver Alexander do outro lado, carregando um grande buquê de rosas em sua mão direita, enquanto a esquerda estava dentro do bolso de sua calça jeans escura.
––Oi! ––automaticamente sorri para ele, minha grande vontade era beijá–lo, mas com meus pais ali era vergonhoso demais, então me contive.
––Olá ––ele também sorriu para mim ––Senhor e Senhora Masen ––acenou com a cabeça para meus pais.
––Entre ––abri espaço para ele passar ––Você não precisava trazer flores ––falei tentando pegar o buquê de sua mão, mas o inglês não deixou.
––Na verdade as rosas são para sua mãe ––ele disse, se virando para a mesma ––Senhora Masen ––passou o buquê para as mãos dela.
––Oh querido, muito obrigada e já falei para me chamar de Bella ––mamãe pegou o buquê, maravilhada ––A última vez que recebi flores de Edward foi quando Renesmee nasceu ––ela comentou, lançando um olhar chateado para meu pai.
––Renesmee comentou comigo que a senhora gostava de rosas, achei que seria um bom presente ––Alec colocou a outra mão no bolso da calça, aparentando estar tão nervoso quanto eu.
––Fiz o mesmo quando fui conhecer os pais da Bella ––papai comentou ––Mas eu levei um presente para o pai dela também.
––Ah me desculpe senhor Masen, eu não sabia o que lhe dar ––Alec começou a falar, mais nervoso ainda ––Do que o senhor gosta? Eu posso sair agora mesmo para comprar. Acho que ainda pego o shopping aberto e...
––Alexander, Edward está brincando ––mamãe o interrompeu ––Não precisa trazer presente algum para qualquer um de nós.
––Vamos para a sala ––estendi a mão para Alec, que prontamente a segurou, mamãe seguiu para a cozinha, com o intuito de colocar o buquê em um vaso.
Meu avô encarou Alexander com um olhar assassino assim que meu namorado pisou na sala, segurei mais forte ainda na mão dele, como se aquilo fosse o suficiente para protegê–lo do perigo que Samuel Masen ainda era. Vovô ficou de pé, caminhando com a ajuda de sua bengala até onde eu estava com Alec.
––Me diga nome completo e sua idade ––vovô falou sério para o pobre Alec.
––Alexander Henry Cullen, tenho dezoito anos, Senhor.
––Dezoito? Você sabe que Renesmee tem apenas dezesseis anos? É muito mais velho do que ela ––vovô começou a falar irritado.
––Pai, Renesmee vai fazer dezessete anos em novembro ––meu pai riu, indo se sentar ao lado de Rachel em um dos sofás.
––Não importa, esse garoto é velho demais para ela.
––Vovô, que tal se sentar um pouco? ––minha irmã veio ao meu auxilio, levando o ex militar para sua poltrona ––Então Alexander, adorei o jogo de ontem ––Rachel puxou assunto, assim que mamãe retornou a sala e fez com que Alec e eu sentássemos também.
––Você está no time de futebol? ––mamãe perguntou animada.
––Estou sim ––Alec respondeu ––Emmett me ajudou a conseguir a vaga ––se referiu ao meu irmão que o olhava da mesma forma que vovô.
––É, mas eu não teria feito isso se soubesse que você iria virar namorado da minha pequena irmã ––meu irmão comentou aborrecido, cruzando os braços e ganhando um sorriso de aprovação do nosso avô.
––Não podemos ir comer logo? ––perguntei tensa, até Emmett já estava se voltando contra Emmett, era uma confusão grande demais.
––Ótima ideia! ––Rachel exclamou ––Estou faminta ––foi a primeira a se dirigir para a mesa de jantar.
Meu pai e meu avô tomaram conta dos lugares na cabeceira da mesa, enquanto mamãe sentou ao lado direito de papai, Rachel tomou o assento do lado esquerdo. Eu fiquei entre minha mãe e Alec, que acabou tendo que sentar próximo ao meu avô e de frente para Emmett que estava do outro lado da mesa, com Rose entre ele e nossa irmã mais velha.
––Então Alexander, você e sua família tem uma religião? ––meu avô questionou.
––Não ––ele negou ––Meus pais frequentavam a Igreja Católica quando mais novos, mas pararam com o tempo.
––E você não vê necessidade de ter uma religião? ––vovô continuou o interrogatório.
––Acredito que religião é só um meio das pessoas expressarem sua fé, eu consigo expressar a minha sozinho, sem a necessidade de igrejas, missas ou coisas assim ––meu namorado comentou.
––Eu penso exatamente assim! ––exclamei, sem me dar conta de que quase gritei, mas o choque de ter aquilo em comum com ele foi muito forte
––É muito importante ter uma religião ––meu avô falou aborrecido.
––O senhor é ateu, vovô ––o lembrei.
––Sim, mas isso não vem ao caso ––ele ficou desconcertado.
––Enfim ––mamãe tentou não rir ––Nossa família é católica ––falou para Alec ––Mas não somos tão ligados a igreja quanto meus pais gostariam.
––Definitivamente não, meus avós maternos me detestam por eu falar que não tenho religião ––comentei, ganhando um olhar reprovador de vovô.
––Gente, jantar ––Rachel lembrou ––Estou há tempo demais me alimentando de comida feita por mim mesma, mereço um pouco da comida do papai.
––Também estava com saudades, querida ––papai sorriu para ela, começando a se servir.
Até todos estarem com comidas em seus pratos, ficamos em silêncio, até mesmo vovô. Eu estava torcendo para que ninguém fizesse mais nenhuma pergunta irritante para Alec, mas mamãe como sempre conseguia fazer as piores.
––Alexander, seu pai e sua mãe são médicos, não é?
––Sim, ambos são pediatras ––respondeu ––Mas como papai assumiu a direção do hospital está mais focado na parte burocrática em si.
––Você é de que parte da Inglaterra? ––minha irmã perguntou.
––De Londres mesmo ––Alec respondeu.
––Sun West é sua primeira estadia nos Estados Unidos? ––papai perguntou, oferecendo vinho para Alec, que muito sabiamente recusou sabendo que aquilo era para testá–lo.
––Moramos em Boston no ano passado, minha mãe lecionava em uma escola lá ––não pude deixar de notar que ele propositalmente não citou que ela dava aulas em Harvard, isso me fez sentir bem, pois fazia com que Alexander não passasse por um menino mimado.
––Em uma escola? Sendo médica? ––mamãe tinha que ser muito atenta aos detalhes e notar aquilo.
––Era em Harvard ––revirei os olhos, cutucando minha lasanha com a ponta do garfo.
––Sua mãe dava aulas em Harvard? ––Rachel pareceu mais animada do que nunca ––Que sonho!
––Rachel que lecionar em faculdades ––sussurrei para Alexander, afim de explicar a reação dela.
––Você tem irmãos? ––mamãe indagou.
––Uma irmã mais nova, Jane. Renesmee a adora ––sorriu para mim na última parte, ganhando uma careta minha.
––Renesmee tem problemas em ser a filha caçula ––mamãe continuou a falar, parecia que ela não sabia fazer nada além disso.
––Não é um problema ser a caçula, mas o tratamento que recebo é diferente ––me defendi.
––O que você precisa saber é que ela é a mais protegida ––vovô voltou a conversa ––Então se errar com essa menina, estará errando com toda a família ––disse diretamente para Alexander, que assentiu, com uma expressão séria em seu rosto.
––E que ela se mexe muito enquanto dorme ––Rachel completou, lançando um olhar malicioso para mim.
––Vamos manter Alec bem longe da cama da sua irmã, Rachel ––papai disse com um tom de voz contido, mas seu o olhar o entregava o quanto aquilo lhe incomodava.
––Alguém fala sobre o bebê ––pedi angustiada com toda a atenção que Alec e eu estávamos recebendo.
––Ninguém vai falar sobre esse bebê hoje ––mamãe bufou ao meu lado, servindo–se de mais vinho.
Alexander aproveitou o fim ––ao menos provisório ––de perguntas dirigidas a ele e começou a conversar banalidades com meus pais e irmãos, afinal Rosalie estava extremamente quieta e meu avô não ligava em ser simpático. Aproveitei os momentos de distração para comer em paz, afinal meu pai era um excelente cozinheiro e não podia se desperdiçar a maravilhosa comida preparada por ele de forma alguma.
No fim do jantar, meu pai, Emmett e Alec debatiam sobre Futebol Americano. Rachel tinha colocado sua cadeira para mais perto da de nosso pai e o mesmo afagava o cabelo dela, eu não pude deixar de sorrir vendo a cena, pois nós duas sempre fomos muito apegadas a ele já que mamãe tinha sua clara preferência sobre Emm.
Rachel já estava morando fora há muitos anos e vinha bem pouco para casa, mesmo que sua vontade fosse aparecer mais, então eu não tinha ideia de como ela conseguia suportar passar tanto tempo longe de papai e de sua energia contagiante. Edward Masen era um exemplo a se seguir, por ter sido criado apenas por vovô e seu jeito rude de ser, ele cresceu sem uma presença feminina, mesmo assim era um homem carinhoso e prestativo, eu sabia disso, pois mamãe lhe lançava os olhares mais encantadores do mundo e o vídeo de casamento deles era lindo.
––Para qual faculdade você pretende ir, querido? ––mamãe perguntou para Alec após servir a sobremesa.
––Cambridge ––Alec respondeu prontamente, deixando um gigantesco sorriso iluminar seu rosto ––Foi onde meus pais cursaram medicina e quero o mesmo para mim.
––Oh, você vai ser médico também? ––Rachel deu um sorriso de aprovação, fazendo sinal de positivo para mim ––Renesmee, se case com ele.
––Rachel! ––papai chamou a atenção dela, mas não segurou sua risada.
––Até agora Renesmee ainda não nos contou para qual faculdade quer ir, muito menos qual curso pretende cursar, mas estou fingindo que não ligo para isso ––mamãe comentou, olhando diretamente para mim.
Para não cair no papo dela e contar que eu não tinha planos de ir para a faculdade, desviei minha atenção para a sobremesa, também preparada para papai. Alec mais uma vez começou um novo assunto, fazendo pelo menos por hora mamãe não me perturbar por conta do meu futuro.
––Ah, você tem que ver as fotos de quando Renesmee era criança! ––mamãe exclamou no meio de uma frase qualquer de papai.
––Mãe, não é necessário ––pedi, sentindo o constrangimento tomar conta de mim.
––Eu adoraria ver ––Alec lançou um sorriso traiçoeiro para mim.
––Já volto ––mamãe seguiu para o segundo andar, voltando logo depois com vários álbuns em mãos e uma expressão de pura felicidade.
Os álbuns foram espalhados por ela para todos que estavam na mesa, até mesmo Rose e Emm receberam um, enquanto mamãe colocava um onde antes estava meu prato com a sobremesa. A cada foto que ela mostrava para Alec me sentia mais envergonhada, principalmente nas que eu estava apenas de fralda, ou completamente nua.
Era muita humilhação!
Isso sem falar na época que eu era gordinha demais, lá pelos meus três anos de idade e parecia realmente o Eufrazino por ser ruiva, baixa e redonda. A época em que eu não tinha dentes também era catastrófica , mas nada se compara quando tive que usar aparelhos na minha pré–adolescência.
Enquanto eu sofria a cada foto mostrada, Alec parecia se divertir muito do sofrimento, até mesmo ajudando minha mãe a fazer piadas sobre mim quando mais nova. Do outro lado da mesa Rachel estava entretida com meu pai vendo um álbum, ao mesmo tempo que conversavam sobre a vida dela em Los Angeles.
Meu avô ainda comia sua sobremesa, aproveitando que ninguém estava controlando o que ele comia aquela noite. Já Rosalie estava com a cabeça apoiada no ombro de Emmett, enquanto o mesmo olhava distraidamente um dos álbuns de fotografia da mamãe.
––Emm ––ouvi a voz de Rose soar assustada.
––Oi amor ––ele continuou olhando as fotos, olhei para ela, a vendo pálida demais e com uma expressão assustada.
––Rosalie, o que foi? ––indaguei preocupada.
––Está doendo ––seu corpo se curvou para frente, enquanto seus braços envolviam sua barriga, aquela altura todos olhavam para ela, mas ninguém sabia o que fazer, nem mesmo Emmett paralisado ao seu lado.
––Hospital, agora! ––mamãe gritou, mas ninguém mexeu um músculo ––Pelo amor de Deus, ela pode estar perdendo o bebê, vamos para o hospital agora! ––gritou mais uma vez, contornando a mesa e colocando Rosalie de pé.
Os gritos de mamãe surtiram efeito e todos começaram a se mexer, meus pais, meu irmão e Rosalie entraram no carro de papai e praticamente voaram para o hospital. Rachel e eu tentamos convencer vovô a ficar em casa, mas perdemos a briga e seguimos com ele no carro de Alec, eu nunca tinha visto o moreno dirigir tão rápido, mas ele só estava seguindo o fluxo da situação.
Rosalie estava sendo levada para uma bateria de exames quando chegamos ao hospital, Emmett chorava desesperadamente nos braços de mamãe, enquanto papai tentava acalmar ambos. Até então mamãe não tinha demonstrado sentimento nenhum além de raiva sobre aquela grávidez, sendo assim era difícil dizer se ela estava chorando pelo o que estava acontecendo, ou simplesmente por ter o filho predileto desesperado.
Minha irmã ficou com vovô nas cadeiras da recepção, conversando sobre qualquer coisa com ele, eu sabia que na verdade ela não queria estar tão perto das noticias, pois estava tão nervosa quanto eu. Minhas mãos tremiam, meu coração estava acelerado e eu tinha vontade de chorar, até então não tinha ideia de o quanto aquele bebê significava para mim, mas naquele momento de angustia eu pude perceber que significava muito.
––Aqui ––Alec me entregou um copo de água, que eu prontamente bebi.
––Vai ficar tudo bem ––passou as mãos pelos meus ombros descobertos graças ao fato do vestido que eu usava ser de alcinha.
––Eu não quero que ela perca o bebê ––murmurei abraçando Alec.
––Ela não vai ––ele me abraçou de volta.
––Desculpa se esse jantar foi irritante e para completar terminou assim, melhor você ir para casa, amanhã nos falamos ––comecei a falar.
––Não, eu vou ficar ––Alec beijou o topo da minha cabeça ––Aliás, meu pai está trabalhando ainda, então se precisarmos de alguma ajuda dela isso facilita.
––Obrigada ––olhei para seus olhos e sorri ––Não é qualquer um que aguentaria essa barra em pleno sábado a noite.
––Eu vou passar o resto da minha vida trabalhando em hospitais, vamos fazer disso um treinamento ––brincou, conseguindo arrancar um sorriso de mim.
Vi meus pais e Emmett conversando com uma enfermeira, depois meu irmão e papai a seguiram para outro lugar e mamãe desabou em uma cadeira do corredor da ala da maternidade, chorando compulsivamente. Deixei Alec de lado por um instante, indo sentar ao lado de mamãe, a puxando para meus braços.
––Emmett nunca foi meu preferido, eu nunca preferi nenhum de vocês ––ela falou, me deixando confusa de porque estava falando aquilo naquele momento.
––Mãe...
––Eu só pareço que prefiro Emmett ––ela me olhou, com os olhos completamente vermelho ––Mas na verdade é que eu tenho muito medo de perdê–lo.
––Mãe, não é hora para essa conversa.
––Renesmee, quando eu estava grávida de Emmett quase o perdi. Passei o resto da grávidez internada por conta disso, pois os médicos tinham receio de que se eu pisasse fora do hospital o bebê morreria na hora. Foi uma grávidez de risco e por meses eu convivi com o pânico de nunca ter meu filho nos braços, nessa época Rachel teve que ir morar com seus avós e coitadinha, nem mesmo se lembra disso.
––Eu também não sabia disso ––murmurei.
––Eu tenho muito medo de perder Rachel e o mesmo medo de te perder, só parece ser mais dirigido a Emmett porque eu realmente passei meses convivendo com a ideia de que a qualquer momento eu poderia perdê–lo. Não existe preferência alguma entre vocês três, o que existe é um medo insano de uma mãe de perder os filhos, só quero cuidar de todos vocês ao mesmo tempo, mas você me fecha de sua vida, Rachel já é adulta, Emmett é o único que permite isso.
––Você pode cuidar de mim, mamãe ––voltei a abraçá–la, chorando junto com ela.
Fiquei com ela até que papai e Emmett voltassem, eles nos informaram que Rosalie estava melhor e medicada, como o bebê também estava bem. O que tinha acontecido com ela era biologia demais para minha cabeça, mas pelo o que entendi era deslocamento do saco gestacional, o que eu precisaria pesquisar melhor para entender.
Ela ficaria internada até o dia seguinte, depois voltaria para casa e teria repouso absoluto durante quinze dias, ai faria novos exames e seria completamente dispensada de cuidados extremos. Aquilo conseguiu acalmar bem mais a todos nós, mesmo que o temor ainda estivesse presente.
Papai e mamãe também se desculparam pelo termino do jantar com Alec, mas ele muito tranquilamente os acalmou que tirando o acontecido tudo tinha sido perfeito e que se precisassem de ajuda era para procurarem seu pai no hospital. Emmett e nossos pais ficariam ali com Rosalie, então Rachel e eu deveríamos voltar para casa com vovô.
Como Alec nos levou até ali, ele nos levaria de volta para casa. Vovô, depois do susto que o bebê nos deu, voltou a ser o homem rígido e teimoso de sempre, então me obrigou a ir no banco de trás do carro, enquanto ele ia ao lado de Alexander.
Durante o caminho para casa meu avô importunou Alec de várias formas, como por exemplo:
––Seu carro está sujo.
––Seu cabelo é grande demais para um homem.
––Você não deveria se juntar ao exército do seu país?
––Você não era namorado da Lucy Denali?
––Já fumou?
––Já bebeu?
––Já esteve em Las Vegas?
––Renesmee é nova demais para você.
––Renesmee é inteligente demais para você.
––Renesmee é bonita demais para você.
––Renesmee é demais para você!
Rachel levou vovô para casa assim que chegamos lá, agradeci mentalmente a ela por isso, pois só assim eu poderia me desculpar mais uma vez com Alec. Nós dois saímos do carro e fomos sentar na escada da frente de casa, pelo menos ele estava rindo.
––Sério, meu avô fala demais e minha mãe pergunta demais, desculpa por tudo isso. Pelo jantar ter sido um saco, a comida simples, a ida ao hospital. Tudo! ––desabafei.
––Renesmee, sua família é demais ––Alec sussurrou.
––Demais para você? ––perguntei rindo, mas tensa ao mesmo tempo.
––Também ––ele riu ––Mas é sério, gostei muito de cada um deles, todas as perguntas, as afirmações, as piadas. Vocês são uma família de verdade, a comida estava ótima, o hospital é algo que podia ter ficado de fora, mas não por mim, sim pelo bebê e a Rosalie.
––Sério que você gostou da minha família? ––perguntei chocada para ele.
––Sim ––assentiu ––Eu amo a minha família, quero que saiba disso, mas tem muita coisa que eu mudaria nela. Passo pouco tempo com meus pais por conta dos trabalhos deles, minha irmã parece ser mais inteligente do que eu e mal liga para mim, minha avó passa tempo demais concentrada em seus livros... O modo como seu avô falou que se eu te machucasse toda a família te defenderia só comprovou o quanto vocês são unidos e isso é bonito de se ver.
––Obrigada ––me levantei ––Mas eu tenho certeza de que a sua família também é incrível ––estendi a mão para ajudá–lo a ficar de pé.
––Amanhã você tira suas próprias conclusões ––ficou de frente para mim ––Venho te buscar às onze, mamãe vai ter que ir trabalhar duas da tarde, então te quer cedo lá em casa para poder te conhecer melhor, algum problema?
––Não, nenhum ––neguei prontamente.
Alec segurou em meu rosto e me beijou, eu tinha esperado por aquilo durante o dia inteiro, principalmente durante aquele longo jantar, então aproveitei cada instante. Era sempre muito bom poder beijá–lo e eu faria aquilo por horas e horas, caso Rachel não aparecesse.
––Ness, sei que eu sou a irmã liberal e tudo mais, mas já tivemos muita emoção para uma noite só. Dê tchau para Alec e entre.
––Te vejo amanhã ––falei, dando um rápido beijo no canto de sua boca.
––Às onze ––ele piscou para mim ––Tchau Rachel! ––acenou para minha irmã.
––Tchau cunhadinho! ––Rachel acenou de volta, esperei ele entrar em seu carro e sair da rua para entrar em casa com minha adorada irmã mais velha ––Ele está completamente aprovado.
––Não enche ––corri para meu quarto, o que não adiantou muito, já que era o dela também.
––Alec e Nessie sentados embaixo de uma árvore se beijando ––ela cantarolou vindo atrás de mim.
––Rachel, que brega! ––gargalhei.
––Estou tão feliz que a minha pirralha encontrou alguém para preencher o coração dela ––a louca foi apertar minhas bochechas ––Quem sabe você logo risca aquele item tenebroso da sua lista ––piscou para mim.
––Sério, você podia ser mais chata? ––perguntei, mas o sorriso em meu rosto demonstrava o quanto eu gostava daquela garota.
––Vou sentir sua falta quando for embora ––ela desabou ao meu lado na cama ––Queria poder te levar para Los Angeles.
––Eu também vou sentir sua falta ––suspirei.
––Renesmee, sei que isso é difícil, mas você precisa contar para mamãe sobre a faculdade.
––Mas eu ainda não decidi nada ––fiquei encarando as estrelas no teto do nosso quarto.
––Então decida, é injusto que mamãe fique sem saber de uma decisão desse porte, apesar de tudo ela é nossa mãe.
––Prometo decidir, ou contar logo para ela sobre como estou confusa ––prometi.
––Tudo bem, assim está bom ––Rachel bateu na minha testa ––Vamos descer e ver filme! ––exclamou, me arrastando para o primeiro andar.
Se eu surtei por não saber o que vestir no jantar que ocorreu na minha própria casa, enlouqueci de vez por não ter ideia do que usar no almoço com a família de Alec. Rachel tentava me ajudar, mas todas as roupas pareciam ridículas demais para mim, eu até pediria a opinião da minha mãe, mas ela ainda estava no hospital com Emmett e Rosalie, já que papai teve que ir trabalhar.
Depois de eu ficar ainda mais nervosa e quase chorar por causa do almoço, Rachel decidiu chamar o único reforço que serviria para mim. Uma ligação e alguns minutos depois, Lucy entrava no meu quarto, com uma sacola de loja nas mãos e um sorvete na outra, super despreocupada, afinal quem estava enrascada era eu.
––Olá meus amores ––nos cumprimentou ––Aqui, Rê ––me passou a sacola.
––Você comprou uma roupa para mim? ––perguntei confusa.
––Não boba, era algo que eu tinha no meu armário e nunca usei.
––Saia e cropped? ––vi o conteúdo da sacola ––Quer que eu vá de barriga de fora conhecer os pais do meu namorado?
––Renesmee, você é magra, abuse disso! ––minha irmã me empurrou para o closeth para que eu pudesse me trocar.
Por fim a roupa não ficou vulgar como eu pensei que faria, a saia era rosa clara, com um forro até meus joelhos, depois seguia transparente até meus pés. O cropped era azul, também claro, com manguinhas e deixava apenas três dedos da minha barriga aparecendo.
Minha irmã e minha melhor amiga me obrigaram a ficar de cabelo solto, dizendo que assim a atenção sairia da pele exposta e iria toda para meu chamativo cabelo vermelho. Elas estavam certas, pois assim que calcei minhas sandálias e me olhei no espelho, notei que eu estava decente, ainda mais com a maquiagem bem básica que fiz.
––Vocês me salvaram ––agradeci muito mais calma.
––Ao seu dispor ––Lucy estava sentada ao lado de Rachel no sofá, enquanto eu andava de um lado para o outro na sala ––E deixe esse nervosismo de lado, os Cullen não são monstros que vão arrancar sua cabeça.
––Como foi seu encontro com Riley? ––perguntei, tentando me distrair da imagem dos pais de Alec arrancando minha cabeça.
––Não vou dizer que transamos de novo ––Lucy falou, eu precisei de um tempo para entender o que ela tinha falado, afinal minha mente estava a mil por hora, mas logo fez sentido e eu a olhei chocada.
––Lucy!
––Ai Renesmee, sexo é bom ––ela tentou se defender.
––Concordo plenamente com ela ––Rachel comentou ––Acho também que você deve sorrateiramente arrastar Alec para o quarto dele e fazer sexo também.
––Ainda não quero fazer sexo ––respirei fundo, ficando nervosa só de pensar na hipótese.
––Ela é muito inocente ––Lucy disse para Rachel, ia tentar sair em minha defesa, mas foi no exato momento que a buzina do carro de Alec soou.
––Amanhã converso com você, Lu! ––exclamei para ela, recolhendo minha bolsa e saindo quase correndo de casa.
Assim que entrei no carro de Alexander, todo o nervosismo desapareceu por um instante, eu pude beijá–lo com calma e aquilo foi o suficiente para me fazer sorrir. E ele também sorriu, demorando o beijo o máximo possível, até se afastar de mim, para um segundo depois voltar a me beijar.
––Precisamos ir ––falei entre seus beijos.
––Não, não precisamos ––ele segurou em minha mão, enquanto me beijava mais uma vez ––Quero só te beijar pelo resto do dia.
––Eu sei que isso ia ser bem legal ––sussurrei enquanto seus lábios desceram para meu pescoço ––Mas eu tenho que ir conhecer sua família.
––Tudo bem ––se rendeu, afastando–se de mim.
Alec passou o caminho inteiro para sua casa falando, eu tentei acompanhar os assuntos, mas ainda estava nervosa, então falava o mínimo possível, ou apenas balançava a cabeça. Por sorte ele não aparentou perceber, estava animado, o que era bom, pois pelo menos alguém devia estar feliz com aquilo que com certeza seria minha tortura.
Tentei não fazer uma careta quando ele parou o carro na frente de sua casa, mas foi quase impossível, afinal foi ali que Lucy nos viu e por muito pouco não me odiou para sempre. Alec pareceu notar aquilo, então segurou minha mão com firmeza e beijou minha bochecha.
––Seus pais sabem que eu sou amiga da sua ex? ––questionei, enquanto caminhávamos para a entrada da casa. A rua era a única coisa que separava a casa branca da praia.
––Sabem, eu fiz questão de contar isso para você não passar por um momento inoportuno.
––Isso é vergonhoso ––resmunguei ––Eles devem achar que eu sou uma vadia.
––Renesmee, você não é uma vadia. E meus pais não acham isso de você, sinceramente eles nem ligaram quando falei que você era a melhor amiga da Lu.
––Lucy ––o corrigi ––Não é porque a namorou e agora está me namorando que tem direito de chamá–la assim.
––Desculpe ––riu baixinho, enquanto abria a porta para que entrássemos.
Eu não tinha nem palavras para descrever o quanto aquela casa era bonita, Alice que queria ser arquiteta com toda certeza surtaria com tanto luxo e bom gosto. O hall de entrada era totalmente branco, o espelho de mogno pendurado na parede era escuro, uma mesinha ficava em baixo do mesmo, com algumas revistas e livros, e eu nem comentaria sobre o lustre no teto.
Alec me levou para mais dentro da casa, revelando a sala de estar mais bonita do mundo. Ou eles tinham contratado o melhor arquiteto de Sun West, ou tinham um bom gosto latente. Eu consegui me sentir uma formiga no meio da sala gigantesca, com carpete caro e sofás mais caros ainda, sabia que eram tão caros assim pois eram bonitos demais para serem baratos.
––Finalmente chegaram! ––uma voz masculina preencheu o ambiente e vindo de um corredor atrás de mim, vi o pai de Alec entrar na sala.
––Renesmee, esse é meu pai, Carlisle Cullen ––Alec nos apresentou ––Pai, essa é a Renesmee.
––Olá Senhor Cullen ––o cumprimentei com um rápido aperto de mão.
––Seja bem vinda, Renesmee ––o loiro sorriu para mim, ele definitivamente não tinha nada parecido com Alec. Nem mesmo os olhos, enquanto os de Alec eram completamente azuis, os de Carlisle eram castanhos escuros, quase pretos ––Sente–se querida ––apontou um dos sofás, Alec ainda segurava em minha mão, então fez que sentássemos juntos.
––Ah, vocês chegaram ––Jane entrou na sala mexendo em seu celular ––Oi garçonete ––me olhou de um jeito irritado.
––Jane, isso não são modos de tratar a namorada do seu irmão ––Carlisle chamou a atenção dela, recolhendo o celular da menina e guardando em seu bolso.
––Desculpe–me Renesmee ––Jane disse de modo forçado, sentando em outro sofá, apenas sorri para ela, não querendo causar um caos na família.
Uma risada alta veio da escada e todos nós olhamos para lá, nos deparando com a avô de Alec. Cecília Cullen era muito parecida com o filho, não podia negar que ela era mãe de Carlisle de forma alguma, até os olhos iguais eles possuíam.
A senhora, que devia ter pouco mais de sessenta anos, falava ao telefone enquanto descia as escadas, mas assim que notou minha presença desligou. Alec se levantou e eu levantei junto, Cecília sorria para o neto quando se aproximou de nós.
––Querido, ela é linda! ––Cecília passou a mão pelo meu cabelo ––Olha isso, as mulheres matam para ter o cabelo dessa cor e sua namorada tem ele natural.
––Nessie, essa é minha avó ––Alec falou para mim, prestes a rir da fala da senhora.
––É um prazer lhe conhecer Senhora Cullen, desde que Alec me contou que a senhora é escritora estive louca para conhecê–la.
––Alexander me contou que você também escreve ––Cecília continuou sorrindo amigavelmente para mim ––Em breve espero ver um dos seus livros publicados, querida.
––Eu também ––Alec me abraçou de lado, fazendo com que eu corasse.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, a mãe de Alexander entrou na sala, fazendo o barulho de seu salto alto calar todos que estavam ali. Cecília piscou para mim e se afastou, indo sentar ao lado de Jane, eu senti que se tinha alguém com quem devesse me preocupar naquela família, era Esme Cullen.
A mulher, de longos cabelos castanhos escuros como os de Alec, olhar azul como o dele e a mesma pinta em cima dos lábios não tirava os olhos de mim, enquanto ia a minha direção. Eu me senti nua na frente dela, parecia que ela estava analisando cada defeito meu e que podia ler minha mente, imediatamente comecei a pensar no quanto ela era bonita, só para prevenir caso fosse realmente uma leitora de mentes.
––Renesmee Masen, é uma honra conhecê–la ––parou a centímetros de mim, cruzando os braços e continuando a me avaliar.
––É uma honra conhecê–la também, Senhora Cullen ––falei baixo, quase não encontrando minha voz.
––Bela roupa ––deu um tapinha na parte da minha barriga que estava de fora ––Espero que esteja com fome, o almoço está servido! ––voltou para o lugar de onde tinha vindo.
Carlisle, Jane e Cecília foram os primeiros a saírem da sala. Eu continuava assustada com a inspeção de Esme, então Alec me lançou um olhar de desculpas enquanto me conduzia para a sala de estar, estava tão aflita que nem mesmo me importei em apreciar a decoração da casa.
Os pais de Alec ocuparam as cabeceiras da mesa, ele sentou ao lado do pai, de frente para sua irmã e eu fiquei ao lado dele, com Cecília a minha frente. E uma Esme séria bastante próxima de mim para me acertar com um garfo a qualquer momento.
A mesa estava farta e assim que Carlisle mandou que nos servíssemos, procurei por algum prato vegetariano para comer, mas não havia nada. Olhei assustada para Alec e depois para a comida, tinha até mesmo uma pobre lagosta na mesa, e eu senti pena da mesma.
––Mãe, eu lhe falei que Renesmee é vegetariana ––Alec entendeu o meu olhar assustado.
––Falou? ––Esme comia sua lagosta com tanta classe que eu me senti uma idiota por não saber nem para que tinha tantos talheres perto do meu prato.
––Sim mãe, eu falei ––Alec suspirou ––Sue ––chamou por uma mulher, que logo apareceu vestida em seu uniforme de empregada ––Poderia preparar um prato vegetariano? O que você quer comer? ––perguntou a última parte para mim.
––Um omelete é o suficiente ––murmurei.
––Estará pronto em um instante ––Sue deixou a sala de jantar.
––Sinto muito pelo inconveniente, Renesmee ––Esme se desculpou, mas nem ao menos olhou para mim.
––Tudo bem ––sorri ao ver Cecília sorrir para mim.
O almoço foi completamente silencioso e eu sentia Alec incomodado ao meu lado, ele mal tocava em sua comida, mesmo depois de eu ser servida por um gostoso omelete vegetariano. Após a refeição, fomos todos novamente para a sala e meu namorado parecia mais inquieto ainda.
––Então Renesmee, Alec nos contou que você é filha do dono da Place’s of Masen ––Carlisle puxou assunto.
––Sou sim ––confirmei ––E trabalho lá alguns dias na semana ––senti a enorme necessidade de contar aquilo.
––E qual seu projeto para quando acabar o colegial? ––Esme indagou ––Uma faculdade ou ajudar seu pai nos negócios?
––Nenhum dos dois ––respondi ––Ainda estou escolhendo o que realmente quero ––senti Esme me olhasse como se eu fosse uma louca.
––Alexander já lhe contou que ele vai para Cambridge? ––a mulher questionou, ela nem mesmo sorria.
––Sim, ele contou.
––O futuro que Alexander vai ter é incrível ––ela por fim sorriu, mas diretamente para o filho ––Não resta dúvidas de que ele será um homem grandioso, então espero que você não seja um empecilho para o que ele tem pela frente.
––Mamãe! ––Alec exclamou.
––Filho, Renesmee tem que saber que você não pode ter distrações, nem nada que manche seu histórico. Não estou falando que sou contra o namoro de vocês, só estou dizendo que ela deve te apoiar e entender suas escolhas.
––Eu apoio e entendo, completamente ––confirmei.
––Então espero que você tome suas próprias escolhas ––Esme me encarou ––Uma jovem bonita como você e inteligente pelo que estou sabendo, não deve desperdiçar a vida por crises existências adolescentes.
––Mãe, se controla ––Alec pediu.
––Alexander, você está atrapalhando nossa conversa ––Esme olhou feio para ele ––Renesmee, venha comigo ––ela seguiu para um outro cômodo, hesitei por um instante, mas fui atrás dela.
Esme tinha entrado em um escritório e já se encontrava sentada atrás de uma mesa, seus cotovelos estavam apoiados na mesma e a mulher estava me encarando o máximo quanto podia. Eu tinha vontade de sair correndo por medo dela, mas era mais prudente encarar a situação.
––Sente–se ––apontou para a cadeira de frente para sua mesa ––Eu vou ser bem direta no que tenho para te dizer, Renesmee ––se inclinou mais um pouco ––Alexander é muito especial para mim, ninguém nunca vai machucá–lo, nem mesmo uma namoradinha de colegial. Quero que entenda que não estou impedindo vocês dois de namorarem, mas estou sendo franca ao falar que não quero que você seja um empecilho para tudo que ele planejou.
Alexander vai para a Inglaterra ano que vem, com ou sem você. Ele vai se tornar um médico respeitado e dedicado. Isso tudo foi ele mesmo quem escolheu, há anos, então não me ache uma ditadora.
Até mesmo apoio o namoro de vocês, mas qualquer deslize seu e ganhará uma inimiga para o resto da sua vida, garota. Alexander é um garoto incrível e você tem que se dar conta disso se realmente quer ficar ao lado dele. Você entendeu? ––me perguntou.
––Entendi ––assenti.
––Eu vou trabalhar, foi bom te conhecer ––Esme deixou o escritório, me deixando sozinha ali com todas suas palavras.
Alec entrou um tempo depois, olhando para os próprios pés e as mãos enfiadas nos bolsos da calça. Ele sentou no braço da cadeira que eu estava e ficou encarando a parede atrás da mesa.
––Tenho algo para te contar ––anunciou.
––O que é?
––Ótimo ––respirou aliviado ––Lucy prometeu que não te contaria nada e não contou.
––O que Lucy sabe? ––voltei a perguntar.
––Primeiro quero que saiba que Lucy sabe disso desde a época que namoramos, contei isso para ela durante uma das crises, para tentar fazer com que ela percebesse que não era a única com problemas familiares no mundo. Sei o quanto vocês são amigas e é por isso que vou contar essa história para você, pois ela me mandou ser sincero e eu tenho certeza de que você pode e deve saber a verdade sobre mim.
––Você está me assustando, Alexander.
––Renesmee, eu tive um irmão mais velho e ele morreu cinco anos atrás.
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