Teenage Dream

14 Capítulo Treze- Lábios


Notas iniciais
Capítulo dedicado a minha linda Faby, que me deu uma recomendação incrível. Estou muito contente que esteja gostando da história amiga, esse capítulo é dedicado a você. Acho que todos vão gostar desse capítulo e se eu não voltar ainda esse ano: UM FELIZ ANO NOVO PARA TODO MUNDO.

Capítulo Treze- Lábios

“O seu coração contra meu peito

Seus lábios pressionados em meu pescoço

Eu estou me apaixonando por seus olhos

Mas eles ainda não me conhecem

Com um sentimento que vou esquecer

Estou apaixonado agora” –Kiss Me, Ed Sheeran

Foi uma longa e tumultuosa noite, chorei muito nos braços de Lucy, vomitei tudo e mais um pouco que tinha em meu estomago e voltava a chorar pelo acontecido. Só de imaginar a burrada que cometi, me sentia um lixo, eu tinha sido infantil, estúpida e irracional.

–Aqui, precisa se hidratar –Alec entrou no quarto de Lucy nas primeiras horas da manhã –para onde eu tinha ido durante a madrugada– carregando um copo com água para mim.

–Ei, o que está fazendo aqui? –me sentei na cama para poder beber.

–Acabei de chegar –Alec suspirou, passando o copo para minhas mãos e sentando próximo a mim na cama –Fiquei preocupado se você e Lucy estariam bem, depois de tudo que aconteceu ontem.

–Não me lembro de quando você foi embora –confessei –Na verdade minha memória está uma merda.

–Fui um pouco depois de trazermos você para cá, você começou a vomitar, ficou nojento –ele fez uma careta, o que querendo ou não me fez sorrir –Bebe essa água –disse de um jeito mandão.

–Tudo bem –bebi toda a água de uma vez só, notando o quanto eu estava com sede –Obrigada, por ter ido até lá com Lucy, ter batido em Nahuel e me defendido –coloquei o copo de lado e pela primeira vez desde que o moreno entrou no quarto olhei de verdade para ele, Alec não estava com uma expressão nada boa, e eu sabia que também não estava.

–Ele foi um cretino –bufou –Não fiz nem a metade do que queria ter feito. Acho que você deve denunciá-lo, por ter te trancado naquele quarto e ter deixado subtendido que te forçaria a fazer você sabe o que com ele.

–Não –neguei, puxando o cobertor mais para mim, eu estava usando os pijamas de quando Lucy ficava triste por algo, grandes, confortáveis e nem um pouco bonitos –Eu não quero que isso se transforme em um caso de policia.

–Renesmee, ele podia ter te estuprado –o inglês não usou expressões amenas para dizer aquilo.

–Mas não fez nada disso –meus lábios tremeram e senti vontade de chorar –Seria uma humilhação expor isso, meus pais ficariam arrasados comigo e ninguém acreditaria que ele realmente tentou fazer aquilo. As pessoas acham que só porque uma garota está bêbada ela não pode reclamar de ter sido forçada a fazer sexo, todos as julgam, dizendo que elas que são as culpadas pelo acontecido, não o cara que fez. Eu sei que isso é completamente errado, que não é minha culpa, mas não suportaria ter minha vida exposta dessa forma.

–Ainda acho que essa cara deveria ser preso, o mais rápido possível –Alec estava com tanta raiva que eu podia ver o ódio em seus olhos –Promete que se ele tentar algo com você de novo, vai deixar de lado essa besteira de humilhação pública e o denuncia?

–Prometo –concordei, forçando um sorriso para ele –Alexander –murmurei o nome dele –Sobre o que aconteceu na aula de artes...

–Eu não consigo esquecer aquilo –ele me cortou, a expressão dele foi de raiva para desesperada –Não consigo esquecer o cheiro do seu cabelo, ou os seus lábios e como fiquei apaixonado pelo que você escreveu sobre aquela maldita uva –o moreno murmurou, me fazendo rir de um jeito nervoso no final de sua fala.

–Eu não posso ficar perto de você –balancei a cabeça, deixando que algumas lágrimas escorressem pelo meu rosto –Eu não posso fazer isso com a Lucy, você não pode fazer isso com ela. Você a ama? –questionei, sendo daquela vez a pessoa quem encarava.

–Eu nunca amei ninguém –ele franziu o cenho –Lucy é minha primeira namorada séria, as coisas com ela são diferentes, mas não sei se posso falar que a amo, mas gosto muito dela.

–Em uma escala de zero a dez, o quanto gosta dela?

–Sete –respondeu –Mas era nove antes.

–Antes de?

–Antes da nossa aula de artes –ele segurou em minhas mãos –Eu não consigo dar uma nota tão alta para ela comparada a sua.

–Não me de uma nota, por favor –implorei –Eu sou a melhor amiga da Lucy, ela fez muito por mim e eu sei o quanto aquela garota precisa de mim, mas ao que parece de você também. Então não estraga tudo –tirei minhas mãos da dele.

–Vou me manter longe, prometo –Alec se levantou da cama –Mas se precisar de um amigo para bater em um babaca é só me chamar, vou ficar grato em quebrar uns narizes por você.

–Obrigada –agradeci, vendo ele sair do quarto.

Fiquei por mais alguns minutos ali, me convencendo de que aquilo era o certo. Tudo que tinha acontecido entre nós dois naquela sala não passou de um momento de atração, não estávamos apaixonados um pelo outro e minha nota era uma pura confusão de sua mente. Eu esperava que em breve ele deixasse aquilo de lado e desse um dez para Lucy, ela merecia aquilo, no mínimo.

–Café da manhã na cama! –minha amiga entrou em seu quarto, munida de uma badeja carregada de comida.

–Não precisava disso –sorri para ela –Do jeito que ainda estou acabada vou acabar vomitando de novo.

–Essa comida está deliciosa, seria uma afronta a Nelly se você a vomitasse –Lucy pôs a bandeja sobre meu colo –Como está se sentindo?

–Bem melhor –me forcei a comer, sabendo que eu não poderia me dar ao luxo de passar mal novamente.

–Ótimo –Lucy deu um sorriso maligno –Porque agora, é a hora, que eu te julgo por não ter escutado sua melhor amiga e ter ido para aquela maldita festa.

–Lu...

–Não –me interrompeu –Nem vem com essa voz doce e sua cara de sofrida para cima de mim, sabe que você errou. Não estou colocando toda a culpa da situação em cima de você, porque o filho da puta do Nahuel também tem muita culpa, mas foi você quem quis ir a essa festa, mesmo sabendo que seria perigoso.

–Desculpa –mordi o lábio.

–Quem te ajudou a ir lá? Porque seus pais nunca te deixariam ir para aquela festa sozinha.

Fui obrigada a contar a verdade para Lucy, o que só a fez sentir raiva de Gabriella por ter me ajudado naquilo. Ela só não me brigou mais, pois sabia que eu estava em um estado complicado, então preferiu me poupar.

Como minha bolsa de roupas, celular e carteira estavam na casa de Gabriella, depois de tomar um banho e me vestir com roupas de Lucy, a loira me levou até lá para pegar tudo. Consegui a convencer a ficar no carro, não querendo que ela arranjasse uma briga com Gabs logo no começo da manhã.

Tive que mentir para Gabriella, dizer que não voltei para sua casa, porque Lucy tinha ido me buscar para a dela, a garota desconfiou, mas acabou aceitando minhas desculpas. A agradeci por tudo e voltei com Lucy para sua casa, pois era domingo e Jake e as meninas iriam para lá, para programarmos a candidatura dela para a presidência do grêmio estudantil.

Passamos o domingo inteiro focados naquela atividade, Lucy era ótima organizadora, então tinha ideias e planos muito bons. Nós a ajudávamos em tudo, mas as principais ideias sempre partiam dela, naquela semana saberíamos quem seriam os concorrentes dela.

Fiquei extremamente grata pela loira não ter contado para ninguém sobre minha estupidez da noite passada, era um grande alivio poder tirar aquilo da minha cabeça, sem as pessoas me olhando de forma estranha. Quando voltei para casa, meus pais não desconfiaram de nada e eu sabia que tudo estava controlado, pois as noticias voavam naquela cidade e se fosse para aquela história chegar a ouvidos de terceiros, todos de Sun West já estariam sabendo.

As aulas do dia seguinte foram tranquilas, não vi Nahuel em nenhuma delas e até mesmo as que eu tinha com Alec não me atormentaram, pois ele não estava lá. Pelo que ouvi de Lucy na hora do almoço, ele esteve durante algumas aulas praticando para o teste que aconteceria aquela tarde para o Futebol Americano, o que só me fazia lembrar que logo mais eu estaria auxiliando Rosalie nos testes das futuras lideres de torcida, o que cabia a mim, uma vez que eu era a segunda na linha de comando da equipe.

–Preparada para isso? –me juntei a minha cunhada na lateral do campo de Futebol Americano.

–Nem um pouco –os olhos de Rosalie se desviraram para a fila de meninas que fariam aquele teste, as que já eram líderes de torcida estavam por ali também, mas concentradas nos testes dos meninos de Futebol.

Avistei Alexander por ali e ele parecia confiante, Emmett tinha tido apenas uma semana para treiná-lo, mas no fim das contas parecia ser o suficiente para deixá-lo entre os favoritos da classificação para o time. Rosalie não quis enrolar e logo começou a testar as garotas, ela parecia ansiosa demais com algo e até um pouco dispersa, então tive que ficar mais atenta ainda para ajudá-la.

–Vamos fazer uma pausa! –a namorada de Emmett gritou, indo se sentar em um banco e beber água.

–Rose, você está bem? –me aproximei dela, ajeitando o short que eu usava, tínhamos dispensado os uniformes para aquele dia.

–Sim –ela assentiu –Só estou cansada –deu de ombros –Mas vamos lá, temos muito o que fazer.

Depois de longas horas de treinos, selecionamos as novas lideres de torcida, um total de cinco delas. Que somando com as que já eram daria um total de quinze. Infelizmente Rosalie não classificou Gabriella, mesmo que a morena tenha ficado muito próxima de ser escolhida, quando me despedi dela, notei as lágrimas em seus olhos, mas ela me garantiu que ficaria tudo bem.

Os testes para o Futebol Americano ainda continuavam, então minhas amigas ainda estavam por lá. Beatriz era a única de uniforme e ficava que nem uma maluca pulando na beira do campo gritando o nome do namorado, esse que estava apenas ajudando o técnico com os testes.

–Ela é louca –Lucy riu, mas seus olhos acompanhavam cada movimento de Alec –Ele vai conseguir, não é Rê?

–Acho que sim –continuei tirando fotos constrangedoras de Bia –Emmett e ele treinaram bastante para isso.

–Ele tem que conseguir, quem sabe assim ficamos bem um com o outro.

–O que disse? –perguntei, sem entender a fala dela.

–Estamos passando por um momento estranho –Lucy se encolheu –Parece que não está mais dando certo –ela disse, mas eu não tinha o que dizer.

Em algum momento, as outras líderes de torcida se cansaram de ficar esperando os resultados e foram embora, apenas Lucy, Bia e eu permanecemos ali. Também teria ido embora, mas a loira era minha carona e não teria como voltar sem ela.

Quando treinador, o senhor Félix Road deu seu apito final e todos os meninos se reuniram ao redor dele para saberem se estariam no time ou não, Lucy desceu toda a arquibancada aos pulos, me deixando sozinha no alto. Ela ficou perto de Bia, que estava lá embaixo desde o inicio dos testes, da onde eu estava, conseguia ver Alec.

Ele estava exausto, meio curvado e com as mãos no joelho, mas quando se recompôs parecia feliz. O que só acentuou ainda mais o charme maldito que ele tinha com aquele sorriso de lado, eu tentei desviar minha atenção dele, mas não consegui, até porque era o único dali que estava fazendo teste para o time que eu realmente estava torcendo para que ganhasse.

O técnico não se prolongou muito, falou algumas coisas, dispensou alguns e logo foi nomeando que estaria em seu time para aquela temporada. Seguindo pela ordem alfabética, Alec foi o terceiro a ser convocado e mesmo que eu não tivesse o ouvido ser chamado, soube disso, pois o sorriso dele ficou igual ao de uma criança que acaba de ganhar um brinquedo novo.

Logo depois o moreno atravessou o campo, indo para os braços da namorada, comemorar sua mais nova conquista. Eu me senti tão feliz por ele ter entrado para o time, que mesmo sabendo que tínhamos que ficar longe um do outro, desci a arquibancada as presas, querendo ir parabenizá-lo.

–Hey, você conseguiu! –exclamei, no momento que ele estava prestes a beijar Lucy.

–E não teria conseguido sem a sua ajuda e do seu irmão –Alec abraçou Lucy de lado –Obrigada por tudo, Cenoura.

–De nada, inglesinho –rebati, fazendo Lucy gargalhar.

–Se eu já não estivesse atrasada para o jantar com meus pais e uns convidados lá em casa, iríamos sair para comemorar –minha amiga disse.

–Jantar? –a olhei confusa –Mas você vai me deixar em casa, não é?

–Não –Lucy recolheu sua bolsa –Já estou muito atrasada, eles vão surtar se eu atrasar mais –ela me lançou um olhar de medo.

–Tudo bem –concordei –Bia, me dá uma carona? –perguntei, mas só quando olhei em volta vi que ela e Will já não estavam mais no campo.

–Eu posso te levar –Alec disse.

–Isso, Alec te leva, ele é um excelente motorista! –Lucy exclamou –Vejo vocês amanhã –beijou o namorado, me abraçou e correu em direção ao estacionamento.

–Vou para o vestiário, te vejo depois –ele suspirou, sabia que ele, tanto quanto eu, não queria ter aquele caminho inteiro de silêncio e tensão.

Fiquei esperando pelo novo jogador do time perto do seu carro, Alec não demorou muito para aparecer. Ele apenas abriu o carro e entrou, sem falar nada e me vi obrigada a entrar também, não tinha escolhas, ou era aceitar a carona dele, ou me ver obrigada a passar um bom tempo a espera de um ônibus.

O caminho até minha casa nunca pareceu tão longo, acompanhado de uma dose de constrangimento, ele só pareceu ficar mais distante ainda. Ninguém se atrevia a falar nada, mas minha cabeça estava estourando por estar naquela situação.

–Obrigada –falei quando ele parou na frente de casa, meu plano era sair o mais rápido do carro dele, mas eu estava com as mãos tremendo e não conseguia me soltar do cinto.

–Renesmee, calma! –Alec exclamou, me assustando –Você está quase tendo um ataque de pânico, precisa manter a calma, ou vai ficar maluca.

–Só me solta –pedi, deixando que ele abrisse o cinto para mim.

–Pronto, não é nada de outro mundo –Alec me soltou, mas não consegui deixar o carro dele tão rápido quanto imaginei.

–Você ia me beijar na aula de artes? –indaguei, me virando no banco para olha-lo.

–Renesmee, eu te beijaria agora –Alec fechou os olhos e encostou a testa no volante –Não consigo parar de pensar em você, entende isso?

–Queria não entender, mas acho que sei exatamente como se sente.

–Eu sei que isso não é justo com Lucy –ele endireitou o corpo –Mas eu também sei que eu não sou o único desse relacionamento que está com o pensamento em outra pessoa.

–O que quer dizer?

–Não se faça de desentendida –ele revirou os olhos –Você melhor do que ninguém sabe que Lucy ainda gosta, ama ou sei lá o que ela sente pelo James.

–Mas ela te escolheu –falei –Podia ter escolhido ele, mas preferiu você –afirmei.

–No sábado, quando você foi para aquela festa, Lucy me confessou que estava com saudades dele –Alec contou –Não entramos em detalhes porque você ligou bem na hora, mas eu vi o modo como ela fala dele, não importa o que ele fez, ou quanto tempo tenha passado, Lucy ainda nutre fortes sentimentos por James. Fortes o suficiente para confessar isso para mim, que sou o namorado dela.

Voltei a ficar em silêncio, olhando para minhas mãos, que ainda tremiam. Era uma confusão horrível, quase como um furacão destruidor e eu estava bem no centro, prestes a ser atingida por aquilo.

–Lucy é muito importante para mim –ele quebrou o silêncio –Não a vejo só como uma garota que eu fico, ela é minha namorada. Foi a primeira menina que fiz questão de apresentar para meus pais, tivemos um verão incrível, mas desde o aniversário dela, desde que você voltou –ele sacudiu a cabeça.

–Para –pedi –Não vou ser a responsável por isso, eu não dei em cima de você, não te seduzi, nem nada disso. Não vou deixar você jogar essa responsabilidade para mim, Alexander. Nós não ficamos, nem nunca vamos ficar –pontuei, saindo do carro dele.

Evitei minha família aquela noite, permanecendo trancada em meu quarto, fazendo deveres e escrevendo um pouco. Só que minha mente traidora sempre me levava de volta para Alec e Lucy, para o relacionamento deles que estava por um fio e como aquilo era de certa forma minha responsabilidade, mesmo que não assumisse isso.

Cansei de escrever e estudar e peguei minha lista de coisas para fazer antes da formatura, eu tinha me recusado a riscar o item de ficar bêbada depois do porre de sábado, pois aquela foi uma festa tensa demais, que eu não aproveitei absolutamente nada. Deixaria para dar aquele item como cumprido quando fosse de uma forma legal e não perigosa.

–Alô –atendi a ligação de Lucy.

–James me chamou para conversar.

–Lucy, não!

–Calma –ela pediu –Não é hoje, é só no sábado, ele disse que quer ter uma conversa séria comigo.

–Você tem namorado, se lembra do Alec –falei, tentando não suspirar ao falar o nome dele.

–Eu lembro, mas ele está distante de mim –a voz dela diminuiu alguns tons –Ele nem me ligou para me dar boa noite, ou ao menos para se gabar que agora está no time. É como se eu não existisse, ele te disse algo?

–Não –menti –Lucy, tem outra ligação, falo com você melhor amanhã –falei quando meu celular informou que tinha uma segunda chamada.

–Tudo bem –ela concordou –Vou logo dormir.

–Oi –atendi a outra ligação.

–Renesmee? –a voz familiar me fez ficar em choque, estava deitada e no mesmo instante me sentei, sem conseguir acreditar que Daniel tinha finalmente me ligado.

–Daniel, você ligou! –não consegui esconder a surpresa em minha voz.

–É, eu sei que disse que ia ligar antes –a voz dele transbordava culpa –Desculpa não ter ligado antes, eu juro que ia, mas...

–Mas?

–Eu meio que estou namorando –confessou.

–Como alguém meio que namora, Dan? –perguntei rindo, surpreendentemente eu não estava irritada com ele, era como estar conversando com um velho amigo, não um ex ficante de verão que tinha me esquecido assim que entrei em um avião.

–Ela é intercambista, uma brasileira. É linda, engraçada, educada e estamos saindo desde que ela chegou aqui –contou.

–Fala mais –insisti.

–Isso é estranho, Renesmee –ele riu –Você não deveria estar com raiva por eu não te ligado antes? Hoje sua irmã me ordenou ao menos te ligar para dar uma explicação, mas eu estava morrendo de vergonha de fazer isso e agora você simplesmente quer saber mais da garota que estou saindo.

–Daniel, ambos sabíamos que era um romance de verão –proclamei –Eu não esperava nada mais, tudo bem que quando voltei e você não me ligou fiquei chateada, mas agora passou. Eu estou com uns assuntos tão sérios em mente, ouvir sua história de paixão e da brasileira seria legal.

Daniel e eu passamos o resto da noite conversando, ele falando sobre a intercambista e eu sobre a festa de Nahuel e Alec. No fim, ele percebeu que estava realmente apaixonado pela garota, me brigou por ter sido inocente demais e ter ido aquela festa e disse que eu devia ser honesta comigo mesma quanto aos meus sentimentos para com Alexander.

Dormir naquela noite foi mais fácil depois de ter conversado com ele, mas ainda sim sonhei com o inglês e com uma Lucy arrasada e me odiando. Eu não consegui dormir mais depois daquilo.

Na primeira aula do dia seguinte, o diretor reuniu todos na quadra de basquete para anunciar quem seriam os três concorrentes para presidência do Grêmio Estudantil. Lucy, que tinha dito enquanto íamos para escola, que estava com um péssimo pressentimento, conseguiu colocar um belo sorriso no rosto e aparentar que estava tudo bem.

O que era bem obvio que não estava, pois ela e Alexander nem mesmo se falaram quando chegamos ao colégio e ele se sentou longe dela na quadra. Alice foi quem teve coragem de perguntar o que estava acontecendo entre eles, mas Lucy não entrou em detalhes, apenas disse que eles não precisavam ficar constantemente próximos um do outro.

–Então, vamos logo descobrir quem serão os concorrentes a presidência –o nosso amado diretor, com cara de esquilo, recolheu três envelopes e se dirigiu para o centro da quadra –Nossa primeira inscrita foi Heidi Volturi –o cara de esquilo estava incrivelmente contente em ver sua preciosa filha querendo algo tão grande.

–Tadinha, ela não ganharia nem roubando a votação –Lucy do meu lado falou, rolando os olhos, enquanto Heidi se dirigia para o centro da quadra, com seus companheiros.

Não me surpreendi nem um pouco ao ver que a gangue que Heidi tinha formado era composta por alguns dos seus coleguinhas do jornal da escola, ela estava formando alianças, super consistente para uma disputa. Victoria –uma ruiva falsificada, que também era do time das líderes de torcida– Santiago –que era um dos caras mais inteligentes da escola –Bree –essa era toda fofinha e amigável com todos –e Renata –melhor amiga de Heidi – também uma vaca, Lucy a odiava o tanto que eu odiava Heidi.

–Nossa segunda inscrita é Lucy Denali –o diretor anunciou.

Minha amiga deu seu melhor sorriso e caminhou em direção a quadra, comigo, as meninas e Jacob a seguindo. Aquele era o momento de glória dela e nem tínhamos ganhado o Grêmio ainda.

–Papai Denali te obrigou a participar da política? –Heidi sussurrou para Lucy.

–Volturi, porque você não enfia sua língua no rabo? –Alice, nem um pouco delicada, revidou.

–E o último a concorrer a presidência é um menino –o diretor voltou a falar, abrindo o terceiro envelope –Riley Biers!

Se eu me surpreendi com aquilo, Lucy ficou ainda mais chocada. Afinal Riley era o melhor amigo dela e ele estava claramente entrando em uma disputa com a amiga, e ninguém entrava em uma concorrência contra Lucy quando sabia o quanto ela era poderosa quando queria algo.

Qualquer surpresa depois disso ficou pequena, então ver Riley descer a arquibancada, acompanhado de Will e Alec foi o de menos naquele momento. Além de estar desafiando a melhor amiga, ele estava levando o namorado dela consigo.

–Senhor Biers, o número de pessoas na chapa devem ser de cinco, nem mais nem menos –o diretor falou ao ver apenas os três –Ou escolhe mais duas pessoas para fecharem a chapa com vocês, ou será obrigado a desistir.

Riley bufou e olhou para a arquibancada, algumas pessoas gritavam o nome dele, pedindo para serem escolhidas, mas ele as ignorou. Os olhos do loiro pararam em Gabriella, que estava sentada ao lado de Demetri e foi até eles.

Não faço ideia dos argumentos de Riley, mas ele conseguiu convencer Demetri –que odiava aquele tipo de exposição –a se unir a eles. Convencer Gabriella também não deve ter sido nada difícil, pois logo os dois se juntaram aos outros três, contemplando a chapa.

–Aqui estão nossos concorrentes! –o diretor exclamou empolgado –No dia primeiro de setembro ocorrerá a votação, então terão até lá para fazerem a campanha, debates, eventos e tudo o mais para mostrarem quem realmente merece ficar a frente do Grêmio Estudantil, não esqueçam que essa é uma responsabilidade imensa, boa sorte!

Os alunos começaram a se dispersar pela quadra, indo em direção a suas salas de aula, mas permaneci por ali com meus amigos por mais um tempo. Ao contrário do que eu pensava, Lucy não confrontou Riley com raiva quando foi falar com ele, ela na verdade tinha um sorrisinho provocante em seus lábios.

–Você acha que pode ganhar de mim, Biers? –parou na frente dele –Pobrezinho, vai perder tão rápido.

–E o que faz de você a melhor concorrente? –Riley deu o mesmo sorriso para ela –Sou um dos principais caras do Futebol Americano, tenho uma coleção de fãs e sou lindo. Acho que eu já ganhei –piscou para Lucy.

–Oh Riley, parece que você esqueceu que sou Lucy Denali –ela riu suavemente –Eu sempre ganho, queridinho.

–Então, isso é de fato uma concorrência! –Riley cruzou os braços.

–Não, isso é uma aposta –Lucy estendeu a mão para ele –Quem ganhar escolhe o que quer do outro, aceita?

–Aceito! –Riley apertou a mão dela.

–Lá vamos nós –Jacob disse rindo –Esses dois apostam até eles mesmos.

–Mas dessa vez eu vou ganhar, não tem o que temer –Lucy jogou o cabelo para trás do ombro –E você, Alexander Cullen, é uma pena que esteja disputando com a sua própria namorada, será humilhado –ela piscou para ele e se encaminhou para fora da quadra.

Foi um tranquilo dia de aulas, apesar de tudo que estava acontecendo ao mesmo tempo. A disputa pela presidência, o que eu tinha conversado com Alec nos últimos dias, ele e Lucy estarem em uma crise.

Naquele almoço, preferi me sentar com Demetri em uma mesa separada, para poder ter um pouco de paz. Não que Alec estivesse na que costumávamos sentar, pois ele não estava em lugar algum do refeitório e Lucy estava entretida demais em debater com Riley, para se preocupar em ir atrás dele.

–Então, como você foi aceitar participar do grupinho dos meninos? –perguntei para Demetri, que estava tirando algumas fotos minhas.

–Riley primeiro chamou a Gabs, ai ela disse que toparia se eu também fosse participar. Riley não teve escolha, mas eu estou na mesma turma de Economia e História que ele, o cara sabe que não sou um tapado para política, então posso ser um bom aliado.

–Só lamento informar que da Lucy vocês não ganham, as meninas, Jacob e eu nem precisaríamos estar com ela para que ganhasse. Lucy Denali realmente sempre vence.

–É, eu sei disso –Demetri riu –Mas por que você está meio abatida, Ness?

–Preciso te contar umas coisas –suspirei, em seguida contando tudo que tinha acontecido desde a nossa última conversa para valer.

Acabou que Demetri não soube como me ajudar com aquela confusão, até porque ele nem conhecia Alec de verdade para julgar os sentimentos do inglês. A recomendação do meu amigo foi que eu pensasse com calma em tudo que faria, pois não era a única que sairia machucada de uma situação como aquela.

Alexander não estava em nossa aula de artes após o almoço, o que foi um alivio. Mas já estava começando a me preocupar com ele matando tanta aula e não aparecendo nem para comer, em algum momento ele deveria encarar tudo, como eu estava me esforçando para fazer.

Na penúltima aula, Lucy me informou que teria um assunto para resolver depois da aula, então disse que não poderia me dar carona aquele dia também. Quando questionei que assunto era, minha melhor amiga apenas sussurrou o nome do namorado.

Durante a Educação Física e por sorte minha última aula, naquela longa terça-feira, liguei para papai, pedindo que ele fosse me buscar no fim das aulas. Ele concordou, mas disse que atrasaria um pouco, que era para eu ser paciente e esperá-lo.

Alec também não estava na aula de Educação Física, mas não era só ele, Lucy também não estava ali. Aquilo só me fez ficar nervosa e me sair de um jeito vergonhoso durante a partida de vôlei.

Como meu pai iria demorar em me buscar, depois da aula, decidi ir até a biblioteca. Quem sabe um pouco de leitura fosse me fazer bem, eu com certeza iria ficar muito mais animada com um livro novo para ler.

Acenei para a bibliotecária, mas ela estava concentrada lendo 50 Tons de Cinza e nem me viu entrar, ela suspirava e ficava enrolando seu cabelo em seu dedo, tentei não rir da situação, mas era engraçado demais. Para não ser expulsa dali, tratei de caminhar em direção a sessão de romances, constatando que eu era a única na biblioteca.

Aparentemente, o diretor não se importou de renovar os livros, então eu me deparei com todos que tinha lido no ano passado. Revoltada com aquilo, procurei por um em especial, na tentativa de que ao menos algo familiar me acalmasse um pouco.

Não demorei muito para achar Se Eu Ficar, um sorriso instantâneo se formou em meu rosto ao me lembrar do enredo e de que em poucas semanas o livro ganharia uma adaptação para o cinema. Deixei minha mochila cair no chão, em um baque surdo e me recostei na prateleira para ler algumas passagens do mesmo.

Estava concentrada na leitura, em uma das minhas partes preferidas, quando ouvi uma risada rouca próxima a mim. Abaixei o livro e vi o par de olhos azuis me encarando de muito perto.

–O que quer, Alexander? –indaguei, vendo o sorriso presunçoso se formar nos lábios dele.

–Nada –ele deu de ombros –Só vim procurar algum livro para ler –ele começou a passar a mão pelos livros que estavam próximos de mim.

–Na sessão de romance? Por favor, não teste minha inteligência –bufei.

–Qual é? Quer dizer que eu não posso ler um romance, mas você pode ler esse livro brega?

Se Eu Ficar não é brega! –disse revoltada com ele, minha voz soou bem mais alta do que devia, mas a bibliotecária, onde quer que ela estivesse, estava concentrada demais no Senhor Grey para me mandar calar a boca.

–É um livro para menininhas, na verdade eu acho que nem minha irmã leria isso. É uma história patética, confesse –lançou um de seus olhares para mim, aquele maldito olhar azul de quando queria encarar alguém, como se quisesse que a pessoa contasse todos seus segredos para ele.

–A história do Adam e da Mia não é patética, você é patético! –exclamei, ergui minha cabeça, querendo aparentar ser um pouco mais alta do que era, o que não adiantava muito, já que eu batia no queixo dele.

–Adoro quando você se revolta, fica parecendo uma selvagem –ele provocou, umedecendo os lábios com a língua e eu não consegui desviar minha atenção da boca dele.

–Ah sim, você com certeza é patético! –disse de forma efusiva –Você é o um idiota também –não desviei meus olhos da boca dele, por mais que quisesse desesperadamente olhar para outro lugar.

–Renesmee –ele sussurrou meu nome, se aproximando ainda mais de mim, ao ponto que nossos corpos ficaram a centímetro de distância. Conseguia sentir a respiração dele, mas ao menos desviei meu olhar para seus olhos –Eu não sou patético.

–Sim, você é –foi minha vez de sussurrar.

–Não, eu não sou –uma de suas mãos afagou meu rosto e eu suspirei.

Eu não era nenhuma idiota, sabia muito bem o que viria depois daquilo. Devia ter batido nele, gritado ou ido embora, mas eu não fiz nada disso, permaneci onde estava, esperando o ato se concretizar.

Segundos depois de continuarmos no encarando, Alexander fechou os olhos e inclinou-se na minha direção. Por um momento eu senti que meu coração saltaria pela boca, pois aquele garoto era lindo e estava prestes a me beijar, mas antes que eu sofresse um ataque cardíaco, ou qualquer coisa do gênero, Alec uniu nossos lábios.

Nada, nada, absolutamente nada passou pela minha cabeça naquele momento. Nem mesmo Lucy que era minha melhor amiga e a namorada dele. Eu só conseguia pensar na boca de Alexander na minha e no quanto queria aquilo acontecesse, principalmente depois do que passamos em nossa primeira aula de artes.

Ambas as mãos de Alexander foram parar em meu rosto e se aquilo era para eu não escapar, ele estava fazendo a toa, porque não queria interromper aquele beijo. Tanto que fui eu quem o aprofundou, começando a mover meus lábios contra os dele, sendo retribuída instantaneamente.

Alexander tinha gosto de coca-cola e aquilo não me incomodou, eu só conseguia pensar em beijá-lo ainda mais. O livro que estava em minha mão caiu no chão e nem mesmo aquilo me importou, minhas mãos foram para seu cabelo, enquanto as dele deslizaram para minha cintura, extinguindo qualquer distância que ainda existia entre nós dois.

A língua dele tocou a minha, o que me fez gemer e puxar com um pouco de força o cabelo de sua nuca, como resposta ele apertou minha cintura, chegando a elevar meu corpo. Minha respiração estava completamente descompassada e eu já sentia um infarto se aproximando, mas nem mesmo nervosa como estava, conseguia me afastar dele.

A grande verdade era que eu não queria me afastar de Alec, não enquanto suas mãos estavam em meu corpo e sua língua explorava minha boca como nenhum outro cara tinha feito para valer. Isso sem contar com o cheiro do perfume dele, que me deixava inebriada e na maciez do seu cabelo escuro entre meus dedos.

Para meu total desgosto, aos poucos o beijo foi perdendo ritmo e Alec o terminou de vez sugando de leve meu lábio inferior. Só que o termino do beijo não fez ele se afastar, muito pelo contrário, seus braços rodearam meu corpo e Alexander encostou sua testa a minha.

Não falamos nada, eu estava perdida demais na lembrança do beijo e sentindo sua respiração para falar qualquer coisa ou começar a sentir culpa de algo. Eu não tinha ideia do que se passava na cabeça dele, só esperava que não fosse algo relacionado comigo sendo uma péssima escolha para se beijar.

Antes que eu me recuperasse do primeiro beijo, a boca dele voltou a se chocar contra a minha, só que daquela vez ele estava me abraçando e foi muito mais gentil. Eu não pude evitar um sorriso entre o beijo, não sei porque sorri, mas eu estava me sentindo muito bem e com vontade de sorrir.

Aquele beijo foi finalizado com um selinho demorado e logo depois Alexander se afastou, me fazendo sentir um vazio enorme por não estar mais nos braços dele. Abri os olhos e ele já me encarava.

–Eu terminei com a Lucy!

Notas finais
Gostaram? Por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. 29.12.14