Teenage Dream
24 Capítulo Vinte e Três- Escuro
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Três- Escuro
“Pare e espere um segundo
Quando você olha para mim assim
Minha querida, o que você esperava?
Eu provavelmente ainda adoro você
Com suas mãos em meu pescoço
Ou adorava da última vez que chequei”- 505, Arctic Monkeys
Alexander tentou falar mais alguma coisa, mas aquela altura Lucy já tinha aberto a porta do motorista e pedido para ele sair, ele tentou protestar, mas ninguém conseguia bater de frente com a loira, ainda mais quando ela estava determinada como naquele momento. O inglês disse que conversaríamos melhor no dia seguinte e saiu do carro, deixando minha amiga voltar para sua posição.
Eu contei a ela sobre minha rápida e conturbada conversa com Alexander, mas Lucy não disse nenhuma palavra, nem mesmo um “sinto muito”. A expressão em seu rosto era quase indecifrável, mas eu podia notar raiva e ressentimento, com certeza estava assim por Alec ter me magoado e parte de mim ficou grata por tê-la me apoiando naquele momento.
Assim que Lucy parou o carro na frente da minha casa, meu choro multiplicou, só por me lembrar de quando Alec e eu ficávamos sentados naquela varanda conversando, ou apenas fazendo nada além de olhar a rua. Aquilo doeu, me deixava angustiada ao ponto de querer bater em algo para distrair minha mente do sentimento abafador que se encontrava em meu peito.
––Eu posso ir para sua casa? –perguntei para Lucy, mas ela balançou a cabeça gesticulando um não.
––Quero conversar e você provavelmente vai ficar com raiva de mim, então é melhor que esteja na sua própria casa ––saltou para fora do carro do namorado, pegando minhas malas e me fazendo sair junto com ela, sem tempo algum de contestar o que tinha dito.
Controlei o choro ao sair do carro e entrar em casa, mas era óbvio que os restos das lágrimas ainda estavam marcadas na minha face. Não precisou de muito para meus pais perceberem que algo tinha acontecido quando pisei na sala de estar, onde todos estavam.
––Renesmee, o que houve? Aconteceu algo com a sua irmã? ––mamãe começou a jogar suas perguntas em cima de mim.
––Tia Bella, tio Edward, Rachel está bem ––Lucy respondeu por mim ––Mas se me permitem eu realmente preciso ter uma conversa importante com a Renesmee e agradeceria muito se não nos atrapalhassem, depois vocês podem perguntar o que quiser.
Vi minha mãe abrir e fechar a boca diversas vezes, mas ela acabou assentindo e deixando com que Lucy me levasse para meu quarto. Não olhei para meu pai, com medo dele fazer com que eu chorasse ainda mais por ser tão paciente quanto a tudo que eu fazia e mesmo assim me apoiar em tudo que eu escolhia, mesmo quando não parecia algo promissor.
Lucy trancou a porta quando chegamos em meu quarto, me mandou sentar e jogou minhas malas de qualquer jeito dentro do armário. Eu a olhava confusa, sem ter ideia do que a garota tinha de tão importante para falar comigo quando eu claramente só precisava me recompor do maldito termino do meu namoro.
––Antes de qualquer coisa, quero que você saiba que eu te amo Rê ––Lu afagou meus cabelos soltos e bagunçados ––Não vou falar tudo que tenho para te falar só por maldade, pelo contrário, é para te ver melhor consigo mesma.
––Alexander realmente beijou Heidi e você sabe disso? ––questionei.
––Isso não tem nada a ver com eles, isso tem a ver com você e com a sua vida.
––Do que está falando? ––senti um arrepio assustador percorrer meu corpo.
––Você tem que parar de se sabotar, Renesmee ––Lucy suspirou ––Você sempre faz isso quando as coisas ficam pesadas demais, simplesmente pula fora por medo.
––Não estou entendo nada do que está falando!
––Renesmee, você tem medo do futuro e sabe muito bem disso ––Lucy sentou na cama de Rachel de frente para mim ––Você vive o momento até onde ele é considerado presente, quando isso se torna algo que pode afetar seu futuro, é ai que você o chuta.
––Lucy, você...
––Me deixa terminar de falar ––me interrompeu ––Por que não me contou naquele dia da inauguração do hospital que tinha encontrado um cara que parecia legal e que você achou muito bonito? Porque você tinha medo de nunca mais vê-lo, tinha medo de pensar em um futuro e nunca o ter.
Foi isso que fez quando foi para a festa do Nahuel, você queria algo de momento, para não se preocupar com um futuro que nada fosse bonito. E mais uma vez foi o que fez quando não me contou que tinha beijado Alexander, porque você tinha medo.
Você tem muito medo de como as coisas vão se resolver, tem medo de se machucar. Por isso até hoje não pensou em uma faculdade, ou ao menos escreveu um livro por inteiro. Rê, essa sua ansiedade e medo de aceitação te colocam para baixo.
Quando as coisas parecem muito boas para você, simplesmente as descarta, pois teme perdê-las quando for mais doloroso ainda. Por isso acabou com Alec, porque não queria esperar até ele voltar para a Inglaterra, pois sabe que seria muito mais doloroso.
Para de fazer isso! ––Lucy disse em um tom que me fez ficar assustada para valer ––Para de ter medo do seu futuro, isso não vai te ajudar em absolutamente nada. Para de fantasiar que vai viajar pelo mundo e que isso vai acontecer sem esforço nenhum, ou que você não gosta de Sun West.
Para de fingir que você sente raiva pelo que Emmett fez com o próprio futuro, quando está óbvio que só queria ter dito ao seu irmão que estava ao lado dele. Para de tentar ser a Rachel porque na sua cabeça tudo dá certo para ela. Para de afastar sua mãe só porque ela quer saber mais sobre você. Só para de se sabotar ––Lucy suspirou, com lágrimas em seu próprio rosto.
––E por que você não para de deixar os seus pais te comandarem? ––devolvi com raiva ––Ou por que deixou James te tratar como uma vagabunda?
––Ou por que acreditei estar apaixonada por Alexander só porque ele foi gentil ––Lucy continuou ––Porque diferente de você, eu não tenho medo do futuro. Eu quero estar bem no momento, para estar melhor depois.
Meus pais me proporcionam estudo, dinheiro e o que eu mais quiser, podem não me amar, mas pelo menos o dinheiro deles serve para algo e vai servir no futuro. James era de boa família, bonito e com um futuro brilhante, eu o queria para ter alguém me mantendo segura. E Alec me tratava bem e fazia com que eu me sentisse uma pessoa boa, isso era algo que eu também queria para o meu futuro.
––Lucy ––sussurrei ––Eu não quero terminar sozinha, eu não quero perder as pessoas, eu não quero deixar Sun West. Lá fora é bonito, mas tão amedrontador, não vou me destacar, vou ser jogada de lado como um nada.
––Eu sei que pensar onde estaremos daqui a dez anos é assustador ––Lucy pulou para minha cama ––Só que você não pode tentar pausar o presente ou ficar voltando ele incansavelmente. Sei que terminou com Alexander por conta da foto e que ele deu um bom motivo para isso, mas você gosta dele e esse assunto podia ter sido resolvido de outra forma, não com um termino.
––Eu não sei se estou pronta para perdê-lo no verão que vem ––engoli em seco ––Talvez seja melhor deixá-lo sair da minha vida agora, quem sabe assim eu amadureço o suficiente para passar a aceitar que o futuro está na porta.
––Você que sabe ––Lucy pegou minhas mãos na sua ––Eu só não quero te ver se afastando de tudo para evitar sofrimento, lembra o que o professor Whitlock nos disse no primeiro dia de aula?
––Sejam bem vindos? ––arrisquei, ganhando um revirar dos olhos azuis de Lucy.
––Ele disse: “Acredito que não há nada nesse mundo que pode ser conquistado sem luta e sofrimento”. Teremos um futuro incrível se batalhamos para isso, podemos sofrer, mas vamos ser recompensadas ––Lucy limpou minhas lágrimas ––Se terminar com Alec é o que você quer, tudo bem, mas aceite que foi escolha sua para seu futuro.
Concordei, mesmo sem saber se no dia seguinte eu voltaria ou não com Alexander. Lucy passou mais algum tempo segurando em minhas mãos, deixando com que eu chorasse baixinho em seu ombro. Sabia que as palavras dela tinham sido sinceras, o medo que eu tinha do futuro era irritante, mas pensar que eu estaria jogada no mundo sem uma proteção e correndo o risco de me ferir de várias formas fazia com que eu ficasse com mais medo ainda.
––Eu preciso ir para casa ––Lucy murmurou ––Ainda tenho que devolver o carro de Riley.
––Pode contar aos meus pais que Alexander e eu tivemos uma briga por conta de uma festa que ele foi? E diz que terminamos, vai fazer com que eles me deixem em paz por algum tempo ––pedi.
––Pode deixar ––Lucy beijou minha bochecha ––Qualquer coisa liga, okay? Eu passo amanhã para te levar para a escola.
––Obrigada ––agradeci, a vendo ir embora.
Meus pais não apareceram, o que me aliviou muito, pois naquele momento eu só queria ficar sozinha. Desliguei meu celular evitando todas as mensagens e ligações perdidas, peguei o saco de dormir que eu tinha levado para Los Angeles e o arrastei para dentro do armário.
Eu não queria dormir na minha cama e ficar olhando para as estrelas idiotas no teto, elas pertenciam a garotinha que queria desbravar o mundo, não a adolescente que estava assustada com o futuro. Ali, dentro de um armário com cheiro de perfume, eu fiquei rabiscando o que era para ser um poema, mas ele não saia como devia e eu comecei a tentar desenhar algo, o que também não deu certo.
––Eu quero ser grande ––coloquei as mãos sobre meus olhos e disse para mim mesma ––Eu quero ficar em primeiro lugar. Eu quero viver sem ter medo. Eu quero ter um futuro.
O choro voltou a irromper em meu peito e quando me dei conta, estava me arrastando para fora do meu quarto, indo parar na porta dos meus pais. Bati algumas vezes, os chamando com a voz rouca por conta do choro de todo aquele dia, eu parecia muito com a mesma garotinha das estrelas, a que tinha medo de escuro e pediu para o pai aquilo para mantê-la iluminada.
––Medo do escuro? ––papai me lançou um sorriso triste quando abriu a porta.
––Medo do futuro ––murmurei.
––Quer dormir com a gente? ––ele questionou, mamãe apareceu na porta, olhando de forma preocupada para mim.
––Quero dormir com a mamãe ––fui para o colo dela, onde chorei mais e mais.
Papai sempre tinha sido minha segurança na família, era para ele que eu corria quando precisava de ajuda em algo. Vovô sempre foi a melhor pessoa para estar ao lado. Emmett sempre me fazia rir. Rachel era o exemplo que eu queria seguir, mas mamãe e eu nunca tínhamos sido próximas o suficiente para ela ter um lugar especifico para mim.
Só que ali, chorando em seus braços, eu percebi que ela era tão maior do que todos os outros. Ela podia não ser tão compreensiva como meu pai, ou tão sábia quanto meu avô, nem tão engraçada quanto Emmett, nem o exemplo que eu queria seguir. Mas ela era minha mãe e sempre e foi a pessoa que me deu a vida, isso significava mais do que tudo.
Não vi papai sair do quarto, mas logo notei que estávamos apenas nós duas ali, comigo deitada em seu colo na cama, chorando tudo que ainda me restava. Mamãe cantarolava uma música antiga, enquanto afagava meu cabelo, era a primeira vez que ela não perguntava nada sobre meu estado, apenas cuidava de mim como eu precisava.
Somewhere Over The Rainbow, da trilha sonora de O Mágico de Oz, aos poucos conseguiu me acalmar e quando dei por mim cantarolava a letra junto com ela. Só que notei o quanto a voz de mamãe era infinitamente mais bonita do que a minha e fiquei encantada com aquilo.
––Essa música é bonita ––notei pela primeira vez.
––É a minha preferida ––mamãe murmurou ––Vai tudo ficar bem, meu amor ––ela acariciou meu rosto, por onde as lágrimas rolavam anteriormente ––Amanhã é um novo dia e você poderá se livrar dos seus problemas. O futuro pode ser assustador, mas pense nele como um passo de cada vez, amanhã é o futuro de hoje e assim por diante.
––Dessa forma não parece tão ameaçador.
––Não mesmo ––os lábios dela tocaram minha cabeça ––Eu também tinha medo do futuro Nessie, mas eu superei.
––Como?
––Eu me apaixonei ––sorriu ––Pelo seu pai, pela família que construímos, quando se ama você deseja o futuro mais do que tudo, pois o presente parece pouco demais para tanto amor.
––Mamãe, Alexander tirou uma foto com uma garota de forma insinuante ––comecei a contar ––Não sei se eles não ficaram realmente, ou se ele está mentindo para mim, mas isso dói muito, porque eu confiei muito nele e essa foto é tão humilhante.
––E você terminou por isso?
––Sim, eu não sei se confio nele, ou se mantenho esse termino.
––Tire alguns dias para pensar, se Alec realmente gostar de você vai entender que a situação foi bastante confusa para você, ele irá ter que esperar sua resposta definitiva sobre isso ––ela me aconselhou, com tanta calma que aos poucos me sentia mais confiante.
Mamãe e eu estávamos nos saindo tão bem, que eu decidi que era a hora certa de abrir o jogo para ela, tinha que fazer isso algum dia, então nada melhor do que naquele que eu já estava no fundo do poço. Afastei meu corpo do dela e a encarei de forma séria.
––O que foi? ––perguntou.
––Mamãe, eu acho que não quero ir para a faculdade ––disse o mais baixo que pude, mas pelos olhos arregalados e o suspiro decepcionado, ficou mais do que óbvio que ela tinha ouvido muito bem minhas palavras.
––Por que não, Renesmee? ––perguntou, mas sem se alterar como eu esperava que iria fazer.
––Acho que nenhum curso é o que eu quero, as faculdades também não me atraem como acredito que deveriam, mas para falar a verdade acho que ainda não encontrei meu lugar no mundo. Mas juro que estou trabalhando nisso, juro mesmo.
––Posso pedir que você ao menos se inscreva em algumas faculdades? Apenas por garantia.
––Pode me ajudar a escolher algumas? ––pedi ––Eu preciso da sua ajuda, mãe.
––Eu vou te ajudar querida ––concordou ––E vamos fazer isso agora, porque nós duas estamos nos dando bem demais para esperar amanhecer para isso.
A fala dela me fez rir e mamãe foi buscar seu notebook, passamos um bom tempo debatendo quais cursos e faculdades poderiam ser melhores para que eu me inscrevesse quando o período de inscrições se iniciasse. Acabamos por escolher Escrita Criativa na Universidade de New York, Literatura Inglesa na Universidade da Califórnia e na da Flórida, Estudos Avançados em Harvard, o que era bem tendencioso.
Depois daquilo, mamãe e eu voltamos a cantar Somewhere Over The Rainbow até que adormecemos. Eu pensava que depois daquele longo dia, dormir seria repleto de pesadelos assustadores, mas talvez a presença dela ao meu lado espantou cada um deles e eu me senti protegida, da mesma forma que eu me sentia com papai e muito mais do que me sentia com Alec.
Não permiti ficar deprimida no dia seguinte, eu não queria ficar sofrendo por ter terminado com Alec, muito menos por estar sem ideia do que faria com meu futuro assustador. No caminho para a escola, fiz Lucy cantar as músicas mais animadas que eu tinha em meu celular comigo e mesmo que muitas delas me lembrassem Alexander, não desanimei.
––Então, Heidi postou a foto ontem pela manhã e ela tem vários seguidores da escola em suas redes sociais, levando em conta que até mesmo as pessoas que não devem segui-la podem ter visto a foto, todos já sabem que meu ex namorado esteve de um jeito no mínimo bem próximo dela ––comentei enquanto Lucy estacionava o carro em sua usual vaga.
––Não se preocupe, Rê ––ela sorriu convincente para mim ––Lucy está aqui para te defender e todos seus amigos também ––apontou para o queixo, onde os meninos e as meninas estavam, até mesmo Demetri e Gabriella estavam com eles.
Aquilo me deixou mais segura e eu sai do carro de Lu, indo para a rodinha com meus amigos. Nenhum deles mencionou o ocorrido ou me olhou com cara de tristeza, Bia narrava nossa aventura em Los Angeles e continuou, então a ajudei a contar a história e foi muito bom estar com amigos e rir um pouco.
A aula de história naquele dia foi a melhor do ano, o professor Whitlock estava falando sobre Nazismo e Fascismo e quando se cresce em uma casa com um ex militar se aprende muito sobre isso, então eu não calei a boca durante a aula inteira. Só que não conversando algo que não tinha nada relacionado a aula, estava realmente participando dela ativamente e o professor até mesmo elogiou minha excelente contribuição para a matéria.
Na aula com William, eu o ajudei com a matéria, já que estava mais avançada do que ele em alguns tópicos da mesa. Estava me sentindo bem, tinha trancado todos os pensamentos ruins no fim da minha mente e joguei a chave, entretanto, misteriosamente o baú foi aberto quando vi Alexander em nossa aula juntos.
Sentei ao seu lado, contrariada, mas não tinha outra alternativa a não ser aceitar aquilo. Alec não falou nada, mas me olhava tanto que chegava a incomodar. Decidi aproveitar que meu padrinho, o bendito professor estava ocupado colocando cálculos idiotas no quadro, para rasgar um pedaço de folha do meu caderno e escrever um bilhete para Alexander.
“Eu preciso de tempo, não me questione quanto isso vai demorar, mas estou enojada demais para até mesmo ficar perto de você agora. Não sei o que estou sentindo e ontem tive o pior dia da minha vida graças aquela foto, ainda gosto de você, mas não é o suficiente agora. Espero que entenda isso, você pode fazer o que quiser da sua vida até eu te dar uma resposta definitiva sobre o que falei ontem à noite. Só quero que me deixe pensar em paz, eu preciso disso!”
Alec passou um bom tempo com os olhos pregados no pedaço de papel, até que o amassou e o jogou dentro de sua mochila. Ele segurou minha mão entre as suas, fazendo com que eu me sobressaltasse, mas foi só aquilo, um simples toque e seu olhar angustiado.
––Você tem medo do escuro? ––perguntei aos sussurros, enquanto sua mão quente continuava tocando a minha.
––Eu estou no escuro agora mesmo por você não confiar em mim ––soltou da minha mão, recolheu suas coisas e saiu da sala batendo a porta, sem nem ao menos dizer uma palavra para o professor.
No horário do almoço pedi que Demetri me encontrasse na lanchonete, depois de todo desabafo com minha mãe e Lucy, eu precisava de uma dose do meu melhor amigo. Primeiro falamos sobre ele e Gabriella, obviamente o briguei por ainda não ter pedido a garota em namoro, mas o Albino soube muito bem virar o jogo para mim.
––Alexander não ficou com a Heidi ––falou.
––Como você sabe? ––indaguei.
––Eu fui para a festa ––Demetri tirou mais uma foto minha, quase me cegando com o flash ––Não faz essa cara de surpresa, eu também posso me divertir. Mas enfim, Riley, William e seu ex namorado ou sei lá o que me convidaram para ir, já que nossas garotas tinham nos abandonado para ir a Los Angeles. Alec realmente não ficou com Heidi, ela se atirou muito nele, mas ele não correspondeu.
––Mesmo assim não estou pronta para dar uma resposta a ele, não é só a foto, é a minha vida ––passei a mão pelo cabelo, tentando acalmar a cabeça latejante.
A aula de economia que eu tinha com Alexander foi mais uma tortura, só não foi tão pior porque a professora estava de fato dando aula, mas quase não atraía a atenção de ninguém para ela. Então fiquei pensando em o quanto queria tocar em Alec, beijá-lo e sentir seu cheiro, mas não iria acontecer tão cedo.
O resto do dia passou tão rápido, que quando me dei conta estava deitada em minha cama, olhando para as estrelas que tinham ali, querendo que elas me dessem uma resposta para todas as duvidas que me assombravam. Naquela noite eu sonhei, que Alec beijava Heidi e acordei chorando, mas o que fiz foi apenas voltar minha atenção para as estrelas.
A terça-feira na escola serviu para eu ver que meus amigos, apesar de gostarem de mim, também gostavam de Alec. O inglês já estava fixado no nosso grupo e como ele não tinha me traído como todos afirmavam, ninguém o excluiria.
Pelo menos Lucy não nos deixou ficar sentados próximos na mesa do almoço, fazendo uma distância entre nós dois, não que Alexander estivesse interessado em falar comigo. Passou aquele horário inteiro em uma briga boba de queda de braço com William, onde perdeu e mesmo assim conseguiu rir de si próprio.
Lucy conseguiu que eu fosse dispensada mais cedo do trabalho naquele dia para irmos comprar nossas fantasias para a festa de Halloween que Jacob daria em sua casa na sexta-feira, aproveitando a ausência de seus pais na data. Eu dispensaria aquela festa muito facilmente, mas sabia que Lu me perturbaria até que eu aceitasse ir.
As meninas, incluindo Gabriella, se encontraram conosco na loja de fantasias. Depois de vermos várias fantasias, Lucy nos convenceu a seguirmos um padrão, o que ela definiu como Halloween das Princesas, patéticos, mas acabamos todas com fantasias de princesas da Disney.
Lucy era a Cinderela, Beatriz a Bela e precisou de uma peruca castanha para completar o visual, Alice quis ser a Aurora e como Bia precisou de uma peruca, só que loira. Gabs escolheu a Branca de Neve e eu com toda certeza fiquei com a Ariel, só que de cauda e não vestido.
Os vestidos delas eram bem ousados e sexys, parando bem antes da metade da coxa, mas pelos menos suas barrigas ficariam cobertas, diferente da minha, que iria usar algo que parecia uma concha meio azulada para tapar os seios. Era ridículo, mas no momento não ligava nem um pouco para aquilo.
Na hora do almoço na quarta-feira Alice conseguiu derramar suco em sua blusa branca e me obrigou a ir com ela até o banheiro trocar, eu fui, pois estava no modo automático para tudo. Comer, falar, andar, a única coisa que realmente prendia minha atenção eram as estrelas no teto do meu quarto e o quanto eu sentia vontade de tocar as reais, depois disso eu debatia comigo mesma sobre futuro e nunca tinha uma resposta boa suficiente para minhas próprias dúvidas.
––Ah, não acredito que a estrela da equipe da torcida está grávida, deveríamos ter suspeitado disso antes ––minha audição se apurou ao ouvir aquilo e apressei meu andar para dentro do banheiro, encontrando uma chorosa Rosalie contra a parede, com Heidi e Renata rindo na cara dela ––Você não sabe nem dar, Rosie?
––Heidi, se afasta da Rosalie agora mesmo! ––gritei, chamando atenção daquela vaca e da vaca amiga para mim.
––Olá Renesmee, como vai o namoro? ––Heidi se afastou da minha cunhada, vindo em minha direção ––Sobreviveu depois da farra que Alec e eu tivemos no Sábado? Ele beija bem, você tirou uma moeda da sorte com ele, bonito, inteligente e rico, quem sabe assim você deixa de ser a pobretona andando entre as pessoas que realmente tem poder aquisitivo. Seu lugar é muito inferior ao meu, sua idiota.
O que ela falou me deixou com tanta raiva que não pensei em absolutamente nada, apenas deixei minha mão acertar em cheio a mesma bochecha que Alexander estava beijando naquela maldita foto. Me senti muito mais aliviada depois de bater nela, mas logo me dei conta de que ela era a filha do diretor da escola e eu estava encrencada.
––Parabéns por conseguir arruinar sua vida de merda ––mesmo tocando onde eu tinha batido, ela sorria ––Vai conseguir no mínimo uma suspensão.
––Não tão rápido, escuta isso ––Alice bloqueou a saída de Heidi, mexeu em seu celular e as palavras dirigidas por Heidi a mim anteriormente foram repetidas ––Acabei de enviar isso para nossos amigos mais próximos, então nem tenta apagar ou quebrar meu celular, se falar uma palavra sobre esse pequeno tapa, seu pai também vai te suspender. Talvez seu castigo seja bem maior, já que você e essa sua amiguinha ai estavam coagindo Rosalie.
––Vocês são duas idiotas ––Heidi bufou, mas claramente tinha se sentindo ameaçada o suficiente por Alice ––Vem ––ela agarrou o pulso de Renata a puxando para fora do banheiro.
Alice sorriu e foi trocar sua blusa, enquanto eu ia acalmar Rosalie, que me disse que as duas vacas tinham notado a barriga dela grande, afinal já estava de quatro meses. Ela disse que não dava mais para esconder aquilo, então dali em diante teria apenas que admitir estar grávida para todos da escola.
Levei Rose para a enfermaria, pois ela queria uma dispensa para voltar para casa e depois dela sair da escola, voltei para a mesa do almoço. Todos ali me lançaram olhares apreensivos, pois tinham recebido o áudio enviado por Alice, mas ninguém comentou nada, nem mesmo Alec.
Na aula de artes que tive com Alec na quinta-feira, a professora decidiu nos beneficiar com um horário inteiro sobre um documentário à respeito da arte na Coreia do Sul, o que era quase certo que todos dormiriam ou conversariam aos sussurros. Alexander foi o primeiro a encostar sua cabeça na mesa, escutando música em seus fones de ouvido.
Ele estava de olhos, mas eu já o conhecia bem o suficiente para saber que não estava dormindo. Apoiei minha cabeça na mesa também, roubando um de seus fones e colocando em meu ouvido, Alec imediatamente me olhou, mas não falou nada, deixando com que eu ouvisse com ele a música quase fúnebre 505 do Arctic Monkeys.
Continuamos nos encarando, com a música servindo de plano de fundo entristecedor. Alec foi o primeiro a tomar uma atitude e começou a afagar meu rosto, fazendo com que eu sentisse as lágrimas tomarem conta dos meus olhos, seus dedos percorreram cada contorno da minha face, mas sem tirar os olhos da cor do mar dos meus.
Quando a música ficou mais angustiante ainda, aproximei minha cadeira da dele e me aconcheguei em seu corpo, sentindo seu calor e seus braços me envolvendo. Não nos beijamos, muito menos falamos qualquer coisa, apenas ficamos naquela proximidade estranha, sentindo um ao outro.
Eu sabia que ele percebia a carga emocional pela qual eu passava, como eu também sentia a dele. Assim como a minha, sabia que tudo que o deixava chateado, nervoso e triste não se baseava apenas em nosso namoro, mas a vida que tínhamos de forma geral e aquilo me deixou pior, pois eu temia que não fosse a garota certa para Alec como Lucy gostava de afirmar.
Pela primeira vez desde o nosso termino, eu dormi sem precisar do colo de mamãe ou contar as estrelas em meu teto. Alexander estar comigo me manteve tranquila por um tempo e eu simplesmente apaguei no meio da aula de artes, sem me importar com mais nada.
Fomos acordados no fim da aula por uma compreensível Jessica Stanley, que não disse nada além de nos dizer que devíamos ir para nossa próxima, o que foi bem gentil da parte dela. Alec e eu nos afastamos novamente e fomos para onde deveríamos ir, mas não juntos, pois não tínhamos resolvido nada entre nós dois.
Eu amei minha fantasia de Ariel, com minha falsa calda e mesmo com minha barriga de fora, o que resultou em papai e vovô me brigando por conta dela. Era Halloween e eu estava fantasiada como a minha personagem preferida da Disney, ainda que em uma versão sexy dela, mesmo assim me sentia feliz e pronta para sair do estado de topor.
Tinham fantasias muito variadas na festa, mas as pessoas gostaram muito da minha pela falsa calda, que na verdade era uma saia justa, que se abria em uma fenda para eu poder me locomover melhor. Eu conversava com todos que estavam por ali e a casa de Jacob estava lotada e era uma das mansões da cidade, mas estava disposta a falar com todas as pessoas, pois queria ser legal e extrovertida, não uma chata que estava sempre triste e chorando por tudo.
Além de conversar, também dancei muito, com o bombeiro do local que era Jacob, o fantasma da ópera que era Demetri e dois dos três mosqueteiros, William e Riley. O terceiro era Alexander, os três tinham combinado de ir daquele jeito para não precisarem bater cabeça pensando em fantasias, o que era engraçado.
Em algum momento da festa, quando eu já tinha bebido bem mais do que estava acostumada, comecei a dançar com Alice. Estávamos fazendo o que era para ser uma dança sensual para dois amigos que tinham sido convidados mesmo que não soubéssemos quem eles eram, quando Allie e eu já estávamos ultrapassando todos os limites da dança, eles vieram até nós.
O moreno foi dançar com ela e o loiro veio até mim, eu me revezava entre me dedicar a dança e entornar a garrafa de vodca na minha mão. Aquilo me lembrava algo, mas estava tão fora de mim que não fazia ideia do que era.
Minha atenção, por um instante se desviou do loiro e da garrafa de vodca, indo toda para Alec, que estava dançando com uma garota do primeiro ano. Ela era loira e mesmo sendo nova tinha peitos enormes, o moreno sussurrava algo no ouvido da menina, que ria e cada vez dançava mais perto dele.
Aquilo ferveu meu sangue e fiquei com vontade de fazer um escândalo, mas não podia, pois eu tinha o mandado seguir em frente até que tomasse minha decisão. Quando vi os olhos cor de mar de Alec se fixarem nos dela, todo o ciúmes explodiu dentro de mim e agarrei o loiro com quem eu dançava.
Estava com tanta raiva que o beijo que estava dando no desconhecido foi tão idiota que nem mesmo fechar meus olhos, fechei. Pelo contrário, estava olhando fixamente para Alec, vi o exato momento que ele me viu beijando outro e decidiu que também beijaria a loirinha peituda.
Aquilo me deu vontade de beijar para valer o loiro, mas quando ia fazer isso senti uma vontade estúpida de chorar. O empurrei, correndo para fora da casa de Jacob, agradecendo pela calda falsa ser fácil para se locomover.
A entrada da casa dos Black estava vazia, uma vez que todos estavam refugiados lá dentro para a festa, então pude sentar no jardim e entornar o resto da garrafa de vodca. Eu chorava muito quando vi Alec aparecer, me segurar pelo pulso e me conduzir para o carro dele.
O inglês tirou a garrafa da minha mão, me vestiu em sua jaqueta do time de futebol que estava ali. Ele ligou o som, colocou uma música de uma banda que eu não reconhecia, mas que era alta demais e muito diferente de Muse e Arctic Monkeys.
Quando duas músicas tocaram por completo, ele desligou o som e se virou para mim, os olhos cheios de lágrimas e uma expressão dolorida que me fez ficar ainda pior.
––Hoje é o aniversário de Matthew, a banda preferida dele era System Of a Down ––apontou para o som do carro.
––Você gosta dessa banda? Não faz seu estilo ––consegui falar.
––Eu odeio ––segurou com firmeza no volante, olhando fixamente para frente ––Não sei como ele gostava disso, as letras não fazem sentido para mim, a música é alta demais e eu fico com dor de cabeça toda vez que escuto.
––Então por que estava escutando?
––Porque eu perdi meu irmão ––ele não deixava uma lágrima cair e aquilo me fazia admirá-lo ––Porque ele gostava dessa maldita banda e assim eu me sinto mais próximo dele, mas a cabeça dói tão pouco comparada ao meu peito. Matthew era a melhor pessoa do mundo e simplesmente morreu, do nada, me deixou para trás. Fez mamãe enlouquecer, eu o odeio por ter sido um fraco ––o inglês socou o volante.
––Alec...
––Eu tinha treze anos e aguentei toda a barra sozinho, meu pai se concentrando em seu trabalho, minha mãe querendo se matar, vovó protegeu Jane, mas ninguém me protegeu. Eu fiquei sozinho com a dor, eu fiquei sem meu melhor amigo, eu fiquei no escuro.
––Eu não quero mais ficar no escuro ––sussurrei.
––Por que você é assim? ––me questionou irado ––Você tem tudo! Pais, irmãos, avós. É inteligente, bonita e num piscar de olhos pode ter tudo que quer, por que você é tão fria e assustada?
––Porque eu vi as pessoas ao meu redor tendo vidas péssimas, os pais da Alice morreram e ela ficou sozinha, cresceu e dorme com vários garotos para preencher o vazio. Eu vi meu próprio irmão destruindo a vida dele por conta de mais músculos estúpidos. Vi o pai do Will deixando a família para trás e vi o quanto Beatriz sofreu junto com o namorado. Vi Jacob sendo julgado por ser gay.
Vi Demetri ser agredido durante sua vida inteira pelo padrasto alcoólatra. Vi Lucy fazer tudo que um garoto queria pensando que o amava, mas não era amor, porque ele não cuidava dela. Você não viu o que vi naquela época, Lucy teve crises terríveis quando James terminou com ela e eu não sabia o que fazer.
Eu me sinto tão imponente ––solucei ––Eu tenho medo de me magoar como todos eles.
––Só porque as outras pessoas passaram por algo não quer dizer que você vá ––Alec sussurrou no escuro.
––Liga a luz ––apertei insistentemente no botão da luz de seu carro ––Estava tão escuro quando Demetri levou uma facada do padrasto aos dez anos, estava tão escuro quando vi Lucy na caverna, estava tão escuro quando Nahuel tentou me estuprar.
––Renesmee, calma ––ele pediu quando falei a última parte e o choro só piorou.
––Ele me tocou Alec, e eu gostei, eu não devia ter gostado. Eu fui suja, ele ia fazer, eu sei que ele ia fazer aquilo. Eu me odeio por ser tão estúpida! ––bati meus pés no chão do carro.
––Você não é estúpida ––Alec segurou em meus braços ––Só tomou uma decisão errada.
––Eu sempre tomo ––murmurei ––Fui a festa dele, trai a Lucy, afastei minha mãe durante anos e terminei com você. Não acho que tenho medo de me machucar, eu tenho medo de machucar os outros mais do que já machuco, por isso eu sempre estrago tudo.
––Renesmee, você está nervosa, passou um bom tempo sem se lembrar do que Nahuel fez, isso tudo está na sua cabeça agora. Mas você não é nada disso, tudo bem? Só é uma adolescente com medo e que está se sentindo sozinha, isso é normal, é normal para você que gosta de escrever, suas emoções são mais intensificadas e você se descontrola.
––É normal ––tentei me convencer daquilo.
––Até onde Nahuel foi com você aquela noite? ––Alec questionou ––Ele faz mais do que você nos contou?
––Faz tempo demais e eu estava bêbada, mas lembro dele tocando sobre minha calcinha e apertando meus seios, ele mordeu minha boca e foi tão errado. Alec, não posso estar surtando com isso depois de tanto tempo, eu gostei, não foi um abuso.
––Claro que foi ––Alec beijou minha bochecha ––Mas você vai ficar bem, okay? Vai superar isso ––sorriu para mim.
––Você tem que se afastar de mim ––tirei suas mãos de mim ––Eu só faço merda, eu não passo de uma garotinha mimada que tem medo de viver.
––Eu não posso me afastar ––Alec conteve mais uma vez as lágrimas ––Eu gosto da intensidade que tenho quando estou com você, gosto da sua voz, do modo como você desliga nas aulas de cálculo e vai para seu próprio mundo, ou como canta músicas idiotas e mesmo assim as faz parecer incríveis. Eu gosto de tudo em você.
Pulei para o colo de Alec, mas não o beijei, nem fiz nada disso. Apenas coloquei meu ouvido sobre seu coração e o ouvi bater forte, era uma boa canção para aquele momento, me dava esperanças e fazia com que eu me tranquilizasse.
O moreno me abraçou com força, em uma forma de escudo que eu não queria que me soltasse, ele beijava meu cabelo, testa e rosto e pude sentir sua respiração ficar pesada. Não demorou muito para que nós dois estivéssemos chorando e aquilo durou por longos minutos, até que aos poucos nós nos acalmássemos.
––Estamos no futuro ––murmurei contra o peito dele.
––O quê? ––perguntou confuso.
––Hoje é o futuro de ontem, amanhã é o futuro de hoje ––segurei em sua mão, as olhando entrelaçadas ––Ainda é muito assustador, mas eu estou com você, no futuro.
––E está bêbada ––ele riu.
––Um pouco, desisto de tentar ser uma bêbada normal, sempre acabo ficando idiota.
––Tem um jeito de curar essa sua situação.
––Tem?
––Tem, mas é lá dentro ––tirou sua jaqueta do meu corpo e abriu o carro para que saíssemos.
Alexander segurou em minha mão durante todo o caminho até a piscina dos fundos da casa de Jacob, soltando apenas para tirar seus sapatos e chapéu e agradeci por estar até mesmo descalça naquela fantasia de Ariel. Sorri para ele quando nossas mãos se encontraram novamente, aproximei minha boca de seu ouvido e sussurrei:
––Eu não quero que fique escuro.
––Não vai ficar ––Alec disse em tom de juramento, me pegando no colo e pulando comigo dentro da piscina.
Abrimos os olhos quando estávamos no fundo e voltamos para a superfície juntos, os braços dele envolveram meu corpo e sua testa se apoiou na minha. Alec me beijou suavemente, enquanto eu sentia que aquela semana de terror estava se desfazendo aos poucos.
O medo dava lugar à esperança de um futuro que eu pudesse suportar e agarrei toda minha confiança naquilo. Eu não queria machucar ninguém, nem me machucar, então faria de tudo para nada de ruim acontecer, não mais.
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