Teenage Dream

25 Capítulo Vinte e Quatro- Porta


Notas iniciais
Espero que gostem!

Capítulo Vinte e Quatro- Porta

“Se você ao menos soubesse

O que o futuro lhe aguarda

Depois do furacão

Vem o arco-íris” –Firework,Katy Perry

Depois de sairmos da piscina, Alexander e eu nos deitamos no jardim da casa dos Black, apenas ouvindo a festa que acontecia ao nosso redor, mas não estávamos nos importando com ela. Era o dia do aniversário do irmão morto dele e eu tinha acabado de ter uma crise assustadora, então só queríamos silêncio.

A noite não estava estrelada, o que era uma pena, pois eu adoraria dormir sob as estrelas de verdade com Alec ao meu lado. Nossas mãos estavam entrelaçadas e nossos rostos voltados um para o outro, não falávamos nada, apenas nos olhávamos, como se apenas por olhares já estivéssemos nos comunicando.

––Renesmee, Alexander? –––a voz de Lucy me despertou e virei para o outro lado, a vendo de baixo para cima em sua fantasia de Cinderela ––O que aconteceu com você? ––se ajoelhou ao meu lado, passando a mão em meu cabelo molhado.

––Ora, eu sou a Ariel, estava nadando ––brinquei.

––Alec, o que houve? ––Lucy perguntou para eles.

––Nós estávamos curando a bebedeira dela ––ele respondeu, estava encarando o céu, mas não soltava da minha mão.

––Você precisa ir trocar de roupa ––a loira disse em um tom sério, fazendo com que Eu levantasse e com que minha mão se separasse da de Alec.

Olhei para o moreno, que tinha sentado na grama e me olhava de forma apreensiva, não era muito difícil imaginar o que ele estaria pensando. Apesar da nossa conversa em seu carro e do mergulho na piscina, ninguém falou sobre reatarmos o namoro.

––Vocês voltaram? ––Lucy perguntou tensa, tão tensa quanto a situação entre Alec e eu.

––Voltamos? ––perguntei hesitante para ele, Alec sorriu, se pondo de pé e colocando o chapéu da sua fantasia em minha cabeça.

––Voltamos ––confirmou.

––Ai, isso é ótimo ––minha amiga comemorou, parecendo muito aliviada com a notícia ––Alec, sua namorada ––ela sorriu ainda mais ao falar aquilo ––Tinha combinado de ir dormir na minha casa. Riley e eu estamos indo para lá agora, porque meu pai está em San Diego e minha em qualquer outro lugar do mundo, então acho que agora que você voltou com a Rê pode ir para lá também.

––Quer que eu vá? ––Alec me perguntou.

––Claro que quero ––voltei a segurar em sua mão.

––Perfeito! ––Lu exclamou ––Encontro vocês lá ––saiu atrás de Riley.

Alexander depositou um beijo na minha testa e retornamos para seu carro, eu estava começando a ficar com frio por conta do mergulho na piscina, então peguei a jaqueta dele para me aquecer. Tirei o cd do System of a Down do som e coloquei um do Arctic, me sentindo muito melhor ao ouvir as músicas já familiares, fiquei o mais próxima dele o possível e cantamos durante todo o caminho até a casa dos Denali.

Chegamos alguns minutos antes de Riley e Lucy, então ficamos esperando dentro do carro, repetindo as músicas que eu já tinha mais facilidade de cantar. Quando vimos o carro de Lucy parar próximo ao de Alec, ele pegou sua mochila no banco de trás e saímos para a noite que para mim estava congelante.

––Cara, estou tão feliz que vocês voltaram! ––Riley gritou, ele estava tão bêbado quanto eu estava antes, e ainda carregava uma garrafa de cerveja em cada mão.

––Valeu ––Alec riu do loiro, pegando uma de suas cervejas.

Riley bateu uma garrafa na outra no que era para ser um brinde e depois abraçou a mim e a Alec, nos soltando para beijar Lucy e dizer a ela o quanto estava feliz por seus amigos terem se resolvido. Ela apenas riu do namorado, como Alec e eu fizemos e nos fez entrar em sua casa.

––Alec, usa o banheiro daqui de baixo para se trocar, Renesmee e eu estaremos lá em cima por um tempo ––Lucy me fez subir com ela para seu quarto ––Então, o que quer me contar?

––Que eu preciso de um banho e de roupas enxutas ––fui para o banheiro.

––Cuido disso! ––ela gritou do quarto, aparecendo no banheiro com um pijama que eu estava acostumada a usar quando ia para lá.

Lucy ficou do lado de fora do box, enquanto eu ia para debaixo do chuveiro, usando água quente para tomar banho. Antes mesmo que ela fizesse alguma pergunta, eu mesma comecei a falar, não só sobre o que tinha conversado com Alexander naquela noite, mas tudo pelo que eu tinha passado durante aqueles dias.

Quando terminei de tomar banho e de me vestir, fiquei sentada ao lado de Lu no chão do banheiro, nós duas encarávamos os azulejos, enquanto eu falava tudo que tinha para falar. Foi um monologo longo e quando por fim acabei, Lu me abraçou forte e chorou um pouco.

––Devemos denunciar Nahuel e o padrasto do Demetri.

––Lucy, eu não tenho condições de arranjar mais problemas agora ––sussurrei de volta.

––Mas o padrasto do Demetri bate nele, eu nunca suspeitaria disso!

––Não bate mais, isso parou no inicio do ensino médio quando Demetri aprendeu a revidar, mas ameaças verbais ainda estão lá de qualquer jeito ––dei de ombros.

––Pelo menos concorda em denunciar o Nahuel ––Lucy segurou em minhas mãos ––Deveríamos ter feito aquilo naquela mesma noite.

––Lucy, eu não quero me lembrar daquela noite, nunca mais ––implorei, segurando a vontade de chorar novamente.

––Tem certeza? ––perguntou, apenas assenti ––Tudo bem, vamos enterrar isso no passado ––limpou as lágrimas de seu rosto e me ajudou a ficar de pé.

Na sala de estar Riley estava escolhendo alguma música para trocar, mas a cada dois segundos de uma tocada ele a mudava, Alec enxugava seu cabelo já vestido na roupa reserva que estava em sua mochila. Eu sorri para ele quando fui notada e terminei de descer a escada quase correndo, sentei praticamente em cima dele no sofá e o beijei para valer desde que tínhamos terminado.

Fomos interrompidos pela gritaria empolgada de Riley, que só foi contida quando Lucy o obrigou a ir tomar banho. A loira subiu com o namorado para tirar sua fantasia de princesa também, então fiquei sozinha com Alexander.

––Avisou sua mãe que vai dormir fora de casa? ––perguntei.

––Avisei ––concordou ––Disse a ela que dormiria na casa de Riley, então se ela te perguntar isso, confirme ––piscou para mim.

––Ela sabe que tínhamos terminado? ––apoiei minhas pernas sobre as dele, sentindo suas mãos deslizarem sobre minha pele descoberta já que eu estava de short.

––Não, eu não quis comentar isso com a minha família ––estava com os olhos fixos em meus joelhos ––Era a semana de aniversário do Matt, todos imediatamente ficaram reclusos demais para termos qualquer conversa que fosse além de bom dia/boa noite ––contou.

––Desculpa ter sido uma péssima namorada justamente nessa época ––o fiz olhar para mim.

––Eu tive minha parcela de culpa indo aquela maldita festa e tirando aquela foto ––suspirou ––Já me desculpou por isso?

––Sim, eu não quero mais ficar pensando em coisas ruins, isso estava me destruindo ––toquei em seu rosto ––E você tem que fazer a barba, inglês!

––Idiota ––ele riu, voltando a me beijar.

Lucy e Riley demoraram bastante no segundo andar, então Alec e eu pudemos aproveitar o suficiente nosso tempo lá embaixo. Eu estava deitada por cima dele, que já estava sem camisa e com a mão por dentro da blusa do meu pijama, tocando em meus seios de um jeito bastante agradável, mesmo assim não dava para prosseguir.

––Não dá ––interrompi o momento, apesar de querer muito esquecer o que Nahuel tinha feito comigo, não queria nada sexual naquele momento.

––Sei de algo que vai te animar ––Alec me deu um rápido beijo, para então me levar em direção ao som, que estava tocando um rapper qualquer.

O moreno procurou por alguma música entre o pen drive de Lucy e parou quando uma versão acústica de Firework da Katy Perry começou a tocar, eu lembrei de quando ficava cantando aquela música para ele sempre que saíamos da escola, como se fosse nossa própria libertação e ri disso. Coloquei suas mãos em minha cintura e deixei meus braços ficarem sobre seus ombros, começando a dançar com ele ali mesmo na sala de estar dos Denali.

Eu nem mesmo estava me importando com o fato dele ser um péssimo dançarino, continuamos dançando assim mesmo, nos beijando vez ou outra, mas principalmente aproveitando o momento. A música falava sobre futuro e como depois de um furacão o arco-íris apareceria, então tentei acreditar naquilo, que tudo ficaria bem para a gente e que eu teria um futuro legal, com ou sem Alec ao meu lado, mas de preferência com.

Quando a música acabou, fomos para a cozinha, estávamos mortos de fome. Lucy e Riley apareceram logo depois, ambos de cabeça molhada indicando que tinham tomado banho, provavelmente juntos o que levou a demora deles.

––O que estão fazendo? ––ela perguntou ao ver Alec e eu caçando comida em sua geladeira.

––Estamos com fome ––respondi pegando uma maça ––Mas suas empregadas nunca deixam comida pronta na geladeira, o que é bem chato.

––Eu cozinho algo ––Lu riu do nosso estado.

––Perfeito! ––fui me sentar ao balcão, ainda devorando a maça que tinha pegado.

––Você sabe cozinhar? ––Alec perguntou abismado, ficando atrás de mim e massageando meus ombros.

––Sei ––Lucy respondeu, começando a preparar o que fosse que ia cozinhar ––Passo muito tempo na cozinha com as empregadas e Nelly sempre me ensinou a cozinhar.

––Papai a ensinou a fazer a melhor torta de morango da cidade––lembrei-me de quando Lucy tinha dormido em minha casa uns dias antes, e papai a ensinou a fazer a torta que ela sempre gosta de comer.

––Minha garota é tão sexy! ––Riley roubou minha maça, indo ajudar Lucy a cozinhar o que deveria ser alguma massa.

Como eu sabia me virar na cozinha, fui fazer ao menos uma salada para acompanhar nosso prato principal e Alec acabou indo me auxiliar naquilo, não que ele se saísse bem cozinhando. E lá estávamos nós quatro, quase uma hora da madrugada, fazendo comida depois de bebermos, nos jogarmos na piscina e termos chorado mais do que era possível.

Quando a comida ficou pronta nos reunimos na sala de televisão para assistir um filme qualquer, acabamos escolhendo Gente Grande, pela insistência de Riley que devia ser o maior fã do Adam Sandler no mundo. Mas no final das contas era um dos filmes mais engraçados que existia e eu gostei de estar o assistindo enquanto Alexander me dava comida na boca, tirando sarro de mim quando afastava o garfo suficiente para eu não o alcançar.

Em determinado momento Lucy e Riley simplesmente pararam de ver o filme e começaram a se importar mais em se beijar, eles nem mesmo nos deram boa noite e foram para o quarto da garota. Eu fiz questão de terminar o filme, mesmo que Alec já tivesse perdido o interesse e achasse mais divertido ficar jogando em seu celular deitado ao meu lado no chão.

––Cenoura, eu estou com sono ––Alec finalizou seu joguinho ––Vamos dormir ––se levantou, esticando a mão para me fazer ficar de pé.

Concordei e fui com ele para um dos quartos de hóspedes da casa dos Denali, não seria a primeira vez que dormiríamos juntos, levando em conta a nossa última aula de artes, mas seria a primeira vez que dividiríamos uma cama. Era uma das melhores travessuras de Halloween e meu pai me mataria só para me ressuscitar e me matar novamente se descobrisse isso.

Alec desabou na cama, parecendo mais exausto do que eu, depois se agarrou em um travesseiro e estava pronto para dormir. Sem resistir aquilo, comecei a pular sobre o colchão, o vendo abrir os olhos e me encarar assustado.

––O que está fazendo, sua maluca? ––perguntou rindo.

––Pulando ––gargalhei ––Você devia tentar.

––Renesmee, ainda está bêbada?

––Não ––gargalhei ainda mais, parando de pular e caindo próxima a ele na cama ––Eu só estou melhor, porque estou com você e finalmente parei de chorar!

––Então pode pular a vontade ––beijou minha mão.

––Eu quero pular com você, eu quero fazer tantas coisas com você ––coloquei meu corpo sobre o dele ––Sabe, tenho uma lista de coisas que devo fazer até a formatura, quem sabe você possa me ajudá-la a cumpri-la ––sugeri.

––E quais são os itens? ––indagou curioso, passeando seus dedos sobre a pele da minha costa.

––Tem alguns como beijar na chuva, ter um cachorro, viajar com os amigos, fazer sexo ––mordi o lábio inferior dele ao falar a última parte.

––Vamos esperar mais um pouco para esse item, okay?

––Tudo bem, preciso de um bom tempo até tudo aquilo parar de me atormentar, mas quero você comigo nesse item ––coloquei meu rosto em seu pescoço, sentindo o cheiro de sabonete em sua pele.

––Com certeza serei eu ––Alec puxou meu rosto, me beijando durante um bom tempo.

Adormecemos naquela mesma posição, sentir o coração dele, seu calor e principalmente seus braços em volta de mim era tudo que eu podia querer para mim naquele momento. Quando abri meus olhos na manhã seguinte, a primeira coisa que vi foram os olhos de Alexander, semi abertos, mas brilhantes e eu me senti melhor ainda.

Voltar com Alexander normalizou muito minha vida,consegui me concentrar melhor nos estudos, ajudar papai na lanchonete, pensar em coreografias decentes para a equipe e ainda administrar o Grêmio Estudantil.

Novembro, por ser o mês do meu aniversário, era meu mês preferido do ano inteiro. Então foi melhor ainda ter um mês calmo e sem problemas.

Rosalie tinha descoberto o sexo do bebê, seria um menino e meu irmão e a namorada ficaram muito empolgados com isso, pois já tinham ideia de um nome, mas esperariam até o nascimento para revelar. O que eu achei bem injusto, pedi para mamãe ameaçá-los para contarem, mas Isabella Masen estava tão feliz com as novidades do bebê, que esperaria até o nascimento para saber o nome.

Aproveitei novembro para colocar em prática dois itens da lista que eu deveria cumprir, mas nada envolvendo o item de fazer sexo, pois Alec e eu estávamos dispostos a esperar mais um tempo até mesmo para voltarmos as primeiras bases de transar. Então eu comecei a aprender a tocar violão com William, com o intuito de estar pronta para me apresentar no show de talento que Lucy inventou de criar em seu mandato no Grêmio Estudantil.

A outra aula que estava tendo era dirigir, não com meu pai que desistiu formalmente de me ensinar depois de eu bater o carro dele em nossa caixa de correio, duas vezes em menos de um minuto. Alexander, então assumiu a difícil responsabilidade de me ensinar e todas as manhãs de domingo ele deixava com que eu usasse seu carro para treinar.

A pobre caixa de correio foi novamente acertada, papai ameaçou suspender minhas aulas se ele ficasse sem uma caixa de correio, então passei a tomar mais cuidado com aquela coisa. No geral eu estava me esforçando ao máximo para aprender a dirigir, pois queria que Alec sentisse que ele tinha conseguido e queria que meu pai não me deserdasse por eu não saber dirigir, mas a cada aula eu me sentia a pior motorista do mundo.

––Renesmee, você não pode andar pela grama do seu vizinho! ––Alec gritou quando eu passei com o carro por cima da grama da casa de Demetri, que estava na varanda com Gabriella, sua namorada desde o começo do mês, Novembro era definitivamente um ótimo mês.

––Desculpa ––ri, tentando não acertar a caixa de correio da casa ao lado ––Pronto, estou na rua ––comemorei, ficando no meio da pista.

––Sim, mas vai para a pista certa, você está na contramão ––Alec checou seu cinto de segurança, ele sempre checava o cinto milhares de vezes quando estava no carro comigo.

––Pronto, estou em meu lugar ––falei ao ficar do lado certo da pista.

Ainda não eram nem dez da manhã, mesmo assim o Sol já estava quente e eu o sentia entrando pelas janelas do carro aberta, apesar de não ser uma pessoa matutina, passei amar as manhãs de domingo. Alec estava concentrado caso eu cometesse algum erro, o que fazia com que ele estivesse quieto ao meu lado, evitando até mesmo se mexer bruscamente.

Rindo da careta nervosa que ele fazia, decidi ligar o som, que estava com o meu pen drive, pois na noite passada tínhamos ficado ouvindo música ali enquanto esperávamos para irmos buscar Jane em uma festinha no parque perto de casa. Alec segurou o volante quando soltei uma das mãos para colocar a música que eu queria.

––Você está louca? Tem que segurar com as duas mãos ––disse ofegante.

––Sem desespero ––continuei rindo ––Você sempre dirige só com uma mão ––lembrei, colocando para tocar Out of the Woods da Taylor Swift, que no momento era minha música preferida.

––Mas eu já tenho uma carteira de motorista e não saio por ai derrubando caixas de correio indefesas.

––Blábláblá ––debochei, aumentando o volume do som, cantando junto com a música ––Are we out of the woods yet?

––Ótimo, você é tão sarcástica que canta uma música sobre perigo enquanto dirige perigosamente e... ––ele se calou quando freei do nada em um semáforo ––Sério, se esse não fosse um dos itens da sua preciosa lista eu não estaria aqui ––Alec colocou a mão no nariz, controlando sua respiração.

Eu apenas sorri, me lembrando da lista e o quanto eu queria cumprir de uma vez todos os outros itens, mas não queria sair os fazendo do nada, queria que fossem memoráveis. Como a minha festa de aniversário no próximo sábado, que levei um bom tempo para convencer meus pais a permitirem que ocorressem em minha casa, mas por fim consegui até mesmo que eles não estivessem lá.

––Para onde estamos indo? ––Alec perguntou ao notar que o caminho que eu pegava não era o da sua casa, que éramos onde almoçávamos todo o domingo.

Por duas razões:

1ª- Esme sempre reunia a família toda para pelo menos aquela refeição, mesmo que não fosse de muita conversa (conversa nenhuma).

2ª- Cecília, a avó escritora de Alexander, sempre me dava dicas para escrever.

––À igreja ––respondi a pergunta de Alec, que me olhou mais assustado do que quando eu fazia uma manobra perigosa com o carro.

––Você quer ir à igreja?

––Tecnicamente ao orfanato que fica junto com a igreja ––respondi, eu não voltava lá desde a primeira vez que fui, mesmo com Lucy insistindo que eu fosse, então decidi que estava pronta para voltar.

––Por quê? ––o inglês questionou, segurando novamente o volante enquanto eu colocava a música do momento para repetir eternamente.

––Estou com vontade ––voltei a assumir o controle do carro, até que naquele dia estava me saindo muito bem.

Alec não falou mais nada, apenas concordou em ir ao orfanato. Assim que chegamos lá, ele agradeceu por estar vivo e me deixou levá-lo diretamente para a maternidade do lugar, Lucy não estaria fazendo seu trabalho voluntario de sempre naquele dia pois estava na festa de aniversário de casamento dos pais de Riley.

––Olá, eu estou procurando pelo Miguel, ele já tem dois anos de idade e...

––Por aqui ––a funcionária do local me levou até o berço de Miguel, que estava dormindo tranquilamente com uma chupeta azul na boca.

––Obrigada ––agradeci, ela assentiu e se afastou de mim e Alec ––Ele é o bebê que eu ajudei a cuidar quando vim aqui naquela vez ––expliquei para meu namorado confuso.

––Ah sim, eu me lembro ––se inclinou para olhar Miguel também ––Por que voltou especificamente para vê-lo?

––Não faço ideia ––sussurrei, me recusando a acordar Miguel em seu momento precioso de tirar um cochilo.

––Ele é um bebê fofinho ––Alec também sussurrou ––Jane tinha cara de joelho ––comentou fazendo com que eu risse e acordasse Miguel.

––Droga! ––resmunguei, imediatamente pegando o pequeno no colo.

Eu mal me lembrava de como era que devia segurar um bebê, mas era Miguel, a criança mais adorável do mundo, então foi muito natural o manter em meus braços. Ele abriu os olhos e olhou diretamente nos meus, o que me fez sorrir largamente e depois depositar um beijo em sua covinha no lado esquerdo do rosto.

––Como você está, campeão? ––perguntei para o bebê ––Olha esse inglês fajuto ––o virei na direção de Alec, que sorriu.

––Posso? ––fez menção de pegar Miguel no colo, mas dei dos passos para trás, o suficiente para intrigar Alec ––O que foi?

––Nada ––suspirei ––Mas Miguel é tão pequeno e já passou por tanta coisa em sua vida.

––Ness, eu não vou machucá-lo ––prometeu.

––Tudo bem, tem razão ––concordei, passando Miguel para seus braços.

Alec sabia segurar um bebê melhor do que eu, mas devíamos levar em conta que ele já era grandinho quando Jane era apenas uma recém nascida, então tinha prática. Tanta prática que conseguia carregar Miguel com apenas um braço e ficar mostrando um brinquedinho cheio de cores para o bebê com a mão livre.

––Alec, segura ele direito ––pedi aflita.

––Você dirige com apenas uma mão e não posso segurá-lo assim? ––provocou.

––Golpe baixo ––peguei Miguel dele, sendo roubada novamente por ele que pegou o bebê de volta ––Tá, você venceu, só porque não quero que ele chore ––estendi a bandeira branca imaginária ––Foi bem cruel quando o vi chorar pela primeira vez.

––Você não vai chorar, né Campeão? ––Alec usou o mesmo apelido que eu usei para se referir a Miguel, que estava com sua mão no rosto dele, dando leves batidinhas ––Acho que minha mãe vai ter que esperar um pouco mais para almoçarmos hoje ––falou para mim.

––Por quê?

––Vamos levar Miguel para passear lá na área externa ––propôs, me fazendo gostar da ideia.

Conseguimos autorização com uma das funcionárias para aquilo e levamos Miguel para o jardim de fundo do orfanato, o pequeno parecia estar se divertindo muito com Alexander e tentei não me sentir rejeitada por isso. Entretanto, logo achamos um banco para sentar e fiquei junto com Alec fazendo caretas para o bebê, que achava graça da nossa idiotice conjunta.

Acabamos passando tanto tempo com Miguel que chegamos meia hora atrasados para o almoço na casa dos Cullen, mas mesmo com a bronca que Esme nos deu, não nos arrependemos de ter passado aquele tempo com o pequeno. Miguel tinha conquistado Alexander tão rapidamente quanto a mim e nós dois prometemos ao bebê que voltaríamos lá sempre que possível para visitá-lo.

––Então Renesmee, seu aniversário será mesmo em uma festa no sábado? ––Carlisle me perguntou.

––Sim ––confirmei, engolindo a comida vegetariana antes de responder, minha querida sogra não me fazia mais passar pelo constrangimento de só servir comida que eu me recusava a comer ––Mas na quinta-feira meus pais vão comemorar com a família, já que é Ação de Graças.

––Eu posso ir? ––Jane perguntou empolgada.

––Jane sempre quis participar de um jantar de Ação de Graças ––Alec explicou o entusiasmo da irmã ––Ano passado já estávamos nos Estados Unidos nessa época, mas aproveitamos o feriado viajando para a China.

––O que foi muito mais produtivo ––Esme falou ––Conhecemos uma cultura muito rica, não ficamos por horas sentados comendo e agradecendo por besteiras inúteis.

––Também odeio Ação de Graças ––concordei com ela ––Principalmente por ser perto demais do meu aniversário, ou acabar sendo no mesmo dia, como esse ano.

––Deveríamos comemorar Ação de Graças esse ano ––Carlisle disse, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa na mesa.

––Carlisle, nem somos americanos para comemorar isso ––Esme revirou os olhos.

––Mãe, é só um jantar de Ação de Graças, qualquer um pode fazer isso ––Jane disse de forma pertinente.

––Já sei! ––Alec exclamou, como se tivesse tido a melhor ideia do mundo ––Como vai ser o aniversário da Renesmee e não temos prática alguma em Ação de Graças, podemos convidar a família dela para passar vir jantar aqui, afinal estamos há um bom tempo para marcar o encontro entre vocês e os pais dela ––ele disse a última parte para a mãe.

––Tudo bem, faremos isso ––Esme cedeu.

Naquela tarde, Alec e eu convencemos meus pais a passarem o jantar do meu aniversário e a Ação de Graças na casa dos Cullen. Eles ficaram até animados em finalmente conhecerem para valer os pais do inglês, então eu não interferi naquela ideia genial do meu namorado. Alexander também convidou nossos amigos para passarem o feriado na casa dele, mas todos estariam ocupados com suas famílias, até mesmo Lucy, mas os pais dela só estariam com a filha porque iam passar o feriado com todo o pessoal que trabalhava para o prefeito, que por sorte incluía a família de Riley.

Na manhã do meu aniversário, acordei com a melhor surpresa do mundo, Rachel. Minha irmã tinha ligado no dia anterior, dizendo que não iria para casa no feriado, o que imediatamente me deixou para baixo, mas lá estava ela, em carne e osso me fazendo sair da cama antes do que eu queria.

––Parabéns Pirralha! ––gritou ao me abraçar

––Pensei que não viria para casa ––falei ainda confusa por estar a vendo.

––Eu nunca perderia o aniversário da minha Pirralha ––apertou minha bochecha ––Agora vai tomar um banho que o dia será longo.

Rachel tinha toda a razão do mundo, seria um dia longuíssimo na casa dos Cullen. Até mesmo meus avós maternos, que sempre me julgavam por eu não ir à igreja, estariam lá com Alice. Eu só queria que nada desse errado e que Esme não quisesse me matar por isso.

Quando cheguei lá com meus pais e Rachel – já que Emmett, Rosalie e vovó iriam depois – Esme abriu a porta para nós, ela parecia tão tensa quanto eu, mesmo assim cumprimentou todos amigavelmente e foi bastante gentil. Alexander apareceu logo depois, com um sorriso de quem tinha aprontado algo e me levou com ele para o jardim traseiro da casa.

––Vou ter que te dar seu presente logo agora, porque senão um acidente pode acontecer ––falou , tapando meus olhos ––Jane, pode soltar!

Eu estava tão confusa que só senti algo molhado em meu pé, depois um latido baixo e Alec rindo ao meu lado. Tirei as mãos dele do meu rosto e olhei para baixo, me deparando com um filhote de cachorro que parecia muito com o cãozinho do Andy do desenho animado Toy Story, que era minha série de filmes preferida desde sempre.

––Não acredito! ––gritei, me abaixando para carregar o cachorrinho, que ainda estava muito pequeno ––É sério que esse é meu presente de aniversário? ––perguntei fazendo graça para o bichinho, que lambia meu rosto.

––Sério ––Alec sorriu ––Só lava o rosto depois.

––Ah, obrigada, obrigada! ––comemorei ––Ele vai se chamar Buster como o cachorro do Toy Story ––afirmei.

––Podemos ir brincar com ele na praia? ––Jane pediu para o irmão.

––Ele é da Ness, peça a ela.

––Podemos Nessie? Por favor! ––Jane implorou, chegando até mesmo a me abraçar.

––Claro que podemos ––concordei, para total felicidade da baixinha.

Depois de papai e mamãe deixaram bem claro que Buster seria responsabilidade completamente minha, nós fomos para a praia e passamos um bom tempo brincando com o cachorro mais fofo que eu já tinha visto. Quando voltamos para a casa dos Cullen, o resto da minha família já tinha chegado e minha irmã, Rose, papai e Esme preparavam o jantar, então fui ajudá-las.

Apesar dos meus avós maternos ficarem dizendo que eu devia ir à igreja, que Cecília e vovô Samuel discutissem sobre a guerra do Vietnã, que ele tinha sido totalmente contra enquanto ele participou, o jantar foi ótimo. Não só pelos presentes que ganhei, que foram muitos e coisas realmente legais, mas por ter sido um momento que eu adorei compartilhar junto com a minha família e a de Alexander.

No sábado, dois dias depois do jantar de Ação de Graças, aconteceria a minha festa de aniversário em casa. Meus pais iriam com vovô para um hotel, enquanto Emmett e Rosalie ficariam na casa dos nossos avós maternos, já que a garota estava grávida. Rachel ficaria comigo para manter tudo sobre controle.

Eu tinha convidado bastante gente, mas nada que fosse absurdo. Minha irmã trancou todos os quarto e a casa de vovô, para que nenhum engraçadinho tentasse fazer o que não queria por ali, tiramos os objetos mais caros ou com valores sentimentais do caminho e transformamos a casa em um lugar decente para uma festa.

Obviamente meus pais tinham a ideia de que rolaria bebida, mas não fui eu quem comprou, sim Rachel por ser maior de idade. Lucy era a pessoa mais empolgada naquele dia depois de mim, seguida de perto de Alec, pois eu e ele tínhamos a pretensão de aproveitar para fazer algo mais legal quando todos fossem embora.

Meus amigos mais próximos foram os primeiros a chegarem e logo iniciamos a festa, mas eu estava tão tensa que a coisa toda fugisse de controle, que fiquei o mais longe possível de bebida, apenas bebericando drinks de morango que Lucy estava bebendo. Alec, pelo contrário, estava disposto a beber, ele mesmo tinha dito aquilo, o que conseguiu me irritar bastante.

––Você não acha que já bebeu demais? ––gritei contra a música alta, quando a festa já estava lotada e com pelo menos quatro horas de duração.

––Qual é, você sempre bebe demais e eu não falo nada ––ele bufou, pegando mais uma garrafa de cerveja, sua voz já estava diferente e ele mal conseguia se manter de pé.

––Idiota! ––o deixei para trás, brava demais para continuar discutindo.

––Problemas no paraíso? ––Rachel me perguntou.

––Festas em casa são um saco ––resmunguei ––Quero esse povo todo fora daqui.

––Mais meia hora e eu grito que a policia está chegando, arrumo tudo, estou acostumada a fazer isso lá no apartamento ––Rachel afagou meu cabelo ––Vai para seu quarto, você já cumpriu mais um item da lista mesmo ––piscou para mim.

––Isso é tudo culpa sua ––continuei bufando e subi para meu quarto.

Buster estava dormindo na minha cama, então deitei ao seu lado e dormi logo. Apesar de Alec estar claramente bêbado, eu tinha me divertido para valer na festa. Só que ter dezessete anos não era nada diferente de ter dezesseis, era a mesma merda e eu continuava tendo tanto sono quanto antes, então dormi afagando o pelo ralo do meu cachorro que gostava de dormir tanto quanto eu.

Acordei com várias batidas na porta e um choro, olhei para o lado e vi que Rachel ainda dormia profundamente em sua cama ao lado da minha, eu nem tinha tirado a roupa da festa. Levantei da cama, sendo seguida por Buster e abri a porta, revelando uma desesperada Lucy.

––O que foi? ––perguntei, sentindo todo o sangue do meu corpo sumir.

––Eu estou grávida ––me abraçou.

––Puta que pariu, como assim? Lucy para de brincadeira ––implorei desesperada, enquanto ela chorava ainda mais.

––O que está havendo? ––Rachel acordou.

––Lucy disse que está grávida ––respondi.

––Merda! ––minha irmã pulou da cama, fazendo com que Lucy fosse se sentar lá ––Conta essa história direito ––pediu para a loira.

––Ontem Riley e eu transamos depois da festa ––ela começou a dizer ––E a camisinha furou.

––Então você ainda não tem certeza de estar grávida, só está correndo esse risco ––Rachel falou tentando tranquilizá-la.

––Lucy, você pode tomar uma pílula do dia seguinte ––falei ––Vai ficar tudo bem.

––Mas isso seria quase um aborto ––a Barbie colocou o rosto entre as mãos.

––Não Lucy, isso não é um aborto ––Rachel voltou a falar ––A essa altura nada aconteceu ainda, quanto antes você tomar melhor.

––Tudo bem, eu tomo isso ––ela por fim concordou.

––Vou sair para comprar, me esperem aqui ––Rachel trocou de roupa e saiu correndo de casa.

Eu estava consolando Lucy quando a porta do meu quarto foi mais uma vez aberta e Alexander entrou, Buster correu para morder o pé dele, que era como o cachorro sempre o recepcionava. Alec parecia com a pior ressaca de todas, mesmo assim me lançou um olhar preocupado ao ver o estado de Lucy.

––Lucy, o que foi? ––ele se ajoelhou diante da gente.

––Aconteceu um pequeno acidente com camisinhas ontem ––respondi por ela.

––Merda ––Alec fez uma careta.

––Vai ficar tudo bem, Rachel saiu para comprar o remédio necessário ––falei, abraçando mais forte ainda Lucy.

––Renesmee, desculpa por ontem ––Alec depositou um beijo na minha cabeça e sussurrou ––Prometo nunca mais fazer aquilo.

––Tudo bem, eu já tive meus momentos e você aguentou. Quem te levou para casa?

––Dormi na casa do Will, mamãe me mataria se me visse naquele estado.

––Com certeza ––ouvimos mais uma vez a porta do meu quarto se abrir e daquela vez foi a vez de Riley aparecer, eu queria muito saber o porque das pessoas estarem entrando na minha casa sem um pingo de cerimônia naquela manhã.

––Lucy, eu te procurei pela cidade inteira ––o loiro tomou meu lugar e abraçou a namorada, os deixei na cama de Rachel e sentei na minha com Alexander.

––Desculpa ter sumido, mas eu fiquei tão nervosa com isso ––a garota se aninhou nos braços do namorado.

––O que vamos fazer agora? ––Riley indagou.

––Vai ficar tudo bem, Rachel saiu para comprar o remédio necessário ––repeti.

A presença de Riley conseguiu acalmar Lucy, pelo menos até Rachel voltar, pois quando vimos minha irmã e a pílula, até eu fiquei nervosa. Alec beijou minha testa para me reconfortar, mesmo que o problema não fosse meu, Riley segurou firme na mão de Lucy, que estava tremendo.

––Você precisa tomar isso logo ––Rachel disse suavemente.

––Isso o que? ––olhamos todos para a porta e vimos mamãe ali, o silêncio se instalou entre nós cinco, apenas Buster estava latindo, querendo atenção para si ––Rachel, que remédio é esse? ––pegou o mesmo da mão da minha irmã, depois de um tempo ela notou o que era aquilo e seu olhar recaiu sobre mim.

––Você quem iria tomar isso Renesmee?

––Sim ––murmurei, querendo tirar aquele peso de Lucy.

––Não! ––minha amiga gritou ––Não pega isso para você, sou eu quem vou tomar, tia Bella.

Notas finais
Por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. 11.02.15