Teenage Dream
30 Capítulo Vinte e Nove- Escola
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Nove- Escola
“Fora da escola para sempre
Fora da escola pelo verão
Fora da escola com fervor
Completamente fora da escola” –School’s Out, Alice Cooper
Lucy deixou o palco, sendo seguida pelos pais e Riley, a assessora dos Denali pediu desculpas ao microfone e deu a deixa para uma bandinha contratada começar a tocar. As pessoas começaram a se dispersar, mas obviamente não falavam de outra coisa que não fosse o discurso da minha amiga.
––Eu tenho que ir vê-la ––falei para Alec.
––Renesmee...
––Não, você sabe que não vai conseguir me impedir ––pisquei para ele, que sorriu e deixou com que eu fosse atrás de Lucy.
Os Denali e Riley estavam atrás do palco, em uma área que a multidão não tinha acesso, mas eu consegui passar mesmo assim. O prefeito estava falando o quanto Lucy tinha os humilhado e colocado a vida de todos ali em decadência, ela nem mesmo piscava enquanto o encarava.
––Fale alguma coisa, garota! ––Eleazar ordenou.
Você é o pior pai do mundo, satisfeito? –––Lucy arqueou uma sobrancelha para ele –––E você a pior mãe –––disse para Carmen.
––Você é uma ingrata mesmo! ––Carmen exclamou indignada ––Nós te demos tudo que sempre nos pediu, era a garota mais rica, com um futuro promissor e respeitada por todos na cidade!
––Não, vocês nunca me deram nada! ––Lucy perdeu a calma e gritou ––Simplesmente me enchiam de presentes, roupas e dinheiro, porque são insensíveis o suficiente para entenderem que eu não era uma moeda de apresentação de vocês, sim a merda de sua filha.
––Você arruinou tudo, sua filha da puta! ––Eleazar gritou, partindo para cima de Lucy, mas Riley ficou entre eles, controlando o homem.
––Nem ouse tocar na Lucy ––Riley disse pausadamente ––Você é sua esposa são imundos que arruinaram boa parte da vida dela, Lucy nunca mais vai precisar mentir quem ela realmente é por conta de vocês.
––Então, você quer ficar com o filho dos Biers? ––Carmen indagou gargalhando ––Sabia que a família dele só se sustenta por conta da nossa, não é? Como pretende manter essa sua vida de padrão altíssimo sendo da classe baixa? ––encarou a filha.
––Eu não preciso ser rica para ser feliz, mamãe ––Lucy ironizou ––Além do mais, eu tenho saúde e posso muito bem trabalhar para me sustentar, não preciso da família do meu namorado para isso. Eu não preciso de ninguém me rebaixando a uma figura fútil e barata.
––Quer saber? Foda-se, você já fez a maior besteira da sua vida mesmo ––Eleazar olhou com desprezo para Lucy ––Amanhã de manhã me procure no meu escritório, iremos te dar sua tão sonhada liberdade.
––Vamos Eleazar! ––Carmen empinou o nariz.
––Então o casal vai continuar junto? ––a loira indagou perplexa ––Mesmo depois de suas mascaras baratas terem caído.
––Sabe, em algo você está absolutamente certa ––Eleazar segurou na mão de Carmen ––Não nos amamos nem um pouco, muito menos queríamos ter uma filha, só tivemos para aparentarmos ser um casal de verdade, para nós dois só o poder importa.
––Boa sorte com a sua vidinha medíocre, Lucy ––Carmen revirou os olhos ––Quem sabe você vira uma garçonete como a sua amiguinha ––apontou para mim.
––Ela é a filha de vocês e não merecia isso, vocês dois são as pessoas mais repulsivas e nojentas que existem no mundo todo. Não são vocês que não a merecem, Lu não merece ter pais tão egoístas assim ––afirmei.
––Dane-se o que pensa, você só é uma adolescente idiota ––Carmen riu.
––Com um celular que grava ––sorri, mostrando o aparelho em minhas mãos ––E eu posso não ser rica como vocês, mas conheço muita gente dessa cidade e até mesmo de outros lugares e nesse momento todos estão recebendo essa gravação e vocês não vão poder dizer que tudo o que Lu disse no palco era mentira.
––Sua ––Carmen estava bufando de raiva ––Ah garota, sua mãe vai pagar por isso!
––Eu acho que você vai ser demitida logo mais, mas é só uma suposição ––dei de ombros ––Agora, não ousem mais falar mal da Lu, okay? Ela não vai ficar desamparada porque tem amigos que a amam.
––Espero nunca mais precisar ver vocês depois de amanhã ––Lucy concluiu para eles, colocou seu braço sobre o de Riley e segurou em minha mão.
Obviamente ela caiu em prantos assim que nos afastamos dos dois, Riley, Alec e eu a levamos para casa, onde por mim ela ficaria para sempre. Meus pais foram ao nosso encontro e confirmaram minhas expectativas de que por eles Lucy ficaria ali o tempo que precisasse.
Os meninos foram buscar com minha mãe alguns pertences de Lucy na casa dos Denali, a pedido da loira que disse ter deixado tudo separado e nas mãos de Nelly. Então acomodei Lucy em meu quarto, depois de perguntar para Rachel por mensagem se tinha algum problema em deixá-la ficar em sua cama, minha irmã me mandou parar de ser idiota e cuidar de uma vez de Lu.
––Eu não quero ser como eles ––Lucy murmurou ––Uma péssima mãe, um péssimo exemplo. Passei minha vida inteira desejando ter uma família de verdade, estou com medo de arruinar tudo.
––Mas você não vai ––sentei ao lado dela ––Sabe por que? Porque você é a pessoa mais indicada para cuidar e amar outra pessoa, eu sei disso porque você cuidou de mim e continuou me amando depois de tudo que eu fiz. E você pede ajuda Lu, você não está mais sozinha. Eu nunca vou te deixar sozinha, lembra?
––Obrigada! ––me abraçou com força ––Obrigada por sempre estar ao meu lado.
A emancipação de Lucy foi completamente resolvida no dia seguinte, os pais dela nem mesmo resolveram questionar a situação, em menos de meia hora ela era completamente independente de ambos. Isso sem contar que Eleazar e Carmen tinham sido afastados de seus cargos por tempo indeterminado. O que foi algo que a alegrou por completo, o que nos fez ir comemorar depois da escola na lanchonete de papai, onde a garota publicamente passaria a trabalhar.
Naquele mesmo dias os resultados das faculdades dos Estados Unidos foram entregues nas residências de todos os estudantes inscritos, eu tinha cancelado a inscrição que Lucy fez minha para Los Angeles, então Alec e eu estávamos apenas comemorando com os outros. Isso, somado a emancipação de Lucy era o maior motivo de festa para todos nós.
––Eu vou para New York! ––Alice gritou mais uma vez, anunciando seu destino, onde cursaria moda.
––Já tenho onde me hospedar, valeu prima! ––bati na mesa, fazendo um barulho tão alto que todos por ali me encararam, mas não liguei
––Por favor, queridinha, eu vou para Yale ––Jacob lançou um beijo para ela.
––Eu não consigo decidir para onde vou ––Gabs suspirou ––Flórida ou Los Angeles mesmo.
––Ah, por favor, vá comigo para L.A ––Lucy implorou fazendo um beicinho para Gabriella, minha melhor amiga iria cursar Gastronomia na cidade dos anjos, o que deixou meu pai tão animado que ele se prestou a pagar o curso, alegando que eu tinha deixado o dinheiro em aberto. Ela tentou recusar no começo, mas sem o dinheiro dos pais teria que trabalhar muito, então mamãe e papai mostraram o quanto podiam ser persuasivos e a convenceram a aceitar.
––Tem certeza? Você não vai me deixar de lado? Sabemos que nunca foi com minha cara ––Gabs sorriu, brincando com a pulseira em seu pulso, que eu descobri ter sido um presente de Demetri.
––Gabs, você já está no grupo e quando se está no grupo não pode mais sair ––Lucy jogou o cabelo pintado de loiro para o lado, fazendo alguns fios entrarem na minha boca ––Renesmee, não baba no meu cabelo.
––Então tome conta dele ––reclamei.
––Tá bom, eu vou com você para Los Angeles ––Gabs aceitou.
––Ótimo, já tenho companhia ––deu a língua para o namorado.
––Lucy, por favor, vamos estar apenas seis horas de distância ––Riley protestou, uma vez que ele iria para Berkeley, que também era na Califórnia.
––Por isso eu e meu amor vamos ficar juntinhos no Colorado ––Bia encheu o rosto de Will com beijos.
––É o que todos esperamos, afinal vamos nos abalar em pleno domingo para ver vocês casando ––Alec bocejou, se apoiando em mim para relaxar.
––Nem acredito que só faltam quatro dias para nos casarmos ––Will suspirou, olhando de forma apaixonada para a namorada.
––Nem acredito que só faltam quatro dias para vocês deixarem de ser virgens ––Riley enfatizou, fazendo com que todos nós ríssemos.
**
A movimentação no vestiário feminino era grande, afinal era o último jogo do ano e do colegial para nós. Todas as meninas da equipe da torcida estavam muito empolgadas com a apresentação daquela noite e eu estava muito aliviada por ter conseguido montar uma coreografia perfeita, completamente sozinha.
Uptown Funk do Mark Ronson, com participação do Bruno Mars seria nossa música de apresentação e simplesmente era tão animada que dava vontade de passar a noite inteira dançando. Eu estava cantarolando a letra para mim mesma enquanto me arrumava, quando ouvimos alguém entrar no vestiário.
––Oi meninas! ––era Rosalie, sorrindo de orelha a orelha.
Imediatamente as garotas da torcida foram cumprimentá-la, pois não viam Rose desde quando ela teve que parar de frequentar a escola para ter Sam, por sorte ela tinha conseguido as notas necessárias estudando em casa e conseguiria se formar conosco. Todas aquelas meninas falando juntas foi um barulho ensurdecedor junto, foi preciso bons minutos para se controlarem e pararem de fazer perguntas para Rose.
––Eu só queria desejar boa apresentação para vocês ––ela disse depois de pedir o silêncio de todas ––Quero dizer que todo o tempo que passei treinando vocês foi fantástico e agradeço muito por sempre estarem do meu lado. Hoje é a última apresentação de muitas de vocês, pois logo estaremos nos formando, então quero que seja a melhor de todas. Boa sorte meninas!
Gritamos em comemoração e deixamos o vestiário para esperar o momento da nossa apresentação. O campo estava lotado, as torcidas vibravam com o último jogo e eu estava muito emocionada por tudo aquilo.
Alguns flashes de câmeras me fizeram pensar em Demetri e olhei para onde as luzes vinham esperando que ele estivesse por ali, mas não estava. Gabs notou minha reação e me abraçou.
––Ele está de certa forma com a gente, okay?
––Sim claro ––voltei a sorrir, então nossa equipe foi se apresentar.
A música parecia percorrer cada centímetro do meu corpo, eu estava completamente envolvida e a coreografia saía do jeito que eu tinha pensado. Era minha última vez como capitã, minha última vez em uma apresentação como líder de torcida, ao mesmo tempo que eu queria chorar pelo termino daquilo, não conseguia deixar de ficar feliz por estar concluído algo de forma tão boa.
O jogo aquela noite foi acirrado, a cada ponto marcado pelo outro time eu tinha medo de perdermos. Então nós da torcida fizemos de tudo para incentivar os meninos a ganharem aquilo e foi um alivio quando Will marcou o ponto que nos dava a vitória, Bia gritou e correu para o campo quando aquilo ocorreu, pulando nos braços do noivo e proporcionando um show e tanto para todos que estavam ali.
Depois de uma comemoração em campo, do time ter recebido o troféu e os meninos as medalhas, a equipe da torcida e o time se dirigiram para a lanchonete de papai, para a costumeira comemoração. Até mesmo Rosalie e meu irmão foram conosco, aproveitando que nossos pais estavam tomando conta do bebê para eles aquela noite, e que a lanchonete estava nas mãos de Sue que era o braço direito de papai ali.
––Vai gente, podem confessar, meu namorado é o astro do time ––Bia se gabou mais uma vez.
––Cala a boca, Beatriz! ––exclamamos, a fazendo rir.
––Só não brigo com vocês porque são meus padrinhos de casamento ––ela bufou.
––Alec, você contratou a limusine para nos levar para o baile semana que vem? ––Lucy indagou ao se lembrar.
––Tudo certo Barbie ––ele deu uma mordida no hambúrguer que eu comia ––Tem lugar para todo mundo.
––Gente, vocês não precisam ir dessa forma para o baile, todo mundo tem um par ––Gabs suspirou, pois tínhamos combinado de que iríamos em grupo para ela não ficar só.
––Jacob e eu não temos um par ––Alice falou ––Então digamos que do grupo inteiro somos um par ––piscou para ela.
––Viu? Tudo certo, não tem pelo que se preocupar e se precisar de um cara para dançar você tem a... ––Riley começou a falar, mas o olhar ameaçador de Lucy o calou ––Você tem ao Jacob ––se corrigiu, nos fazendo rir.
––Mas vocês sabem que eu e meu amor vamos ganhar a coroa de Rei e Rainha do baile, não sabe? ––Bia voltou a provocar a gente com seu excesso de fofura para cima de Will.
––Querida, eu também estou correndo, então se cuide ––Lucy continuou rascunhando uma receita de torta nova em um guardanapo.
––Heidi também ––Alice alfinetou, recebendo um olhar nada bom de mim ––Mas você também, prima. Certeza que ganha ––deu um sorriso amarelo para mim.
––Sei lá quem ganha como Rainha, só sei que eu vou ser novamente escolhido como o cara principal da noite ––Riley ficou vendo seu reflexo na colher, conseguindo vários xingamentos de quem estava na mesa.
––Vamos para minha casa? ––Alec perguntou no meu ouvido, afagando a pele exposta do meu braço.
––Vamos ––topei na hora ––Lucy, vem cá comigo ––a tirei da mesa.
––Que foi? ––ela perguntou, guardando a receita que estava escrevendo em seu bolso.
––Diz para o papai e mamãe que eu fui para a casa do Alec, mas que eu estou bem e que eles não precisam se preocupar. Vou provavelmente dormir por lá.
––Tudo bem, vai lá transar ––ela deu um sorriso malicioso.
––Bom, eu estou indo cumprir um item da lista.
––Qual?
––Aquele que envolve água e nada de roupas ––pisquei para ela, que arregalou os olhos.
––Sua safada!
––Aprendi com você ––rebati rindo.
––Tá, vai logo! ––ela me empurrou na direção que Alec estava.
Nós dois seguimos direto para sua casa, aproveitando que seus pais tinham ido assumir plantões no hospital depois de irem ver o jogo e que sua irmã e avó estavam em Los Angeles para verem uma peça. Tínhamos a casa só para nós, o que era incrivelmente bom.
––Quero tomar banho de piscina ––falei para Alec, o arrastando para a parte de trás da casa assim que chegamos lá.
––Tudo bem, eu vou ver se encontro alguma roupa para...
––Quietinho ––o calei encostando meus lábios nos seus por um momento ––Vamos fazer isso de outra forma ––puxei a blusa que eu usava para fora do meu corpo ––Entendeu?
Alec me olhava como se nunca tivesse me visto nua, enquanto eu ficava completamente sem roupa em sua frente. Sorri por um momento, o beijando e sentindo suas mãos passearem por meu corpo, até que me afastei e pulei na piscina, nadando até o fundo para voltar a superfície do jeito mais sexy que consegui.
––Não vai entrar? ––perguntei, me apoiando na borda da piscina.
Como se tivesse sido libertado de uma hipnose, meu namorado também tirou sua roupa e pulou na água comigo, em um mergulho um pouco mais bem elaborado do que o meu. Quando ele emergiu, seus olhos azuis estavam fixos em meu rosto e simplesmente o puxei para mim.
Seu corpo se chocou contra o meu e eu fui gentilmente empurrada contra a piscina, suas mãos fizeram minhas pernas rodearem sua cintura e sua boca atacou a minha, arrancando de mim um beijo cheio de desejo e paixão. Eu estava nos céus, eu estava tão feliz e tão bem comigo mesma que meus sorrisos foram os mais sinceros de todos.
––Eu te amo! ––fiz com que Alec me olhasse.
––Eu também te amo ––passou a mão pelo meu cabelo, me soltei dele, segurando apenas em sua mão e fiz com que nadássemos juntos, o que resultou em cenas bem quentes mesmo com toda a água nos cercando.
Quando notamos que não dava mais para aguentar, fomos para seu quarto, onde passamos a noite inteira juntos. Com direito a vinho roubado da adega de seu pai, o que nos deixou muito mais soltos do que de costume.
Na manhã seguinte acordei antes dele, somente para ter o prazer de ficar o olhando dormir de lado, com um braço me envolvendo. Os lábios vermelhos estavam entreabertos e suas bochechas coradas, ele era tão branco que qualquer Sol que pegava o deixava imediatamente marcado.
Sorri mais uma vez, eu sempre sorria quando estava com ele, então depositei um beijo em sua bochecha, me aconchegando novamente ao seu corpo. Afagando sua costa com a ponta dos meus dedos, sentindo o calor de seu corpo por todo lado.
––Amor, acorda ––o chamei, beijando seu pescoço, mas evitando deixar qualquer marca ali.
––Mais um pouco ––pediu com a voz rouca de sono.
––Não, você tem a prova da roupa com os meninos para o casamento e eu tenho muito o que fazer também.
––Tudo bem ––se rendeu e abriu os olhos ––Vamos lá viver os últimos momentos de virgindade daqueles dois ––falou, me fazendo gargalhar alto.
––Estou sendo uma mãe legal, mas não abusem! ––ouvimos a voz de Esme do lado de fora do quarto, o que nos fez rir ainda mais.
**
O casamento aconteceria na praia, logo pela manhã, após isso a festa seria no quintal da casa da família de Bia, onde tudo estava muito lindo também. Minha amiga não estava nervosa com o casamento e quando questionamos porque ela estava tão calma recebemos uma simples resposta:
––Porque eu o amo.
Gabs, Alice, Lucy e eu éramos madrinhas de casamento, junto com Jacob, Riley e Alec. Com a morte de Demetri, os noivos precisaram escolher alguém para substituí-lo na cerimônia e acabaram optando por James, irmão de Bia.
Fiquei preocupada que aquele idiota fizesse ou falasse algo que machucasse Lucy, mas depois do discurso dela no aniversário da cidade, ninguém mais batia de frente com a garota. Então James se comportou como o cavalheiro que ele definitivamente não era.
Apesar disso, a cerimônia de casamento foi linda, os noivos estavam mais apaixonados do que nunca. E nem mesmo o fato de serem novos os desanimava, Bia e Will eram o casal mais estável de todos e no fundo sempre soubemos que eles seriam os únicos a não se separarem.
Depois da cerimônia, seguimos todos para a festa, onde o casal fez todas as tradições que deviam fazer. Milhares de fotos, danças, bolo e por fim o buquê.
––Você não vai tentar pegar? ––Alec perguntou quando as meninas se levantaram para irem disputar o buquê de Bia.
––Não mesmo ––balancei a cabeça, bebericando um pouco do champanhe dele.
––O que você pensa sobre casamento e filhos, Ness? ––me perguntou, me pegando de surpresa.
––Que talvez eu não seja boa o bastante para nenhum dos dois ––confessei olhando em seus olhos.
––Por quê?
––Porque eu sou uma escritora e escritores sempre sentem demais, lembra? Imagine alguém casado com uma escritora ciumenta, chorona e bastante confusa. Imagine alguém tendo uma mãe sendo assim ––expliquei.
––Então, você nunca vai querer se casar ou ter filhos?
––Nunca é uma palavra muito forte ––franzi o cenho ––Eu por muitas vezes pensei que nunca faria muitas coisas que acabei fazendo, então não posso afirmar nada. Mas o futuro é incerto, principalmente para mim.
Alexander suspirou e assentiu, enquanto desviava o olhar para a frente, bem a tempo de ver Alice agarrando o buquê e sair comemorando como se fosse algo valioso. Toquei no rosto dele, o trazendo de novo para mim.
––Você quer isso, não quer? ––indaguei.
––O quê?
––Uma esposa e filhos ––murmurei.
––Eu sempre quis ––deu um pequeno sorriso.
––E você vai ter ––afaguei seu rosto ––E eu espero que seja com uma mulher incrível, forte e que te ame muito.
––Deveria ser você.
––E você deveria ser o cara que rodaria o mundo comigo ––mordi o lábio ––Queremos coisas diferentes, estamos nos distanciando.
––Então fala mais como você imagina minha futura esposa ––ele pediu, bebendo mais um pouco.
––Morena, com longos cabelos negros ––comecei a descrevê-la ––Olhos castanhos claros, um rosto em formato de coração. Apaixonada por crianças, vai te fazer superar o medo por altura, acredito que vai ser uma médica também. Vocês vão se conhecer em um plantão em algum hospital na Inglaterra.
––Conta mais ––ele riu.
––Ela vai adorar te ver dormir, vai achar incrível o modo como você é bom em matemática. Irá gostar das mesmas bandas que você e vocês vão sair por ai dirigindo e escutando os álbuns de Arctic Monkeys sem cansar. Aos domingos vão sair para algum parque, onde ela vai ler um livro super clássico e bem visto pela critica para você. Enquanto você a beija e interrompe a leitura.
––Era algo que eu faria ––concordou, sorrindo para mim.
––Vocês vão ter um casal de filhos, a menina vai ser chamar Hanna e o menino Matthew, em homenagem ao seu irmão. Eles vão ser lindos, super inteligentes e quando crescerem serão médicos como você e a mãe. Também terão um cachorro, um bem grande que destrói tudo por onde passa. E...
––E?
––E você vai amar muito sua esposa, ela vai ser completamente apaixonada por você. E eu vou ficar muito contente por você estar feliz.
**
O último dia de aula, alguns dias depois do casamento de Bia e Will, era um dos momentos mais aguardados para quem estava se formando. Na última aula daquela sexta-feira, economia, eu batia meu lápis incansavelmente na mesa, enrolando a ponta do meu cabelo no dedo, no dia anterior eu tinha pintado as pontas de um azul escuro, cumprindo mais um item da lista de coisas para se fazer antes da formatura.
Faltava apenas um item a se cumprir, que eu faria depois do baile, que aconteceria no dia seguinte, um dia antes da cerimônia de formatura.
Os ponteiros do relógio pareciam estar paralisados, mas quando faltava apenas um minuto, toda a turma começou a contar junto, inclusive Alec e eu. Mesmo que soubéssemos que aquilo era um dos maiores passos para nosso termino.
––Cinco ––eu contei.
––Quatro ––ele contou.
––Três.
––Dois.
––Um! ––gritamos juntos, junto com todas daquela sala e com toda certeza do resto da escola.
Alec me levantou, me beijando. Sua boca contra a minha era urgente, suas mãos estavam em minha nuca e eu segurava em seu cabelo, não queríamos nos afastar, mas fomos obrigados pela gritaria de fim de ano letivo que se alastrava pela escola.
––Vamos para a fogueira, gente! ––Lucy apareceu na nossa sala com Will, nos arrastando para uma fogueira que alguém tinha acendido na frente da escola, onde sem um verdadeiro propósito ou conscientização ambiental, jogaríamos nossos cadernos.
––Adeus escola! ––Riley gritou o mais alto que pode ao jogar seu caderno no fogo.
––Adeus escola! ––gritei de volta, sentindo todo o tipo de emoção percorrer meu corpo e joguei meu caderno no fogo. Fechando mais um ciclo. O fim cada vez mais próximo.
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