Teenage Dream
34 Capítulo Trinta e Três – Praia
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Três – Praia
“Eu acredito em memórias, elas parecem tão bonitas quando eu durmo
E agora quando, quando eu acordo, você parece tão bonita dormindo perto de mim
Mas não há tempo o suficiente
E não há nenhuma música que eu poderia cantar
E não há uma combinação de palavras que eu poderia dizer
Mas eu ainda vou te falar uma coisa
Somos melhores juntos” –Better Together, Jack Johnson
Todos queriam parabenizar Riley e Lucy pelo noivado, então eu não tive muito tempo para parabenizá-los, mas tentei demonstrar o quanto estava empolgada pelo momento deles e realmente estava. Quando os liberei para os outros, segui para o bar, precisando de algo forte para digerir as últimas informações daquela extensa noite.
Alec tinha ficado noivo, Alec não estava mais noivo, Riley e Lucy teriam um bebê e casariam. Enquanto eu tinha quatro tatuagens, um cachorro e seis livros publicados, somente. E um ‘eu te amo, Cenoura’ vindo do cara que foi meu único namorado por mais de algumas semanas.
––Por que está com esse vinco no rosto? ––Beatriz se aproximou de mim, mas não pediu nada para o cara do bar, uma vez que ela era mãe de dois filhos e tinha que estar sóbria quando fosse dirigir de volta para casa aquela noite.
––Nada não ––bebi mais um pouco da bebida em minha mão ––Bia, você nunca quis outra vida?
––Como assim? ––perguntou confusa.
––Você casou, fez faculdade, voltou para sua cidade natal, teve filhos e trabalha na escola que estudava. Não me leva a mal amiga, mas em nenhum momento quis mais do que isso? ––deixei meu copo de lado.
––Não ––respondeu sorrindo ––Eu amo cada detalhe da vida que tenho, Renesmee. Eu amei casar cedo com Will, ir para a faculdade com ele, voltar para cá, ter meus filhos e trabalhar na escola. Não mudaria nada do que fiz, não me arrependo de nada para isso. Você se sente arrependida de algo?
––Não ––também sorri ao responder ––Mas talvez eu não esteja me sentindo tão confiante para meu futuro.
––Ness, você sempre teve esse problema com futuro ––ela me fez rir um pouco ––Mas você sempre conseguiu seguir em frente, então acredito que não será agora que irá ficar sem saber o que deve ou não fazer. Quais eram seus planos para depois de hoje?
––Não ter ressaca amanhã? ––sugeri, a fazendo gargalhar.
––Sério.
––Eu estava passando algum tempo na Austrália antes de vir para cá, estou trabalhando em um livro novo e prefiro me estabelecer em algum lugar para escrever, então estava pensando em ir para o Chile daqui a uma semana.
––E você ainda quer ir para lá? ––perguntou, aparentando já saber a resposta bem mais do que eu.
––Digamos que em níveis porcentuais, minha vontade de ir para qualquer lugar que não seja os limites de Sun West seja um por cento ––recuperei meu copo com álcool, bebendo tudo que ainda estava ali em um gole só.
––Então nossa sessão acaba aqui, Senhorita Masen ––Bia piscou para mim ––Você sabe o que quer fazer, basta admitir para si mesma.
––É, você é uma boa psicóloga ––aceitei ––Vou pensar melhor em tudo que me disse.
––Isso ––comemorou ––Agora vamos voltar para a festa de noivado da Lucy e do Riley, quer dizer, o reencontro ––riu de si mesma, o que me fez rir também.
A festa estava claramente chegando ao fim, quando fiquei sozinha na mesa, mexendo em meu celular. Troquei algumas mensagens com Daniel, que me informou estar no hospital com a esposa, depois do nascimento do quarto filho deles. Ele e a esposa –que era a mesma namorada brasileira de dez anos antes –tinham se casado um pouco depois da minha formatura no colegial e ao que parecia estavam tentando montar uma equipe de futebol americano com tantos filhos que tinham.
––Quem é esse? ––Alec perguntou vendo a foto do filho mais novo de Daniel na tela do meu celular.
––Filho caçula do Dan, se lembra dele?
––O cara que você namorou em Los Angeles antes de mim?
––Não era meu namorado, nós só passamos as férias de verão juntos ––guardei meu celular na bolsa, bufando.
––Adoro quando você age assim? ––ele sorriu para mim, e seus malditos olhos azuis chegaram a brilhar por conta do sorriso.
––Assim como?
––Na defensiva, sempre foi tão difícil fazer com que você fosse um pouco menos durona e chata.
––Então por que passou meses sento meu namorado se eu era tão insuportável?
––Porque você era a pessoa mais insuportável e incrível desse lugar ––seu sorriso se expandiu ainda mais, ainda que aquilo não parecesse possível ––E porque você era gostosa ––acrescentou, ganhando um tapa no ombro por dizer aquilo.
––Vamos dançar, provavelmente é a última música ––me levantei.
––Ei sobre dançar, eu... ––começou a falar quando o arrastei para a pista de dança.
––Ai Alexander, cala a boca ––resmunguei, o puxando para mais perto de mim ––Nós já passamos dessa fase de você ficar reclamando que não sabe dançar, vamos aceitar o fato de você ser péssimo nisso e apenas curtir o momento.
––Okay, vamos lá ––ele segurou em minha mão, me conduzindo com tanto jeito que não parecia em nada com o adolescente de dezessete anos que sempre pisava em meus pés ––Por que a cara de surpresa, Renesmee? ––perguntou com uma expressão cínica.
––Você está dançando muito bem ––disse perplexa.
––Bom, era isso o que eu ia te falar. Antes de começar a me interromper e falar sem parar ––ele me girou ––A brasileira com quem fiquei era professora de dança em Londres, era excelente na cama e dançando. Uma mulher cheia de qualidades.
––Seu idiota ––me aproximei mais ainda dele, sentindo nossos corpos se mexerem no mesmo ritmo, ao som de uma música que eu nem sabia qual era.
––Seu cabelo ainda cheira a chocolate ––comentou.
––Eu me apeguei ao shampoo, mas em alguns lugares do mundo não consegui encontrá-lo, então era como não ser eu mesma ––sussurrei ––Talvez porque só você e eu nos dávamos conta desse cheiro.
––É o seu cheiro, ele é tão seu ––o rosto dele ficou entre os fios do meu cabelo ––Chocolate consegue ser tão doce e amargo quanto você ––seus dedos percorreram pela pele da minha costa, enquanto continuávamos a dançar lentamente, mas completamente certo.
A próxima música foi Somewhere Over The Rainbow e eu sorri, era a música preferida de mamãe e apesar de não ser a minha, possuía um significado muito grande para mim. Parei de dançar e simplesmente abracei Alexander, colocando meu ouvido sobre seu coração, escutando mais do que as batidas do mesmo, mas também o som da vida. O som de que Alec estava ali comigo e que eu adorava aquela sensação de tê-lo em meus braços.
A música chegou ao fim e nenhuma a substituiu, mesmo assim permanecemos naquela posição, eu não queria ir embora, tão pouco queria vê-lo partir mais uma vez. Quantas vezes um coração aguentava ser deixado de lado como um copo de bebida qualquer? O meu provavelmente não suportava mais, entretanto, eu ainda tinha aquela parcela de medo de que tudo acabasse mal para mim e para os que me cercavam, por isso o afastei.
––Ei, algumas pessoas vão para a praia, querem vir também? ––Lucy nos tirou daquela bolha e eu quis agrade-la por aquilo.
––Você está grávida, é confiável ir para a praia a esse horário?
––Sim, super ––ela assentiu ––Por mim meu bebê nasceria de modo humanitário, mas o pai dele é um medroso e quer tudo em um hospital ––a loira riu, acariciando sua barriga ––Então, vocês vem ou não?
––Estou hospedado lá perto mesmo ––Alec concordou, lançando um rápido olhar para mim.
––Rosalie e Emmett precisam voltar para casa cedo, eles deixaram os filhos com uma babá, estou de carona com eles e...
––E por favor, você pode pegar uma carona comigo e Riley ––Lucy revirou os olhos, segurando em minha mão e me arrastando para fora da escola ––Você também Cullen! ––gritou para Alec, que não teve escolha senão seguir conosco.
Riley já nos esperava no carro, mas ele não parecia com pressa de deixar o estacionamento do colégio, pois ele e Lucy ficaram alguns minutos em sua própria bolha, enquanto Alec e eu estávamos no banco de trás calados e imóveis. Por fim, o noivo de Lucy resolveu que deveríamos ir logo para a praia e ligou o carro, nos tirando daquele lugar.
Os noivos conseguiram fazer com que estar no mesmo carro que Alec não fosse tão estranho, começaram a falar sobre o bebê, a animação que tinham sentido quando descobriram sobre ele e como estavam torcendo para que fosse um menino. Então começaram a falar a respeito do casamento, convidando a mim e ao inglês para sermos os padrinhos junto com Beatriz e William, não nos restou alternativa a não ser sermos padrinhos de casamento juntos também.
Alguns dos meus ex-colegas de classe tinham seguido para a praia, um número bem maior dos que tinham ido para lá após o baile. Entretanto, aquilo foi uma ótima distração para mim e durante muito tempo não estive nem perto de Alec, mas aos poucos os adultos tiveram que ir deixando a praia e um número bem reduzido deles permaneceu ali.
Peguei uma garrafa de champanhe que alguém tinha levado e sai andando pelo local sozinha, distraída com o mar, as estrelas e com meus próprios pensamentos. Acabei indo parar no trapiche e avistei Alexander sentado no fim do mesmo, encarando a paisagem a sua frente, eu teria dado meia volta, mas queria enfrentar aquilo.
––Hey inglês––sentei ao lado dele.
––Oi.
––Quer um pouco? ––estendi a garrafa para ele.
––Não.
––Sabe falar uma frase com mais de uma palavra? ––perguntei, analisando o rosto sério dele.
––Sei ––falou, me fazendo bufar, mas ele não emitiu emoção alguma e continuou da mesma forma de antes.
Deixei minha bolsa e champanhe de lado e pulei na água, estava fria, mas foi ótimo sentir o mar ao meu redor. Eu estava em Sun West e praia nenhuma conseguia se comparar aquela, não queria voltar a superfície, queria ficar submersa para sempre, até que senti alguém me trazendo a tona.
––Você é maluca? ––Alec gritou comigo ––Está bêbada e pula na água assim ––continuou gritando, o cabelo molhado caía por seus olhos e seu rosto estava vermelho ––Poderia ter se afogado!
––Eu te amo! ––falei pela primeira vez em dez anos, longos dez anos, era ótimo poder dizer aquilo novamente ––Eu ainda te amo, Alexander ––sussurrei, sentindo as mãos dele soltarem de meus ombros.
––Renesmee...
––Você não é o único que manteve esse sentimento ––suspirei.
Alec não disse mais nada, apenas me beijou uma segunda vez aquela noite, o que me fez sorrir. Encaixei minhas pernas ao redor da sua cintura, agradecendo por meu vestido não ser longo, as mãos dele soltaram meu cabelo que estava preso em um coque, deixando os fios caírem pela minha costa.
Seus olhos se encontraram com os meus depois do beijo, e podia ter certeza de que ele estava com tanto desejo quanto eu. Sem dizermos uma palavra deixamos a água, recolhemos a garrafa e minha bolsa, indo em direção a casa dos pais dele, não nos importando em dizer uma palavra a quem continuava na praia.
A casa dos Cullen continuava exatamente como antes, pelo menos como eu me lembrava dela, aquilo era de certa forma aconchegante. Eu tinha passado tanto tempo ali que a sentia como minha segunda casa na cidade, e só de estar ali memórias fervilhavam em minha mente a todo vapor.
Alec e eu continuávamos em silêncio quando subimos para o antigo quarto dele, que não estava tão decorado como antes, mas que ainda tinha a mesma essência do dono. Quando a porta foi fechada, Alec por fim me olhou desde que deixamos a água, para então tomar a grande atitude da noite.
Suas mãos firmes e que sabiam muito bem o que estavam fazendo deslizaram o vestido que eu usava para fora do meu corpo, ainda mantendo seu olhar sobre o meu. Não estava usando sutiã, o que me deixou praticamente nua, e logo depois Alec terminou o serviço tirando minha calcinha.
––Você está mais bonita do que antes ––sussurrou em meu ouvido, passeando seus dedos sobre meus seios, barriga e sexo ––Eu quero você, Renesmee.
––Eu quero você, Alexander ––sussurrei de volta.
Então, sua boca mais uma vez se encontrou com a minha, mas Alec conciliou aquilo enquanto me levava para sua cama. Nos deitou ali e não parou de me beijar, ou me tocar, enquanto eu aproveitava cada instante, cada beijo, cada toque.
Cada pedaço de mim parecia gritar por mais e ele parecia escutar os gritos e me dava oq eu queria, deixando seus lábios percorrerem meu rosto, pescoço e colo, enquanto suas mãos trabalhavam no resto. Em algum momento sua boca começou a explorar ainda mais minha pele, até que chegou a minha tatuagem de pimenta na virilha, Alec pareceu fascinado e dedicou boa parte de seus beijos a ela.
––Eu preciso de você, Renesmee ––sua frase se modificou, seu sotaque britânico soando mais forte e sexy do que nunca só me fez notar que eu também precisava dele.
Inverti nossas posições, ficando por cima e tirando suas roupas molhadas, as jogando no chão junto com o meu vestido. Eu o beijei, o toquei e o aticei da mesma forma que ele tinha feito comigo, até que nossos corpos se uniram.
Nossas mãos se encontraram, enquanto gemia seu nome e ele afagava meu rosto com a mão livre. Eu nunca tinha me sentido tão conectada a alguém, nem mesmo com Alec dez anos antes, ali parecia que estava no lugar certo mais do que nunca.
Dançávamos no mesmo ritmo, nos amávamos no mesmo ritmo, nos completávamos no mesmo ritmo. Eu senti tudo com ele, cada prazer, cada pedido por mais, cada beijo, mordidas e chupões. Alexander e eu estávamos juntos, muito mais experientes e melhores do que nuca, ainda nos amávamos e aquilo tudo foi o grande conjunto para aquele momento ser tão perfeito.
Orgasmos misturados, nomes sussurrados, gemidos, pele suada e molhada. Mãos unidas, lábios encostados, sexo pulsando. Eu tinha tudo dele, eu queria e precisava de tudo dele, era assustador, mas sabia que era a verdade.
––Eu te amo, eu te amo, eu te amo ––proclamei repetidamente em seu ouvido ––Eu juro que te amo.
––Não precisa jurar, eu acredito ––suas mãos afagavam minha costa, uma vez que eu estava deitada sobre ele ––Eu também te amo ––beijou meu ombro.
O vendo fechar os olhos que eu tanto amava, tracejei com a ponta do dedo cada traço de seu rosto, memorizando tudo ali, como se fosse esquecer de como ele era em um piscar de olhos. Eu me recusava esquecer seus lábios, seus olhos e seu nome. Eu me recusava esquecê-lo, ou não tê-lo mais e foi com o pensamento de que não me afastaria mais que adormeci em seus braços.
Fale com o autor