Teenage Dream

31 Capítulo Trinta- Formatura


Notas iniciais
Então, aqui termina essa fase adolescente da história. No próximo capítulo voltaremos lá para a época que eles estão no prólogo, então se quiserem reler ele seria até legal. Espero que gostem do capítulo e desculpem caso não tenha ficado muito bom. (Se quiserem me encontrar no twitter @melemqueen e no whatsapp é só me mandarem comentários ou mensagem privada pedindo meu número)

Capítulo Trinta- Formatura

“Deixe-me levá-lo para fora desta cidade,

Deixe eu te levar agora, baby

Dançando até o amanhecer, ficaremos jovens para sempre

Vamos sair deste lugar” –Prom Song, Lana Del Rey

O vestido em meu corpo me deixou sem fôlego, era preto, mas com brilhos que começavam no busto e desciam por toda a saia. A manga era rendada e o decote bastante comportado levando em conta que a renda cobria boa parte do que não deveria aparecer. Meu cabelo estava penteado somente para um lado, mas estava bem escovado e hidratado ainda que eu estivesse com as pontas azuis, a maquiagem em meu rosto não era nada chamativa ou escandalosa demais. Era o visual perfeito para o baile de formatura.

––Por Deus, você está linda! ––Lucy exclamou quando me olhou completamente pronta aquela noite.

––Obrigada, você também ––pisquei para ela, que estava usando um vestido vermelho que com certeza valorizava seu corpo.

Era vermelho, não muito escuro nem claro demais, justo destacava cada curva de seu corpo e o decote deixava seus seios maiores ainda. O cabelo dela estava penteado para o lado oposto ao meu, e brincamos que estávamos tentando parecer gêmeas daquele jeito, mas a maquiagem dela era mais forte, principalmente a boca destacada de vermelho.

––Melhor descermos, os meninos já devem estar chegando ––falei, me olhando uma última vez no espelho.

––Seu namorado merecia ir a pé para a festa ––Lucy bufou enquanto saiamos do quarto que agora era de nós duas.

––Lu, a culpa é do dono da limusine que entendeu o dia do baile errado e teve que cancelar ––justifiquei.

––Bom, pelo menos conseguimos o dinheiro de volta ––suspirou, descendo a escada na minha frente, Rosalie e Emmett estavam saindo de casa quando chegamos ao primeiro andar.

––Deus, vocês estão lindas! ––mamãe exclamou quando nos viu, passou Sam para o colo de papai e veio até nós ––Preciso tirar fotos.

––Mamãe, não, por favor ––pedi.

––Ah não, eu adoraria que tirasse fotos de mim, tia Bella ––Lucy disse empolgada ––Por favor Ness, vai ser legal ––piscou para mim.

Resolvi ceder, afinal sabia que aquelas pequenas coisas eram importantes para Lucy, a garota parecia estar em um paraíso desde que se mudou para nossa casa. Do café da manhã a hora de dormir o sorriso nunca saía de seu rosto.

––Já sabem, não é? Se comportem! ––papai exclamou para nós depois da sessão de fotos da mamãe.

––Sempre nos comportamos ––falei para ele.

––Ah claro, as tatuagens de vocês comprovam isso ––rebateu, me fazendo rir.

A campainha tocou e mamãe foi atender, voltando para minha surpresa e de Lucy, com Riley, não com Alec. O loiro era sempre o último a chegar e surpreendentemente daquela vez foi o primeiro, muito inovador da parte dele.

––Que milagre é esse? ––Lucy perguntou confusa ––Flores? ––arregalou os olhos ao ver o buquê na mão de Riley.

––Pronta para ser minha Rainha mais uma vez? ––fez uma reverência para ela, que foi registrado pela hábil capacidade de mamãe tirar fotos.

––Claro que quero ––Lucy assentiu e eu sabia que ela estava a um ponto de chorar.

––Quero fotos de vocês dois! ––mamãe exigiu, fazendo a felicidade de Lucy aumentar mais ainda, a campainha tocou novamente e fui atender a porta.

Respirando fundo eu a abri, revelando a figura entristecida de Alec, que mesmo chateado conseguia continuar lindo. Toquei em seu rosto e ele fechou os olhos, me abraçando em seguida.

––Eu...

––Não ––fiz ele me olhar ––Vamos ter uma noite incrível, okay? Vamos deixar tudo que vai nos fazer sofrer para depois ––pedi.

––Tudo bem ––concordou, forçando um sorriso.

––Renesmee, Alexander venham tirar fotos ––ouvimos mamãe gritar e entramos em minha casa.

Mamãe podia muito bem ter feito um book de nós quatro com tantas fotos que tirou, mas ela estava contente e eu acabei ficando também. Depois de papai lançar um aviso de que os meninos deveriam se comportar, fomos liberados para ir ao baile, Lucy e Riley no carro dele e eu junto com Alec no seu.

––Coloca alguma música ––pediu quando entramos no seu carro, meu pendrive com músicas estava ali, então o coloquei para tocar, fazendo meu show particular para Alec enquanto dirigíamos para a escola.

O baile aconteceria na quadra de basquete, o que não era nada surpreendente. Assim que chegamos ao estacionamento da escola, Alexander desligou o carro, mas não fez menção de sair do mesmo tão rápido, eu também não.

––O que foi? ––perguntei.

––Eu te amo ––tirou o cinto e se aproximou de mim, deixando nossos rostos a centímetros um do outro.

––Eu também te amo! ––o puxei para um beijo ––Agora vamos entrar antes que eu comece a chorar ––pedi.

Saímos do carro, indo seguir todos os protocolos de um baile, isso incluía mais fotos ainda. O que só me fazia lembrar cada vez mais de Demetri a cada foto a mais que eu tirava, o que era bom e ruim ao mesmo tempo, pois me odiaria se me esquecesse do meu melhor amigo.

––Por que demoraram tanto? Estavam logo atrás da gente ––Riley falou quando nos encontramos com nossos amigos.

––Demoramos alguns minutos, nada demais ––sentei entre Bia e Alec ––E ai, como conseguiram sair de casa e parar de transar? ––provoquei a garota vestida em um belíssimo vestido azul do meu lado, que tinha finalmente se rendido aos prazeres do sexo.

––Cala a boca, Ness ––pediu rindo.

Alice usava um vestido branco decotado na frente, enquanto Gabs estava com um rosa, ambas tinham ido como companhias de Jacob. Até mesmo estavam sentados juntos como se fossem um par normal.

––Ness, vamos votar ––Lucy se lembrou, saltando de sua cadeira e me arrastando para a mesa de votação para rei e rainha da festa ––Meu voto vai para você amiga ––anunciou quando pegamos os papeis para a votação.

––Sabe Lu, acho que devemos ser altruístas e beneficiar outra pessoa hoje ––comentei.

––Quem? Bia?

––Não, sabemos que a Bia não liga de verdade para isso ––falei.

––Está falando que devemos votar na Heidi? ––perguntou perplexa, sua voz soando um pouco mais alta do que a música que tocava ali ––Você a odeia e aquela vadia é a sua pior inimiga.

––Bom, Heidi não é minha inimiga, só meu grande desafeto. Mas vamos levar em conta que a garota já perdeu a presidência do Grêmio e sabíamos o quanto ela queria aquilo, ficar em segundo lugar é chato, vamos deixá-la em primeiro hoje. Quem sabe uma vitória faça ela ser alguém mais legal no futuro.

––Você é muito difícil, mas tá bom ––Lucy votou em Heidi e no par dela ––Satisfeita? ––colocou seu voto na urna.

––Sim ––votei em Heidi também ––Viu? Fizemos algo legal, isso não é incrível?

––É, ser legal e menos fútil é bom ––concordou.

––Vamos dançar!

––Okay, vamos chamar os meninos ––falou.

––Não, só a gente.

––Mas está tocando música lenta, eu te amo amiga, mas não vou dançar música lenta com você.

––Está me falando que Lucy não consegue mudar uma música? Cadê seu poder de persuasão? Você pode ser uma pessoa menos fútil e ainda assim continuar sendo a garota mais bem vista pela cidade, conseguindo um favor ou outro.

Ela assentiu, dando um sorriso empolgado e caminhou até onde o DJ estava, poucas palavras trocadas com ele e a música lenta passou a ser Addicted To You do Avicii, a mesma música que dançamos na inauguração do hospital, cerca de um ano antes. Lucy voltou para perto de mim e estendeu sua mão para mim.

––Zeramos o jogo?

––O que quer dizer?

––Não vamos mais competir entre nós, não vai mais existir colocação entre a gente, somos completamente iguais agora ––disse séria ––Somos apenas amigas.

––Somos apenas irmãs ––a abracei ––Zeramos o jogo ––confirmei, a levando para a pista de dança depois.

Cantamos, dançamos e pulamos no meio da pista. Fazendo com que todos que estavam ali fizessem uma rodinha para a gente, para depois caírem nas graças de uma música animada, ficamos dançando juntas por mais algumas músicas e nem ligamos para o fato que nossos cabelos ficaram um caos.

Os meninos foram dançar com a gente depois, assim como nossos amigos e a pista pareceu pequena para tanta gente. Evitei beber o ponche batizado que me ofereçam e Alec também, porque queríamos aproveitar cada momento da noite e conseguimos ficando juntos.

Em algum momento, a música agitada abriu novamente espaço para uma lenta e eu que estava dançando com Bia e Gabs fui parar nos braços do meu namorado. Ele dançava muito mal, mas naquele dia não estava me importando com aquilo, nem mesmo reclamei quando ele conseguiu pisar em meus dois pés ao mesmo tempo.

––Desculpa ––fez uma careta.

––Tudo bem ––dei de ombros, continuando a dançar, sentindo seus batimentos cardíacos contra meu peito ––Alexander? ––o chamei baixinho, mas mesmo com o barulho ao nosso redor escutou.

––Sim?

––Cumpri mais um item da lista ––murmurei.

––É, qual? ––perguntou curioso.

––Eu me apaixonei verdadeiramente ––sorri para ele.

––De nada pela contribuição? ––perguntou brincando.

––Idiota ––revirei os olhos.

––Sério? Eu sou sua paixão verdadeira?

––E a única ––confessei ––Nunca tinha me apaixonado antes de você, nunca tinha sentido nada do que senti com você, antes mesmo de estarmos juntos você já me fazia viver de uma forma mais apaixonada. Você fez com que eu percebesse que a vida era boa, a cada dia a mais que passava ao seu lado, mesmo com as brigas.

––Eu também penso assim ––seus olhos azuis me avaliaram ––Obrigado.

––De nada ––devolvi, o fazendo sorrir e beijar minha testa.

A música chegou ao fim e o diretor subiu ao palco para anunciar a corte do baile, Lucy e Riley viram para nosso lado e o loiro não parava de falar como ficaria bonito como rei. Apesar de Lu e eu termos votado em Heidi, as chances deles ganharem não dependiam apenas de nós duas.

––Como terceira princesa e terceiro príncipe temos Lucy Denali e Riley Biers.

––O quê? Como assim eu fiquei em último? ––Riley perguntou perplexo, enquanto Lu o arrastava para o palco.

––Ele vai surtar ––Alec riu, me abraçando por trás.

––Nossa segunda princesa e seu príncipe é Beatriz e William Gilbert ––Bia deu um gritinho animado ao ouvir seu nome e caminhou em direção ao palco com o marido.

––Tudo bem, pronta para ganhar?

––Deus me livre ser a rainha ––resmunguei, realmente preocupada de ficar com aquele titulo.

––Como primeira princesa e primeiro príncipe, anuncio para vocês Renesmee Masen e Alexander Cullen ––o diretor falou, Alexander segurou em minha mão e caminhamos para o palco, foram colocados coroas bem mais simples do que de rei e rainha e faixas na gente ––E reinando soberanamente na corte, temos Heidi Volturi como Rainha e Caius Nicholls.

A felicidade de Heidi ao conseguir aquele titulo comprovou para mim que eu tinha feito a coisa certa votando nela, percebi que eu não me importava em ficar em segundo lugar, pois eu não queria ser o centro de nada. Então fiquei muito feliz com a minha posição e ainda mais com a dela.

Depois da coroação, fomos obrigados a ouvir as lamurias de Riley por ter perdido, mas ele se calou depois de Lucy perder a paciência com ele. Os dois brigaram e ficaram emburrados na mesa, até pouco antes da festa, quando fomos dançar todos juntos a última música da noite.

Mesmo depois do fim do baile, continuávamos com muita disposição, então nosso grupo decidiu ir matar o resto da noite na praia. Alec e eu, assim como no começo do baile, passamos algum tempo em silêncio em seu carro, ficando completamente para trás em relação aos outros, éramos os últimos a estarem ali da escola toda.

––Eu quero fazer algo ––segurei em sua mão, o impedindo de ligar o carro.

––O quê? ––perguntou.

––Sexo!

––Podemos ir para a minha casa, apesar de todo mundo estar lá e...

––Não lá, aqui! ––exclamei.

––Aqui no carro?

––Aqui no carro ––confirmei, dando um sorriso nervoso para ele.

Eu não precisei dizer mais nada, Alexander passou para o banco de trás do carro dele –que era bem espaçoso –me puxando para seu encontro logo depois. Mesmo com o vestido longo, consegui sentar em seu colo, agradecendo pela saia ser do estilo rodada, não justa.

Nossas bocas logo se encontraram e suas mãos foram parar em minhas costas, enquanto as minha ficaram em seu rosto. Estávamos tão excitados com a situação que eu não demorei muito para tirar minha calcinha, ainda que super sem jeito por estarmos em um carro e Alec abaixou sua calça e cueca, pegando uma camisinha em sua carteira antes disso.

Coloquei o preservativo nele, depois de uma rápida masturbação e voltei a sentar sobre seu colo. Gemendo quando nossos corpos se uniram, mordi seu lábio inferior, sentindo Alec se movimentar em baixo de mim e encontrar um ponto mais sensível do meu corpo.

Mesmo sendo em um carro, em um estacionamento de escola, onde qualquer um poderia aparecer, foi uma das melhores transas que tivemos. Com certeza porque com o perigo era mais intenso, quando acabamos ficamos algum tempo sem conseguir falar nada, apenas nos olhando.

––Você foi perfeita ––beijou meu pescoço ––Podemos repetir?

––Não agora ––vesti minha calcinha ––Vamos para a praia, estão nos esperando.

Alec hesitou, tentou me convencer a repetir, mas acabou aceitando e nos levando para a praia. Nossos amigos tinham se reunido na parte mais distante da praia, estavam dividindo uma garrafa de champanhe e riam de algo.

––Agora vocês realmente demoraram, tudo bem? ––Will perguntou preocupado quando nos unimos a eles.

––Sim, tudo ótimo ––lancei um sorriso malicioso para Alec que me beijou imediatamente, fazendo os outros começarem a gritar para pararmos com a melação.

Passamos algum tempo conversando, matando três garrafas de champanhe que tinham restado do casamento de Bia e Will, também cantamos e em alguns momentos apenas ficamos em silêncio olhando de um para o outro. Eu estava entre as pernas de Alec, analisando todos, querendo guardar o rosto de cada um em minha memória, na segunda semana do verão eu partiria para Boston, onde faria um treinamento e seria mandada para a Índia, de todos eu seria a mais distante e até mesmo incomunicável, o que era assustador demais.

––Vamos para a água ––Lucy exclamou, chamando a atenção de todos.

––Mas está frio ––Bia protestou.

––Gente, não reclama, vamos lá ––Riley concordou com a namorada.

Eu cedi imediatamente, mesmo que a noite estivesse um pouco fria. Pedi para Alec abrir o zíper do meu vestido e ele se demorou demais com os dedos em minhas costas, beijando meu ombro depois daquilo. Fiquei apenas com o top que estava por debaixo do vestido e calcinha, assim como as outras meninas, enquanto os garotos ficaram em suas cuecas, por sorte nenhuma peça de roupa era branca, ou seria constrangedor demais.

––Não, vamos pular do trapiche! ––Lucy gritou pulando nas costas de Riley, que a levou assim até o mesmo.

Formamos uma fila ao chegarmos lá, eu fiquei entre Lucy e Alec, sentindo ambos segurarem em minhas mãos ao mesmo tempo. Todos ali deram as mãos e depois de uma contagem até três pulamos na água gelada, por um momento deixei tudo de lado e me entreguei as ondas, sentido meu corpo e minha alma leve, até que braços familiares me puxaram, pouco antes que eu começasse a afogar.

––Estava escuro lá embaixo ––sussurrei para Alec.

––Então não volte para o escuro ––beijou minhas mãos, sorrindo para mim ––O mundo está iluminado para você, Ness ––afirmou.

––Vamos para casa ––murmurei.

Nos despedimos dos outros e seguimos para minha casa, antes dei um jeito de Lucy fazer entender que Alec dormiria comigo, então ela me tranquilizou que iria para a casa de Riley. O silêncio que se fazia em casa foi rompido quando entramos nela, caminhamos a passos lentos para meu quarto, fazendo o mínimo de barulho possível.

Mais uma vez Alec tirou meu vestido, mais uma vez ele me beijou, mais uma vez fomos para minha cama. Mais uma vez fizemos amor, mais uma vez eu senti seu corpo se unir ao meu, mais uma vez senti que eu era perdidamente apaixonada por ele, mais uma vez quis tê-lo para sempre comigo.

Depois do sexo e de nos vestirmos com roupas para dormir, sentei em minha escrivaninha, vendo Alec deitado em minha cama olhando diretamente para mim. A figura séria dele era completamente contrastante com o Pernalonga no pé da cama, o que me fez sorrir e pegar papel e caneta.

––O que vai escrever? ––indagou.

––Tem um item da lista faltando ––sussurrei, então ele ficou quieto, me deixando escrever a carta que eu iria ler dali a dez anos.

Quando acabei de escrever, sentindo uma vontade enorme de chorar, a tranquei em uma caixa de coisas que eu tinha em meu armário. O lugar onde ela ficaria os próximos anos, onde eu nunca iria mexer até o dia certo.

––Pronto? ––ele perguntou quando me deitei ao seu lado na cama.

––Pronto ––o abracei, beijando seu peito e sentindo seu perfume misturado com o de maresia.

Não dormimos, mas também não voltamos a fazer nada, apenas ficamos juntos em silêncio. Aproveitando os últimos momentos que tínhamos um com o outro.

Na manhã seguinte, Alec e eu saímos do meu quarto quando ouvimos Rachel chegar para minha formatura, descemos a escada de mãos dadas. E tentei não rir ao ver a expressão de pavor no rosto de papai e a raiva no de vovô ao constatarem que eu tinha dormido com um garoto em casa.

––Bom dia família! ––os saudei.

––Bom dia ––meu pai e avô resmungaram, mamãe e Rosalie foram as únicas que deram bom dia e Emmett estava ocupado demais com o filho para falar qualquer coisa.

––Oi cunhadinho, bom te ver logo pela manhã ––Rachel o abraçou.

––Oi Rach ––sorriu para ela ––Vejo vocês na formatura.

Ele me beijou e deixou minha adorável casa de clima tenso, que suavizou quando Lucy chegou e começamos a nos preparar para a formatura. Nós duas estávamos terminando nossas maquiagens, o que era bem difícil se fazer com aquela beca e capelo amarelos e azuis, quando a loira resolveu jogar uma bomba em meu colo.

––Eu não vou fazer o discurso de formatura, você vai.

––O quê? ––gargalhei ––Está louca?

––Não, é que você sabe que eu não sou boa com discursos, o único que realmente criei foi o do aniversário da cidade.

––Mas você é a presidente do Grêmio, não eu!

––E o que isso importa, depois de hoje não vamos mais estar no grêmio mesmo ––ela passou mais um pouco de batom em meus lábios ––É a sua vez amiga, vai lá e faz um discurso foda!

––Lucy...

––Renesmee...

––Tá bom ––suspirei ––Faço o maldito discurso ––bufei ––Mas não vou ter tempo de escrever nada.

––Fale apenas o que está sentindo ––Lu deu de ombros.

Sai de casa pensando no que falaria naquele discurso e cheguei a escola do mesmo jeito, tivemos algum tempo para falar com amigos e familiares até que a cerimônia se iniciou. Fomos arrumados em fileiras divididas por ordem alfabética do sobrenome, então fiquei bem distante dos meus amigos que tinham sobrenomes com letras próximas.

O diretor falou bastante, os outros professores e suprindo a falta do prefeito –que continuava afastado de seu cargo –o pai de Riley substituiu. Quando o diretor anunciou a oradora da turma, dizendo meu nome ––com certeza Lucy deveria tê-lo informado da troca –todos da turma de formandos me olharam confuso pela mudança.

Caminhei nervosa até o palco, sem papel algum em minha mão para servir como base para aquele discurso. O que eu falaria? Por que eu tinha topado aquilo? Por que parecia que eu diria um adeus eterno para aquelas pessoas? Por que doía tanto mesmo com algumas pessoas da turma que eu não gostava? Até mesmo Nahuel estava naquele meio!

––Sei que estavam esperando Lucy Denali vir discursar aqui hoje, mas ela pediu que eu fizesse as honras da casa –– comecei explicando a alteração ––Enfim, finalmente estamos nos formando, depois de longos anos em educação básica até o colegial. Foram momentos bons, ruins e maravilhosos, principalmente esse ano.

Eu me lembro do primeiro dia de aula, como se fosse hoje. Eu me lembro das suas palavras para a gente, professor Whitlock –olhei rapidamente para o corpo docente onde o professor Jasper estava sentado –, o senhor nos motivou a lutar pelo que realmente queríamos e algum tempo depois uma pessoa muito especial para mim repetiu suas palavras, então vou levá-las comigo para sempre, me permite fala-las aqui? ––indaguei e ele assentiu sorrindo.

–– O professor Whitlock disse ––continuei ––“Acredito que não há nada nesse mundo que pode ser conquistado sem luta e sofrimento”. Essas com certeza são as palavras mais marcantes não só do ano, como da minha vida inteira, pois representam que devemos ir atrás do que realmente queremos, independente do que os outros pensam. Ainda assim, são palavras sinceras, pois nos mostram que no caminho vamos sofrer.

E todos sofrem, todos sempre sofrem. Um tempo atrás, uma garotinha assustada voltou a ter medo do escuro, um tempo atrás uma garotinha assustada não tinha liberdade ––olhei para Lucy, que chorava silenciosamente ––Elas sofreram, mas hoje elas estão na claridade e livres, hoje elas estão felizes. Ainda que haja uma parcela de sofrimento em seus corações, por qualquer motivo que seja.

Eu sei que além dessas garotinhas, todos os alunos que estão se formando hoje tiveram seus problemas, seus receios e seus sonhos. Mas temos o futuro para superá-los e conquistá-los e mesmo que o amanhã pareça muito assustador, ele é tudo que temos. O futuro foi feito para as pessoas apaixonadas que precisam de mais tempo ––lembrei das palavras de mamãe ––E cabe a nós aproveitá-lo da melhor forma possível.

Quero lembrar a vocês, de forma que pode ser muito cruel, até mesmo para mim, o quanto a vida é curta e cheia de surpresas. Perdemos um amigo a pouco tempo, alguém significava de mais para muitas pessoas, ele como todos nós tinha seus medos e sonhos, mas ele acreditava que o futuro seria brilhante.

Demetri nunca vai estar morto de verdade enquanto seus amigos e a memória dele permanecerem aqui, as fotos que ele tirou, as coisas boas que ele fez. Eu tive a grandiosa oportunidade de conhecê-lo desde muito nova e fico muito orgulhosa dele ter se tornado uma pessoa tão especial.

Eu hoje dedico a minha formatura a ele e peço que cada um de vocês dedique esse momento a alguém muito especial para você, pai, mãe, irmão, tanto faz, só precisa ser alguém que ame apesar de tudo ––fechei os olhos por um instante, pensando em Demetri com todas minhas forças, abri os olhos um tempo depois, bem a tempo de ver os outros fazerem o mesmo ––Quero parabenizar cada um de vocês por terem chegado até aqui, até mesmo aquelas pessoas que fizeram mal a alguém em algum momento ––meus olhos passaram rapidamente por Nahuel ––Espero que no futuro todos sejam pessoas melhores, pessoas honestas, amigáveis e amorosas, pessoas especiais. Mas que não se esqueçam do passado e de onde vieram.

Parabéns pela formatura! Parabéns por terem persistido! Parabéns por acreditarem no futuro! ––terminei o discurso, Lucy foi a primeira a aplaudir, ficando de pé e sendo seguida por todos os outros. Ainda sobre os aplausos deixei o palco, voltando para meu lugar, deixando que a formatura continuasse.

Os formandos foram chamados um por um para pegarem seus diplomas e eu gritava de felicidade a cada nome dos meus amigos, até que meu nome foi anunciado e retornei para o palco, indo pegar meu diploma. Sorri para a câmera de mamãe, ido até mesmo tirar uma foto com meu adorado professor de matemática e meu padrinho.

Quando todos retornaram para suas posições, fizemos a clássica jogada de capelo para o alto, para depois sermos cercados por parentes e familiares. Eu estava sendo esmagada por abraços da minha família e Lucy, que já fazia parte dela, quando Alec se aproximou de mim.

––Cenoura?

––Inglês?

––Parabéns, amor ––me abraçou, tirando meus pés do chão ––Você foi incrível hoje e eu te amo tanto ––falou contra meu cabelo.

––Obrigada, por tudo ––tentei não chorar, mas depois de tudo foi impossível.

––Barbie, parabéns! ––foi abraçar a loira, que também chorou.

––Obrigada, sério Alec, obrigada ––afagou o rosto dele ––Você fez muito por mim e pela Nessie.

––Vocês que fizeram por mim ––beijou a testa dela.

––Vem cá ––Lucy me chamou para o abraço e me uni a eles, onde consegui chorar ainda mais ––Eu amo vocês!

––Também te amamos, Barbie ––Alec e eu falamos juntos.

––Vamos atrás dos outros ––ela nos arrastou para onde nossos amigos estavam reunidos.

Mais abraços, mais parabenizações e com certeza muito mais choro. Meus amigos estavam completamente emocionados e um pouco ensandecidos, até mesmo Alice que teve uma ideia.

––Vai fazer o que?

––Confessar meu amor platônico pelo Jasper, agora não sou mais aluna dele e não tem mais problema nenhum ––explicou ––Vocês querem ir comigo nessa? ––perguntou para mim e para as meninas, que imediatamente concordaram.

Primeiro Jasper, ou senhor Whitlock nos parabenizou pela formatura, disse que eu tinha o emocionado com minhas palavras e a menção a sua fala. Até que minha prima decidiu abrir o jogo.

––Eu te amo!

––Oi? O que? ––ele perguntou surpreso.

––Eu te amo ––Alice suspirou, sorrindo depois ––Sei que isso é loucura, mas não se preocupe, não estou aqui para implorar que fique comigo, nem nada disso. Afinal eu logo estarei em New York e um namorado agora não vai combinar com essa nova fase da minha vida, mas eu tinha que te dizer isso.

––Nossa Alice, eu não sei o que falar ––Jasper continuava em choque.

––Não precisa falar nada ––minha prima disse, dando um beijo no canto da boca do nosso antigo professor de história ––Espero te rever algum dia ––piscou para ele e nos arrastou para longe dele, contando o quanto estava aliviada por ter contado.

Vi Esme se aproximar com um bebê bastante familiar em seus braços, Miguel, me afastei delas e olhei chocada para até então minha sogra.

––Oi querida! ––Esme chegou até mim.

––O que está fazendo com ele? Vocês vão...

––Não ––ela me cortou antes que eu pudesse concluir a frase ––Infelizmente eu não possuo mais a mesma disposição de antes, Alexander vai para a faculdade e eu tenho que me aproximar mais de Jane, mesmo trabalhando muito, não estou mais com idade para outro filho ––falou ––Mas Alec pediu que eu conseguisse trazer essa coisinha fofa ––beijou a bochecha de Miguel ––Para a formatura de vocês.

––Campeão ––peguei Miguel dos braços dela, chorando tudo que me restava.

––Você conseguiu! ––Alec chegou perto de nós, beijando a cabeça de Miguel ––Oi Campeão.

––Obrigada ––beijei o ombro de Alec.

––Não precisa agradecer, eu fiz isso por mim também ––pegou Miguel de mim ––Vou sentir muita falta desse garoto.

––Vocês tem meia hora até que eu precise levá-lo de volta para o orfanato ––Esme anunciou.

Alec e eu concordamos e fomos apresentar Miguel para os outros, que ficaram encantados por ele. Mas em momento algum deixamos outra pessoa que não um de nós dois o segurasse, porque de certa forma o bebê era nosso, nossa responsabilidade e nosso pequeno.

Na hora que Esme nos chamou, eu senti meu peito doer muito por precisar me afastar dele, segurando Miguel em seus braços, Alec me abraçou. Então passou Miguel para mim uma última vez.

––Eu volto para te ver, prometo.

––Prometemos ––Alec também disse para o bebê que balbuciava algumas palavras para nós.

––Ele vai ficar bem ––Esme pegou Miguel ––Parabéns, filha ––me abraçou por um instante ––Espero que nos vejamos novamente algum dia e aproveite muito sua vida.

––Eu vou, obrigada por tudo Esme.

––Vamos, eu não quero vê-lo ir embora ––Alexander segurou em minha mão, me arrastando para seu carro, onde pediu que eu dirigisse.

O caminho que peguei era o que nos levaria para a lanchonete de papai, onde nosso grupo de amigos estava para o último encontro. No dia seguinte Alec iria embora, Jacob iria no fim de semana, eu depois de duas semanas. Alice no meio do verão, seguida por Will e Bia e por último Riley, Gabs e Lucy. Seria nosso último grande momento juntos.

––Quanto tempo vai ficar com esse azul? ––Alec perguntou brincando com a ponta do meu cabelo enquanto eu dirigia.

––Acho que até ir para Boston, Rachel queria que eu pintasse de verde depois, mas isso não faz muito a minha praia ––comentei.

––Você fica linda de todo jeito ––falou ––E até que está dirigindo muito bem ––aprovou.

––Eu tive um excelente professor ––afirmei.

Chegamos a lanchonete e todos pedimos o mesmo hambúrguer que comemos após o enterro de Demetri. Aquela reunião entra a gente só serviu para as saudades que eu já sentia aumentar ainda mais.

Aos poucos, cada um foi indo embora, tendo suas próprias vidas para cuidar. Permanecemos apenas Alec e eu, a pouquíssimas horas dele ir embora de vez.

––Acabou ––murmurei com lágrimas nos olhos.

––É, acabou ––ele também murmurou.

––Eu não quero dizer adeus ––falei ––Eu não vou te deixar no aeroporto amanhã com os outros.

––Tudo bem, eu entendo, acho ––continuou murmurando ––É melhor eu ir embora logo ––se levantou.

––Foi aqui! ––exclamei, o fazendo olhar para mim ––Você e Jan estavam nessa mesma mesa quando nos vimos pela primeira vez.

––E cá estamos de volta para o começo ––deu um breve sorriso ––Eu realmente preciso ir embora, Renesmee ––saiu apressado da lanchonete antes que eu pudesse falar qualquer coisa.

Depois daquilo eu precisei de Rachel e Lucy para me consolarem, nem mesmo me agarrar ao Pernalonga fez com que eu dormisse e quando amanheceu eu sabia o que deveria fazer. Pedi o carro de papai emprestado e sai de casa.

Parei o carro no estacionamento do aeroporto, mas não deixei o veículo logo, eu ainda me sentia uma intrusa ali, como se não fosse justo ir me despedir dele. Entretanto, uma necessidade enorme de dizer adeus me dominava, eu sabia que precisava daquele momento, que nós dois precisávamos daquilo, mesmo com todas as conversas que tivemos nos últimos dias.

Soltei meu cabelo do coque em que ele estava, sabendo o quanto Alec gostava dele solto, limpei as lágrimas que passeavam por meu rosto e reforcei meu batom. Peguei o livro e o dinheiro no porta-luvas e sai do carro, antes que desistisse de ir vê-lo e fazer o que tinha em mente.

Meus passos eram arrastados enquanto me dirigia para o interior do aeroporto, agarrada ao livro em minhas mãos. Eu olhava para todos os lados, buscando por eles e por ele.

A primeira pessoa que vi foi minha prima, Alice piscou para mim e sorriu, tentei sorrir de volta, mas não consegui. Próxima a ela, Beatriz estava abraçada a Will, enquanto Riley conversava com Gabriella. Um pouco mais afastados do grupo, Lucy estava abraçada a Alexander e pelo os movimentos dos ombros dela, minha melhor amiga estava chorando.

Aquilo foi o suficiente para adiantar o passo até eles, toquei no braço de Lucy, a fazendo olhar para mim. Os olhos estavam vermelhos, assim como seu rosto, era como ela sempre ficava quando chorava e o que sempre me deixava preocupada.

––É a sua vez! ––Lucy exclamou, afastando-se de Alec, nem ele, muito menos eu tínhamos tido coragem do nos olhar até ali.

––Vamos, amor –Riley se aproximou de Lucy.

––Cuida dela Riley, por favor ––Alexander pediu para o loiro ––Lucy é importante demais para ser deixada de lado.

––Eu vou cuidar, prometo ––Riley beijou o topo da cabeça da loira, a levando consigo para onde os outros estavam.

Alexander por fim me olhou, com aqueles malditos olhos azuis da cor do mar que tinham feito eu me apaixonar por ele a cada dia mais. Só que ali, eles estavam cheios de lágrimas, o que me machucou, pois eu odiava vê-lo daquele jeito.

––Eu trouxe isso para você ––estendi o livro para ele.

––Um livro? ––Alec olhou confuso para as folhas encadernadas em minhas mãos.

––Sim, o meu livro ––sussurrei.

––Você escreveu! ––exclamou surpreso.

––E agora estou te dando ––coloquei o livro em suas mãos ––É a única cópia.

––Não posso ficar com a única cópia do seu livro ––queixou-se.

––Pode sim ––assenti ––Eu quero que fique com você.

––Mas Renesmee...

––Eu vou escrever outras histórias.

––Sim, eu não duvido nem um pouco que você ainda vai escrever muitos outros livros, mas esse é o seu primeiro ––gesticulou com o próprio livro.

––E é por isso que deve ficar com você ––apertei sua mão contra o livro ––Quero que apesar da distância exista algo nos ligando, você me deu o Buster, eu estou te dando meu livro. Se algum dia nos reencontrarmos você pode me devolver, mas só se quiser, não ligo se ficar com você para o resto da sua vida.

––Obrigado ––Alec murmurou, voltando sua atenção para o livro.

––Tem outra coisa que eu devo te dar também ––abri a primeira página do livro, revelando cinco dólares.

Eu pensei que Alexander não lembraria daquilo, como eu mesma lembrava, mas a risada que ele soltou comprovou que era uma de suas recordações também. O dinheiro era para pagar o que devia a ele, quando o inglês foi na lanchonete do meu pai pela primeira vez e eu lhe cobrei a mais pelo que tinha consumido.

––Eu realmente não sei o que fazer com você ––ele fechou o livro, o colando em cima da mala que estava ao seu lado.

––Você sabe sim ––envolvi meu corpo com meus braços, controlando a vontade de voltar a chorar.

––Vou sentir sua falta, todo dia, toda hora ––Alec tocou em meu rosto, passando sua mão por meus lábios como tinha feito em nossa primeira aula de artes.

––Eu também ––choraminguei, pulando em seu colo, passando minhas pernas ao redor da sua cintura ––Eu nunca vou me esquecer de você, nem mesmo que eu queira.

––Isso vale para mim ––uma de suas mãos sustentava meu corpo, enquanto a outra se mantinha em meu rosto –Eu amo você, Renesmee.

––Eu amo você, Alexander.

Meus lábios se encontraram com os dele e com delicadeza Alec me devolveu para o chão, podendo segurar em minha cintura, enquanto eu deixava meus dedos se perderem em seu cabelo volumoso. Pela primeira vez não sentia vontade de sorrir enquanto o beijava, apenas queria chorar, me agarrar a ele e nunca mais me afastar, mas sabia que isso não era possível para nenhum de nós.

O beijo se tornou algo intenso e eu podia jurar que fugiríamos para o carro dele só para transar, mas aquilo não era mais para a gente, nunca mais seria, pois aquilo era nossa despedida. Sem me conter mais, comecei a chorar, segurando com força a gola da camisa dele, o puxando mais para mim.

Podia sentir Alexander inalar o cheiro do meu cabelo, com toda certeza sentindo o aroma de chocolate que apenas ele conseguia notar. Enquanto isso eu estava com a cabeça em seu peito, contando as batidas do seu coração, o meu não batia mais, ele estava apenas sangrando pela dor do momento, me consumindo e fazendo com que eu chorasse mais e mais.

Ouvimos o sistema de som do aeroporto anunciar seu voo para Los Angeles –de onde ele iria partir para Londres –e nos abraçamos com mais força. Alec ergueu meu rosto, o enchendo de beijos, passando por minhas lágrimas por vê-lo partir de Sun West e da minha vida.

––Faz um ano –sussurrou no meu ouvido ––Estávamos nesse mesmo aeroporto, com você indo para Los Angeles. Não nos conhecíamos nem um pouco, mas eu disse que iria te ver quando voltasse e vi, olha onde chegamos agora.

––Aonde quer chegar com isso?

––Quero dizer que não importa quanto tempo se passe, eu sempre vou querer te ver mais uma vez. Você me ensinou muita coisa, Renesmee, eu te ensinei muito. Isso importa para mim, isso sempre vai estar em mim, isso sempre vai ser motivo para eu te amar.

––Também nunca vou deixar de te amar ––toquei no rosto dele, sentindo a barba dele.

––Não é porque acabou que nunca deu certo, entende? Tivemos meses maravilhosos juntos, isso valeu a pena. Eu nunca vou dizer que o tempo que passamos juntos foi perdido.

––Sim, tudo valeu a pena, eu não voltaria atrás ––sussurrei.

––Eu te amo, simplesmente isso ––falou a centímetros dos meus lábios ––Vou te amar para sempre e espero que um dia te veja novamente.

––Vamos nos ver, nem que seja nos meus sonhos ––murmurei, o beijando.

E daquela vez eu sorri, como sorria a cada beijo que trocamos ao longo dos meses que estávamos juntos. Alec me ergueu do chão, fazendo com que eu sentisse mais do que nunca sua presença, seu espírito contagiante, sua forma de ver o mundo, o jeito como ele era cheio de esperança, eu o amava por cada detalhe e continuaria amando por todos eles.

Quando o voo foi anunciado mais uma vez, Alexander se afastou de mim. Ele beijou minha mão, me encarou por um instante com seu olhar da cor do mar, recolheu suas coisas e foi para o portão de embarque, com a mesma pose de sempre.

Vê-lo se afastar foi cruel, não como quando Lucy disse que me odiava, ou quando Demetri morreu, mas mesmo assim cruel. O aperto em meu peito se intensificou e eu chorei ainda mais, sentindo alguém tocar em meus ombros, para me abraçar em seguida.

Era Lucy, eu não precisava de muito para saber que era ela. A garota sempre estaria ao meu lado, apesar de tudo e acima de tudo, assim como eu esperava nunca mais decepcioná-la com meus erros.

––Você vai ficar bem –ela afagou minha costa.

––Vou –respondi, mesmo que não fosse uma pergunta ––Obrigada por estar ao meu lado.

––Rê ––Lucy fez com que eu olhasse para ela ––Eu nunca vou te deixar sozinha.

––Eu sei que não ––sorri em agradecimento ––Vamos lá viver o futuro!

Notas finais
Oh Deus, eu não supero esse final, vou ali tomar sorvete e ficar um pouco depressiva. Por favor, comentem! Lola Royal Beijos. 21.02.15