Teenage Dream
16 Capítulo Quinze- Sozinha
Notas iniciais
Capítulo Quinze- Sozinha
“E quando a noite fica escuro
E não há caminho de volta
Eu vou chamar o seu nome
Mas está desaparecendo, estamos desaparecendo” – Over and Over, 5 Seconds of Summer
Uma vez, Lucy e eu estávamos passeando no shopping com minha mãe, tínhamos pouco mais de oito anos na época e passamos na frente de uma loja de brinquedo. Fiquei encantada por uma boneca que vimos, ela era linda, loira, olhos claros e vinha com um vestido rosa incrível.
Pedi que mamãe desse a boneca a mim, mas como meu aniversário tinha ocorrido três dias antes, ela recusou me dar o presente, alegando que eu já tinha muitas em casa. Fiquei arrasada com aquilo, pois eu queria muito aquela, mas não tive escolha senão aceitar.
No dia seguinte, fui para a casa de Lucy brincar, cheguei lá e Nelly me levou para a casinha de árvore, dizendo que minha amiga logo me encontraria ali. Só que eu fiquei chocada quando vi a boneca ali também e no instante seguinte Lucy chegou, dizendo que a mãe dela tinha dado para ela.
Eu comecei a chorar, com minha mente infantil briguei com Lucy por ter conseguido a boneca para si, quando sabia que eu a queria muito. Foram longos dias sem nos falarmos por causa disso, até que Lucy apareceu na minha casa, me dando de presente uma boneca igual a sua e tudo entre nós se normalizou.
Cerca de nove anos depois, a situação era inversa, ou pelo menos aparentava ser. Era eu quem estava com algo que Lucy queria muito, daquela vez não era ela a culpada e sim eu.
–Nossa ruiva, você não perde tempo mesmo –Riley bateu palmas, fazendo com que eu desviasse minha atenção de Lucy.
–Lucy –dei um passo na direção dela, mas a loira despertou do transe que estava e gritou:
–Fique onde está, Renesmee Masen!
–Lucy, podemos explicar –Alec falou, andando até ela, mas acabou parando ao meu lado.
–Vocês formam um casal tão lindo –Lucy soou o mais sarcástica possível em sua frase –Então, me digam, vou ser convidada para o casamento de vocês? Ou ex-namoradas e amigas traídas não são bem vindas?
–Lucy, você precisa nos escutar –toquei no braço dela, mas a loira o puxou com força de minha mão.
–Não temos nada para conversar, Renesmee –seus olhos me encararam –Vocês dois me traíram da pior forma que podiam, isso é inadmissível.
–Por favor, Lucy, por um instante nos deixe falar! –Alexander gritou.
–Ei calma ai, amigo! –Riley ficou entre Alec e Lucy –Vocês dois não estão em posição para pressionarem a Lucy de jeito nenhum.
–Quais são as desculpas de vocês? –Lucy indagou, trancando a porta e arrastando Riley com ela para um dos sofás. Alec e eu permanecemos em pé, enquanto aquela que era minha melhor amiga –mesmo arrasada com o que tinha visto – mantinha uma pose inabalável.
–Conheci Renesmee antes de você, Lucy. Era com ela que eu queria ficar desde o começo –Alec disparou a falar –Na festa de inauguração do hospital pedi que Jacob me apresentasse à amiga dele, mas ele pensou que era você, só que eu estava me referindo a Renesmee. Sim, você era a garota errada, mas se lembra do que disse naquela noite depois de se apresentada mim? –Alec se ajoelhou diante de Lucy, pegando as mãos dela nas suas.
–Que queria ser eu mesma aquela noite, mesmo que por alguns minutos –Lucy sussurrou, com o olhar preso em Alexander –Você deveria ter me dito que eu era a garota errada! –puxou suas mãos das dele.
–Lucy, você foi a garota certa durante muito tempo –Alec disse, a conversa deles era muito parecida com a que tínhamos tido na praia, o que provava que o moreno não tinha mentido para mim.
–E agora a garota certa é Renesmee –Lucy disse meu nome com nojo –Quando foi a primeira vez que ficaram? –ela cruzou as pernas, deixando com que Riley apoiasse uma de suas mãos no joelho dela, Lucy nunca tinha aparentado ser tão fria quanto naquele momento.
–Na...
–Quietinha! –me interrompeu, colocando um dedo sobre seus lábios pintados de vermelho –Ainda não é a hora da minha adorada amiga falar. Você Cullen, explique a situação.
–Quando eu terminei com você –Alec bufou, sentando no outro sofá, me deixando em pé sozinha –Fiquei com Renesmee na biblioteca da escola.
–Pelo menos esperaram o termino do namoro, muito meigo –Lucy assentiu –Então, como foi que percebeu que eu não era mais a garota certa? Sim a ruiva.
–Começou quando Renesmee voltou de viagem, eu tentei convencer a mim mesmo que não estava querendo nada com ela, mas eu estava e isso não demorou muito para ficar bem óbvio. Tivemos uma aula de artes juntos e foi algo sobre sentidos, quase a beijei naquele dia e...
–Riley e eu tivemos essa aula juntos –Lucy o interrompeu –Nem por isso eu o beijei, eu te beijei? –perguntou para o loiro.
–Não, e olha que sou irresistível –Riley deu um tapinha no joelho dela.
–Lucy, o que importa é que Renesmee e eu nunca ficamos enquanto estava com você, não pode me julgar quanto a isso –Alec disse irritado.
–Na verdade –Lucy se colocou de pé –Eu realmente não tenho motivo algum para te julgar, pois eu já tive um namorado bem pior do que você em questões de safadeza, então estou acostumada a caras inúteis –piscou para ele –Mas essa daqui conseguiu me surpreender –se virou para mim.
–Agora eu posso falar? –perguntei aflita.
–Pode –Lucy deu um sorriso maligno para mim –Só que conversaremos a sós, queridinha.
–Lucy, eu tenho tanto envolvimento nessa história quanto a Renesmee –Alec se colocou de pé ao meu lado.
–Oh, que lindo –Lucy fingiu estar feliz com a cena a sua frente –Já está defendendo sua namoradinha.
–Eu não sou a namoradinha dele! –exclamei –Riley, tira o Alec daqui –pedi –Lucy e eu temos muito o que conversar.
–Por que eu tenho que perder a diversão? –Riley fez uma careta.
–Riley, vai logo! –Lucy gritou com ele.
–Tudo bem, já vou –ele revirou os olhos e se encaminhou para a porta –Alexander, vamos! Você já pode ter beijado essas duas bocas lindas, mas não vai querer estar no meio da discussão delas, isso vai acabar se transformando na terceira Guerra Mundial.
Alexander respirou fundo, mas acabou seguindo Riley para fora da biblioteca, eu continuava encarando Lucy e assim que a porta fechou, confirmando que estávamos sozinhas ela desabou. Lágrimas pesadas começaram a deslizar pelo seu rosto e quanto mais ela tentava limpá-las, mais chorava, tentei me aproximar dela e ajudá-la com aquilo, mas Lucy só conseguia gritar me mandando ficar longe.
A maquiagem dela já estava totalmente borrada quando por fim parou de chorar, pelo menos por um tempo, e voltou a me olhar. Os olhos azuis dela viviam me encarando, frequentemente, durante anos, mas Lucy nunca tinha me olhado daquele jeito.
Ódio, raiva, decepção, estava tudo ali. Não precisei de muito mais para começar a chorar também.
–Me perdoa, Lu –implorei.
–Te perdoar? Você me traiu! Sempre foi a pessoa quem mais confiei no mundo inteiro e simplesmente me apunhalou pelas costas.
–Lucy, não foi assim. Só fiquei com Alexander quando vocês terminaram, depois só ficamos hoje, juro que nunca ficamos enquanto vocês estavam juntos, ou...
–Isso não importa, Renesmee. Ele é meu ex e você ficou com ele, não teve nem a decência de me contar –Lucy desabou em um dos sofás, colocando sua cabeça entre suas mãos e chorando novamente.
–Lucy, por favor.
–Você devia ter contado, pelo menos o ódio teria diminuído, agora só consigo pensar enquanto você foi uma vadia –soluçou alto –Passei a minha vida inteira confiando em você, espalhando para todos o quanto você era a única pessoa que nunca tinha me feito nada de ruim –se interrompeu para chorar mais.
Sentei no outro sofá, chorando silenciosamente, deixando com que Lucy chorasse também. Culpa e ressentimento tomavam conta de mim e se pudesse voltar no tempo, nunca nem mesmo teria atendido Alec e sua irmã quando foram pela primeira vez na lanchonete do meu pai.
–Lucy, fala algo.
Ela me olhou por um instante, se levantou e caminhou até onde eu estava sentada. Permaneci ali mesmo onde estava, vendo Lucy e toda sua imponência de cima, me encarando daquele jeito assustador.
–Eu tenho nojo de você, Renesmee Masen –proclamou, dando ênfase a cada palavra –Você é falsa, traidora, mentirosa e uma péssima amiga. Queria nunca ter te chamado de amiga, queria apagar todos os momentos que passamos juntas da minha memória, queria voltar atrás e nunca ter chorado no seu colo. Sabe por quê? Porque tudo isso só me fez uma fraca diante de você.
É isso, não é? Minha vida maldita e desgraçada te fez acreditar que tinha o direito de arruiná-la para sempre? Quer saber? Você conseguiu, com muito êxito.
Não me importo com o fato de ter ficado com Alexander, me importo com o fato de ter feito isso pelas minhas costas, de ter agido comigo durante esses dias como se nada tivesse acontecido. Você é pior do que ele, você é pior do que o James. Renesmee, você me machucou mais do que meus pais.
Nunca mais vou conseguir confiar em alguém e isso é sua culpa, você acabou comigo. Você me destruiu. Você me feriu. Você fez tudo que uma melhor amiga nunca deve fazer. Parabéns por ser uma cretina –as palavras dela me deixaram sem reação alguma, eu só conseguia olhar para ela em choque, como nunca estive em toda minha vida.
Lucy arrancou de seu pescoço o colar que tinha com a metade de um coração, fiquei em pânico assim que notei o que ela estava fazendo, pois aquele não era um simples colar. Com dez anos, em uma lojinha pequena, nós duas compramos dois colares, metade de um dizia Best e a outra Friends, aquilo era tão parte de nós duas, que estávamos sempre com eles nos pescoços e nunca tirávamos para nada.
–Você ficou com o Best, irônico –Lucy balançou seu colar diante de si –Tudo que você não foi é ser a melhor. Toma –jogou seu colar no meu colo –Aprende a ser ao mínimo agora.
–Lucy, temos que esquecer isso –fiquei de pé, tentei abraçá-la, mas Lucy me afastou da pior forma possível.
Ela me deu um tapa e sua mão era forte demais, ao ponto de eu sentir a dor da agressão como se alguém tivesse me espancado. De certa forma eu estava tão destruída que o tapa só serviu de válvula para acionar todas as outras dores.
–Eu te odeio, Renesmee! –Lucy deixou a biblioteca, batendo a porta com força ao sair.
Não faço ideia de quanto tempo passei encolhida no sofá, chorando tudo que eu tinha para chorar, sozinha e desesperada. Só que em algum momento senti braços me envolverem e logo depois o inconfundível perfume de flores de Bia se fez presente, fazendo com que eu chorasse no colo dela por muito mais tempo, sem nenhuma de nós trocarmos palavra alguma.
–Finalmente a festa acabou –ouvi a voz de William ao longe, me fazendo notar que a música tinha acabado e a casa inteira estava em um silêncio macabro.
–Que horas são? –Bia questionou, me ajudando a levantar do sofá.
–Pouco mais de duas horas –Will deu um sorriso reconfortante para mim quando o olhei –Você vai ficar bem, ruivinha –piscou para mim.
–Vamos cuidar de você, ouviu? –Bia afagou meu rosto –Tem que ligar para sua mãe e dizer que vai dormir na minha casa hoje, seus pais não podem te ver nesse estado.
Aceitei o celular de Will, já que eu não estava com o meu e disquei o número da minha mãe. Ela já estava dormindo, então não me encheu de perguntas por minha voz estar rouca e estar tarde, e como conhecia a família de Beatriz também não me proibiu de dormir na casa deles.
–Precisamos limpar seu rosto, está todo borrado e inchado –Beatriz analisou o estado do mesmo –Will, pega os sapatos dela –Bia fez com que eu tirasse os saltos e os entregou para o namorado.
–Vejo vocês lá embaixo –ele falou indo para a escada, enquanto Bia me arrastava para o banheiro.
Deixei com que ela limpasse meu rosto, mas não cheguei nem mesmo perto de me olhar no espelho. Se Lucy sentia nojo de mim, eu também sentia, talvez eu até me odiasse mais do que ela mesma me odiava.
Quando Beatriz se deu por satisfeita, me ajudou descer para o primeiro andar, a casa ainda estava uma bagunça devido a festa. Só que Alexander não parecia nem um pouco preocupado com isso, pois assim que pisei no último degrau, ele correu para perto de mim.
–Desculpa Renesmee, eu não queria que isso acabasse assim.
–Alexander, se afasta dela! –William ordenou –Renesmee não precisa conversar com você agora.
–Renesmee... –Alec insistiu.
–Alexander, não! –William gritou com ele –Você já destruiu muita coisa em uma noite só, espere todos se acalmarem para voltar a esse assunto.
–Me tira daqui –pedi para Bia, não aguentando mais olhar para Alexander.
William e a namorada rapidamente me tiraram da casa dos Cullen, me colocando no banco de trás do carro do loiro. Beatriz não foi me abraçando, ou me reconfortando, como Lucy teria feito. Como Lucy sempre fez e aquilo só me fez voltar a chorar.
Na casa de Beatriz, eu tomei um longo banho, chorando ali também. Chorando antes de dormir no colchão que ela colocou no chão de seu quarto. E em meus sonhos só conseguia repetir a cena de Lucy dizendo que me odiava.
Pela manhã, antes mesmo dos pais acordarem, Beatriz me levou para casa. Ela fez várias perguntas, disse que estaria do meu lado no que eu precisasse, mas não conseguia falar nada de volta.
Tomei café da manhã em silencio com a minha família, com certeza perceberam que eu tinha algo, mas assim que as perguntas de mamãe começaram, sai de casa. Meu destino era a casa ao lado, onde apertei a campainha ininterruptamente até que alguém aparecesse para abrir.
–Pelo amor de Deus, são oito e meia da manhã de um sábado, o que está fazendo aqui? –o padrasto de Demetri questionou.
Apenas passei correndo por ele, indo em direção ao quarto do meu melhor amigo. Demetri ainda estava dormindo quando entrei no quarto dele, mesmo assim não me importei de me enfiar debaixo do lençol dele e o abraçar.
–Ei, o que houve? –instantaneamente o Albino acordou.
–Eu sou a pior pessoa do mundo –choraminguei, disparando em seguida os últimos acontecimentos da minha medíocre vida.
Demetri e eu não saímos do quarto dele pelo resto do dia, sua mãe até mesmo levou comida para a gente de hora em hora. Meu amigo me deixava chorar, o ajudar com umas fotos, chorar novamente e amaldiçoar Alexander por tudo.
Estava sentada na cama de Demetri, olhando para umas das fotos que ele havia tirado nos últimos tempos, quando novas lágrimas começaram a passear por meu rosto. Ele, que estava em sua escrivaninha montando um álbum, rapidamente se juntou a mim, me colando em seus braços.
–Isso dói tanto –murmurei.
–Renesmee –ele fez com que eu o olhasse –Isso não vai ficar assim para sempre, acredite. Lucy vai superar essa história e vocês irão se entender.
–Ela nunca vai me perdoar por isso, não de verdade, eu a conheço.
–Ela vai sim –Demetri sorriu para mim –Nem que para isso eu mesmo tenha que dar um jeito dela te perdoar da maneira mais sincera possível.
–Obrigada –agradeci.
–Quer saber, não adianta ficar aqui dentro remoendo isso –ele nos colocou de pé –Quer sair? Cinema, praia, qualquer lugar. Ou ir fazer algumas loucuras.
–Tem algo que eu preciso fazer, mas no momento tenho medo de que você também me ache uma péssima amiga –murmurei com receio.
–Prometo que não vou –piscou para mim –O que é?
Tomei coragem e uni meus lábios aos dele, pensando exclusivamente na lista de coisas que Rachel tinha me dado para cumprir. Tão rápido o beijei, o afastei. Demetri estava de olhos arregalados e com uma expressão amedrontada.
–O que foi isso?
–Rachel me deu uma lista de coisas para fazer antes de me formar, beijar meu melhor amigo estava incluído no pacote –expliquei.
–Oh Deus, que horror –Demetri começou a limpar sua boca com a camisa –Você não é uma péssima amiga, mas é uma péssima ficante, ao menos para mim, não se ofenda –ficou esfregando sua boca repetidamente com a camisa e a mão.
–Tudo bem –gargalhei, como pensava que nunca mais ia gargalhar depois de tudo que ocorreu.
–Finalmente você riu! –Demetri exclamou aliviado –Mesmo assim, nunca mais me beije, fique longe de mim com essa sua saliva.
–Pode deixar –ri ainda mais e Demetri me acompanhou, enquanto eu ria, lembrei que nunca mais iria rir com Lucy, então voltei a chorar.
No domingo foi a vez de Demetri ir para minha casa, fazendo companhia a mim e a minha crescente tristeza. Meu celular estava desligado em algum canto da minha casa, mas mamãe me informou que Beatriz tinha ligado algumas vezes para o telefone de casa, para saber como eu estava. Obviamente mamãe estava se corroendo de curiosidade para saber o que eu tinha, mas eu estava tão dispersa que ela parou de perguntar e entendeu que não me ouviria falar sobre aquilo.
Quando o domingo chegou ao fim, e a manhã de segunda-feira nasceu junto com o Sol, precisei de toda a coragem que restava dentro de mim para levantar da cama e me arrumar para a escola. Meu rosto estava muito pálido, meus olhos continuavam vermelhos das crises de choro que eu tinha esporadicamente e quase não comi nada durante aquele fim de semana, o que estava claramente me deixando fraca.
–Pensei que você nem ia para a escola hoje –mamãe falou quando me uni a eles na cozinha –Será que agora...
–Bella, Renesmee está claramente passando por algum problema, mas não quer contar, então no mínimo a deixe em paz –papai interviu –Coma algo, filha –afagou meu rosto e colocou um prato de comida para mim.
–Pode levar a mim e a Demetri para a escola? –perguntei para papai –Ele vai de ônibus, mas não estou afim de ir assim.
–O que aconteceu com as caronas de Lucy? –mamãe questionou.
–Isabella, já falei que se Renesmee não quer falar disso devemos respeitar –papai bufou.
–Quer saber, Lucy e eu brigamos –me voltei para mamãe –Não somos mais amigas, então ela não mais me dar caronas para a escola. É isso, acabou a história –fiz uma careta.
–Por que brigaram?
–Chega –papai bateu na mesa –Essa história acaba aqui, Bella. Renesmee já vai fazer dezessete anos, pode muito bem se resolver sozinhas com as amigas.
–Mas eu sou a mãe dela.
–Sim, amor –papai assentiu –Mas você tem que deixá-la resolver seus próprios problemas, sozinha.
–Vou esperar no carro, estou sem fome –sai de casa, indo chamar Demetri para ir comigo para a escola –Nada de ônibus escolar para você hoje, mocinho –o chamei quando o vi se encaminhando para o ponto de ônibus.
–Alguma limusine vem buscar a gente?
–Não –ri –Só o carro do meu pai mesmo.
–Como você está? –ele me perguntou, quando entramos no banco de trás do carro do papai, já que Emmett iria no banco do carona.
–Acabada –suspirei alto –Minha vida mudou drasticamente, não tenho ideia de como consertá-la. Queria tanto que Lucy me entendesse.
–Dê tempo para Lucy pensar, se ponha no lugar dela, Renesmee. Lucy viu a melhor amiga beijando seu ex namorado, o cara que a deixou no nada, ambos sabemos o quanto essa garota tem um passado traumático com garotos. James o namorado imbecil que a chutou, a longa lista de caras que ela ficou para tapar esse buraco, agora Alexander.
Se fosse qualquer outra menina se agarrando com Alec, ela entenderia, mas era você. Sabe que querendo ou não você é quem está errada, pois agiu pelas costas dela, mesmo que não fosse sua intenção. Basta agora deixar Lucy colocar todos seus pensamentos no lugar, quando for a hora certa vocês irão se entender –Demetri disse sério.
–Eu sei, a culpa disso tudo é minha, deveria ter no mínimo contado para ela a primeira vez que fiquei com ele.
–Só evite arranjar mais confusão com Lucy agora –Demetri franziu o cenho –Todos sabem que ela odeia perder e vai querer sua cabeça pendurada por tê-la traído.
–Oh, eu com certeza sei disso –fiz uma careta.
Logo tivemos que calar a boca, pois meu pai e meu irmão entraram no carro. Emmett aproveitou o caminho inteiro para fazer insinuações baratas sobre mim e Demetri estarmos juntos, mas eu só conseguia rir da cara dele e meu amigo também, pois depois daquele desastroso beijo tínhamos absoluta certeza de que nunca iríamos passar de apenas amigos.
Pisar na escola aquele dia me deixou mais aflita do que nunca, eu não sabia o que fazer, com quem deveria falar. Demetri não saiu do meu lado um instante sequer, mas logo ele iria para sua primeira aula e eu para minha, onde seria impossível evitar Lucy. Por sorte ela não estava em seu armário quando passei no meu.
Alice hesitou quando entrou na sala de história no primeiro tempo e me viu, mas sentou na mesa ao lado da minha, sem se dar o trabalho de falar comigo. Eu sabia que se ela tivesse que escolher um lado não seria o meu, mesmo sendo prima dela, Alice e eu podíamos ser amigas, mas eu sempre a julguei por sair com vários caras e isso a fez criar certa raiva de mim, então ali com a situação inversa –já que era eu agindo como uma vadia ao ficar com Alexander –ela com certeza não me apoiaria.
Pensei que depois de tê-la evitado, Beatriz também não iria querer nem mesmo me olhar, mas assim que ela entrou na sala me abraçou e sorriu para mim. Foi um gesto mínimo, mas o suficiente para eu me dar conta de que ainda existiam pessoas que se importavam comigo.
Lucy não apareceu naquela aula, o que de certa forma foi um alivio, pois eu não estava nem um pouco pronta para encará-la. As aulas que se estenderam depois também não me deixaram louca como pensei, mesmo que eu tivesse que me sentar com Alexander em uma deles, o garoto simplesmente não ousou nem olhar na minha direção, já que William e Beatriz estavam atrás de nós e o intimidaram apenas com um rápido olhar quando ele entrou na sala.
Mesmo assim era extremamente desconfortável estar perto dele, não só por ele ter contribuído para aquela confusão que estava minha vida, mas por eu conseguir me lembrar com exatidão de cada toque dele na minha pele. Na forma como nossas bocas se encaixavam e do sorriso que eu inevitavelmente sempre dava quando ele me beijava. Eu queria aquilo tudo de novo, mesmo sendo errado.
Lucy também não estava na aula de Biologia, na qual se sentava ao lado de Alexander e aquilo começou a me preocupar. Ela não podia perder aulas, tinha um histórico impecável e iria para Harvard, faltas poderiam estragar tudo para ela e seu futuro brilhante.
No almoço sentei apenas com Demetri, vendo de longe meus amigos e Lucy não estava entre eles. Ela deveria ter realmente faltado, ou estava me evitando ao máximo, Alec também não apareceu no refeitório e parte de mim desejava que ele tivesse conversando com ela, tentando fazê-la entender tudo.
Jacob agiu comigo como Alice, nem mesmo uma aula inteira ao meu lado fez com que ele falasse comigo, o que só me fez ter certeza de que ele também estava do lado de Lucy, não do meu. Na verdade nem eu mesma estava do meu lado, era ridículo pensar que os outros estariam.
Minha aula com Demetri foi a mais tranquila daquela manhã, ele me deixou ficar quieta, apenas lendo um livro qualquer que estava em minha bolsa. A aula acabou e nem sabia qual era o livro.
A última aula foi meu maior tormento, não teria Will, Bia, nem Demetri para manter Alexander afastado de mim. O inglês poderia falar e fazer o que quisesse e aquilo me deixava louca, mas não poderia matar aula e arruinar minhas notas.
–Renesmee –Alec sussurrou meu nome ao se sentar do meu lado.
–Não importa o que faça ou diga, estou péssima e ouvi da minha melhor amiga coisas terríveis, então se afaste de mim! –ordenei, sem tirar os olhos do jornal que a professora tinha distribuído.
–Eu só ia pedir desculpas, também falar que me sinto culpado por tudo que aconteceu e se quiser me odiar para o resto da sua vida, você tem todo o direito do mundo –ele também se voltou para seu jornal.
Não foi surpresa nenhuma não ver Lucy no treino da torcida, ela realmente tinha faltado, como Bia me informou. De acordo com Beatriz, Lucy estava tão ruim quanto eu, ou quem sabe pior. Ela também tinha evitado ligações, mensagens e visitas durante o fim de semana, o único que podia vê-la era Riley, mas ele conseguia ser discreto quanto a isso e apenas disse a Bia, Alice e Jacob como ela estava, nada mais.
Voltei para casa aquela tarde andando, o que resultou em um longo tempo caminhando sozinha, o que me deu direito de chorar um pouco. Em casa, fiz o jantar, querendo que mamãe não tivesse motivos para me irritar com perguntas e com tudo pronto, fui fazer meus deveres de casa, na casa de vovô, pois as músicas antigas que ele escutava e o cheiro do seu charuto me acalmavam.
No dia seguinte papai não pode me dar carona e mamãe estava chateada o suficiente comigo para me mandar ir de ônibus para a escola, então fui obrigada a ir com Demetri no maldito ônibus escolar. A maioria das pessoas que iam nele eram os das primeiras séries do High School, pois eles eram novos demais para terem carteira de motorista, eu já deveria ter tirado a minha há muito tempo –como Demetri, que só não tinha um carro por questões financeiras –mas nunca consegui aprender a dirigir.
Lucy foi naquele dia para aula, mas ela nem de longe parecia a Lucy de sempre. Se a garota não tinha se deixado abalar após o termino com Alexander, após nossa briga, ela estava completamente abalada.
Começando por seu cabelo loiro, que sempre estava arrumado, mas naquele dia se encontrava preso em um rabo de cavalo baixo, isso sem contar que estava molhado. Ela só tinha se dado o trabalho de passar base no rosto, nem mesmo um batom e suas roupas constavam em uma calça jeans e camiseta preta.
No segundo tempo teríamos aulas juntas, pensei em matar aquela aula, para lhe dar um pouco de paz, mas algum dia aquilo teria que acabar, então decidi encarar logo. Não que tenha adiantado para algo, já que Lucy estava focada em me evitar, passando a aula inteira revendo suas anotações para o debate que aconteceria no dia seguinte.
Na terceira aula, Beatriz mandou falar, que Lucy mandou dizer, que eu deveria me reunir a eles no almoço. Apenas com o intuito de nos prepararmos para o debate e últimos dias de campanha para a presidência do Grêmio Estudantil.
Mesmo incomodada com aquilo, eu não tive escolha senão aceitar o “convite” e me reunir a eles, afinal eu estava concorrendo como Vice Presidente de qualquer forma. Jacob estava servindo de porta voz de Lucy durante o almoço inteiro, ela não conseguia nem mesmo levantar o rosto de suas anotações e toda vez que eu falava algo se remexia inquieta na cadeira, foi um alivio para ambas quando o almoço chegou ao fim.
A aula de artes com Alec se passou comigo ouvindo música o mais alto possível em meus fones, já que Jessica –nossa professora –decidiu colocar um documentário sobre museus para assistirmos. O que não me atraia de forma nenhuma naquele momento, então fiquei apenas ouvindo os meninos do 5 Seconds of Summer cantando em meus ouvidos durante a aula inteira.
Na quarta-feira, aconteceria apenas o debate, depois todos estariam dispensados para conversarem mais com os candidatos, que podiam até mesmo se aproveitarem de comida para conquistarem mais votos. Lucy já tinha encomendado comida na lanchonete do meu pai, pois ela sabia muito bem que ela agradaria até aos gostos mais diferenciados da escola.
–Renesmee, você se esqueceu de passar batom! –Lucy exclamou ao olhar para mim minutos antes de entrarmos, era a primeira vez que ela falava diretamente comigo depois do que tinha ocorrido, então obviamente que todos que sabiam da história ficaram tão chocados quanto eu ao ouvi-la falar meu nome.
–É, acho que sim –pisquei algumas vezes.
–E você espera que ganhemos essa presidência com esse seu rostinho sem maquiagem? Todos nós precisamos estar impecáveis! –ela exclamou em um tom sério, gesticulando para si mesma, que em comparação com o dia anterior, parecia que tinha acabado de sair de um desfile de moda, usando saia plissada, blusa social e cabelo milimetricamente arrumado.
–Não, eu...
–Ah, você não consegue se virar sozinha mesmo –Lucy bufou, remexeu em sua bolsa e assim que encontrou o batom veio até mim, passando em minha boca sem nem que eu tivesse escolha nenhuma.
–Meninas, já podemos entrar –Jacob falou, vendo o diretor chamar as equipes concorrentes para dentro da quadra de basquete, que era praticamente um auditório da escola.
–Vão na frente, preciso...Vamos depois! –Lucy ordenou, deixando claro para os outros que ela queria algo comigo.
–Lucy, não é uma boa hora para brigar –falei nervosa quando ela terminou de passar o batom em mim, estávamos sozinhas no corredor da escola.
–Não vou brigar com você, pelo menos não agora –fez uma careta para mim –Sabe o quanto essa maldita eleição é importante para mim, eu não posso perdê-la de forma alguma, então proponho uma trégua por hoje. Pois esse debate é fundamental e você terá que estar ao meu lado durante as perguntas e respostas, algumas pessoas da escola já até sabem o que houve, mesmo assim temos que aparentar que está tudo bem entre a gente.
–Tudo bem –concordei –Tudo por você.
–Não, não force, eu ainda te odeio –virou de costas para mim e entrou na quadra.
Primeiro tivemos que ouvir o diretor falar um monte sobre como a eleição estava progredindo, sem problemas e justa. Depois ele nos liberou para começarmos os debates, a vice de Heidi era Renata, o vice de Riley era William, então eles quatro, mais Lucy e eu, passamos cerca de duas horas naquele debate interminável.
Só que dê certa forma eu o adorei, pois Lucy estava sendo uma pessoa que falava comigo e até mesmo me pedia ajuda com o olhar apenas para responder uma pergunta. Estávamos trabalhando juntas, como sempre fizemos durante nossas vidas e o debate para a gente foi algo bem fácil de se lidar.
–Vocês foram incríveis! –Beatriz exclamou quando nos reunimos com o resto da equipe onde os candidatos a presidência tinham montado espécies de centro de atendimentos para os eleitores/alunos.
–Claro que fomos –Lucy piscou para ela –Agora vamos conquistar eleitores.
Passamos o restante da manhã servindo comida e conversando com os outros alunos, nossa barraca era a mais lotada das três. Talvez por Alice estar circulando pela escola em sua mini saia chamando pessoas, por eu ter me trocado para as roupas de líder de torcida e estar os convocando como se estivesse em campo, por Beatriz ser super engraçada com todos e por termos Jacob como diversidade sexual, mostrando que não tínhamos nenhum tipo de preconceito. E com certeza por Lucy representar a melhor escolha, pois ela era uma líder nata.
–Obrigada, conto com vocês na eleição! –Lucy se despediu do último grupo de estudantes que estavam falando conosco, a escola já estava vazia, apenas com a exceção dos grupos a candidatura.
Riley tinha um som altíssimo em sua barraca e além dos seus, nos últimos minutos ele tinha arrastado as meninas e Jacob para lá, então estavam comendo e conversando. O grupinho de Heidi não se misturava de forma nenhuma, apenas arrumavam seus pertences para irem embora.
–Sobrou torta de morango! –Lucy deu um gritinho ao ver um pedaço restante da bandeja –Era tudo o que eu precisava –atacou o pedaço de torta como se não comesse a dias.
–Acha que ganha? –perguntei para ela.
–Não sei –mordeu o lábio –Heidi é uma forte concorrente, mesmo sendo insuportável.
–Sério que se preocupa com Heidi? –questionei, vendo Lucy assenti –Eu me preocupo um pouco com Riley porque ele dormiu com metade das meninas dessa escola, isso já dá uma absurda quantia de votos –Lucy gargalhou alto com minha fala, me fazendo ficar surpresa.
–Não faz essa cara –ela pediu revirando os olhos, logo depois de parar de rir –Eu te odeio, sinto a raiva pelo que você fez me consumir todo dia, mas foi uma piada engraçada, vou rir dela, mesmo que tenha sido você quem contou.
–Nunca vai me perdoar, não é?
–Nunca, bem que sabe disso –se afastou de mim.
Os dias seguintes foram completamente voltados para a eleição, Lucy e eu ainda não nos falávamos para valer, mas nos esforçávamos para fazer o melhor pela candidatura. Também aproveitei minha vida estar totalmente ruim, para estudar e tirando Álgebra, todas as outras matérias estavam bem fáceis para mim.
Na segunda-feira seguinte, aconteceria a votação, mas o diretor resolveu fazer um grande mistério a respeito disso e apenas revelar o resultado na sexta-feira, antes da primeira partida de Futebol Americano. Então, tivemos uma semana inteira para surtar na expectativa sobre aquilo e como a votação já tinha acontecido, voltei a ficar completamente afastada de Lucy.
A única grande emoção daquela semana foi ter sido convidada para ir ao Baile de Boas Vindas por Demetri, a festa aconteceria no sábado e ambos queríamos ir, mas não tínhamos par, então ele me convidou. O que resultaria em nós dois nos divertindo sozinhos na festa.
–Rosalie não vem! –uma única frase conseguiu deixar todas as meninas da torcida estáticas enquanto se arrumavam no vestiário antes do jogo de sexta.
–Por que ela não vem? –questionei para a professora de educação física, que servia de tutora para as lideres de torcida.
–Ela está doente –respondeu –Vão ter que se virar sem ela, não envergonhem a escola de vocês. Renesmee, você é a segunda na linha de comando, então assuma isso –ordenou deixando o vestiário.
Resmunguei, mas acabei tendo que aceitar minha sina e fiz uma reprogramação da coreografia com o restante das meninas. Iríamos dançar Shake It Off da Taylor Swift, que tinha sido lançada algumas semanas antes, até mesmo Lucy cooperou em ter que mudar seus passos em cima da hora.
Antes do jogo e do resultado da eleição, nós, as lideres de torcida nos apresentaríamos. As arquibancadas do campo estavam cheias e as pessoas estavam vibrando por tantas emoções para uma noite só.
Eu fui a primeira a entrar, sozinha, substituindo Rosalie. E mesmo com a vergonha de tanta gente estar olhando para mim e os meninos do time inteiro da nossa escola estar me chamando de gatinha, consegui fazer os passos certos e não cometer nenhuma estupidez. Logo o restante das meninas entraram, para podermos dar continuidade a coreografia.
Rolou até mesmo uma dancinha exclusiva para os meninos do time, eu quis morrer quando vi que tinha parado bem na frente de Alexander. Era para ser Rosalie ali e eu com outro, mas ela tinha que ficar doente. Ele tentou esconder o sorriso idiota sem eu rosto, mas não conseguiu.
–Babaca! –dei com o pompom na cara dele, o fazendo rir.
As outras meninas já estavam de volta para suas posições inicias, mas Lucy resolveu levar consigo Riley, que aproveitou para participar da dança com a gente. Obviamente ele só estava fazendo aquilo para aparecer mais do que nunca, não podia existir alguém mais metido do que Riley Biers.
Logo depois da nossa apresentação, o diretor reuniu apenas os candidatos a presidência no centro do campo. Lucy estava lá sorrindo para todos como uma estrela de Hollywood, Riley estava como ela, mas com a diferença de que ele mandava beijo para as meninas que gritavam seu nome, já Heidi parecia uma princesa, ou qualquer outra pessoa que parecia boa demais para se misturar aos inferiores.
–Bom, vamos lá! –o cara de esquilo pegou o envelope –Vamos primeiro revelar o terceiro lugar –os tambores da banda da escola começaram a tocar, criando um clima de suspense –Riley Biers.
Riley que sorria até então, fez uma careta e revirou os olhos. Lucy riu da reação dele, o vendo voltar para onde o resto do time de futebol estava, acenando para seus pais –sendo o pai dele o vice prefeito da cidade –no meio do caminho.
–E é segundo lugar –o diretor fez outra pausa para abrir mais um envelope –Heidi Volturi –mesmo com a filha em segundo lugar, ele sorriu orgulhoso para ela –Então, não nos resta dúvidas, Lucy Denali é a nossa grande presidente do Grêmio Estudantil.
Lucy não parecia tão feliz quanto eu pensava que ficaria, o sorriso em seu rosto era falso demais e seus olhos estavam estreitados, como se segurasse para não chorar. Nem mesmo as fotos, as pessoas gritando seu nome a fizeram ficar mais animada. Fui a última da torcida a abraçá-la, mas durou um único segundo, antes dela me afastar.
–Eu preciso ir para casa, será que duas líderes de torcida a menos desfalca muito?
–Não –respondi –Pode ir –a liberei, notando que ela estava com algo muito grande a incomodando.
O jogo inteiro passei preocupada com Lucy, tanto que assim que ele chegou ao fim corri para o vestiário e liguei para a casa dos Denali. Eu precisava saber como ela estava, mesmo que a garota fosse me xingar por ligar.
–Nelly? –perguntei quando uma voz conhecida atendeu a ligação.
–Renesmee! –ela disse meu nome como se tivesse recebido um milagre.
–Sim, sou eu –murmurei confusa.
–Renesmee, Lucy fugiu.
–O quê? –gritei chamando a atenção de todas as outras meninas no vestiário para mim.
–Ela chegou aqui, sem falar nada com nada. Pegou uma bolsa de roupas, dinheiro e foi embora. Tentei impedi-la, juro que tentei, mas não consegui. Já liguei para os pais dela, mas eles foram para Los Angeles e não atendem os telefones, eu não sei o que fazer.
–Eu sei onde ela está –me lembrei de algo –Vou levá-la para casa, quanto isso avise a policia –desliguei, não me importei nem mesmo em tirar o uniforme da torcida e sai apressada do vestiário, Beatriz e Alice me chamavam, mas eu não tinha tempo de explicar a situação.
–Ruiva, você viu a Lucy, preciso saber o que ela vai me mandar fazer já que perdi a aposta –Riley me parou na saída do vestiário, ele também ainda estava com as roupas do jogo.
–Riley, preciso que me leve para a caverna, agora –o puxei no meio das pessoas que deixavam o campo para irem embora.
–Por que quer ir lá agora? –perguntou enquanto corria comigo na direção do estacionamento –É de noite, é perigoso ir para lá agora –paramos perto do seu carro –Ah, você quer transar? Podemos ir para minha casa, meus pais vão sair e...
–Não, cala a boca! –gritei com ele –Lucy fugiu e ela sempre ia para esse lugar quando a casinha da árvore não era o suficiente o lembrei disso, afinal o garoto a conhecia a tanto tempo quanto eu.
–Merda! –ele gritou também –Entra no carro. Por que ela fugiria? –ele continuava gritando, enquanto tentava sair de dentro do estacionamento da escola.
–Ela quis fugir pouco antes da festa de aniversário dela, e agora com tanta coisa acontecendo deve ter surtado de vez.
Riley passou o caminho inteiro xingando, então fui obrigada a ouvir todos os palavrões que ele conhecia e palavras sujas, pois a caverna para onde estávamos indo ficava no fim da praia, na divisa entre Sun West e uma cidade vizinha, dentro da mata que cercava aquela região. Era realmente perigoso andar por ali, ainda mais de noite, mas precisávamos encontra Lucy antes que ela fosse para mais longe.
Passamos por seu carro no meio do caminho, apenas encostado no meio da rua, deixando claro que ela tinha o deixado para trás e feito o resto do percurso a pé. Assim que Riley parou o carro, perto da parte mais próxima possível da caverna, eu desci do mesmo, correndo na direção do local onde Lucy deveria estar.
Riley gritava meu nome, me mandando esperá-lo, mas eu só conseguia gritar o nome de Lucy. A vi deixando a caverna, o rosto manchado pela maquiagem, o uniforme da torcida sujo, choro incontrolável, as coxas e pernas arranhadas, parei de me mexer assim que notei que ela mesma tinha feito aquilo.
–Lucy –sussurrei o nome dela, sentindo Riley parar atrás de mim.
–Eu preciso de você –ela sussurrou de volta.
Obviamente ela estava falando de Riley, então me afastei para que ele fosse até ela, mas a garota gritou meu nome, fazendo com que eu voltasse a olhá-la.
–Eu preciso da minha melhor amiga de volta –Lucy correu para me abraçar –Eu preciso que voltemos a ser amigas, pois eu não suporto essa maldita dor sem você. Eu não suporto o que eles me fazem sentir. Eu não suporto me sentir sozinha.
–Você não está sozinha, Lucy! –exclamei a abraçando –Eu nunca vou te deixar sozinha.
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