Teenage Dream

12 Capítulo Onze- Lado


Notas iniciais
Então, estão gostando da história? História nova: http://fanfiction.com.br/historia/574889/Notas_Musicais/

Capítulo Onze- Lado

“Eu sei que você tem uma namorada

E ouvi dizer que ela é meio legal

Eu sei que você tem uma namorada

Portanto, não me dê essas olhadas

Eu sei que você tem uma namorada

Oh, você não vai me deixar ser

Estou te implorando, pare de implorar por mim” -I Know You Have a Girlfriend, Carly Rae Jepsen

Apesar de tudo, eu adorava a escola. Os corredores lotados, as conversas fora de hora, até mesmo os vários grupos sociais espalhados por ali, mesmo em uma escola de cidade pequena como a nossa. No final, tudo era instigante demais, o que me fazia apreciar cada detalhe daquele lugar.

Após sermos dispensados da aula de história, segui até meu armário e peguei meus materiais para a próxima, que seria de Inglês. Infelizmente nenhuma das meninas teria aquela disciplina comigo, então caminhei sozinha até a sala da Senhora Buttler, ela era adorável e sua matéria uma das minhas preferidas.

–Oi Will –encontrei com o namorado de Bia na porta da sala, ele estava conversando com Riley, que fiz questão de ignorar pelo que tinha ocorrido no aniversário de Lucy.

–Renesmee, precisamos conversar –Riley falou comigo.

–Depois fazemos isso –escolhi em que lugar sentaria, na frente da sala e supliquei com o olhar para que Will sentasse do meu lado, para que Riley não o fizesse primeiro.

–O que Riley quer com você? –Will arqueou uma sobrancelha ao sentar perto de mim, Riley já tinha desistido de falar comigo e foi sentar do outro lado da sala com um de seus amigos.

–Sei lá –dei de ombros –Ele é seu amigo, você devia saber –peguei meu livro de inglês, esperando que a Senhora Buttler pudesse iniciar sua aula, mas a mesma estava ocupada demais escrevendo um texto no quadro.

–Quer que eu descubra o que ele quer? –Will retomou a conversa.

–Não, depois falo com ele –foi a vez de achar minha caneta roxa dentro da mochila e começar a rabiscar uma careta no braço de William.

–Ah não –ele protestou, mas não deixei que ele puxasse o braço –Renesmee, eu não vou aguentar mais um ano sentado ao seu lado assim.

–Não adianta mudar agora –ri de um jeito que devia aparentar ser maligno, mas só ficou ridículo –Sabe que o lugar onde nos sentamos em nosso primeiro dia de aula, em qualquer matéria será o que ficaremos até o fim do ano –o lembrei, isso em outras palavras queria dizer que eu devia escolher com muito cuidado com que eu me sentaria, pois não haviam mudanças de lugares ao longo do ano, um erro e eu podia me ferrar bonito por ter um idiota do meu lado.

–Me deixa desenhar um pouco –ele pegou meu outro braço e começou a rabiscar também. No ano anterior sentávamos juntos em Álgebra e nos distraiamos tanto conversando, riscando um ao outro e nos apoiando a dormir durante a aula, que por muito pouco não reprovamos naquela matéria, por sorte ambos eram muito bons em Inglês.

A Senhora Buttler terminou de escrever o texto no quadro, passou a explicá-lo. Eu até parei de rabiscar Will para prestar atenção, mas ele ficou distraído desenhando um relógio em meu pulso, concentrado em sua arte. Quando a aula terminou, eu tinha um relógio feito de caneta azul e William uma carinha feliz e outra triste.

A próxima aula do Quarterback era a mesma do que a minha, mas também era a de Beatriz, então nem imaginei que me sentaria com um dos dois. Não demorou muito para chegarmos a sala e logo eles irem para o fundo da sala, onde poderiam ficar trocando suas juras de amor longe dos olhos do intragável professor de Álgebra.

Acabei por me sentar a mesa da frente a do casal, esperando que uma pessoa legal ocupasse o lugar ao meu lado. Vi alguns colegas muito interessantes naquela turma, mas nenhum deles parou para sentar comigo e eu não bancaria a desesperada para ter uma companhia.

O professor –Mike Newton, que até mesmo estudou com meus pais –estava quase começando sua aula, quando um apressado Alec entrou na sala. Não precisei de muito para notar que só havia duas cadeiras vazias na sala, uma ao lado de um garoto que já estudava com a gente, mas eu sempre esquecia o nome e a cadeira perto de mim.

Com certeza não foi surpresa nenhuma ao ver Alec sentando na que estava vazia ao meu lado, principalmente por eu estar perto de William e Beatriz, que ele também conhecia. Will me lançou um olhar preocupado, mas sorri para ele, na tentativa de tranquilizá-lo de que eu não faria nenhuma besteira como tínhamos conversado no aniversário de Lucy.

–Eu me perdi –Alec declarou –E perdi o mapa da escola também –bufou.

–Acontece –Bia falou –Só tenta não se atrasar para a aula do Senhor Newton, ele é o professor mais chato que existe nesse lugar.

–É, nem a Nessie escapa da chatice dele e olha que ela é afilhada do cara –a fala de William fez com que eu ficasse imediatamente irritada.

O fato era que o Senhor Newton não tinha apenas estudado junto com meus pais, como também era melhor amigo deles e acabou sendo padrinho da última filha do casal, ou seja, eu. Mas ele era tão chato e insuportável, que eu odiava me lembrar desse fato.

–William, cala a boca! –exclamei, me virando para frente.

–Calma ruivinha, só não me dedura para seu padrinho –ouvi a voz de deboche do loiro.

Apenas o ignorei e comecei a copiar o que o Senhor Newton copiava no quadro, Alec nem se deu o trabalho de mexer um dedo para pegar o caderno, ficou apenas olhando o que o professor fazia, mas com uma face de total distração. Nem mesmo quando o meu padrinho, com aquela sua expressão irritadiça, mandou que todos copiassem o que estava no quadro.

–É melhor você começar a copiar –sussurrei para Alexander.

–Por quê? Eu já sei essa matéria, não acha injusto com as árvores que eu gaste folhas e mais folhas de papel para copiar algo que já aprendi?

–Essa é a pior matéria do mundo, como você já sabe? –o encarei chocada –Nem mesmo o cara mais inteligente da escola está de dando o luxo de não copiar –apontei discretamente para Eric Yorkie, sentado na primeira fileira da sala.

–O problema é dele de não saber algo tão fácil –Alec riu, bem mais alto do que devia, atraindo a atenção do professor para a gente.

–Ei, quem é você? –o senhor Newton indagou para o inglês.

–Alexander Cullen –ele respondeu, sem nem tirar o sorriso cínico do rosto.

–Posso saber o motivo da sua risada escandalosa no meio da minha aula? E por que não está copiando? Aproveite e fale um pouco mais, me conte porque esta conversando com a senhorita Masen e a atrapalhando também.

–Ela me perguntou o motivo de eu não estar copiando, respondi e achei graça da cara de surpresa dela, nada demais –ele deu de ombros.

–E por que não está copiando? –o professor voltou a questionar.

–Porque eu já sei essa matéria, a aprendi na Inglaterra e ano passado a revi em Boston, por isso não vou me dar o trabalho de copiá-la uma terceira vez –respondeu tranquilamente, enquanto meu nada adorado padrinho parecia que iria matar alguém.

–Então você não vai se incomodar nenhum pouco de responder a primeira questão no quadro, não é mesmo senhor Cullen? –o Senhor Newton parou perto de nossa mesa, estendendo o piloto para Alec, aquela altura toda a sala já olhava para a gente.

–Não, na verdade eu adoraria –Alec se pôs de pé, caminhando com confiança na direção do quadro branco, o professor o seguiu e analisou ele de perto enquanto respondia a questão, a turma inteira estava em silêncio.

–Já? Ainda falta um pedaço da conta –o professor disse quando Alec devolveu o piloto para ele.

–Não falta –Alec balançou a cabeça –Eu simplifiquei as expressões, assim poupo tempo e trabalho, em uma prova isso me renderia mais tempo para realizar as outras questões. É tudo questão de lógica.

–Volte para seu lugar, fique quieto e copie! –o senhor Newton ordenou, mais irado do que nunca.

–Sim senhor –nem mesmo naquele momento Alec parou de sorrir.

O professor deu continuidade a sua aula, mas aquilo não fez com que meu colega de mesa começasse a copiar, ele apenas prestava atenção e mesmo que meu padrinho estivesse querendo arrancar a cabeça dele, não voltou a mandá-lo copiar. Eu por outro lado só conseguia continuar espantada, por Alexander ser uma surpresa, ele sempre parecia que tinha algo a mais para apresentar e me surpreender.

–Você está fazendo isso errado –ele sussurrou, olhando para a resolução que eu dava para uma das questões que tínhamos de fazer.

–Não, está certo, não está? –o encarei, me arrependendo no momento que seus olhos azuis se encontraram com os meus.

–Não, claro que não está –ele pegou minha borracha e apagou tudo que eu tinha feito –Você precisa resolver a segunda equação primeiro, pois ela vai te dar o número de x para substituir na primeira –começou a resolver em meu caderno.

–Eu odeio matemática –suspirei –Vou acabar estragando meu currículo escolar por conta disso.

–Deixa de ser dramática, é fácil –ele revirou os olhos, terminando a questão –Mas você é dispersa –gesticulou para as tantas assinaturas que eu tinha feito na borda da folha –Para que tudo isso?

–Fico imaginando que estou autografando meus livros –mordi o lábio, envergonhada com aquilo –É ridículo.

–Tudo bem, não vou te julgar por isso –Alec virou sua cadeira, para que pudesse ficar quase de frente para mim –Está vendo? –fez um grande circulo em volta da questão que tinha resolvido para mim –É assim que se resolve, tenta fazer a próxima.

–Não vou conseguir –bufei, mas peguei o lápis pra ao menos tentar –Tem um z aqui, por que eles colocam até um z na conta? –o olhei em desespero.

–Você não vai a lugar algum se continuar histérica, tudo que precisa fazer é ler o comando da questão com tranquilidade e interpretá-lo. Se for uma escritora tão boa quanto Lucy falou, vai logo entender o que a questão pede.

–Lucy disse que sou uma boa escritora?

–Disse e que eu devia te apresentar logo para minha avó, para você parar de ser dispersa e focar logo em escrever um livro como tanto quer –as palavras dele me fizeram sorrir, pois Lucy acreditava em meu sonho e isso vindo da minha melhor amiga era tudo o que eu poderia querer.

Alec passou o restante da aula me ajudando a resolver as questões, o que só comprovou que ele realmente era muito bom em matemática. E o que também só me fez gostar mais ainda do sorriso dele e da forma como o mesmo conseguia ficar concentrado ao resolver uma questão de matemática, quanto eu levava uma vida para parar de me distrair até com o arame do caderno.

–Qual a próxima aula de vocês? –Beatriz perguntou quando a aula de matemática chegou ao fim.

–Biologia –Alec e eu respondemos juntos.

–Temos geometria –Bia disse –Vemos vocês na hora do almoço –os dois seguiram para um lado e fui com Alec para outro.

–Preciso passar no meu armário, deixei o livro de biologia lá –ele falou.

–Vamos lá –concordei –Lucy também vai ter essa aula –lembro de termos passado nossos horários por mensagem uma para outra enquanto eu estava na aula de inglês.

–Vai? –ele deu um sorriso diferente –Ótimo –parou na frente do seu armário, que ficava bem longe do meu e da namorada dele –Oi Gabs, como foi até aqui? –ele perguntou para uma garota que mexia no armário do lado, ela era morena, baixa, olhos cor de mel e totalmente desconhecida para mim.

–Ate que foi bem legal –ela fechou a porta do armário, arrumando a faixa vermelha que usava no cabelo castanho –E o seu?

–Normal –Alec deu de ombros, ainda procurando por seu livro.

–Oi sou Gabriella Donovan, aluna nova –ela estendeu a mão para mim e prontamente a apertei –Sua namorada é linda, Alec! –foi tudo rápido demais, a fala de Gabriella, Alec batendo a cabeça no armário e eu puxando minha mão assustada.

–Eu não sou namorada dele!

–Ela não é minha namorada!

–Ah, me desculpem –Gabriella ficou imediatamente constrangida –É que vocês vieram juntos até aqui, pensei que ela fosse sua namorada.

–Não, nada haver –neguei –Sou a melhor amiga da namorada dele, me chamo Renesmee Masen. A namorada do inglesinho ai é a Lucy Denali.

–Tudo bem, acho que ela já entendeu –Alec já estava com seu livro em mãos e com a que estava livre massageava o topo de sua cabeça que tinha batido no armário.

–Não quer ir a enfermaria ver se não se machucou seriamente? –perguntei preocupada.

–Não, estou bem –ele sorriu –Gabs qual sua aula?

–Biologia –ela respondeu.

–A nossa também! –exclamei, como se aquilo fosse a noticia mais maravilhosa do mundo, mas é que eu tinha simpatizado com a garota, mesmo que ela tenha me chamado de namorada do inglesinho. Ela realmente parecia legal, nada prepotente e eu precisaria de uma companhia para a aula de biologia –Posso te chamar de Gabs também? –juntei meu braço ao dela, a pegando desprevenida, mas a menina não desfez o toque e caminhou ao meu lado até a nossa sala.

–Pode sim –confirmou.

–Então, você veio de onde?

–Da cidade vizinha, minha mãe está trabalhando no jornal daqui, nada muito fora do comum –ela contou.

–Sua mãe é jornalista?

–Não, ela trabalha no R.H mesmo.

–Ah sim, minha mãe é jornalista, talvez elas já se conheçam –entramos na sala de Biologia, Lucy já estava sentada em seu lugar, aparentemente normal, mas quando me viu de braços dados com Gabriella fechou a cara e arqueou uma sobrancelha.

–Oi, quem é você? –ela perguntou quando Gabriella e eu nos sentamos na mesa ao lado da dela.

–Gabriella Donovan –a morena estendeu a mão para Lucy, a loira levou um tempo até se render e devolver o aperto de mão.

–Lucy Denali –minha melhor amiga continuava encarando Gabriella e eu sabia que isso tudo era resultado dela ser uma pessoa extremamente ciumenta, até mesmo com amigos –Hey Baby! –pulou nos braços de Alec, o que me fez perceber que ele tinha ficado para trás enquanto eu estava com Gabs.

–Oi –ele a beijou rapidamente –Vou sentar com você?

–Óbvio que vai –ela o beijou mais uma vez.

–Senhorita Denali, aqui não é lugar para isso –a professora, a senhora Turner chamou a atenção dela, a sorte de Lucy era que ela era uma pessoa legal e a aula ainda não tinha começado.

–Me desculpe, senhora Turner –minha amiga pediu, sentando junto de Alec –Estava com saudades de você –ela abraçou o namorado e fechou os olhos.

–Também –ele murmurou de volta para ela, Alec me olhou no mesmo instante que o olhei, o que só me fez virar a cabeça rapidamente e me sentir patética.

Passei o restante daquela aula me revezando entre prestar atenção na professora, evitar olhar para Lucy e Alec na bolha de amor que eles estavam e conversar mais com Gabriella. Minha afeição com ela não acabou, pelo contrário, aumentou.

A garota era realmente legal, gostava de algumas bandas que eu gostava, era divertida e até mesmo ia se inscrever para os testes das Lideres de Torcida, que ocorreriam na segunda semana de aula, junto com os de outras modalidades. A aula até mesmo passou rápido enquanto conversava com ela e logo o sinal para o almoço soou.

Nós duas saímos juntas para o refeitório, já que Alec e minha amiga continuavam em sua redoma de paixão inacabável. O grupinho de meus outros amigos já estavam na mesa que costumávamos ficar, depois que me servi com Gabriella, fomos para lá.

A apresentei para os outros e esperei que eles fossem tão legais com ela, quanto ela era. Beatriz logo se tornou a nova melhor amiga da garota, pois ela sempre foi a mais sociável de todos nós, sempre fazendo amizades, até mesmo com pessoas em filas de banco. Quando me dei conta Gabriella já estava devidamente enturmada, mas Lucy e Alec nem tinham dado as caras.

–Eu ainda preciso falar com você –Riley que estava sentado a minha frente falou.

–Lá fora –sussurrei e me levantei da mesa, aproveitando que todos estavam prestando atenção na história de Beatriz e William de quando juravam que tinham visto o Pé Grande –O que quer comigo, Riley? –indaguei assim que fomos para o lado de fora do refeitório.

–Conversei com a Alice, sua prima falou que por ela não tem nada haver você ficar comigo só porque eu fiquei com ela.

–Riley, você ainda está nessa? –suspirei –Eu já disse que não quero ficar com você, que merda.

–Renesmee –ele tentou se aproximar de mim, mas para o passo dele na minha direção, me afastei mais três.

–Somos amigos, entendeu? Não vou ficar com você, apesar de você ser lindo, bonito e tudo o mais, não quero ficar com você. Não quero ser mais uma garotinha que cai nas garras do galinha Riley Biers, você já pegou metade dessa escola, isso que eu saiba.

–Quer saber, você que está perdendo algo, não eu –ele entrou aborrecido no refeitório.

–Babaca –contornei a escola, não querendo voltar para perto dele, eu adorava Riley, mas ele ser só um garotinho mimado que queria ficar com todas me irritava profundamente, pois eu sabia que no fundo ele era um cara legal.

–Hey Masen –levantei meu rosto e notei que tinha chegado na parte de trás da escola, onde geralmente o pessoal barra pesada ficasse.

Não que eles fossem assassinos, estupradores ou algo assim. Só eram os alunos que fugiam dos padrões perfeitinhos, davam as festas mais insanas, bebiam para valer e muitos fumavam.

–Oi Nahuel –cumprimentei o garoto que até o ginásio era meu amigo e não tinha aquele cabelo batendo na altura do ombro, muito menos o cigarro entre os lábios. Sim, ele estava fumando nas dependências da escola, o que o encrencaria muito se algum inspetor visse.

Apesar de tudo aquilo, não tinha negar o quanto Nahuel era bonito. Seu tom de pele bronzeado, seu queixo quadrado e com barba por fazer, o jeito que as roupas ficavam em seu corpo, dando ao entender o quanto ele podia ser gostoso até mesmo sem elas.

–O que faz perdida aqui fora? –perguntou jogando o cigarro no chão, o cheiro não me incomodava, pois vovô fumava tanto charuto que a fumaça já estava impregnada na minha mente.

–Nada demais –ele se aproximou de mim e diferente de como aconteceu com Riley, não me afastei dele.

–Então, vou dar uma festa na minha casa no sábado, que tal você ir?

–Parece interessante, é um convite aberto ou exclusivo a mim?

–Pode levar suas amigas –ele sorriu –Mas nenhum garoto, principalmente se o cara for ficar te rondando, quero conversar com você melhor na festa –sussurrou a última parte em meu ouvido, me fazendo lembrar da lista de coisas que eu devia fazer até minha formatura, quem sabe o item Fazer Sexo não fosse riscado depois da festa.

–Te vejo lá –falei, ouvindo o sinal do fim do almoço –Também vou querer conversar com você –acenei e caminhei em direção a escola.

Na próxima aula sentei com Jacob, era Química e eu só queria descansar um pouco, então aproveitei para dormir, enquanto o professor passava um vídeo sobre algumas experiências que faríamos aquele ano. Acordei só no final daquele tempo e fui direto para minha próxima aula.

A primeira pessoa que vi quando entrei na sala foi Demetri, a segunda Gabriella, mas ela estava sentada ao lado de Heidi, então nem me dei o trabalho de ir falar com ela. Depois conversaria com a novata e esclareceria o quanto a filha do diretor era uma vagabunda encrenqueira, mesmo com toda aquela pose de boa moça.

–Oi, por que está com essa cara amassada? –Demetri perguntou quando me sentei do lado dele.

–Estava dormindo e aula agora é de Geometria, então vou dormir mais –apoiei minha cabeça na mesa e logo senti Demetri afagar meus cabelos.

–Aconteceu algo?

–Não, quero dormir –resmunguei –Cala a boca, Albino! –exclamei, fazendo ele rir baixinho.

Não sei como a professora de Geometria não me acordou, mas não importa, foi o melhor sono do mundo e quando Demetri me acordou, eu estava bem mais disposta. Estava esperando ele terminar de arrumar suas coisas, quando Gabriella se aproximou da gente.

–Oi, você sumiu na hora do almoço –comentou confusa para mim.

–Tive que ir resolver um problema –falei –Demetri, essa é a Gabriella. Gabs, esse é Demetri, meu melhor amigo.

–Já nos conhecemos –ele terminou de guardar seus materiais e colocou a mochila no ombro –Temos aula de inglês e história juntos.

–Ah perfeito! Qual a próxima aula de vocês? A minha é de Economia, o que significa que vou dormir mais –falei, rindo sozinha.

–Tenho Literatura –Demetri disse.

–Eu também, posso sentar com você? Ainda não conheço muita gente –Gabriella falou.

–Claro –ele concordou –Vamos.

–Vejo vocês depois –sai para minha aula.

Daquela vez eu fui a última a entrar na sala, mas a professora de Economia nem mesmo ligava para os atrasos. As aulas dela eram basicamente passar trabalhos e pesquisas, o que sempre era muito fácil.

Só tinha um único lugar disponível na sala e achei uma maldita brincadeira do destino ao ver que era ao lado do Alec, mesmo assim caminhei até lá e sentei ao seu lado. Ele estava com uma cara confusa, olhando para o jornal que a professora havia distribuído.

–Então essas aulas são basicamente ficar sentado fazendo nada?

–Sim –peguei meu jornal –O melhor momento do dia –coloquei nas páginas culturais, não que tivesse muito para ver.

–É uma perda de tempo –Alec bufou –Podiam deixar esse horário vago, eu tenho apenas uma semana para treinar para os testes de Futebol Americano.

–Você joga Futebol Americano? –perguntei, desistindo de me surpreender com Alexander.

–Jogo, eu era do time na escola que estudava em Boston. Mas não era tão bom assim, então preciso me esforçar para ser aceito no time daqui, Will e Riley falaram que sempre poucos conseguem entrar. E os dois nem ao menos podem me ajudar a treinar, pois são da equipe principal.

–Eu posso te ajudar.

–Você? –ele gargalhou, mas daquela vez a professora nem se deu o trabalho de olhar para a gente, até porque a turma inteira estava conversando.

–Ei, eu sei jogar Futebol Americano! –exclamei indignada.

–Magrela desse jeito?

–Sabia que eu estou três quilos acima do meu peso ideal? Então não me trate como se eu fosse uma anoréxica.

–Tá bom –ele continuou rindo –Então você vai me ajudar a treinar?

–Não, eu me expressei mal antes –revirei os olhos –Posso te ajudar, mas a achar alguém para treinar com você. Meu irmão era do time da escola, mesmo tendo sido afastado ele ainda sabe jogar e muito bem, por sinal.

–Será que ele topa me ajudar nisso? Eu pago se for o caso.

–Ele não vai cobrar, Emmett sente tantas saudades de jogar que faria isso até se precisasse pagar. Depois da aula vou para a lanchonete do meu pai, ele vai estar lá, pode ir e faço vocês dois conversarem.

–Obrigada Cenoura! –Alec segurou em meu rosto e beijou minha bochecha.

–Não me baba –o empurrei, mas ria da reação dele –Mas se eu posso te criticar, onde já se viu um inglês jogando Futebol Americano.

–Ah, falou a ativista social que é uma das garotas mais populares da escola, você está no centro do capitalismo.

–Não sou popular, o problema é que a cidade é pequena e a escola também.

–Você fala tanto daqui, afinal, para onde vai quando se formar?

–Não sei –desviei meu olhar para o jornal.

–Mas quais lugares pretende se inscrever na faculdade?

–Sei lá –continuei olhando para o jornal –E você? –questionei.

–Vou voltar para a Inglaterra –respondeu –Gosto bastante dos Estados Unidos, mas quero ir para Cambridge estudar medicina, como meus pais fizeram.

–Interessante –assenti.

–E você? –voltou a perguntar.

–Ainda estou avaliando minha opções –respondi –São muitas e você já sabe que sou um pouco dispersa.

–Sim, um poço de dispersão –ele olhou para meu braço –Afinal, o que é isso? –pegou o pulso onde William tinha desenhado.

–Will e eu desenhamos um no outro enquanto estamos entediados na aula.

–Posso desenhar em você?

–Não –neguei prontamente.

–Chata!

–Se continuar me irritando, não te apresento para o meu irmão.

–Chata e chantagista, mas se você não me apresentar para seu irmão, não te apresento para minha avó –ele rebateu.

–Você é cruel, Cullen –ri e comecei a ler de verdade o jornal, enquanto ele deitou a cabeça na mesa para dormir.

Alec e eu deixamos a sala juntos, mas ele seguiu para seu armário e eu fui para o meu. Lucy estava perto do seu, falando furiosamente ao celular. Eu nem precisava me aproximar muito para saber com quem ela estava falando.

–Não James, eu já falei que não quero conversar com você! –ela exclamou –Não importa o que sinto pelo Alec, isso não é da sua conta. Tudo que dizia a seu respeito foi para o além quando você me abandonou. Eu não quero falar com você, então para de me ligar –desligou o celular e o guardou dentro de sua bolsa.

–Quer manter a calma, ou correr para o banheiro e chorar? –questionei, a vendo de olhos marejados.

–Manter a calma –murmurou –Ele não vai me abalar.

–Vamos para a lanchonete? –perguntei no intuito de a distrair –Alec quer falar com o Emmett, para ver se ele pode treiná-lo para os testes do time de Futebol Americano, nós duas podemos nos entupir de torta de morango.

–É uma excelente ideia –discretamente ela limpou os olhos –Meus olhos estão vermelhos? Não quero que Alec me veja assim, ele foi compreensível quando James foi falar comigo em meu aniversário, mas não sabe nem de um terço da história.

–Não estão vermelhos não, ele não vai notar –beijei a cabeça dela –Vai dar tudo certo, Lu.

Nos encontramos com Alec no estacionamento, Beatriz e Will avisaram que iriam para a lanchonete também, Riley já estava indo para lá e Alice não tinha dado as caras, mas talvez aparecesse. O caminho até lá foi em completo silencio, Alec estava ouvindo música em seu celular, enquanto Lucy estava perdida em seus próprios pensamentos e eu me permiti pensar em Nahuel e na festa de sábado, eu precisava ficar com ele, esquecer Daniel –que devia ter esquecido de mim –e não ficar admirando Alexander de longe, principalmente por ele ser namorado da minha melhor amiga.

Assim que chegamos a lanchonete, fui atrás de Emmett, com Alec me seguindo. Lucy tinha ido se sentar com nossos amigos que já haviam chegado, incluindo Alice e Jacob. Meu irmão estava ocupado servindo as mesas, muitas pessoas da escola tinham ido para lá, o que só lotava o lugar.

–Emm, preciso falar com você.

–Só um momento maninha, já venho –ele foi servir mais algumas mesas.

–Vamos ter que esperar –falei para Alec, me sentando ao balcão, ele sentou no banco perto de mim –Oi papai! –vi o mesmo se aproximando do outro lado do balcão.

–Opa, você veio trabalhar?

–Não! Já combinamos que eu vou trabalhar aqui as terças e quintas, só venho aqui em outros dias quando estiver com disposição –pisquei para ele, que fez uma careta para mim, mas riu.

–Quem é seu amigo, querida filha? –me lançou um olhar desafiador.

–Alexander Cullen, senhor Masen –Alec estendeu a mão para ele, mas papai não a apertou, deixando o menino pela primeira vez sem ação e com a mão para frente.

–Pai, ele é o namorado da Lucy.

–Ah da Lucy –papai sorriu –Ótimo, pensei que era seu –ele por fim apertou a mão de Alec.

–Cortesia da casa –nos serviu com sucos de abacaxi –E concentre-se em Lucy, ouviu? –perguntou ao colocar o copo na frente de Alec –Renesmee é zona proibida para você.

–Papai! –exclamei constrangida –Não seja ridículo.

–Estou brincando, não se concentre nem na Lucy e deixe as meninas em paz –papai falou, mas Alec riu e por fim ele também –Viu Ness? O garoto sabe que estou brincando, não seja exagerada, querida –puxou minha orelha e voltou para o caixa.

–Seu pai é incrível –Alec disse, bebendo um pouco do seu suco –E isso é muito bom.

–Meu pai é maluco, isso sim –bebi um pouco do meu também –Emmett, para um pouco –pedi quando meu irmão voltou.

–Tudo bem, o que é?

–Esse é o Alec, ele é novo na cidade, se lembra dele no aniversário da Lu?

–Lembro sim, é o novo namorado dela. E ai cara! –se cumprimentaram.

–Então, Alec quer entrar para o time de Futebol Americano da escola e quer alguém que o ajude a treinar, pois está dando uma de garotinha medrosa –falei, recebendo uma cotovelada discreta do Cullen, que eu prontamente revidei –E ele queria a sua ajuda.

–Isso parece legal, mas você já o avisou que eu fui advertido mais de uma vez por ser encrenqueiro com os meninos do time, se ele quebrar não vou poder levar uma advertência para casa dessa vez –meu irmão cruzou os braços.

–Eu acho que podem parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui –Alec resmungou, fazendo com que Emmett e eu nos voltássemos para ele.

–Bom, minha parte já está feita –desci do banco –Se entendam moças –fui para a mesa onde os outros estavam.

Alexander e meu irmão passaram algum tempo conversando, mas logo terminaram, já com um acordo de começarem a treinar ainda naquele dia, em um ritmo intenso até o domingo, para que na segunda dos testes, o inglês já estivesse preparado. Eu tinha indicado Emmett para o Cullen, mas começava a me arrepender, pois meu irmão era insano quando queria e podia realmente quebrar o pobre novato.

–Então, vai ter uma festa na casa do Nahuel no sábado, ele falou que podia convidar vocês –falei, chamando a atenção de todos para mim.

–E você enlouqueceu, ou algo assim? –Lucy questionou perplexa.

–Não, por quê? –questionei.

–Porque aquela turminha do Nahuel é encrenca na certa –Riley respondeu.

–Quem é Nahuel? –Alec perguntou.

–Um dos encrenqueiros do colégio, péssima conduta, quase foi expulso ano passado por levar maconha para a escola –Will respondeu –Me admiro de você querer ir para uma festa na casa dele –falou para mim.

–É porque Nahuel, é gostoso –Jacob disse.

–É, meio que é por isso –bati na mão do meu amigo.

–Mesmo assim, cabelos de fogo –Jacob começou com uma voz séria –Não é legal se misturar com esse tipo de gente, principalmente em uma festa.

–Nós já fomos a festas pesadas e estamos aqui vivos –comi uma batata frita do prato de Beatriz.

–Renesmee, se você continuar com a ideia estúpida de ir a essa festa vou contar para seus pais e sabe que faço isso mesmo –Lucy pontuou, terminando com a discussão que estava prestes a se iniciar.

Apesar de eu ter calado a boca, não deixei a ideia de ir a festa de lado. Eu teria alguns dias para pensar em um jeito de ir a ela, ficar com Nahuel e fazer sexo com ele. Não estava nem ai para o fato de não conhecê-lo de verdade, só precisava deixar de ser tão santa e começar a agir para valer. Como uma adolescente de verdade.

Notas finais
Por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. 21.12.14