Teenage Dream
19 Capítulo Dezoito- Público
Notas iniciais
Capítulo Dezoito- Público
“Eu nunca senti nada desse tipo
Você está fazendo eu me abrir
Não, garoto, nem tente ir contra
Acho que isso é amor” –Kissin' U, Miranda Cosgrove
A frase de papai me pegou completamente de surpresa, fazendo com que eu tivesse que me apoiar no sofá para não desabar com aquela noticia. Mamãe pareceu mais enfurecida ainda ao ouvir novamente aquela informação, chegando a jogar um de seus vasos de flores no chão, o que foi melhor do que acertar meu irmão ou a pobre grávida Rosalie.
–Dois completos irresponsáveis! –mamãe gritou –Duas crianças que agora terão que sustentar outra!
–Renesmee, pegue um copo de água para sua mãe –papai pediu, assenti e deixei a sala, indo para a cozinha ainda carregando o Pernalonga em meus braços.
Mesmo da cozinha era possível ouvir os gritos de mamãe, ela estava muito furiosa e nunca a tinha visto daquele jeito, nem mesmo quando estava com raiva de mim. Aproveitei que estava fora da linha de confronto e mandei uma mensagem para Rachel contando novidade, ela não respondeu logo e como eu tinha que levar água para mamãe, deixei meu celular e o Pernalonga na cozinha.
–Aqui –passei o copo para papai, com medo de chegar muito perto de mamãe.
–Seu pai e sua madrasta te expulsaram de casa, vão viver na rua agora? –mamãe recusou a água e começou a gritar diretamente para Rosalie.
–Pensamos em vir morar aqui –Emmett respondeu pela namorada.
–Nunca! Vocês vão se virar bem longe daqui –mamãe pegou o copo de água da mão de papai e o bebeu de uma vez –Estou tão decepcionada com você, Emmett! De tudo que já me aprontou essa foi definitivamente a pior coisa delas.
Em outra ocasião aquilo até teria me deixado animada, afinal mamãe estava por fim admitindo que Emmett tinha seus erros, mas ela estava sendo tão estúpida que nem conseguia ficar. Isso sem falar que Rosalie estava grávida, mesmo sendo uma burrice dos dois, eles não poderiam ser simplesmente jogados de lado.
–Bella, sei que o assunto é sério e delicado, mas Emmett é nosso filho e Rosalie está grávida do nosso neto, não podemos deixá-los na rua –papai interviu, antes que eu pudesse falar qualquer coisa.
–Não podemos passar a mão na cabeça dele dessa vez –mamãe falou –Eu quero Emmett, essa garota e esse bebê longe da minha casa! –gritou.
–Isabella –vovô gritou o nome dela, se levantando com a ajuda da bengala que usava para se locomover –Deixe de birra, seu filho e Rosalie podem ter errado, mas você não pode expulsá-los daqui. São uma família e nunca se nega ajuda para a família.
–Faça o que bem entender –mamãe disse para papai –Vou passar a noite na casa dos meus pais –saiu de casa, com direito a bater a porta da frente com muita força.
–Se vocês quiserem ficar na minha casa, podem ficar –vovô falou para Emm e Rose.
–Eles não podem –papai balançou a cabeça –Você não poderia vir para cá e ficar subindo e descendo a escada todo dia, vão ter que ficar no quarto de Emmett mesmo.
–Mamãe está uma fera, não seria melhor Rosalie e eu irmos embora? –meu irmão perguntou, ainda tentando consolar a namorada que não parava de chorar.
–Não, você é meu filho, Rosalie a mãe do meu neto, ninguém sai dessa casa sem um lugar decente para ir –papai foi firme em sua fala –Emmett, vamos lá para a casa do seu avô, precisamos conversar.
–Vou com vocês –vovô seguiu na frente.
–Filha, cuide de Rosalie enquanto conversarmos –papai me pediu.
–Tudo bem –concordei, deixando com que os três fossem ter a conversa deles –Quer comer algo? –perguntei para Rose.
–É, acho que estou com um pouco de fome –ela fez uma careta.
Levei Rosalie para cozinha e esquentei o jantar para ela, a garota permaneceu sentada em sua cadeira quieta, apenas encarando o Pernalonga que ainda estava ali. Rachel ainda não tinha dado sinal de vida, mas eu sabia que quando soubesse da novidade ia surtar e se tivesse tempo e dinheiro apareceria em Sun West.
–Então, você sabe de quantos meses está grávida e tal? –coloquei o prato de comida na frente dela, vendo a menina começar a comer imediatamente.
–Vai fazer três no fim de setembro, tentei esconder o máximo que pude, mas não estava mais sendo possível.
–Isso responde você não estar treinando, apenas comandando os treinos da torcida –analisei aquilo –Emmett já sabia?
–Não –Rose balançou a cabeça –Só tive coragem de contar ontem, passamos a noite inteira acordados esperando meu pai e minha madrasta levantarem para contarmos, ai eles me expulsaram de casa –suspirou, voltando a fazer uma careta.
–Melhor comer –afaguei a mão dela –Mamãe surtou, mas logo vai aceitar tudo muito bem, Emmett é o preferido dela, não vai abandoná-lo nesse momento.
–Eu ia abortar esse bebê –Rose murmurou -Juro que ia, mas não tive coragem, por isso já contei agora que ele está grandinho –passou a mão pelas lágrimas em seu rosto –É meu filho, apesar de tudo.
–Posso não me dar muito bem com crianças, mas é filho do meu irmão, então conta comigo para o que precisar.
–Obrigada Nessie! –agradeceu, dando um pequeno sorriso para mim.
Meu celular começou a tocar e vi que era Lucy, pedi licença para Rosalie e fui para a sala atender. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ouvi um gritinho animado da minha amiga, depois barulho de água e a risada dela.
–Lu? –a chamei.
–Oi amiga –ainda rindo ela respondeu –Como foi seu encontro?
–Legal, mas Alec teve que levar a Jane, então meio que ficamos de babás dela o tempo todo.
–Nossa que chato isso...Riley, não me molha!
–Riley está na sua casa? –perguntei.
–Digamos que sim –Lu continuou rindo.
–Tudo bem, o que foi que eu perdi? –me deitei no sofá.
–Ele me ligou, depois que sai da sua casa, disse que estava arrependido por ter ido embora sem ao menos me dizer tchau. Sabe como eu sou frouxa, não é? Então disse que podíamos no ver para conversar e ele veio para cá, jantamos e agora ele está se aproveitando da minha piscina como se não tivesse uma em casa.
–Okay, mas o que deu a conversa de vocês?
–Foi só sexo, estamos cientes disso, ninguém aqui vai começar a namorar nem nada disso –ela falou séria –Ainda somos melhores amigos.
–Tudo bem, agora escute minha novidade! –voltei a ficar de pé, para checar se ninguém estava vindo para a sala –Rosalie está grávida do Emmett e foi expulsa de casa.
–Oh, isso sim é uma fofoca das grandes!
–Só não espalha –pedi rindo –Apesar de tudo isso pode me afetar também e aqui em casa está uma confusão.
–Pode deixar, ninguém vai saber disso por mim –Lucy prometeu –Agora tenho que desligar, só liguei para ter certeza de que seu encontro tinha sido bom.
Eu estava prestes a voltar para a cozinha, onde Rosalie ainda estava, depois de terminar a conversa com Lucy. Até que meu celular voltou a tocar e vi que daquela vez era Rachel, atendi rapidamente, até porque tinha um bom tempo que não falava com a minha irmã.
–Eu espero que você use camisinha, Renesmee! Emmett já foi idiota o suficiente de não conseguir ao menos fazer isso, não me deixe ficar louca de descobrir que você está grávida –ela começou a falar assim que atendi –Sou nova demais para ser tia, mas você é muito mais nova ainda para ser mãe, entendeu?
–Entendi.
–Como estão as coisas por ai?
–Uma confusão, mamãe foi passar a noite na casa dos nossos avós porque não está aceitando a situação. Agora papai e vovô estão tendo uma conversa com Emmett, mas o pior de tudo é que Rose foi expulsa de casa, então além da grávidez inesperada tem uma adolescente desamparada na nossa cozinha.
–Que Deus nos ajude a aguentar a mamãe durante essa fase –Rachel suspirou –Escuta, avisa para o papai que na sexta de tarde eu vou para casa, posso ficar ai nesse fim de semana e tentar ajudar em algo.
–É sério que você vem? –dei um grito animado –Estou sentindo tanto sua falta, Rach e tenho muita coisa para te contar.
–Vou sim, mesmo que até lá tudo já tenha se normalizado. Emmett é meu irmão e mamãe precisa notar que somos uma família e temos que nos apoiar.
–Foi o que vovô falou, mas ela não aceitou muito bem –murmurei –Prometo deixar o quarto super arrumado para sua chegada.
–Tudo bem, pirralha –ela riu –Vou desligar, tenho aula amanhã. Na verdade, você também tem, então deixa esse caos familiar de lado e vai dormir! –ordenou.
–Tá bom, tchau. Te amo velha.
–Idiota, tchau. Também te amo –desligou.
Voltei para a cozinha e vi que Rosalie já estava na companhia do meu irmão, eles estavam conversando baixinho, então para não atrapalhar peguei o Pernalonga e fui para meu quarto. Tomei um longo banho, tentando processar o quanto aquele fim de semana tinha sido longo. O jogo, Lucy e eu nos entendendo, o baile, o pós baile e o encontro com Alec, agora meu irmão virando um pai.
Estava terminando de refletir sobre tudo aquilo, quando papai entrou no meu quarto naquela noite. Ele parecia cansado e se sentou ao meu lado na cama, respirando fundo e olhando para o teto distraidamente.
–Pai?
–Promete que não vai ficar tirando sarro do seu irmão? Ele errou, mas não é um erro como o da faculdade, é algo muito mais sério. Na verdade é apenas um erro considerando a idade e condições financeiras dele, porque um filho nunca vai ser um erro.
–Prometo –assenti –Pode contar comigo no que for necessário, Rachel também, ela vem para casa na sexta.
–Ótimo –suspirou aliviado –Como foi seu encontro? –notou o Pernalonga na minha cama.
–Muito legal –sorri constrangida.
–Espero que isso não resulte em filhos antes dos vinte e cinco anos –papai se levantou da minha cama.
–Não vai –garanti.
–Boa noite filha –ele beijou minha testa –Bons sonhos.
–Boa noite, papai –deixei com que ele me cobrisse, como fazia quando eu era uma criança.
Peguei o Pernalonga para dormir abraçada, sentindo meu perfume misturado ao de Alexander nele. Estava quase dormindo, quando meu celular tocou, avisando que eu tinha recebido uma mensagem, me estiquei para pegá-lo na mesinha ao lado, sorrindo igual a uma boba ao ler o que tinha ali.
“Ia esperar até amanhã para começar a entupir seu celular de mensagens, mas simplesmente não consegui. Alías, apenas mensagens não parecem suficiente para mim, Cenoura, nem um pouco. Será que eu posso te ligar? Bom, espero que a resposta seja positiva, pois vou ligar de qualquer jeito.”
Antes que eu pudesse responder a mensagem do inglês, meu celular já anunciava a ligação dele, fazendo com que meu coração acelerasse e atendesse imediatamente. Assim que ouvi sua voz, com aquele maldito sotaque inglês, sorri ainda mais.
–Sabia que você ia atender! –ele exclamou divertido.
–Você é tão pretensioso.
–Então, como está sua vida agora que sabe o quanto eu sou um cara legal e que não consegue viver sem mim? –perguntou, me fazendo rir alto.
–O mundo não gira ao seu redor Alexander Cullen, na verdade eu mal tive tempo de pensar em nosso encontro desde que cheguei aqui –sentei na cama, ainda abraçada ao Pernalonga que tinha ganhado dele.
–Por quê?
–Digamos que eu serei tia –murmurei.
–Sua irmã? –questionou surpreso.
–Não, Emmett mesmo –contei –Então como a situação dele já não era as das melhores, digamos que agora piorou, mas não vamos falar das burradas do meu irmão –pedi, não querendo que Alexander me achasse uma chata só por contar os dramas da minha família.
–Sua voz é linda –ele disse do nada.
–O quê?
–É sério, ela é baixa, mas soa bastante agradável para mim.
–Isso é constrangedor –sussurrei.
–Ficou mais bonita ainda –ele disse de volta.
–Não tive a oportunidade de te perguntar como está se saindo no time –desconversei imediatamente.
–Está indo bem, obviamente estou em um nível inferior comparado aos dos outros, mas vou me esforçar para não ser qualquer um lá no meio.
–Você fica muito, bastante, legal com aquele uniforme –voltei a sussurrar.
–Quer que eu fale como você fica no seu uniforme da torcida? Porque se eu fico legal no de futebol, você fica muito...
–Não precisa dizer –o cortei, fazendo com que fosse a vez dele de rir.
Ficamos algum tempo em silêncio, o que não me incomodou. Eu gostei de ouvir a respiração de Alec, a música desconhecida que tocava ao fundo de onde ele estava e o barulho familiar de um livro sendo folheado.
–Que música é essa? –indaguei.
–Mad Sounds, do Arctic Monkeys –Alec suspirou –É uma das melhores músicas do novo álbum.
–Eu gostei –fechei os olhos, ouvindo a música que tocava do outro lado da linha.
Em determinado momento Alec começou a cantarolar a letra e eu consegui apenas rir da desafinação dele, o que levou a nós dois rindo como perfeitos idiotas. Ele voltou a música e daquela vez o acompanhei no coral, um pouco atrasada por não ter decorado a letra para valer, o que mais uma vez fez com ríssemos.
–Preciso dormir –murmurei depois de um tempo.
–É, vai lá dormir, sei que vai sonhar comigo –incentivou –Aliás, sabe me dizer se o Senhor Whitlock é muito chato com trabalhos?
–Não muito, por quê?
–Eu meio que não terminei o trabalho dele, que é para entregar amanhã –admitiu.
–Qual seu horário com ele?
–Após o almoço.
–Eu te ajudo amanhã, agora vai dormir inglês.
–Tudo bem, mas não se esqueça de sonhar comigo!
–Não vou sonhar com você –gargalhei e desliguei.
E sim, eu sonhei com Alexander a noite inteira.
O clima na minha casa na manhã seguinte continuava o mais tenso possível, mamãe não tinha voltado, Rosalie e Emmett pareciam que não dormiram nada, meu pai não olhava para nada que não fosse as panquecas que fazia e meu avô estava muito concentrado em ler o jornal. Nem mesmo parei para tomar café, apenas me despedi e fui para frente de casa, esperar Lucy aparecer para me levar para a escola.
–Vai de ônibus? –Demetri me perguntou quando saiu de sua casa.
–Não, é que lá dentro está muito desconfortável –sinalizei para meu lado no balanço da varanda –Preciso conversar um pouco.
–Vou perder o ônibus –apontou para o ponto do mesmo.
–Lucy pode te dar uma carona hoje também –dei de ombros –Só escute sua pobre amiga por alguns minutos.
–É, você tem muito que me contar –sentou do meu lado –Sei que você e Lucy se entenderam depois do jogo de sexta, por algum motivo que eu não posso saber, mas você ficou com Alec de novo e na casa dela, como isso foi tão normal para vocês três?
–Nós três conversamos –apoiei minha cabeça no ombro de Demetri –Esclarecemos tudo e agora estamos bem.
–Então ela te perdoou?
–Não, isso não –fiz uma careta –Lucy foi bem franca que precisaria de um tempo maior para perdoar o que eu fiz, mas isso é só mais um obstáculo, o que realmente importa é que ela e eu voltamos a ser amigas.
–Quanto ao Alec?
–Eu tive um encontro com ele ontem –sorri para Demetri –E foi perfeito –assumi.
–É muito bom te ver feliz! –Demetri sorriu de volta –Algo mais em seu mundo que queira compartilhar comigo?
–Sim, mas é algo super secreto e não pode de jeito nenhum se espalhar.
–Vá em frente! –me encorajou a falar.
–Rosalie está grávida do meu irmão –contei, vendo Demetri arregalar os olhos –Eu sei, é chocante!
–Isso sim é uma notícia para te acordar pela manhã de vez.
–E em seu mundo, o que quer compartilhar comigo?
–Fiquei com a Gabriella quando a levei para casa depois da festa no sábado –os olhos de Demetri pareceram sorrir também –E ontem a noite na praia, quando apareci no fim do expediente dela na lanchonete para passearmos por ai.
–Vocês super combinam! –exclamei contente –Sério, super vejo vocês dois como um casal.
–Quem sabe –deu de ombros –Mas ela é realmente legal, divertida e inteligente, acho que vai dar certo.
–Você é uma pessoa incrível, Demetri –levantei ao ver o carro de Lucy entrar na rua que morávamos –Eu tenho um orgulho imenso de ser sua amiga, Albino.
–O que Riley está fazendo com a Lucy? –Demetri perguntou quando a loira estacionou na frente da minha casa e vimos o jogador de futebol americano no banco do carona.
–Não sei, mas ele está no meu lugar –joguei a mochila sobre meu ombro e caminhei para o carro –Pula para o banco de trás, agora! –ordenei para Riley, que estava comendo uma das adoradas barras de cereais de Lucy.
–Você é tão chata, ruiva –ele bufou, mas fez o que mandei.
–Demetri vai com a gente –informei para Lucy.
–Tudo bem –ela concordou –Oi Albino –acenou para ele, que se sentava atrás com Riley.
–Já basta essa sua amiguinha me chamando assim –Demetri revirou os olhos.
–Ninguém manda você ser contra o Sol –roubei o resto de barra de cereal da mão de Riley, que não mediu palavras para me xingar.
Assim que chegamos a escola, Demetri foi buscar algo em seu armário e Riley falar com uns amigos do time, o que foi perfeito para eu poder perguntar o que queria para Lucy desde que vi o loiro em seu carro. Ela sabia que eu ia questioná-la, então fingiu demorar a recolher suas coisas, para que ficássemos na privacidade do conversível que estava com a capota levantada.
–O que Riley estava fazendo pegando uma carona com você?
–Ele dormiu lá em casa ontem –me olhou com uma cara culpada, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa completou sua fala –Não transamos de novo, juro. Só dormimos na mesma cama e passamos a maior parte da noite assistindo The Vampire Diaries.
–Sério? –perguntei surpresa.
–Sim –ela assentiu –Meus pais voltam hoje para a cidade e depois de tudo que aconteceu na sexta e no sábado, só queria um pouco de tranquilidade. Sabemos que Riley pode ser super idiota e extravagante demais na maior parte do tempo, mas ontem foi muito bom. Conversamos, nadamos, vimos uma série que ele odeia e mesmo assim ele estava lá, sendo um amigo que eu precisava para não sucumbir a tudo que me deixa louca.
–Você devia ter me chamado se queria companhia, ou até mesmo Alexander, foi o que concordamos.
–Renesmee, vocês estavam em um encontro!
–E eu já disse que você é minha melhor amiga! Sério Lu, não quero que volte a fugir, se arranhar, ou fazer qualquer outra coisa pior que isso.
–Não vou.
–E acha que Riley é uma boa para estar ao seu lado nesse momento? Sei que vocês são amigos desde sempre, mas ele nunca tinha te visto daquele jeito até sexta-feira, como você mesmo disse. Não quero que ele se torne seu próximo namoro frustrado, sei que tenho culpa pelo que aconteceu entre você e Alexander, então é por isso que quero te proteger de qualquer outra furada.
–Sabe o que Riley me falou assim que chegou lá em casa para conversar comigo? –Lucy me olhou, para então continuar –Ele disse que estava arrependido, não por termos transado, mas por ter sido um canalha comigo. Porque eu não era como as outras meninas, falou que eu tinha algo de especial, e nem se referia a nossa amizade. Riley falou que eu era forte, ele disse que apesar de tudo eu sempre acordava no outro dia disposta a seguir em frente e me fazer feliz.
–Eu...
–Renesmee, ele não é babaca por completo –Lucy olhou para suas próprias mãos.
–Você sabe que eu sempre vou estar do seu lado –a abracei –E sim, você é a pessoa mais forte do mundo.
–Obrigada –sorriu –Vamos parar de frescura agora! –disse rindo e saiu do carro.
Beatriz veio ao nosso encontro e começamos a conversar sobre o baile, em algum momento me distrai do que elas falavam e olhei ao redor no estacionamento. Alec estava encostado em seu carro, ouvindo música em seus fones de ouvido, de olhos fechados e cantarolando, não dando a mínima para a conversa entre William e Jacob perto dele.
–Encontro vocês na aula –falei para as meninas, sinalizando para onde eu ia.
Caminhei calmamente até onde os três estavam, Will e Jake nem pararam de falar ao me verem, deixando com que eu fosse diretamente falar com o menino distraído ali. Tirei os fones de Alec, o que fez com que ele imediatamente abrisse os olhos, me encarando com aquele maldito olhar azul.
–Pensei que estaria ouvindo Mad Sounds –coloquei o fone no ouvido por um instante, mas a música tocada ali não era a mesma que tínhamos escutado na noite anterior.
–Um homem precisa variar –ele guardou os fones no bolso.
–Eu quero muito te beijar –ignorei o que ele disse, olhando diretamente para sua boca.
–Só beijar –Alec segurou em minha cintura –Não vou me opor a isso.
–Tem gente demais por perto –controlei a vontade de beijá-lo ali mesmo –Fazer isso em uma festa é bacana, mas no meio do estacionamento da escola é bastante irritante. Eu não consigo ser tão livre assim –passei minha mão por seu cabelo, Alec sorriu, se inclinando para sussurrar em meu ouvido:
–Vai ter um dia que será completamente livre, então irá me agradecer por fazer isso –beijou o canto da minha orelha, voltando a ficar de frente para mim, para em seguida unir seus lábios aos meus, por uma fração de segundos que pareceram mágicas.
O sinal indicando a primeira aula tocou logo em seguida, Alec sorriu para mim e se afastou com os meninos para o interior da escola, precisei de mais algum tempo ao ar livre para poder fazer o mesmo. Fui uma das últimas pessoas a entrar na sala de história aquela manhã, mas não fez muita diferença, pois passei a aula inteira perdida em meus próprios pensamentos, especificamente sobre o que Alec tinha dito sobre um dia eu ser uma pessoa livre.
Quando entrei na minha terceira aula, Alec já estava esperando em nossa mesa, conversando com Beatriz que lixava suas unhas na bancada de trás. Will que estava comigo foi se sentar com a namorada e me sentei ao lado do inglês, sorri para ele e passei a mão por meu cabelo, ajeitando a franja que estava ficando grande demais.
–Teremos prova hoje –o meu nada adorado padrinho e professor anunciou –Vou ser bonzinho e permitir que façam em dupla, mas não se acostumem.
–Ninguém merece –resmunguei –Eu não consigo aprender essa merda de matéria e ele fica aplicando testes –reclamei enquanto o Newton distribuía as folhas.
–É em dupla, relaxa –Alec falou despreocupadamente.
–Mas você não vai estar nas provas reais para me ajudar –disse –Eu tenho que aprender a droga dessa matéria.
–Menos conversa mais trabalho! –o professor ordenou ao nos entregar a folha de questões.
Como eu ainda estava bem travada com aquela matéria, deixei com que Alexander resolvesse a maioria das questões sozinho, mesmo que ele estivesse disposto a me ensinar como resolver algumas delas. Ainda que eu fosse a parceira atrasada dele, o moreno conseguiu dar resposta a todas as questões, dentro do horário da aula, o que muitos não conseguiram.
Na aula seguinte ver ele sentado com Lucy não foi um incomodo, até porque eu estava mais concentrada em biologia para prestar atenção nos dois, ir mal em uma matéria era aceitável, mas ir mal em duas já seria ruim demais para mim. No fim daquele tempo segui com Alec para a biblioteca, já que tinha prometido a ele que o ajudaria com o trabalho de história.
A biblioteca estava lotada de gente que com toda certeza estava com trabalhos atrasados, então nem mesmo cogitei a hipótese de ter um momento com Alec, ainda que ele tenha parecido decepcionado com isso. Pelo menos conseguimos finalizar o trabalho dele a tempo da próxima aula.
–Esse dia foi longo, estou grato de termos essa aula sem sentido –Alec disse quando entrou na aula de Economia.
–Eu também –continuei folheando o jornal que a professora tinha nos entregado aquela manhã –Pelo menos eu não tenho treino das lideres de torcida hoje –murmurei.
–Não?
–Não, Rosalie é a capitã e antes dessa aula a vi indo com meu pai e meu irmão para a sala do diretor, então sem treinos para nós. Acho que vou com as meninas no cinema –cogitei.
–Sortuda –Alec beijou minha bochecha.
–Estamos na sala de aula –o lembrei, sem tirar os olhos do jornal.
–E foi um inocente beijo na bochecha –disse, abrindo seu próprio jornal –Então, como estão as coisas na sua casa?
–Tensas demais –franzi o cenho –Mas pelo menos minha irmã vem passar o próximo fim de semana com a gente, ela vai gostar de te conhecer.
–Todas querem me conhecer –Alec piscou para mim, levando um tapa em seu ombro –Desculpa, foi uma brincadeira.
–Babaca! –ri da cara dele, voltando a ler o jornal, o que conseguiu tomar toda minha atenção durante os próximos minutos –Te vejo amanhã –desviei de Alec na saída, antes que ele quisesse me beijar de novo na frente de outras pessoas.
Como esperado, a coordenação do colégio dispensou todas as meninas da torcida, alegando que no próximo treino iríamos ter algumas novidades. Apenas Alice, Lucy e eu sabíamos o real motivo, nem mesmo Bia tinha noção do que realmente estava acontecendo.
Por termos aquela tarde livre e por Lucy não querer encontrar com os pais tão cedo, nós quatro seguimos para o cinema como eu queria. Para minha grande felicidade, ainda estavam exibindo Seu Eu Ficar, que na confusão dos últimos tempos eu não tinha conseguido ir assistir. Foi ótimo passar um tempo com as meninas e até mesmo contamos sobre Rosalie e meu irmão para Bia, que ficou tão chocada quanto qualquer um que recebia aquela noticia.
–Lu, para de pegar minha comida! –bati na mão dela quando a mesma se apossou de uma boa quantidade das minhas batatas fritas, tínhamos saído do cinema e ido para a lanchonete do meu pai.
–O que os meninos estão fazendo aqui? –Bia perguntou surpresa encarando a porta da lanchonete.
Riley, William, Alec e Caius entravam na lanchonete, aparentando que tinham saído diretamente do treino para lá. Eles nem mesmo esperaram que uma de nós os chamasse, apenas se uniram a nós em nossa mesa.
–Eu os chamei –Alice sorriu, abrindo espaço para Caius sentar ao seu lado –Oi –o beijou.
–Era um passei só de meninas, vocês podem ir embora agora! –Lu exclamou, sendo praticamente esmagada por William e Riley que se sentaram ao seu lado.
–Deixa de ser chata, Barbie –Alec sentou do meu lado, indo diretamente atacar minhas batas fritas –Vegetarianos podem comer isso?
–Vão embora –falei para os meninos.
–Já estamos aqui, não seja impertinente –William jogou uma de minhas batatas em mim.
Apesar do esforço de Lucy e de mim para que os quatro fossem embora, não conseguimos, afinal minha prima não largava de Caius e Bia estava bastante empolgada de estar com o namorado. Nos restou aceitar que aquilo era quase um encontro quádruplo, mesmo que Lucy e Riley não estivessem fazendo nada demais, diferente de Alec que a todo momento tentava me beijar.
–Tudo bem, será que podemos ir para a praia conversar um pouco? –ele me perguntou, quando terminou seu copo imenso de coca-cola.
–Vamos –saímos da lanchonete, nossos amigos nem mesmo ligaram para a gente, mas do balcão meu pai me acompanhava com um olhar curioso.
Eu estava de sapatilhas, então assim que chegamos na beira do mar tirei as mesmas para poder andar pela água, agradecendo por ter optado por short jeans e não calça aquela manhã. Alec estava o mais longe possível da água, pois estava de calça e tênis.
–Então, o que você quer?
–Poder ficar com você em publico –respondeu –Irrita que todas as vezes que eu tenha te beijado envolveram algo proibido, festas onde você já tinha bebido, algumas vezes no parque, mas sendo algo quase puritano e pra valer apenas na frente da sua casa.
–Você é cômico –eu ri da cara dele.
–É sério, Renesmee! –Alec exclamou, fazendo com que eu parasse de andar –Estamos juntos ou não?
–Sei lá –fiquei confusa –Ainda é recente, saímos só uma vez, começamos isso de um jeito meio errado, nem sei o que realmente quero para a gente, ou o que você quer...
Fui interrompida pelos lábios dele se juntando aos meus, no começo quase não retribui, mas assim que suas mãos tocaram em minhas costas, me puxando para mais perto de si, eu soube que devia. Toquei em sua nuca, deslizando meus dedos por seu cabelo e pescoço, enquanto nos beijávamos despreocupadamente.
–É isso que eu quero para a gente –Alec sussurrou em meu ouvido após o beijo.
–Certeza? –puxei seu rosto na direção do meu, beijando o canto da sua boca por um instante.
–Sim –confirmou –E o que você quer.
–Eu acho que você sabe o que quero –beijei o outro canto de sua boca.
–Aceita ser minha namorada? –questionou, notando o que eu queria.
–Deixe-me pensar –mordi o lábio, recebendo um revirar de olhos de Alec.
–Aceita logo!
–Ei, não é assim, eu tenho que pensar.
Foi a vez dele beijar o canto da minha boca, o que me distraiu por tempo suficiente para que o garoto me pegasse no colo e entrasse na água comigo, tentei protestar, mas já era tarde demais. Alexander me soltou no mar, fazendo com que eu me molhasse por completo.
–Isso é coação! –acusei quando voltei para a superfície –Alec? –olhei ao redor não o vi, sentindo algo passar atrás de mim.
–Bu! –ele emergiu, conseguido me assustar um pouco.
–Muito legal nos molharmos por nada –joguei minha franja para trás da orelha, vendo Alec rir de mim.
–Você precisava de um banho frio para clarear sua mente –se aproximou de mim, os lábios dele estavam tão vermelhos quanto suas bochechas e tremiam um pouco devido ao frio da água.
–Qual era a pergunta mesmo?
–Renesmee –ele beijou minha testa –Você –um beijo em meu nariz –Aceita –um beijo na minha bochecha esquerda –Namorar –beijou minha outra bochecha –Comigo?
–Aceito!
Fale com o autor