Teenage Dream

11 Capítulo Dez- Conselho


Notas iniciais
Então, acho que vocês já perceberam que Teenage Dream tem um ritmo mais lento, mas espero que entendam isso, pois eu tenho um carinho enorme por essa história e quero fazer dela uma bem escrita, dando importância para todos os personagens. Sem também ir apressando as coisas. Entenderam? Espero que sim, e espero que gostem desse capítulo.

Capítulo Dez- Conselho

“Você respira fundo

E caminha pelas portas

É a manhã do seu primeiro dia de aula

Você diz oi para seus amigos

Que não vê há um tempo

E tenta ficar fora do caminho de todos” –Fifteen, Taylor Swift

Se tinha algo que eu conseguia odiar mais do que acordar cedo, era acordar cedo em uma segunda-feira, para seu primeiro dia de aula. Claro que eu estava empolgada para meu último ano de colegial, onde tanta coisa importante aconteceria, mas ter que acordar às seis e meia da manhã não compensava.

Fui obrigada por mamãe a me levantar no horário, já que ela afirmava que não me deixaria chegar atrasada no primeiro dia. Na maioria das vezes Isabella Masen conseguia ser mais militar do que o próprio vovô Samuel que serviu.

Enquanto eu me preparava para o longo primeiro dia de aula, recebi uma rápida mensagem de Lucy me informando que ela iria me buscar para a escola. Minha melhor amiga continuava confusa sobre seus sentimentos, mas não tinha terminado com Alec e se mantinha como se nada tivesse acontecido, eu era a única pessoa que realmente sabia como ela estava por dentro, o que já era quase que unanimidade.

–Alguém vai te dar carona, ou você vai de ônibus? –papai apareceu na porta do meu quarto, enquanto eu lutava para conseguir prender meu cabelo em um rabo de cavalo alto.

–Lucy vem me buscar –murmurei, desistindo do penteado e deixando os fios ruivos ficarem soltos.

–Acho que devemos voltar para as aulas de direção, você não pode se formar sem aprender a dirigir –papai comentou.

–É, eu sei –suspirei, me lembrando da lista de coisas que eu devia fazer, um dos itens era justamente aprender a dirigir, a questão era que eu simplesmente não conseguia –Prometo dar um jeito nisso –peguei minha mochila e sai do meu quarto com papai atrás de mim.

–Querida, você podia ter vestido roupas melhores –mamãe comentou com certa insatisfação quando entrei na cozinha.

–O que tem de errado com as minhas roupas? –olhei para meu corpo, eu usava uma calça jeans azul, all star vermelho e uma camisa preta sem estampa nenhuma.

–Estão simples demais –ela colocou um prato cheio de panquecas na mesa –Talvez uma saia, ou um vestido ficassem mais bonitinhos para o primeiro dia.

–Acho que ela está apresentável e comportada assim –papai sentou e se serviu –Melhor que ninguém fica em cima dela.

–Viu? Papai gostou –sentei do lado dele e me servi também.

–Desisto, seu humor é instável demais –mamãe também se sentou para comer –Bom dia Senhor Masen –vovô entrou na cozinha, mas o humor dele era pior do que o meu, então ele apenas pegou uma xícara de café e voltou para sua casa.

–Bom dia família! –Emmett entrou empolgado na cozinha, já colocando comida para si –Pronta para o último ano, maninha? –perguntou para mim.

–Não, me empresta uma das suas bombas, quem sabe assim eu sou expulsa –resmunguei, ganhando um olhar mortal de mamãe e uma risada de papai.

–Você é cruel, Ness! –Emmett falou de boca cheia.

Não falei mais nada, preferindo comer quieta no meu canto, antes que dissesse algo mais e mamãe perdesse a paciência de vez comigo. Eu quis adiar o máximo ter que sair de casa aquela manhã, até mesmo coloquei a louça para lavar sozinha, mas assim que papai e Emm saíram de casa para a lanchonete e mamãe para o jornal, também tive que sair.

Fiquei esperando Lucy aparecer, sentada na escada da varanda, se ela se atrasasse seria perfeito, pois o ônibus já tinha passado e eu não teria como ir para a aula. Estava orando por isso, mas o carro vermelho entrou na minha rua assim que comecei a minha prece.

Entrei no carro dela já reclamando o quanto odiava segunda-feira, mas assim que joguei minha mochila no banco de trás calei a boca. Para minha total surpresa Alec estava lá, mexendo em seu celular distraidamente.

–Bom dia para você também –Lucy riu e começou a dirigir.

–O que você está fazendo aqui? –perguntei para Alexander.

–O mesmo que você, indo para a escola –ele respondeu sem tirar os olhos do celular, não precisei de muito para notar que o humor dele não era muito melhor do que o meu pela manhã.

–Vocês precisam se animar mais um pouco! –Lucy exclamou empolgada.

–Eu estou sentado em um banco traseiro de um conversível, isso não anima ninguém –ele bufou, guardando o celular no bolso –Por que a ruiva tem o direito de ir na frente e eu não?

–Porque esse é o meu lugar –me virei para encará-lo –Você tem um carro, por que não está nele?

–Tive que emprestar para minha avó –Alec fez uma careta –Lucy me salvou de chegar de ônibus no primeiro dia.

–Isso não seria nada legal –a loira falou –Mas eu tive que dirigir até a praia para buscá-lo.

–Óbvio, você mora na praia –constatei –Eu nem saia de casa se morasse de frente para o mar.

–Acredite, eu também não queria sair –Alec disse.

–Okay, sei que os dois odeiam acordar cedo, mas tentem no mínimo parar de fazer isso a pior coisa do mundo –Lucy pediu.

–É a pior coisa do mundo –Alec e eu falamos juntos.

–Desisto de vocês –Lucy riu, me fazendo rir também –Então, Daniel falou com você? –me perguntou.

–Não –respondi com uma careta –Ele não vai falar, tenho certeza.

–Quem é Daniel? –do banco de trás Alec perguntou curioso.

–Namorado da Renesmee.

–Ele não é meu namorado Lucy –bati no braço dela de leve, afinal a garota estava dirigindo –Foi um cara que fiquei em Los Angeles –respondi para Alec –Não que isso seja da sua conta, inglesinho.

–Sua amiga é tão ácida –Alec sorriu para Lucy, que sorriu de volta para ele.

–Então, você emprestou o carro para sua avó?

–Foi –Alec me respondeu –Ela precisava ir até a cidade vizinha e o carro dela ainda não chegou.

–Devíamos ter apresentado sua avó para a Rê, elas iam se dar super bem –Lucy comentou.

–Íamos, por quê?

–A avó do Alec também é uma escritora–minha amiga respondeu.

–Sua avó é uma escritora? –gritei encarando Alexander, fazendo com que ele me olhasse assustado.

–Sim –ele murmurou –Ela escreve alguns livros infantis e peças de teatros.

–Isso é sério? –pude sentir um enorme sorriso se formar em meu rosto –Meu Deus, Alec você precisa me apresentar sua avó!

–Falei que elas iam de dar bem –Lucy disse.

–Tudo bem –Alec assentiu –Vou da um jeito da vovó te conhecer, mas tente não dar uma de louca para cima dela.

–Pode deixar, prometo me comportar –continuei sorrindo –Qual o nome dela?

–Cecília Cullen, mas como eu disse, ela escreve livros infantis e peças de teatro, nada grandioso.

–Ela é uma escritora! –exclamei brava –Óbvio que é algo grandioso, não seja patético.

–Renesmee, sem escândalos –Lucy me fez voltar a sentar –Alec marca um encontro entre você e a avó dele depois.

–Oh Deus, eu vou conhecer uma escritora de verdade, isso é tão entusiasmante –me remexi no banco, deixando todo o mau humor por ser de manhã de lado.

Não demorou muito para chegarmos ao colégio e Lucy estacionar o carro na melhor vaga do estacionamento, bem perto da porta principal da escola. Sai saltitante do conversível vermelho, ainda empolgada com a noticia de que conheceria uma escritora, por pouco me esqueço de minha mochila, mas quando me virei para buscá-la, Alec me entregou a bolsa cinza e vermelha.

–Valeu –agradeci e coloquei uma alça em meu ombro –Já pegaram o horário de vocês? –questionei, os horários e materiais tinham sido liberados na quinta-feira passada, mas como eu estava doente, papai foi buscá-los para mim.

–Já sim –Lucy respondeu acionando o alarme do carro –Qual sua primeira aula? –ela questionou.

–História e a sua?

–A mesma que a sua –piscou para mim –Nem sei como ainda deixam a gente nas mesmas aulas.

–Por que não deixariam? –Alec perguntou, abraçando a namorada, o que me fez desviar a atenção deles por um instante.

–Renesmee e eu não calamos a boca quando estamos nas mesmas aulas –Lucy respondeu –Mas não temos culpa se os professores não conseguem prender nossa atenção quando estamos juntas.

–Podem parar de aplaudir, sei que me amam! –ouvi a voz animada de Bia e logo depois alguém me abraçou com força, gargalhei e retribui o abraço.

–Ninguém estava te aplaudindo, maluca.

–Então deveriam, porque eu sou uma estrela –ela me soltou e piscou para mim –Renesmee, onde você achou essa roupa ridícula? –olhou para o que eu vestia.

–Bia tem razão –Lucy fez cara feia para mim –Parece que você se vestiu para passar o dia na lanchonete.

–Ai, deixem minha roupa para lá. Não tenho a paciência de vocês de ficar me arrumando cedo –olhei para as roupas delas, Lucy vestia uma saia vermelha que parava bem em cima do joelho, com uma blusa social branca e sapatilhas pretas. Beatriz estava de short, uma camiseta do 5 Seconds of Summer e com a jaqueta de William do time de Futebol Americano.

–Você é um caso perdido –Bia apertou minha bochecha –Mas continuo te amando.

–Ela está vestida como o Alec –Lucy bufou, me fazendo olhar na direção do namorado dela, que realmente estava vestido como eu. Calça jeans azul, camiseta preta e all star, só que os dele eram azul escuro.

–O que mostra que ela tem bom gosto –Alec beijou Lucy, que desistiu de me infernizar pelo que eu usava para se dedicar a retribuir o beijo.

–Vamos deixar eles se agarrem em paz –Bia riu e me puxou para longe deles, o que foi um alivio.

Aproveitamos que ainda teríamos tempo até o sinal tocar e fomos falar com alguns amigos. O que consistia em algumas meninas do time de lideres de torcida, os meninos do time de futebol e basquete, fora os nossos colegas veteranos.

Eu podia ser a pessoa mais mau humorada pela manhã, mas ter Bia ao meu lado já me fazia rir, não só pelo fato dela ser um poço de energia, como também por falar sempre o que pensava, que resultava em mim gargalhando. A garota nem se restringia no que falava no que dizia a respeito do namorado e quando William chegou a escola com o cabelo loiro todo penteado para trás recebeu uma bela critica da namorada.

–Parece que você tem setenta anos e sua mãe arruma seu cabelo.

–Bom dia para você também, amor! –ele a beijou por um instante –Para você, ruiva –jogou uma sacola em cima de mim.

–Ah, você comprou minha camisa! –dei um gritinho histérico ao ver o que tinha dentro da embalagem –Solta ele! –empurrei Bia e abracei William –Obrigada seu idiota –brinquei.

–Ei, não xinga meu namorado, magrela –Beatriz fechou a cara para mim, mas três segundos depois explodiu em uma gargalhada –Ele é idiota mesmo.

–Vocês me amam –William disse divertido –Continuem me amando.

–Cala a boca, amor –Bia deu uma batidinha no ombro dele.

–Vamos ao banheiro –agarrei o pulso dela –Quero estrear minha camisa nova –sai arrastando ela para dentro da escola.

–Ficou perfeita em você, de nada –Bia fez um sinal positivo quando troquei de blusa, passando a vestir a que tinha estampado o nome da banda.

–Sabia que tinha seu dedo nisso –guardei a blusa que estava usando antes na minha mochila.

–Como se William fosse acertar –ela me puxou para fora do banheiro –Temos que deixar nossos materiais nos armários, lembra que o diretor programou as boas vindas para o primeiro horário.

–Ah que coisa chata –emiti um sinal de vomito –Oi Anna –parei rapidamente para cumprimentar uma garota que estudava com a gente.

–Gostei da camisa –a morena falou.

–Obrigada –sorri para ela e continuei meu caminho com Bia, nossos armários ficavam no mesmo corredor, enquanto o meu ficava do lado do de Lucy

Beatriz seguiu até seu armário, enquanto parei no meu para guardar meus pertences. Estava arrumando tudo lá dentro, da melhor forma possível, quando ouvi um alto suspiro do meu lado.

–O que foi? –perguntei para Lucy, que estava com a testa encostada na porta do seu armário.

–Alec é tão perfeito –me olhou frustrada –Eu queria tanto amá-lo na mesma intensidade que amo James, tipo, eu amo Alec, mas não parece o suficiente.

–Lucy, não são nem oito da manhã –resmunguei –Deixa isso de lado por enquanto.

–Tá, desculpa –ela também guardou suas coisas –Acho muito ridículo o diretor não ter permitido que nos apresentássemos nas boas vindas –disse chateada –Poxa, é nossa missão como lideres de torcida alegrar as pessoas e as motivar.

–E você leva isso muito a sério –uni meu braço ao dela e começamos a caminhar na direção a quadra de basquete, onde o diretor falaria por longos minutos antes de nos liberar para as aulas –Relaxa, só um pouco, vai te fazer bem.

Encontramos com Beatriz e fomos juntas para as boas vindas. Nos sentamos no alto da arquibancada, porque Lucy adorava a visão completa da quadra e de lá poderíamos fazer o apanhado geral das outras pessoas que estudavam na Sun West High School, enquanto o lugar ia enchendo, fomos vendo quem tinha engordado, emagrecido, pintado o cabelo e qualquer outra mudança estética que pudéssemos notar.

Não vi nenhum novato, sem falar dos que pareciam ser os calouros, então deduzi que Alexander deveria ser o único, ao menos da nossa turma. Ele estava sentado na fileira de bancos abaixo da nossa, junto com William e Riley.

–Nessie –Riley se virou para mim –Podemos conversar depois?

–Podemos –respondi, desconfiada do que ele queria comigo.

–Bom dia alunos! –Aro Volturi, nosso diretor, assumiu seu lugar no centro da quadra, falando no microfone.

Um fato muito importante sobre nosso diretor era que ele tinha um rosto de esquilo, sempre com uma expressão engraçada e um jeito estranho de mexer o nariz. Outro fato, mas não tão importante, era que ele era pai da garota mais nojenta da escola, Heidi. Ela era irritante e perfeitinha, mas diferente de Lucy, a garota era realmente chata e insuportável.

Era do jornal da escola e se achava o máximo por ser super reconhecida em sua escrita. Eu a odiava, ainda mais quando a mesma me recusou no jornal, o que foi uma imensa decepção para mamãe, que queria que eu seguisse seus passos profissionais.

O diretor falava sobre como estava contente em nos receber naquele ano, saudou os calouros e novatos. E eu me distrai na fala dele quando Alice sentou ao meu lado, terminando de passar batom.

–O que eu perdi?

–O horário –Lucy respondeu, mas sem deixar de afagar o cabelo de Alec, que estava sentado na direção dela, de olhos fechados ele podia muito bem estar dormindo.

–Não tenho culpa se não acordei cedo –minha prima deu de ombros –Olá garotos, muito feliz em ver vocês –cumprimentou os três sentados a nossa frente.

–...Quanto ao pessoal do último ano –voltei a prestar atenção no discurso do diretor –Esse é um ano muito especial para todos vocês, irão se formar, dar um passo a mais para o futuro de vocês. Deverão decidir para qual faculdade irão, terão que dar tchau para os amigos e familiares, então aproveitem o ano, estejam do lado daqueles que amam. Mas sempre com juízo e sabedoria, obviamente.

–Vamos nos formar –Lucy murmurou e olhei para ela, os olhos azuis da garota estavam levemente marejados e eu simplesmente a abracei.

Sabia o que ela estava pensando, que iríamos nos separar depois daquele ano, eu também pensava aquilo. Na verdade eu entrava em pânico só de pensar que após a formatura nunca mais falaria com nenhum dos nossos amigos, principalmente ela, eles todos eram especiais demais para minha vida, perder qualquer um me destruiria.

O diretor começou a apresentar o corpo docente, todos os mesmos professores de sempre, mas tinha um em especial que fez Alice do meu lado suspirar. Bia, Lucy e eu olhamos na direção dela quando Jasper Whitlock acenou para os alunos.

Ele era nosso professor de história desde o ano passado, quando substituiu o velho Senhor Turner. Desde então, cada garota daquela escola passou a gostar de história, afinal o Senhor Whitlcok era loiro, com cabelos ondulados em cachos fofos, olhos esverdeados e um sorriso lindo, que deixava a vista uma covinha, sem falar que era bem humorado e simpático. Entretanto, nenhuma garota da Sun West High School poderia ser tão encantada por ele como minha prima era.

–Como ele consegue ficar mais bonito ainda? –ela perguntou sem tirar os olhos dele.

–Ele é mesmo muito bonito, olha essa boca rosada –Bia comentou.

–Estou ouvindo isso, Beatriz Miller! –William exclamou.

–Ótimo, então tira uma foto do professor para mim –brincou, pois logo se esticou para abraçar o namorado.

O diretor falou mais algumas coisas, até que chegou a um assunto realmente interessante, ao menos para Lucy. Ela esperava ansiosamente para o momento de ser uma veterana e poder se eleger como presidente do grêmio estudantil –que em nossa escola só podia ser composto por alunos do último ano –eu sabia que ela queria aquilo mais do que qualquer outra coisa, e mesmo sabendo que iria ter que ajudá-la naquilo, não fiquei revoltada.

–As chapas para votação devem ser montadas até o fim dessa semana –o diretor explicou –Na secretária eram encontrar um documento explicando tudo que irão precisar, as campanhas começam já na semana que vem e a votação ocorrerá no fim de agosto, então se preparem.

–Está comigo nessa? –Lucy me questionou aos sussurros.

–Estou –concordei.

–Então, é só isso –podem se dirigir para suas respectivas aulas –o diretor finalizou –Sejam todos muito bem vindos, ao Sun West High School.

Ainda teríamos uns quinze minutos da primeira aula, então seguimos para a sala de história. Alice e também estavam naquela turma conosco, o que era ótimo de se saber.

Lucy e eu seguimos para uma mesa no fundo da sala, pois como estaríamos juntas naquela aula, sabíamos que íamos uma hora ou outra acabar conversando demais e ficar na frente só nos ferraria na mão do professor. Bia e Alice ficaram em uma mesa ao nosso lado, minha prima não conseguia desviar os olhos do Senhor Whitlock, que estava na porta da sala recebendo os alunos com sorrisos e frases animadas, não faço ideia de como ela não surtou quando ele disse que estava feliz em vê-la.

–Alice –Lucy chamou pela morena –Por que esse ano você não confessa para o senhor Whitlock que está afim dele? –perguntou em um tom de voz que só nós quatro pudéssemos ouvir.

–Você está louca? –perguntei por Alice –Ele é nosso professor e deve ter uns quarenta anos.

–Ele tem trinta anos –Lucy respondeu –E Alice é louca por ele, devia falar de uma vez que o curte –deu de ombros.

–Nunca conseguiria fazer isso, ele é demais para mim –minha prima suspirou, ainda o olhando.

–Se fosse eu já tinha falado tudo que sentia para ele –Lucy falou –Não adianta de nada ficar se guardando o que se sente, ama uma pessoa? Então vai lá e fala.

–Não é tão simples assim –franzi o cenho –Às vezes não é possível se declarar o que se sente, por diversos motivos.

–Amor é uma merda, isso sim –Lucy me encarou –Você é a sortuda por nunca ter amado ninguém. Olha só, Alice tem um amor platônico pelo professor. Beatriz cai de amores pelo William, literalmente cai. E eu sou um poço de confusão quando o assunto é amor.

–Mas pelo menos vocês amam alguém –olhei para cada uma delas –Eu sou sozinha e isso é bem chato na maioria das vezes.

–Você devia arrumar um namorado –Bia comentou.

–Oh, isso é uma excelente ideia –Lucy abriu um imenso sorriso –Vou te arrumar um namorado, Rê.

–Boa sorte com isso –ri, vendo o Senhor Whitlock recepcionar o último aluno e se posicionar no centro da sala.

–Então gente –ele sorriu para todos e esfregou uma mão na outra –Estão empolgados com o último ano?

A sala inteira começou a falar ao mesmo tempo, inclusive eu, alguns disseram que estavam nervosos, outros entusiasmados e uma infinidade de outros sentimentos surgiram durantes as confissões. O professor se esforçava para ouvir cada resposta, até mesmo chegou a circular pela sala para poder prestar mais atenção no que dizíamos.

–Tudo bem, uma pausa –ele pediu rindo –Sei como o último ano do colegial pode ser estressante de várias maneiras possíveis, mas vocês necessitam ter em mente que é uma fase fundamental para a vida de vocês –o professor estava entre a cadeira que eu estava com Lucy e a de onde as meninas estavam sentadas, Alice praticamente se levantou para abraçá-lo, mas conseguiu se limitar apenas em se virar completamente para olhá-lo.

–Então sofrer é fundamental para se ter algo bom lá na frente? –Lucy perguntou, encarando as próprias mãos.

–Sim, eu penso dessa forma –o Senhor Whitlock falou –Acredito que não há nada nesse mundo que pode ser conquistado sem luta e sofrimento, pensem bem, quando se tem algo muito fácil, rapidamente se enjoa. As pessoas gostam daquilo que as fazem batalhar, o que te faz se esforçar para conseguir sempre vem junto com um grande mérito, foi algo duramente conquistado. Não se trata de algo que ganhou de uma hora para outra, envolve uma série de vontades e obstáculos que se foram enfrentados.

Isso se chama perseverança, isso está diretamente ligado ao último ano de vocês na escola –ele voltou a sorrir, deixando sua covinha à mostra –Cada um de vocês tem planos e metas para o futuro, mas caso não tivessem passado pela escola antes, não chegariam até as Universidades e as melhores condições que elas podem te oferecer no futuro. Acreditem, lutar pelo que se realmente ama é acreditar em si mesmo, pois provará que quer realmente aquilo, apesar de várias controvérsias que podem surgir.

Se me permitem lhes dar um conselho –o professor caminhou de volta para o centro da sala, ao mesmo tempo que o sinal para a segunda aula tocava –Lutem pelos seus sonhos, mesmo que seja difícil chegar até eles.

Notas finais
Por favor, comentem! Beijos. Lola Royal. 18.12.14