Teenage Dream
15 Capítulo Cartoze- Imaginário
Notas iniciais
Capítulo Cartoze- Imaginário
“Posso ter um minuto?
Eu tenho que te contar uma coisa
Eu ouvi dizer que alguém gosta de você
Pode não ser nada, mas ele está bem na frente de você” – I've Got This Friend, 5 Seconds of Summer
Afastei meu corpo do de Alexander, ainda sem acreditar no que ele tinha dito. Minha mente não conseguia processar aquela informação tão facilmente, o inglês não podia ter simplesmente terminado com Lucy.
–Por que você terminou com ela?
–Porque ela é sete e você é um dez –sussurrou.
Tentei dizer algo, mas aquilo também conseguiu me calar. Alexander me olhava de um jeito nervoso, o que não devia ser muito diferente de como eu mesma estava olhando para ele. Por sorte meu celular começou a tocar, dando a distração que eu precisava do moreno.
–Papai, oi! –exclamei aliviada ao ver que era ele me ligando.
–Já estou na frente da escola, onde está você?
–Estou indo –recolhi minhas coisas e sai em disparada da biblioteca, mas sabia muito bem que Alec estava me seguindo.
–Tudo bem –papai desligou.
–Renesmee, precisamos conversar –Alexander me ultrapassou, ficando na minha frente, me detendo de continuar andando.
–Foi um erro, isso não pode se repetir –falei séria –Sou a melhor amiga da Lucy, me recuso continuar a traindo.
–Eu não estou mais com ela –me lembrou.
–Não importa, isso não muda nada. Continuo sendo melhor amiga de Lucy Denali e devo respeito a ela, não deveríamos ter nos beijado, isso foi um erro enorme e eu me odeio por isso –deixei bem claro, me afastando de vez dele e deixando a escola.
–Hey Eufrazino, por que está com essa expressão aterrorizada? –papai questionou quando entrei em seu carro.
–Nada –desviei o rosto, me concentrando em colocar o cinto –Estou bem –levantei a cabeça para ele, mas não contive o choro por mais do que dois segundos.
–Renesmee, o que houve? –papai questionou, tirando seu próprio cinto para poder me abraçar.
–Eu cometi um erro terrível, papai –murmurei no peito dele, enquanto manchava sua camisa de lágrimas.
–Alguma nota baixa? –fez com que eu o olhasse.
–Antes fosse –voltei a me sentar direito –É um assunto bobo, adolescente e de meninas, você não entenderia.
–Tente, estou preocupado com você –me olhou confuso –Tem haver com meninos, não tem?
–Sim –assenti, limpando as lágrimas do meu rosto.
–E você não quer falar sobre isso?
–Vou superar –forcei um sorriso para ele –Só quero ir para a lanchonete e poder trabalhar um pouco.
Papai concordou e não me perguntou mais nada, apenas ligou o carro e dirigiu para bem longe da Sun West High School, consecutivamente bem longe de onde Alec estava. Desliguei meu celular e o abandonei dentro do carro, não querendo ver as ligações de Lucy, ou qualquer outra coisa que me lembrasse dela ou de seu ex, eu precisava de tempo para reconstruir a mim mesma e saber o que faria da minha vida dali em diante.
Aquele com certeza foi o dia em que mais servi mesas, estava me focando por completo naquilo, para tentar esquecer o beijo e o fato de Lucy não ser mais namorada de Alec. Trabalhar estava me ajudando tanto a aliviar a mente, que nem quis ir embora quando papai disse que eu já estava dispensada.
Permaneci na lanchonete com ele, mesmo depois de todos os outros funcionários e clientes irem embora, para ajudá-lo a fechar o local. Estava concentrada em limpar as últimas mesas sujas, quando o sino da porta de entrada soou.
Meu coração parou por alguns segundos ao ver quem estava ali, por sorte os copos estavam sobre a mesa, ou teriam caído aos meus pés com a surpresa de vê-lo ali. O moreno continuava parado na entrada da lanchonete, me encarando como costumava fazer.
–Ei Alexander, já estamos fechados –ouvi a voz de papai, que fez com que eu conseguisse desviar minha atenção do Cullen.
–Eu sei –Alec também olhou para meu pai –É que preciso falar com Renesmee.
–Ah claro, podem conversar.
–Será que podemos ir para a praia? –Alec me questionou.
–Já está tarde –entreguei os copos para meu pai guardar.
–Senhor Masen, eu levo Renesmee em casa, posso ir conversar com ela na praia? –perguntou diretamente para meu pai.
–Pode –papai concordou, mesmo notando minha angústia –Mas não demorem muito.
–Tudo bem –Alec assentiu –Vamos? –abriu a porta para que eu saísse.
–Mas...
–Querida, lembre-se de sempre encarar seus problemas –papai me abraçou, falando para que só eu escutasse.
–Falar é fácil –resmunguei, o fazendo rir.
Passei direto por Alec, seguindo para a praia que se estendia a frente da lanchonete. Ele andava a uma boa distância de mim, quieto, o que era bom, ou não me importaria de mandá-lo calar a boca de uma forma nada gentil.
–O que você quer? –indaguei quando paramos perto do mar.
–Conversar, isso já está bem óbvio –parou próximo de mim.
–Não temos nada para conversar, o que aconteceu na escola foi um erro. Nunca deveríamos ter nos beijado, eu nem mesmo deveria estar falando com você agora.
–Renesmee, Lucy e eu terminamos, não foi um erro.
–Já falei que isso não importa! –exclamei –Lucy continua sendo minha melhor amiga e eu a trai quando te beijei.
Alec suspirou e sentou na areia, colocando a cabeça entre as mãos e ficando assim por um bom tempo. Eu queria ir embora, mas ao mesmo tempo não queria sair do lado dele, então acabei me sentando do seu lado, deixando meus olhos se perderem no mar, a água estava agitada aquela noite e o barulho das ondas era alto e o único barulho a ser ouvido.
–E se eu te confessar uma coisa? –Alec se voltou para mim.
–O quê? –continuei olhando para o mar.
–Era com você que eu queria ficar na festa de inauguração do hospital.
–O quê? –perguntei de novo, mas daquela vez gritando e me virando na direção do inglês –Do que está falando?
–Escuta –ele pediu, fazendo um gesto para que eu não me levantasse –Eu me atrasei para a festa, então cheguei depois dos meus pais e da minha irmã, então não fui apresentado a Lucy assim que cheguei. Eu estava com preguiça de me socializar com um monte de gente desconhecida, então fiquei quieto no meu canto, estava a um ponto de pedir para que meus pais me deixassem ir embora, quando te vi conversando com o Jacob.
–E? –insisti para que ele continuasse falando.
–E ai eu fiquei encantado em te ver de novo, mesmo que não tenhamos conversado quase nada na lanchonete, eu tinha gostado muito do seu jeito. Então acabei indo falar com Jacob, quando você e Lucy foram dançar, eu pedi que ele me apresentasse a amiga dele que estava conversando antes, mas ele voltou com a amiga errada.
–Por que você não a dispensou quando viu que era a garota errada? –fiquei de pé, fazendo com que ele se levantasse também.
–Porque Lucy me entendia –Alec engoliu em seco, pela primeira vez deixando de me encarar, ele parecia triste –Eu ia falar que era a garota errada, juro que ia, só que ai Jacob disse que era a filha do prefeito e ela o mandou ir embora por isso, Lucy não queria que eu a conhecesse como a garotinha perfeita. Quando Jacob nos deixou sozinhos ela explicou isso, que ser sempre pressionado a ser alguém perfeito e que sempre se destacava em tudo a deixava louca, ela só queria por alguns minutos ser ela mesma.
Foi ai que eu me vi nela, eu também sou assim, Renesmee. Meus pais podem não ser tão irritantes quanto os dela, mas sendo filho de quem sou, estou vinte e quatro horas por dia sendo pressionado a ser o melhor em tudo que faço. Não podia dizer a Lucy que ela era a garota errada, porque de alguma forma ela era a garota certa –fechou os olhos ao falar a última parte.
Aquilo só me fez ficar pior, eu não conhecia os pais de Alexander, mas conhecia os de Lucy e se os dele eram de certa forma, parecidos com os dela, sabia o quanto aquele garoto também era direcionado a ser frequentemente alguém que está no topo. Não tinha ideia do que falar, ou do que pensar ou fazer, eu estava mais confusa do que nunca.
–Então, se ela te entende, por que terminou? –perguntei baixinho.
–Porque eu queria ficar com você, Renesmee –voltou a me encarar –E eu não seria um canalha fazendo isso enquanto namorava Lucy, e porque você é um dez. Lucy pode ser o dez de outro cara, mas não é o meu.
–Ela continua sendo minha melhor amiga, Alexander.
–Podemos conversar com ela, explicar a situação –ele segurou em minhas mãos, ficando próximo demais para minha sanidade.
–Não, não podemos –voltei a me afastar dele –O que aconteceu entre nós não vai voltar a se repetir, espero que pare de forçar. Eu nunca escolheria um cara a minha melhor amiga, sinto muito.
–E você já pensou que pode estar cometendo o maior erro da sua vida? Podemos ser destinados um ao outro, tem aquele papo de almas gêmeas e tudo mais –ele gritou.
–Eu não acredito nisso –ri –Você acredita?
–Não –ele riu também –Mas eu quero ficar com você.
–Mas não vamos –peguei a chave do seu carro, que ele tinha deixado cair na areia quando se sentou e entreguei para ele –Me leve para casa e esqueça desse dia.
Alexander me encarou por mais um momento, mas aceitou que não tinha mais escolhas e fomos em direção ao seu carro, que estava estacionado próximo a lanchonete do meu pai. Eu fiquei praticamente imóvel o caminho inteiro, querendo que chegássemos logo a minha casa e eu pudesse sair do mesmo espaço que ele, Alec ficava a todo instante me olhando, mas não retribui o olhar, eu não podia.
Não agradeci, nem mesmo falei qualquer outra coisa quando o carro parou na frente da minha casa. Apenas sai do mesmo, deixando Alec sair também, mas da minha vida, ou pelo menos era o que eu esperava.
–Filha, você está bem? –mamãe questionou quando entrei em casa, ela estava na sala com papai e Emmett.
–Sim –murmurei –Só preciso ir dormir –fui direto para meu quarto, ignorando as outras perguntas que ela fez.
Como meu celular estava no carro de papai e eu não desceria por nada, peguei o telefone de casa que tinha em meu quarto. Só tinha uma pessoa no mundo que poderia me ouvir chorar sobre aquilo tudo e entender o que se passava na minha mente, e não era Demetri, nenhuma das meninas ou qualquer outra pessoa que estava em Sun West.
–Mãe? –a voz de sono de Rachel atendeu ao telefone.
–Não é a mamãe –me tranquei dentro do closeth, para que se alguém –mamãe –quisesse ir me vigiar, não escutasse minha conversa.
–Renesmee, o que você tem? –Rachel perguntou, parecendo mais desperta.
–Eu trai a Lu –o choro por fim rompeu, fazendo com que eu começasse a soluçar e as lágrimas rolarem por meu rosto.
–Como?
–Fiquei com o ex dela, mas quando o beijei ainda nem sabia que eles tinham terminado. Só que até antes disso eu já tinha ficado muito próxima dele e imaginado coisas, Rach, vou enlouquecer –agarrei uma jaqueta velha da minha irmã, para tentar limpar minhas lágrimas e me sentir mais próxima dela.
–Calma, Ness. Não estou entendendo nada, me explica melhor –pediu.
E eu contei, contei tudo que tinha para contar para Rachel. Quando servi Alexander e a irmã na lanchonete, a festa do hospital, ele e Lucy ficando, eu sonhando que ficava com ele. Nosso encontro por acaso no aeroporto, quando ele foi me buscar. Nós dois dançando no aniversário de Lucy. Nossa aula de artes, quando ele foi me socorrer de Nahuel e por fim tudo que tinha acontecido naquele dia: o beijo, nossa conversa na praia e como eu queria ter cedido e ficado com ele mais uma vez.
Rachel primeiro me brigou por eu ter ido a festa de Nahuel, o que só me fez ficar com mais raiva de mim mesma, afinal Lucy tinha me salvo daquilo e eu retribuía a traindo. Depois minha irmã começou a conversar comigo, sem me xingar por conta da festa.
–Renesmee, eu nunca tive uma amiga tão próxima e de tanto tempo quanto você tem a Lucy –começou –Não sei como são essas amizades de anos e de super confiança, já fiquei com ex namorados das minhas amigas, com algumas isso deu problema, com outras não foi nada demais. Pelo que conheço de Lucy, isso pode ser o fim do mundo, ainda mais vindo da melhor amiga dela, mas o que você sente também é muito importante.
–Eu não sei o que sinto –aos poucos ia parando de chorar –Foi incrível ficar com ele hoje, mas eu nunca conseguiria machucar a Lucy mais do que isso. Tem essa regra entre quase todas as garotas do mundo, que ficar com o mesmo cara, mesmo depois dele se tornar um ex, é inadmissível.
–E você a seguiu fielmente até hoje.
–Rachel, acha que eu devo contar isso para Lucy?
–Eu não contaria, ainda mais quando parece que você não vai mais nem olhar para o tal Alec. E ela acabou de terminar o namoro, brigar com a melhor amiga vai ser demais para a garota, apenas esqueça isso, Ness. Existem muitos outros garotos para você, outras oportunidades, não destrua a sim mesma e a sua melhor amiga por causa de um cara.
–Rach, volta para casa –implorei.
–Pirralha –ela deu uma gargalhada –Você já é crescida o suficiente, não precisa da sua irmã mais velha sempre do seu lado para guiar seus passos, mas sempre que quiser desabafar pode me ligar.
–Obrigada –agradeci.
–Agora vai dormir, você precisa descansar.
Segui o conselho de Rachel e fui dormir, ou pelo menos tentei, porque ainda chorei muito. Acordar na manhã seguinte foi horrível, meus olhos estavam inchados e vermelhos, minha cabeça doendo e tudo em mim se resumia a choro e decepção.
Precisei de muita maquiagem para esconder o estado em que eu me encontrava, coloquei uma roupa qualquer e nem mesmo parei para tomar café, pois a buzina do carro de Lucy já soava do lado de fora. Eu cheguei a pensar que ela não iria para a aula naquele dia, mas ela foi e preparada para matar.
A loira usava seu uniforme de líder de torcida, o cabelo preso em um seguro rabo de cavalo no alto de sua cabeça e uma maquiagem impecável. Isso sem mencionar o sorriso mortal que ela mantinha em seu rosto, aquilo tudo me fez ficar apreensiva, com medo dela suspeitar de algo.
–Você está um caco, o que houve? –Lucy questionou, começando a dirigir.
–Só cansaço –murmurei –E você está linda!
–Eu não faria diferente, agora que estou solteira –ela me lançou um rápido olhar –Deveria saber disso se atendesse minhas ligações, mas seu celular passou o dia inteiro desligado.
–Então, a conversa de ontem era o termino de vocês –continuei murmurando.
–Você não parece surpresa –Lucy falou –Estava tão óbvio assim que ele ia terminar comigo?
–Não, mas vocês estavam bem afastados nos últimos dias, acho que foi isso. Como você está?
–Péssima, eu estava amando aquele desgraçado –Lucy bufou –Agora vou ter que aturá-lo nas aulas, pelos corredores, em todos os lugares.
–Por que ele terminou? –indaguei.
–Ele disse que gostava muito de mim, que eu era uma amiga incrível para ele, que sabia como ele se sentia, mas que não podia me machucar. Não entendi isso, perguntei se tinha alguma vadia na história, mas o canalha só continuou falando que eu era especial demais para me machucar.
–Ao menos ele não te largou do jeito que James te largou.
–Mas me largou –Lucy revirou os olhos –Fez a mesma coisa, só que pessoalmente. Nenhum garoto é digno de pena, eu cansei de todos eles.
–Vai virar lésbica? –perguntei, minha pergunta foi em um tom sério, mas fez com que Lucy gargalhasse alto.
–Não –ela disse entre seu riso –Só não vou mais namorar nenhum deles, quero só beijar qualquer um, transar e desistir de achar minha alma gêmea.
–Ah claro, você acredita em alma gêmea –falei, me lembrando da conversa que tinha tido com Alec, onde ele dizia que não acreditava naquilo –Mas, você acabou um namoro, não está nem um pouco triste?
–Óbvio que estou, muito. Só que eu já passei a noite inteira chorando –ela fez uma careta –Ainda tive que aturar mais uma das brigas dos meus pais, hoje eu só quero ter um pouco de paz e esfregar na cara daquele garoto que eu sou muito melhor do que ele pensa.
–Você com certeza é muito melhor do que pensa –sorri para Lucy, que sorriu de volta.
–Agora só quero saber da minha candidatura, pois se eu perder para Heidi será humilhante e o Riley é um concorrente fraco.
–E se ganhar dele, o que vai fazer que ele faça? Já que apostaram.
–Ainda não sei, mas será algo épico –deu um sorriso maldoso.
Logo chegamos a escola, Lucy me entregou seus óculos de sol, dizendo que eu precisava mais deles do que ela. A garota realmente não precisava, pois nunca a vi tão confiante e bonita, posso afirmar que todos se viraram para olhá-la quando a viram descer do carro, eu me sentia ridícula com meu jeans grande demais e minha camiseta com a imagem do Bob Esponja estampada.
Beatriz e Alice logo se juntaram a nós e Lucy contou a elas sobre estar solteira, não fiquei surpresa por elas ainda não saberem, pois eu sabia perfeitamente que a loira nunca contaria isso para uma das duas antes de eu saber. E era toda essa confiança que ela tinha sobre mim, que me proibia de sequer pensar em Alexander, tudo que tinha ocorrido no dia anterior deveria ficar para sempre no passado e nunca mais ser lembrado.
–Sabe, de certa forma esse termino veio em boa hora –Lucy disse quando sentamos lado a lado para nossa aula de história.
–Sério?
–Sim –assentiu –Pensa bem, com um namorado eu ficaria totalmente sem tempo para me dedicar a torcida e ao Grêmio Estudantil. Fora que Alexander ficava me forçando a escutar aquelas músicas chatas que ele gosta, tem uma banda que não curto nem um pouco, e algo como Artic Monkys.
–Arctic Monkeyes –a corrigi –É uma das bandas preferidas dele.
–Como sabe disso? –a loira me olhou confusa.
–Ele me disse em algum momento –dei de ombros.
–Não importa, eu não suportava aquela banda, agora estou livre disso também.
–Ótimo –disse, mas até que eu tinha gostado da banda, quando procurei mais sobre ela depois de Alec falar dela para mim.
–Bom dia meninas, será que hoje podem tentar conversar menos? –o professor Whitlock nos perguntou –Na última aula passaram um pouco dos limites.
–Oh, desculpe professor –pedi.
–Sabe o que é, professor? –Lucy mordeu o lábio, se inclinando um pouco na mesa –É que a sua aula é tão boa e envolvente, que se prestássemos muita atenção nela, sairíamos daqui apaixonadas pelo o senhor, não é mesmo Alice?
Minha prima, que estava sentada na mesa ao lado com Beatriz, ficou pálida e arregalou os olhos para Lucy. Segurei uma risada, ou Alice me mataria depois, mas a situação era a mais engraçada e constrangedora possível.
–Não sei –Allie murmurou, abaixando a cabeça para o livro de história.
–Meninas, apenas se concentrem –o senhor Whitlock pediu, rindo e se dirigindo para a frente da sala, para poder iniciar sua aula.
Minha próxima aula foi com William, o que me fez rir um pouco, pois ele e eu ficamos debatendo sobre a inteligência de Heidi, já que ela estava na mesma aula que a gente. Só que como tudo que é bom sempre dura muito pouco, logo aquela aula acabou e eu tivemos que ir para a outra, onde eu teria que me sentar com Alexander.
Fiquei conversando o máximo possível com Beatriz, sentada atrás de mim com Will, pelo visto Alexander também fez o que pode para evitar dar de cara comigo. O moreno entrou na sala no último instante, pouco antes do meu padrinho ter o direito de proibi-lo de entrar para sua aula.
Alec sentou ao meu lado, aparentando tanto quanto eu estar desconfortável. Beatriz o fuzilava com os olhos, o que era mais uma pequena regra do que devia ser o manual das amigas que existia oralmente pelo mundo, odiar o ex da sua amiga, e como ela não podia odiar James –já que era seu irmão –odiaria Alexander em dobro.
Passamos a aula inteira sem nem mesmo nos olharmos, o que de certa forma era ótimo, pois eu temia os malditos olhos azuis que ele tinha, e assim que o sinal alertou o termino da aula de álgebra, o inglês deixou a sala. Assim que me lembrei que a aula seguinte que teríamos seria com Alec e Lucy sentados juntos, em uma mesa próxima a minha, eu quis matar quem criou aquela maldita norma dos lugares serem fixos.
Lucy não pareceu nem um pouco abatida quando o ex sentou ao lado dela, mas Alec estava tão incomodado que até eu que estava mais interessada em aprender sobre o funcionamento do fígado notei. Mas eu sabia o quanto Lucy estava se sentindo gloriosa por ela estar por cima naquele termino, já que Alexander era outro que parecia que não tinha tido uma noite nada boa de sono.
No almoço, Lucy reuniu a mim, as meninas e Jacob para conversarmos sobre a candidatura dela para presidência do Grêmio. Pelo cronograma que recebemos, poderíamos começar a espalhar cartazes na sexta, na terça todos os candidatos participariam de uma exposição de ideias do que fariam se ganhassem e na outra semana, as vésperas da votação, aconteceria o debate.
Tínhamos tudo planejado, na verdade Lucy tinha, então só precisávamos colocar em prática. Alice desenharia os cartazes e mandaríamos fazê-los na gráfica do jornal da cidade, pois Lucy não queria poupar e a mãe dela tinha dado permissão para isso, o que só me fazia lembrar o quanto os pais dela só se importavam com essas coisas.
Beatriz e Jacob estavam anotando algumas possíveis perguntas que poderiam surgir no debate, enquanto Lucy e Alice se debruçavam em tentar achar modelos perfeitos de cartazes, me distrai olhando pelo refeitório. Não queria, mas acabei sendo traída pelo meu próprio subconsciente e procurando por Alexander.
Ele estava junto de William, Riley, Gabriella e Demetri, a presença do meu melhor amigo indicou que eles também estavam trabalhando na campanha de candidatura do Biers. Alec notou meu olhar preso sobre ele e me olhou também, era a primeira vez que nos olhávamos desde a conversa da praia e eu só senti vontade de voltar a chorar, principalmente por Lucy estar sentada bem do meu lado, se esforçando para manter pelo menos parte de sua vida nos eixos.
A aula sentada com Jacob se resumiu com nós dois tentando entender porque química era importante, o que acabou não dando resultado nenhum, mas pelo menos ele não notou meu estado transtornado. Já Demetri, na aula seguinte, reparou assim que sentei ao seu lado, ele passou a me encher de perguntas, parecendo muito com a minha mãe, apenas pedi que ele me encontrasse em casa de noite, para poder contar a ele tudo que tinha ocorrido.
Descaradamente matei a última aula, pois de jeito nenhum sentaria novamente com Alexander, acabei indo me refugiar na biblioteca. Só para me lembrar do que tinha ocorrido ali na tarde passada, o livro que eu tinha escolhido para ler continuava jogado no chão, o recolhi, mas me proibi de lê-lo, a história de Mia e Adam era triste demais para eu me afundar nela.
Quando a última aula terminou, segui animadamente para trocar de roupa, gastar energia no treino das lideres de torcida era uma ótima forma de extravasar tudo que estava me consumindo. Foi uma alegria depois de tanto tempo vestir meu adorável uniforme azul e amarelo, com as inicias da escola no busto, a blusa deixava metade de nossa barriga de fora e a saia parava na metade da coxa, mas por sorte tinha um short por baixo.
–Esse uniforme fica perfeito em você, sabe que as pessoas matariam para ter a sua barriga chapada? –Beatriz me perguntou, enquanto colocava seu uniforme também.
–Como se você fosse gorda –pisquei para ela.
–Mais do que você eu sou, com certeza –a garota riu –Então, acha que Lucy e Alec não voltam de jeito nenhum? Eles eram bonitinhos juntos.
–Não sei de nada, acho que devemos deixar os dois se entenderem –guardei minhas coisas em meu armário do vestiário e fiz Bia ir logo comigo para o campo de futebol americano, já que treinávamos na lateral do mesmo.
Fomos as primeiras a chegarmos lá, nem mesmo a capitã –Rosalie –já tinha ido, então aproveitamos para nos alongarmos decentemente. Ela quase se distraiu quando os meninos do time chegaram para treinar, afinal seu namorado estava entre eles, mas a fiz manter o foco, afinal Bia sempre se esquecia de se alongar como devia.
Estranhamente, Rosalie era a única que não apareceu em seu uniforme da torcida, em seu lugar ela usava calças para academia e uma blusa um pouco mais folgada. Não fazia ideia de porque ela estava vestida daquele jeito, ainda mais por ser a nossa capitã e a que definitivamente sempre ficou melhor no uniforme, a namorada do meu irmão também preferiu aquele dia apenas para nos dar ordens, evitando se mover muito.
Em compensação, eu me mexi muito. E estava tão agitada que até mesmo obriguei as outras meninas a se empenharem mais, afinal teríamos o primeiro jogo de futebol americano dali a pouco mais de três semanas.
–Ei louca, vai com calma! –Lucy ordenou em nossa pausa –Vai acabar se machucando assim –ela foi me ajudar a alongar minha perna direita, que estava levemente dolorida.
–Eu precisava disso –encostei a cabeça na grama, jogando água em meu rosto.
–Parece que você está querendo se matar –ela ralhou comigo.
–Não, só extravasar, foi um dia longo –suspirei, ela acabou de me alongar e foi minha vez de ajudá-la –Então, não conversou com Alec hoje?
–Não, nem quero –ela fez uma careta para mim –Já disse que não quero mais saber desses garotos estúpidos na minha vida.
–Você que sabe –a fiz beber um pouco de água.
Naquela noite, levei a maior bronca da minha vida, mas não dos meus pais, muito menos do meu avô, sim do meu melhor amigo mesmo. Demetri brigou tanto comigo por eu ter ficado com Alec, que eu fui obrigada a fechar a porta do meu quarto para que ninguém ouvisse, mas isso não durou muito, já que papai apareceu para abrir a porta, para evitar que o Albino tentasse algo comigo, o que era ridículo só de imaginar.
–E agora? –Demetri perguntou depois de se acalmar.
–E agora que vou continuar agindo como se nada tivesse acontecido –continuei pitando minha unha do pé –Lucy não merece sofrer por causa de algo que nunca mais acontecerá.
–E se acontecer de novo?
–Não vai –garanti.
Eu sabia que tinha feito a escolha certa, pois Lucy era minha melhor amiga e cara nenhum a substituiria. Então, foi dessa forma que os dias se passaram, comigo focando em qualquer atividade para esquecer o que tinha acontecido, com Lucy sendo a rainha da escola em sua beleza e exuberância e com Alexander passando despercebido para nós duas, até mesmo em nossas aulas juntos.
Tudo parecia que ia voltar ao normal, àquela época em que eu não precisava me preocupar por ter beijado o ex namorado da minha melhor amiga, muito menos por ainda querer secretamente beijá-lo. Entretanto, foi uma gigantesca ilusão de que tudo estava ótimo, pois na terça-feira, no dia da explanação das ideias para a disputa pela presidência, Lucy resolveu ter uma crise.
–Oh Deus, o que houve com você? –questionei quando entrei no carro e vi como ela parecia péssima.
–É aniversário dele –ela soluçou, pegando um lencinho para limpar o rosto, que já estava completamente machado pela maquiagem.
–De quem?
–Alexander –sussurrou, chorando mais ainda.
–Não Lucy –balancei a cabeça –Hoje é um dia importante demais para você, nem pensar em desperdiçá-lo por causa daquele garoto.
–Eu não quero vê-lo –ela pegou mais alguns lencinhos –Tínhamos adiado nossa primeira vez fazendo sexo um com o outro para hoje, era a grande comemoração.
–Isso é ridículo, pode parar –ordenei, começando a retocar a maquiagem dela.
–Renesmee?
–Sim –respondi, enquanto aplicava uma boa camada de pó compacto em seu rosto.
–Você nunca vai me machucar, não é? Porque meus pais me machucam, meus namorados sempre me machucam, eu morreria se minha melhor amiga me machucasse.
–Lu –peguei as mãos dela nas minhas, olhando diretamente em seus olhos azuis, que diferente dos de Alexander, tinham cor do céu pela manhã –Eu nunca vou te machucar, é uma promessa.
–Obrigada amiga –me abraçou forte, deixando com que eu terminasse de consertar sua maquiagem.
A tristeza de Lucy se transformou nela com tanta garra para a disputa pela presidência, que foi a concorrente que melhor se saiu ao apresentar suas propostas. Se fosse preciso montar uma ordem do melhor para o pior, Heidi –mesmo que eu a odiasse –ficaria em segundo e Riley com toda certeza em último, pois ele passou mais tempo falando sobre si mesmo do que mudanças para a escola.
O assunto que rodava a escola naquele dia e nos dias seguintes, era sobre o aniversário de Alexander, ele daria uma festa em sua casa na sexta-feira e como todos bons adolescentes, todos os alunos estavam ansiosos. Não fazia ideia de quantas pessoas ele tinha convidado, mas pelo visto muitas –quase a escola inteira –estavam certos de ir.
Lucy ficou irritada com isso, quis até programar uma festa em sua casa, mas seus pais estariam na cidade e seria inviável fazer algo assim. Então coube a ela aceitar, ter que engolir o fato de Riley e Will também terem sido convidados, afinal mesmo sendo amigos dela a mais tempo, eles também eram amigos de Alexander e o manual que proibia as meninas de serem legais com os ex das amigas, não se estendia aos meninos.
Estava ajudando a mamãe a lavar roupa na sexta à noite, quando uma apressada e muito bem vestida, Lucy tocou a campainha. A garota estava em um curto vestido vermelho, saltos altíssimos e maquiagem intacta e perfeita.
–Tudo bem, o que foi? –indaguei.
–Você tem cinco minutos para ficar bonita! –ela exclamou, me arrastando para meu quarto.
–Você está me chamando de feia? –perguntei perplexa para ela.
–Não amiga, você é linda e maravilhosa –ela começou a mexer em meu armário –Mas tem que ficar pronta para irmos a festa do meu maldito ex.
–E por que iríamos a festa dele? –questionei quando ela me jogou um vestido azul de Rachel, minha irmã havia se mudado, mas muitas de suas roupas antigas ainda estavam por ali.
–Para deixar bem claro para todos que eu sou superior –ela começou a mexer no meu cabelo.
–Lucy, isso não faz sentido.
–Claro que faz –fez com que eu sentasse na cadeira da minha escrivaninha –Mandei Alice e Bia irem até lá com os meninos, sabe o que me contaram? Que Alexander está todo feliz, contente e animado, que a festa está super bacana e tem mais gente do que em todas as minhas festas. Esse garoto só é tão conhecido e adorado por aquele pessoa do colégio, porque fui eu quem o apresentou ao meio.
–Lucy...
–Deixa eu terminar! –exclamou, começando a me maquiar –Alexander não pode ser o bem sucedido do fim do namoro, sempre tem uma parte que deve sofrer mais e passar longos meses em total melancolia, fui essa parte quando James terminou comigo, mas não admito ser agora. Então, eu serei a superior.
–Bom, eu estava lavando roupa com a minha mãe, não vou poder...
–Tia Bella! –Lucy gritou antes que eu sequer concluísse minha fala.
–Você é impossível mesmo!
–Lucy, o que foi? –mamãe perguntou quando entrou no meu quarto.
–Tia Bella –a loira me esqueceu por um instante e foi para perto de mamãe –Sei que a Rê estava te ajudando a lavar a roupa e isso é super importante, mas eu preciso muito dela hoje.
–Para que? –mamãe cruzou os braços, olhando de mim para Lucy –O que pretendem aprontar?
–Só vamos a festa do meu ex, provar que ele cometeu um erro ao me deixar –minha amiga explicou.
–Você não está mais namorando? –mamãe perguntou surpresa.
–Não –Lucy forçou o choro, pois aquele sem lágrimas com certeza não era seu verdadeiro –Ele foi um canalha comigo, tia. Só preciso que a Rê vá comigo a essa festa e me ajude a brilhar.
–Tudo bem, ela pode ir –mamãe abraçou Lucy –Mas não chore querida, é bonita demais para isso e esse garoto com certeza não te merece –beijou a bochecha dela –Se precisarem de uma carona depois da festa, ou que eu saía para comprar sorvete é só me ligarem –sorriu para nós e saiu.
Lucy e eu rimos, mas logo voltamos a me arrumar para a festa. Obviamente eu estava louca em pensar só de ir para o aniversário de Alexander, ainda mais por não ter sido convidada, mas não tinha como combater com a loira que deixava meu cabelo completamente liso com a chapinha e estava determinada a dar o troco no ex.
Não faço ideia de como a policia ainda não tinha aparecido na casa dos Cullen para interromper a festa do inglês, pois a música estava muito alta e assim que Lucy estacionou o carro na frente da mesma, pudemos ver os barris de cerveja e vários adolescentes com copos na mão. Minha amiga começou a criticar a música, as pessoas e tudo mais que aparecia na frente dela para mim, dizendo que Alec nem sabia dar uma festa decente, mas eu sabia que ela só estava revoltada, pois a festa realmente parecia legal.
Não encontramos com o moreno assim que chegamos, mas Lucy conseguiu chamar a atenção de todos para si, já que era uma surpresa a ex estar no aniversário do cara que tinha a largado e aparentemente toda a escola já sabia disso. Mesmo assim, a loira conseguiu roubar todos os olhares e elogios, enquanto ia falando com as pessoas espalhadas pela casa.
Casa não, Alexander era filho de médicos ricos, ele morava em uma mansão próxima a praia. Só a sala era tão bem decorada e ampla aparentando ter o tamanho triplicado da minha, mas algo me dizia que ele tinha guardado os itens mais caros, ou teria que se entender com os pais depois da festinha.
–Alexander! –eu estava conversando com Alice e Beatriz, quando a voz de Lucy próxima a mim me despertou, imediatamente virei para o lado, dando de cara com o dono da casa.
–Oi Lucy –ele deu um meio sorriso para ela –Renesmee –o sorriso morreu quando falou meu nome.
–Feliz Aniversário! –Lucy o abraçou, dando um beijo no canto da boca de Alec em seguida.
–Obrigado –forçou um novo sorriso –Fiquem a vontade –ele se afastou da gente.
–Viram a cara dele?! –Lucy ficou empolgada –Claramente está se perguntando o porque de ter terminado comigo, já que sou tão boa.
–Não pareceu isso –Will riu, mas calou a boca quando Lucy o encarou.
–Então, eu dançaria com Alice ou Renesmee –Lucy começo um dos seus novos planos –Mas preciso de um garoto para fazer Alec sentir inveja de não estar comigo.
–Com o meu namorado você não dança –Bia puxou Will para perto de si.
–Riley, Jake é gay e não adianta em nada para meus planos –Lucy se aproximou do loiro de olhos castanhos –Acho que vou precisar da sua ajudinha, amigo.
–Vamos lá –Riley deu um sorriso malicioso para Lucy, colocou seu copo de cerveja na minha mão e arrastou minha amiga para onde as pessoas estavam dançando.
Alice acabou levando Jacob para dançar também e logo depois Bia e Will também foram, eles nem mesmo se importaram de me deixarem sozinha perto da lareira –que era inútil devido ao clima de Sun West –que tinha na sala dos Cullen. Avistei Gabriella do outro lado da sala, mas ela estava conversando com Heidi e as amigas da filha do cara de esquilo, então não quis ir até lá.
–Posso saber por que vocês vieram? –Alec voltou se aproximar de onde eu estava, bebericando a bebida que antes pertencia a Riley.
–Lucy quis vir, fui obrigada a acompanhá-la –gesticulei para a loira, que dançava muito sensualmente com Riley, que querendo ou não estava adorando aquilo.
–Então, ela não percebeu nada?
–Não –franzi o cenho –Lucy passou os últimos dias voltada para si mesma e suas conquistas, ela não descobriu que a melhor amiga beijou seu ex –bufei, terminando a cerveja de Riley e odiando mais do que nunca ter bebido aquilo, com certeza preferia vodca.
–Eu quero te mostrar algo, será que por dois minutos pode parar de me odiar e vir comigo?
–O que é? –indaguei –É algum dos seus truques de menino idiota?
–Você precisa estar constantemente na defensiva? –Alec bufou, tirando o copo vazio da minha mão e colocando em cima da lareira –Só quero te mostrar algo que tenho certeza de que vai gostar.
–Uma passagem só de ida para Londres? Porque sério, eu mal vejo a hora de você desaparecer das nossas vidas –eu sorri provocantemente, fazendo o moreno revirar os olhos azuis para mim.
–Vem logo –segurou em meu pulso e me arrastou para o segundo andar da casa.
Até mesmo o corredor da casa dos Cullen era bonito, mamãe ficaria enlouquecida se visse a decoração daquela casa. Alexander desviou de alguns adolescentes que estavam aproveitando sua casa para se agarrarem e me levou para a última porta do imenso corredor do segundo andar.
Eu paralisei assim que entrei ali, era uma biblioteca e como tudo naquela casa era gigantesca. As quatro paredes eram cheias de livros até o teto, tinham até aquelas escadas acopladas para chegar em cima, a única parte do cômodo que não tinha livros era a porta de entrada e a que dava para uma sacada, que ficava bem de frente para a praia. Haviam dois sofás e uma escrivaninha, com um painel cheio de anotações em post-it em cima.
–Isso é seu? –perguntei para Alec.
–Tecnicamente não, mas minha avó não me proíbe de entrar aqui –ele encostou a porta –É o local de trabalho dela, só que mesmo assim ela gosta bastante quando eu e minha irmã passamos por aqui para visitá-la, ela diz que nós a inspiramos –sorriu de um modo fofo e se aproximou de uma das estantes.
–Onde está sua família? –questionei.
–Minha avó e minha irmã foram passar o fim de semana em Los Angeles e meus pais estão de plantão até amanhã de tarde –respondeu, procurando por um livro.
–Pensei que seu pai fosse apenas o diretor do hospital –me aproximei dele.
–Papai adora gerenciar o hospital, mas a vocação dele sempre vai ser cuidar pessoalmente dos pacientes –o sorriso de quando falou da avó se manteve ao falar do pai.
–Qual a especialidade dele?
–Pediatria, tanto ele quanto minha mãe –pegou o livro que queria –Olhe –me estendeu o mesmo.
Peguei o livro em mãos e primeiro analisei a capa, era uma pintura de um garotinho de cabelos castanhos escuros e olhos azuis da cor do mar refletiam uma garotinha –mas suas características eram impossíveis de se notar perfeitamente –e logo atrás dele estava a London Bridge, que era um dos pontos turísticos de Londres. O nome do livro era Imaginário e a autora Cecília Cullen. O virei para ler a sinopse assim que li o nome da avó de Alec.
“Quando se está sozinho é preciso usar do poder de sua imaginação para conseguir combater a solidão. O pequeno Henry estava completamente só no mundo, próximo a London Bridge, o garotinho criou um mundo para si mesmo, tendo como sua melhor amiga Clary. Mas o que aconteceria se Clary não fosse tão real quanto se pensava? Até onde o imaginário de uma criança pode ir? Henry, com apenas cinco anos sabia que podia ir até onde quisesse.”
–Isso é fantástico –murmurei, com um sorriso bobo no rosto.
–Foi o primeiro livro dela –Alec comentou –Antes disso ela só escrevia as peças, quando nasci ela tomou aquilo como uma motivação para escrever um livro, esboçou vários durante anos, mas criou um enredo que lhe agradasse quando eu completei cinco anos e inventei uma amiga imaginária.
–Você tinha uma amiga imaginária? –meus olhos se voltaram para o rosto de Alec.
–Sim e surpreenda-se, ela se chamava Clary.
–Excelente –ri baixinho –Até quando Clary existiu na sua vida?
–Até eu completar sete anos, ela ficou chata depois disso –ele também riu –Henry por acaso é meu segundo nome, Alexander Henry Cullen.
–Meu segundo nome é Carlie, e se parece com Clary, ou no mínimo lembra –meus olhos se encontraram com os dele.
–Clary não era tão bonita quanto você –Alec sussurrou, me fazendo perceber o quanto estávamos perto demais um do outro.
Eu não pude me conter e sei que ele também não, no instante seguinte estávamos no beijando. Mais uma vez em uma biblioteca, mais uma vez comigo segurando um livro, parecia um flashback, só que diferente da primeira vez, alguém nos viu.
–É assim que você prometeu nunca me machucar, Rê?
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