Notas iniciais
Como prometido, aqui está mais um capítulo! Passei meu feriado de carnaval praticamente inteiro trabalhando nessa fic, e já estou quase terminando de escrevê-la n_n Espero que gostem!

“Quantos anos você tem?” Pergunto, nada sutil. “Você parece bem novo.”

“Não é da sua conta, pirralho.” Levi me responde, nem retirando seu olhar do monitor a sua frente.

“Tenho certeza que tem em torno de vinte. Talvez vinte e dois. Não pode ter mais que vinte e cinco. Estou certo?”

Levi me ignora completamente.

“Porque você é tão rude? Por favor, responda.”

“Não quero.”

“Você chegou a conhecer a Petra?”

“Mais ou menos.”

“Ela era o completo oposto de você.” Acabo soltando um bocejo após minha frase. As aulas de hoje haviam sido bastante cansativas. “Por que está trabalhando aqui, afinal? Você nem tem cara de quem trabalharia em uma escola…”

“Cale a boca antes que eu te chute daqui, Jaegar.”

“Nossa, calma.” Eu balanço a cabeça. “Você deveria conversar com a Hanji também, tenho certeza que você tem problemas com agressividade como eu...”

Levi respira fundo e não me responde. Acho que acabei por irritá-lo demais, deveria me comportar. Hanji disse que se atrasaria apenas alguns minutos, então eu deveria ser paciente.

Encosto minhas costas no sofá da secretaria, e do ponto que estava conseguia ver Levi perfeitamente. Observo enquanto ele digita lentamente no computador, aparentemente tendo dificuldade para encontrar as teclas corretas. Achava que um curso de computação era pré-requisito para ser um secretário, ou ao menos saber digitar com rapidez. Mas tudo bem.

Levi era tão pequeno que sua cadeira estava posicionada na altura máxima, e eu me pergunto como sua franja não estava atrapalhando sua visão. Ele não parecia dar à mínima, nem passava sua mão para colocá-la por trás de sua orelha. Sua roupa não combinava nada com ele; vestia roupas sociais dos pés à cabeça, e duvido que essa seja a forma que ele se veste no dia-a-dia. Aposto que ele era roqueiro, seu piercing na orelha não me enganava.

“Por que você usa lápis no olho?”

“Escuta aqui...”

Antes que ele terminasse, Hanji aparece na secretaria.

“Eren, desculpe meu atraso.” Ela caminha em minha direção. “O Levi te fez companhia?”

“Tire ele daqui antes que eu quebre o seu pescoço.” Levi murmura, suas sobrancelhas finas franzidas de novo.

“Vejo que estão ficando amigos.” Ela bate suas mãos com empolgação antes de puxar a manga de minha camiseta para que eu me levantasse. “Mas não há tempo para isso agora. Eren, venha comigo.”

Hanji entra no corredor que leva à sua sala, e, antes que eu a siga, lanço um olhar rápido para Levi, que estava me encarando com um olhar irritado. Ele realmente tinha problemas de agressividade, tenho certeza disso.

~*~

Estava saindo da sala de Hanji quando passo na secretaria e vejo Levi na ponta dos pés tentando alcançar uma caixa na prateleira do fundo da sala. Ele estava de costas e acaba por não notar minha presença. Seu braço estava esticado ao máximo, fazendo a barra de sua camisa levantar e deixando exposto o elástico de sua cueca vermelha. Sua cintura era tão fina que parecia irreal.

Ele bate na caixa com seus dedos igualmente finos e pequenos, tentando trazê-la para a beirada, e, antes que ela caísse sobre sua cabeça, eu corro para seu lado e a pego para ele.

“Foi quase.” Eu rio, deixando a caixa pesada sobre o balcão.

Viro-me novamente para ele e o encontro com uma expressão de ódio.

“Não precisava de sua ajuda.” Ele murmura, sombrio.

Sua expressão quase me faz rir. Acho que acabei por me acostumar, já que todas as vezes que o vi ele estava sempre com a mesma cara. Mal-humorado, impaciente, irritado. Ele realmente precisava conversar com Hanji.

“Você me faria um favor imenso saindo daqui.”

“O quê?” Volto à realidade, balançando a cabeça.

“Vai embora, pirralho!”

A única opção que eu tenho é obedecer. Logo antes de sair, viro para espiá-lo uma última vez e o encontro puxando suas calças para cima, e assim noto que elas deveriam ser uns dois números maiores do que seu tamanho. Nossa, ele realmente era pequeno. Como um cara poderia ter esse tamanho? Eu vestia P, creio que ele deveria vestir PPP. Se é que existe.

Por um segundo visualizo ele vestindo algumas camisetas que tenho que são meio grandes para mim. Não sei por que a imagem me vem à cabeça, mas pelo menos isso me faz rir.

Vou em direção ao estacionamento ainda perdido em pensamentos. Mikasa e Armin já estavam no carro me esperando, e, quando entro, os pego distraídos em alguma conversa. Nem me importo em tentar descobrir o que era e continuo pensando, agora me perguntando se Levi tinha um carro. Como será que ele fazia, sendo tão baixinho? Devia ser tão engraçado vê-lo tentando alcançar os pedais e ver a estrada ao mesmo tempo. Nossa, da forma que penso, ele seria um anão. Mas ele parecia menor que Armin, e Armin já era pequeno...

“Eren!” Mikasa repentinamente me dá um tapa na cabeça.

“Ai, Mikasa!” Reclamo. “O que foi isso?”

“Você está vermelho. O que houve?” Ela olha para mim, preocupada. Reparo que estávamos parados em um sinal fechado.

“É, desde que entrou no carro você não disse nada...” Armin completa.

“A Hanji tentou algo estranho com você?” Mikasa arregala os olhos. “Por que se sim—“

“Não, não! Nada disso!” Quase grito. “Nada aconteceu, parem de se preocupar.”

“Então porque está corando?” Armin pergunta, fazendo Mikasa ficar com uma expressão de repúdio.

“Corando? Eu?”

“Ele não está corando, Armin, ele está vermelho.” Mikasa diz, ainda com a mesma expressão.

“Isso é corar, Mikasa.”

Não podia ser, eu estava corando?! Por quê?

“Está quente, eu estava suando. Por isso fiquei vermelho, ok?” Invento qualquer coisa para me livrar da preocupação dos dois.

“Achei que fosse outro ataque agressivo.” Mikasa suspira, vendo que o sinal se abre e dirigindo novamente. “Você fica vermelho quando tem um.”

“Não, eu estou bem.”

“Então responda o Armin, ele tinha te feito uma pergunta e você o ignorou.”

“Uh, o que era?” Viro-me sobre o banco para poder encará-lo.

Armin demora um pouco a dizer, se remexendo em seu lugar, como se estivesse desconfortável.

“Eren, você sabe que eu sou o melhor em matemática da sala, certo?”

“... Certo?” Concordo com a cabeça, confuso.

“Então, o professor viu que eu costumo estudar na biblioteca e pediu que eu...” Ele põe uma mecha de seu cabelo loiro por trás de sua orelha, evitando olhar para mim. “Que eu ajudasse...”

“Ajudasse a mim?” Completo. “Mas eu não preciso de ajuda em matemática.”

“Não você.” Mikasa rola os olhos. “Jean.”

“Ugh, sério?” Faço uma expressão de nojo. “E o que você disse?”

“Bom...”

“Não foi bem isso, né Armin...” Mikasa o olha pelo retrovisor, e noto que Armin engole seco. “Você se ofereceu a ajudar, já que o professor comentou com você que Jean estava indo mal.”

Como assim? O Armin se ofereceu para ajudar o cara de cavalo?

“Mikasa!” Armin fala, em tom desesperado. “Eu te disse para não contar pra ele dessa forma!”

“Armin! Porque você vai ajudar aquele cara?!”

“Estava apenas tentando ser legal. Ele tomou bomba no ano passado por causa de matemática, então...”

“Estou tão desapontado com você.” Suspiro fundo, virando-me para frente.

“Não me odeie.”

“Não seja um pé no saco, Eren.” Mikasa diz, e eu a ignoro.

“O que ia me perguntar, afinal?”

“Oh... Eu queria saber se você poderia trocar de lugar com ele, para que ele sentasse perto de mim. Apenas durante as aulas de matemática, claro.”

“Porra Armin, você ‘tá ajudando o cara que eu mais odeio e ainda me pede para sentar em uma das primeiras fileiras da sala? O que ‘tá acontendo com você?” Meu tom de voz cresce. Eu podia sentir um ataque vindo, mas estava muito irritado para me importar.

“Eren.” Mikasa me alerta. “Acalme-se.”

“Mas—“

“Você tem problemas com o Jean; o Armin não tem nada a ver com isso. Então fique calmo. O Armin não te deve explicações.”

Mikasa sabia como me deixar sem palavras. Claro que continuava com raiva de Armin, nos conhecíamos desde a infância e isso poderia ser considerado uma traição a nossa amizade. Continuei em silêncio pelo resto do caminho, e acabo nem dizendo tchau para Armin quando Mikasa estaciona em frente a sua casa.

Papai não estava em casa quando chegamos, e eu não estava com a mínima vontade de ficar com minha irmã. Sigo direto para a cozinha, aqueço uma comida congelada no microondas e subo para me trancar em meu quarto. Ela até tenta me pedir para ligar para Armin e me desculpar por meu comportamento, mas eu nem conseguia pensar mais no assunto.

Fico acordado até uma da manhã jogando League of Legends sozinho e, depois, levanto para me jogar em minha cama. Não troco de roupa e nem escovo os dentes, estava tão cansado que apenas instantaneamente apago.

~*~

Entro na secretaria e encontro Levi na ponta dos pés tentando alcançar uma caixa novamente, como se fosse um déjà-vu. Entretanto, dessa vez ele nota minha presença, e, embora eu espere que ele me mande ir embora, ele se vira em minha direção com uma expressão muito mais amigável.

“Eren, desculpe-me por te xingar quando me ajudou daquela vez.” Ele fala meio sem jeito, como se não quisesse realmente se desculpar.

“O quê?” Arquejo, surpreso.

“Você me escutou.” Ele estala a língua. “Agora venha, ajude-me com isso.”

Ele balança sua mão direita indicando que eu deveria me aproximar, e temendo irritá-lo, prontamente me ponho ao seu lado.

“Levante-me.” Ele pega minhas mãos e as põe sobre sua cintura, de costas. “Preciso pegar aquela caixa lá em cima.”

“Ok.” Concordo com a cabeça, sem nem questionar.

Sua cintura parecia muito mais fina debaixo de minhas mãos, e ele era muito mais leve do que eu esperava. Na verdade, tão leve que parecia irreal. Quando o levanto o suficiente para alcançar a caixa, noto que ele veste a mesma cueca vermelha da última vez. Creio que ele goste muito de vermelho. A cor combina com ele, de certa forma.

“Jaegar, preste atenção ou eu vou—“

Antes que eu note, a caixa escorrega das mãos de Levi e cai, acabando por nos desequilibrar e nos levando ao chão junto com ela. Levi cai sobre mim, e eu instintivamente jogo meus braços ao seu redor para protegê-lo do impacto com o chão. Ele era pequeno e delicado, ele poderia se machucar mais. Ao menos é o que penso.

“Você está bem?”

Levi levanta sua cabeça lentamente e olha para mim. Sua expressão estava tão submissa, tão diferente da que costumava ver, que senti algo estranho sobre tudo isso. Mas acabei ignorando.

“Levi?”

“Você é macio, pirralho.” Ele se move por cima de mim, deslizando até que seus olhos fiquem na altura dos meus. “Eu não teria adivinhado.”

“Uhm... Obrigado?”

“Não, obrigado a você. Você acabou de me salvar.” Ele aproxima seu rosto do meu, e eu quase me engasgo em nervosismo. “Como eu deveria lhe agradecer?”

“Você, uhm...”

De repente, ele se senta sobre mim e começa a desabotoar sua camisa.

“Levi...”

“Está quente aqui, não? Essa secretaria de merda não tem ar condicionado...”

Ele termina de desabotoar todos os botões e se desliza para baixo, até que acaba se sentando sobre meu quadril. Eu quase solto um gemido, mas me controlo.

“Você gosta de mim aqui?” Ele pergunta, provocativo.

“Levi... O que está fazen—“

Ele se move um pouco, fazendo sua bunda roçar meu pênis, já ereto. Quando que eu fiquei excitado assim?!

“Você gosta disso, não gosta?”

Eu mordo meu lábio para impedir que um gemido escape de minha boca. Quando eu menos esperava, entretanto, a porta se abre.

“Eren!” Ouço a voz de Mikasa, mas não a vejo.

Tento tirar Levi de cima de mim, desesperado, mas ele me mantém deitado no chão.

“Eren!” Mikasa grita novamente.

“Levi, eu—“

“Eren!” O grito de Mikasa fica ainda mais alto e próximo, até que algo dentro de mim estala.

E eu acordo.

~*~

Mikasa estava batendo em minha porta e gritando quando recupero meus sentidos, já sentindo uma dor de cabeça chegando.

“Estou indo!” Grito de volta para enfim fazê-la parar de me chamar.

“Você vai se atrasar, anda logo!” Ela responde, e ouço seus passos se afastando da porta de meu quarto.

Fico em minha cama por alguns segundos, ainda colocando minha cabeça no lugar. O que foi o sonho que acabei de ter? Com... o Levi? Como assim, que merda é essa?!

Levanto para ir ao banheiro e finalmente noto que há algo errado dentro de minhas calças. Não, não poderia ser. Eu não poderia ter ficado assim por um sonho esquisito...

“Eren, saia logo desse quarto se não quiser caminhar pra escola hoje!” Mikasa grita novamente.

Merda, eu ‘tava tão fodido.

Notas finais
Espero que tenham se divertido, sábado tem mais ;D Agradeço a todos que já estão acompanhando~ se desejarem, deixem um comentário n_n