Notas iniciais
Capítulo enooorme! Não acredito que já é o penúltimo da história principal mimimi~ Creio que esse capítulo possa se dividir em dois momentos bem marcados, sendo um bem feliz e um próximo nem tanto mas imensamente importante... Espero que gostem ;3

Armin me convida para a festa de aniversário de Jean acreditando que eu toparia de primeira ir até a casa dele para uma coisa dessas. Quase não acredito que Jean havia realmente deixado que ele me convidasse, mas logo percebo que é verdade quando Mikasa comenta sobre os preparativos, aparentando já saber de tudo. Minha primeira resposta é negativa, claro, mas mudo de idéia quando Armin me diz que o Levi também estava convidado. Eu poderia ver com ele se ele gostaria de algo assim, quem sabe.

No intervalo, vou à secretaria falar com ele sobre o assunto.

“Você quer ir?” Ele me pergunta.

“Só vou se você for comigo.” Apóio sobre o balcão de frente para ele.

“Fale sério. Se você quiser ir, eu vou.”

“Vai ter muita gente da escola lá, pensei que talvez se sentisse desconfortável...” Explico. “Sem falar que estaremos juntos, o que causará alguma fofoca.”

Ele pausa, pensativo.

“Sim, mas... sei lá. Se você quiser ir eu vou ainda assim.” Ele dá de ombros. “Já comentam sobre nós mesmo.”

Havia ouvido alguns colegas de classe falando sobre minha amizade estranha com Levi e comentei com ele, mas realmente não me importava com isso. Não era como se houvesse se tornado uma fofoca negativa, de qualquer forma; parecia mais curiosidade.

“Você gosta de dançar, e sei que o Jean gosta de pop. Talvez seja divertido.”

“Então vamos.” Ele me olha.

“Mas não sei, é o Jean...” Bato com meus dedos sobre o balcão, indeciso.

“Tsc.” Levi estala a língua, rolando os olhos. “Deixe de drama e vamos, sei que você quer ir.”

Penso por mais um tempo, mas no fim acabo concordando. Talvez pudesse ser uma experiência interessante, afinal.

~*~

A festa de Jean seria no sábado à noite. Levi vem mais cedo para minha casa para irmos junto com Mikasa e Annie, e, quando penso que vamos apenas esperá-las se arrumar aproveitando para dar uns amassos em meu quarto, sou surpreendido ao ver que Annie havia pedido uma camiseta emprestada para Levi e queria a ajuda dele para combinar suas roupas. Os dois haviam ficado amigos entre conversas pelo Facebook e ela aparentemente amava as roupas que Levi usava. E vice-versa, como logo descubro.

Assisto enquanto os dois vasculham por uma combinação na pilha de roupas que ela havia trazido de sua casa e esparramado sobre a cama de minha irmã. Mikasa hora ou outra sugere alguma coisa, mas apenas dá de ombros e diz que qualquer coisa que deixasse as pernas de Annie à mostra a agradaria.

Quando enfim estamos saindo, quase uma hora após a festa já ter começado, nos damos de cara com meu pai chegando, estacionando o carro na garagem. Mikasa segue na frente e vai falar com ele, e ele apenas acena para nós de longe e pede que nos cuidemos. Ainda bem que ela nos livrou de explicações, Mikasa sempre era boa com essas coisas.

A casa de Jean estava um tanto cheia quando entramos. Seus pais haviam deixado a casa para si para que festejasse com seus amigos, e por um instante fico com inveja. Mas logo esqueço quando encontramos Armin e somos guiados para a cozinha, onde Jean preparava algumas bebidas.

“Vocês são todos menores de idade.” Levi diz, observando enquanto Jean esvazia uma garrafa de vodka no ponche que havia preparado. “Sabiam que se a policia entrar aqui, eu serei preso?”

“A Mikasa é maior de idade também, então ela iria com você.” Dou de ombros.

“O Jean também.” Armin o cutuca. “Acho que está tudo bem, não é como se estivéssemos causando muita confusão. Todos estão aqui dentro, e a musica nem está tão alta.”

“Ouvir tal comentário despreocupado vindo de você chega a me deixar calmo.” Levi encara Armin. “Você parece tão certinho.”

“Sim...” Armin solta uma risadinha, envergonhado. “Analisei bem a situação e creio que não haja problemas. Podemos nos divertir com tranqüilidade.”

Jean logo começa a servir o ponche batizado para nós. Bebo apenas um pouco e acho o gosto da vodka ainda muito forte, com certeza pelo fato de que ele esvaziou a garrafa em apenas dois litros de ponche. Levi também franze as sobrancelhas ao beber, mas continua bebendo, em certo ponto se acostumando com o gosto. Ele também não estava acostumado com álcool.

“Acho que é um bom momento para começarmos a brincar.” Jean sugere, segurando a garrafa vazia na mão. “Verdade ou conseqüência?”

“Só se for agora.” Mikasa levanta a mão, empolgada, e recebe um cutucão de discórdia de Annie.

“Vamos chamar todo mundo e fazer uma roda.”

Pessoas que eu nem imaginava que viriam da escola topam brincar conosco, e montamos uma grande roda no centro da sala. Enquanto isso, outros continuavam brincando com twister e outros jogos de tabuleiro, o que, unido a música, mantinha o ambiente um tanto barulhento.

Levi senta ao meu lado e diz que não iria brincar; ele só ficaria ali para tomar conta de mim já que essas brincadeiras sempre tomavam rumos promíscuos. Apenas rio de seu ciúmes bobo e o abraço de lado. Mikasa e Annie sentam lado a lado em outro canto, assim como Jean e Armin.

“Ok, vou começar a rodar.” Jean posiciona a garrafa no centro da roda. “Quem tirar tampa é a vitima e quem tirar fundo é quem desafia. Prontos?”

Após um grito forçadamente empolgado de sim, Jean gira a garrafa e volta para sentar ao lado de Armin. Connie e Bertholdt são os primeiros, e após Bert dizer que queria uma conseqüência, é obrigado a virar mais um copo do ponche.

“Prevejo gente saindo carregada daqui...” Levi fala baixinho ao meu lado. “Aquele menino já bebeu um monte.”

“Acho que o Jean previu isso e disse que poderiam dormir aqui depois. Pelo menos isso.” Respondo, despreocupado.

A garrafa roda mais algumas vezes sem que meus amigos ou eu fossem envolvidos. Bom, ela parou em Annie em certo momento, que perguntou para Reiner se era verdade que ele só fingia gostar de garotas. Ele ficou vermelho de irritação e disse que não, enquanto todos em volta apenas riram.

Quando enfim para em mim, opto por verdade, já que temia o que fossem me pedir como conseqüência. Mina timidamente me pergunta se estava acontecendo algo entre Levi e eu e me viro para encará-lo, inseguro. Como ele apenas dá de ombros, acabo dizendo que sim. Um coro bobo de todos segue, fazendo com que eu risse de vergonha e Levi apenas rolasse os olhos.

Mikasa sai logo após, e Mylius pede que ela beijasse Annie na frente de todos. Claramente se arrependendo de pedir conseqüência, elas se beijam, e todos os meninos da roda aplaudem. A esse ponto, todos na escola já sabiam sobre elas, e creio que estivessem fazendo sucesso. Também, as duas eram bonitas, era impossível que não chamassem atenção.

Levi sai em certo momento com Ymir, e, ao tentar explicar que não estava brincando, é zoado por ela de estar com ‘medinho’. Ele a olha, furioso, e pede conseqüência.

“Já que somos os únicos com mais de vinte anos, vamos ver quem agüenta.” Ela propõe, e eu já temo por Levi por sua expressão sádica. “Jean, prepare quatro tequilas.”

“Ymir... não exagera.” Interfiro. Aquela garota passava dos limites às vezes.

“Eren, pode deixar.” Levi me cutuca.

“Você não está acostumado.” O digo, baixinho.

“Creio que nenhum de seus colegas está.” Ele dá de ombros. “Não vai ser nada beber duas tequilas agora.”

Jean busca da cozinha um saleiro, limões cortados e quatro copos de tequila. Cada um teria que beber duas, sem fazer careta e sem vomitar. Ambos viram a primeira rapidamente, e me preocupo com a cara que Levi faz. Não havia experimentado tequila ainda, mas sabia que era forte.

“Já está desistindo, secretário?” Ymir brinca.

“Nunca.” Levi pega o segundo copo. “Pronta?”

Eles viram o segundo copo e todos aplaudem. Levi se apóia em mim após engolir, respirando fundo.

“Nossa, isso é forte.” Ele ri. “Cuida de mim se eu ficar bêbado.”

“Não quero que passe mal.” Passo um braço em torno dele.

“Eu tinha que fazer isso uma vez na vida, certo? Ser um pouco inconseqüente como um adolescente...” Ele suspira. “Antes tarde do que nunca.”

Logo depois a brincadeira se torna cansativa, já que todos já haviam ido e a criatividade para perguntas e conseqüências já estava acabando. Jean livra a sala e apaga as luzes, colocando a musica mais alta para que pudéssemos dançar. Levi fica meio tonto devido às bebidas e decidimos por nos sentar no sofá por um tempo, até que uma música que gosta começa a tocar.

“Temos que dançar essa.” Ele diz, me puxando do sofá.

“Você está bem? Pra dançar—“

“Anda logo Eren.”

Levi dançando bêbado era outra coisa. Ele já se soltava bastante mesmo sóbrio, mas com o efeito do álcool, todos seus movimentos se tornam incrivelmente mais sensuais. Noto que até alguns colegas nos olham, curiosos, mas Levi não me permite que eu os olhe quando toma meus lábios em seus. O gosto de álcool intoxicante de sua boca quase me faz em estado semelhante ao dele.

“Isso é bom.” Ele suspira, apoiando a cabeça em meu ombro.

Dançamos mais um pouco entre beijos e mãos percorrendo o corpo um do outro. A forma que ele abusava de sua sensualidade bêbado tornava até nossos beijos diferentes, e me pego o segurando firme pela cintura para curvá-lo quando noto que ele gostava disso. Estava preocupado com ele ainda, mas tinha que admitir que amava esse seu lado.

Em certo momento o deixo no sofá para pegar outro copo de ponche para mim. Christa me para no caminho, pedindo desculpas por Ymir, e eu digo a ela que não se preocupe. Quando voltava até Levi, Mikasa surge perto de mim, rindo.

“Melhor não deixar seu namorado sozinho.” Ela ri ainda mais.

“Por quê?”

“Olha ele lá.”

Ela aponta para a sala e vejo Levi em cima da mesa de centro, cantando e dançando sensualmente. Corro o mais rápido que posso até lá.

Where have you been all my life?” Ele estava cantando, e, ao me ver, tenta me puxar para cima da mesa com ele. “Dança comigo, Eren.”

“Não Levi!” Arregalo os olhos, nervoso.

Ao notar que alguns colegas haviam parado em volta para observá-lo, quase morro de ciúmes e prontamente o tiro de cima da mesa.

“Levi, não faça isso!” O digo, segurando-o em meus braços.

“Você demorou. Queria dançar.” Ele se dependura em meu pescoço.

“Melhor sentarmos um pouco, você está muito bêbado.”

O guio até o sofá e sento-me primeiro que ele. Tento puxá-lo para que se sente ao meu lado, mas ele acaba por se sentar em meu colo.

“Eren, você é tão lindo.” Ele fala embolado em meu ouvido, mordendo o lóbulo de minha orelha em seguida. “Sério. Mais lindo que todos os pirralhos daqui, o único que eu deixaria encostar em mim.”

Fico um tanto feliz de saber isso, apesar de envergonhado.

“Levi, você bebeu demais.” Rio, nervoso.

“Não importa, estou falando a verdade. Eu amo seu corpo, seu cabelo, seu cheiro, nossa diferença de altura, quando nos beijamos...”Ele segura meu rosto com suas mãos, apertando minhas bochechas. “Seus olhos, como posso me esquecer. Quero afundar nesses oceanos verdes...”

“Levi...”

“Estou me sentindo tão quente agora, como se eu tivesse me dado conta da sorte que tenho por ter se apaixonado por mim.” Ele me encara, levantando meu rosto. “Você é meu sonho de adolescência, Eren. Sempre sonhei conhecer um cara como você. E agora enfim conheci.”

Assim, ele me beija, de forma faminta e cheia de desejo. Mal acompanho seus movimentos, tão diferentes de seus usuais.

“Vamos pro banheiro.” Ele morde o lábio inferior. Céus, estava difícil respirar. “Vou te colocar inteiro em minha boca.”

Por causa do álcool que bebi, me perco em pensamentos visualizando a cena em minha cabeça. Levi, o qual eu mal cogitava que fosse fazer uma coisa dessas um dia, me oferecendo ali, agora, de forma tão sedutora e irresistível... Imagino seus lábios suaves envolvendo meu pênis e quase sinto um aperto em minhas calças. Mas não, não era o momento. Ele estava bêbado.

“Levi, melhor se controlar um pouco.” Tento tirá-lo de meu colo para que se sente ao meu lado, mas ele se mantém.

“Você não quer que eu te chupe?” Ele pergunta lentamente, lambendo os lábios. “Ah, já sei. Você quer mais que isso. Você quer entrar em mim, não quer?”

Ele ia me dar um ataque cardíaco continuando a falar dessa forma.

“Não precisa fazer essa cara, eu sei muito bem por que começou a me estimular por trás em nossos últimos amassos. Você quer, não quer?” Acabo por deixar meu queixo cair, perplexo. Sim, eu havia começado a, uh, brincar com sua abertura inserindo alguns dedos, mas era só porque ele gostava quando eu fazia isso. “Eu estou com tanta vontade agora que deixaria. Na verdade, foda-se tudo, vamos fazer isso. Quero sentir seu calor, quero que martele dentro de mim até que eu tenha o melhor orgasmo de minha vida.”

Não acompanhava direito o que ele estava dizendo, tentando pensar em coisas ruins para impedir que ficasse ereto ali, agora, no sofá no meio da sala de Jean. Ainda bem que estava escuro.

“Levi, pare. Você está fora de si.” Falo, mais firme. “Sente ao meu lado e controle-se.”

Uso um pouco de força, mas nada que fosse machucá-lo, para tirá-lo de meu colo. Ele tenta voltar, mas eu o impeço. Percebo que sua calça justa não escondia o volume entre suas pernas e o puxo para se deitar perto de mim, escondendo-o com meu casaco.

“Descansa um pouco.” Faço-o deitar com a cabeça em meu colo. “Vou fazer massagem em seu cabelo até que durma.”

“Eu gosto disso.” Ele se acomoda, fechando os olhos assim que começo a passar os dedos entre os fios de seu cabelo.

Respiro aliviado quando ele adormece mais rápido do que esperava. Ajeito meu casaco sobre ele e mantenho meu braço sobre si, protegendo-o. Mikasa em seguida se aproxima de nós, um tanto preocupada, e eu apenas a explico que ele havia bebido demais.

“Quer que eu leve vocês em casa?” Mikasa sugere.

“Não... Papai está em casa, e não deixaria o Levi sozinho agora.”

“Posso levar os dois pra casa dele, assim você evita que ele morra engasgado vomitando quando acordar.”

Pensando que provavelmente ele acordaria extremamente enjoado, acabo por concordar com a carona de Mikasa. Tenho um pouco de dificuldades ao lembrar do caminho, já que Levi estava completamente apagado, mas Annie vai conosco e nos ajuda em alguns pontos.

“Não se esqueça de me ligar amanhã, ok?” Mikasa pede, assim que desço do carro com Levi, apoiado em mim apenas parcialmente acordado. “E se precisarem de algo, pode ligar também.”

“Acho que vai ficar tudo bem. Levi só precisa dormir.” Olho para ele, quase adormecendo de novo com o rosto em meu ombro.

Despedimo-nos e tenho bastante dificuldade para ajudar Levi com as escadarias. Tento até carregá-lo, julgando ser mais fácil, mas seu peso era incrivelmente grande para uma pessoa tão pequena. Que contraste com aquele sonho que tive no começo de tudo...

Quando chegamos, o levo até a cama e tiro suas botas e sua calça apertada para colocá-lo debaixo dos lençóis. Antes que eu me afastasse para arrumar uma cama no sofá, ele segura em meu braço.

“Dorme comigo.”

Por um instante penso que ele disse aquelas coisas com certa consciência, mas logo esqueço, imaginando que Levi nunca as diria. Após ir ao banheiro, me junto a ele em sua cama e dormimos abraçados.

~*~

Levi acorda no meio da madrugada e corre para vomitar no banheiro. Tento ajudá-lo da melhor forma possível, mas ele não me deixa chegar perto e me obriga a aguardar na porta do banheiro, sem olhar para ele. Quando consegue enfim parar de vomitar, ele parecia tão cansado e fraco que o abracei fortemente. Vê-lo assim era horrível, queria passar minhas energias para ele de alguma forma. Mas ele logo me distancia de novo, dizendo que estava nojento e precisava de um banho. Aguardo ao lado da porta do banheiro que ele termine, atento a qualquer barulho estranho, e ele logo sai, vestindo roupas limpas e parecendo mais normal.

“Como está se sentindo?” Sigo para secar seus cabelos com a toalha que estava ao redor de seu pescoço.

“Bem, eu acho.” Ele murmura. “Estou com fome, na verdade, mas estou com medo de comer algo pesado e vomitar de novo.”

“Acho que uma fruta não te fará mal.” Ajeito seu cabelo com as mãos, separando alguns fios emaranhados. “Vamos para a cozinha, vou descascar algo pra você.”

Descasco uma maçã em pedaços pequenos e coloco em um prato para Levi. Ele fica um tanto envergonhado antes de começar a comer, agradecendo-me baixinho. Creio que sua timidez era devido ao fato de eu estar cuidando dele, e isso me deixa ainda com mais vontade de tê-lo em meus braços. Claro que não controlo meu desejo e aproximo minha cadeira da dele, o abraçando de lado e acariciando seu cabelo molhado.

“Eren...” Ele chama minha atenção. “E-Eu...”

“Hm?” Pergunto.

“Olha...” Ele se ajeita em sua cadeira, olhando para mim. “Eu tenho uma leve lembrança do que disse enquanto bêbado, e tudo me desagrada imensamente. Então... pode me confirmar se eu disse realmente todas as besteiras que eu acho?”

“Uh...” Coro, fazendo careta. Trechos de sua fala no sofá da casa de Jean ecoam em minha mente, me deixando ainda mais nervoso.

“Sei que disse algo sobre transarmos, mas eu não cheguei a descrever nada, cheguei?” Ele franze as sobrancelhas. “Sinto que descrevi, mas não tenho certeza.”

“Bom... foi bem... quente.” Rio. “Você disse que queria coisas que me deixaram quase louco.”

“Céus.” Ele balança o rosto. “Devo estar ficando louco. Desculpe.”

“Não se preocupe, eu fiquei mais feliz de ter conseguido controlar a situação, mesmo estando meio bêbado também.”

“Não imagino menos vindo de você, Eren. Acho que só por isso bebi, sabia que ia cuidar de mim depois.”

“Fico feliz de saber que confia em mim.”

Levi suspira fundo.

“Mas...” Ele continua, inseguro. “Na verdade, o que mais me preocupa não é sobre isso. Eu... Eu falei alguma coisa sobre meu passado?”

“Não...” Pauso e penso um pouco, e acabo por corar ainda mais, ainda focado em suas palavras na festa. “Sobre seu passado não. Você só disse que queria, uh... dizer que ia...”

“Ia o que?” Ele cora também.

Penso em alguma forma de dizer o que ele havia me dito, mas todas soariam estranhas e nos deixariam ainda mais encabulados. Gostaria de ter menos vergonha de falar sobre essas coisas.

“Melhor deixar pra lá.” Balanço a cabeça. “Foi só uma insinuação sobre algo que me deixou excitado no momento.”

“Hm.” Ele me olha torto.

Assim ele pausa, pensativo. Sua expressão parece preocupada, o que me deixa igualmente preocupado.

“Algum problema?” Pergunto com cautela.

“Eren, olha...” Ele se vira para mim com um olhar pesado. “Eu... Não sabia quando te contar e nem sabia se queria te contar, mas... Acho que você deve saber.”

“Contar sobre o que?” Arregalo os olhos e o encaro, ansioso.

“Algo que aconteceu comigo.” Ele murmura, desviando o olhar.

Suas palavras me retomam ao que ele havia me dito em nosso primeiro encontro. Levi ainda escondia algo de mim, e eu não questionava temendo ser insensível. Prometi a mim mesmo que aguardaria que ele me contasse, então continuei agindo o mais naturalmente possível.

“Levi...” Pego suas mãos e entrelaço nossos dedos juntos. “Você confia em mim?”

Ele me encara com um olhar fraco.

“E-Eu...” Ele gagueja. Era estranho ver esse lado tão frágil dele. “Eu acho que sim. Digo... Você está me fazendo acreditar dia após dia que posso confiar. Então... Eu confio.”

Apenas beijo sua testa.

“Eu não vou te desapontar.” Falo com firmeza. Era algo difícil de prometer, mas eu faria o meu melhor sempre.

Levi suspira fundo e se afasta de mim um pouco, olhando para baixo. Aguardo pacientemente que ele pense e comece a falar, massageando sua mão com meu polegar.

“Eren, foi apenas uma situação estúpida que aconteceu quando tinha sua idade, mas que, de certa forma, me fez ficar pior quanto ao meu problema com outras pessoas. Tanto no sentido social quanto físico.” Ele começa, pausadamente. “Eu sempre tive dificuldade em me relacionar com outras pessoas, só não imaginava que poderia piorar isso.”

“Levi, se é algo que te aflige, não é idiota.” Digo seriamente.

“Mas é. A situação foi idiota.” Ele respira fundo. “Eu tinha meus dois amigos, não era uma amizade muito profunda mas já era alguma coisa. Entretanto, eu nunca queria que encostassem em mim, odiava abraços e qualquer coisa do tipo, mas no fundo acreditava que isso passaria ao conhecer a pessoa certa, entende? Bastava eu conhecer alguém que me atraísse que isso passaria.”

Concordo com a cabeça, levantando minha mão ao seu rosto para massagear sua bochecha. Ele mantém seu olhar ao chão, pensando nas palavras certas para me dizer.

“Eu nunca conhecia pessoas novas e ninguém da escola chamava a minha atenção, até porque eram todos uns preconceituosos idiotas. Na minha cidade não havia nenhum bar ou boate gay que poderia ir para talvez conhecer alguém...” Ele pausa, respirando fundo, e eu aguardo. “Por acaso fiquei sabendo de um rumor sobre um cara bem mais velho que era gay. Eu já havia o visto e não senti nem um pouco de atração por ele; na verdade me deu até gastura pensar em qualquer coisa com ele porque ele devia ter mais que o dobro da minha idade. Aí que a história fica estúpida.”

“Levi...”

“Eu não entendo até hoje o que passou na minha cabeça aquele dia, só me lembro que estava muito depressivo com minha vida idiota. Uma decisão imbecil pode mudar tudo.”

“Não se culpe tanto assim.”

“Não tem como não me sentir culpado. Eu simplesmente arruinei minha vida por causa de um momento de fraqueza.” Ele falava com irritação consigo mesmo, e isso doía em mim. “Enfim... Um belo dia resolvi ir até o bar que esse cara freqüentava, após a aula. Ele nem hesitou em me levar para seu carro e dirigir para um terreno abandonado, claro. Lá ele tentou me tocar, mas logo viu que eu era virgem pela forma que eu me encolhi, tentando me afastar de sua mão. Eu devia ter ouvido meus instintos e saído correndo logo no começo, mas estava completamente congelado. Creio que acabei por irritá-lo, pois a próxima coisa que ele tentou fazer foi me puxar para seu colo. Eu não tinha força nenhuma para resistir, então acabei indo... até que ele tentou abaixar minhas calças. Segurei com força para que ele não conseguisse, e ele começou a me xingar, perguntando porque eu o fiz perder tempo se ia resistir daquela forma. Aí que ele começou a usar a força. Ele me jogou no banco de trás, subiu em cima de mim e começou a descer suas calças. Foi horrível. Eu realmente não sei como dei um jeito de abrir a porta do carro e sair correndo antes que ele fizesse qualquer coisa. Ouvi sua voz me xingando de palavrões e ameaças enquanto corria, foi assustador. E é, foi isso. Uma hora achei o caminho de casa, mas cheguei quase no meio da madrugada.”

Quase não pisco enquanto escuto o que havia acontecido. Não conseguia imaginar o quão horrível tal experiência havia sido, e sinto uma mistura de angustia com alivio por Levi ter fugido.

“Ah, e o que é mais divertido é ter que passar por isso e ainda ser expulso de casa depois.” Ele solta, pegando minha atenção novamente.

“O quê? F-Foi esse o motivo?”

“Sim. Cidade pequena, interior; pessoas fofocam. Viram-me com o famoso homossexual da cidade e já souberam de tudo. Meus pais literalmente me jogaram na rua no momento em que souberam. Não quiseram ouvir explicação, nada. E é, assim que resolvi vir pra cidade grande.”

O puxo para meus braços e o envolvo fortemente, beijando sua cabeça.

“Eu hesitei em te contar temendo que você passasse a me tratar de forma diferente.” Ele murmura.

“Não, nunca.” Garanto seriamente. “Nunca faria isso.”

“Não faça.” Ele pede, e eu concordo com a cabeça. “Está tudo perfeito como está, eu só sentia que precisava te contar sobre isso. Estava sendo injusto com você.”

“Obrigado por confiar em mim. Obrigado por me contar, e—” Gaguejo. “Eu quero apagar essa memória horrível da sua mente.”

“Não se preocupe, Eren. Fui apenas um idiota, só isso.”

“Por que se culpa dessa forma?” Digo, um tanto irritado. “Por que acha que foi sua culpa?”

“Eren, eu fui até ele. Já devia—“

“Não importa, Levi. Não importa que você foi até ele, que entrou no carro; o que importa é que ele viu sua insegurança e ainda assim tentou te forçar. Isso foi horrível!” Não controlo minha irritação. “Não foi sua culpa, ele que foi um cretino!”

Levi levanta o rosto e me encara. Eu estava com minhas sobrancelhas franzidas, ainda irritado.

“Eren, você é um sonho.” Ele murmura, sua voz tão leve que chega a me acalmar. “Quando disse que você era meu sonho de adolescente eu não poderia estar falando mais sério.”

“V-Você lembra de ter dito isso?” Acabo por suavizar minha expressão um pouco.

“Sim. Desculpe por só ter coragem de dizer naquele estado.” Ele abaixa a cabeça em meu ombro e respira em meu pescoço. “Obrigado por gostar de mim. Eu gosto muito de você.”

Meu coração palpita. Ainda estava imensamente irritado com tudo que ele havia passado, mas tento acalmar meus sentimentos explosivos. Afinal, ele nunca havia pronunciado seus sentimentos de forma tão direta, e eu nem imaginava que ele fosse fazê-lo um dia.

“Sendo eu, não teria como não me apaixonar por você.” Digo, e ele sorri com o canto da boca, se esticando para me beijar.

Levi havia passado por coisas que eu não nunca imaginaria passar em minha idade. Passar por uma situação horrível, ser expulso de casa, repentinamente perder tudo que tenho e ter que me virar sozinho. E, ainda, sem ter um ombro amigo, sem ninguém para contar ou pedir ajuda. Imagino o quão difícil tudo isso foi.

Ele era uma pessoa tão forte.

“Você me promete que vai parar de se culpar?” Peço, encarando em seus olhos.

Ele hesita um pouco.

“Prometo.” Ele enfim diz, e eu o beijo.

Levi estava feliz agora, lentamente se soltando mais e relaxando com outras pessoas. Faria de tudo para que ele continuasse assim, e para que, de alguma forma, ele recuperasse o tempo que perdeu de sua adolescência tendo que aprender a se portar como um adulto. Tendo inúmeras preocupações que ele não merecia.

Minha prioridade era manter o sorriso em seu rosto.

Notas finais
;_; confesso que pensava em algo ainda mais dramático para o passado do Levi, mas não se encaixaria com o restante da fic por ficar pesado demais. Ah, eu havia me esquecido até então de falar, mas creio que muitos já se deram conta: o título da fic vem da música da Katy Perry, Teenage Dream, e a letra combina bem com o relacionamento deles :3 (só faltou o Eren falando que curte o Levi mesmo sem lápis nos olhos cof cof) Fora isso, curtiram a festinha de Jean? Agora já sabem como seria um Levi bêbado 8D Até sábado! n__n