Teenage Dream
8 Capítulo 08
Notas iniciais
Penso em contar para Armin sobre sexta-feira, mas opto por esperar. Fico me ardendo em ansiedade até o dia do encontro, e todos os dias passo na secretaria para falar com Levi sobre isso. Na quinta-feira ele até me manda controlar meus hormônios. Claro que ri.
Depois me pego pensando no assunto e penso que provavelmente era culpa de meus hormônios de adolescente que estava assim. Será que Levi estava ao menos um pouco ansioso também? Afinal, ele estava na faixa etária de hormônios a flor da pele ainda... Melhor eu parar de pensar sobre isso, estava me deixando apenas mais ansioso.
Nem sabia o que iria acontecer no show. Talvez apenas saíssemos como amigos, curtiríamos a banda, e depois voltaríamos, sem nada de mais. Esperava infinitamente que não.
Quando a sexta enfim chega, ponho uma camiseta mais legal dentro de minha mochila para que trocasse depois e vou o caminho todo até a escola com olhos arregalados. Mikasa e Armin não me perguntam nada, apesar de verem como eu estava estranho. Na sala, dou uma breve olhada em volta na e, vendo que todos estavam conversando entre si e não havia risco de ser escutado, cutuco Armin para que ele se vire.
“O que foi?”
“Armin, preciso de sua ajuda no fim da aula.” Digo, trêmulo.
“O que vai fazer?”
“Vou sair com o Levi.” Engulo seco, e Armin sorri para mim. “Vamos a um show.”
“E o que quer que eu faça?”
“Você consegue despistar a Mikasa pra mim?”
O sorriso de Armin some.
“Você não conversou com ela ainda?”
“Não consegui. Eu e Levi voltamos a nos falar como antes, então... Acabei me distraindo com ele e não tive tempo de falar com ela.”
Bastante desapontado, Armin respira fundo.
“Eren, você não pode me pedir isso.” Ele diz seriamente.
“Por favor. Prometo que converso com ela no final de semana.” Ponho a mão em seu ombro. “Por favor. Pensa em algo, você sempre pensa em algo.”
Indeciso, Armin pausa, pensando.
“Posso dizer a ela que Jean quer conversar com você, tipo fazer as pazes.” Ele sugere, incerto. “É a única coisa que me veio à cabeça.”
“É perfeito, Armin.” O sacudo. “Você pode dizer isso a ela?”
“Posso. Direi que você voltará comigo e com Jean, e provavelmente voltará tarde...”
“Não sei como posso te agradecer.”
“Prometer que vai falar com ela depois já está bom.”
Iria cumprir a promessa. Mas, primeiro, iria ter meu primeiro encontro com a pessoa que gosto.
~*~
Deixo minha mochila com Armin após trocar de camiseta e vou me encontrar com Levi, que disse que me esperaria no ponto de ônibus. Marcamos encontro lá para que não saíssemos juntos da escola e fossemos vistos.
Não contenho um sorriso largo ao vê-lo sentado no ponto. Ele havia trocado de roupas, provavelmente fez como eu, e vê-lo com suas roupas normais era perfeito. Quase pulo de alegria ao reparar que ele vestia outra calça justa. Calça justa e blusa larga. Nossa, ele queria me dar um infarto.
“O ônibus deve passar em breve.” Ele diz quando sento ao seu lado. “Podemos comer algo antes do show.”
“É uma boa idéia. Tem vários lugares bons no centro.”
Adorava ir ao centro. Todas as vezes que sai à noite foi com Mikasa, e, apesar de não terem sido muitas oportunidades, foram as noites mais divertidas que já tive. Armin não ia conosco por não curtir esse tipo de coisa – muito menos o fato de que usávamos identidades falsas – mas conseguíamos nos divertir ainda assim. Entravamos em uma boate, dançávamos até que nossos pés doessem e depois vagávamos pela rua procurando algum fast-food aberto para comer. Sinto saudades disso.
O ônibus nos deixa bem na rua mais movimentada durante a noite. Havia boates, bares e restaurantes enfileirados dos dois lados da rua e nas ruas que cortavam. Jovens andavam para cima e para baixo em grupos ou casais, rindo e se divertindo. Amava essa região da cidade.
“Então, o que prefere comer?” Levi me pergunta, olhando os arredores. “Você vai ter que me guiar.”
“Nunca veio aqui?” Olho para ele, curioso.
“Não. E isso é quase demais para um cara do interior que nem eu.” Ele ri.
“Não sabia que era do interior.”
“Há muito que precisa aprender sobre mim ainda.” Ele se vira para mim, sorrindo com o canto da boca.
“Vai me deixar descobrir?” Cutuco.
“Talvez, quem sabe. Mas primeiro, quero comer algo.”
Como havia muitas pessoas andando para cima e para baixo, em certo momento, instintivamente ponho meu braço em torno dos ombros de Levi para mantê-lo perto de mim. Só me dou conta que poderia parecer um movimento muito ousado quando já o fiz, mas como ele não reclama, continuamos andando pela rua dessa forma. Mikasa geralmente fazia isso comigo quando andávamos juntos para que não nos perdêssemos um do outro, então nunca vi o gesto com maldade.
Acabamos comendo um sanduíche em um fast-food, e como enrolamos muito tempo conversando, saímos do restaurante quase na hora do show. O bar onde ele aconteceria não era muito longe, e, ao chegarmos lá, temos que esperar em uma fila para entrar. Na nossa vez, por incrível que parecesse, pedem que Levi mostre um documento e não eu. Controlo para não rir quando ele o mostra, um tanto irritado.
“Não acredito nisso.” Ele reclama em tom de brincadeira, já lá dentro.
“Eu pareço mais velho que você.” Rio, encarando-o.
“Vou tentar ver o lado bom disso.” Ele dá de ombros, rindo.
O show logo começa. Levi aparentemente havia praticado; logo na primeira musica já começa a cantar junto de forma bem empolgada. Eu sabia algumas de cor, e fico ansioso por uma que pudéssemos cantar juntos.
“É a Gun, Eren.” Ele agarra meu braço e me balança quando a música começa, sabendo que aquela era minha favorita.
A de Levi era a Recover, que tocam logo depois. Sinto vontade de tê-lo em meus braços enquanto está envolvido com a música, cantando e dançando.
Sinto que durante a maior parte do show eu fiquei olhando para ele ao invés de olhar para a banda. Mas eu o assisti, apreciei cada um dos detalhes de seu corpo, de seu rosto, de seus movimentos. Seu lábios, cantando delicadamente cada música. Tive que me controlar para não puxá-lo para mim. Não podia fazer isso. Não podia estragar essa cena perfeita.
O tempo passa rápido. A banda se despede ao som dos aplausos, e as luzes se acendem. Levi ainda estava recuperando o seu fôlego após curtir ao máximo.
“Que horas são?” Ele pergunta, levantando sua mão para pegar em meu braço.
“Onze e meia.” Levanto meu relógio de pulso e confiro.
“Acho que devíamos ir para uma boate agora.” Ele sugere, sorrindo de leve. “Tem várias aqui em volta, não tem?”
Sua sugestão faz meu coração palpitar. Obviamente queria vê-lo dançando mais, envolvido com alguma música dessa forma, então era irrecusável uma proposta dessas. Passa pela minha cabeça o que combinei com Armin, de que voltaria tarde, mas creio que ainda estivesse cedo o suficiente.
“Só se for agora.” Sorrio. “Quer boate de quê? Pop? Rock? Indie?”
“Pop.” Ele logo responde. “Você se importa?”
“Claro que não, seu pedido é uma ordem. Pra falar a verdade, conheço uma ótima.”
Logo ao lado desse bar uma fila já se formava para entrar em uma boate, que é a que eu tinha certeza que mais tocava pop. Esperamos atrás de algumas pessoas e, na nossa vez de entrar, pedem documentos de nós dois. Não tenho problemas para entrar e logo estamos lá dentro, com a música e luzes coloridas nos envolvendo.
“Isso é mais legal do que eu imaginava.” Levi segura em meu braço novamente, observando o local. Estava amando como ele parecia tão espontâneo comigo.
“Nunca esteve em uma boate?”
“Só uma que tinha em minha cidade, mas nossa, não tinha nada a ver com isso. Vou querer dançar até cair.”
“Pode deixar que eu te carrego se teus pés doerem depois.”
Levi literalmente se joga. E eu sigo a sua onda. Dançamos tudo, de Britney à Madonna, e me divirto vendo que Levi sabia cantar a maioria. Rimos, brincamos, inventamos coreografias idiotas. Era como se não houvesse mais ninguém na boate, somente nós dois.
Em certo momento, quando Levi já estava meio cansado e dançava apoiado em mim, não resisto e o beijo. Lentamente, apenas um toque de lábios novamente. Levi coloca os braços em torno de meu pescoço, mas não me beija de volta. Ele apenas me olha, meio nervoso e mordendo os lábios, então o abraço forte e beijo sua cabeça.
Saímos da boate quando já eram quase três da manhã. Estava um pouco mais fresco na rua do que antes, então dou meu casaco para Levi vestir quando reparo que ele treme.
“Estou com fome de novo.” Ele murmura, mais para si mesmo do que para mim.
“Podemos procurar algum lugar aberto.”
“Em uma hora dessas?”
“Claro. Devem ter vários lugares abertos ainda.”
Andamos um pouco e encontramos um lugar de cachorro-quente. Levi opta por pegar uma porção de fritas, e eu o acompanho.
“Ei, vamos nos sentar lá fora.” Ele sugere, antes que eu sentasse em uma das mesas.
O sigo e vamos para o estacionamento do local. Levi para perto de um pequeno muro onde poderíamos nos encostar, e eu me sento primeiro. Coloco as comidas no chão perto de mim e, antes que Levi sentasse, seguro sua mão.
“Senta aqui.” Abro um vão com as pernas. Soaria estranho, mas queria que ele sentasse bem perto.
Ele ri, um pouco hesitante, mas acaba aceitando. Ele senta entre minhas pernas, apoiando suas costas em mim, e eu o abraço.
“Está quentinho.” Ele diz, pegando uma das batatas fritas. Claramente fez de propósito para que eu não soubesse se era sobre a comida ou nossa posição.
Pego uma batata também e ponho a beirada na boca. Repentinamente tenho uma idéia, e cutuco Levi, fazendo-o se virar.
“O que—“ Ele me olha, segurando a batata em minha boca. “O que quer que eu faça?”
Movo minha cabeça em direção à dele, até que ele entende o que quero e começa a rir. Lentamente ele morde a outra beirada da batata, e continuamos mordendo até que nossas bocas se encontrem. Ou quase, já que Levi morde com força e se afasta antes que pudéssemos nos beijar.
“Ei, porque fez isso?” Ponho as mãos em sua cintura, balançando-o levemente.
“Por que quer tanto me beijar?”
“Por que eu gosto de você. E, conseqüentemente, quero te beijar.”
Levi rola os olhos e volta a encostar-se em mim. Espero até que ele diga algo, mas ele mantém seu silêncio, o que me deixa imensamente nervoso. Será que estava sendo muito rápido? Será que ele queria o mesmo que eu? Será que eu estava forçando a barra?
“Levi...”
“Eren, aquele foi meu primeiro beijo.”
Suas palavras demoram a fazer sentido para mim. Provavelmente minha demora para responder algo o deixa inseguro, porque ele logo se desencosta de mim e senta, olhando para o chão.
“Você deve estar me achando um perdedor.”
“Não!” Prontamente digo, ajeitando-me e sentando corretamente. “L-Levi...”
“Eu mantenho as pessoas sempre a um braço de distância de mim, não gosto de contato, muito menos físico. Mas...” Ele pausa, respirando fundo, e fecha os olhos. Sabia que ele estava muito mais nervoso do que aparentava estar.
“Desculpe-me. Eu te forcei a algo?”
“Não. De certa forma eu acho que queria, deixando você se aproximar tanto.” Ele vira o rosto para mim, mas não sobe seu olhar para encontrar o meu. “Mas... é tudo muito novo para mim.”
Lentamente levanto minha mão para colocar em seu rosto, removendo de leve alguns fios de cabelo que escondiam seus olhos. Acaricio sua bochecha e ele enfim olha para mim, suas sobrancelhas franzidas. Sua expressão não era de irritação, era mais como se ele estivesse muito envergonhado.
“Merda.” Ele murmura, fechando os olhos novamente. “Sou um idiota.”
“Levi, não. Você não é.”
“Eu sou. Estou velho demais para ser tão inseguro com essas coisas assim. Para continuar deixando-me afetar pelo que aconteceu.” Ele murmura quase incompreensivelmente sua última frase e estala a língua depois. “Droga.”
Ele leva sua mão a boca e suas sobrancelhas se franzem ainda mais. Não fazia idéia sobre o que ele estava falando, e fico inseguro de perguntar. Não tinha certeza se era o certo a se fazer.
“Se você quiser conversar, eu estou aqui.” Decido dizer, e ele me encara. “Quando quiser.”
Ele tira suas mãos da boca e sua expressão suaviza um pouco.
“Acho que isso que me fez gostar de você.”
“O quê?” Quase gaguejo.
“Você é tão sincero.”
Decido puxá-lo para meus braços novamente e ele vem, escondendo o rosto em meu peito. Faço carinho em sua cabeça, e sinto seu corpo se relaxar mais até que eventualmente ele se acalma e voltamos a comer. Levi retorna o assunto do show e eu continuo da melhor forma possível, sabendo que ele não queria mais falar sobre si. Mostro a ele que respeitava isso imensamente, e creio que ele tenha percebido.
Ao fim do lanche, ele sugere que eu dormisse em sua casa, já que já estava tarde para voltarmos sozinhos. Não penso duas vezes antes de aceitar, e, quando saímos para procurar um taxi, timidamente pego sua mão. Ele apenas me olha, um tanto surpreso, mas sorri com o canto da boca.
Não o deixaria por nada nesse momento.
~*~
Levi prepara o sofá para que eu dormisse e me empresta uma calça de pijamas, já que dormir de jeans seria horrível.
“Precisa de algo mais?” Ele pergunta, já pronto para ir para seu quarto.
“Não, está tudo bem.”
“Ok. Pode usar o banheiro no corredor se quiser e, qualquer coisa, bata em meu quarto.”
“Obrigado.”
Desejamo-nos boa noite e Levi vai para seu quarto. Fico um pouco frustrado com a falta de contato desde que chegamos, mas tento controlar meus sentimentos. Desligo a luz e vou até o sofá, deitando debaixo dos lençóis. Queria tanto dormir abraçado com ele, mas eu tinha que ser paciente.
Tento dormir por cerca de uma hora, e, sem conseguir apagar, vou até a cozinha beber um copo de água. Quando volto, jogo-me no sofá por cima do lençol, mirando o teto. Penso sobre o que Levi me disse. Será que havia acontecido algo com ele? Algo que o fizesse se distanciar de pessoas assim... Cenários horríveis vêm a minha mente, e eu realmente desejo que não tenha sido nenhum deles. Esperaria apenas que ele me contasse.
De repente escuto a porta do quarto de Levi se abrir. Finjo estar dormindo e fecho os olhos, mas logo os abro ao sentir alguém na sala comigo.
“Levi?” Pergunto, sentando. Ele estava vestindo uma camiseta branca simples com calças de pijama, parecendo um tanto nervoso.
“Não consigo dormir.” Ele revela.
“Nem eu.”
Ele caminha até mim no sofá, então abro espaço para que ele se sente ao meu lado. Em seguida, ele toma minha mão e a segura entre as suas, deixando-me um tanto confuso.
“O que houve?”
“Eu quero ficar perto de você. Isso é muito estranho.” Ele murmura. “Não consegui dormir lá pensando que poderia estar aqui.”
“Então fique aqui.” Sugiro.
Levi levanta seu rosto para me encarar e concorda. Deitamo-nos de lado no sofá e ficamos nos encarando no escuro por um tempo.
“Eu gosto muito de você, Levi.” Confesso. “Queria que soubesse disso.”
Ele não responde prontamente, mas vejo seu olhar ficar mais leve.
“Desculpe.” Ele suspira, se ajeitando ao meu lado. “Espero que tenha paciência comigo.”
“Toda a paciência do mundo.”
Queria beijá-lo, mas temo ser muito apressado. Então, opto por apenas beijar sua testa, logo o puxando para meus braços.
Não muito depois, noto que ele adormeceu, e acabo por dormir também.
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