Notas iniciais
As coisas começam a andar um pouco a partir desse capítulo hohoho :3 Espero que gostem n_n

A primeira coisa que Mikasa me pergunta é se tive uma noite ruim, e eu apenas concordo com a cabeça, muito fraco para prolongar o assunto. Armin estava com medo de mim quando vamos buscá-lo em sua casa, mas eu estava tão acabado que digo para ele esquecer de nossa discussão de ontem. Noto que ele se sente ao mesmo tempo aliviado e curioso, já que eu não costumava deixar as coisas passarem assim facilmente. Eu realmente estava mal.

Na hora do almoço, Armin desaparece antes que eu o visse, fato que acho terrivelmente estranho. Não sabia o horário em que ele havia combinado de estudar com o cara de cavalo e tento não me importar com o assunto para que não me irritasse novamente... Ele pelo menos poderia ter me avisado que não almoçaria comigo. Sigo para o almoço e acabo comendo sozinho, já que Mikasa nunca aparece para se juntar a mim. Aposto que estava com aquela Annie, a novata de sua sala. Havia visto as duas juntas algumas vezes, conversando bem próximas, e semana passada ela até comeu conosco um dia. Fico feliz que Mikasa tenha finalmente feito uma amizade, apesar de sentir um pouco de ciúmes. Estava acostumado com minha irmã sempre na minha cola, então era estranho ficar tão livre de repente.

Ficar sozinho, entretanto, me fazia pensar. E a primeira coisa que me vem à cabeça é aquele sonho bizarro com Levi. O que meu inconsciente queria dizer, afinal?!

Acabo terminando o meu almoço muito rápido e indo até a secretaria, sem nenhum motivo em particular.

“Hanji não está aqui.” Levi me cumprimenta; como sempre, sem nem olhar em minha direção.

“Eu sei. Não preciso vê-la hoje, somente às segundas.”

“Então o que faz aqui?”

“Uhm... Vim dizer oi?”

Levi finalmente levanta o rosto para me ver, com seu tradicional olhar indiferente.

“Olá.” Ele murmura. “Agora pode ir.”

Por que esse cara tinha o pavio tão curto? Era intrigante. Cada vez mais acreditava que ele era como eu. Por que ele não buscava ajuda? Sua vida poderia melhorar muito.

“Vá embora, Jaegar.” Ele repete.

“Mas—“ Eu abro a boca, sem saber direito o que dizer.

“Eu estou trabalhando, pirralho. Vá embora.”

“Você não precisa ser rude o tempo todo.” Cruzo os braços, ficando irritado. “Você precisa de alguém pra conversar?”

“Jaegar...”

“Não, sério.” Gesticulo. “Conversar ajuda bastante. Se precisar, posso te escutar, se quiser…”

Ele pausa por alguns segundos, expressão inalterada. Será que ele estava considerando minha proposta?

“Ok.” Ela suspira. “Se quer ser útil, vá até a biblioteca pegar um livro para mim.”

“Um livro?”

“Sim, um livro. Você sabe o que é isso?”

“Uhm...”

“Ande logo, não tenho o dia todo.”

Ele escreve em um pedaço de papel o nome do livro que precisa – algo sobre finanças – e me expulsa da secretaria, insistindo que eu deveria ser rápido. Eu deveria ficar irritado por ser mandado de forma tão rude, mas acabo indo até a biblioteca soltando leves risadinhas da situação.

Nem imaginava que a pequena biblioteca da escola teria uma seção sobre finanças. Caminho pelos corredores procurando tal livro, até que reparo alguém loiro sentando em uma das mesas próximas à janela. Tendo certeza que era Armin, saio do corredor para ir até ele, até ver que Jean estava ao seu lado. Merda. Eles estavam estudando juntos, Armin aparentemente explicando algo para o cara de cavalo em seu caderno e ele, por vez, coçando a cabeça sem entender nada.

Decido voltar à minha busca, e logo encontro o livro que Levi precisava. Assim que saio da biblioteca, o sinal toca, então acabo correndo até a secretaria para entregar o livro.

“Levi!” Passo pela porta, gritando.

“Ugh, que barulhento.” Ele me olha com desdém. “Você demorou.”

“Custei a encontrar a seção certa.” Caminho até o balcão e ponho o livro sobre ele para que Levi pudesse pegá-lo.

“Confesso que duvidei que conseguisse encontrá-lo.” Ele diz, pegando o livro e o folheando. “Da ultima vez que fui lá, fiquei horas procurando, até ter que perguntar à bibliotecária onde ficava. Foi um saco.”

Quase não acompanho suas palavras, surpreso. Ele havia falado mais de uma frase comigo. Isso era muito... estranho.

“Eren.” Ele chama minha atenção.

“Huh?” Olho para ele, creio que com meus olhos arregalados sem querer.

“Pode ir agora, o sinal já tocou.” Ele me diz, arqueando uma sobrancelha.

“Ah, sim, eu vou.” Digo, nervoso.

Ficamos nos olhando por alguns segundos, até que eu decido me virar para sair da secretaria.

“Eren.” Ele me chama, e eu me viro tão rápido que quase tropeço em meus próprios pés.

“Sim?”

“Obrigado.”

Sua expressão continua a mesma, indiferente, e sua voz também, nenhuma alteração de seu tom grave e monótono de sempre. Entretanto, volto para a sala estranhamente feliz após aquele simples obrigado. Até que passar o almoço sozinho não havia sido tão ruim assim.

~*~

No final das aulas, Armin e eu vamos até o estacionamento para encontrar Mikasa para irmos embora, já que hoje não ficaríamos até mais tarde na escola. Ainda me sentia meio estranho, não sabia explicar exatamente o por quê.

Já do lado de fora da escola, sou subitamente parado por Armin, que segura na ponta de minha blusa.

“O que é?” Pergunto, olhando para ele.

“A Mikasa ‘tá com a Annie.”

Viro a cabeça para olhar na direção do carro de Mikasa e encontro as duas conversando, sentadas sobre o capô.

“E o quê que tem?” Torno a atenção para ele novamente.

“Não é melhor deixá-las um pouco?”

“Por quê?” Não entendo.

“Sei lá...” Armin rola os olhos. “Eren, às vezes me pergunto se você é lerdo ou só desatento mesmo.”

“O que quer dizer?”

“Eren, Armin!” Ouço a voz de Mikasa e me viro. “Venham logo.”

Ignoro Armin e caminho até ela, que ainda estava com a outra garota.

“Vou deixar a Annie em casa hoje.” Ela diz, dando de ombros. “Senta atrás com o Armin.”

“Por quê?” Eu sempre sentava do lado da Mikasa.

“Por que sim, Eren.” Ela me empurra de leve. “Ande logo.”

Meio emburrado, acabo por sentar atrás com Armin mesmo, já que não havia outra opção. Do meu lugar fico na diagonal com Annie, e trato de observá-la um pouco. Creio que ela fosse uma daquelas garotas que todos os caras se apaixonavam, mas ela provavelmente os afastava com seu olhar sério. Ela não falava muito, e isso me deixava curioso de como ela e Mikasa se davam bem se ambas falavam pouco. Seu cabelo loiro estava geralmente preso em um coque, seguro despojadamente por uma caneta ou por uma fivela fofinha, exceto quando usava uma trança, lembro-me de tê-la visto de trança um dia desses. Acho que nunca a vi de calça, pelo menos não me recordo de vê-la vestindo outra coisa que não fosse uma saia e uma camiseta – estilo quase que completamente diferente do de minha irmã, que parecia estar sempre vestindo roupas para meninos. Ela era magra e pequena, e seu tamanho de certa forma me faz lembrar de Levi, já que também era magro e pequeno. Mas acho que ele era mais alto que ela.

“Eren, o Armin me disse que te viu na biblioteca hoje no almoço.” Mikasa interrompe meus pensamentos, tentando ver-me pelo retrovisor.

“Huh. Achei que você estivesse muito ocupado com o cara de cavalo pra me notar.” Olho para Armin com um olhar zombador.

“E-Eu... Te vi passando por um corredor, mas não te chamei porque logo foi embora.” Ele se explica, meio envergonhado.

“Resolveu estudar também?” Ela continua.

“Não.” Respondo, colocando meu cotovelo apoiado na janela do carro.

“Então o que foi fazer lá?” Armin pergunta. Nossa, era tão surpreendente assim eu estar na biblioteca?

“Fui pegar um livro pro Levi.”

“Quem é Levi?” Vejo pelo retrovisor que Mikasa franze as sobrancelhas.

“O cara da secretaria.”

“Achei que não gostasse dele.” Mikasa diz, meio suspeita.

“É, ele até que não é tão mau.”

O assunto morre de repente e todos seguimos em silêncio pelo resto do caminho. Mikasa deixa Armin em sua casa, e quando penso que ela está fazendo o caminho para a casa de Annie, sou surpreendido ao ver que chegamos a nossa própria casa.

“Você não ia levar a Annie?” Questiono, quando ela encosta o carro na calçada.

“Vou.” Noto que ela se mexe um pouco em seu banco. “Depois de você. Desce logo.”

Decido não dizer mais nada e desço do carro. Mikasa apenas acena para mim através do vidro e acelera, deixando-me ali sozinho.

“Credo.” Balanço a cabeça, andando até a porta. “’Tá todo mundo esquisito ultimamente...”

~*~

Eu nunca me lembro de checar o meu Facebook, mas como estava muito sonolento para jogar, decido entrar em minha conta só para ver o que estava perdendo. Tinha doze notificações, a maioria de Mikasa ou Armin me marcando em algo engraçado sobre algum seriado, e nenhuma mensagem privada. Eu odeio o Facebook. Antes que eu saísse, dou uma olhada em meu feed de noticias e encontro um post de Petra; ela tirou uma foto de seus cookies recém cozinhados. Aquilo me deu água na boca. Ela agora tinha uma embalagem especial para eles, com seu nome escrito como se fosse uma marca. Curto a foto e resolvo clicar em seu perfil, só para ver como ela estava. Sua página não havia mudado muito desde a última vez que vi, apenas haviam mais posts sobre os cookies agora. Rolando para baixo, quase caio de minha cadeira ao ver sua atividade recente: “Petra Hal agora é amiga de Levi Rivaille”.

Claro que eu nem me importei com isso. Só cliquei em seu perfil por curiosidade; queria confirmar se ele era como eu imaginava fora da escola. Sua página estava quase vazia, exceto por sua foto de perfil – uma foto que tirou de si próprio usando uma camiseta do Red Hot Chili Peppers em um lugar que parecia seu quarto. É, acho que estava certo com a parte do roqueiro. Clico sem querer em “adicionar como amigo”, e antes que eu pudesse cancelar o pedido, recebo uma notificação de que ele havia me aceitado. Droga, ele ‘tá online. Não mais que um minuto depois, recebo outra notificação, dizendo que alguém havia publicado em minha linha do tempo.

“Até aqui, Jaegar?!” Foi tudo que ele escreveu. Não resisti rir.

“Não te irrito o suficiente na escola. ;)”

“Pirralho. Você deveria estar dormindo.”

“Você também.”

“Eu sou um adulto.”

“Um adulto que tira fotos de si mesmo como um adolescente...”

“Vá se ferrar.”

“Vamos conversar inbox.” Sugiro, imaginando que pudesse ser estranho se me vissem conversando com Levi na minha linha do tempo assim. Não queria que o pessoal na escola visse que sou amigo do secretário.

“Onde é isso?”

Rio de sua pergunta e clico no botão para enviá-lo uma mensagem privada.

“Aqui.”

“Aqui é privado?”

“Sim. Você não sabe como o Facebook funciona?”

“Criei essa conta ontem, pirralho.”

“Você não tinha Facebook??”

“Desculpe desapontá-lo.”

“Uau. Da onde você veio?”

“Existem muitas pessoas que não tem Facebook, sabe.”

“Pessoas velhas. Geralmente pessoas da nossa idade moram aqui.”

“Quem disse que eu tenho sua idade?”

“Bom, em torno disso, eu acredito...” Fico preocupado por um instante. Tive tanta certeza que ele era um cara recém saído do ensino médio que esqueci que não sabia de verdade. “Você não me disse sua idade quando eu perguntei.”

“Porque não é da sua conta.”

“Pare de ser babaca e me conte.”

Ele visualiza minha mensagem e demora um tempo para respondê-la, deixando-me incrivelmente ansioso na espera.

“Atualizei meu perfil. Vá lá checar se quer tanto saber.”

Não respondo e clico direto em sua foto para conferir.

“Tanto drama para ter apenas vinte e três anos. Cheguei a achar que fosse algum tipo de vampiro, sendo tão misterioso quanto a sua idade.”

“Ei, não menospreze os anos de sabedoria que tenho a mais que você.”

“São apenas seis.”

“Muita sabedoria.”

“Bom, você é mais velho que a Petra.”

“Sim. E pelo que soube, a secretária anterior também estava nessa faixa etária. Suspeito que a escola só contrate pessoas de vinte e poucos para essa função...”

“Hm, interessante. Não tinha reparado nisso.”

“Mas sabe quem é um vampiro? A Hanji.”

“Sério? Quantos anos ela tem?” Aguardo um instante, até que ele me manda o link de seu perfil. Estranhamente eu não havia a adicionado ainda, então já aproveito e o faço. “Como????”

“Não sei. Achava que ela tinha em torno de trinta, não quase quarenta.”

“Segunda que vem perguntarei a ela seu segredo.”

“Quero saber também.”

Após isso, Levi começa a me fazer perguntas sobre as funções de privacidade do Facebook e algumas outras sobre o perfil. Enquanto explico a ele, acabo descobrindo que temos várias bandas e filmes como gosto em comum.

Em torno de meia-noite, ele diz que vai sair para dormir e eu decido fazer o mesmo. Vou para a cama sorrindo como um bobo por algum motivo, no qual estava muito distraído para me preocupar.

Notas finais
Obrigada por ler! Responderei todos comentários com muito carinho x3 quarta tem mais!