Teenage Dream
17 Bônus 04: Armin's Teenage Dream
Notas iniciais
“Eu ainda sou virgem.”
“O quê?!” Mikasa e Eren gritaram em coro, se voltando para mim.
Eu já estava encabulado em revelar isso a eles, e a surpresa deles só me faz ficar ainda mais. Porém, eu realmente precisava conversar com eles quanto a esse tema...
“A-Ah, não é tão grande coisa assim!” Explico, corando.
“Vocês estão juntos a mais de seis meses!” Eren arregala os olhos.
“O Jean nunca tentou nada?”
“Nunca temos oportunidade!” Choro. “Vocês sabem, meu avô está sempre em casa, então é impossível fazer qualquer coisa em meu quarto. E a casa do Jean está sempre cheia da mesma forma... Não temos lugar para fazer isso.”
Parecia um tanto frustrante, mas sim, essa era minha realidade.
“Nem na praia ele tentou algo?” Eren pergunta, já em um estado menos surpreso.
“Eles não são idiotas como você e o Levi, Eren.” Mikasa rola os olhos.
“Nunca faríamos uma coisa dessas em público, apenas aproveitamos a oportunidade para dormir abraçados. Raramente fazemos isso...”
“Mas nem no carro do Jean?” Mikasa pergunta.
“N-Não...” Faço uma expressão de choque. “Eu nem gostaria que minha primeira vez fosse em um lugar assim...”
“Nossa, sempre achei que vocês dois não saiam com a gente porque ficavam fazendo loucuras no quarto.” Eren murmura.
“Claro que não, Eren!” A mente dele me assustava às vezes. “E-Estamos sempre dentro de casa, sim, mas nunca fazemos nada... Apenas assistimos filmes ou lemos juntos.”
“Vocês são tão comportados.” Mikasa suspira. “Eu e a Annie apenas usamos ler como desculpa.”
“Então...” Eren se volta para ela, franzindo a testa. “Aquele dia que você conversou com o Levi, você disse que ia subir para seu quarto com ela para mostrar um livro—“
Mikasa apenas ri maliciosa com as palavras de Eren.
“Mikasa!”
“Uh, Eren, não é como se vocês tivessem desconfiado de qualquer coisa. Estavam muito distraídos se pegando no sofá...”
“Gente...” Tento buscar espaço entre a discussão novamente. “E-Eu... Contei isso a vocês porque preciso conversar, afinal, vocês já são mais experientes...”
“Pode mandar. O que quer saber?” Eren diz.
“E-Eu... Confesso que tenho medo ainda. E o Jean aparentemente também.”
“Eu sei como é. Mas depois que fazem uma vez, tudo fica bem mais fácil...” Eren suspira, me fazendo franzir o rosto. “Vocês ao menos já se tocaram?”
Fico ainda mais nervoso com a pergunta de Eren, e balanço minha cabeça negativamente.
“Como assim, nem isso?” Ele faz uma expressão de horror.
“Nem todo mundo é louco para transar que nem vocês!” Reclamo, um tanto irritado. “Eu e o Jean prezamos nossa companhia acima de tudo, gostamos de estar junto ao outro... Poder transar ou não é o de menor importância para nós.”
Acabo por calar os dois, que se entreolham, envergonhados.
“Mas você quer, não quer?” Mikasa sugere, maliciosa.
“Mikasa!” Choro novamente.
“Ei, vocês já conversaram sobre isso?” Eren pergunta.
“Apenas algumas vezes. Em uma das poucas vezes que, uh, demos um amasso mais intenso, o Jean disse que eu parecia tão frágil que ia quebrar.”
“Acho que ele está com medo de dar o passo adiante porque, além de não terem espaço, você é muito delicado.” Mikasa deduz.
“Armin, porque não toma a iniciativa um dia desses?” Eren sugere.
“E-Eu?” Arregalo os olhos. “M-Mas—“
“Eles precisam de um lugar primeiro.” Mikasa diz, empolgada. “Eren, porque nós não—“
“Esperem!” Peço, e os dois me olham. “Do que estão falando?”
“Desde que não seja na minha cama, tudo certo.” Eren diz, me ignorando.
“Tsc, Eren, o quarto de hóspedes, imbecil. O Tio nunca está em casa, de qualquer forma...” Mikasa diz.
“Ótima idéia.” Eren concorda, sorrindo. “O que acha, Armin?”
Engulo seco. Não era o rumo que esperava que nossa conversa tomaria, de forma alguma.
“T-Tenho que falar com o Jean...” Desvio o olhar, nervoso.
“Fale com ele e nos dê a resposta o quanto antes, assim podemos ver um dia bom.” Mikasa diz.
“Não se preocupe, nós sairemos também no dia, então vocês vão poder ficar a vontade.” Eren completa.
“Gente...” Falo, em tom nervoso. “Nem sei se estamos prontos pra isso ainda.”
“Relaxa, o que precisam é de um lugar seguro e um tempo sozinhos.” Eren pisca. “Com certeza vai rolar.”
“E você quem precisa tomar a iniciativa no dia. Se ficar encolhido, vai apenas deixar o Jean nervoso e vocês acabarão não fazendo nada.” Mikasa alerta.
Fico olhando entre os dois, nervoso, e depois escondo meu rosto em um travesseiro.
“Eu não sei nada sobre isso...” Choro.
“Tudo o que precisam é de camisinhas e de muito lubrificante.” Eren diz.
“E paciência.” Mikasa completa.
“Ei, Mikasa...” Eren se volta para ela. “Como você e a Annie fazem isso, afinal?”
Ela apenas ri, levantando sua mão e mexendo os dedos.
“Hm, imaginei.” Eren concorda. “Mas nunca usam nada maior?”
“Já viu quanto custa um vibrador?” Ela rola os olhos. “Um dia, quem sabe... mas por enquanto só isso.”
“E oral, já fizeram?” Eren continua.
“Gente...” Chamo a atenção deles, mas eles me ignoram.
“É a melhor parte.” Mikasa suspira. “Você e o Levi nunca?”
“Não.” Eren faz um beiço. “Ele diz não estar pronto ainda.”
“Como assim?” Mikasa ri. “Vocês já transaram, isso não faz sentido.”
“Pra ele faz, de alguma forma...” Eren rola os olhos. “Só nos masturbamos com as mãos ou transamos. Oral nunca.”
“Ah, acho que entendo o motivo. Havia me esquecido como seu namorado é fresco, ele deve achar nojento.”
“Também suspeito que seja isso.” Eren suspira. “Aguardo ansiosamente pelo dia que ele fique de joelho entre minhas pernas e—“
“Ah, eu não quero ouvir isso!” Tampo os ouvidos com as mãos, bloqueando a minha mente de imaginar qualquer coisa.
“Porque não toma a iniciativa e faz nele primeiro?” Mikasa me ignora e continua.
“Ele não deixa, já tentei.”
“Ugh, que fresco.”
“Deu, né?” Choro, e os dois se viram para mim.
Creio que contar a eles não havia sido a melhor idéia do mundo, mas pelo menos agora tinha um plano. Não estava certo de que algo aconteceria, na verdade duvidava muito, mas já estava feliz por termos a oportunidade de ficarmos juntos completamente sozinhos.
Agora eu apenas precisava conversar com Jean.
Após as aulas, no dia seguinte, peço para Jean me levar em casa e o conto sobre o plano de Mikasa e Eren. Noto que ele fica bastante nervoso enquanto dirige, e, quando me viro para encará-lo, o encontro pálido.
“Jean, tudo bem?” O pergunto suavemente.
“Sim, sim.” Ele concorda rapidamente. “Mas, Armin... Tem certeza que é uma boa idéia fazermos isso?”
“Não sei, por isso te perguntei...” Afundo em meu banco, inseguro. “Mas não acho que seja de todo mal uma oportunidade de ficarmos um tempinho a sós assim.”
“Sim, mas... Na casa deles, dessa forma, soa desesperado.” Jean murmura. “Para eles, quero dizer.”
“Temi isso, mas eles entenderam que não temos lugar. Não creio que tenham acreditado que estamos desesperados.”
Ficamos em silêncio por um trecho.
“Armin... Você está ansioso por isso?”
Sua pergunta me faz encará-lo.
“E-Eu... Estou com mais medo do que qualquer coisa, mas gostaria de, ao menos, podermos passar esse tempo a sós. Não precisamos realmente fazer nada...”
“Sim.” Jean concorda com a cabeça. “Sim, podemos apenas aproveitar a oportunidade. Afinal, não estamos com pressa.”
“Tudo ao seu tempo.” Completo.
Ficamos em um silencio mórbido até que Jean me deixa em minha casa.
~*~
Sim, não precisávamos fazer nada, deixaríamos as coisas acontecerem naturalmente. Apenas usaríamos a oportunidade para passar um tempo juntos a sós, mais nada. Afinal, para quê pressa, certo? Eu e Jean nos amávamos, nos respeitávamos, e queríamos estar sempre juntos. Era tudo o que precisávamos.
Sexo era bobagem, de certa forma.
Sabia que Jean concordava comigo, senão teríamos bolado um plano como esse antes. É, nenhum de nós estava ansioso. Estava tudo bem.
Encontro com Jean naquele domingo e caminhamos de mãos dadas até a casa de Eren e Mikasa em passos lentos. Jean não parecia nada diferente do usual; já havia visto suas roupas, seu perfume era o mesmo e seu cabelo estava ajeitado da mesma forma de sempre. Não sabia o que aquilo podia significar, já que me preocupei um pouco com o que vestiria hoje... mas era bobagem minha por minha inexperiência.
Jean já havia saído com outro garoto – aquele da festa que Mikasa me contou a fofoca logo que comecei a me interessar por ele – mas foram apenas dois encontros até que ele se mudou para longe. Isso o deixou bastante abalado, então ele custou a aceitar se relacionar novamente. Creio que me aproximei dele na época certa, antes disso talvez não tivéssemos dado certo.
E era tão surreal darmos certo. Jean parecia tão despreocupado e popular que eu confesso que temi que fossemos muito opostos para nos relacionar. Mas, em um relacionamento, ele é totalmente diferente. Ele é dedicado, gentil, doce... Quem diria que fosse gostar das coisas que gosto, com a sinceridade que gostava? Gostar de assistir filmes debaixo do cobertor, ler livros juntos... Coisas tão simples e bobas que eu costumava sonhar que um dia faria com alguém. Jean estava sendo um sonho para mim.
Chegamos a casa dos dois e tocamos a campainha. Seguimos o trajeto todo até ali com poucas palavras, provavelmente por nosso nervosismo, e continuamos da mesma forma até que alguém venha atender.
Ouço barulhos altos antes que a porta se abre.
“Entrem, entrem!” Mikasa gesticula com a mão, abrindo mais a porta.
Entramos lentamente, sem jeito, e ela bate a porta, já andando para a sala.
“Eren, você pegou as velas?” Ela grita em direção ao corredor que leva aos fundos da casa.
“Sim, o Levi ‘tá acendendo.” Eren grita de volta.
Annie repentinamente chega a sala atrás de nós, segurando dois edredons brancos.
“Oh, já chegaram.” Ela sorri de leve, caminhando até Mikasa. “Eram esses que queria?”
“Sim!” Mikasa os pega das mãos de sua namorada. “Ok, acho que já temos tudo.”
“Uhm... Mikasa...” A chamo, e ela se vira para mim. “O que estão fazendo?”
“Ah, Armin, já está quase pronto.” Ela se vira para o corredor.
“Mas—“
Antes que eu pudesse perguntá-la de novo, ela some em uma porta nos fundos, e de lá saem Eren e Levi.
“Você é um grande imbecil.” Levi murmura, com os braços cruzados, caminhando até a sala.
“Não é como se estivesse ventando dentro do quarto!” Eren se explica.
“Mesmo assim, é perigoso colocar velas perto de coisas que podem incendiar, idiota!” Ele suspira, parando ao lado de Annie. “Não acha?”
“Eu não gosto de fogo.” Annie dá de ombros.
“Vocês são exagerados.” Eren resmunga.
Quando os três fazem silêncio, enfim encontro um momento bom para tentar descobrir o que estava acontecendo.
“O que tudo isso significa?” Pergunto, nervoso.
Os três se voltam para mim e depois se encaram entre si.
“Estamos só organizando o quarto de hóspedes.” Eren explica.
“Estava imundo, vocês morreriam de alergia lá.” Levi completa.
“Sem falar que não havia nem colchão.” Annie termina.
Estava um tanto chocado. Não estava confortável em ter Annie e Levi envolvidos nisso, e agora eles aparentemente estavam tornando tudo muito mais sério do que era pra ser. Quase me sinto pressionado.
“Mas gente—”
“Ok, está pronto.” Mikasa surge na sala, batendo as mãos. “Vamos pro boliche?”
“Sim!” Eren exclama, empolgado. “Não vejo a hora de vencer vocês todos.”
“É o que pensa.” Levi murmura. “Vamos logo, estamos gastando o tempo deles.”
Os quatro buscam seus pertences do sofá e seguem para a porta de entrada, passando por nós. Eu e Jean continuamos estáticos, confusos e pasmos.
“Ok, instruções finais.” Mikasa passa por último e para a minha frente, pegando minhas mãos e colocando as chaves da casa nela. “Tranque a porta de entrada. Tem algumas bebidas na geladeira, estejam a vontade. Não usem nossos quartos, tivemos todo o trabalho de arrumar o quarto de hóspedes especialmente pra vocês. E usem camisinha.”
“Mikasa...” Eu gaguejo. Não consigo nem encontrar palavras para tudo isso.
“Shh, está tudo bem.” Ela dá batidinhas em minha cabeça, bagunçando meu cabelo. “Apenas divirtam-se e relaxem.”
“Boa sorte!” Eren grita, da porta. “Vamos logo, Mikasa!”
Ela solta minhas mãos e segue até a porta, a fechando com um aceno. Eu e Jean continuamos imóveis por alguns segundos depois que eles vão, ainda escutando suas vozes se afastando pela rua.
“Então...” Jean quebra o gelo.
“Desculpa.” É a primeira coisa que me vem a mente dizer. “Não imaginei que eles seriam assim, achei que seria algo simples como—“
“Calma, meu bem.” Jean põe as mãos em meus ombros, massageando de leve. “Para ser franco, não esperava que eles não fizessem ao menos alguma gracinha.”
“Sim, mas... Isso me deixou desconfortável.”
“Também estou um tanto desconfortável.” Ele balança a cabeça. “Mas vamos ver o que eles aprontaram.”
Respiro fundo e, após trancar a porta e deixar a chave pendurada no chaveiro, sigo com Jean até o quarto de hóspedes, nos fundos. Teria ficado em dúvida em qual porta abrir – sabia que uma era a lavanderia – mas eles não me deixam dúvidas ao terem colocado um coração de papel na porta, escrito nossos nomes.
“Eles foram criativos.” Jean comenta.
“Eles exageraram.” Suspiro. “Estou sentindo como se estivéssemos indo a um motel.”
“Ah não, creio que eles apenas tenham limpado o quarto para nós.”
“Não sei...”
Assim, Jean abre a porta, e nossos queixos caem em surpresa.
“Esquece o que disse.” Jean murmura.
O quarto estava todo com iluminação apenas de velas. A cama, com edredons brancos, estava coberta com pétalas de flores, e havia um perfume estranho no ar. Oh deus.
“Eu não se quero entrar aí.” Digo, envergonhado. “Isso é demais.”
“Uh...” Jean olha em volta. “Ok, isso é demais.”
Após um minuto ou dois de hesitação, entretanto, Jean segura minha mão e caminhamos quarto adentro. Sentamos-nos na beirada da cama e logo noto que o colchão era de mola, então fazia um barulho engraçado quando nos movimentávamos.
“Eles são ridículos.” Acabo rindo, pulando de leve. “Eles realmente acham que ficaríamos confortáveis com tudo isso?”
“Estou mais chocado pensando em quem deu a idéia para a decoração. Qualquer uma das opções me assusta.”
“Sim.” Suspiro.
Ficamos em silêncio alguns minutos, pensando. Jean recolhe algumas pétalas da cama e joga sobre mim, me fazendo rir, até que ele senta mais perto de mim.
“Você quer fazer isso aqui assim mesmo?” Jean me pergunta, quase em um cochicho.
“Bom... estou um tanto desconfortável. Não sei se é uma boa idéia.”
“Eu concordo.” Jean beija minha cabeça. “Porque não apenas assistimos um filme na sala? Podemos pedir algo para comer também.”
“Boa idéia.” Abro um sorriso. Jean realmente me entendia.
Seguimos para a sala e procuramos alguns DVDs no armário. Depois, cobrimos o sofá com os edredons e travesseiros do quarto, montando um grande ninho, e, após a comida japonesa que Jean pediu chega, nos acomodamos calmamente para assistir um filme de ficção cientifica.
Estava perfeito assim.
Claro que Mikasa e Eren não ficaram nada felizes quando chegaram em casa e nos encontraram no sofá. Mas, eu, no entanto, estava com um sorriso enorme em meu rosto.
Afinal, tinha passado meu tempo a sós com Jean, e foi perfeito. Pudemos nos beijar durante o filme, ficamos um nos braços do outro, sem distância, sem preocupação com sermos pegos.
Queria poder ter isso mais vezes.
~*~
O tempo passa sem pressa. Jean e eu continuamos como estávamos, sem aceitar nenhum plano como aquele novamente, mas havíamos descoberto algumas maneiras para aproveitar um tempo a sós. Até que a idéia do carro não era tão ruim, então íamos algumas vezes ao fim de tarde para uma praça no ponto mais alto da cidade para observar o pôr-do-sol e aproveitávamos para ficar um pouco dentro do carro depois que escurecia. Acho que nunca seriamos do tipo de casal que dá amassos intensos, isso simplesmente não combinava com a gente. Apenas nos abraçávamos, nos beijávamos, e estava bem assim.
Perto de meu aniversário, em Novembro, começo a sentir Jean um tanto distante. A maioria das pessoas se sentiria incomodado com isso, mas eu sabia que era porque ele tramava algo. Eu não queria nada muito extraordinário; queria dizê-lo para não se preocupar, mas não podia estragar sua empolgação.
Ao fim das aulas na sexta-feira anterior ao meu aniversário, Mikasa e Eren somem completamente com seus respectivos namorados e nem se importam comigo. Fico sem saber o que faço, já que Jean havia ido embora mais cedo, e, pouco antes que eu decidisse pegar o ônibus escolar, meu celular começa a tocar.
“Meu bem, me espere em frente à escola em cinco minutos.” Jean diz rapidamente.
“Huh? Onde você ‘tá?” Pergunto, suspeito.
“Logo descobrirá.”
Ele desliga sem me deixar prolongar, então o que me resta é sair da escola e encontrá-lo do lado de fora. Não preciso aguardar muito, logo vejo seu carro dobrando a esquina.
“Entre aí.” Jean destranca a porta para mim, e eu entro.
“Onde você estava?” Pergunto, curioso. “Nem me falou porque foi embora mais cedo hoje...”
“Não importa.” Ele sorri. “O que importa é que não irá para casa hoje.”
“Huh?” Arregalo os olhos. “Como assim?”
“Não se preocupe, já avisei seu avô.”
“M-Mas...” Sabia que Jean planejava algo, mas não esperava algo assim. “Onde vamos?”
“Isso é surpresa, querido.” Jean religa o motor e começa a dirigir.
“Mas eu nem trouxe nada!”
“Fui a sua casa e fiz uma mochila com coisas pra você, está no porta-malas.” Ele suspira. “Não se preocupe, eu pensei em tudo.”
“Céus...” Enfim relaxo, encostando-me no banco. “Olhe lá o que está planejando. Eu ia dizer que não precisava fazer nada de mais para meu aniversario—“
“É claro que precisava, você está fazendo 18 anos. Não se faz essa idade todo dia.”
Acabo ficando sem palavras e apenas suspiro fundo.
Jean dirige em direção ao centro e eu me perco observando as ruas do lado de fora. Não presto muita atenção onde ele exatamente estava indo, mas logo me surpreendo ao tê-lo entrando em um estacionamento.
“Um hotel?” Observo a placa do local. “Jean...”
“Calma, não pense bobagem.” Ele explica, estacionando o carro em uma vaga. “Logo que entrarmos você irá entender.”
Ele me leva direto para dentro do hotel e pegamos um elevador, sem que ele precise passar na recepção. Será que ele havia feito check-in mais cedo então? Vou o tempo inteiro no elevador pensando o que me aguardava no quarto.
“Ok, não repare.” Jean para perto da porta do quarto 540. “É simples, mas acho que irá gostar.”
“Jean, qualquer coisa que fizesse eu ia gostar.” Sorrio para ele.
Jean abre a porta e eu deixo meu queixo cair em surpresa. O quarto estava com balões cobrindo todo o chão, e a cama estava com vários edredons e travesseiros. Noto uma caixa de DVD sobre a cama e um pequeno bolo sobre a mesa de canto.
“Jean...”
“Vamos entrar.” Jean põe a mão sobre minhas costas e me guia para dentro, fechando a porta atrás de si.
“Isso tudo...” Continuo observando o quarto.
“Queria ter feito mais coisas, mas infelizmente encher esses balões levou metade de meu tempo.” Ele suspira. “Eu devia ter saído mais cedo ainda da aula...”
“Não precisava ter esse trabalho todo.”
“Claro que precisava, meu amor.” Ele me contorna e para a minha frente, encarando-me nos olhos. “Feliz aniversário.”
“Obrigada.” Sorrio. “Você é perfeito.”
“Você que é. Eu te amo.”
“Também te amo, Jean.”
Sorrimos feito bobos um para o outro e nos beijamos lentamente.
“Bom, quer cortar o bolo?” Jean interrompe o beijo, pegando minha mão.
“Claro.”
Trazemos o bolo para a cama e comemos de colher direto dele. Depois, colocamos o filme para tocar e assistimos da cama, naufragados em meio a tantos edredons fofos. Isso estava mais do que perfeito, Jean conseguiu pensar em algo que com certeza me deixaria feliz. E estávamos sozinhos, somente nós dois, com o tempo que quiséssemos.
Assim que acaba o filme, nos espreguiçamos preguiçosamente na cama enquanto passam os créditos, nos acomodando um ao lado do outro e nos beijando.
“Você soube exatamente como me agradar.” Murmuro, apoiando minha cabeça em seu ombro.
“Que bom que gostou.” Ele passa a mão por meu cabelo. “Mas ainda tem mais uma coisinha.”
“Sério?” Levanto o rosto novamente, o encarando. “Jean...”
“Vou pegar, espere um pouco.”
Jean levanta da cama e abre o armário do quarto. Ele, completamente vazio, só tinha uma pequena caixa guardada, o que chama minha atenção na hora.
“Jean, não precisava de um presente após tudo isso...” Suspiro, enquanto ele fecha a porta do armário com a caixa em mãos. “Esse já é meu presente.”
“Precisava sim, esse é importante.” Ele volta para a cama, sentando em minha frente.
Ele me entrega a pequena caixa, e eu, lentamente, desfaço o laço para abri-la. Dentro encontro uma caixa de anel, e meu coração dispara.
“Jean...” Levanto meu rosto para encará-lo, nervoso.
Sem dizer nada, Jean pega a caixa de anel e a abre, me mostrando duas alianças de prata.
“A-Acho que seria legal, que, uh, começássemos a usar anéis de compromisso.” Ele gagueja, nervoso. “E-Eu... Escolhi esses, que tem um detalhe na borda...”
Com as mãos trêmulas ele pega um dos anéis e levanta minha mão para colocar em meu dedo. Se encaixa perfeitamente.
“Espero que goste.”
Apenas me inclino para frente e o puxo para um abraço.
“Eu adorei.” Suspiro em seu ouvido, e noto que ele respira aliviado com minhas palavras.
“Que bom.” Ele me abraça forte.
Coloco o outro anel em seu dedo e nos olhamos, sorrindo. Um anel assim para marcar o relacionamento deixava tudo mais sério, e eu gostava disso. Provava o quanto estávamos apaixonados um pelo outro, e o quanto estávamos dispostos a enfrentar qualquer coisa para continuarmos juntos.
“Jean...” Murmuro, chamando sua atenção.
“Hm?” Ele me encara.
“Acho que poderíamos marcar esse momento com outra coisa também.”
“E o que é?”
Lentamente me aproximo para beijá-lo lentamente. Jean coloca as mãos sobre minha cintura cuidadosamente e corresponde o beijo, mas logo interrompe.
“Armin...”
“Vamos fazer isso, aqui. Eu estou pronto.”
Gostaria de ter registrado de alguma forma a expressão que Jean faz, nervoso. Mas ele logo descongela, concordando com a cabeça.
“Você quem sabe.” Ele diz, acariciando meu rosto.
“Acho que é o momento certo.”
Nunca havíamos nos tocado e nem feito nada muito intenso, então tomamos o nosso tempo em cada etapa. E tínhamos toda a privacidade que precisávamos e nenhuma pressa, então tudo acontece de forma sutil e delicada. No começo noto que as mãos de Jean tremem ao me tocar, mas eu trato de deixar claro que estava tudo bem e ele logo se acalma. Até fico surpreso com minha própria calma, mas eu confiava muito em Jean e estava crente de que esse era o momento certo. Não havia hesitações.
Devido a toda minha inexperiência e falta de curiosidade com sexo, nunca havia tido um orgasmo, então me assusto um pouco quando enfim me deixo chegar a isso. Ok, não foi tão pouco assim, já que cheguei até a deixar escorrer uma lágrima. Era uma sensação muito diferente, que jamais imaginava que pudesse sentir. Jean vem logo depois de mim, e ficamos nos encarando, um tanto pasmos. Até que ambos desabamos em risadas, que se transformam em lágrimas e tudo fica muito ridículo. Mas estava perfeito, ainda assim.
Jean era o melhor primeiro namorado que eu poderia ter, e eu queria passar por todas etapas possíveis com ele.
~*~
Após a noite maravilhosa, onde dormimos um nos braços do outro, ainda sou surpreendido ao ter Eren me ligando logo pela manhã e gritando no celular "E ai, rolou?". Quase morri de vergonha, até que Jean tomou o aparelho de mim e o xingou. Não sabia que meus amigos sabiam do plano de Jean, mas logo descubro que o combinado era que saíssemos todos juntos hoje. Vamos a uma pizzaria, onde Mikasa coloca velas sobre a pizza e as acende, me obrigando a fazer um pedido.
Ter todos reunidos assim, por minha causa, deixa meu coração aquecido. Saber que gostam de você e de sua companhia é uma das melhores sensações do mundo. Então, o que eu peço é bastante óbvio; queria esses amigos e esse namorado para sempre.
Fale com o autor