Teenage Dream
16 Bônus 03: Mikasa's Teenage Dream
Notas iniciais
Minha mente funciona de forma muito sistemática. Sempre planejo todas minhas atividades para o dia e já prevejo qualquer coisa que possa dar errado, sabendo todas as formas de contornar esses imprevistos. Mesmo que apenas significasse não encontrar uma vaga para estacionar em frente à escola ou separar meu irmão de alguma briga idiota, já que minha vida não era assim tão movimentada.
Mas esse ano tive um imprevisto que sequer passou em minha cabeça acontecer. Tive que formular caminhos em minha mente rapidamente, mas a cada dia acontecia algo diferente que me forçava a tomar decisões rápidas, sendo que sou a pior pessoa para tomar decisões rápidas. Afinal, é por isso que planejo tudo com tanta antecedência. Sou péssima com espontaneidade.
Tudo começou logo no primeiro dia de aula. Costumava conferir secretamente se Eren e Armin haviam entrado em sua sala de aula em segurança antes de seguir para a minha, então sempre chegava quando o professor já estava prestes a entrar. Sento-me ao fundo perto da janela, onde costumava ser meu lugar, e apenas aguardo que a aula começasse.
“Bom dia, alunos, e bem vindos ao último ano de sua vida escolar.” O professor de história nos cumprimenta, sorridente. “Gostaria primeiramente de apresentar uma nova aluna.”
Normalmente ficava sabendo de novos alunos escutando fofocas nos corredores, mas não havia escutado nada esse ano. E creio que nenhum de meus colegas também, já que logo começa um murmurinho curioso e surpreso. Não era comum novos alunos no último ano.
“Annie, pode entrar, por favor.” O professor diz.
Uma garota adentra a sala lentamente, olhando para o chão. Seu cabelo loiro estava preso em um coque, e ela vestia um vestido azul na altura dos joelhos com sandálias. Tento construir mentalmente como seria sua personalidade, já imaginando que seria uma patricinha e se daria bem com as pessoas populares no qual eu não tinha paciência alguma para lidar.
“Se apresente.” O professor instrui, assim que ela para desconfortável ao seu lado.
Ela levanta o rosto, jogando o olhar para o teto. Era tímida? “Sou Annie Leonhardt.”
“E de onde veio?” Ele pergunta, e ela o encara de lado, um tanto incomodada.
“De uma cidade pequena longe daqui. Meu pai se transferiu para cá esse ano.”
“Ok. Seja bem vinda.” O professor enfim termina, e ela respira aliviada. “Pode se sentar. Creio que há um lugar perto da Mikasa lá no fundo.”
Meus olhos se levantam ao ouvir meu nome, e vejo que Annie caminha até o lugar ao meu lado. Logo antes de sentar, seu olhar encontra o meu, e eu desvio rapidamente. Não queria ter sido pega encarando-a, mas não havia visto ainda olhos azuis tão penetrantes quanto os dela.
Ela tira seus pertences de sua mochila florida, e eu observo de lado enquanto ela posiciona seu estojo e um caderno em cima da mesa. O professor começa a escrever um conteúdo no quadro e eu nem me preocupo em copiar, já que costumava estudar pelos livros e não tinha paciência para escrever em meu caderno. Annie pega uma caneta toda decorada com bichinhos de seu estojo e começa a escrever, mas logo nota que a caneta não está funcionando.
“Merda.” Ela xinga baixinho, virando o caderno e rabiscando na ultima folha para fazer com que a caneta funcione.
De nada adianta, e logo noto como ela se põe nervosa por isso. Eu nunca me importava com o que acontecia com as pessoas ao meu redor, então com certeza nem daria a mínima se fosse outra pessoa. Mas penso em sua situação, em como provavelmente era ruim ser uma nova aluna no último ano e ainda ter as coisas dando errado logo no primeiro dia, e fico com um pouco de pena.
“Aqui.” Estendo minha caneta simples para ela, e ela me encara. “Eu nunca copio. Pode ficar.”
Ela hesita um pouco antes de tomar a caneta de minha mão, e noto como suas unhas estavam cuidadosamente pintadas de rosa claro quando ela enfim o faz.
“Obrigada.” Ela murmura, sorrindo de leve.
Acabo por arregalar os olhos e me viro para frente, controlando para não corar. Por que estava me sentindo assim? Às vezes achava que tinha alguma ligação sanguínea com Eren, ele quem costumava ter esse tipo de reação.
Na hora do almoço, pego minha carteira e meu celular e me levanto para ir encontrar Eren e Armin, como de costume. Noto que Annie fica sentada por um tempo, apenas olhando para o nada, e fico curiosa. Será que ela precisava de ajuda com algo? Ninguém havia vindo conversar com ela, e logo a sala estava vazia. Achava que logo um bolo de pessoas se formaria em torno dela, todos curiosos para saber de sua vida, mas não foi o que aconteceu. Creio que no último ano todos já estivessem com seus grupos de amigos e não tivessem interesse em conhecer pessoas novas. Fúteis.
“Ei.” A chamo, e ela levanta o rosto para me encarar. “Precisa de alguma coisa?”
Ela pisca algumas vezes antes de me responder. Ela não era nada expressiva, mas consegui ainda assim perceber como ela estava tímida e insegura no novo ambiente.
“Eu... Tenho que ir à secretaria, mas não lembro onde é.” Ela fala, desviando o olhar.
“Quer um tour pela escola? Posso te deixar lá no fim.” Convido, como já havia planejado que faria. Não sabia exatamente o porquê, mas estava decidida a ajudá-la, se precisasse.
Ela aceita rapidamente, e caminhamos lado a lado pela escola. Ela era bem menor que eu, e bem mais delicada; quase me senti um troglodita ao seu lado. Pelo caminho explico onde eram algumas salas, até que chegamos à secretaria.
“Ok, aqui estamos...” Paro perto a entrada, e ela para o meu lado.
“Obrigada.” Ela diz, em dúvida se sorri ou mantém sua expressão neutra. Achei fofa sua confusão, de certa forma.
Ficamos nos encarando por alguns segundos, até que ela decide se mover e caminhar até a secretaria.
“Se quiser—“ Digo, e ela se vira. “Uh, se quiser companhia no almoço, pode vir almoçar comigo. Estarei lá com meu irmão e um amigo dele.”
Seu olhar muda um pouco, aparentando que ela estava surpresa por meu convite (no qual eu não fazia idéia porque tinha feito).
“Não sei se vai dar tempo hoje, tenho que resolver umas coisas...” Ela diz.
“Tudo bem. Fica o convite para algum outro dia também.”
Assim ela enfim deixa sua expressão se transformar em um sorriso, se despedindo e entrando na secretaria. Por algum motivo eu me pego observando-a até que ela sumisse de minha vista, mas saio dali logo que me dou conta no quão estranho estava agindo.
~*~
Nas aulas da tarde temos um trabalho em duplas e acabo fazendo com Annie, já que ela estava ao meu lado e não tinha ninguém para fazer com ela. Fazemos tudo rapidamente, Annie era bastante inteligente e já tinha tudo na ponta da língua. Ela era uma boa companhia para trabalhos, manteria isso em mente até o fim do ano.
Assim, acabamos conversando no tempo que sobra após terminarmos. Ela me pergunta sobre os clubes da escola, e eu explico vagamente sobre cada um, aproveitando e falando que estava no de Kung Fu.
“Sério?” Ela diz, empolgada de uma forma que chega a me surpreender. “Notei que era forte e fiquei me perguntando se malhava, então agora está explicado.”
“É...” Concordo, sem jeito. “Faço desde o primeiro ano.”
“Você deve ser muito boa. Eu tenho vontade de fazer um dia... Na minha escola antiga não tinha nenhum clube de lutas, então fazia dança.”
“Dança é legal, o clube daqui já ganhou algumas competições.” Comento. “Mas... Se quiser, pode assistir uma aula do Kung Fu hoje. Assim você decide se quer entrar ou não...”
Ela concorda sem hesitar. Seu gosto por Kung Fu me deixa um pouco animada, tínhamos algo em comum. Nunca imaginaria que uma pessoa delicada como ela gostaria de lutar.
Ao fim de nossas aulas, Annie me acompanha até o ginásio e senta em uma arquibancada para assistir o treino. Hora ou outra olho para ela e percebo como ela assiste tudo com atenção, e em uma dessas minhas distrações acabo por ser derrubada por Reiner, no qual lutava no momento. Por algum motivo morro de vergonha disso e dou o meu melhor depois, compensando por meu único erro do dia. Será que era por causa de Annie?
Confesso que a achei uma garota interessante. Não acreditava que avançaria para o mesmo que senti por Sasha dois anos atrás; aquela experiência dura de ser rejeitada, mas eu não devia pensar muito sobre o assunto. Era o último ano, não queria me distrair com essas coisas. Apenas seria gentil com Annie, e talvez fossemos amigas. É, amigas. Talvez eu conseguisse lidar com isso.
~*~
Não sabia se forjava surpresa quando Armin revela para mim que gostava de Jean. Acho que deveria tê-lo feito apenas para não deixá-lo sem graça, mas eu já sabia há muito tempo; talvez desde que ele descobriu seus sentimentos por meu ex-colega de classe irritante. Armin não podia ser mais óbvio, ficando todo encabulado quando eu e Eren falávamos dele, e eu me perguntava se Eren já desconfiava de algo também. Meu irmão era tão lerdo que eu duvidava.
Ele me conta que se ofereceu para ajudar Jean em matemática por impulso, e não fazia idéia do que fazer agora. Estava quase desesperadamente me pedindo ajuda, como se eu fosse alguém muito experiente em relacionamentos e pudesse salvá-lo. Tendo dar umas dicas básicas de coisas que poderia perguntar para saber se Jean sentia o mesmo por ele, mas digo que o principal era tentar se conhecerem melhor e ver se algum interesse nascia dali.
Eren, é claro, quase surta quando Armin o conta que ajudaria seu arquiinimigo. Tento acalmá-lo, mas sabia como ele era difícil com essas coisas. Entretanto, para minha surpresa, na manhã seguinte ele acorda como se tivesse perdido a memória e nem liga mais para o fato. Suspeitava que algo estivesse acontecendo com ele, já que estava agindo um tanto estranho ultimamente. Mais tarde tentaria descobrir.
Porém tudo ficava mais difícil agora que eu tinha Annie. Minha vida escolar se resumia a fazer minhas obrigações e vigiar o Eren, agora, assim que chegava a escola, Annie me encontrava e andávamos juntas. Não que eu estivesse reclamando, eu só não estava acostumada com isso. E creio que nem ela, pois ela mesma continuava meio insegura às vezes. Eu era a única pessoa com quem ela conversava, e ela até comenta que eu era uma das poucas amigas que ela já teve na vida. Fazer amizades era algo estranho.
Tínhamos muito em comum, os mesmos gostos para filmes (exceto por ela gostar de alguns romances que me davam náuseas), as mesmas bandas, os mesmos HQs; e, além disso, o Kung Fu, já que ela decide entrar no clube após assistir aquele treino. Sempre tínhamos algum assunto para comentar com a outra, e logo as conversas passam a fluir mais naturalmente. Era até divertido observar o desenvolver de nossa amizade, porém reparo que estava me distanciando um pouco de Eren e de Armin com isso, chegando a não passar o almoço com eles algumas vezes. Acho que eles entendiam, apesar de tudo.
Um dia desses decido oferecer carona a ela, já que ela sempre pegava o ônibus escolar. Sua casa não ficava muito longe da minha, então até poderíamos tornar isso uma rotina, assim como fazia com Armin.
Logo noto que Eren fica bastante incomodado com Annie sentar ao meu lado e segue o caminho inteiro a encarando. Aquilo me deixa muito brava com ele, mas tento manter o controle e distraí-lo. No fim, o deixo primeiro em casa, e creio que isso tenha o deixado anda mais irritado.
“Desculpa pelo meu irmão.” Murmuro durante o percurso até a casa de Annie.
“Huh?” Ela me encara, curiosa.
“Ele é um pouco difícil às vezes, mas não é uma pessoa ruim.”
“Pensei que ele estivesse com um pouco de ciúmes de você. Afinal, você não costumava andar com ninguém além dele...”
“Sim, talvez seja um pouco disso.” Suspiro.
Annie se ajeita em seu banco e olha a rua pela janela. Viro meu rosto levemente para observá-la, e estranhamente meus olhos caem sobre sua saia, que estava levemente levantada e mostrava mais de sua coxa. Volto meu olhar para a rua mantendo minha melhor expressão neutra.
Logo chegamos de frente a sua casa. Ela morava em uma casa bastante parecida com a minha, porém o jardim da frente estava cuidadosamente adornado com flores e parecia bem mais cuidada. Eu e Eren não tínhamos muita paciência com essas coisas, e como o Tio estava sempre fora, nunca tinha tempo para decoração.
“Está olhando o jardim?” Annie nota minha distração, sorrindo de leve. “Eu quem cuido.”
“Sério?” Não escondo surpresa. “Está lindo.”
“Meus pais custaram a confiar que eu não fizesse uma bagunça com a terra, mas agora amam como ficou.”
“Você tem talento pra essas coisas.” Digo, e ela se vira para me encarar.
“Obrigada.”
Encaramos-nos por alguns segundos, até que ela ri de leve.
“Melhor eu entrar.” Ela abre a porta do carro. “Obrigada pela carona... Até amanhã.”
“Até.”
Observo enquanto ela caminha até a porta, ajeitando a barra de sua saia e jogando a mochila florida sobre um ombro. Antes de entrar, ela se vira e acena de leve. Aceno de volta, e dirijo para casa me sentindo ainda mais estranha do que já estava me sentindo.
~*~
Fico irritada ao saber que Eren estava ficando amigo do novo secretário. Annie havia me contado sobre como ele tinha sido grosso e impaciente com ela em sua matricula, ficando com preguiça de responder todas suas duvidas e tentando a apressar ao máximo apenas para se livrar de sua presença. Pessoas assim me davam náuseas.
Esse assunto com certeza teria ficado em minha cabeça por muito tempo, já que tudo envolvendo Eren me preocupava bastante. Sintoma de irmã mais velha, sim. Mas estranhamente logo me distraio e esqueço quando lembro que Annie e eu havíamos combinado de ir à pré-estréia de Thor 2 no shopping após a aula. Passa por minha cabeça convidar Armin e Eren, mas desisto. Por algum motivo não queria que eles estivessem junto.
“Nossa, já tem fila!” Annie se surpreende ao caminharmos até a entrada de nossa sala. “Queria comprar pipoca...”
“Fique na fila, pode deixar que eu compro um balde grande para nós duas.” Ofereço.
“Mas...” Ela se vira para mim, sem jeito. “Eu gosto de pipoca doce.”
“Por mim pode ser.”
Ela apenas sorri com isso e segue para a fila. Já sabia que ela gostava de coca-cola, então faço nosso pedido e até me empolgo ao pedir junto algumas balas e jujubas.
Por algum motivo passo a me sentir um frio na barriga inesperado quando adentramos a sala escura. Procuramos nossos lugares e nos ajeitamos com os pés sobre as poltronas da frente, e como eu ficaria segurando o balde de pipoca, Annie se debruça perto de mim. A proximidade apenas me dá mais frio na barriga quando fica escuro. Annie parecia tão relaxada, comentando sobre os trailers, enquanto eu apenas murmuro respostas sem pensar muito. Merda, o que minha mente esquisita estava pensando? Estávamos apenas vendo um filme juntas, não era nada de mais para duas amigas.
Ao fim do filme, acabamos por dar uma volta pelas lojas e demoramos muito mais do que eu esperava. Annie me leva a uma loja de roupas e começa a me mostrar roupas que combinariam comigo, chegando a dizer que algumas me deixariam ainda mais atraente. O que ela queria dizer com aquilo? Estava discretamente dizendo que eu era atraente? Caramba, porque era tão difícil entender essas coisas?
Quando chego em casa, sigo direto para o quarto de Eren, decidida a falar com ele sobre o assunto. Ainda estava meio trêmula após o encontro, como se tivesse me dado conta de algo em mim (mas que não estava disposta a aceitar ainda), entretanto meu irmão estava ocupado com alguma coisa mais importante do que eu e não me deu ouvidos. Ele era a única pessoa que eu poderia contar essas coisas, não tinha outra opção. Creio que o jeito fosse esperar.
~*~
Apesar de toda a confusão em minha cabeça, não imaginava que chegaria ao ponto de alguns dias depois. Decidimos ir para meu carro para testar o CD da banda Haim que Annie havia trazido, no qual ela disse que eu com certeza gostaria. Compramos antes algumas balas e salgadinhos e ficamos durante o almoço inteiro relaxadas em meu carro, apenas curtindo as músicas e conversando sobre qualquer coisa.
A letra da música The wire toma minha atenção, então a escuto com cuidado. Sempre mantenha seu coração trancado, nunca deixe sua mente relaxar. Por algum motivo essa letra combinava tanto comigo que me pego rindo suavemente. Annie se vira para mim, com certeza surpreendida.
“O que houve?” Ela sorri, curiosa.
“Essa letra.” Viro-me para ela também. “De certa forma me descreve tão bem.”
“Sério? Também me identifico um pouco.” Ela concorda. “Sempre fui ruim com comunicação, sempre foi o mais difícil para mim.”
“Eu seria uma péssima parceira.” Acabo rindo novamente.
E não estava mentindo. Uma pessoa um tanto fria e séria como eu seria realmente uma péssima companhia. Eu acreditava nisso fielmente.
“Eu namoraria com você se você fosse um cara.”
As palavras de Annie me surpreendem tanto que eu me viro para ela com olhos quase arregalados. Ela me encara calmamente, virada sobre o banco.
O que eu não pretendia é dizer as palavras que escapam de minha boca, nada planejadas, nada pensadas. Creio que tenha sido a primeira vez que fui espontânea.
“Só por isso?” Pergunto simplesmente.
Annie se desencosta do banco, me encarando. Eu havia arruinado tudo, sugerindo algo assim. Agora ela correria de mim como Sasha, quando nem eu tinha ao certo descoberto se me sentia quanto a Annie da mesma forma que me senti com aquela garota.
Mas não, Annie não abre a porta do carro e sai correndo, como eu esperava. Pelo contrario; ela se debruça para perto de mim cautelosamente e segura minha camiseta, me puxando para um beijo. Coloco minhas mãos trêmulas por volta de sua cintura e ela se ajeita em meu colo, cabendo um tanto sem jeito entre mim e a direção. Mas ela não se importa e coloca os braços em torno de meu pescoço, continuando a me beijar, e eu estava em transe.
Beijar garotas era um milhão de vezes melhor do que garotos, é a única certeza que tenho. E Annie batia todas que já beijei.
Quando enfim interrompemos o beijo, Annie me encara, surpresa, e eu sinto minhas bochechas ficarem quentes. Ainda bem que não ficava vermelha como meu irmão, a esse ponto já estaria como uma pimenta.
“Meu deus.” Ela suspira.
“Uh...” Me encolho um pouco, sem jeito.
“Eu nunca havia beijado uma garota.” Ela coloca as mãos sobre a boca.
“E-Eu...” Acabo por franzir minha testa, pensando em uma forma de resolver essa situação.
Entretanto, nem consigo pensar em nada quando ela novamente toma meus lábios com os seus. Ela me beijava com tanta vontade que quase fico sem ar, e acabo por logo me deixar relaxar também. Claro, não conseguiria me deixar segurar por mais muito tempo, vendo o quão nosso beijo encaixava perfeitamente.
O nosso amasso logo se torna mais intenso, e acabo soltando o cabelo de Annie sem querer. Fico hipnotizada ao ver suas longas madeixas douradas sobre seus ombros, o que a faz rir.
“Use sempre solto.” A peço.
“Talvez.” Ela brinca, se inclinando para me beijar novamente.
Quando desabotôo o primeiro botão de sua blusa, após beijar seu pescoço, ouvimos o sinal da escola. Annie toma um susto e acaba dando uma cotovelada na buzina, causando um barulho altíssimo que por sorte foi camuflado pelo sinal. Nós nos encaramos e rimos.
“Melhor irmos pra aula.” Ela diz, fechando o botão e voltando para o banco do passageiro.
“Uhum.” Concordo, ajeitando meu cabelo.
Observo enquanto ela amarra seu cabelo em um coque novamente, um tanto decepcionada.
“Na próxima soltarei de novo.” Ela diz, provocativa, e abre a porta do carro. “Vamos?”
Tenho dificuldades em prestar atenção na aula, pensando quando seria essa próxima vez.
~*~
Começos são engraçados. Já disse como o começo de nossa amizade foi um tanto interessante, observando como lentamente nos tornamos mais acostumadas uma com a outra e conseguíamos relaxar. Mas o começo de um relacionamento amoroso era outra coisa.
Conversamos por mensagens no celular após a aula sobre o que houve, aproveitando para descobrirmos mais uma sobre a outra. Annie já havia tido um namorado, e isso me deixa um tanto nervosa. Eu nunca havia tido um relacionamento sério, e nem sabia se eu era uma pessoa apta a alguma coisa dessas. Pelo menos não estávamos nesse ponto ainda, eu teria tempo para me acostumar se um dia chegássemos lá.
Conto a Annie que só havia ficado com algumas pessoas em algumas festas e boates, mas nada de mais. Ela fica com um tanto de pena de mim quando conto sobre Sasha, mas ela brinca dizendo que Sasha quem saiu perdendo.
O que me preocupa, entretanto, é que Annie diz que nunca havia pensado em ficar com outra garota. Até o momento, ela era hétero sem nenhuma dúvida sobre o assunto. E a forma como ela estava falando comigo sobre termos ficado, de forma tão despreocupada, apenas me confirma que ela apenas nos via como um experimento.
Tento ignorar que isso doía um pouco e continuo levando tudo tranquilamente. No dia seguinte, ficamos trocando olhares durante as aulas, dando risadinhas, e isso me deixa bastante confusa.
No almoço, ela sugere que fossemos ao meu carro novamente, e eu quase gaguejo antes de aceitar. Entretanto, para minha "alegria", quando eu e Annie estávamos calmamente caminhando até lá e passamos em frente à biblioteca, avisto meu irmão brigando de socos com Jean e corro até eles para separá-los. Armin estava trêmulo tentando pedir que eles parassem, e logo começo a suspeitar o motivo dessa briga. Pouco depois alguém vem para levar Eren e Jean para a secretaria, porém não me deixam ficar com meu irmão, já que eu parecia mais nervosa do que os dois juntos. Coisas com ele sempre me deixavam aflita; porque ele tinha que ser tão idiota?
Acabo por voltar sozinha para a biblioteca, encontrando Annie tentando acalmar Armin em uma das mesas. Ele nos explica o que aconteceu; Eren havia os visto se beijando e surtou, já partindo para bater em Jean sem ao menos escutar alguma explicação.
“Creio que não seja bom vocês fazerem isso na escola...” Sugiro.
“Mas estávamos escondidos em um corredor. Ninguém ia ver.” Armin explica, ainda tenso. “Justo o Eren tinha que nos encontrar...”
Acabamos ficando durante o almoço inteiro fazendo companhia para Armin, além de esperar o resultado do que aconteceria com Eren e Jean. Os dois levam suspensão, como eu imaginava, e o Tio tem que vir buscar Eren mais cedo para conversar com o diretor. Se eles fossem menos explosivos...
Assim que o sinal bate e seguimos para nossas salas, Annie comenta na frente de Armin, em um tom sugestivo, que teríamos que deixar o carro para outro dia, brincando. Se fosse na frente de meu irmão eu nem teria me incomodado, já que ele mal notava as coisas, mas logo percebo que Armin me olha, suspeito. Com certeza ele me perguntaria sobre isso mais tarde.
~*~
Meu irmão e Armin conversam e tudo fica bem entre eles. Até me surpreendo com Eren afirmando que tentaria ser civilizado com Jean de agora em diante; isso era algo quase imaginável para mim.
E, como eu já esperava, logo que tem a oportunidade, Armin me pergunta sobre Annie e eu. Não estava ainda à vontade para falar sobre isso, mas o conto sobre estarmos indo ao meu carro na hora do almoço para ficar um tempo juntas a sós. O peço que não conte ao Eren, eu iria contá-lo com calma mais tarde – principalmente quando eu organizasse e entendesse o que realmente estava acontecendo entre nós duas.
Aquela primeira vez no carro não foi nada. A partir da segunda, tudo se torna mais intenso, como se estivéssemos o tempo todo ansiosas para aquele breve momento e devêssemos aproveitar o máximo possível. Apenas colocávamos alguma música para tocar e nos beijávamos, mal conversávamos mais. E depois agíamos naturalmente de volta a escola, conversando como se fossemos amigas. Era tudo muito confuso para mim.
E meu coração quase para de bater em meu peito quando Annie me convida para dormir em sua casa após a excursão de nossa turma para um museu. Fico um tempo pensando se deveria aceitar ou não, mas no fim concordo, o que me deixa nervosa pelo resto do dia. Annie mora com seus pais, não era como se fossemos fazer qualquer coisa... na verdade, o que tínhamos que fazer é conversar seriamente sobre nosso relacionamento, coisa que não tínhamos feito até então.
Sentia quase como se nós tivéssemos dois relacionamentos separados, e não conversávamos um sobre o outro. Será que ela realmente me via como apenas uma experiência?
A excursão é um tanto longa e cansativa. Eu e Annie andamos lado a lado o tempo todo, mas acredito que nenhuma de nós estava prestando atenção nas explicações do professor.
Antes de irmos embora, Annie fica com sede e eu a acompanho até o bebedouro. O jato vem tão forte quando ela aperta o botão que acaba por molhar sua blusa, deixando o branco transparente e assim revelando um pouco de seu sutiã rosa rendado.
“Droga.” Ela reclama, tentando torcer a parte molhada da blusa. “O que eu faço?”
“Uh.” Gaguejo, ainda a observando, até que tomo a iniciativa de tirar a camisa de flanela que vestia por cima de minha camiseta. “Vista isso.”
Ela me encara, meio sem jeito, e toma a camisa de minha mão. Havia ficado um tanto grande nela, mas, de certa forma, gostava mais de como ela ficava nela do que em mim. Mesmo que nossos estilos sejam um tanto diferentes...
“Obrigada.” Ela murmura. “Vamos pro ônibus?”
O trajeto do ônibus de excursão até a escola e, depois, do ônibus escolar até a casa de Annie, é feito em quase completo silencio entre nós duas. Annie coloca música em seu celular e dividimos um fone de ouvido escutando, algo que mascarou de certa forma meu nervosismo. Não sabia se ela estava nervosa também, às vezes ela era tão difícil de ler que eu ficava sem saber.
Chegando a casa de Annie, cumprimento educadamente seus pais, que estavam preparando o jantar, e subo com ela para seu quarto. Ela fecha a porta atrás de nós e sugere que eu sente em sua cama enquanto ela se troca, já desabotoando a minha camisa. Esforço-me ao máximo para manter minha expressão neutra e me sento em sua cama. Annie abre seu armário e pega uma camiseta qualquer, e, ao contrário do que imaginava, ela retira sua blusa molhada ali mesmo.
Viro o rosto, envergonhada, mas logo espio discretamente. Ela estava fazendo isso de propósito ou apenas interpretou que estaria tudo bem em se trocar na minha frente, já que éramos duas garotas? Vejo suas costas pequenas e delicadas e fico trêmula. Seu sutiã parecia do tamanho perfeito para ela, e eu imagino como seria vê-la de frente com ele. Mas ela logo veste a camiseta e se vira para mim, e eu viro o rosto rapidamente para disfarçar.
“Você estava olhando?” Ela pergunta, meio curiosa, mas acaba rindo ao fim.
“Annie...” Respiro fundo, tentando mudar de assunto. “Acho que precisamos conversar.”
Seu riso cessa instantaneamente, e ela fecha a porta do armário. Eu havia planejado conversar com ela nessa oportunidade, só não esperava que jogasse o assunto dessa forma. Creio que cheguei a surpreendê-la.
“Desculpa por ser tão de repente.” Murmuro, e ela caminha até mim.
“Tudo bem.” Ela senta ao meu lado na cama, olhando para o chão. “Sobre o que quer conversar?”
“Uh...” A encaro, arqueando uma sobrancelha. “Você não acha que temos que conversar?”
“Bom...” Ela pende a cabeça para o lado. “Não é como se estivéssemos fazendo nada sério...”
Nada sério? Ela havia realmente me dito isso?
“Você não está levando nada disso a sério?” A encaro, desapontada.
“Não é isso, Mikasa...” Ela suspira.
“Então me explique, por favor.”
“Não há o que explicar. Nós só nos tornamos ficantes, é isso.”
A forma simples que ela trata o que estava acontecendo entre nós me deixa dividida. Não era assim tão simples para mim.
“Você...” Começo, e ela levanta o rosto. “É só isso o que pensa?”
“O que quer que eu pense? Foi do nada que começamos, e eu tenho gostado até então. Nunca pensei que um dia fosse gostar de beijar uma amiga...”
“Você realmente só me vê como uma experiência, né?” Acabo soltando, e seus olhos se arregalam.
“Como assim?”
“Você é hétero, Annie.” Suspiro. De repente sinto que queria ir embora. “Amigas. É isso que você pensa sobre nós. Somos apenas amigas.”
Annie vira o rosto para o lado e suas sobrancelhas se franzem.
“Talvez eu não seja hétero.” Ela murmura. “Não sei, nunca pensei sobre isso antes. Estou confusa.”
“O que eu sou pra você?”
Ela volta a me encarar, pensativa.
“Eu não sei. Você... Você é minha amiga, mas...”
Antes que ela termine suas palavras, ela se debruça para me beijar. Eu não deveria corresponder, mas acabo me deixando levar.
“Annie...” Interrompo em certo ponto, tentando voltar ao assunto. “É sério.”
“Mikasa, apenas deixe rolar. Não pense tanto.” Ela balança a cabeça, um tanto irritada.
“Eu sou lésbica, Annie. Então não, não tem como eu simplesmente deixar rolar. Não agüento mais ficar me perguntando toda noite antes de dormir se está apenas brincando comigo ou estamos tendo algo sério.”
Acabo por fazer Annie se levantar e se afastar de mim, em silêncio. Antes que eu abrisse a boca para falar novamente, sua mãe bate na porta e nos chama para ir jantar, e ela me chama para ir com ela. Tenho que forjar uma expressão calma durante todo o jantar, enquanto escuto conversas de seus pais nos perguntando sobre a excursão e a escola no geral.
Me pego pensando que talvez eu devesse ir embora, dormir aqui não era uma boa idéia depois do que disse. Assim até daria a Annie mais um tempo para pensar, se ela precisasse. Quando retornamos ao seu quarto, Annie fecha a porta e, antes que eu anunciasse que era melhor eu ir embora, ela vem até mim e me empurra contra a parede.
“Eu gosto de você, ok?” Ela murmura, olhando para o chão. “Mas eu não sei explicar o que sinto. Talvez seja mais do que amizade, às vezes me pergunto se estou confundindo as coisas... eu não sei. Eu só sei que gosto de ter você por perto, e gosto do que temos.”
Fico em silencio por alguns segundos, digerindo suas palavras.
“É normal ficar confusa, eu entendo isso.” A digo, colocando as mãos em seus braços e fazendo que ela olhe para mim. “Mas eu preciso saber o que vai ser disso.”
“Você gosta de mim?” Ela me pergunta, seus olhos azuis me encarando. “Digo... Não apenas como amiga.”
Era difícil ser encurralada dessa forma, quando eu mesma estava quase tão confusa quanto ela. Mas eu deveria aceitar o que sentia.
“Sim.”
“Desculpa, me sinto péssima agora.” Ela balança a cabeça. “Sinto como se eu estivesse te enrolando com minha confusão.”
“Não se preocupe, eu mesma estava confusa até pouco tempo.” Tento acalmá-la.
Assim, Annie se põe na ponta dos pés para me beijar, e eu seguro sua cintura. Tento apagar as confusões de minha mente por um instante e foco no momento, em como ela me beija com vontade, como ela me abraça forte logo depois.
Antes de dormir, Annie checa se a porta está trancada e sugere que eu durma na cama com ela. Ela, depois, apaga as luzes e nos deitamos juntas, e ela me abraça de lado. Não conseguia imaginar que conseguiria dormir, mas me forço a fechar os olhos e rezo para que logo o sono venha.
~*~
Tenho uma noite péssima e mal prego o olho por alguns minutos. Os pais de Annie saem logo cedo no dia seguinte para o trabalho, então descemos e tomamos café-da-manhã sozinhas. Por algum motivo fico um tanto nervosa por estarmos somente as duas em sua casa daquela forma. Annie agia naturalmente, me perguntando o que eu gostaria de comer e inventando assuntos aleatórios para conversar, mas eu mal estava me concentrando em suas palavras.
“O que foi, Mikasa?” Ela me pergunta, em certo momento, e eu quase dou um pulo.
“Uh, nada.” Balanço a cabeça. “Que horas o ônibus da escola passa?”
“Temos quase uma hora ainda. É com isso que está preocupada?”
“É...” Minto.
“Eu sei o horário, não se preocupe. Não vamos nos atrasar.”
Inspiro fundo e tento me acalmar, não fazia sentido me sentir daquela forma. Subimos de volta a seu quarto e Annie começa a me mostrar suas roupas, perguntando qual deveria vestir para a escola.
“Acho que você gosta dessa saia, não gosta?” Ela me mostra uma saia branca rendada, e eu engulo seco.
“Bom...” Tento não gaguejar. “Ela é um tanto curta.”
“Sim, por isso não gosto de usá-la na escola...” Ela a olha. “Mas ela fica tão bem com minha camiseta do Batman, não acha?”
Realmente era uma combinação perfeita. A camiseta, um tanto larga e caída de um ombro só, caia muito bem com sua saia curta e all star. Creio que ela havia notado que eu gosto quando ela se veste de forma mais despojada.
“Sim, acho que combina.” Concordo.
“Ah, mas você gosta dessa blusa também.” Ela encontra outra blusa no armário, uma florida – e um tanto decotada – de botões. “Como quer que eu me vista?”
“Tanto faz, Annie...” A digo, em tom incerto. “Você fica bem em qualquer roupa.”
“Mas quero saber as suas favoritas em mim.”
Nesse momento noto que ela aparentemente tentava me provocar, mas eu ignoro e ajo como normalmente. Eu não era boa nessas situações.
“Uhm, apenas escolha as que se sinta mais confortável.” Digo, pegando minha mochila.
Tento me distrair e pego a camiseta extra que havia trazido. Como eu sempre usava um top, já me troco rapidamente ali mesmo.
“Nossa.” Annie me olha, quando eu terminava de vestir minha outra camiseta.
“O que?” Viro-me para ela, surpresa.
“Sua barriga. Uau.” Ela solta suas roupas e se aproxima de mim, na cama. “Deixa eu ver de novo?”
Mesmo um tanto encabulada, levanto minha camiseta novamente para que ela veja.
“Você tem um tanquinho mais definido do que qualquer cara que já vi.” Ela diz, ainda me olhando.
“Obrigada.” Desço a blusa, controlando-me para não ficar vermelha.
“Você é tão forte...” Ela senta ao meu lado, pegando em meu braço. “Lembro quando segurou o Eren com tanta facilidade após a briga com o Jean.”
“É... O treino ajuda muito, e eu ainda refaço os exercícios em casa.”
“Você é viciada?” Ela ri.
“Talvez um pouco. Mas não com meu corpo, apenas gosto de ser forte.”
“Hm.” Ela senta mais perto. “Queria que me pegasse de jeito qualquer dia desses. Às vezes sinto que eu que sempre tomo a iniciativa...”
Engulo seco. Sim, Annie era quem sempre começava os beijos e ela sempre acabava em meu colo quando ficávamos, eu era muito sem jeito para movê-la como eu bem quisesse. O máximo que conseguia fazer era envolvê-la com meus braços mesmo.
“Ei.” Ela chama minha atenção, e eu a encaro. “Vem cá.”
Ela me puxa para um beijo, e eu correspondo lentamente. Enquanto nos beijamos, ela solta seu cabelo, fazendo-me interromper apenas para poder vê-la.
“Porque usa preso?” A pergunto.
“Ele dá muitos nós.” Ela o ajeita sobre os ombros. “Mas por você o deixo solto.”
Assim, nos beijamos novamente e ela me puxa para deitar ao seu lado. Ela mantém seu corpo contra o meu e passa sua mão por trás de meu pescoço para me beijar novamente, e eu começo a relaxar e gostar muito de nossa posição. Levanto sua blusa de leve e acaricio o contorno de seu corpo, subindo minhas mãos suavemente até o ponto que costumava, nem um centímetro a mais. A curva de sua cintura fina era tão perfeita... E tão diferente da minha. Eu sou quase um quadrado. Inclusive Annie tem seios muito mais avantajados que os meus; na verdade, eu nem gostava dos meus, por isso usava tops apertados para escondê-los.
“Mikasa...” Annie murmura em certo momento, interrompendo nossos beijos.
“O que foi?” A encaro, ajeitando seu cabelo por trás da orelha.
Ela repentinamente se senta e se vira para mim, fazendo com que eu me levante um pouco apoiada em meus cotovelos. Assim, ela começa a subir sua blusa lentamente, me deixando paralisada.
“Quer que eu tire?” Ela provoca, subindo até a metade de sua barriga. Ah, seu piercing no umbigo, como eu achava aquilo sexy...
“Uh...” Creio que esse resmungo era o que mais saia de minha boca, em todas as situações.
Antes que eu formulasse qualquer resposta, Annie tira a blusa por cima de sua cabeça e a joga para o lado. Meus olhos caem instantaneamente sobre seus seios, apertados juntos por aquele sutiã de bojo, e minhas bochechas ardem de vergonha.
“Não vai fazer nada?” Ela pergunta, provocativa.
Eu nem penso mais nada e apenas me sento rapidamente, puxando-a para meu colo e a beijando intensamente. Ela corresponde sorrindo de leve, enquanto se ajeita em meu colo.
“Tira a blusa também.” Ela puxa a beirada de minha camiseta.
Concordo, meio nervosa, e a tiro rapidamente, a jogando sobre a cama. Continuamos a nos beijar, ela coloca os braços ao redor de meu pescoço e eu passo minhas mãos por suas costas, sentindo seu corpo magro e delicado em meus dedos.
Quando vou ajeitar seu cabelo para poder beijar seu pescoço, acabo fazendo uma das alças de seu sutiã caírem. Fico um tanto sem jeito e a subo novamente, envergonhada.
“Porque não o tira?” Ela murmura, e eu a encaro, com olhos arregalados.
Nem consigo formular alguma resposta, o que a faz rir. Assim, ela pega minha mão e a move para a alça novamente, a fazendo descer sobre seu ombro. Engulo seco.
“Vamos, tire.” Ela instrui.
Timidamente eu levanto a mão para descer a alça de seu outro ombro. Assim, ela se ajeita mais perto em meu colo, se esticando para que eu ficasse a altura de seu tórax. A olho com uma expressão nervosa e ela ri novamente, mordendo o lábio inferior. Eu nunca havia feito isso antes, sequer havia encostado nos seios de outra garota. Ela provavelmente estava achando graça de meu nervosismo, aposto que seu namorado antigo tinha muito mais iniciativa do que eu.
Venço meu nervosismo e beijo seu pescoço, descendo lentamente sobre seu peito. Sua respiração se torna mais pesada quando mais eu me aproximo de seus seios, e minha lentidão inclusive a deixa um tanto ansiosa. Decido por acelerar um pouco e desço o bojo de seu sutiã para poder lamber seu mamilo, o que a faz gemer alto. Chego a me arrepiar com seu gemido, então continuo, subindo minha mão para seu outro seio para apertá-lo.
Ela era muito sensível nessa região, cada vez que brincava com a ponta de seu mamilo eu a deixava mais louca.
“Mikasa...” Ela geme em certo momento, chamando minha atenção. “E-Eu—“
Ela não consegue terminar a frase e apenas pega uma de minhas mãos, a guiando para baixo de sua saia. Arregalo os olhos mais uma vez.
“Annie—“
“Só me toca, por favor.” Ela pede, em um tom completamente sedutor, e me beija.
“Eu nunca fiz isso.” A digo, nervosa. “E-Eu... Não quero te machucar.”
“Você já se tocou?” Ela pergunta, e eu engulo seco. “Apenas faça o mesmo comigo.”
Certo. Já havia me tocado algumas vezes, porém nunca havia inserido algum dedo em mim mesma. Creio que tinha uma certa gastura disso. Entretanto, deslizo minha mão até sua calcinha, por baixo de sua saia, e a desço lentamente. Tudo em minha mente era “não faça nenhuma bobagem” e “não a arranhe sem querer”, então sou bem lenta e calma com meus movimentos. Pelo menos minhas unhas estavam curtas.
Massageio suavemente seu clitóris enquanto retorno a beijar seu pescoço. Ela suspira em aprovação, movendo seus quadris lentamente em resposta ao meu estimulo. Logo ela começa a ofegar e guia minha mão até um ponto certo, e eu continuo movendo em cima daquele ponto.
“Ah, não para.” Ela geme em meu ouvido, agarrada em meu pescoço.
Logo depois ela geme um pouco mais alto, e, em dúvida se ela teve um orgasmo ou não, ainda movo meus dedos lentamente.
“Já deu, Mikasa.” Ela tira minha mão, rindo.
“Ah.” Fico encabulada, e sigo para subir sua calcinha novamente.
Ela fica respirando pesado em meus braços por alguns minutos, e eu apenas massageio suas costas enquanto ela relaxa, ainda um tanto embasbacada pelo que havia acabado de fazer.
“Bom.” Ela levanta o rosto e me encara, já recuperada. “Você é boa nisso.”
“Obrigada?” Respondo, sem jeito.
“Acho que agora é sua vez.”
Suas palavras quase me dão um troço.
“N-Não precisa, Annie...” Fico envergonhada.
“Claro que precisa.”
Antes que eu tentasse impedir, ela me joga contra o colchão e ajeita seu sutiã. Logo depois, ela se deita sobre mim e me beija, fazendo com que eu a envolva com meus braços trêmulos. Ela segue para minha orelha e morde o lóbulo, me fazendo conter um gemido.
“A-Annie...”
“Relaxa, Mikasa. Deixa comigo agora.”
Engulo seco e fecho os olhos. Ela desce para meu pescoço e morde tão forte que creio que havia deixado uma marca. Eu devia achar aquilo ruim, mas apenas acho muito excitante. Em seguida ela beija o local e continua descendo até meu top.
“A-Ai não, Annie...” Digo, enquanto ela beija o entorno do tecido.
“Por quê?” Ela levanta o rosto lentamente, curiosa.
“E-Eu...” Escondo meu rosto com meu braço. “Tenho vergonha dos meus seios.”
“Por quê?” Ela pergunta novamente. “Eu gosto deles. Cabem em minha mão.”
Viro o rosto, sem jeito, e Annie continua brincando, agora com a alça de meu top.
“Annie...”
Assim, ela sobe de volta ao meu rosto, me beijando lentamente.
“Não tenha vergonha de mim. Eu amo seu corpo.”
“Eu não sou nada delicada como você.” Suspiro.
“E é disso que gosto.” Ela me beija novamente. “Relaxa.”
Seus beijos me distraem de sua mão, que lentamente sobe meu top para apertar meu seio. Acabo gemendo com o toque, e ela passa o dedo em meu mamilo de forma parecida com a que fiz. Isso era bom.
“Gosta?” Ela pergunta, e eu balanço a cabeça fracamente.
Assim, ela desce uma de suas mãos até a beirada de minha calça.
“Annie—“
Ela continua, abrindo meu zíper e descendo minha calcinha. Queria morrer de vergonha. Ao contrario de Annie, eu mal me preocupava com depilação, então só a fazia quando ia ao clube. Seria relaxada com minhas pernas também, mas tive que pegar o costume de depilar porque usava bermudas no Kung Fu. Essas obrigações femininas são um saco.
Entretanto, ela nem parece se preocupar e apenas procura o ponto certo para massagear, enquanto continua me beijando. Acabo por mover sua mão um pouco, a indicando o ponto certo, e me deixo envolver por seus movimentos. Seus dedos delicados me tocando eram perfeitos, simplesmente. Ela percebe facilmente quando chego ao orgasmo, beijando meu rosto e se acomodando em meu peito.
“Nossa.” Suspiro fundo, me recuperando.
“Seu coração está acelerado.” Ela ri de leve, escutando em meu peito.
“Culpa sua.” Rio junto.
Nos giro na cama e a envolvo com meus braços. Annie me beija lentamente e ficamos ali assim por um tempo, apenas curtindo a proximidade de nossos corpos. Até que me dou conta de uma coisa muito importante.
“O ônibus!” Sento rapidamente na cama, procurando um relógio.
“Ops.” Ela se senta ao meu lado, pegando seu celular da cômoda. “Acho que já era.”
Jogo meu corpo sobre o colchão novamente, frustrada.
“Porque não matamos aula simplesmente?” Ela sugere, deitando sobre mim novamente. “Acho que não temos nada importante hoje...”
“Não gosto de perder aula assim.” Reclamo, mas logo estalo a língua. “Desculpe, estou sendo idiota.”
“Não está, também me preocupo com as aulas.” Ela se acomoda em meu peito. “Mas podemos fazer isso apenas hoje. Meus pais não voltam até de tarde, então... podemos ficar um pouco juntas.”
A ideia não me desagrada, apesar de estar ainda um tanto preocupada. Pouco tempo depois recebo uma mensagem preocupada de Eren, e eu o explico que não iria hoje mesmo. Eu e Annie passamos o dia inteiro na cama, nos beijando, nos tocando, aprendendo cada detalhe e cada ponto que poderíamos estimular. Eu custo a relaxar, mas, depois de um tempo, me pego até tomando a iniciativa para tocá-la, o que a anima imensamente. Talvez eu estivesse apenas tímida por minha inexperiência.
Volto para casa pouco antes de seus pais chegarem. Tento ser o mais discreta possível, já que agora tinha alguns chupões para esconder em meu pescoço – e Annie também teria que se virar com os que fiz nela em vingança – mas Eren me para no meio da escada para perguntar se eu ia jantar. Noto que ele se assustou com minha cara, que provavelmente estava péssima, mas apenas o dispenso rapidamente e subo para me esconder em meu quarto.
Tomo um banho, visto roupas limpas, e me jogo em minha cama, cansada. Envio uma mensagem para Annie em seu celular, e conversamos um pouco até que eu dormisse. Queria dormir com ela novamente.
~*~
Depois da tarde em sua casa, nosso relacionamento ficou muito mais claro, de certa forma. Sentíamos saudade constante uma da outra e trocávamos mensagens todas as noites dizendo o quanto desejávamos estar uma com a outra. Na escola, andávamos de mãos dadas, conversávamos mais próximas, ajudávamos uma a outra... Sentia como se nós fossemos enfim um casal. E Annie sentia o mesmo.
Em uma das vezes que vamos ao meu carro no intervalo retomo o assunto sobre nós, mas de uma forma bem mais tranqüila do que da ultima vez.
“Mikasa, você sabe que desde o inicio eu gostava de você de outra forma, por isso te beijei naquela vez, no carro.” Ela diz.
“Então porque hesitou tanto quando te perguntei depois, em sua casa?”
“Fiquei nervosa, você me pegou desprevenida... e é difícil assumir essas coisas assim, na lata. Mas eu já sabia que me sentia atraída por você de outra forma.”
Acabo por sorrir e a puxo para um beijo. E, nessa tarde, começamos a namorar.
Namoro, uma idéia que antes me soava tão distante e estranha, mas que agora parecia tão natural que não me assustava mais.
Nós ficaríamos bem.
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