Teenage Dream
2 Something's Coming
Notas iniciais
- Qualé, Kurt! Abaixa esse som!
Finn esmurrava a porta do quarto do irmão, com seu costumeiro mau-humor matinal – costumeiro, porém dessa vez justificável: então se arrumava, Kurt ouvia e cantava a trilha sonora de Wicked em alto e bom som; tudo isso às oito da manhã.
Burt, lendo seu jornal na mesa da cozinha enquanto sua mulher lhe servia ovos mexidos, resolve apoiar o mais velho:
- Ele tem razão, filho! Acelera aí, ou vai se atrasar pra escola!
- Tá bem, tá bem! – gritou o garoto de dentro de seu quarto, saindo pouco depois completamente arrumado. Vestia o mesmo casaco que usara na primeira vez que ele e Blaine saíram juntos. Não era um dia qualquer, afinal!
- O Finn ainda tá de pijama e EU vou me atrasar pra escola? – comentou com sarcasmo, ao ver o irmão no pijama de sempre. “Como diabos alguém vive com um pijama só?”, perguntava-se em pensamento.
- Bom dia pra você também! – cumprimentou Burt, fazendo-lhe sinal para que se sentasse.
- É porque eu me arrumo em dois minutos! – disse Finn, enquanto acabava de comer seu cereal e levantava-se da mesa. – E não duas horas...
Apesar da aparente rispidez, essas trocas de farpas entre os dois eram um bom sinal: estavam, enfim, agindo como verdadeiros irmãos. Ambos sabiam bem disso, e por isso mais se divertiam com a situação do que se ofendiam.
- Quanto amor fraternal nessa casa! – exclamou Carole, de forma brincalhona. – Aqui Kurt, fiz as torradas francesas que você tanto gosta!
- Ah, é mesmo! – lembrou Burt. – Hoje é a entrevista, não é, filho? Nervoso?
- Obrigado, Carole! Só um pouquinho, pai... – respondeu Kurt, visivelmente animado.
- Vai querer carona hoje, Kurt? – perguntou Finn, já pronto e saindo de casa. “Como ele consegue?”, pensou Kurt, espantado.
- Não precisa! Hoje é quinta, vou levar o Blaine... – respondeu, sorrindo ao se lembrar do namorado — Ele já deve estar chegando!
- Ele vai com você? – perguntou Burt, em seu melhor tom paternal. Sabia que Blaine era um bom garoto, mas devia manter a postura protetora que sempre tivera.
- Provavelmente... – respondeu Kurt. — Isso te incomoda?
- Só se você chegar tarde em casa! Não pense que eu me esqueci de terça passada, você ainda não me-
Salvo pelo gongo! Ao ouvir o toque da campainha, Kurt rapidamente se levantou para atender a porta. Era seu herói salvando-o mais uma vez!
- Bom, eu já vou indo então! Depois nos falamos melhor! – disse, enquanto pegava sua bolsa e a chave do carro. – Tchau gente! – despediu-se, abrindo a porta e saindo da casa.
- Bom dia, pessoal! – cumprimentou Blaine, acenando para os outros antes que Kurt fechasse a porta. Aproximou-se do namorado, beijando-lhe brevemente. – Bom dia, amor.
- Bom dia! Recebeu minha mensagem ontem? – perguntou Kurt, pegando as mãos de Blaine, animado.
- Recebi sim, sobre a entrevista da NYADA! – respondeu o moreno, com igual animação. – Não sabia que isso fazia parte do processo seletivo...
- Pois é, é uma novidade desse ano! – comentou Kurt, entrando no carro. – Você vem comigo?
- Claro que sim! – respondeu Blaine, como se fosse óbvio, pondo o sinto de segurança. – Se eu não estiver por perto pra te acalmar, é capaz de você ter um ataque!
- Engraçadinho! – disse Kurt, enquanto saía da garagem. – Ainda bem que você vai... – olhou para o namorado. Estava especialmente encantador, com um colete preto e camisa branca, sem gravatas borboletas.
- Vai dar tudo certo. – disse Blaine, pegando-lhe a mão enquanto o sinal estava fechado. – Ei, essa é a jaqueta do nosso primeiro encontro?
- É sim! Sabia que você ia lembrar! – respondeu Kurt, encantado.
- Aí está uma vantagem de ter um namorado gay! – brincou Blaine, piscando.
Ao chegarem ao estacionamento da escola, pondo depois de ocuparem uma vaga, tem o carro cercado membros do time de futebol do McKingley High, que começam a arremessar ovos e farinha no veículo. Felizmente, os vidros estavam fechados...
- E aí, bichinhas!
- Vocês não têm um vestido pra tricotar?
- Voltem pra casa, boiolas!
Afastaram-se, em meio a gritos e risadas escandalosas. Vários estudantes assistiram à cena, apáticos. Kurt tremia de raiva.
- Por que eles não deixam a gente em paz?- exclamou, ressentido.
- Isso não vai ficar assim. – disse Blaine, furioso. — Não mesmo. – e tirou o cinto de segurança.
- Espera, aonde você vai? – perguntou Kurt, segurando o namorado.
- Vou atrás deles! — respondeu, afastando as mãos de Kurt. — Bando de covardes!
- Não, Blaine, por favor! — suplicou, exaltado. – Não quero que você se machuque! Não faça meu dia ficar pior...
A última sentença acalmou o moreno, que respirou fundo em seguida.
- Desculpa, você tem razão... – disse, virando-se para Kurt. – Mas eles não têm esse direito!
- Sei que não... Estou tão bravo quanto você! – disse Kurt, acariciando o rosto de Blaine, a fim de acalmá-lo. – Mas nosso dia começou tão bem... Não vamos deixar que esses primatas o estraguem!
- Verdade... – concordou, retribuindo o carinho. – Só precisamos um do outro.
Aproximou-se para beijar Kurt, mas um grito os interrompeu:
- Gente, vocês estão bem? O que aconteceu aqui?
Rachel se aproximava do carro, atônita – sequer percebeu estar interrompendo algo. Suspirando, ambos saíram do carro e foram ao seu encontro. Blaine explicou:
- O de sempre... Só uns caras idiotas que não suportam a felicidade alheia.
- Vocês deviam falar com o diretor Figgins sobre isso! — disse Rachel, visivelmente preocupada. — Já faz três semanas desde que eles recomeçaram com essa implicância!
- Não funcionou muito bem da última vez, não é? – respondeu Kurt, resignado. – E hoje é um dia importante demais pra ficarmos pensando nisso...
- Siiim! – exclamou a garota, ansiosa. – Eu estou PIRANDO! Fiquei treinando minhas respostas até duas da manhã!
- Mas você não sabe o que vão perguntar... – apontou Blaine, confuso.
- Não deixa de ser um bom treino! – sorriu, inabalável. – E você, Kurt, como se sente?
- Até agora, estou apenas empolgado! – disse, sorrindo. – O Finn vai te levar até lá? Se precisar de carona...
A verdade era que Kurt estava um tanto confiante – ainda que não tivesse conseguido os créditos em atividades extracurriculares, era mais carismático que Rachel. De fato, seria consideravelmente popular se seus colegas não fossem tão conservadores. Como não teria esse problema em NYADA, via nessa entrevista a sua chance de se destacar.
- Ah, não precisa, ele vai levar sim! – respondeu Rachel, agradecida. — A treinadora Beiste o chamou para uma conversa agora... – completou, justificando a ausência do namorado.
Continuaram a conversa em direção à escola. Encontram Finn no meio do caminho, e Rachel vai a seu encontro. Ao perceber que a garota já está longe, Blaine se vira para o namorado:
- Não precisa ficar nervoso. Provavelmente era só um blefe...
- Não estou! – disse Kurt. — E eu espero que ela se saia bem também! Somos amigos, esqueceu?
- Eu sei... – respondeu o Blaine, ainda não convencido. – Mas vocês dois são bem competitivos!
- Bem... – com isso, de fato, Kurt não poderia discordar. – Ao meu ver, ela não é minha concorrente. São várias vagas, então nós dois temos chance!
- Estou orgulhoso de você! – disse Blaine, colocando seu braço em volta de Kurt. – De qualquer forma, temos um dia de estudo inteirinho pela frente. Dá tempo de participarmos do Glee Club?
- Dá sim! – respondeu Kurt. – Acho que vai me fazer bem cantar um pouco antes...
- Ótimo! – sorriu o garoto. – Tenho que ir pra minha sala agora. Vejo você no refeitório?
- Claro! Até mais tarde! – disse Kurt, enquanto o namorado se afastava.
- Até! – respondeu Blaine, jogando-lhe um beijo.
Poucos segundos depois de Blaine se afastar, Mercedes aparece diante de Kurt, sorridente.
- Boa sorte na entrevista hoje!
- Oh, obrigada, querida! – agradeceu Kurt. – Como você...
- A Rachel colocou no twitter dela ontem à noite... – justificou a garota. A verdade é que fazia muito tempo que os dois não conversavam direito. Por mais que isso o incomodasse, Kurt achou melhor não tocar no assunto, para não afastá-la. Sabia o quão afetada a amiga poderia ser.
- Entendi... – respondeu, meio sem jeito. – E como vão as coisas com seu namorado novo?
- Bem, muito bem! Saímos juntos ontem à noite... – comentou Mercedes, vagamente. – E o seu namoro, vai bem?
- Cada vez melhor – sorriu o garoto, apaixonado.
- Legal... – disse a garota, sem ânimo. – Vou pra aula de Espanhol agora... Sabe como o Sr. Schue não gosta de atrasos, né!
- Ah, vai lá sim! A gente se fala mais tarde! – despediu-se Kurt, escondendo sua mágoa.
Na realidade, Kurt sabia muito bem o motivo do afastamento de Mercedes: Blaine. Apesar de não saber a razão, conhecia a amiga bem o suficiente para perceber que esta não o via com bons olhos. Seria ciúme ou egoísmo? De qualquer forma, ficava realmente chateado com a situação.
Rachel, por outro lado, sempre tratou Blaine com muito carinho – até demais, em alguns momentos. Talvez por isso, acabou conhecendo-a melhor e se aproximando mais dela. Não entendia porque Mercedes não podia ficar feliz por ele tanto quanto Rachel! Por mais apaixonado que estivesse, Kurt não deixava que isso o cegasse quanto as atitudes de Blaine – e, ainda assim, nunca presenciara o namorado tratando Mercedes com rispidez ou descaso.
Sua vontade era confrontá-la e perguntar o que tanto a incomodava. Porém, mais uma vez, a conveniência falava mais alto: pra quê criar mais intriga? E assim ia levando, fingindo não perceber.
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