Teen Things
2 Capítulo 2
Notas iniciais
– Ele fez de novo!
Descemos rapidamente as escadas. Encontrei meu irmão sentado no chão, pálido quase sem forças. Liguei para a ambulância e ela chegou bem rápido, meu irmão foi posto na maca e eu o acompanhei, antes de desmaiar perguntei o por que dele fazer aquilo.
– Pessoas são más… — ele disse.
Olhei para seu pulso e uma lágrima percorreu pelo meu rosto. Ao chegarmos no hospital liguei para meus pais, que haviam ficado em casa para limpar a sujeira que Matthew deixou.
Os médicos o levaram para um quarto onde não permitiram minha entrada por alguns minutos. Meus pais chegaram 1 hora depois.
– Ele vai ficar bem? — Meu pai perguntou.
– Acredito que sim, espero que sim — respondi.
– Os cortes foram extremamente profundos desta vez
O médico se aproximou de nós e informou que poderíamos vê-lo agora. Pedi a meus pais para acompanhá-lo durante a noite, depois de hesitarem muito concordaram.
Minha mãe não conseguiu evitar que lágrimas caíssem de seu rosto enquanto observava Matthew adormecido.
– Temos que ir — disse meu pai, já puxando minha mãe que não queria sair de lá — você vai ficar bem ?
– Sim, Pai — respondi
Depois que meus pais se foram, deitei na poltrona que se localizava ao lado da cama e adormeci.
Acordei atrasada para o colégio, não queria ir e deixá-lo sozinho, fui para casa bem rápido para buscar meu uniforme e peguei uma carona com meu pai, consegui chegar um pouco antes do portão ser fechado.
– Tchau pai, bom trabalho.
– Tchau queri… — tentou dizer enquanto eu corria em direção ao portão do colégio.
Me sentei quieta na sala, não disse uma palavra sequer, Sebastian e Bárbara me encararam durante toda a aula, Não consegui prestar atenção no que a Srta. Dodds dizia, só conseguia pensar em meu irmão e que eu poderia tê-lo perdido desta vez, as palavras ditas por ele ecoavam em minha mente, o que queria dizer “Pessoas são más”? — Claro que eu sei o que significa… Mas o que significava pra ele — Ele teria se referido a um grupo de pessoas ou uma pessoa específica?
– Ei! Você está bem? — Bárbara disse cortando minha linha de pensamentos.
– Estou — respondi. Sinceramente, eu queria dizer que não estava bem, dizer o motivo de sair do Rio Grande do Sul, queria dizer tudo, mas não sabia se poderia confiar à ela estes segredos.
– Olha, dá pra notar que você não esta bem e tudo bem você não me contar, até porque nos conhecemos a muito pouco tempo.
O olhar compreensivo dela fez com que eu me sentisse segura.
– É…Meu irmão…- comecei a dizer — ele se feriu ontem e desta vez ele tinha chances enormes de morrer.
– Espere, como assim?
– Ele se cortou e não foi a primeira vez — uma lágrima surgiu.
– Alice, eu nunca disse a ninguém, mas eu já cometi o mesmo erro que seu irmão…
Olhei para Bárbara e sorri. O sinal tocou e a aula da Srta. Dodds terminou.
– Como você esta Alice? — Sebastian se aproximou e perguntou.
– Bem… — Respondi. Olhei rapidamente para Bárbara e ela sorriu pra mim.
Sebastian me olhou e sorriu como se estivesse dizendo “ Saquei” . O próximo professor entrou, era sua primeira aula neste colégio, ele era magro, calvo e usava óculos que eram um pouco maiores que seu rosto.
– Olá turma, meu nome é Paul Blart, sou o novo professor de filosofia do colégio. Como esta é minha primeira aula eu gostaria de dedicá-la apenas para apresentações.
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