Teddy Bear

11 Abandono


Notas iniciais
▲ Eu nunca sei porquê explico as coisas aqui nas notas usando triângulo illuminati ▲ TROQUEI ATÉ A CAPA PRA ACOMPANHAR ESSA FASE DE TRETA QUE A FIC TÁ ENTRANDO ▲ Vocês irão entender melhor toda essa treta no próximo capítulo onde falarei um pouco sobre a história e a linhagem entre caçadores e vampiros, enfim, essas tretas aí ▲ OS QUE SHIPPAM AOI E KANATO VÃO ME CHUTAR NESSE CAPÍTULO, MAS SE SEGUREM AÍ

♦ Capítulo XI: Abandono

— Você está tão bonita... — Kanato elogiou, deixando-a mais constrangida do que já estava usando as roupas de quem ele chamava de mãe. — Me atrevo a dizer que tenha ficado melhor que minha mãe nessa roupa — abriu um leve sorriso, olhando o reflexo da garota no espelho em sua frente.

Aquele longo vestido de cetim vermelho e decote moderado em tempos não era tirado do armário de Cordelia, e depois da morte da mulher, os próprios trigêmeos trataram de queimar boa parte de seus pertences, deixando apenas uma ou outra peça para que servisse de lembrança, e mesmo assim, apenas depois de anos chegaram perto do quarto dela novamente.

Kanato havia falado pouco sobre sua mãe para Aoi, mesmo assim, foi o suficiente para ela mostrar espanto com a história contada. Seja verídica ou não, tinha boas chances de Kanato e os outros terem sofrido sérios abusos da mulher. Embora vampiros e humanos tivessem diversas diferenças, o sofrimento deles foi o mesmo que um mortal sentiria, e isso de alguma forma parecia pesar em Aoi. Isso também a fazia entender porquê Kanato era daquele jeito, porquê os Sakamaki eram daquele jeito.

Não considerava Kanato uma má pessoa, apesar de tudo o que ele a fez, o que com certeza por mais que negasse, guardava certo rancor. Ele nunca foi um garoto normal. Se envolver com ele só resultava em mais dor para ela, seja física ou emocional. Mas pela primeira vez passou a olhar ele de um jeito diferente e tentar compreender o que ele sentia, por mais difícil que fosse. Talvez antes toda sua raiva acumulada por estar presa naquela mansão sem entender nada não a fez tentar ter empatia com Kanato. E honestamente, duvidava muito que qualquer pessoa que tivesse tido as mesmas experiências que ela, fosse tentar compreendê-lo. Mas prometeu que seria uma boa pessoa, e manteria sua palavra, por sua irmã e por si mesma. Era como se tudo o que passasse fosse um teste para ver até onde conseguiria manter sua palavra...

— Estou tão ansioso — Kanato comentou, tirando-a de seus devaneios. — Eu amo óperas, sabia? Não me canso delas. Mas aqui na cidade é tão raro receber esse tipo de espetáculo... — voltou a abrir um mínimo sorriso. — Por isso quero aproveitar essa noite ao seu lado, Aoi.

— Certo Kanato — viu-o segurar sua mão e encostá-la na bochecha dele. Sempre se impressionava no quanto sua pele era gélida. Bom, era de se esperar de um vampiro. — Laito irá conosco?

— Você queria que ele fosse? — perguntou seriamente. Havia desgosto em sua voz.

— Não é isso. É que ele demonstrou querer nos acompanhar, e queria saber se você permitirá isso.

— Você tem alguma oposição sobre ele não ir?

— Não, eu nem sou tão fã do Laito, pra ser sincera.

— Ótimo — ele voltou a sorrir leve, pois parecia mais calmo com sua afirmação. O ciúmes exagerado de Kanato parecia ter nascido de uma grande insegurança, mesmo assim, não era fácil de aturar e seria algo que deveria ajudá-lo a trabalhar. — Pronta? — ela assentiu em confirmação, mas Kanato a olhou como se algo a faltasse antes de saírem da mansão. — Ah, espera! Falta algo para completar... — ele puxou a gaveta da penteadeira e retirou uma caixa que continha um colar, também antigo e de Cordelia, que por ironia do destino ela usou apenas uma vez e foi no dia anterior de sua morte. — Você ficará deslumbrante usando isso... — se aproximou por trás dela e afastou os cabelos soltos dela que a tampavam a nuca, envolvendo seu pescoço com a jóia cara que brilhava em demasia. Aoi parecia não se sentir totalmente confortável, pois nunca em sua vida usou algo tão valioso. Além de que o desconforto também era causado ao se lembrar quem era a dona do vestido e do colar, mas estava apreciando a delicadeza com que Kanato a aprontava, ele mesmo se abaixou para colocar o sapato em seus pés, nunca achou que ele faria isso... Que cuidaria dela. Apesar de que da última vez que ele fez isso, foi com uma das noivas que transformou em uma estatua. Mas se tudo ocorresse bem, esse destino não seria o mesmo para sua amada Aoi. — Eu falei que você ficaria deslumbrante — cheirou seu cabelo.

— Obrigada... — agradeceu relutante. Não só o desconforto das roupas, também havia algo a dizendo que a noite não seria tão proveitosa quanto esperavam, mas considerou mera paranóia de sua cabeça.

— Vamos — apertou seu pulso puxando-a rapidamente, deixando claro sua ansiedade em partir dali. Com a outra mão, rapidamente pegou Teddy pela orelha direita. Teddy também estava extremamente empolgado, dava pra ver pelo sorriso dele.

Ao chegar ao teatro, Aoi sentiu que os dois eram os mais estranhos dali, considerando os olhares que receberam, que para Kanato convenientemente eram normais. Mas também... Uma garota que nem chegou aos dezoito anos direito com uma roupa sofisticada normalmente vista em mulheres um pouco mais velhas, e um garoto com roupas arrumadinhas e consideradas “bregas” também para a idade que aparentava ter. Comparado aos ricos e bem sucedidos cidadãos que estavam ali já com seus ingressos comprados, eles realmente não batiam bem da cabeça.

— Não se importe. Eles estão apenas encantados conosco — Kanato murmurou ao seu lado, sem largar seu braço em minuto algum.

— Pra mim parece que eles nos acharam bem estranhos. Não que isso me incomode — riu baixo. — São olhares curiosos, não necessariamente encantados. Nem teria porquê se encantarem comigo.

— Oh... Estranhos? — entreabriu os lábios, abrindo um sorriso. Particularmente o achava tão bonito quando sorria de modo que mostrasse os dentes. Normalmente seu sorriso era bem fraco e não chegava a se abrir. — Você é muito modesta, Aoi. — elogiou francamente. — Ser estranho não é maravilhoso? Vai contra qualquer estupidez ou padrão humano — falou com certa ironia, e ela deu de ombros sem pensar no que ele queria dizer com isso.

O espetáculo seria inspirado em um poema chamado “O Corvo” de Edgar Allan Poe. Se ele já gostava do trabalho de Poe por si só, imagine uma versão musical e adaptada ao teatro cantada em uma ópera italiana! Desde pequeno gostou muito de teatro, desde peças musicais até apresentações de arte cênica. Aquele velho ditado de "a vida imita a arte" parecia se encaixar perfeitamente. E assistir a tudo aquilo o fazia refletir sobre algumas coisas que em boa parte do tempo ignorava.

Kanato nunca se considerou má pessoa. Seu modo de viver se resumia a espetáculos infinitos, diferente do que iria assistir. Viver-se-ia em um mundo tão solitário e cheio de almas pecadoras, pelo menos, se convenceria que não era uma. Isso se tivesse alma. Diziam que vampiros não a tinham, ele mesmo não fazia ideia. Os humanos criavam muitos mitos sobre sua espécie, as vezes, achava engraçado acreditar em parte deles. Riu pensando a respeito e voltou a prestar atenção nas cortinas até que elas fossem abertas e em segundos após um silêncio total, o cantor começasse a cantoria aguda.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Aquele era um trecho do poema de Poe que Kanato havia decorado ainda muito jovem. Para ele haviam rimas que só entenderia ao longo da vida, que para ele, seria beirando a eternidade. Havia muito tempo para compreender daquelas palavras e aceitar daqueles versos. Mas a noite de fato era infinita, e a paz que ele tanto buscava era cercada de caminhos malditos. Aoi talvez jamais entendesse o purgatório que seria viver ao seu lado, mas por aceitar acompanhá-lo aquela noite, talvez parte dele se iludisse de que com ao menos uma mulher poderia passar até seus últimos dias, e não acabar morta ou como uma de muitas estátuas de sua coleção; petrificadas e sem vida.

Voltavam para mansão com o ritmo das canções ouvidas ainda frescas em suas mentes. Kanato até cantarolou enquanto saíam do teatro, mas agora próximos à rua da mansão Sakamaki, ele falava sobre os pontos que mais o agradaram na Ópera e obviamente cobrava a total atenção de Aoi. Isso era algo que já havia reparado antes: Kanato adorava receber atenção exclusiva, por na cabeça dele, ele ser o trigêmeo menos favorecido. Era como se cobrasse dela o que não recebia das outras pessoas, e isso a preocupava.

— Você tem medo de mim, Aoi? — ele perguntou sem mais nem menos, juntando suas sobrancelhas. Era aquela expressão reprimida e triste que nele ficava curiosamente bonita. Mas parou de reparar na beleza juvenil dele e a buscar uma resposta, percebendo que ele apertava Teddy nos braços como se estivesse nervoso esperando sua resposta.

— Você já me assustou muito, rendeu grandes sustos — admitiu. Mesmo sabendo que irritar Kanato e dizer algo assim poderia ser o fim pra ela, decidiu que seria sincera com ele nesse ponto. — Mas hoje... Não é medo o que sinto, Kanato. Com certeza é outra coisa. Não deveriam sentir medo de você — na verdade, em boa parte do tempo, deveriam sim.

Ele soltou um risinho como se estivesse contente em ouvir isso, virando seu rosto em pouca distância do dela. Seus olhos lilases pareciam um roxo ainda mais intenso com a luz azulada da noite. Os olhos de Kanato, para Aoi, eram os mais expressivos dos irmãos. Apesar de não saber sempre o que ele escondia através deles, todas as mudanças de seu humor refletiam primeiro naquelas orbes do que em qualquer outro detalhe nele.

— E o que sente por mim, Aoi? — voltou a perguntar, e mesmo ainda demonstrando satisfação ao ouvir sua última resposta, a pergunta dele foi bem séria e ao julgar por sua cara ele queria uma resposta imediata. E isso se tornou um enorme problema para Aoi: aquela pergunta de alguma forma a deixou confusa, nem ela saberia responder!

— Kanato, eu acho que...

A atenção deles foi tomada por um barulho estridente que mais parecia ser de uma explosão. A atenção do vampiro se dirigiu a mansão que já estava bem perto, percebendo que as chamas altas pareciam vir dos fundos de sua casa. Aoi ficou preocupada apenas de ver, mas Kanato riu sem motivo aparente.

— Será que estão dando uma festa e não nos convidaram? — ele falou, parecendo empolgado em ver de perto o que estava acontecendo. — Você me responde depois, Aoi. Tenho que conferir se há algum irmão meu se queimando, seria ótimo assistir, não é, Teddy? — encarou o urso e voltando a rir começou a correr até o local. Pra ele era como se realmente estivessem dando uma festa. — Venha, Aoi! — chamou, se apressando.

Aquela sensação de que algo estava errado havia voltado, mas para não deixá-lo sozinho, tentou alcançá-lo até a mansão, cujos portões já estavam escancarados e um deles até mesmo quebrado perto do chafariz.

Kanato estava curioso. Não via aquela mansão bagunçada assim desde que ele e seus irmãos mataram sua mãe. E só de pensar em como Reiji reagiria mal vendo aquela bagunça, voltava a rir mencionando isso com Teddy, que também achava graça do ocorrido.

— Vou até a área dos fundos ver o que está acontecendo — sorriu para Aoi. — Se não quiser se queimar ou sujar com cinzas esse vestido, fique aqui me esperando, Aoi — colocou Teddy sentado no chão poucos metros de Aoi. — Teddy ficará cuidando de você e me avisará se você se comportar mal.

Não tinha muito o que dizer, já que naquela situação, não parecia ter poder em mãos para fazer nada! Com isso, apenas concordou e o viu se afastar correndo desajeitado.

Minutos se passaram e a agonia de Aoi parecia aumentar. Além de estar sozinha — estava apenas com Teddy, que não poderia considerar uma boa companhia — ainda conseguia ouvir barulhos e movimentações de dentro da casa que sempre acabavam a assustando por pegá-la de surpresa. Não entendia o que estava acontecendo, mas não parecia bom.

— Pobre jovem — uma voz desconhecida surgiu atrás dela rente ao portão da mansão. A mesma voz a causou um arrepio instantâneo e ela ponderou antes de se virar para ver o dono daquele timbre tão grosso. — Em seu lugar, eu estaria completamente confuso — confessou se aproximando com cuidado.

Aoi deu um passo para trás, não estava completamente confiante sobre aquele que magicamente havia puxado assunto com ela.

— Quem... É você?

Ele elegantemente tirou suas luvas e inclinou seu corpo para frente, pegando a mão direita da garota e se reerguendo após beijá-la.

— Queira me desculpar pela grosseria. Minha intenção não foi assustá-la ainda mais — ele era bem mais cortês do que Aoi estava acostumada. Mas a educação dele não foi o suficiente para apagar a aflição que ela sentia em tê-lo em sua presença. — Pode me chamar de Soren.

Afastou sua mão que o homem de cabelos brancos ainda segurava.

— Eu sou... Aoi.

— Sei disso — afirmou inexpressivo. — É um prazer finalmente conhecê-la, Aoi — os estreitos olhos azuis dele se voltaram para a fumaça no fundo da morada que já estava se espalhando até eles, sabendo perfeitamente do que se tratara. — Não é um lugar seguro para você. Parece que os Sakamaki tiveram um pequeno imprevisto essa noite.

O semblante de Aoi se tornou ainda mais surpreso. Queria já ter ido os ajudar, mas quando desobedecia Kanato, ele reagia muito negativamente, e ela ainda sentia que só iria atrapalhar se fosse procurá-los.

— Você sabe o que está acontecendo? O que houve com a mansão e com os Sakamaki? Isso... É uma invasão? Eles sofreram algum ataque enquanto estive fora?

Soren fechou os olhos e alguns segundos depois os abriu, aproximando-se e colocando as mãos nas costas da Aoi, guiando-a até o portão.

— Os Sakamaki ficarão bem, não ocupe sua mente com isso. Meu dever agora é levá-la para um local seguro. Há muito o que conversarmos.

— Espera, não vou a lugar nenhum com você! — se afastou, parecia que quando ele tentava tranquilizá-la, mais nervosa ficava. Era como se tivesse uma aura muito forte naquele homem. — O que quer comigo?

Era aquele momento em que um pouco de medo começava a cercar seu ombro e seu subconsciente desejava que Kanato ou qualquer um de seus irmãos estivesse ali para protegê-la. Mas ao mesmo tempo, se sentia uma covarde justamente por sentir que não conseguiria se defender sozinha!

— Seu pai está desaparecido há meses, ouso dizer. Ernest saiu em uma missão às minhas ordens e desde então nenhuma noticia foi dada. Pensei em uma operação de resgate, mas sinto que você deva ir com minha equipe, afinal, deve ser preocupante para uma filha não saber sobre o pai, ficar aqui esperando mandarem notícias seria muito ruim pra você, não acha?

— O quê? Da última vez que vi meu pai ele estava desempregado e prestes a perder nosso imóvel — quanto tempo ficou longe de sua casa?! — Com o que meu pai estava trabalhando?

— Não é bem um trabalho dos mais lucrativos...

— Responda!

— Seu pai se tornou, mais precisamente já era há um bom tempo, um caçador.

— Caçador... De animais?

Soran abriu um breve sorriso inconveniente, mostrando satisfação em poder responder aquela pergunta.

— De vampiros.

Mas do que aquele lunático estava falando?!

— Eu não faço ideia de quem você seja, mas está claro que você também não sabe nada sobre mim! Meu pai tinha problemas com alcoolismo e até mesmo drogas, ele estava falido e sem esperança alguma desde a morte de minha irmã! Caçador de vampiros... Ele jamais faria isso. Sequer sabe a existência de vampiros, diferente de mim que estou presa aqui.

— Você realmente não sabe a verdade sobre seu pai, minha jovem. Por isso estou aqui. Eu posso mostrá-la a verdade... E posso concedê-la a tão desejada liberdade — Aoi tentava não olhar nos olhos dele enquanto ouvia a tudo aquilo. Olhar nos olhos de Soran a deixavam completamente solta... Ao ponto de ficar sonolenta. Como se ele tivesse uma forte energia ou talvez hipnose. — Você é a única capaz de substituir seu pai ou mesmo salvá-lo. Aoi, você pode me ser mais útil do que pensas... Por isso desejo que venha comigo — estendeu sua mão, que a garota de olhar cansado encarou perdida em seus pensamentos e prestes a cair no sono.

Estava tão confusa. Ao mesmo tempo em que desejava negar, aquele sono que surgiu sem explicações estava quase a fazendo dizer sim simplesmente para se permitir desligar seus pensamentos. Mas a parte resistente de seu cérebro a lembrava de que não poderia confiar cegamente no que ele dizia, e também a fazia se lembrar de Kanato. Teria mesmo... Coragem para deixá-lo? Depois de tanto tempo, quando finalmente poderia se considerar livre, por que não se sentia assim?

Havia tantas duvidas. Queria saber o que Soren tinha a dizer mesmo sem acreditar totalmente! Parte sua se negava a aceitar o que ele dizia, outra sentia que não eram mentiras. Mas se fosse verdade, o que faria?! O que tudo isso significava? E o seu pai? Ele teria mesmo capacidade pra isso e teria mantido isso em segredo dela por tanto tempo?

Não... Tudo era confuso demais. Seu peito estava doendo e sua respiração pesada. E ao seu corpo fraquejar, segurou de imediato a mão do estranho, que demonstrou satisfação apenas com o olhar.

Kanato, não... — tentava lutar para permanecer acordada. Não tinha mais certeza do que estaria prestes a fazer, ou do que aconteceria quando acordasse do sono que estava a dominando.

— Não se preocupe — olhou para ela. Suas pálpebras em lentidão se fechavam, mesmo que ela tentasse impedir. — Em breve, estaremos bem longe daqui.

— É uma catástrofe — Reiji reclamava pela bagunça exagerada que causou em sua sala após a última luta. Sua expressão não era nada agradável. — Como isso foi acontecer? Desde quando alguém tem coragem de invadir nossa propriedade e nos ameaçar de tal forma?!

— Isso não acontece em tempos... — Laito murmurou, cobrindo o corte fundo que fora recebido em seu braço direito. — Não eram caçadores comuns. Eram também vampiros, mesmo não sendo puro sangue como nós. Não me lembro de nada parecido, mas são bem treinados, sem dúvida.

— Quem poderia ter mandado aqueles caçadores? — Subaru, também aborrecido, indagou entrando na sala destruída. Não era nem um pouco comum caçadores invadirem assim um território onde tinham desvantagem. Alguém muito maluco e exibido estava por trás disso, e não iria perdoá-lo quando soubesse quem era.

Reiji suspirou. Ele era o mais inteligente e o que poderia raciocinar mais rápido sobre aquilo.

— Pensando bem... Havia um clã com essas características. Mas não pensei que vivessem em nosso país, ou que ainda estivessem ativos nos dias de hoje.

— Como assim, Reiji? — Laito perguntou.

— Quem planejou o ataque foi Soren, muito provavelmente.

— Esse desgraçado ainda está vivo? — Ayato perguntou entrando na sala. Ele foi de longe o que mais se feriu, e mesmo os irmãos não sendo unidos, quando algo grave acontecia, uniam forças para debater.

— Ao que parece, sim.

— Não achei que fosse ouvir esse nome de novo em décadas — Shuu comentou, aparecendo sentado no sofá quebrado sem se importar com o desgaste do móvel.

— Se ele tivesse planejado um ataque para nos matar, teríamos muito mais prejuízo que isso. Vocês sabem bem do que estou falando — Reiji retirou os óculos. — Devemos crer que o objetivo dele aqui foi outro, o ataque foi uma mera distração. Mesmo que Hideki tenha de fato se empenhado em tentar matar Ayato — disse olhando para o rapaz que ainda não se recuperara de todos os cortes e queimaduras espalhados pelo corpo. Ayato fez uma careta, tanto de dor quanto de raiva. — Mas para quê ele planejaria algo assim...?

Kanato entrou na sala rindo. Suas roupas estavam completamente rasgadas e sujas de sangue, e na mão direita dele, carregava uma perna de um azarado que entrou em seu caminho durante o confronto, que jogou no sofá onde Shuu estava jogado. Fazia tempo que não tinha a oportunidade de desmembrar seus inimigos assim, tampouco permissão, já que Reiji os deixou livres para que se defendessem como desejassem, e algumas mortes foram feitas. O corpo daqueles que não fugiram, foi queimado por Kanato no fundo do quintal, que tinha habilidade com chamas especiais. A essa altura só sobrara cinzas.

— Essa foi uma noite especial — sorriu soltando uns risos fracos. Sua barriga já havia doído de tanto rir. — Concorda, Teddy? — olhou em volta, e se deu conta que havia se esquecido completamente de Teddy e Aoi. — NÃO!

— O que foi, Kanato? — Laito indagou curioso.

— Eu enlouqueci completamente, deixei Aoi sozinha! Espero que Teddy tenha a protegido — empurrou Subaru que estava em sua frente e fez uma careta, e tratou de sair da sala principal urgentemente até o local exato onde havia deixado seus bens mais preciosos; seu fiel amigo de pelúcia, e sua futura noiva. Mas para sua infelicidade, a humana não estava ali, apenas Teddy deitado no chão e sem seu tapa-olho. — Aoi? — olhou em volta, com uma ponta de esperança que ela respondesse. — Você está aí? — tratou de procurar em volta, em todos os locais que alguém pudesse se esconder, já que realmente pessoas já se esconderam ali tentando fugir dele. — Não gosto dessa brincadeira, Aoi! Apareça!

Uma onda de ódio com um misto de pânico estava se implantando em seu corpo. Essa era uma sensação que Kanato sempre tentava evitar. Era horrível se sentir assim!

Andando impacientemente pelo pátio, quase como se com sua impaciência fosse abrir um buraco no chão.

— TEDDY SEU IDIOTA, VOCÊ PROMETEU FICAR DE OLHO NELA!

Tentando não ser controlado por sua raiva, avistou algo caído perto de Teddy. Algo que não havia notado antes por sua ansiedade. Aproximou-se cautelosamente e virou o rosto de lado analisando, e ao perceber que se tratava da jóia que Aoi usava em seu pescoço, teve por alguma razão, certeza que alguém teria a levado.

Aquilo havia apagado completamente sua empolgação de minutos atrás durante combate. Não havia sequer sinal de um sorriso em seu rosto, e minutos se passaram com ele petrificado sem abrir a boca para pronunciar nenhuma palavra, mesmo que fosse para soltar todo seu ódio.

Pegou Teddy e apertando-o em um abraço, puxou a perna do urso a arrancando como forma de aliviar o que sentia. Mas uma coisa era certeza: pior do que quando Kanato estava gritando, era quando ele assumia o silêncio. O silêncio de Kanato por fora, era uma guerra prestes a nascer dentro dele.

Notas finais
um minuto de silêncio pro kanato que nunca consegue ir e voltar de uma ópera sem acontecer alguma merda RIP
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.