Tecido E Pimenta

33 Capítulo 33: A fina linha, inocência e ignorancia


Notas iniciais
UM DETALHE importante antes do capítulo: O final do capítulo passado foi mais corriqueiro e intenso para combinar com a ação do momento, aqui esta como ele deveria ter saido, bem mais desenvolvido e como eu gostaria de ter postado, mas se fosse assim o capítulo passado teria ficada ainda mais gigante, e só isso mesmo pra ninguém estranhar o começo.PS: AAAAAAAAAARRRRRRRRHHHHHHHHHHHHGGGGGGGGGGGGG não consegui manter o meu prazo de um mês t-t.

As cenas em sua cabeça ainda eram desconexas e confusas, sentia que estava em algum lugar meio escuro e frio, pois nem mesmo discernir era capaz.

Os últimos minutos lhe eram mostrados em forma de filme, com tudo se repetindo a sua frente, inclusive as sensações.

Em um momento estava no caminho de casa, pensando no maravilhoso prato que iria preparar, e no outro, estava sendo espremida contra uma parede dura, por dois homens robustos e com o dobro de seu tamanho, o medo fez todos os pelos de seu corpo se eriçarem e suas mãos nunca suaram tão frio, só de pensar que seria tocada por alguém que não era seu namorado lhe causava uma ânsia forte, sentindo o café da manhã quase lhe transpassar a garganta.

Teria sorte se aqueles homens lhe deixassem reconhecível depois que terminassem com ela, porém viver com tal humilhação seria demais para uma moça ainda tão pura, quando perdeu as esperanças, os céus pareceram atender ao seu choro silencioso, lhe mandando um anjo caído em seu socorro.

Após se sentir livre das mãos grandes e repugnantes, tudo o que ouvia eram os sons de algo se chocando, pancadas fortes, gemidos altos e sofridos, e um pavoroso som alto de algo se quebrando a cada choque, mesmo depois que tudo havia terminado, ainda não era possível para Hinata voltar à realidade, pois o medo, quando muito forte, nos tranca em outro mundo, sozinhos.

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Após espancar os dois homens, Konan, apesar de tantos golpes, não possuía um aranhão aparente em seu corpo, nem mesmo transpirava, suas habilidades em autodefesa nunca se enferrujaram, talvez pelo fato dela nunca ter parado de usá-las.

Ao se recompor notou a jovem encolhida e tremendo de pavor, no mesmo lugar que os homens a haviam deixado, o choque era tanto que ela não parecia estar naquele mundo, qualquer ser humano com um pouco de coração sentiria pena ao ver uma cena como aquela, e a azulada era exatamente assim, apesar de seus atos contradizerem em muito a sua personalidade.

Vendo que a jovem parecia tão dispersa se aproximou dos indivíduos desacordados e os mirou com desgosto, sacou seu celular e logo discou um dos poucos contatos que havia ali.

Trrrrrrrunnn Trrrrrrunn Beep.

– Konan, o que foi? – Perguntou a voz mais grave do que realmente era, do outro lado da linha.

– Yahiko eu estou a algumas quadras afastadas do Central Parque, tem certeza de que a limpeza por aqui foi feita direito?

– O que quer dizer?

Ela voltou a olhar a garota no beco, não por precaução, mas sim para firmar sua decisão.

– Eu acabo de ser atacada por uma dupla de trombadinhas bem abusados, pensei que esta área estivesse sob controle.

– Você esta bem?

– Hunf, você sabe que eu não estou enferrujada, sei cuidar de mim mesma, mas que raridade você se preocupar.

– Se for com você, não é raridade nenhuma.

A azulada deu um sorriso silencioso e mantéu sua voz meio irritada para não transparecer a pequena alegria.

– E quanto a minha pergunta?

– Pelo que eu saiba esse bairro deveria estar em ordem, vou mandar Bunta e Momimaru para fazer uma ronda no lugar.

– Nesse caso mande só o Momimaru, já existe porcos o suficiente aqui, não precisa enviar o rei deles. – O desgosto da azulada era tão claro quando se falava de Bunta que chegava a ser engraçado o fato dele ainda estar vivo.

– Entendido, já esta vindo para casa?

Mais uma vez ela desviou o olhar para a jovem no beco e por fim respondeu.

– Quebrar a cara desses suínos me deixou estressada, vou passear um pouco, aproveito e checo um pouco mais a fundo esta área.

– Muito bem, só não demore muito para voltar.

– Ok, bye bye. – Se despediu e desligou.

Nunca contaria a Yahiko o real motivo de ter atacado aqueles infelizes, mesmo de longe se podia perceber a grande beleza da garota estancada no beco, e como o homem de negócios que o alaranjado era, certamente pediria que a parceira a trouxesse até a base, para ser devidamente treinada e vendida, aquela cena lhe fazia lembrar um pouco de si mesma, por Kami, como ela odiava aquele tipo de “trabalho”, mesmo que matar parecesse muito pior ela preferia mil vezes a função de eliminar os “empecilhos” da organização do que vender sua própria espécie para algum crápula sem escrúpulos, sem contar é claro as vezes em que Yahiko insistia em treinar algumas das mulheres dizendo que essas necessitavam de uma correção especial em seu comportamento, mas o ciúmes era o menor de seus problemas, isso de longe.

Bufou por seus pensamentos e se dirigiu até a moça, não poderia deixa-la ali para sempre não é?

– Você esta bem? – Perguntou ela estendendo sua mão em apoio, Konan não recebeu uma resposta, mas sua mão foi aceita de bom grado, quando as duas saíram para luz a surpresa de ambas foi nítida. – “Mas o qu – é só uma menina!” “Inacreditável, agora os homens fodem qualquer coisa que tem um buraco?” “Olha só como esta tremendo, não deve ter mais de 16 anos, 18 no máximo...huff, por que ainda me surpreendo com isso?” “17 anos e pelo visto o mundo não mudou em nada”.

Mesmo ainda muito assustada Hinata não deixou de reparar em sua salvadora, uma mulher alta de olhos penetrantes com uma sobra arroxeada nas pálpebras, cabelos elegantes arrumados em um perfeito coque alto em sua cabeça, sendo seus fios de uma tonalidade azul muito mais clara que os seus, o pequeno piercing debaixo do lábio inferior lhe dava um ar tão maduro quanto rebelde, certamente era uma das mulheres mais lindas que a Hyuuga já vira em sua vida, mesmo seu corpo estando coberto por um suéter branco e um cachecol de mesma cor, seguidos por botas negras de cano alto e uma calça de um tecido que ela não soube identificar, mas uma coisa era clara, aquela mulher deixava até mesmo as prendadas moças da Inglaterra no chinelo.

– Querida, esta me ouvindo? – Repetiu Konan vendo que a jovem continuava estática no lugar.

– H-hai, o-obrigada por me salvar você é muito forte! – Disse a Hyuuga meio atrapalhada, soltando as primeiras coisas que vinham a sua mente e se sentindo meio constrangida em seguida, não era um elogio muito comum de se fazer a uma mulher...mesmo sendo verdade.

– Huhuhuhu obrigada, mas qualquer uma pode fazer aquilo, defesa pessoal é algo que todas as mulheres deveriam saber.

– Co-concordo. – Afirmou ela um tanto nervosa olhando para os lados.

– Procura por algo?

– Meus, meus tomates.

Logo Konan avistou a alguns metros uma sacola de grande porte com muitos tomates, sendo que alguns jaziam caídos perto da caçamba de um lixo, se apressou e coletou aqueles que ficaram dentro da sacola, jogando o resto no latão de prata.

– E-eto –

– Mesmo lavando bem eles já podiam estar contaminados, esse beco é bem sujo, mas por sorte a maioria ficou dentro da sacola, aqui. – Explicou ela estendendo a sacola para a Hyuuga.

– Obrigada, eto, eto...

– Ah que cabeça a minha, prazer em conhecê-la querida eu me chamo Konan.

– Prazer, Hinata.

– Você esta bem para ir para casa? Se quiser a minha não fica muito longe, pode descansar lá até se sentir melhor.

– Agradeço o convite, m-mas já estou bem, e minha c-casa fica só há algumas quadras daqui, por hora deveríamos chamar a policia.

– Eu já chamei, depois de nocautear esses dois, logo eles estarão aqui, não precisa se preocupar. – O que não era de todo uma mentira, logo que Momimaru estivesse ali terminaria o que ela começou com certeza.

– Nesse caso eu j-já vou indo, m-mais uma vez muito obrigada. – No em tanto ao se virar e dar o primeiro passo para ir embora as pernas de Hinata falharam na hora, e a Hyuuga só não foi ao chão, pois a azulada estava ali perto para ampara-la. Mais uma vez sendo segurada por Konan ela sentia o quanto ainda tremia e o bambear de suas pernas só deixava isso mais claro.

– Não precisa se fazer de forte mocinha, foi uma situação horrível mesmo, deixe que eu pelo menos a acompanhe até sua casa.

– M-mas.

– Por favor, ou então não vou conseguir ir embora tranquila. – Insistiu ela um tanto sincera, pois o que mais queria de fato era tirar a jovem daquele lugar antes que mais alguém aparecesse, e pior ainda se fosse alguém da organização.

– T-tudo bem, desculpe pelo trabalho Konan-san.

– Só Konan já esta bom. — Disse ela enquanto se colocavam a caminhar sentindo um leve desconforto e analisando a Hyuuga um pouco melhor. – Realmente tem alguns traços, você é japonesa?

– Metade, também sou inglesa. Você é pura Konan-san?

– Já disse não precisa do san, e não, até que eu já sou bem pervertida.

– Huhuhuhu, não foi isso que eu quis dizer.

– Huhu.

Logo as duas já estavam sorrindo e conhecendo um pouco mais sobre a outra, enquanto faziam a caminhada de volta para casa, sendo que nenhuma delas fazia ideia da ligação que tinham, uma ligação que se exposta, talvez destruísse o inicio desta pequena amizade.

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Em uma lanchonete, não muito afastada dos fatos mais recentes.

Dois homens aproveitavam sua generosa refeição, bem, pelo menos uma delas era generosa, ou talvez o termo gula se encaixasse melhor, em uma das bandejas estava um refrigerante médio com batata frita de mesmo porte e um sanduiche duplo de queijo e bacon, enquanto que no outro jaziam todos os pedidos possíveis do cardápio fornecido pelo estabelecimento, um dos homens já havia terminado sua refeição e fazia algum esforço para não passar mal, devido ao modo vulgar que seu companheiro se alimentava.

– Bunta a comida não vai fugir, coma mais devagar! E de boca fechada sim?

– Chomp chomp , chomp, grrrrruuuuu, não seja chato Momimaru, — Resmungou o gordo apalpando três hambúrgueres de uma vez – você reclama de como eu fodo, reclama de como eu como, ô amigo chato viu. – e os enfiou goela abaixo.

– Talvez se a sua maneira de fazer ambos não fosse tão nojenta eu não precisaria ficar lhe chamando a atenção, — suspirou ele apoiando uma das mãos ao queixo. – que coisa viu, é nessas horas que eu concordo com a Konan-san, você é um porco.

– Hehehe falou o sujo do mau lavado. – Implicou o porco de voz gorda enquanto apanhava um punhado de batas fritas.

– Hããã? Do que esta falando?

– Você reclama de mim, mas é um baita de um enrustido, toda noite pensando em coisas sujas envolvendo a mulher do chefe.

Apesar da idade Momimaru não pôde evitar o constrangimento em seu rosto, por até seu amigo que é tão sem noção para o mundo, ter notado sua pequena queda.

– Você também tem pensamentos sujos! — Exclamou ele sem notar uma das garçonetes se aproximando, uma moça novinha de seios avantajados, algumas sardas em seu rosto e meio baixinha, usava o uniforme clássico do estabelecimento.

– Com licença senhores, poderiam fazer menos barulho? Estão incomodando os outros clientes.

– Eu tenho pensamentos sujos sobre tudo Momimaru, por exemplo, — Bunta se virou para a moça a encarando bem de perto, seus olhos finos e geralmente fechados se entreabriram e em seus lábios se formou o mais malicioso dos sorrisos, sua língua de tamanho proporcional ao seu corpo se pendurou de sua boca salivando como se fosse um animal – essa menina aqui ficaria uma delicia melada de molhinho agridoce. – comentou passando a língua por seus lábios e consequentemente pelo rosto, causando a maior aflição na pobre garçonete.

– KYAAAAAAAAAAAAA! – Naturalmente qualquer um fugiria.

– HKA HKA HKA HKA HKA hehehehe.

Enquanto seu parceiro ria em deboche, Momimaru só pôde cobrir a face com uma das mãos, tanto por descrença quanto por desagrado.

– Eu mereço senhor. — Agora entendia o porquê de Konan odiar tanto seu amigo...precisava rever seriamente seus conceitos de amizade.

Logo seus pensamentos foram cortados pelo toque do celular em seu bolso.

– Boss?

– Hai, Momimaru tenho um trabalho para você.

– Se for para me tirar deste lugar eu faço qualquer coisa. – Murmurou baixinho, mas não o suficiente.

– Como é?

– Nada não chefe, nada mesmo, e então qual é o trabalho?

– Quero que você faça uma busca completa nos arredores do central parque, percorra cerca de 15 quadras procurando por gente suspeita.

– O mesmo esquema de sempre chefe?

–...

– Chefe?

– Na verdade, procure por qualquer um por ali que tenha interesse no que a gente faz, leve-os até a base e me ligue no caminho, eu estarei lá.

– Quer que eu leve gente que esta causando confusão na nossa área?

– Estamos com falta de pessoal aqui, e com um certo recurso eu estou pensando em terceirizar, não quero mais baixas até os outros chegarem.

– E...o modo de persuasão?

– Deixo ao seu critério, mas que eles estejam em condições de trabalhar.

– Hu perfeito, eu estarei lá.

– Conto com você.

Ao ver que seu chefe já havia deixado o outro lado da linha guardou o aparelho no casaco e se levantou.

– Oi oi, qual é o trabalho Momimaru?

– Se depender de mim, recrutamento agressivo. – Afirmou ele enquanto batia o punho contra a palma da outra mão em frente ao tórax.

– Preciso ir junto? – Perguntou Bunta apontando para si mesmo.

– Na verdade o chefe disse que o trabalho era para mim, nem mencionou você, se quiser ficar fique a vontade.

– Ok, então nos vemos de noite no esconderijo.

– De noite? Ainda são uma da tarde, o que vai fazer depois daqui?

– Vou ver se aquela garçonete que fugiu gosta de molho agridoce HEHEHEHE.

Momimaru suspirou e saiu, não valia a pena perder mais tempo ali.

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Enquanto isso, no hall de ensaio da Tecido e Pimenta.

– Non non non non non NOOOOOOOONNN! A sua performance é um grandessíssimo NON, Sakura-chan! — Esbravejava Gay – quer dizer – Gai pela décima quinta vez naquela manhã, na verdade desde manhã, pois já se passava das 13:00 da tarde.

– Caramba Gai-chan o que que eu fiz agora? – Perguntava a rosada que já estava perdendo o restinho de paciência que lhe restava com aquele instrutor tão exigente, apesar de que boa parte da irritação poderia estar sendo causada pela fome.

– Non é o que você fez rosinha, MAS O QUE VOCÊ NÃO FEZ! Quantas vezes eu preciso repetir? Não é assim que se desfila! – Ok, talvez boa parte da irritação também viesse daquela voz tão estridente em seus chiliques.

– Mas eu só preciso andar não é? – Argumentava ela descendo de onde estava, as modelos treinavam elegância e equilíbrio ao mesmo tempo utilizando-se de uma plataforma pequena e fina, elevada a quase um metro do chão, onde nem mesmo seus pé cabiam direito, isso obrigava seus pés, quadril e cabeça a ficarem completamente alinhados, obviamente que elas não andariam daquela maneira no desfile, isso era apenas o básico para ganharem uma noção do que viria a seguir.

– Só preciso andar só preciso andar, — Repetiu ele/ela imitando a voz da rosada, mas em um tom bem mais enjoativo – esse é o seu problema querida, você ainda esta pensando como uma pessoa comum, e esta andando como uma pessoa comum. Lembra-se de quando mamãe e papai te ensinaram a dar os primeiros passos?

Sua resposta veio com uma afirmação vagarosa de cima para baixo balançando a cabeça.

– Pois bem minha querida, ESQUEÇA! A partir de agora você não sabe mais andar, e eu vou me encarregar de te ensinar.

– “Tsc”, Pra inicio de conversa me diz o que que tem de errado no meu jeito de andar.

– Tudo bem, acho que ajuda visual é valida no seu caso. – Disse ele com a maior cara de tédio, mas logo começou a ensina-la direito através de movimentos realísticos enquanto narrava. – Preste atenção querida, esse é o jeito que as modelos andam, cabeça semi para o alto, passos firmes fazendo um som agudo, porque geralmente vocês usam saltos, por mais que o seu bumbunzinho seja perfeito controle o rebolar, seu rosto deve ser imparcial e superior, esta entendendo tudo meu bem?

– Tá, acho que não tem metade do que você falou ai nessa sua andadinha, mas continua.

– Huff, pois bem, este é o jeito que você no seu estado atual usa para andar.

E assim ele começou, fazendo o que talvez fosse a representação mais exagerada e ridícula que Sakura já viu em sua vida, andava com as pernas muito abertas como se ali tivesse um burro de carga em baixo, os braços balançavam como se fossem duas serpentes tentando se acertar e a expressão em seu rosto era a fusão entre um biquinho longo e uma pessoa com diarreia, quando ele por fim chegou aonde a rosada estava, a mesma parecia mais convicta, mas tinha os olhos um pouco arregalados demais e a boca semiaberta.

– Então querida, — Começou ele com um rodopio. – o que achou?

–... Sinceramente, acho que eu daria uma tapa numa pessoa dessas. – Respondeu ela com um olhar inexpressivo e uma mão levantada a altura do rosto, como se realmente fosse agredir Gai, este por sua vez abaixou o olhar e suspirou forte em total desapontamento.

– Huuummmm talvez você precise de um exemplo mais autentico para se inspirar, TSUNADEEEE! – Gritou ele bem ao lado da rosada, fazendo a mesma refletir seriamente se deveria ter dado aquele tapa.

– O que é Gai? – Perguntou a loira em cima de uma das passarelas.

– Vem aqui um cadinho pls!

A loira logo desceu de onde estava e foi até seu instrutor, que para variar estava com aquela cara que ela já conhecia muito bem.

– Minha loira bombástica, poderia dar a Sakura-chan um exemplo de como se desfila? Eu preciso que ela visualize direitinho como deve estar em cima de uma passarela.

A loira bufou, pois em dois anos sabia que os métodos de ensino daquele instrutor não haviam mudado, e ser a modelo mais antiga da empresa tinha lá suas encheções de saco.

– Tudo bem, mas não vai fazer aquele negócio de –

– SOBE LOGO NESSE PEDAÇO DE FERRO! – Exclamou ele sem qualquer delicadeza, em se tratando de ensaios e dos desfiles em si, Gai se tornava um verdadeiro tirano, pois levava seu trabalho muito a sério.

– Aaah ele vai fazer...

Enquanto Sakura apenas observava de canto a loira voltou a suspirar, mas logo já estava em cima da mini plataforma, Gai puxou a rosada pelo braço e os dois se postaram ao lado de Tsunade, passando a acompanha-la por cada passo.

– Sakura, observe bem sim? – Pedia a loira.

Sakura acenou com a cabeça, a loira fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo, quase como se fizesse uma meditação e quando os abriu, a expressão de Tsunade havia mudado, parecia uma pessoa completamente diferente, mais imponente e sedutora, seu andar era quase inaudível, e por um momento ela parecia inalcançável, mesmo que estivesse a menos de um metro da rosada.

– Ah sim, sim, isso sim é desfilar, olhe para esta graça Sakura-chan, é este tipo de imponência que você deve mostrar, antes de subir ao palco você é só mais uma beldade, mas depois do primeiro passo deve se tornar uma deusa!

Sakura até pensaria em debochar de tal empolgação, mas o exemplo vivo disso estava andando bem na sua frente, e tinha de admitir, era realmente lindo, seu coração batia no compasso dos passos de sua veterana, ela vislumbrava todo o seu corpo se encantando com cada movimento, com cada parte daquele ser, logo seus olhos brilhavam de expectativa, pensando se um dia conseguiria transmitir metade do que estava sentindo naquele momento no dia do desfile.

– Incrível. – Foi tudo o que conseguiu dizer, tirando um pequeno sorrisinho por parte de Gai.

– Esta vendo só querida? É disso que eu estava falando, olhe o compasso perfeito de pernas e bumbum, linda, firme, poderosa, linda, firme, poderosa. – Narrava ele enquanto Tsunade continuava a desfilar.

– “Aiai lá vai ele de novo com esse papo.” — Suspirou a loira tentando manter a compostura.

– Linda, firme, poderosa. – Agora Gai já havia saído de perto da rosada e executava os mais diversos movimentos a cada passo da loira, sem deixar de recitar o seu “mantra”. – Linda, firme, poderosa!

– “Ooook, se esse cara falar poderosa mais uma vez essa bunda vai soltar um raio.” – Pensou a rosada com certa expectativa de que aquilo viesse realmente a acontecer.

– Linda, — Visto que Gai iria continuar com aquilo por todo o trajeto Tsunade acabou por baixar a guarda por um momento, soltando e balançando o bumbum mais do que devia, e isso não passou despercebido pelo excêntrico instrutor. – FIIIIIIIIIRRRMEE!!!! – Exclamou ele apalpando e empurrando de supetão a bunda da loira para cima.

– Ei ei ei ei, olha a mão boba sua bicha abusada! – Exclamou a loira “descendo do pedestal” e acabando com todo aquele clima de superioridade.

A resposta de Gai para isso saiu na forma de um sorriso debochado e um assovio pelo nariz.

– Relaxa querida, a gente joga no mesmo time, além do mais eu sou muito mais chegada em músculos do que em carne mole. – Pôde se notar uma veia saltada muito clara na testa da outra.

– Tá me chamando de flácida?

– Imagine querida, um bumbunzinho meio fofo é prato cheio para os bonitões.

– EI vocês ai! – Karin chamava a atenção do trio do outro lado do hall com o resto das modelos. – Sem tempo para papear, o desfile é em duas semanas e todos vão folgar na véspera e no próprio Natal, quero vocês concentradas 110% antes do feriado! – Se virando logo em seguida dando atenção as outras moças.

– Anko, mais firmeza nesse compasso, e você esta sorrindo de mais, mostre algo mais nobre e singelo.

– Hã? E que raios de expressão seria essa? – Reclamou a modelo claramente incomodada com tanta cobrança.

– Você também é uma das veteranas, não deveria ser tão relaxada, pegue o Haku como exemplo, a expressão e postura dele estão perfeitos. – Alfinetou a ruiva apontando para o moreno, que definitivamente podia ser confundido com uma mulher.

– “Ah não, ela acabou de dizer que eu estou abaixo de um homem?” ” Mas nem pensar!” – Certo mais uma vez!

– É óbvio, vamos repetir até você acertar!

E de longe o trio se divertia assistindo.

– Huuum, pelo visto a promoção deu um belo up na motivação da Uzumaki, esta se dedicando de corpo e alma logo de inicio. – Comentou o instrutor.

– Verdade, e acho que boa parte disso vem do primo, deve estar querendo corresponder as expectativas que vieram com o cargo, se é que ele tem mesmo alguma. – Rebateu Tsunade, pois a mesma não tinha conhecimento da vida pessoal de seu chefe, assim como nenhum dos outros funcionários deveria ter, para a empresa Naruto continuava sendo o mesmo de sempre, apesar de algumas mudanças já estarem nítidas em seu comportamento.

– Muito bem chega de papo, voltemos ao trabalho Sakura-chan...Sakura-chan?

Certamente ensaiar era o mais importante, ela também tinha suas próprias expectativas para atender, mas uma frase ficou estancada em sua cabeça depois de ouvir as palavras de Karin, como ela iria passar o Natal?

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Após mais alguns minutos de caminhada, Konan e Hinta já estavam a poucos metros da entrada do Chrysler Building, e admiravam juntas a impressionante visão que era aquela construção, a jovem Hyuuga talvez nunca viesse a se acostumar com aquilo.

– Então é aqui que você mora? – Perguntou a azulada um tanto indiscreta.

– Sim, chamativo né? Mas é bem confortável por dentro.

A azulada se retirou de seus próprios pensamentos e tratou de voltar a realidade, a pequena caminhada ao lado da jovem foi agradável e descontraída, apesar do leve incomodo que sentiu durante todo o percurso, mas já havia passado muito tempo por ali, estava na hora de voltar.

– Bem querida, é aqui que nos despedimos, e da próxima vez tome cuidado por onde passa, procure cobrir mais o rosto.

– Sim, obrigada por tudo Konan-san.

– Huff, no final vai manter o “san” né? Bem até qualquer dia. – Se despediu e se pôs a caminhar.

No entanto, assim que começou seu trajeto para casa o incomodo que sentiu durante todo o caminho ficou ainda mais forte, e sem saber exatamente quando começou a ter de mancar para andar, a azulada ainda estava bem visível para a jovem Hyuuga, afinal não dera mais do que 10 passos na direção de sua casa, quando percebeu a dificuldade no andar de sua salvadora, tratou logo de ir até a mesma.

– Konan-san, você esta bem?


– Hum? Sim porque a pergunta?

– É que já faz um tempinho que você esta fazendo uma careta sofrida, e agora começou a mancar,...esta machucada?

– Eu? Não, nem de longe, é só um pequeno incomodo no meu tornozelo, nada de mais, uma coisa dessas não me derruba.

Com isso a morena pousou o dedo indicador sobre o queixo, se pondo a matutar algo em sua cabecinha, quando terminou mirou a azulada, que agora até mostrava sinais de estar suando um pouco.

– Huuuum, Konan-san, me permiti fazer um teste?

– Eto, hai?

Com este prévio aviso Hinata segurou ambos os ombros da azulada, afastou um pouco a perna para tras e logo em seguida desferiu um chute de bico no tornozelo de Konan.

– AAAAAAAAhhhhhhhhhh, huuuuum, huuugrrrrrr.

Agora podia-se ver sua salvadora gemendo de dor, e com uma discreta lágrima descendo por sua face.

– Como eu pensei, esta doendo mesmo não é?

– DEPOIS DESSE CHUTE É CLARO QUE ESTA! Que ideia foi essa!?

– E-eu só queria v-ver se não estava se fazendo de forte pra eu não me preocupar.

– E você retribui chutando a minha perna!? Hã?... – De repente a azulada parou, como se tivesse sofrido um estalo em sua mente e logo estava agachada com ambas as mão na cabeça e algum claro arrependimento. – N-não acredito, que perdi minha compostura na frente de uma criança, que tipo de mulher eu sou meu Kami?

Diante de tal comentário Hinata não pode evitar bufar.

– Konan-san, eu sei que o rosto engana, mas eu não sou mais criança, já tenho 22 anos.

– O que?22? Pensei que no máximo tivesse uns 18!

– Aiai, me pergunto se daqui uns 20 anos eu ainda vou ouvir isso.

– Se estiver vou querer saber qual o seu creme hidratante, daqui 20 anos eu vou precisar.

Depois disso, ambas caíram numa gostosa gargalhada, até a azulada notar que mais uma vez toda sua pose tinha havia ido embora.

– Konan-san, você fala de mim, mas também é muito formal, não precisa se fazer de forte também, já tem muito do meu respeito só por conseguir derrubar aqueles caras.

– Hu, eu sei disso querida, ...mas no meu ramo de trabalho temos de manter uma certa postura, se não somo engolidos sem dó. – Explicou ela com certo pesar na voz.

– Entendo, mas você não tem ninguém para te ajudar a dividir este fardo?

–...Tenho, tenho sim. – Respondeu ela sem notar o pequeno sorriso em seus lábios.

Tentou se levantar, mas logo acabou indo ao chão, tendo de ser amparada pela Hyuuga.

– Como eu pensei, esta doendo mesmo não é?

– Na verdade, esta bem pior agora. – Disse ela meio que provocando Hinata com seu tom, recebendo um sorriso amarelo com uma batida de punho na cabeça e uma linguinha pra fora da mesma.

– Hehehe, desculpe por isso tá. Vamos lá.

– Hã? Vamos aonde?

– Até o meu apartamento, precisamos colocar um gelinho nessa perna pra ela melhorar.

– M-mas, eu posso chamar um taxi para ir embora.

– Eu não vou deixar você em pé no meio da rua esperando um taxi cheia de dor,...além do mais você se machucou me protegendo, deixe eu fazer pelo menos alguma coisa por você.

Mesmo querendo muito retrucar, diante daquele olhar tão sincero Konan seria incapaz de recusar o convite da jovem, apoiou-se em seu ombro e caminharam vagarosamente para dentro do grande edifício, pelo visto aquele ainda seria um longo dia.

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Depois de muito insistir, Sakura finalmente foi liberada para o seu horário de almoço, ficou aérea a maior parte do ensaio depois daquilo, sua cabeça agora estava cheia pensando no feriado.

Como iria passa-lo? Provavelmente Naruto e Hinata iriam querer passear na véspera e terminar o dia com uma noite de amor, e ela, ficaria sobrando, tal pensamento lhe incomodava bastante, estava feliz pela amiga, mas a ultima coisa que queria era ser deixada de lado pelo loiro...talvez não pudessem mesmo ser uma família de verdade, bufou mais uma vez enquanto seguia pelos corredores da empresa, e só foi tirada de seus pensamentos quando viu um conhecido moreno vindo do outro lado.

– Não é um não Itachi! – Resmungava o moreno no telefone.

– Ora vamos Sasuke, é Natal, você tem de vir. – pedia Itachi do outro lado da linha.

– É justamente por ser Natal, estamos lotados de serviço, o desfile de inverno é daqui duas semanas.

– Mas foi você mesmo quem me disse que todos teriam uma folga, faça uma forcinha, Saeko tem perguntado por você, e eu realmente quero ter ver mais próximo da Setsuna.

– Só porque vamos ter uma folga não quer dizer que todos vão parar de trabalhar, além disso irmão, Whashington, de todos os lugares para se viver você me escolhe um que fica a quatro horas de carro.

– Por isso mesmo estou pedindo, faça uma forcinha.

Talvez pelo calor da conversa o moreno não tenha notado, mas o volume de seu celular estava elevado ao ponto das pessoas ao seu redor poderem escutar tudo o que se falava, de tão entretido que estava, nem reparou que uma certa rosada havia passado a segui-lo de perto, e com um olhar indignado em sua face, detalhe, ele a ignorou quando ela foi cumprimenta-lo.

– Em fim Itachi talvez no ano que vem, vou desli-

Finalizava o moreno pretendendo encerrar logo aquele assunto, quando de repente sentiu seu telefone ser puxado com maestria de sua mão.

– Alo senhor Uchiha dois.

– “Não.Pode.Ser.” – Soletrou para si mesmo enquanto virava rosto encontrando Sakura ao telefone com seu irmão.

– Não não, sou só uma amiga mesmo...sim eu sei como ele é chato da desconto pra ele, vive estressado, por certa parte até por que quer.

– Sakura o que esta fazend –

Tentou ele vociferar, porem logo sentiu o indicador macio da rosada sobre seus lábios enquanto ela o olhava de um jeito sapeca. Tampou o telefone por alguns segundo e disse a ele.

– Estou te fazendo um favor. – Disse ela em uma piscadinha voltando a conversar com o outro Uchiha. – Oi voltei...pode ficar tranquilo ele vai sim...claro nem que eu tenha de arrasta-lo até ai...foi um prazer Itachi-san by by.

Despediu-se e desligou.

– Segura ai chefe. – Alertou-o jogando o aparelho em suas mãos. Sasuke mirou o mesmo por algum tempo e só depois encarou a rosada.

– Posso saber o que foi tudo isso?

– Eu é que te pergunto, Whashington fica a uma hora e meia de avião, é muito fácil de se chegar lá.

– Tsc, você sabia que atender ao telefone dos outros é contra lei?

– Tecnicamente você já estava conversando com seu irmão, então eu tô salva.

Ele suspirou e continuou.

– Escute aqui, você não tem nada que se meter –

– Ei Sasuke, porque você foge do seu irmão? – perguntou ela com os braços nas costas.

– Hã? Do que esta falando?

– Você só estava dando uma penca de desculpas pra não ver ele, por acaso não se gostam?

– N-não é nada disso.

– Então...hum...seria a esposa dele?

– De maneira alguma, Saeko-san é um doce de pessoa! – Defendeu ele um pouco exaltado de mais, fazendo com que o mesmo corasse de leve.

– Então qual é o problema?

– Arf, eu e o meu irmão, ficamos separados por um bom tempo, fizemos ambas nossas vidas e seguimos em frente, ele até construiu uma nova família,...me sinto um intruso quando entro naquela casa.

Parecia algo ridículo de um certo ponto de vista, porem naquele momento Sakura estava numa situação parecida, ao contrario de sua amiga que agora possuía uma verdadeira ligação com Naruto, ela era apenas uma irmã de consideração,...uma intrusa, ou até um empecilho, pelo menos assim ela pensava, tratou logo de afastar tais pensamentos dando dois leves tapas em suas bochechas e um potente peteleco na testa do Uchiha.

– Ai, o que foi isso?

–...baka.

– Hã?

– Acha mesmo que se fosse um intruso o seu irmão insistiria tanto para passar o feriado com ele? – Argumentou ela se virando para o outro lado e se pondo a caminhar. – Você diz que ele construiu uma nova família, mas tudo que ele fez foi expandir uma que já existe...você também faz parte daquela família Sasuke, devia ficar feliz por isso. Pelo menos, você ainda tem uma. – Disse ela sussurrando para si mesma a ultima parte, sem notar que o Uchiha a avia escutado em alto e bom som.

Finalizou ela desaparecendo aos poucos no extenso corredor, deixando para trás um moreno perplexo e pensativo.

Continua...

Notas finais
Só uma coisa pra finalizar, galera, o ultimo capítulo, apesar de grande, foi o que menos rendeu ibop, então venho perguntar. Tem alguma coisa incomodando na história? Estou detalhando e desenvolvendo tudo da melhor maneira que posso e com o tempo que eu tenho, mas se mesmo assim ainda não for o suficiente, me deem um toque, eu posso melhorar.