Technicolor Beat
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura.
A lua está brilhante no céu, o mundo se torna exatamente o que eu queria que fosse: Silencioso. Apenas a luz dela ilumina meu quarto através da janela, sombras recaem aqui e ali, dando um belo plano de fundo à trilha sonora de mais uma noite pensativa com meus fones de ouvidos preferidos. Sento na borda da cama, não posso contar com palavras o quanto minha vida mudou desde que me tornei uma Power Ranger. Agora eu tenho o Zack, o Billy, o Jason e a Kim. De todos eles, eu tenho me relacionado mais com a Kim, eu não sei, realmente não sei, se é porque ela me atrai ou só porque somos garotas. É, ela me atrai, às vezes não consigo disfarçar chegando perto dela e agora o teto do meu quarto parece formar imagens do sorriso dela na beira do penhasco, e eu assisto, deitada sobre a cama enquanto pensava no quão bom a vida é. Agora.
Penso ter ouvido algum barulho, mas não vejo nenhum movimento, então volto apenas a ouvir a música e olhar pro teto enquanto lembrava de tudo que houve até agora, comigo, com meus amigos, até que ela aparece na janela. Kimberly. Tiro os fones e vejo ela fazer um sinal com a cabeça, como quem pedisse permissão para entrar e eu consinto, agora sentada na cama, e ela entra. Vejo ela caminhar devagar até se sentar na minha frente, na cama, os pés dela balançam no chão enquanto ela tenta me olhar nos olhos e falar.
— Você está bem? – Pergunto, levando os cabelos que caíram sobre meu rosto de volta para trás da orelha
— Estou – ela me olha nos olhos e eu prendo a respiração – eu estava no meu quarto e pensei... nós somos amigas, não somos?
Pra muitas pessoas, ouvir tal coisa seria como um desânimo ou até tristeza, mas pra mim era como uma oportunidade de entender o que eu realmente queria com Kimberly Hart.
— É, nós somos. – sorrio pra ela e ela retribui, me fazendo capturar novamente aquele sorriso em minha mente, poderia revê-lo o resto da noite toda
— Eu estava pensando sobre tudo que houve, foram tantas coisas, a Rita, a morte do Billy, a volta à vida, a luta, nossa amizade crescendo, mas... Tem algo que eu não disse aquela noite na fogueira.
— Está tudo bem – seguro no braço dela afim de confortá-la – foi o começo pra todos nós.
Vejo-a observando minha mão em seu antebraço e puxo a mão de volta, envergonhada. Ela me olha nos olhos.
— Eu beijei o Jason – um ardor percorre meu estômago – e nós íamos...
Respiro fundo e assinto, revelando que entendi.
— Então recebemos sua mensagem e eu pensei se não era um sinal.
— Um sinal?
— Eu devia ter contado naquela noite... Você não é a única a ter certos problemas... Eu percebi que olhava tempo demais pro corpo das garotas no vestiário feminino, uma vez. – Tudo cai em cima de mim como uma bomba e eu sinto uma excitação me dominar, eu queria falar sobre isso, queria que ela falasse sobre isso, queria que pudéssemos ser normais pelo menos uma vez na vida – e eu guardei pra mim, não era o que eu queria pra mim, então ninguém nunca soube. A-Agora só você. E...
Ela se levanta e caminha para perto da janela, junto à mesa, e eu a acompanho. Ela se mantém de costas, mas, ao se virar de repente, pude sentir seu hálito fresco em meu rosto quando nossos corpos quase trombaram. Ela é maior que eu, sua camiseta preta revelava que ela estava prestes a ir dormir antes de resolver vir aqui. Ela segura a mesa atrás de si e eu noto que posso estar próxima demais, então dou um passo para trás.
— Eu notei como me olhou no penhasco – ela diz e eu tento respirar normalmente, sua voz quase sussurrada podia ser ainda mais sexy do que vê-la suada e lutando contra grandes pedras vivas – e naquele dia em que brincamos na cafeteria. Eu sei o que sentiu, eu sinto também.
— Sente... comigo? – dou um passo à frente
— Somos Power Rangers agora – ela diz e eu seguro uma mexa do cabelo dela, levando a mão ao seu rosto em seguida – não somos pessoas normais. Não temos que fingir ser, não nisso.
Finalmente fito seus olhos, sua boca me enfeitiçara mais uma vez.
— Quanto tempo você esperou pra sentir isso? – pergunto
Ela desvia o olhar para o lado, única forma que pudesse encontrar o chão, já que eu a mantinha presa entre mim e a mesa. Puxo seu rosto de volta pelo queixo, e deslizo as mãos em seus braços, assim como meus olhos se debruçam em seu corpo, admirando tudo que não pude, tudo que resisti, como seu decote próximo ao meu queixo. Minhas mãos invadem a camisa dela afim de tocar-lhe a pele, é macia como sempre imaginei. Retiro as mãos e coloco-as sobre sua cintura, agora por cima da camiseta, com firmeza, juntando seu quadril ao meu corpo. Encaro-a nos olhos finalmente.
— Está disposta a descobrir o que você realmente sente? Agora? – Ela se refere ao que sinto por ela, revelando-me da maneira menos direta que ela conseguiu achar que ela também não sabia o que realmente sentia, que também queria descobrir
Tento acalmar meu coração à medida que aproximo meus lábios de seu pescoço, ela fica parada, esperando meu toque, e eu o faço. Beijo-a uma, duas, três vezes, até que eu chupo devagar, tanto quanto os beijos, e sinto sua mão me tocar de leve na cintura. Sorrio rapidamente e deslizo meu rosto pelo seu pescoço até chegar ao seu queixo, então volto a encará-la e vejo o que eu já sabia, ela não contém a respiração que se tornara mais pesada agora. Continuo encarando seus olhos enquanto deslizo a mão por seu pescoço, subindo pela nuca até que meus dedos se agarraram em seus cabelos. Então finalmente fito os lábios dela, podiam ser tão atraentes que eu não poderia explicar, me parecem tão quentes agora tão de perto que, finalmente, estico um pouco os dedos dos pés afim de ficar mais alta para que meus lábios a alcançasse. Os lábios dela fervem nos meus, sinto suas mãos me tocarem mais forte agora. Então ela finalmente consente e abre a boca um pouco mais, e eu já não sei se quero pensar sobre o que eu sinto por ela, mas sentir o que eu sinto por ela.
Eu sinto ela apertar minha cintura entre seus braços, se curvando, aliviando meus pés, enquanto eu seguro ainda mais firme os cabelos dela. Sinto ela se movimentar, então ela gira e me põe contra a mesa, puxando minhas pernas pra cima, fazendo com que eu sente sobre a mesa. Puxo-a com as pernas, fazendo com que ela batesse com força sobre a mesa e eu sorrio, seguida por ela, que puxa minhas pernas e as prende ao redor dela. Ela me beija com propriedade e eu a mordo, mostrando que eu ainda estou ganhando essa briga. Ela sorri nos meus lábios e desliza a mão por minha coxa, beijando-me o pescoço agora enquanto um longo suspiro sai de mim. Ela podia ser mais viva do que eu pensei que pudesse, o calor do corpo dela me invade, deixando em meu corpo um arrepio bruto, e vejo o quão sagaz ela pode ser em seus objetivos. E seu objetivo sou eu.
Um gemido sai da minha garganta, despertando-me. Ela delineia seu próprio caminho com os lábios até o decote da minha camiseta, então eu a empurro com força, jogando-nos contra a parede do outro lado do quarto. Ela sorri, e eu sorrio de volta.
— Minha vez – digo
— Não. – Ela diz ainda com um sorriso
Ela me joga sobre a cama e se põe sobre mim.
— Você não é muito de perder, não é? – Pergunto
Ela sorri ainda mais, mas seu sorriso não era como aquele na beira do penhasco que me peguei lembrando tantas vezes, era malicioso, assim como suas intenções.
— Depende do seu ponto de vista sobre perder. – Ela finalmente responde e eu a beijo
Ela volta a ativa. Seu corpo não se desvencilha do meu e, enquanto ela depositava todo seu vigor em meus lábios, eu estudava cada canto de seu corpo. Deslizo a mão para dentro da camiseta dela, deslizando os dedos por toda a extensão de suas costas. Ela ferve com meu toque, e eu sou o turbilhão das águas. Ela se apoia nas mãos e me olha nos olhos, eu sorrio pra ela, deslizando o polegar em seu queixo até chegar em seus lábios. Olho-a nos olhos novamente, tão lindos olhos, não posso dizer com palavra como minha vida mudou depois de Kimberly Hart, e estava prestes a mudar ainda mais.
A porta se abre e eu vejo meus irmãos me olharem boquiabertos, Kim esconde o rosto em meu pescoço e eu seguro a nuca dela.
— Merda – digo baixinho
— Mãe! A Trini está com alguém no quarto! – O maior corre, sendo seguido pelo menor
— Eu disse que ouvi um barulho – ouvimos o outro dizer
— Corre. – Digo pra Kim
Ela sai de cima de mim e corre pra janela, pulando sem hesitação para fora, e eu me cubro, coloco o fone e finjo estar dormindo.
— O que foi?! – ouço a voz da minha mãe e escuto seus passos – não há ninguém aqui, nem lá fora, estão vendo?
Escuto ela fechar a janela.
— Vamos, vamos, ou vão acordar sua irmã. Foi só um sonho.
— Não foi sonho, nós vimos! – Dizem os caçulas quase que ao mesmo tempo
— Não, foi só um sonho, vamos.
Ouço a porta bater.
Espero alguns segundos e verifico se realmente foram, e, confirmando que já foram, salto da cama e vou até a janela. Abro a janela e procuro por Kimberly, vejo-a sorrir pra mim já um pouco distante, e eu sorrio também. Foi por pouco. Vejo ela piscar pra mim e correr para o outro lado, entrando na escuridão e saindo do meu campo de visão. Fecho a janela e volto a deitar na cama. Suspiro, encarando o teto novamente, até que um largo sorriso se forma em meu rosto.
Ouço meu celular notificar alguma coisa e verifico de imediato, é ela, a Kim. Desbloqueio rapidamente e leio a mensagem.
— Descobri o que eu sinto, Kwan.
Sorrio. Kimberly não é a única, e eu não aguentava mais essa dúvida. Kimberly Hart não só me atrai e eu não poderia me sentir mais viva, então eu não hesito em provocá-la, revelando-a que agora, eu não só sei o que sinto, como mal posso esperar para consumar este sentimento:
— Então me mostre.
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