Teatro dos Vampiros
1 Único
Notas iniciais
O corpo que lhe pesava os ombros era um problema deveras incomodo. Mas não podia ser diferente; ninguém gostava de lutar para se manter em sopesa enquanto tinha um maldito defunto nas costas. Entretanto, seria melhor se fosse um defunto qualquer, e não o corpo do ser que mais amou em toda a sua vida.
Foi bobagem.
Naquele dia, correu atrás dele, chamando pelo nome de Carlo, o prostituto que havia lhe seduzido por meses durante sua estadia em Londres e, sem explicação, desapareceu.
Não foi por pura serendipidade que encontrou aquele lugar e se deparou com o enorme ninho escondido no subsolo, não era idiota, sabia que havia sido atraído ate ali. Foi atacado por todos os lados, pego em uma emboscada por aqueles sanguessugas que se achavam inteligentes o suficiente para armar contra si. Não tomava aquela audácia como uma ofensa ao seu ego ou se lastimava coração magoado por ter sido traído para ali justamente por aquele que lhe fazia juras de amor entre lençóis molhados de suor e gemidos. Era hilário! Johan Vicentin, o conhecido e excentrico caçador de criaturas das trevas, pego numa armadilha ridícula daquelas
Já afastado dali, limpou a fuligem do rosto e olhou para trás, deparando-se com as chamas consumindo o teatro abandonado e parte da noite que era um manto negro a cobrir os céus. Tudo viraria cinzas e a lua não seria mais testemunha da matança sem fim que se abatera sobre a conspícua Inglaterra.
Só não havia deixado para trás o corpo dele…
Daquele que, mesmo lhe traindo, ainda tinha seu coração. Não. O jovem prostituto que havia lhe encantado com a lábia suja foi deixado na sarjeta; um besante brilhante na palma da mão e a certeza de que estava sendo muito bem pago por um serviço mal feito.
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