Tears of blood
7 Monsturi
Notas iniciais

Eu jamais conseguiria esconder a minha excitação . Por não conseguir me lembrar de minha vida antes da morte , eu não poderia dizer quantas vezes já havia deixado a cidade , então , aquela me parecia a primeira ... e poderia vir a ser a única . Sim , eu seria uma mensageira de uma mensagem amarga que odiaria ter de dar a qualquer um , porém , eu sairia de Volterra . Em poucos minutos , me veria longe da jurisdição dos Volturi e de tudo aquilo que pode ser vistoriado por seus olhos . Sei que ainda estarei sendo controlada , assim como qualquer outro vampiro que desejasse permanecer vivo , devo obedecer , mas , não estar ao núcleo de tudo , já fazia com que meu sangue que não corria , fervesse . Eu provaria uma prévia daquilo que poderia me aguardar , se eu não pertencesse a aqueles que haviam me criado .
Por medo de que algo me impedisse , saí antes mesmo que o sol apontasse ao horizonte . Desci as escadas , apreciando o barulho que meus saltos causavam ao se chocarem com o mármore das escadarias . Eu jamais havia me vestido daquela maneira e em contrapartida , passara horas apenas para preparar aquilo que trajava . Sabia que precisava aparentar intimidante o suficiente para que não me desafiassem , fechada o suficiente para que compreendessem que eu não estava aberta a perguntas e minha postura deveria ser impecável , assim como a de Aro , Caius , Marcus ou qualquer um da guarda . Prender todo o meu cabelo em coque rapidamente , acabou me trazendo um resultado bagunçado , porém , eu não possuía tempo para mudar , sabia que me aguardavam ,
Pisei a porta e então um pequeno copo descartável , desses de café que consiguimos no starbucks , fora colocado em minha mão por um dos vampiros que me acompanhariam . Abri a pequena tampinha e levei o copo até a boca . Fiquei surpresa assim que meu paladar fora tomado pelo doce sabor daquilo que me mantinha em pé , porém , nem por isso deixei de tomar . Aquela pequena dose fora o suficiente para me preencher com uma rajada de energia , fazendo com que eu me sentisse revigorada e pronta para cruzar muitas milhas . A porta do carro fora aberta para mim e assim que me preparava para entrar , fui novamente surpreendida , porém , uma surpresa nem um pouco agradável .
– O que faz aqui ?
– Bem , depois de ter uma conversa com meu irmão a respeito de ser perigoso deixar que vá sozinha , ele sugeriu que eu a acompanhasse . — Pelo sorriso que eu vira em seu rosto , ficara claro que tudo fora premeditado .
– Não — Disse levando uma das mãos a cabeça . — Vá sozinho . — Me virei , porém antes que pudesse sair , me puxou para dentro do carro e depois de um sinal de mãos , o mesmo estava em movimento .
– Está aqui para cumprir ordens . — Disse enquanto me jogava bruscamente sobre os bancos de couro da BMW .
– Que eu me lembre , não fiz nenhum juramente de lealdade a você . — Abri um sorriso , deixando claro o meu descontentamento .
– Claro , isso foi decidido para você . — A maneira como se dirigia a mim , demonstrava que não tinha se incomodado nem um pouco .
– Você é desprezível . — Revirei os olhos e me encolhi próxima a janela .
– Te mostrei tão pouco ... diga-me ao fim de tudo , o quão desprezível eu sou . — Abriu um sorriso que me arrepiara por completo .
– Prefiro não perder muito tempo com você . — Me isolei em seguida ignorando o que ele dissera em seguida , se é que ele havia dito algo .
Quando pude começar a me focar no caminho que nos cercava , já não havia mais nada para ser observado . Fui puxada violentamente do carro por Caius , arrastada em seguida pelo braço e mantida presa enquanto cruzávamos o aeroporto . Eu havia ficado furiosa , até notar que se não houvesse sido por ele e por sua ignorância , agora eu já teria saltado no pescoço de qualquer um dos que ali estavam presentes . O som de cada um daqueles corações pulsando , ia e vinha dentro de mim , as vibrações tão próximas que quase me roçavam a pele em um som extremamente convidativo . A pele em cada um daqueles pescoços , tão fina quanto seda , como se pedisse que eu a rasgasse , deixando transparecer o sangue correndo quente por entre as veias e nutrindo cada um dos vasos sanguíneos , dando a aqueles humanos um tom rosado de vida que eu já não mais possuía . Assim que percebi o efeito que meu instinto causava em mim , me encolhi e ao notar , havia passado a me agarrar em Caius , que em vez de me afastar , abraçara-me gentilmente e me mantinha presa .
Em breve estávamos no que seria , o avião particular dos Volturi . As janelas eram escuras e os bancos de couro negro , o cheiro adocicado que vinha dos fundos , indicava que ali seria servido exatamente aquilo que eu precisava . Me acomodei em uma das poltronas e controlei minha vontade de reclamar assim que vi Caius se sentando ao meu lado . Suspirei profundamente , sentindo a adrenalina que a pouco me consumira , ir deixando o meu corpo e só então , relaxei , sentindo-me afundar no tecido macio , fofo e confortável . Olhei para Caius , ele me parecia perfeitamente bem . Tranquilo como se nada houvesse o afetado e então tentei imaginar a mim mesma , daqui a alguns séculos , agindo de mesmo modo .
– Obri ...
– Não me agradeça . — Cortou-me e então notei que ele ainda era um babaca e que sequer abrir a boca , seria algo completamente desnecessário e que apenas me irritaria .
– Perfeitamente . — Concordei abrindo um sorriso . Uma xícara branca e comprida fora colocada diante a mim . Examinei o conteúdo e em vez de tomar de tudo de um só gole como meu corpo mandava , apenas me virei e fitei a janela que deixava apenas silhuetas de uma paisagem transparecer .
– Greve de fome ? Seja mais adulta do que isso . — Eu esperava que terminasse ali , porém , ele virou meu rosto e pressionou a xícara contra meus lábios forçando-me a beber .
– Não pode me controlar . — Passei a mão pelos lábios limpando aquilo que havia caído , antes que ele pudesse se atrever a fazer o mesmo .
– Posso sim . — Abriu um sorriso . Revirei os olhos e me encolhi dentro do casaco . — As pessoas que conheceremos ...
– Não as tratarei mal Caius , já basta ter de lhes entregar uma sentença de morte . — Fora minha vez de o cortar .
– Só iria dizer que não são confiáveis . — Levantou as mãos como se houvesse se rendido .
– Desde quando se preocupa ? — Perguntei enquanto cruzava os braços .
– Não me preocupo . — Idiota .
– Deveria ir me sentar com os outros , sou apenas uma vampira da guarda . — Completei enquanto observava a distância que todos mantinham de Caius por respeito .
– Não é nem maluca . Se Aro souber que fizera isso , mandará arrancar as cabeças de todos que permitiram . — Deu de ombros .
– Por que ?
– Qualquer um sabe Makena , que para Aro , você é muito mais do que apenas uma vampira da guarda . Ele só confiava tarefas assim a Jane e Alec , aqueles que eram seus favoritos ... apenas não são mais porque obviamente você tomara o lugar deles .
– Não é como se eu tivesse feito algo . — Era óbvio . Nem sequer para ser transformada eu havia pedido .
– Não precisa , só a sua presença o enche . — Disse claramente incomodado com as suas próprias palavras . — Em breve pousaremos e continuaremos de carro , é uma cidade escondida e afastada . — Mudou de assunto .
Seu em breve na verdade se prolongara por horas , deixando-me cansada de permanecer em silêncio naquele avião , porém , assim que pisamos naquele lugar , soube que havia valido a pena . Podia sentir que era diferente , até na densidade do ar . O cheiro de pinheiros e terra molhada , havia dominado o lugar e pude sentir a presença de muitas coisas vivas , fazendo-me sentir ainda mais excitada para conhecer tudo . Entramos no carro e dirigimos por uma hora sem sessar e então , Caius fizera um sinal e o veículo parou , em frente a um beco escuro . Abriu a porta e desceu o carro . Senti que deveria ter permanecido quieta , porém quando notei , já estava do lado de fora observando aquela cena . Caius havia interceptado uma mulher desavisada que por ali passava , a jogado contra a parede e em seguida avançado sobre ela , rasgando seu pescoço a fora e se inundando com o sangue de uma inocente .
Eu sabia exatamente o que aquela cena deveria provocar em mim . Sabia a repulsa que sentia desse sentido animal e raiva que possuía dos Volturi por não controlarem esse instinto e saírem atacando pessoas que não possuíam culpa alguma de nossa condição . Sabia que naquele momento , eu deveria ter avançado sobre ele e o impedido de continuar , salvando então aquela pobre mulher , porém , minhas vontades eram as mesmas , mas minhas emoções , completamente contrárias . Vê-lo estraçalhar aquela humana , como um leão faria com um pedaço de carne sem osso , me provocara uma excitação tão grande que me fizera vibrar . Ver suas mãos pressionando aquele corpo frágil , aos poucos partindo os ossos como se fossem de vidro , fizera-me desejar estar no lugar dela . Tudo era tão real , que eu poderia dizer que sentia exatamente aquilo que ele sentia , tudo estava tão próximo que fora quase como se o sangue daquela mulher inundasse os meus lábios e em seguida escorresse quente pelo meu pescoço , preenchendo-me e fazendo com que eu desejasse mais e mais . E em seguida , quando se voltou para mim , coberto em sangue , eu tive vontade de ataca-lo , avançar sobre ele e o estraçalhar assim como fizera com sua vítima .
E assim como um pensamento , minha ação se completou antes que eu pudesse a controlar . Avancei sobre ele o jogando contra a parede de concreto que a pouco a mulher havia estado . Rasguei sua camisa , passando os lábios ferozmente aonde o sangue havia escorrido e em seguida , tomei sua boca com tanta fome , que era quase como se ali fosse encontrar a sua artéria . Surpresa fora a minha quando notei que correspondia ao meu beijo desajeitado , também cheio de desejo , faminto , ansiando por cada vez mais . O empurrei para longe e me ajeitei , notando que havia perdido o controle por completo . Eu não deveria ... eu sabia que não deveria . Tentei falar algo , porém ele apenas sorrira enquanto limpava a boca com as costas das mãos e passava por mim concertando sua postura . Claro que ele havia gostado .
– Hora de conhecer alguns Cullens — Disse enquanto entrava dentro do carro . Eu havia caído em sua armadilha e cedido aos meus instintos , o que lhe dera um prazer enorme , já que eu havia quebrado a jura que fizera a mim mesma no dia passado . Porém , tudo apenas começou e em breve , eu o farei desejar que possa tornar a me tocar , assim como um vampiro faminto deseja sangue .
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