Tears of an Angel
2 Carbonizado
Sarah saiu do banho e ainda não sabia que roupa usar na ocasião, mas quando abriu o closet encontrou um vestido preto que ela nem sabia que tinha, ela vestiu-o esperando que ficasse apertado ou coisa parecida, no entanto, ele coube perfeitamente.
Era um vestido formal que ia até um palmo antes do joelho, com detalhes em renda nas mangas e na bainha, ele tinha um decote com tule em suas costas e pregas na cintura. Como de costume deixou seu cabelo solto em ondas negras que iam um pouco abaixo de sua cintura, passou mascara de cílios delineador preto e um gloss. Então calçou seu salto preto com detalhes em prata olhou-se no espelho e concluiu que estava pronta.
Desceu as escadas e no fim delas seu pai a esperava.
—Querida ela está pronta. —Roben chamou Lauren— Você está linda meu amor. — Ele disse lhe beijando a testa.
—Obrigada, mas é apenas um encontro pai.
Seus pais agiam como se ela fosse se casar.
—Minha garotinha cresceu. — Lauren surgiu já com lágrimas nos olhos.
—Nossa! Como vocês são exagerados.
—Anda logo ou vai se atrasar, Roben lhe entregou a chave do seu carro, um velho Impala prata.
—Pai, tem certeza que vai me deixar dirigir seu amado Stevie?
—Claro, mas cuida bem dele.
—Pode confiar, ele será muito bem tratado.
—Tenho certeza que sim, agora vai, mas não chegue muito tarde.
—Divirta-se minha garotinha.
Sarah então foi.
Ela procurou uma estação no rádio e em uma delas a música “Four Five seconds” estava tocando, a estrada estava vazia e coberta por uma névoa o clima esfriou de repente e como um flash alguém passou na frente do carro.
Ela parou e desceu assustada, procurou por todos os lados, mas não viu ninguém.
“Deve ter sido uma ilusão de ótica provocada pelas árvores”
[...]
—Boa noite em que posso ajudá-la? — A atendente falou simpática
— Boa noite, há uma mesa reservada em nome de Evan Millman?
—Sim, queira me acompanhar.
A moça a conduziu por um enorme salão muito luxuoso sua estrutura interna lembrava os templos gregos, o lugar estava lotado, todas as pessoas naquele ambiente se vestiam de forma fina, tudo era muito diferente do universo em que Sarah vivia.
—Chegamos— A moça parou em um terraço separado que tinha uma vista maravilhosa para o mar, no céu a lua brilhava imponente, diferente de quando ela estava na estrada com toda aquela névoa.
—Obrigada. — Ela agradeceu quando a moça se retirou do local.
Um garçom puxou a cadeira para que ela pudesse sentar e também se retirou, retornando tempo depois com a carta Menu.
—Obrigada— Mais uma vez ela agradeceu.
Evan surgiu estava muito bem vestido, com um smoking preto, carregava em uma de suas mãos uma sacola com um símbolo de uma joalheria.
—Boa noite— Ele cumprimentou-a.
—Boa noite — Ela respondeu sendo simpática.
—Está linda como sempre— Ele disse olhando em seus olhos.
—Obrigada você é muito gentil— Ela estava se esforçando ao máximo para passar uma imagem madura de si mesma.
—Eu trouxe um presentinho para você. —Evan retirou da sacola uma caixa preta coberta com veludo em seguida a abriu-a revelando um medalhão prata.
—Evan é lindo, mas eu não posso aceitar.
—Aceite, por favor, caso contrario entenderei sua recusa como uma ofensa.
— Mas, é algo muito caro não posso aceitar.
— Lhe garanto que é algo que te pertence.
— Tudo bem. — Ela assentiu para encerrar o assunto.
Ele levantou e puxou a cadeira dela para que ela se levantasse também, colocou seus longos cabelos em seu ombro passou os braços em torno do pescoço dela depositando um leve toque e um beijo na nuca que arrepiou todo o corpo de Sarah que apesar de achar as atitudes dele estranhas permitiu que continuasse.
—Pronto está no seu devido lugar— Ele disse olhando pro colar pendurado no pescoço de Sarah.
Tornaram a seus lugares.
Um garçom aproximou-se da mesa e perguntou:
— Já pediram?
—Sim— Ele olhou para Sarah que meneou a cabeça positivamente o autorizando a pedir por ela. —Como entrada queremos escargots, prato principal Blanquette de veau e sobremesa Clafouts.Quer adicionar mais alguma coisa Sarah?
—Não pode ser isso aí mesmo. — Blanquette de quê? Ela nem sabia repetir aquela palavra.
Evan a olhou e começou a sorrir.
— Fiz algo errado? — Sarah perguntou apreensiva.
— Não, é que esses nomes são tão frescurentos, sabe que o nome Blanquette vem do fato que o molho do guisado é branco?
— Não pra ser sincera nem sei o que é Blanquette de veado.
Ele riu ainda mais.
—É Blanquette de veau.
— Eu vim pagar o maior mico aqui, não sei nem o nome como vou saber comer isso?
— Quer saber, vamos a outro lugar.
[...]
Eles foram pro estacionamento e lá ele a levou ao seu carro Aston Martin One-77 Preto.
—Pra onde vamos?
— Pra um lugar especial.
Ele a conduziu pelas ruas, até chegarem ao porto onde compraram salsicha no espeto e sentaram-se na areia da praia onde ficaram olhando as estrelas.
—Garanto que foi melhor que qualquer jantar granfino— Ela falou com o canto da boca sujo de catchup.
Evan passou seu polegar no canto de sua boca para limpá-la, ambos se encaram por um tempo e ele se inclinou para beijá-la, mas ela se esquivou evitando-o.
—Acho que já está na hora de voltar para casa.
—Tudo bem.
[...]
— Meu pai vai me matar— Sarah estava desesperada.
—Vai ver eles guincharam, não precisa se preocupar a gente vai buscar.
—Eu acho que não—Ela falou apontando para um carro mais a frente completamente carbonizado.
—Como isso aconteceu?
Ele a levou de volta para casa.
—Quando posso te ver de novo?
—Se meu pai não me matar pode me procurar em um hospital.
—Tenho certeza de que ele vai entender.
—Manda uma mensagem e depois a gente marca.—Ela esticou a mão pedindo o celular dele, onde digitou seu número. —Até mais.
—Até! —Ele se despediu e esperou que ela entrasse em casa para poder seguir.
—Já chegou querida? —Lauren estava esperando sentada na sala—Como foi o jantar?
—Não foi.
—Então o que andou fazendo todo esse tempo?
—Não comemos onde havíamos planejado.
—Mas, por quê?
—É uma longa história.
—A minha menina chegou, então como tratou o Stevie? — Roben surgiu com um sorriso no rosto.
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