Tears Of Blood

3 Capítulo II


Notas iniciais
demorou horrores, mas finalmente consegui postar esse capitulo!
bem espero que gostem e tenham paciencia comigo, eu posso demorar mas não abandonei a fic!

capitulo II- moonlight

Cap2- In The Moonlight

Kayleigh’s POV

O sol iluminava o quarto e os pássaros cantavam denunciando seu atraso, já era por volta de 8 horas e ainda não estava pronta. Já fazia duas semanas que conhecera o jovem do violino, e desde então os pesadelos que lhe atormentavam tanto diminuíram de frequencia.

Olhou para o céu claro, estava muito atrasada. Penteou os cabelos o mais rápido que pode, os prendeu em um coque, pôs a toca que os escondia, atravessou o quarto e se dirigiu ao armário. Pegou seu uniforme, lavou o rosto e se encaminhou para cozinha.

-Ora... Que raro a senhorita se atrasar!_ sorriu o cozinheiro, uma das únicas pessoas de quem Kayleigh gostava. Jerrard era um homem baixo de cabelos pretos e olhos muito bondosos.

-Não ria Jerrard!_respondeu Kayleigh emburrada.

-Certo... Mas é melhor a senhorita comer logo ou ele notará...

-Sim... Já vou... _disse enquanto se retirava.

O dia passou rapidamente e como vinha acontecendo durante toda a semana seus pensamentos vagavam a aquela noite, pensamentos como “quem será que ele é?” ou “ qual será o seu nome?” e principalmente “ porque não consigo esquecê-lo?”.

Terminou as suas tarefas e foi para seu quarto. Embora fosse um quarto humilde, pequeno e pouco iluminado era o único lugar em que podia ficar em silencio e pensar. Dormiu enquanto lembrava-se da suave melodia que a acalentara no inicio da semana. Tinha certeza de que não teria novamente os pesadelos... Ledo engano.

“Caminhava sozinha em busca de seus pais quando ouviu um barulho, identificando como as vozes daqueles quem procurava. Correu em direção ao som, porém ao chegar não encontrou seus progenitores e sim um homem com os olhos rubros e sinistros. Olhou para baixo e viu sangue, seguiu o rastro rubro com os olhos e se deparou com os corpos de seu pais já sem vida caídos no chão.

-Não esta na hora de uma criança como a senhorita estar na cama?_ A voz do vampiro era fria e rouca e lhe amedrontou por inteira.

O medo tomou conta de seu corpo, não sabia o que fazer, sua mente nublou e qualquer reação lhe fugiu. Quando deu por si ele estava em sua frente, a boca aberta exibindo as presas e o aroma de sangue e morte lhe invadindo as narinas. Finalmente a realidade do que estava acontecendo lhe atingiu, ele era um monstro que havia matado seus pais e agora ira matá-la também. Seu corpo involuntariamente estremeceu diante dos pensamentos mórbidos que lhe invadiam a mente.

-N-não_ as palavras saíram de sua boca num esforço tremendo, fechou os olhos apertando bem as pálpebras contra maçã do rosto, numa forma desesperada de se proteger e aliviar a dor que viria.

Sentiu algo escorrer por sua pele presumindo ser seu próprio sangue e abrindo os olhos se deparou com o par de orbes mais verdes que já havia visto, então tudo começou a rodar e voltou para a escuridão que a aguardava por trás de suas pálpebras fechadas.”

Despertou assustada e ofegante, levou a mão ao peito sentindo os batimentos descompassados. Levantou e dirigiu-se à mesa, na qual repousava a bacia que ela utilizava para lavar o rosto e a jarra com a água, tentou por a água na bacia, porém suas mãos tremulas não permitiram o ato. Voltou para cama, tentando se acalmar. Sempre teve os pesadelos, já estava acostumada, entretanto nunca teve um tão intenso e tão cheio de detalhes quanto aquele.

Olhou através da janela para a lua que brilhava intensamente, resolveu descer até o jardim para refrescar a mente e tentar apagar as lembranças de seu pesadelo. Desceu as escadas cuidadosamente, um degrau após o outro, chegando ao imenso corredor iluminado apenas pela luz da lua cheia, não ventava e os sons de seus passos se misturavam ao das criaturas noturnas, chegou a entrada da cozinha sentindo o cheiro característico que permeava o local. Dirigiu-se à porta indo para o jardim, o perfume das rosas recém-floridas lhe acalmavam fazendo do mesmo o único lugar onde podia por seus pensamentos e emoções em ordem.

Enquanto sua mente clareava e as sensações dos seus sonhos sumiam ouviu a melodia que tinha esperado a semana toda. Levantou-se do local no qual estivera sentada tentando localizar a fonte do som, seu coração batia alucinadamente em seu peito tamanha a expectativa de reencontrar o fascinante moreno.

Yoru’s POV

Sua consciência retornou num rompante, teve aquele “sonho” novamente... Não era a primeira vez que lhe perturbava, já havia anos que não dormia, não que isso lhe importasse, mesmo sem os pesadelos nunca dormia só entrava num estado de semi-inconsciência...

Levantou e caminhou até a janela fechada com uma grossa cortina de tom vinho bloqueando os raios solares. Afastou um pouco a cortina fazendo uma pequena abertura por onde pode ver um pouco do iluminado jardim.

-Ainda está claro... _disse quase num suspiro, pensou em voltar para cama, mas sabia que as imagens voltariam e ele acordaria de novo.

Trocou suas vestes e se dirigiu para a porta, estava se sentindo oprimido entre as paredes de seu quarto. O cômodo possuía janelas frontais à cama que ficavam fechadas e cobertas com pesadas cortinas durante o dia, escondendo de quem estivesse fora da mansão o seu interior. A decoração era simples, mas nem por isso deixava de ser elegante. Parou em frente à porta respirando fundo, estava cansado. Atravessou o corredor, se dirigiu a escada e caminhou até seu ateliê. Varias telas e pinturas espalhadas denunciavam a função principal do quarto, porém o que mais se destacava por se destoar dos outros objetos era o violino que repousava sobre uma mesa de centro descansando dentro de seu estojo. Aproximou-se do objeto dedilhando a madeira e retirando o pouco pó que havia acumulado.

-Realmente você é um instrumento do demônio, meu caro amigo_ disse o homem ao violino enquanto ostentava em seus lábios um sorriso irônico _“nada mais conveniente que um demônio tocando outro...”.

Sentou-se na poltrona que ficava num canto ao lado dos cavaletes, apoiando a cabeça no encosto. Sentia-se desgastado, já não dormia direito há dias, mas precisamente há duas semanas, era só fechar os olhos que as memórias da noite de duas semanas atrás lhe invadiam a mente. O aroma da dama da noite, os lindos olhos negros molhados pelas lagrimas... Ficou impressionado pela sensibilidade da menina, entretanto o que mais lhe deixou abismado foi a maneira com a qual seu sangue reagiu a presença dela. Nunca tinha sentido tanta sede em tão pouco tempo.

-Por que meu sangue reagiu desse jeito?_ se perguntou enquanto levava uma mão ao cabelo preto como a própria escuridão.

Sua reflexão foi quebrada por duas batidas na porta.

-Mi lorde_ disse a empregada por traz da porta ainda fechada.

-Sim?_ respondeu Yoru, ainda mantendo os olhos fechados e a cabeça encostada na poltrona.

-Mestre Ariel esta aqui... _disse Minerva em tom meio desconfiado.

-Diga que já vou...

Yoru levantou e se dirigiu à sala. Era uma sala espaçosa, com lareira, janelas grandes e bem espalhadas fechadas com as pesadas cortinas que bloqueavam completamente a luz do sol. Haviam dois sofás postos um em frente ao outro, com uma pequena mesa de centro entre eles, e ao lado de um sofá se encontrava uma mesa na qual tinha sobre si alguns cristais e uma garrafa de vinho. Sentado no sofá maior se encontrava um homem loiro, com olhos azuis como miosótis, e de pele alva como a neve.

-O que quer comigo há essa hora, Ariel?_ perguntou Yoru.

-Lady Vantrease foi assassinada..._ respondeu o loiro com um tom de indignação e dor pela recente perda.

O moreno não disse nada, ficou em choque com a notícia que acabara de receber, se sentou e levou a mão ao rosto respirando fundo para enfim responder ao loiro.

-Você sabe o que isso significa, não sabe Ariel?_ nesse momento os olhos do moreno mudaram do verde esmeralda para o vermelho escarlate, em quanto ostentava um olhar cruel e impiedoso.

-Sim..._ Ariel sabia exatamente o que significava e por essa razão temia o que estava por vir.

Começou a se retirar do cômodo, pois sua missão já havia sido dada. Mesmo que não lhe tivesse dito diretamente, sabia o que tinha que fazer.

-Ariel, não quero dó ou piedade!_ informou-lhe Yoru.

Ariel apenas assentiu com a cabeça e se retirou do aposento deixando Yoru a sós com seus pensamentos. Após Ariel sair Yoru deixou-se largar no sofá afundando a cabeça no encosto e dando um longo suspiro, sua exaustão tinha duplicado mediante as recentes noticias.

-Ah... Agora isso...

Não agüentava mais, precisava dormir mesmo que fosse ter o pesadelo novamente. Caminhou ate a grande porta de mogno que levava ao restante dos cômodos, seguiu pelo corredor que levava às escadas de pedra, se dirigiu a uma das portas que levava ao seu quarto, o adentrou caminhando até a cama, e então desabou sobre ela. O peso da notícia por ele recebida foi muito grande, o que agravou ainda mais seu estresse.

Mais tarde acordou sem ter tido nenhum pesadelo, todavia os acontecimentos recentes não lhe permitiram desfrutar de um sono relaxante. Seus pensamentos estavam a mil, levantou e viu que adormeceu sem ao menos se trocar, caminhou até a janela, e como sempre a entreabriu em um pequeno espaço para que pudesse olhar para fora sem que os raios de sol o ferissem, constatando que a lua prata esplandecia gloriosa no céu. Abriu as cortinas fazendo com que o quarto ficasse iluminado pela cálida luz do luar, tomou banho e se trocou, agora era sua hora, e não ficaria naquela casa angustiante. Embora fosse uma casa linda e luxuosa, lembrava-lhe de sua deplorável condição.

Desceu as escadas e se dirigiu ao ateliê, afinal era lá que repousava seu companheiro de longos anos. Adentrou o cômodo e se dirigiu ao pequeno instrumento que repousava calmamente sobre a mesa, Yoru apenas sorriu e postou-se ao lado da pequena mesa.

-Vamos meu caro amigo, esta na hora... _ disse acariciando gentilmente o violino.

Alguns instantes depois chegou em meio a um lindo jardim no qual os aromas da dama da noite mesclados ao das rosas preenchiam seu apurado olfato. Como sempre, escolheu tocar sua melancólica melodia nos jardins da universidade, afinal era um lugar que lhe trazia magníficas lembranças, e por conta disso acabou se tornando palco de suas mais belas e tristes composições.

Embora amasse o violino como sua própria vida, não estava em condições de tocar algo muito elaborado, seus pensamentos não estavam em sintonia, a noticia do assassinato da lady lhe perturbou profundamente, porém o que mais lhe perturbava era a linda jovem que ele encontrou naquele mesmo lugar, não que a jovem em si lhe causasse tamanha impressão, afinal poderia facilmente ter a mais linda das jovens em suas mãos, mas sim o sentimento que ela lhe causou, nunca tinha sentido nada parecido, a sede...o coração descompassado.....e o despertar do instintos mais primordiais que existiam dentro de si. Por fim resolveu tentar esquecer, sentou-se numa pedra que ficava no centro do jardim ao lado das rosas e começou a tocar um Canon, porém não conseguiu termina-lo pois alguém o interrompeu. Levantou os olhos e se deparou com um lindo par de olhos negros e brilhantes fitando-o, e a dona desses lindos olhos ostentando um lindo e puro sorriso.

Notas finais
bem é isso... espero que não tenha decepcionado vcs! por favor deixem comentarios, eles mostram se eu estou agradando ou não e são muito importantes para saber como eu estou me saindo nessa aventura!