Tears Of Blood
2 O olho que não enxerga.
“Era como vozes que viam do meu interior, pedindo ajuda, me implorando perdão, porem não sabia eu o que fazer, como ajudar aquela alma que aos poucos morria, chorando lagrimas de sangue que não paravam...”
\\t\\t A casa de Eric não era muito longe da minha, então logo cheguei lá, ele estava me esperando no portão, com um tom de preocupação.
\\t\\t - Cara o que aconteceu? Você desligou o telefone do nada. – Disse ele enquanto abria a porta para olhar para mim.
\\t\\t - Preciso te contar de uns sonhos que eu tive, e de umas coisas que aconteceram comigo.
\\t\\t Ele me convidou para entrar, e eu expliquei sobre meus sonhos a ele, ele ficou bem abismado com as coisas que eu falei, e resolveu que ia me ajudar, foi até seu quarto e pegou um notebook, fez uma pesquisa sobre o caso de Emily, e achou um resultado que considerei estranho.
\\t\\t - Olha que loucura, Aqui diz: “A Mãe de Emily diz ter sonhos com a filha chorando lagrimas de sangue, enquanto implora por viver” – Parei a leitura por um tempo, e analisei o que estava escrito, era exatamente o que eu tinha visto – “O pai da criança ainda afirma ter recebido uma ligação da filha enquanto tomava banho”.
\\t\\t Eric parou nesse momento pegou o notebook da minha mão, e leu um pouco mais.
\\t\\t - Cara, eu acho que essa garota quer ser salva – disse ele.
\\t\\t - Mas porque ela está se comunicando comigo? Eu não sou parente dela, e se ela ainda está viva como ela faz pra se comunicar? Isso não existe. – Eu estava buscando dentro de mim mesmo qualquer forma de achar uma solução para aquilo tudo, parei passei a mão sobre a cabeça e respirei bem fundo. – Se ela quer que eu a salve, eu farei isso.
\\t\\t - Mas que decisão foi essa agora? – vi Eric desaprovar minha decisão.
\\t\\t Nada eu falei, eu precisava pensar, mesmo que aquilo pareça loucura se ela me procurou é porque ela quer minha ajuda, um longo silencio foi feito, e ficamos nisso. Até que eu notei que não tinha ninguém naquela casa alem de nos dois.
\\t\\t - Aonde estão os seus pais Eric? Você nunca me falou deles.
\\t\\t - Eles estão mortos, faz 5 anos que eu moro sozinho aqui. – Ele falou isso com um sorriso no rosto, mas eu pude sentir a dor que ele sentia enquanto falava.
\\t\\t - Me desculpe por isso!
\\t\\t - Não tem problema eu já estou acostumado, afinal já fazem cinco anos que sou criado pela minha governanta.
\\t\\t Eu naquele momento percebi que não conhecia nada do Eric, e que o julgava sem ao menos tentar entender ele, talvez pelo fato de ter pedido os pais, ele nunca tenha ido a festa nenhuma, nem tentado ter outros amigos na escola, talvez o medo de perdê-los mais uma vez tenha feito se afastar da sociedade.
\\t\\t Não demorei muito, até resolver ir para casa, eu o convidei a ir até lá mas ele tinha uns trabalhos da escola para fazer, e eu lembrei que eu estava entupido também, me despedi dele, e voltei pra casa, eu tinha por alguns segundos esquecido de toda aquela historia da garotinha, mas eu sabia que ela não iria desistir de mim, e se eu a visse mais uma vez em meus sonhos, eu iria atrás dela.
\\t\\t Passei o resto do dia todo fazendo uns trabalhos para a escola, eu estava exausto quando fui dormi, e já era tardão também, a noite foi normal, não tive nenhum sonho com a garota, e no dia seguinte eu fui pra escola, como sempre, fiz a mesma rotina, no final da aula, eu e o Eric resolvemos que íamos ao um Karaokê.
\\t\\t Da escola até o karaokê era bem longe e precisamos pegar um metro, a cidade tava bem vazia naquele dia, algo estava estranho demais, pegamos o metro e estava vazio lá também, meu coração começou a ficar bem apertado, meus olhos começaram a virar, e minha pela a ficar fria, eu ainda consegui ouvir Eric dizendo “Yancha qual o problema?Yanc...”
\\t\\t Quando dei por mim, eu estava em uma praia, podia sentir o sol queimando minha pele, o mar tocando os meus dedos do pé, era refrescante e ao mesmo tempo confuso, em um momento estava no metro e agora estava ali naquele lugar, andei um pouco, e vi ao longe uma cabana velha, igual a dos meus sonhos, era onde a garota observava o horizonte.
\\t\\t - Com licença, alguém em casa? – Falei!
\\t\\t - Entre estava esperando por você – Era a voz da Emily, senti um arrepio na espinha, a vontade de sair correndo daquele lugar foi grande. – Não tenha medo, não vou te fazer mal, só que você me ajude a sair daqui.
\\t\\t - Mas onde é aqui? Eu nem sei como posso te ajudar.
\\t\\t - Apenas deixe seu coração fazer isso por você, seus poderes são fortes, tanto que eu consigo ter uma ligação maior com você do que com os meus pais. – Ela estava sentada na mesma varanda dos meus sonhos, ela não me encarava.
\\t\\t - Você está viva? Como consegue falar comigo?
\\t\\t - Isso tudo você entenderá com o tempo, mas sim eu estou viva, mas não sei por quanto tempo, meus olhos já não enxergam mais, as lagrimas de sangue estão me cegando, me ajude, por favor.
\\t\\t Depois disso eu acordei com o vagão lotado de pessoas, eu estava cochilando e havia babado todo o ombro de Eric, e ele estava sorrindo para mim quando eu acordei as coisas não faziam sentido, mas eu não estava preocupado com isso agora, se aquela garota estava viva, eu ia encontrá-la e ia salva-la.
\\t\\t Quando chegamos no karaokê eu acabei não cantando nada, eu estava cansado demais para fazer alguma coisa, contei ao Eric o que tinha acontecido, e ele me falou que em nenhum momento eu havia desmaiado, e que eu tinha apenas caído no sono.
\\t\\t Dormi estava se tornando perigoso para mim, eu já não sabia o que era realidade e o que não era.
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