Tears Of An Angel

1 Capítulo Único - Lágrimas de um anjo


Notas iniciais
Tive a ideia de fazer esta fanfic enquanto via um vídeo que na realidade não tem nada a ver com a história. Apenas comecei a pensar e decidi dar vida ao que eu estava pensando.
Essa é a minha primeira fanfic de Miraculous, então me perdoem se houver algum erro.

As lágrimas de Marinette caiam intensamente por seu rosto. Ela simplesmente não conseguia parar de chorar. Tikki queria fazer alguma coisa, mas não sabia como consolar Marinette, não depois do que havia acontecido.

— Eu falhei, Tikki...

A garota falou pela primeira vez depois de chorar por meia hora. Tikki se aproximou de Marinette, que abraçou a kwami com toda a força e amor que podia dar. Ela só precisava de um abraço sem ser o de sua mãe, que estava tão abalada quanto ela.

— Eu falhei como Ladybug...

— Marinette, não...

Tikki foi interrompida por um barulho vindo da janela do quarto, se escondeu o mais rápido que conseguiu. Chovia lá fora, chovia muito. Marinette se aproximou da janela e a primeira coisa que viu foi um gato preto completamente encharcado do lado de fora. Com certo receio, a garota abriu a janela e deixou que Chat Noir entrasse em seu quarto.

— O que você veio fazer aqui? — Perguntou rudemente, mas o gato pareceu não se incomodar.

— Eu sinto muito.

Foi a única coisa que Chat Noir conseguiu dizer. Ele sentou-se na cama da garota com um olhar triste para ela, não conseguia imaginar a dor que ela estava sentindo naquele momento. O que havia acontecido era sua culpa, ele havia falhado como Chat Noir e como Adrien, amigo de Marinette. Sentia-se envergonhado por Ladybug não sentir-se culpada como ele, depois do acidente ela simplesmente derrotou a pessoa akumatizada e foi embora, como se nada tivesse acontecido.

Marinette o olhou, surpresa com a primeira coisa que Chat disse ao chegar. Sem se importar se fosse incômodo ou não, ela correu até o gato e o abraçou com todas as suas forças. E novamente começou a chorar como nunca havia chorado antes.

— Ele se foi, Chat... — Soluçava. — O meu pai está morto!

Adrien sentiu um nó na garganta. Ele queria ficar ali com Marinette, queria chorar com ela. Ele queria poder fazer alguma coisa para concertar aquilo, mas nada podia ser feito.

— Como aconteceu? — Secando as lágrimas, Marinette perguntou como havia acontecido o acidente, apesar de ter visto com os próprios olhos o que aconteceu.

— Ele só estava no lugar errado e na hora errada...

— Como...?

— Ele... — Suspirou. — A Chama o pegou como refém no supermercado, ele estava entre várias pessoas lá, mas por má sorte ela pegou logo o seu pai — Chat não sabia se conseguiria continuar contando para Marinette o que aconteceu. Ele só queria ficar abraçado com ela enquanto ela liberava toda a sua dor em seu ombro. — Ela o levou até uma fábrica abandonada, e em sua troca ela queria meu miraculous e o da Ladybug. Tínhamos um plano, mas não foi como o planejado. Ela trancou seu pai em um quarto e o incendiou em nossa frente, não conseguimos apagar o fogo a tempo.

O gato escutou os soluços de Marinette e apertou ainda mais a garota em seu abraço. Seus olhos começaram a marejar, Adrien lembrou de sua mãe e se colocou no lugar de Marinette. Se pudesse, ele se transformaria em Adrien naquele exato momento e ficaria ao lado da garota durante o resto da noite, mas ele precisava manter o segredo de Chat Noir.

— Eu... Eu falhei, Mari. Sinto muito!

— Não... — Ela o desabraçou e fungou. — Você mesmo disse que não podia ter feito nada, não é a sua culpa.

— Se quiser eu posso ficar aqui com você — Se atreveu a tocar o cabelo cheiroso e macio de Marinette, e inesperadamente ela o deixou continuar com o carinho em seu cabelo.

— Você tem que voltar a ser... Você.

— Posso ser Chat Noir durante a noite inteira, por você.

Marinette não conseguiu evitar o sorriso. Não conseguia explicar, mas estar ali com Chat Noir a fazia se sentir bem. Quando ele pronunciava o seu nome, algumas vezes se ameaçava por seu coração acelerar.

— Eu preciso ficar sozinha.

Chat não podia ir contra a decisão de Marinette. Com um leve sorriso no rosto, ele assentiu e foi em direção a janela que estava aberta. Mas antes de ir embora, ele olhou pela última vez os olhos azuis de Marinette. Não iria esquecer nunca aqueles olhos tristes da garota.

Dois dias depois...

No velório Marinette se isolou da família e dos amigos. Ela só queria ficar no canto, pensando no que havia acontecido. Culpava Hawk Moth pelo que havia acontecido a seu pai, e não descansaria até vê-lo pagar pela morte de seu pai.

Não se sentia pronta para voltar a escola, mas já havia perdido dois dias de aula e não queria perder mais tantas aulas. Havia tantos conteúdos perdidos, e Marinette tinha que ver os amigos pela primeira vez depois da morte de seu pai. Nem tinha pensado em Adrien durante esses dois dias que se passaram, não havia pensado em nada a não ser em uma ótima vingança contra Hawk Moth.

— Marinette! — Alya a abraçou com toda a força do mundo, e Mari se sentiu obrigada a retribuir, mesmo ainda estando na lua com o seu pensamento de vingança. — Como você está?

— Eu vou ficar bem!

Adrien parou de ouvir o que Chloé dizia no momento em que viu Marinette entrar na sala de aula. Ela parecia bem melhor depois daquela noite. Seus olhos ainda estavam um pouco inchados, deve ter chorado antes de vir para a aula ou teve uma noite mal dormida. O loiro se sentiu bem ao vê-la ali, de volta a sua rotina normal.

Chloé ao perceber que Adrien não estava mais prestando atenção nela olhou para onde o rapaz olhava. Era apenas Marinette. A coitada da Marinette.

Sabia perfeitamente que ela estava usando a morte do seu pai para ser a coitadinha, para receber a atenção de Adrien e de outras pessoas que nem sequer notavam a sua presença ali antes de seu pai morrer.

Odiava toda aquela atenção que Marinette recebia, assim como odiava a forma como Adrien olhava para ele. Se enfureceu ainda mais quando Adrien simplesmente foi até Marinette que conversava com o idiota do Nino e a idiota da Alya, os dois realmente se mereciam.

— Mari… — Adrien disse baixo, sentiu que a sua boca quase não pronunciou o apelido da menina.

— A-Adrien! — Mesmo com todo o clima tenso, Marinette ainda gaguejava ao falar com Adrien, o seu querido Adrien.

— Sinto muito pelo o que aconteceu com seu pai... — Ele ainda sentia a culpa em suas costas.

— Tudo bem... Coisas assim acontecem — Sem graça, ela disse. — Só queria que o Cht Noir e a Ladybug tivessem conseguido salvá-lo — Sem pensar, ela disse.

Adrien sentiu um nó na garganta. Tinha medo que a garota colocasse a culpa em Chat Noir. Se ela o culpasse, não se perdoaria nunca. O pai de Marinette era uma vida, uma vida que nem ele e nem a Ladybug conseguiram salvar.

— Você os culpa? — Perguntou Adrien.

— Mas Marinette... — Alya se intrometeu. — Sei que a Ladybug e o Chat Noir tentaram salvá-lo, esse é o dever deles!

— Eu não culpo o Chat Noir! — Adrien permitiu-se sorrir aliviado. — Eu culpo a Ladybug!

O silêncio daquela sala reinou. Nem Marinette conseguia acreditar nas palavras que acabaram de sair da sua boca. Doía tanto nela falar aquilo para si mesma, colocar a culpa em si mesma. Mas era verdade, se ela tivesse escutado Chat Noir de que não daria tempo para ela fazer o que ela tinha em mente, nada daquilo teria acontecido e o seu pai ainda estaria vivo.

Quando a professora entrou na sala, Marinette foi até seu lugar com Alya e decidiu esquecer toda essa conversa.

XxX

— Ela não pode colocar a culpa na Ladybug, Plagg! — Ao chegar em casa, Adrien começou a reclamar com o amigo sobre a declaração de Marinette. Não queria ver a garota sentir ódio da Ladybug, não conseguia imaginar isso.

— Ela só está de luto... — O kwami tentou explicar.

— Mas culpar a Ladybug? Ela... Não foi culpa dela!

Já era noite. E nenhum sinal de algum akumatizado ou de Ladybug andando no telhado dos prédios próximo a sua casa. Algumas vezes ele a via naquela região, e seu coração acelerava só de vê-lo pulando de telhado em telhado. Queria que ela soubesse que estava andando perto do local em que o seu Chat Noir morava, mas ele não podia dizer isso a ela.

— Plagg, mostrar garras!

Ladybug sentou-se no telhado de uma casa um pouco mais afastada da mansão Agreste. Ela não conseguia ver quase nada dali, mas se sentia melhor em saber que estava perto de Adrien.

Fechou os olhos e nem notou quando Chat sentou-se perto dela. Não queria demonstrar que estava triste pelo pai da tal Marinette. Naquele momento ela não era mais a Marinette, não era a triste Mari que os amigos passaram o dia tentando não tocar no assunto sobre o seu pai.

— Você fugiu! — Abriu os olhos e olhou para o gato. — Aquele homem morreu, e você simplesmente fugiu! Me deu a responsabilidade de levar o corpo queimado pra família.

— Meu tempo estava acabando... — Tentou se explicar.

— E daí? — Chat Noir se sentiu mal sendo rude com a sua Ladybug, mas o que ele falava não era mentira. A joaninha fugiu sem mais nem menos, nem sequer se importando com o corpo de uma pessoa morta, um pai de família. — Ele tinha uma filha... — Começou.

— Tinha?

— O nome dela é Marinette — Ladybug gelou ao ouvir o gato pronunciar seu nome. Sentiu no fundo a sensação de que a forma como ele pronunciava Marinette lhe era familiar.

— Acho que já salvamos ela alguma vez — Disfarçou.

— Já. Eu visitei ela na noite em que o pai dela morreu. Estava chovendo muito e ela me deixou entrar. Não sabia se fazia muito tempo que ela tinha recebido a notícia, mas quando eu cheguei ela já tinha chorado bastante. Me senti culpado quando a vi daquele jeito, queria ficar com ela a noite toda, protegendo ela. Mas ela queria ficar sozinha.

— Queria poder pedir desculpas a ela — Ladybug deixou escapulir um pensamento.

— Você pode. Vamos, eu sei onde ela mora!

— Não! — Falou alto, fazendo o gato ficar um tanto confuso. — Eu acho que ela não vai querer dois estranhos entrando no quarto dela, não acha?

Não queria admitir, mas ela tinha razão. Seria estranho demais ele e a Ladybug irem até a casa da garota sem mais nem menos. Notou uma expressão triste em Ladybug, que o fez ficar preocupado.

Marinette não aguentava. Sim, Marinette! Sempre que lembrava do que havia acontecido sentia seu coração ficar cada vez acelerado e dolorido. Doía lembrar que viu o exato momento em que seu pai morreu, doía lembrar que Marinette a culpava. Doía ainda mais não poder abraçar Chat e contar tudo o que estava sentindo.

— Eu... Eu não aguento mais! — Para a surpresa do gato, Marinette o abraçou com todas as forças e desabou em lágrimas. Chat havia gostado daquilo, mas não entendia o motivo da joaninha estar daquele jeito. — Eu pensava que seria forte em relação a isso quando estivesse sendo a Ladybug, mas não dá. Chat, não dá!

Soluçou algumas vezes.

— Do que você está falando, my...

Sem que pudesse perguntar sobre o que Ladybug estava falando, Chat viu a roupa vermelha desaparecer e dar lugar as roupas que Marinette sempre usava em seu cotidiano.

Marinette...

A garota continuava chorando em seus ombros, chorava mais do que na última noite em que estiveram juntos. Chat Noir não conseguiu olhar fixamente pra ela, ele apenas olhava para o kwami vermelho ao lado de Mari, com uma expressão tão surpresa quanto a dele.

Todo esse tempo. Todas as manhãs. Todos os trabalhos em equipe. Todo o tempo em que ele estava sendo apenas o Adrien e longe da Ladybug, ou achava estar longe... Todo esse tempo foi Marinette. A sua my lady, a sua heroína, o seu amor. Como não havia se tocado? Os cabelos azuis que sempre estavam com o mesmo penteado. Os olhos azuis e as bochechas rosadas pelo qual sempre o faziam ficar louco. A sua Ladybug esteve sempre ao seu lado, sentada atrás dele na sala de aula.

— Chat, me desculpe! Eu tinha que ser eu mesma, não conseguia segurar toda essa dor perto de você — Mari chorou ainda mais ao se tocar que havia mostrado a sua verdadeira identidade, mas ela não se importava. Chat Noir era o seu melhor amigo, e tudo o que ela queria agora era ficar nos braços dele, sendo protegida por ele.

— Mari...

Pensou no que falar para a sua amada, mas a primeira coisa que veio em sua mente foi se transformar em Adrien. Depois de minutos que ela havia o abraçado, Adrien não havia retribuído. Estava paralisado demais por perceber que Marinette era a Ladybug que esqueceu-se de abraça-la também. Ela havia revelado a sua verdadeira identidade, e muito mais do que justo ele revelar a dele também.

Marinette viu a roupa preta de Chat desaparecer, e quase demonstrou o desespero que ela sentiu ao notar que ele estava voltando a ser ele mesmo. O desabraçou para ver o seu rosto, e no momento em que fez isso os seus olhinhos azuis arregalaram-se.

Não, não podia ser!

Colocou a mão na boca com a surpresa. Ali, na sua frente estava não mais o Chat Noir, mas sim Adrien Agreste o garoto no qual ela gostava e sentia muita vergonha de puxar assunto. Não tinha como ele ser o Chat Noir, tinha?

— Adrien...

Não conseguiu falar nada, apenas olhava para aqueles olhos verdes imaginando um Chat Noir ao invés de Adrien Agreste. Começou a pensar sobre ela ter revelado ser Marinette, será que ele teria se decepcionado por ela ser a Ladybug? Sim, ele estava decepcionado sim!

Adrien não demonstrava reação, ele apenas a encarava com seus olhos verdes e piscava algumas vezes. Queria ir embora dali, e estava prestes a fugir quando sentiu os lábios de Adrien tocar os dela.

De início, tentou parar aquele beijo, mas logo cedeu. Marinette não conseguia acreditar. Ela estava beijando Adrien Agreste! Era um beijo calmo, com carinho e maravilhoso. Mari nunca imaginou que estaria beijando Adrien no telhado de uma casa e que ele seria a pessoa que tem lutado com ela desde que se tornou a Ladybug.

O loiro não expressou nenhuma reação quando viu que a Ladybug era, de fato, Marinette. A felicidade em saber quem era o seu amor simplesmente não foi demonstrada, não até que ele ousasse se aproximar de Marinette quando ela tentou ir embora. Sem nem pensar nas consequências, Adrien a beijou. Ele estava finalmente beijando a sua Ladybug.

— My lady... — Adrien separou o beijo, dizendo essas palavras no ouvido de Marinette que a fez ficar arrepiada. — Mari, era você esse tempo todo?

— Eu... — Marinette não conseguia dizer absolutamente nada.

— Você não tem culpa pelo o que aconteceu com o seu pai! Me doeu ver você se culpando daquele jeito na escola.

— Você não sabia que eu era a Ladybug.

— Agora eu sei!

Um silêncio inundou os dois. Nenhum dizia nada, apenas se olhavam na intenção de absorverem a surpresa de estarem sempre lado a lado e nunca terem notado isso. Adrien se sentia burro por nunca ter notado as semelhanças de Ladybug e Marinette. Não sabia que se sentiria tão feliz por Marinette ser a Ladybug, não conseguia imaginar nenhuma pessoa sendo Ladybug a não ser Marinette.

— Como vai ser agora? — Seus pensamentos foram interrompidos por Mari.

— O quê?

— Nós sabemos nossas identidades. Como vamos lidar com isso daqui pra frente? Não quero que nas missões me atrapalhe o fato de você ser o garoto que eu gosto e... — Calou-se enquanto um sorriso divertido surgia no rosto de Adrien.

— Você gosta de mim?

— E-Eu... Gosto! — Admitiu.

— Eu também gosto de você — O loiro colocou a mão na cintura de Marinette e a aproximou mais de si. Antes que tocasse novamente seus lábios, ele pronunciou o apelido que Marinette no fundo sempre adorou quando eram ditas por ele sendo Chat Noir. — ...My lady.

Notas finais
Eu espero que tenham gostado da short, e me desculpem se ficou muito triste ou algo assim. Mas eu não podia deixar essa ideia me escapar.

Deixem a sua opinião, e se quiserem eu estou fazendo uma fanfic de Miraculous que pretendo postar muito em breve.
Um beijo!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!