Já estava quase anoitecendo. Era um momento bonito, em que as pessoas gostavam de parar e observar o Sol, que gloriosamente se despedia, dando lugar a Lua.

Um homem, de cabelos dourados e curtos parecia ser o único a não apreciar isso. Andava rápido e com a cabeça abaixada, como se quisesse fugir das ruas o mais depressa possível.

Na verdade, tempos atrás esse costumava ser o momento favorito de Arthur. Ele, sempre acompanhado de um menino loiro e sorridente sentava-se na grama, em seu jardim para admirar o céu. Passavam minutos lá, sem falar nada, contentes em ter simplesmente um ao outro para quem dividir aquela felicidade.

Pensar no garoto fez seu coração doer. Ele queria desesperadamente ir pra sua casa e fugir da visão desse céu, que ele antigamente amava e que agora o torturava. Não podia mais nem olhar para o pôr-do-sol sem se lembrar de Alfred. Sentia-se um caso perdido.

Finalmente, chegou ao seu lar, poderia agora escapar, finalmente.

Deitou-se no sofá suspirando, mas por algum motivo, não foi capaz de fechar os olhos. Era possível ver seu jardim através de suas imensas portas de vidro. Levantou-se desequilibrado e foi em direção a elas. Não sabia o que diabos o estava levando a fazer aquilo, mas mesmo assim as abriu.

Deu um passo para fora de casa e respirou fundo. Sentiu o cheiro da natureza invadir-lhe a mente. Tudo aquilo era muito bom e ao mesmo tempo insuportável. Suas lembranças pareciam capazes de derrubá-lo a qualquer momento.

“Eeeei, Arthur! Venha brincar comigo! Não fique parado aí com essa cara tonto!”

A voz infantil parecia tão real que o Inglês olhou para os lados. Nada. América havia o abandonado e ele precisava entender isso. No fundo, ele sabia que entendia, apenas não... Suportava.

Mas ouvir de novo aquela voz fez seu coração acelerar e ele percebeu o quão doentia era a saudade que ele sentia do americano. Parecia uma faca cravando em seu coração. Cada vez mais fundo e sem a intenção de parar.

Tremulo, caiu de joelhos na grama, sentido as lágrimas arderem em seus olhos. E pela primeira vez ele sentiu a liberdade de chorar a vontade. Chorar por aquele imbecil ingrato que ele sabia amar. Chorar por seu menino, seu garoto, seu filho.

E durante um longo tempo, ele chorou.

Notas finais
;A;
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