Tearblood
2 Problemas.
Notas iniciais
Capitulo 02
“Problemas”
Na manhã seguinte Julie acabara de acordar. Ela espreguiçou-se na cama, fez um coque amarrado com o próprio cabelo, calçou umas pantufas velhas e foi para o banheiro. Olhou-se no espelho e viu seu rosto vermelho com marcas do travesseiro na bochecha. Julie parou por alguns instantes e começou a pensar em Tyler, e no que ela havia sentido naquele abraço. Era como se ela tivesse flutuado, ela teve uma espécie de dejavú.Ela conseguiu até mesmo sentir novamente o perfume que ele usava na noite anterior, o cheiro de uma fragrância amadeirada que ela nunca sentiu antes.
Julie começou a escovar os dentes na esperança de para de pensar em Tyler. Ela não sabia o porquê, mas tudo que ela fazia de certa forma a fazia lembrar-se de Tyler, até mesmos seus dentes, já que Tyler mencionou que os acha lindos.
Julie desceu as escadas em direção à cozinha. Ela ainda estava com o cabelo preso em um coque e toda desajeitada, já que era Sábado e ela só trabalharia às onze horas.
“Bom dia, Ju!” Disse sua mãe que estava tentando abrir um pote de azeitonas.
Julie sentou em cima do balcão pegando um frigideira que estava pendurada em um suporte para panelas. “Bom dia!” ela falou com uma voz de esforço. Ela olhou para os lados procurando certamente por alguém. “Onde está Mark?”
“Ele foi para uma reunião” Dianna disse olhando para o relógio.
Mark todo sábado ia a uma reunião que Dianna sabia do que se tratava, mas nunca contara a Julie, de certa forma ela sabia que Julie não gostaria do que a reunião se tratava.
“Reunião? E Cassandra?”
“Cassandra também, meu amor.” Dianna falou sem ao menos olhar para Julie para que Julie não se interessasse em fazer mais perguntas. “E você? Não vai trabalhar hoje?”
“Não. Eu sou preciso ir hoje às... agora!” Julie gritou olhando para o relógio e correndo para o quarto tropeçando nas escadas como fazia diariamente.
A campainha tocou e Dianna desistiu de abrir o pote por alguns minutos enquanto ia em direção à porta.
“Olá Sra. Leorsney.” Disse Thomas com uma feição de deprimido.
“Olá. Você está bem, Thomas?” Dianna gostava muito de Thomas e realmente estava preocupado com ele, já que sempre que ele chegara lá estava feliz e com um sorriso no rosto.
Thomas abaixou a cabeça sem querer responder a pergunta de Dianna. “Julie está em casa?” Falou, querendo mudar o rumo da conversa.
Dianna percebeu que ele não estava disposto a falar o porquê de está deprimido então se calou e apontou para as escadas, querendo lhe dar um sinal de que Julie estava no quarto.
Ele finalmente entrou e sentou-se no sofá enquanto Dianna voltou para a cozinha pegando o pote de azeitonas e tentando abri-lo novamente.
“Thomas?” Falou Julie que vinha soltando o cabelo e descendo as escadas. “Nem estou acreditando que você já chegou.” Julie falou correndo em direção ele e com um sorriso enorme no rosto.
Ela o abraçou, mas ele não se esforçou muito para fazer o mesmo. Julie fez careta tentando entender por que Thomas estava tão frio. O soltou.
“O que você tem?” Ela perguntou.
“O que eu tenho?” Thomas retrucou enquanto procurava alguma coisa no seu celular. “É isso que eu tenho!” mostrou o celular a Julie. Era uma foto dela e Tyler conversando na festa de Boas Vindas. Que por coincidência eles estavam com os rostos bem perto.
Julie franziu a testa tentando entender a foto que estava escura. “Isso?” Ela falou rindo baixo.
“Você está rindo?”
“Acha que devo chorar? Isto é ridículo.” Julie falou se encaminhando a porta.
“Você não vai me explicar nada?” Perguntou Thomas com um tom um pouco mais alto.
Julie voltou alguns passos. “Thomas, eu acho que não devo lhe explicar nada. Se você me conhece bem, sabe que eu não estava fazendo nada demais.”
Thomas abaixou a cabeça tentando falar baixo “Nem quero imaginar o que aconteceu nesta noite.”.
Julie, sem muita paciência, chegou bem perto de Thomas e olhou no olho dele. “Sabe o que aconteceu? Eu estava tentando me divertir com alguém que nem conheço por que o meu namorado não estava lá comigo. Preferiu está com vários caras a acompanhar a sua namorada em uma festa.” Julie virou-se de novo em direção a porta, pegou na maçaneta e antes de sair ainda falou baixo. “Vai à merda Thomas.”
Bateu a porta.
Thomas sentou-se no sofá de abaixou a cabeça.
E Dianna começou se aproximar e o cutucou. “Pode abrir para mim?” Falou ela segurando o pote de azeitonas que tentara abrir a horas.
***
Julie começou a andar rápido com raiva por que Thomas agiu daquela forma e duvidou da sua palavra, porém triste, por ter sido grosseira com ele, mal conseguia pensar no que iria fazer. Julie no mínimo tropeçou umas 12 vezes e olha que ela ainda estava na metade do percurso. Ela olhou para o relógio e viu o já tinha passado da hora de está no trabalho então começou a correr para não chegar atrasada pela segunda vez na semana. O seu patrão, Sr. Hutfer, era uma pessoa boa, mas não suportava atrasos e nem brigas no ambiente de trabalho.
Julie não percebera um carro vindo em alta velocidade, uma Ferrari vermelha, ela sem saber o que fazer simplesmente travou no meio do caminho enquanto o cara tentava frear para não acertar o carro nela.
“Olha por onde anda! Otária!” Disse o homem do carro abaixando o vidro da janela. Ele era fisicamente bonito. Tinha cabelos castanhos, usava uma jaqueta preta e uns óculos escuros.
Julie abriu a boca para retrucá-lo, mas ele já tinha subido o vidro do carro e pisado no acelerador para começar a corrida. De todo modo ela não perdeu a oportunidade e xingá-lo,mesmo que para ela fosse impossível que ele escutasse de tão longe.
Julie finalmente chegara ao Sparks Diner.
“Como você pode se atrasar no dia em que temos mais clientes?” Disse Mary com cara de brava. “Eu estou tendo que fazer tudo por duas.” Mary geralmente não falava séria, mas desta vez dava para perceber o olhar de seriedade nela.
“Desculpe! Eu estava resolvendo um problema.” Disse Julie quase sussurrando.
“Por falar em problema, o Sr.Hutfer quer falar com você, mas antes atenda a mesa sete.” Mary disse entregando um bloquinho de anotações para Julie.
Julie caminhava em direção à mesa sete, mas com a cabeça baixa, pois tentava imaginar o motivo para o Sr. Hutfer chamá-la para sua sala, já que nunca fizera isso nos últimos 13 meses em que trabalhara lá.
“Posso anotar o seu pedido?” Disse Julie levantando a cabeça para olhar para o cliente e fazer o sorriso que sempre fazia. “Você? O babaca da Ferrari?” ela o olhou de cima abaixo com cara de quem fingia está com raiva, mas na verdade ela apenas estava tentando demonstrar outra emoção que não fosse o medo de entrar na sala do Sr.Hutfer.
“Gostei! O babaca da Ferrari.” Disse ele tirando os óculos e rindo de lado. “Mas prefiro ser chamado de Kevin. Kevin Stives.” Estendeu a mão em direção a Julie.
Ela olhou para a mão dele em seguida olhou para o seu rosto atraente e mal encardo.
“Posso anotar seu pedido?” Repediu Julie.
Kevin riu. “Todas as funcionárias daqui são assim?”
Ela colocou a mão no queixo e olhou para cima, numa tentativa de fingir que estava analisando alguma situação. “Você teve sorte.” Fez um sorriso franzindo a testa.
“Não vejo sorte em ser atendida por uma garota mal educada.” Ele falou sem querer ofendê-la, foi mais para provocá-la.
“Olha só, eu estou tento um dia péssimo. Você pode me deixar escrever o seu pedido e pronto?” Pediu ela sustentando a mão em uma cadeira de madeira.
“Desculpe! Você está ofegante.”
“Eu estou cansada.” Julie falou coçando a cabeça com uma caneta.
“Vou quer três sanduíches tradicionais para viajem.” Falou Kevin com um sorriso forçado.
Julie agradeceu e virou-se indo em direção ao balcão. Entregou o bloquinho nas mãos de Mary.
“É melhor você ir logo falar com o chefinho.” Mary disse com cara de preocupação. “Pode deixar! Eu entrego o pedido para você.”
“Obrigada!” Disse Julie indo em direção à sala do Sr. Hutfer.
Bateu duas vezes.
“Pode entrar!” Disse uma voz grave.
Julie entrou, fechou a porta e ficou parada com as pernas bambas. “Mandou me chamar?”
Hutfer finalmente virou-se e olhou para Julie. Ele não era velho, tinha cabelos grisalhos e olho azul, tinha herdado aquele restaurante do seu pai que falecera há dois anos.
“Julie Leorsney.Você é uma garota esperta, bonita e tem um grande futuro pela frente.” Disse ele olhando para uns papeis em cima da sua mesa. “Mas não sei se ainda quero que você trabalhe aqui.”
Julie engoliu seco. “Sr. Hutfer não faça isso. Este emprego é tudo que eu tenho.” Ela quase se ajoelhou ali mesmo.
“Tem várias pessoas que querem um emprego, mas poucas valorizam.” Hutfer falou com um ar de pena.
Julie abaixou a cabeça. Nada do que ela falasse poderia salvar a sua pele. Ela sabia que já tinha se atrasado vezes suficientes para uma demissão, não somente naquela semana, mas todas as outras também.
“Tudo bem. O entendo!” Julie tirou o avental e virou-se em direção a porta. Ela andava devagar na esperança de que o Sr. Hutfer a mandasse voltar e lhe desse outra chance. Mas isso não aconteceu.
“Obrigada!” Disse Julie com um nó na garganta.
“Amanhã volte aqui para pegar as suas contas.” Disse Hutfer virando se costas para ela.
Julie começou a andar mais rápido em direção à saída do restaurante
“O que aconteceu lá dentro?” Perguntou Mary com um olhar de preocupação.
“Fui demitida.” Julie falou e se retirou.
Continua...
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