Tear and Rain
6 TS-19 - Part.1
Notas iniciais
RICK, CDC
–Kaya! – Daryl grita pela segunda vez, claro que estava curioso, mas não podia dar o luxo de deixar um homem apontar uma arma para nós. –Kaya!
O homem em questão está dentro do prédio, ele apontava uma arma, estava tão escuro que não consegui ver que arma que era. Ouço Gleen gritando agora, não dou ouvidos.
–Algum infectado? – O homem pergunta.
–Um de nós estava – Respondo apontando uma arma a ele – Não aguentou...
–Se quiserem ficar aqui terão que fazer exame de sangue. – Ele diz com autoridade.
–Isso não será um problema. – Falo sorrindo para Lori.
–Se quiserem trazer algo tem que ser agora e rápido – O homem sai da sombra mostrando seu rosto, cansado e com cabelo claro – Quando essas portas fecharem não irão abrir mais.
Pego a mão de Lori e Carl e corremos para o carro. Daryl e Gleen vão para a estrada, os acompanho e os vejo gritando por Kaya, consigo ver a silhueta de alguém correndo, observo a caminhonete e vejo que ela deixou a Harley.
–Ela voltará amanhã, ira pegar sua motocicleta. – Observo o carro, procurando algo que restou, mas ela foi rápida e precisa, levou até a garrafa d’agua do Daryl.
–Eu irei esperar por ela – Daryl diz pegando suas coisas – Leve minha mochila para dentro.
–Não, Daryl, você entrará conosco – Me aproximo dele – Quando aquele portão fechar permanecerá fechado com você dentro! Com todos nós dentro!
–Ela está sozinha, Rick! – Gleen entra na discussão.
–Eu não vou discutir mais! – Falo e começo a andar em direção de Lori — Kaya resolveu ir embora, foi escolha dela, agora vai ter que sofrer as consequências! – Digo voltando a Daryl e Gleen.
Volto a andar e pego minhas coisas da mão de Lori, Shane vem em minha direção, percebo que está feliz, finalmente ele conseguiu algo que queria. Isso me irrita, Shane está feliz pela provável morte de uma pessoa, mas Kaya que escolheu isso:
–Ela foi embora? – Shane pergunta escondendo o sorriso.
–Sim, pegou suas coisas e saiu correndo – Respondo com um sentimento ameno.
–Isso é bom, uma boca a menos para alimentar. – Ele diz rindo.
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KAYA, EM ALGUM LUGAR PERTO DO CDC
Corro até meus pulmões começarem a doer, que foi umas cinco quadras de distância, andarilhos com certeza me viram, tenho que achar algum lugar para me esconder. Começo a andar, matando qualquer andarilho que viesse na minha frente, não posso passar a noite exposta.
Ando até minhas pernas começarem a falhar de fome, nenhum lugar que não esteja infestado ou muito bem trancado, novamente pego a garrafa de agua e bebo, ultimo gole, acabou, a garrafa estava pela metade quando a peguei. Já seu passou quatro horas desde que eu deixei o grupo, ainda não sei se isso foi uma boa escolha.
Sento num beco e descanso, sem dormir, apenas deixei minha mente viajar. Esses dias foram bons, comida e cama, pude conversar e fazer amigos, mas tudo por nada. Após lembrar do meu machucado ele volta a doer, estranho como posso esquecer tão facilmente da dor. Começo a rir sozinha no escuro, a solidão faz isso com as pessoas facilmente, lembranças faz isso com as pessoas. Pego minha mochila e procuro meu álbum, reviro minha mochila e nada, nada do meu álbum. Devo ter esquecido no carro, que raiva, amanhã eu pego ao voltar para pegar minha Harley.
Fico tão desligada que nem um homem vindo em minha direção, apenas o vejo quando me levanto e ouço o som de um tiro, logo depois vejo sangue no meu peito.
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RICK, CDC
Dr.Jenner nos apresenta ao local e nos deixa em paz para arrumarmos nossas coisas, eu e Lori ajeitamos nosso cantinho e ela vai com Carl para onde Carol está, me deixando sozinho. Shane vem em minha direção, mas ele não consegue falar nada, pois Daryl vem na minha direção, com T-Dog atrás.
–Nós precisamos voltar! – T-Dog apenas diz isso, muito menos do que eu pensava. – Ela está sozinha no meio de uma cidade infestada por andarilhos.
–Ela escolheu ir, fez a escolha mais idiota, mas isso foi bom para nós – Shane responde antes que eu pudesse dizer algo.
–Você cala a boca, tudo isso é culpa sua! – Daryl diz se ameaçando Shane. – Você que arrumou uma discussão por cause de uma simples fotografia!
– Ninguém conhece Kaya, ela pode ser uma assassina ou ladra, não podemos trazer todos que vemos na rua – Shane diz com raiva.
–O passado ficou para trás depois do que aconteceu, agora somos todos assassinos e ladrões – Daryl diz apontando dedo para o resto do grupo – Ninguém sabe seu passado completo, pode ter algo obscuro ai, mas ninguém está perguntando e ninguém está te julgando por algo que não fez, como você fez com ela – Ele continua a falar – Sabe, Kaya nem me conhecia direito, mas me protegeu, se não fosse por isso eu não estaria aqui, Rick voltaria apenas com T-Dog. – A raiva sai de suas palavras – Não sei se ninguém mais percebeu, mas o travesseiro dela esta manchado de sangue, seu machucado está aberto e pode morrer do pior jeito possível, pode cair de infecção a qualquer momento e ser comida por zumbis – Daryl não para – Shane, ela não fez nada para você, Kaya é como todos nós, um ser humano que precisa de ajuda, e você é o monstro que recusou, se ela morrer a culpa vai ser sua, apenas sua.
Daryl sai e deixa todos nós assustados, Shane abre a boca para falar, mas não o deixo, saio antes que ele pudesse reclamar.
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GLEEN, CDC
–Dary! T-Dog! – Começo a gritar a procura deles.
Os vejo saindo da área de recreação, indo em direção para seu quarto, corro em direção deles, grito mais uma vez e os dois param, T-Dog está irritado, nós três estamos, Kaya foi condenada à morte ao sair sozinha. Antes de falar algo, abro minha mochila e tiro o álbum de Kaya:
–Eu encontrei isso na caminhonete... – Falo muito feliz.
–Deveria ter deixado lá, isso só vai lembrar que a deixamos para morrer. – T-Dog diz, triste e voltam a andar.
–Espere! Eu tenho uma ideia – Grito e ambos param – Isso é a vida dela, Kaya não desistiria disso, ela vai voltar para procurar, só temos que contata-la, de algum modo...
–Como, Gleen? Sinais de fumaça? – Daryl ri e eu caio na real.
–Eu não sei...eu... – Não consigo terminar, T-Dog abre um sorriso e diz:
–Acho que tenho uma ideia.
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KAYA, ALGUM LUGAR PERTO DO CDC
A dor invade meu corpo e parece que todo arranhão resolveu doer, o sangue começa a sair da minha barriga e eu caio de choque, o choque me deixa incapacitada por um tempo, mas ao ouvir o homem falar eu grito:
–Droga, não atirei na cabeça! – Ele grita.
–Espere! Eu não sou um zumbi! – Grito também desesperada.
O homem acende uma lanterna e coloca no meu rosto, vejo o desespero em seu rosto, não sei se pior que meu rosto, ele realmente pensava que eu era um andarilho. O homem ase agacha perto de mim e coloca a mão no meu ferimento.
–Me desculpe, me desculpe. – O homem fala – Oh meu Deus, me ajude. –Ele coloca minha mochila na suas costas e me pega no colo – Vou leva-la para o meu acampamento.
A cada passo parecia que eu levava outro tiro, sangue infestava minha camiseta, a cada vez que eu tentava respirar parecia que a quantidade de ar estava diminuindo no mundo, parecia que minhas pálpebras eram ferro, tudo que via estava distorcido. Eu não sobreviverei nem um dia sozinha.
–Meu nome é Thomas, eu irei te ajudar, eu juro.
Mesmo isso vindo de um homem que eu não conheço, eu fico calma e uma calmaria desse em mim.
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GLEEN, CDC
–Dale! Dale! – T-Dog grita no corredor, nós estávamos apressados e animados.
T-Dog nos disse que Kaya havia dado um walkie-talk para Dale, apenas ela e o próprio Dale sabia o motivo, e ambos não contaram a ninguém, mas T a viu dando para o velho. Assim que os vimos corremos em sua direção:
–Que vocês querem? – Dale pergunta irritado pela gritaria.
–O walkie-talk que Kaya lhe deu. – T-Dog responde e Dale fica surpreso – Eu a vi dando para você.
–Chegaram em um bom momento, eu e Jacqui estamos tentando decifrá-lo – Dale diz os guiando para onde Jacqui estava – É bem antigo.
Todos nós sentamos em volta do walkie, Jacqui está mexendo nele, mas ninguém responde, apenas chiado. Nada mais, nada menos. Apenas chiado. Nossa esperança diminuiu, porém acho que se ela souber que estamos com seu álbum as coisas mudariam, então o tiro da mão de Dale, claro que depois pedindo desculpas:
–Kaya, estamos com seu álbum, venha buscar amanhã, e por favor, fique. – Falo e espero.
Espero e...
Apenas chiado.
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KAYA, ACAMPAMENTO DO THOMAS
Thomas me coloca numa cama improvisada e me deixa lá, coloco minha mão na minha barriga e sinto como se tivesse tomado banho de sangue, ele volta com uma caixa, mas não a abre. O homem coloca um óculos e começa a examinar o local do tiro, ele parece saber o que estava fazendo:
–Você é médico? –Pergunto com dificuldade.
–Sim, trabalhava no CDC, sai assim que pude. – Thomas responde e eu fico surpresa.
–Meu... – Tento falar mas ele coloca seu dedo na minha boca.
–Fale quando for necessário, não gaste energia.
Thomas era um senhor, mais novo que Dale, no máximo 60 anos, ele coloca um travesseiro na minha cabeça, mas quando tira a mão vê sangue:
–Eu fiz isso com você? – Thomas pergunta com medo.
–Os pontos devem ter abertos quando caí, não estava sangrando tanto. – Respondo e uma onda de dor invade meu corpo.
– A bala está ai dentro, não deve ter atingido nada, mas tenho que estancar o sangue e dar pontos – Ele diz e depois desanima – Não tenho muita linha, pode infeccionar.
Fico com medo, se eu não morrer agora posso morrer depois por infecção.
–Vamos conversar, pois isso vai doer – Thomas fala e pergunta – Onde você estava?
–Com um grupo, eu fugi, eles duvidavam da minha fidelidade – Respondo com dificuldade, ele deve ter feito algo, pois meu corpo começa a doer e eu grito, depois meus olhos estavam quase se fechando.
–Hey, hey, continue olhando para mim, isso foi apenas o começo, aguente firme! – Ele diz estalando seus dedos em meu ouvido, eu abro os olhos e tento mantê-los assim – Onde eles estão agora?
–No...no...cd...- Respondo e Thomas enfia a agulha novamente, e eu grito mais uma vez.
Lagrimas começam a sair dos meus olhos e não vejo mais nada.
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KAYA, ACAMPAMENTO DO THOMAS
Acordo e vejo uma fogueira, meu corpo todo dói, coloco minha mão no local do tiro e sinto o sangue, mas também os pontos. Thomas vêm em minha direção e me dá um copo de agua, bebo-o todo sem nem esperar um segundo, ele também me dá um pedaço de carne, como-o e sinto como se não tivesse comido faz um ano.
–Dei dois pontos na sua cabeça, mas só irá aguentar se ficar quieta, a mesma coisa com o tiro – Thomas diz e me ajuda a sentar.
–Obrigada – Agradeço e pego outro copo de agua.
–Onde você disse que seus amigos estão? – Ele pergunta com curiosidade.
–No CDC, mas eles... – Respondo, porém ele se aproxima e me interrompe.
–No CDC? – Ele grita – Eles tem que sair, não podem ficar lá. Você tem que voltar e tira-los de lá!
–Por que? Deve ser o local mais seguro que existe!
–Não, muito pelo ao contrário – Thomas responde e me vê que não estou entendendo – Quando o gerador acabar, que deve acontecer hoje ou amanhã, o local explode.
–Oh meu Deus....não...

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