Tear Down My Reason
4 Amanhã
— Você quer que te pegue?
— Oh sim, com certeza! A noite toda se possível – Respondi a Matt durante a ligação, e ouvi sua risada rouca no outro lado da linha.
A principio ele iria ficar em minha casa, mas como optou por alugar um estúdio para passar os dias, acabou que a única opção que restava seria nos encontrar em algum bar ou ficarmos no seu novo endereço provisório.
— Mas o que faremos depois que eu... Te pegar? – Sabia que dessa vez ele estava tentando me provocar, mas sem perder a educação que sempre tinha comigo.
— Eu não sei Matt, um bar? Um jantar? Eu nem sei exatamente que dia você chega.
— Amanhã.
Meu coração acelerou e parou ou mesmo tempo, nem sabia que aquilo era possível, fiquei engasgada quando tentava falar algo. A ansiedade em vê-lo veio toda de uma vez só.
Amanhã.
— Ruiva?
Respirei fundo tentando recuperar o ar e me situar novamente para conseguir responde-lo.
— Não sou mais ruiva, lobo.
— Eu sei, eu vi.
Dei uma risadinha pensando novamente, agora em tudo que teria que resolver hoje apenas para ficar disponível para ele durante os dias que ele estaria na cidade. Emoção e ansiedade era o que me descreveria com perfeição.
— Certo, amanhã quando você vier aqui a gente decide. Beijos Matt, se cuida.
— Se cuida, ruiva.
Logo que desligamos voltei a atenção ao computador a minha frente, precisava terminar o quanto antes pelo menos dois capítulos da pesquisa que estava fazendo da pós, aquilo adiantaria o trabalho de pelo menos o fim de semana.
Tentava me concentrar ao máximo, colocando os fones de ouvido poderia me concentrar apenas no texto e esquecer o mundo exterior, então aproveitava o silencio de uma sala de aula completamente vazia, a musica na cabeça, o cheiro do meu café e meu biscoito e assim ia desenvolvendo o texto que apenas fluía pelos meus dedos.
As ideias ferviam em minha cabeça, chegando até a ficar confusas e misturadas, e era só retirada de meu transe quando o fone saia da minha orelha, ergui a cabeça e vi então meu professor com o material da aula e todos meus colegas já sentados, prontos para começar mais duas horas de aulas.
— Você está bem presa nesse trabalho não é Daphne?
— A história da “caça às bruxas” sempre me cativou, imagine então incorporar isso a obras de arte...
Sorri para meu professor e fui então mudando o material para o da aula que iria se iniciar.
Olhei para meu celular vendo a hora e as ultimas mensagens, claro que a mais importante era de Matt.
“Estou ansioso”
Queria responder o quanto estava também, mas afinal, precisava manter a pose de menina inalcançável.
Logo que a aula acabou, Pam entrou na sala de aula ao mesmo tempo em que as outras pessoas iam saindo, veio então até mim e começou a me ajudar a guardar tudo e organizar os livros que havia usado na pesquisa.
— Está muito bonita hoje Daph, sorridente... Espero que tenha sido por minha causa também.
Apenas sorri para ela.
Claro, ela era uma garota bonita, agradável, gentil, mas não estava me sentindo tão apaixonada assim quanto ela. Afinal, no fundo no fundo sabia exatamente quem eu queria, basta saber se ele queria o mesmo.
Amanhã.
Peguei um cigarro de dentro da bolsa, segurei meu notebook e fui saindo com Pam pelos corredores, ela então pegou minha mão, e para não ser uma pessoa ruim, acabei deixando. Acendi o cigarro e comecei a dar longas tragadas a medida que saiamos das dependências da universidade.
— Um hábito muito feio, eu sei. – Sorri para Pam enquanto indicava o cigarro – Mas acalma minha ansiedade e claro, meu cérebro, ao menos até chegar em casa e puder fumar algo... Melhor.
Aquilo era bom, afinal para fumar tinha que soltar a mão dela, mas assim que dei a última tragada ela já segurou minha mão novamente.
Céus, eu sabia o quanto mandava bem, mas não a esse ponto.
— Você vai fazer o que agora, Daph?
— Preciso ir ao mercado, vou receber visitas amanhã... – E esperava que ele ficasse pelo menos uma noite comigo. – Porque?
— Podíamos ir à biblioteca um pouco... – Ela me deu um sorriso que deixava bem claro o que ela queria fazer lá.
Toda biblioteca que se prese, tem um canto onde ninguém vai. Os livros são empoeirados e sem interesse para ninguém com bom gosto, nesse canto é onde os casais aproveitam para dar uns amassos na universidade, assim como no bosque, no centro de ginastica dos cursos ligados a computação e robótica, que é claro, viviam vazio.
Acabei aceitando, sexo também acalmava minha ansiedade.
Quando chegamos lá, deixamos as coisas em uma mesa, livros e cadernetas abertas. Eu me sentei alguns minutos enquanto ela foi caminhando disfarçadamente até esse canto, sem câmeras, com pouca luz e sem ninguém, longe o bastante para ninguém ouvir o barulho caso houvesse algum.
Logo que vi a bibliotecária tirando um cochilo durante o horário de trabalho, fui caminhando ao encontro de minha atual parceira, ela precisava daquilo tanto quanto eu.
Quando alcancei o corredor, vi seu corpo já sentado no chão, em cima do que parecia ser sua jaqueta. Assim que parei a sua frente, suas mãos foram subindo pela parte de trás de minhas pernas, por dentro da saia longa que usava. Logo que alcançou minhas nádegas, Pam as acariciou e apertou, então foi descendo minha calcinha.
Estava prontinha para ela e seus lábios.
Pam entrou pela fenda ao lado da coxa para baixo do meu vestido, então com facilidade, afinal já conhecia o caminho, separou os lábios de minha intimidade e começou a me devorar ali mesmo.
Apenas apoiei a mão na prateleira de livros empoeirados e aproveitei do momento, sentindo, vez ou outra, minhas pernas tremer quando sua língua ágil tocava meu clitóris e brincava ali até quase me fazer chegar ao orgasmo, e assim seus dedos invadiram sem aviso minha intimidade já bastante molhada e babada.
Não demorou muito até que gozasse de forma silenciosa nos dedos e na boca maravilhosa daquela garota.
Quando demos conta, sabíamos que a biblioteca havia enchido um pouco mais, então mesmo sem dar a ela o mesmo prazer que havia sentido e que ela havia procurado, optamos por sair dali.
Recolhemos nossas coisas das mesas e então cada uma tomou seu rumo daquele dia, o que me fez voltar a realidade.
Em menos de 24 horas estaria com Matt, e ainda estava me aproveitando da garota, eu realmente precisava dar um basta naquilo.
Mas hoje não, amanhã.
Então sai para o mercado.
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